quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Números de inovação na indústria continuam a crescer


Jornal GGN

"A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) divulgou, no último dia 20, uma pesquisa que avaliou o nível de inovação na indústria brasileira. De acordo com o estudo, no primeiro trimestre de 2014, a inovação tecnológica do setor industrial voltou a crescer. Com isso, já são três trimestres consecutivos de crescimento.

No período de janeiro a março deste ano, 54% das empresas pesquisadas declararam ter realizado algum tipo de inovação de produto. No segundo trimestre de 2013, eram 46,9%, no terceiro, 47,9% e no quarto, 50,2%.

Apesar do avanço, a diretora da ABDI, Maria Luisa Campos Machado Leal, diz que a inovação ainda está abaixo da expectativa declarada pelas empresas no trimestre imediatamente anterior. “A disposição para inovar nos três meses seguintes nem sempre se confirma”, diz. Ela entende que o empresário tem expectativas, mas que elas devem ser adequadas ao cenário macroeconômico e ao desempenho daempresa.

Ainda assim, o professor e coordenador da pesquisa, Gilberto Libânio, entende que o trabalho aponta uma tendência de crescimento da taxa de inovação e da expectativa de investimento, independentemente de o cenário econômico nem sempre ser favorável. “Embora o Produto Interno Bruto esteja em acomodação, com alguma tendência de recuo, a pesquisa sugere certo otimismo do empresário, no momento em que ele declara a intenção de investir”, afirmou.

O volume de empresas que lançaram novos produtos (já existentes no mercado, mas inédito em suas próprias linhas de produção) também vem registrando um leve crescimento. No segundo trimestre de 2013, eram 33,8% das entrevistadas, no terceiro, 34,5%, no quarto, 36% e no primeiro trimestre de 2014, 38,9%.

Os únicos dados do levantamento que apresentaram declínio foram os de inovação em processos. No último trimestre de 2013, 12,6% das empresas declararam ter investido em processos novos. No primeiro trimestre de 2014 foram apenas 8,9%."

O que pode salvar o Brasil é a política, não a sua negação


Já que o brasileiro não liga para a política, detesta os políticos, acha que todo político é ladrão ou corrupto, o jeito é eleger para presidente alguém que não seja político.
E aí, como mágica, surge o nome dessa doçura de pessoa chamada Marina Silva.
Ela é, para esse brasileiro que tem pelos políticos um ódio visceral, tudo de bom.
Como o brasileiro que cultiva a ojeriza pela política, Marina também externa esse sentimento, garantindo que com ela essa raça de abominações que tem acabado com o Brasil vai ser posta devidamente em seu lugar, ou seja, ficará completamente fora da máquina administrativa.
Marina diz que esses partidos que estão aí fazem parte de um modelo ultrapassado, que todo o sistema político brasileiro não presta, que é preciso colocar algo novo - ela, é claro - em seu lugar, que é necessários mudar tudo para que a sociedade brasileira, e a própria democracia, avancem.

Quando eu era adolescente, de certa forma, também pensava mais ou menos dessa maneira.
Com o tempo, porém, percebi que só há duas formas de se fazer mudanças sociais num organismo tão complexo quanto uma nação: devagar, de modo quase imperceptível, para que os afetados pelas transformações possam absorvê-las, ou abruptamente, pela força de uma revolução.
Como a segunda hipótese, por razões óbvias, é uma possibilidade inviável no Brasil, resta apenas a primeira.
Desde 2003 o governo trabalhista vem mudando o país.
Devagar, devagarinho.
Parece que quase nada foi feito, mas esse pouco, essas migalhas que melhoraram a vida de milhões de pessoas, conseguiram tirar o sono daqueles que sempre consideraram o Brasil sua propriedade particular - uma enorme senzala controlada por meia dúzia de casas grandes.
A Marina que surge nesta eleição como a representante de uma "nova política" parece não entender o que se passa no país.
Ignora todos os avanços sociais e econômicos dos últimos anos.
E, o pior, com a sua pregação juvenil, rejeita a única forma que existe para levar o Brasil ao Primeiro Mundo, que é exatamente a política, feita e conduzida por políticos dedicados à vida pública, pessoas preparadas para entender o sofisticado mecanismo social - e não por operadores do mercado financeiro, aventureiros e carreiristas, socialites e herdeiras de fortunas, fanáticos religiosos e ambientalistas, picaretas de todos os matizes.
Só a política, e não a sua negação, é capaz de salvar o Brasil.

 Sugado do: http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/08/o-que-pode-salvar-o-brasil-e-politica.html#more

"Discurso de nova política encobre projeto de poder de antigas oligarquias econômicas"


Discurso de nova política encobre projeto de poder de antigas oligarquias econômicas

Marina traz de volta toda a chamada privataria tucana, que colocava no Banco Central a figura do operador de mercado, submetendo a os interesses da população à sanha de especuladores 

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por Helena Sthephanowitz 

Neca Setúbal e Marina Silva: a mão invisível do mercado escolheu uma candidatura que vale ouro
Foi curiosa a entrevista de Maria Alice Setúbal, sócia e irmã do presidente do Banco Itaú, e ex-coordenadora da campanha de Marina Silva (PSB), para o jornalista Fernando Rodrigues, na Folha de S.Paulo de ontem (22). Apesar de deixar mais dúvidas do que esclarecimentos, em um ponto foi bastante explícita, ao falar de economia com o objetivo de tranquilizar o mercado financeiro.

Primeiro disse ter compromisso de dar independência ao Banco Central. Afirmou ainda que os economistas gurus de Marina dão aval ao mercado financeiro, por suas posições pró-mercado. Mesmo tendo banqueiros como André Lara Resende na equipe, e ela própria ser uma banqueira, ou, como diz a imprensa, herdeira, por não exercer cargos executivos, Neca Setúbal, como é conhecida, disse que falta acrescentar gente com perfil de operador do mercado, o que deve ocorrer ao longo da campanha.

Talvez o tal operador de mercado seja o irmão Roberto Setúbal, presidente do Itaú, ou, para não dar muito na cara, alguém indicado por ele. Já a candidata Marina Silva, afiada com o discurso dos banqueiros, promete Banco Central autônomo por lei.

As declarações preocupam, porque o conceito de independência do Banco Central leva à pergunta: independência de quem? Ou o presidente do Banco Central responde à nação, podendo a soberania popular demiti-lo através de seu representante eleito para presidência da República, ou responde apenas ao próprio mercado financeiro, cujo capital hoje é apátrida, globalizado e sem compromisso com nenhum projeto nacional.

Os países em desenvolvimento que estão sendo bem-sucedidos, em geral, mantêm controle estatal sobre o Banco Central. A entidade tem sua autonomia para fazer uma governança técnica, mas não foge à obrigação de ter de prestar contas e mostrar desempenho satisfatório à nação, e não apenas a corporações financeiras privadas.

A proposta de Marina Silva significa uma privatização do Banco Central, portanto privatização do próprio dinheiro, da gestão da dívida pública e das reservas. Os bancos privados, em vez de serem regulados pelo Banco Central, passariam a controlá-lo, e sabemos bem quais são os interesses que seriam saciados antes de tudo.

Por trás do discurso, mais teórico do que prático, sobre uma suposta nova política, Marina Silva carrega consigo todo o retrocesso de dar plenos poderes a antigas oligarquias econômicas que enriqueceram muito desde a ditadura e depauperaram o povo brasileiro através de políticas perversas de concentração de renda às custas da exploração do suor da maioria da nação.

Marina traz de volta toda a política econômica da chamada privataria tucana, que colocava no Banco Central a figura do operador de mercado que Maria Alice Setúbal sugere, e toda a nação tinha de entregar ao altar do mercado sua cota de sacrifício. Fez parte dessa cota a venda da Vale a preço de banana, de fatias da Petrobras da mesma forma, o arrocho nos salários e aposentadorias, a venda da Telebrás arrecadando menos do que o investido para "saneá-la", a entrega dos bancos estaduais aos bancos privados e estrangeiros em vez de incorporá-los ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal.

Por pouco não foram entregues também estes dois bancos públicos, e geradoras de energia como Furnas e Eletrobrás. A volta da privataria em um governo de Marina assanha aqueles que querem concluir o serviço. E hoje a cobiça é muito maior, com a Petrobras tendo o pré-sal, e o Banco Central administrando reservas de US$ 380 bilhões. Imagine essa montanha de dinheiro público colocada nas mãos de operador de mercado privatista?

Marina fala de um suposto purismo político, mas no escurinho dos bastidores da campanha corre o mais sinistro toma lá dá cá que se pode considerar, que é com o chamado mercado.

Curiosamente, Maria Alice Setúbal deixou escapar em sua entrevista que já captou uma corrida de doadores de campanha querendo financiar a campanha de Marina. É a corrida do ouro.
No: http://contrapontopig.blogspot.com.br/2014/08/contraponto-14610-discurso-de-nova.html

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Estadão confirma notícia do Tijolaço: Campos usou outro avião de Apolo


Fernando Brito, Tijolaço 

"A teimosia dos fatos é a grande inimiga da mentira.
Hoje,  em boa e segura reportagem no Estadão, o repórter Ricardo Brant apurou que, de fato, houve um segundo jato cedido pela Bandeirantes Companhia de Pneus, aparentemente de propriedade de Apolo Vieira (leia aqui sobre ele), servindo à campanha de Eduardo Campos, como este blog publicou na sexta-feira.

A figura de Apolo vai se tornando, cada vez mais, central neste episódio.
Leia a matéria de Brandt, publicada hoje na página A-4 do Estadão, que está repercutindo em vários dos grandes portais de notícias:

Campos usou outro jatinho de empresário investigado pela PF


Ricardo Brandt


Em maio, então candidato do PSB viajou em aeronave comprada por Apolo Vieira,envolvido em negócio do avião que caiu em Santos
Uma das empresas investigadas na compra do jato Cessna Citation 560 XLS, que caiu matando o candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos, e outras seis pessoas, a Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda. tem em seu nome outra aeronave que, em maio, foi usada pelo ex-governador de Pernambuco durante visita de pré-campanha na Bahia.

Trata-se do Learjet 45, prefixo PP-ASV, que Campos usou no dia 20 de maio, em visita a Feira de Santana. Em fotografia retirada pela imprensa durante sua chegada é possível ver a aeronave.

Mais modesto que o Citation 560 XLS, o avião biorreator usado pelo candidato naquele dia está registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em nome da Bandeirantes, que tem sede em Pernambuco, e pertence a Apolo Santa Vieira. Pelo registro na Anac, o Learjet 45 foi financiado pela Bandeirantes. Como foi comprado por leasing, enquanto a empresa
não terminar de pagá-lo, pertence ao Bank of Utah Trustee.

Apolo Santa Vieira é um dos três empresários pernambucanos investigados pela Polícia Federal como supostos laranjas na negociação de arrendamento do Citation, que caiu em Santos (SP), no dia 13. A aeronave está em nome da AF Andrade, que está em recuperação judicial. Em maio, o empresário pernambucano João Carlos Lyra de Melo Filho assinou compromisso de compra da aeronave e indicou as empresas Bandeirantes e BR Par para assumir dívidas junto à Cesnna.

Agentes da PF, com auxílio da Receita Federal, tentam identificar de onde veio o dinheiro para a Bandeirantes Pneus, uma importadora e recuperadora de pneus, comprar o Learjet e o Citation.

Por meio de nota, a empresa informou que tentou assumir o leasing do Citation (que vale US$ 8,5 milhões), mas que a compra não se efetivou. A AF Andrade informou que já havia recebido parte das parcelas.

Apolo Viera é réu em um processo por sonegação fiscal na importação de pneus, via porto de Suape (PE), que gerou um prejuízo de R$ 100 milhões aos cofres públicos. Sua antiga empresa, a Alpha Pneus, e outras, recorrem em segunda instância.

A Bandeirantes foi criada em 2004, em Jaboatão dos Guararapes (PE) e funciona em um galpão de médio porte. O Estado localizou uma movimentação de importação financiada registrada pelo Banco Central, em dezembro de 2010, de US$ 1,4 milhão, via banco Ilhas Cayman e Banco Safra."

26 agosto 2014 Marina come do fruto da demonização da política, por Francy Lisboa



Francy Lisboa, GGN

"Nesses períodos que antecedem a campanha eleitoral, até mesmo argumentos de que a mídia não tem nada a ver com a demonização do PT começam a surgir em comentáriosde pessoas ditas “progressistas”. Percebe-se que a votação não será baseada em partidos, mas sim no candidato, pelo menos no caso de Dilma e Marina.

As chamadas jornadas de Junho de 2013 foram exaustivamente analisadas como descontentamento com a política e nesse vácuo oportunistas começou gerar o discurso de pairar acima da atividade mais básica de uma sociedade:  a Política.

O falecido Eduardo Campos e sua vice por conveniência, e hoje forte candidata, Marina Silva, começaram mal. Não há nenhuma contribuição consistente de quem nega os partidos e a atividade política. Apresentar-se como novo colocou Marina a mercê de todas as analises buscando as contradições e elas aparecem aos berros.

Esse primarismo político talvez explique o porquê ela é comparada ao ex-presidente Fernando Collor. Erundina, hoje coordenadora da campanha de Marina Silva, já havia dito que Marina Silva deseduca  ao negar a política.

A verdade, Marina apenas surfa na demonização que se tornou mais intenção pela incapacidade da imprensa em viver ideologicamente em paz com o Partido dos Trabalhadores. Como está fácil não ter propostas para o Brasil, pois mesmo o PT mostrando em sua propaganda que nem tudo é caos como alguns apontam, é possível votar em quem só trabalha na base dos clichês.

Nunca a sensação de que de fato existe a entidade coletiva Homer Simpson se fez tão forte. Vale qualquer coisa, até mesmo não ter propostas concretas e realistas. Ao contrário do que disse Nassif em seu Post, Marina não traz nada de novo, apenas o fato de quem está propondo é ela e não o Governo bolivariansitascomunistascheguevarista... ista do PT.

Tudo isso porque ela se apresenta acima das negociatas da política, uma tolice sem fim. Costumo dizer que não existiriam os santos católicos se eles soubessem o que são de fato. Nada, absolutamente nada supera o escrutínio.
O que vale é o pragmatismo, o bom pragmatismo para discernir se as contradições são fortes o suficiente para mudar a percepção de risco ao votar em A B, ou C.

Mas esse pragmatismo não existe. Marina e seus aliados (Neca, Gianetti, etc) são o retrato da Velha Política indo no vácuo oportunista de surfar em dos principais males que assolam a população brasileira: a descrença na política.

Isso por si só já é motivo suficiente de que Marina não está interessada em melhorar o Brasil, apenas surfa na sua ignorância política potencializada em doses homeopáticas pela mídia."

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Uma estranha terceira via


Eleição vai, eleição vem, e a tal "terceira via" ressurge, prometendo mudar tudo isso que está aí, como uma panaceia para os males seculares do país.
Mas o que é essa terceira via redentora da política, salvadora da moral e dos bons costumes da vida pública?
No caso explícito de Marina Silva é nada mais, nada menos que um embolorado conteúdo convenientemente embalado num verdíssimo papel reciclado, última moda entre tantas outras que alimentam esta nossa vasta sociedade capitalista consumista.

Estranha essa terceira via, que agrupa destacados elementos da tenebrosa via que exterminou dezenas de milhões de empregos no mundo todo e que encaminhou o planeta na pior crise econômica jamais vivida.
Estranha essa terceira via que abusa das práticas mais detestáveis da criminosa via que jogou na sarjeta a reputação da atividade política no Brasil.
Estranha essa terceira via que junta sob sua orientação ideologias tão contrárias como ambientalistas e empresários do agronegócio, socialistas e banqueiros, "sonháticos" e operadores do mercado financeiro.
Estranha essa terceira via que destaca em seu quadro dirigente representantes da oligarquia responsável por consagrar o Brasil como um dos campeões mundiais da desigualdade social.
Estranha, muito estranha essa terceira via.
Tão estranha que começa a contar com a simpatia de todos os que apoiavam, até outro dia, aquela via que queria reduzir o Brasil a uma imensa senzala controlada por uma luxuosa casa grande.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/08/uma-estranha-terceira-via.html

Sabesp ignorou recomendações e afundou o Cantareira, diz especialista

Jornal GGN - O colapso do Sistema Cantareira, segundo inúmeros especialistas, pode ser considerado fruto de erros da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) associados ao longo período de estiagem. A atual crise já é a pior em mais de oito décadas de registro. Assemelha-se, apenas, ao biênio 1953/1954, conforme sugere a outorga do Cantareira de 2004.
Diferente daquele ano, a situação do subsolo das represas que compõem o maior sistema de abastecimento de água de São Paulo, hoje, é extremamente alarmante. A chuva que cair - e se cair - nos próximos meses precisará, primeiro, permear o solo seco antes de virar afluente.
É o que explicou, preocupado, o engenheiro e sanitarista José Roberto Kachel, na primeira parte da discussão sobre a crise de água promovida pela redação do Jornal GGN, ao lado do professor da pós-graduação em Planejamento de Gestão de Territórios da UFABC, Ricardo de Souza Moretti, e do jornalista Luis Nassif.
Segundo Kachel, que trabalhou por mais de 30 anos na Sabesp, uma análise da série histórica de vazões de afluentes do Cantareira mostra que a estatal retirou muito mais água do que o recomendado no final de 2013 e início deste ano. Isso contribuiu para que o sistema entrasse em colapso e o governo Estado, capitaneado por Geraldo Alckmin (PSDB), tivesse de decretar o uso do volume morto (reserva técnica).
“Até agosto do ano passado, a Sabesp praticou a retirada de margens abaixo do indicado. Mas a partir de setembro, Sabesp retirou vazões acima - 38 m³/s, quando o recomendado é até 33 m³/s. Em novembro e dezembro, ela tirou entre 12 e 13 m³/s a mais do que o critério recomendado. O manancial afundou! Se essa recomendação tivesse sido seguida, estaríamos hoje ainda com volume útil. O volume morto só seria utilizado no final de outubro”, pontuou. “Nos meus cálculos, pela regra de outorga na Sabesp, essa vazão tem que ser reduzida imediatamente para 16 m³/s”, acrescentou. 
Segundo Kachel, se a Sabesp continuar nesse ritmo, o Cantareira irá se esgotar em maio de 2015. Projeções do Consórcio PCJ indicam que o Sistema que abatece 8,8 milhões de pessoas, com o melhor dos cenários metereológicos, levará ao menos cinco anos para se recuperar dessa crise.
“O Alto Tietê está na mesma situação. Falaram de utilizar o volume morto. Que eu saiba, se tiver volume morto, deve ter coisa de 20 milhões de metros cúbicos de água, e não dá nem para o próximo mês. O Alto Tietê acabaria sem alternativas. Tomara que eu esteja errado”, concluiu Kachel.
Os riscos ambientais de secar um reservatório
Ricardo Moretti alertou para os riscos à saúde e ao meio ambiente a partir do uso de águas de um reservatório seco. Embora autoridades afirmem que a primeira metade do volume morto do Cantareira é completamente usável, Moretti sustentou que “começar a extrair água de fundo de reservatório é o que podemos chamar de caixa preta”. Ele citou o caso de mortes em um hospital pernambucano após uso de água de volume morto.
Kachel também afirmou que se a Sabesp retirar algo muito próximo ao fundo das represas, cenários semelhantes podem acontecer em São Paulo. A autarquia estadual já recebeu autorização para iniciar as obras de retirada das águas da segunda metade da reserva técnica do Cantareira. 
As chances de falta de água generalizada
Para Ricardo Moretti, a situação é “assustadora” no Estado, principalmente porque as pessoas “não imaginam que podem ficar sem água”. Segundo o professor, uma evidência de que a sociedade não está preparada para enfrentar uma situação de seca é a falta de plano B por parte dos municípios.
“Há pouco tempo, fizemos uma pesquisa tentando identificar as estratégias da defesa civil face à possibilidade de falta de água. (...) É impressionante como assunto está fora da pauta, porque ninguém considera a chance de que a gente possa não ter água. Há várias alternativas para se prevenir da falta de água e garantir abastecimentos mínimos em situações emergenciais, desde aproveitar pequenos mananciais, a água subterrânea e etc e tal. Essas pequenas medidas estão fora da pauta das companhias de saneamento, de forma geral", criticou.
Na próxima matéria, Moretti e Kachel discutem os problemas de saneamento no Estado, a limpeza de rios, os interesses da Sabesp e as alternativas para racionalizar o uso da água.
A redação convidou para o debate representantes da Secretaria de Estado de Recursos Hídricos e do Grupo Técnico para Assessoramento do Sistema Cantareira, que atuam face à crise. Sem sucesso, contudo.
Do: http://amoralnato.blogspot.com.br/2014/08/sabesp-ignorou-recomendacoes-e-afundou.html

O mantra global sobre descontrole da inflação para derrubar Dilma



A inflação tornou-se recorrente no discurso dos presidenciáveis Marina e Aécio. Não é porque a inflação esteja fora de controle. É porque está sob o controle de um governo do PT. A Rede Globo acha isso intolerável. Como consequência, se a inflação sobe 0,0001% no mês, haverá sempre um Sardenberg, um William Waak, um Bonner ou uma Patrícia Poeta - esta tão bonitinha, sempre pronta a citar “economistas” que não identifica -, para dizer com cara feia uma besteira qualquer anunciando aos quatro ventos a explosão inflacionária.

Claro, candidatos a Presidente querem ganhar as eleições, e para ganhar eleições é importante se entender com a mídia. Assim, em lugar de eles fixarem a agenda da campanha com o risco de pouca repercussão na televisão, eles seguem a agenda da televisão, confiando que isso rende exposição na mídia, sendo que essa exposição, supõe-se, rende votos. Simples assim. Tanto Marina quanto Aécio decidiram acabar com a inflação no Brasil. Não dizem como. A receita está provavelmente guardada a sete chaves nos cofres dos irmãos Marinho!

O estranho nisso tudo é que Marina e Aécio vão acabar com a inflação usando o mesmo receituário neoliberal de políticas monetária e fiscal do atual Governo. Esse receituário está sintetizado na fórmula metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário. Marina elogiou repetidamente o que chama de “tripé macroeconômico”. Pode-se perdoá-la porque na sua cara estão os sinais de quem não está entendendo nada do que está falando. Aécio é menos explícito, mas também não perde oportunidade de se alinhar à ideologia da Globo para ter patrocínio midiático.

Evidentemente que a Globo não ataca a inflação por razões acadêmicas. Nem por genuíno interesse público. O ataque está firmemente ancorado em razões fiscais, não significando isso propriamente a política fiscal do Governo, mas as tramoias fiscais da própria Globo e sua criatividade em tentar burlar as leis tributárias. Do ponto de vista técnico, em nenhum momento nos últimos meses e anos houve qualquer risco de a inflação ficar descontrolada. A Globo assumiu o discurso da inflação alta com o fim único de derrubar o Governo do PT, tendo cooptado para isso os dois candidatos principais da oposição.

Para os que têm memória curta é bom lembrar que o verdadeiro descontrole inflacionário mais recente no Brasil ocorreu no último ano do Governo Fernando Henrique. Foi algo como 14%, mais do dobro do patamar atual da inflação. Isso elimina qualquer credibilidade que o tucano Aécio possa ter ao anunciar sua “tolerância zero” para a inflação. Quanto a Marina, coitada, é difícil saber o que tem na cabeça como proposta realista nessa área, exceto os conselhos dos neoliberais militantes que voaram como mariposas em torno do PSDB e que decidiram migrar para ela.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional na UEPB.
do: http://contrapontopig.blogspot.com.br/2014/08/contraponto-14603-o-mantra-global-sobre.html

A estranha fauna que se une em torno de Marina


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"Defensora radical do meio ambiente e das espécies em extinção, a presidenciável Marina Silva, abrigada temporariamente no PSB, está conseguindo reunir em torno da sua candidatura uma fauna das mais variadas do cenário político e econômico nacional.

Na primeira semana de campanha, desfilaram em seu comitê eleitoral, e até falaram em nome da candidata, banqueiros e socialistas, históricos bichos grilo e simpatizantes dos black bloc, aqueles rebeldes sem causa das "manifestações de junho", descontentes em geral, de ex-tucanos a ex-petistas, passando por venerandos dissidentes do PMDB _ um saco de gatos, enfim.

Em nome da sustentabilidade de um possível governo, a candidata já lançou no ar que pode se unir tanto a Serra como a Suplicy. O vice escolhido é Beto Albuquerque, do PSB, líder do agronegócio e dos transgênicos, agora parceiro dos "sonháticos" da Rede marinista e dos banqueiros Neca Setúbal e André Lara Rezende, responsáveis pela área econômica do projeto eco-socialista.

No comando da campanha, estão lado a lado a ex-petista Luiza Erundina e o ex-tucano Walter Feldman. Na tesouraria, ficou o socialista Márcio França, deputado federal e ex-prefeito de São Vicente, que é candidato a vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin. Na base aliada da "nova política", podemos encontrar as famílias políticas dos Bornhausen, de Santa Catarina, e a de Inocêncio Oliveira, em Pernambuco, figuras históricas do PFL-DEM.

Só não deu para saber ainda qual é mesmo o projeto de governo desta arca de Noé, que embala as fantasias de colunistas e editorialistas, enquanto se tenta descobrir quem era, afinal, o dono do jato em que Eduardo Campos morreu na tragédia aérea de Santos.

É neste cenário buliçoso, com a grande mídia hegemônica já anunciando a economia em processo de recessão e o aumento dos índices de desemprego, que serão publicadas nos próximos dias novas pesquisas Datafolha e Ibope, os dois institutos que, de fato, comandam os rumos desta campanha eleitoral. Para quem gosta de jogar no quanto pior, melhor, e se dedica a especular na Bolsa, a próxima semana promete mais emoções.

Vida que segue."

O futuro da tevê está na internet, como mostra a Netflix


 Da info


Com títulos como “House of Cards” e “Orange is The New Black”, que disputam os Prêmios Emmy na próxima segunda-feira, a Netflix consolidou sua posição como plataforma de séries pela Internet, uma aposta que Microsoft, Amazon e Hulu quiseram imitar.

A Netflix compete nas principais categorias, especialmente a de melhor drama com “House of Cards”, uma série que mostra a vida política de Washington, e de melhor comédia com “Orange is The New Black”, sobre um presídio feminino.

A plataforma digital soube aproveitar a popularidade conquistada no ano passado, quando se tornou o primeiro serviço on-line a concorrer ao Emmy, abrindo-se para novos mercados na Europa e na América Latina até superar 50 milhões de clientes.

“Seu poder vem, basicamente, de sua base de assinantes, que pagam uns US$ 10 por mês” por esse serviço “on-line”, disse à AFP o professor de Mídias de Entretenimento Digital John Taplin, da Universidade do Sul da Califórnia (USC).

“É uma quantia gigante de dinheiro” que a empresa “pode gastar em programação, comprar novos conteúdos e fazer novos conteúdos”, disse o especialista.

A companhia foi criada em 2007, na Califórnia (oeste dos Estados Unidos). No segundo trimestre de 2014, registrou lucro líquido de US$ 71 milhões, mais do que o dobro dos US$ 29,5 milhões obtidos no mesmo período do ano passado.

Além de suas séries originais, a Netflix oferece dezenas de programas e filmes, graças a acordos com os estúdios mais importantes dos Estados Unidos.

O sucesso da Netflix também é resultado de seu formato, que se encaixa nos novos hábitos de consumo, com um público mais jovem que busca mais flexibilidade e maior acesso a seus programas favoritos de novos dispositivos, como tablets e smartphones.

Nesse sentido, a plataforma digital apostou em lançar em bloco as temporadas completas de “House of Cards” e “Orange is the New Black”, uma estratégia que rendeu muitos adeptos à empresa.

A gigante do e-commerce Amazon também oferece a seus assinantes do serviço Prime séries originais como “Alpha House”, sobre senadores republicanos, ou “Betas”, sobre criadores de aplicativos em busca de investidores.

“O início da Amazon (nesta área) foi muito problemático”, comentou o professor Taplin. “Eles reconsideraram sua estratégia, contratando alguém que trabalhou na televisão antes”, explicou.

Agora, a Amazon trabalha em seis novos projetos originais – um deles estrelado pelo ator mexicano Gael García Bernal – e conta com um orçamento de pelo menos US$ 100 milhões.

Talvez o Hulu seja o concorrente mais sólido da Netflix até o momento. Ambas as empresas têm uma estratégia muito parecida, baseada na assinatura mensal e em uma poderosa campanha publicitária. Sua série original sobre adolescentes de origem latina “East Los High” lhe abriu as portas do mercado hispânico nos Estados Unidos.

Já a Microsoft quer transmitir seus próprios programas pelo console Xbox One. Um deles, o “Halo”, será produzido por Steven Spielberg.

“Os jogos foram parte do nosso DNA nos últimos 15 anos, pelo menos, e criar conteúdo de televisão era o próximo passo lógico na nossa evolução”, declarou, há alguns meses, o vice-presidente-executivo da Xbox Entertainment Studios, Jordan Levin.

O Yahoo!, que está apenas começando no negócio, quer produzir quatro séries próprias, embora seu formato seja mais parecido com o do YouTube, com conteúdo mais curto.

“Não acredito que (Yahoo!) vá se tornar um rival, mas o que definitivamente acontecerá é que, em cinco anos, vão diminuir os canais de entretenimento por TV a cabo, dando espaço para uma televisão que funcione segundo a demanda do público”, completou o professor da USC."