terça-feira, 2 de março de 2010
Se correr o bicho pega, se ficar...
Complicou bastante a situação do governador José Serra (PSDB) com a divulgação da nova pesquisa Datafolha, neste sábado. Serra viu sua vantagem de 14 pontos ante a candidata governista Dilma Rousseff cair para apenas 4, quase um empate técnico. E este é apenas um dos problemas de Serra, como se verá a seguir.
Sim, porque a pesquisa também mostra que a popularidade do governo Lula continua ascendente, tendo batido mais um recorde ao chegar aos 72% de avaliação positiva - e o Datafolha não mede a popularida pessoal do presidente, que sempre se situou quase uma dezena de pontos percentuais acima da do governo. Dizer que pesquisa é fotografia do momento é apenas um clichê, os dados consolidados e as curvas mostram um filme em andamento também. E este filme é o que há de pior para Serra: a aprovação ao governo Lula está subindo consistentemente com a recuperação da economia depois do tombo do ano passado.
É fato que a crise não prejudicou em nada o presidente, que mesmo nos piores momentos do ano passado surfou nas ondas da sua altíssima aprovação popular. Também é fato que uma estabilidade nos patamares em que Lula se encontra já seria por si só uma enorme dificuldade para Serra ou qualquer outra candidatura oposicionista, mas a verdade é que se Lula ainda encontra espaço para crescer, aí então a coisa se torna dramática para a oposição.
Ora, mas quem está na frente é José Serra, poderiam perguntar os mais desconfiados. Sim, o tucano continua na frente, mas já em outro patamar - especialmente quando se considera a sua apertada vitória em cenário de segundo turno (45 a 41). Não é mais favorito e pode começar a campanha atrás de Dilma.
Serrá terá bastante dor de cabeça nesta semana com a pressão dos aliados para que mude a estratégia de permanecer governando São Paulo como se não fosse candidato a coisa alguma em 2010. Ele não quer assumir a candidatura agora porque ainda não tem garantias que julga necessária para encarar a disputa, como o apoio do colega Aécio Neves, que tem dito que prefere ficar em Minas a assumir a vice na chapa de Serra. A atual situação nas pesquisas pode levar Aécio a desistir da empreitada, uma vez que ele nada ganharia sendo vice de uma chapa com chances sérias de derrota.
As paredes dos Bandeirantes sabem que Serra tem um Plano B, o de disputar a reeleição e deixar a sucessão de Lula para Aécio ou quem se habilitar ao desafio no partido. A pesquisa de hoje pode ter ajudado na decisão de Serra? Talvez, mas este blog acha que ele vai esticar a corda até quando der, para obter mais elementos e sentir a temperatura da disputa.
Do lado de Dilma, tudo é festa neste momento. O plano de Lula para a candidata está funcionando e o patamar de quase 30% já foi atingido. Se nas próximas pesquisas ela ultrapassar Serra, terá criado um fato político fortíssimo. E não será surpresa se isto ocorrer ainda em março.
Wagner Iglecias foi bastante feliz na lembrança: o "E agora, José?" é a pergunta da vez. Bem verdade que a resposta depende muito do que virá das montanhas de Minas. A bola está com Aécio, mas ele não tem nenhuma pressa de soltar o jogo. Se recusar a vice, praticamente sepulta as chances de Serra, salvo, é claro, um terremoto do lado petista, o que também não é coisa para se desprezar, haja vista o histórico de aloprados fazendo besteira fora de hora. Mas aparentemente Dilma está firme e não tem muito a cara de fazer bobagens. A oposição vai precisar jogar muito bem para levar esta, pois o jogo será muito duro, mesmo sem a presença de Lula na urna eletrônica.
Por Luiz Antonio Magalhães
Sim, porque a pesquisa também mostra que a popularidade do governo Lula continua ascendente, tendo batido mais um recorde ao chegar aos 72% de avaliação positiva - e o Datafolha não mede a popularida pessoal do presidente, que sempre se situou quase uma dezena de pontos percentuais acima da do governo. Dizer que pesquisa é fotografia do momento é apenas um clichê, os dados consolidados e as curvas mostram um filme em andamento também. E este filme é o que há de pior para Serra: a aprovação ao governo Lula está subindo consistentemente com a recuperação da economia depois do tombo do ano passado.
É fato que a crise não prejudicou em nada o presidente, que mesmo nos piores momentos do ano passado surfou nas ondas da sua altíssima aprovação popular. Também é fato que uma estabilidade nos patamares em que Lula se encontra já seria por si só uma enorme dificuldade para Serra ou qualquer outra candidatura oposicionista, mas a verdade é que se Lula ainda encontra espaço para crescer, aí então a coisa se torna dramática para a oposição.
Ora, mas quem está na frente é José Serra, poderiam perguntar os mais desconfiados. Sim, o tucano continua na frente, mas já em outro patamar - especialmente quando se considera a sua apertada vitória em cenário de segundo turno (45 a 41). Não é mais favorito e pode começar a campanha atrás de Dilma.
Serrá terá bastante dor de cabeça nesta semana com a pressão dos aliados para que mude a estratégia de permanecer governando São Paulo como se não fosse candidato a coisa alguma em 2010. Ele não quer assumir a candidatura agora porque ainda não tem garantias que julga necessária para encarar a disputa, como o apoio do colega Aécio Neves, que tem dito que prefere ficar em Minas a assumir a vice na chapa de Serra. A atual situação nas pesquisas pode levar Aécio a desistir da empreitada, uma vez que ele nada ganharia sendo vice de uma chapa com chances sérias de derrota.
As paredes dos Bandeirantes sabem que Serra tem um Plano B, o de disputar a reeleição e deixar a sucessão de Lula para Aécio ou quem se habilitar ao desafio no partido. A pesquisa de hoje pode ter ajudado na decisão de Serra? Talvez, mas este blog acha que ele vai esticar a corda até quando der, para obter mais elementos e sentir a temperatura da disputa.
Do lado de Dilma, tudo é festa neste momento. O plano de Lula para a candidata está funcionando e o patamar de quase 30% já foi atingido. Se nas próximas pesquisas ela ultrapassar Serra, terá criado um fato político fortíssimo. E não será surpresa se isto ocorrer ainda em março.
Wagner Iglecias foi bastante feliz na lembrança: o "E agora, José?" é a pergunta da vez. Bem verdade que a resposta depende muito do que virá das montanhas de Minas. A bola está com Aécio, mas ele não tem nenhuma pressa de soltar o jogo. Se recusar a vice, praticamente sepulta as chances de Serra, salvo, é claro, um terremoto do lado petista, o que também não é coisa para se desprezar, haja vista o histórico de aloprados fazendo besteira fora de hora. Mas aparentemente Dilma está firme e não tem muito a cara de fazer bobagens. A oposição vai precisar jogar muito bem para levar esta, pois o jogo será muito duro, mesmo sem a presença de Lula na urna eletrônica.
Por Luiz Antonio Magalhães
O tempo de Serra
MARCOS COIMBRA - no Estado de Minas
No cenário que vivemos desde o início do ano, é difícil entender os motivos que levam o governador de São Paulo a insistir na cautela. Dentro do PSDB, ninguém mais discute quem vai ser o candidato. No conjunto das oposições, ela só gera impaciência
Quando os historiadores do futuro forem analisar as eleições presidenciais de 2010, um dos capítulos mais interessantes será o que trata do sentido de tempo do governador José Serra. Até lá, é possível que alguém já o tenha decifrado. Para quem vive o presente, no entanto, é um mistério.
Os simpatizantes mais entusiasmados de sua candidatura dizem que o compreendem. Mas são só eles. Mesmo muitos de seus correligionários têm dificuldade de entender seu comportamento na altura em que estamos.
Para quem, como ele, liderava as pesquisas desde 2007, o certo era agir do modo que agia. Embora fosse óbvio que pretendia se candidatar, não havia razão para assumi-lo tão prematuramente. Se o fizesse, tudo que dissesse, qualquer coisa que acontecesse no seu governo cresceria de tamanho, sempre de maneira negativa. E o pior é que, em troca, a visibilidade não lhe traria qualquer benefício, por já ser bem conhecido da opinião pública nacional. Nem sequer a velha “falem bem ou mal, mas falem de mim” o atraía, por conseguinte.
Quando Aécio resolveu questionar a inexorabilidade da candidatura, mais ainda se justificava uma postura de cautela. Se havia dois nomes em disputa, ambos em condições de representar o PSDB na eleição, nenhum podia posar de candidato oficial. Aliás, nenhum o era.
Isso foi bom para Serra, pois permitiu que mantivesse a candidatura quieta em seu canto, protegida dos riscos da exposição antecipada. Era tão bom que muita gente chegou a pensar que estava mancomunado com Aécio, que fingia ser candidato apenas para servir de biombo para seu companheiro.
De dezembro para cá, as coisas mudaram. Quando tomou a decisão de retirar seu nome da disputa pela indicação tucana, Aécio mostrou que a candidatura não era um simples jogo de cena, uma manobra articulada com Serra. Mas ele foi além ao anunciá-la, deixando claro que aceitava a decisão de seu partido de não escolher entre as duas opções que estavam postas. Assim fazendo, de ficar com Serra.
No cenário que vivemos desde o início do ano, é difícil entender os motivos que levam o governador de São Paulo a insistir na cautela. Dentro do PSDB, ninguém mais discute quem vai ser o candidato. No conjunto das oposições, ela só gera impaciência. Quanto ao governo, tanta prudência em nada inibe as movimentações (se não provoca o oposto) e deixa o terreno livre para o crescimento de Dilma.
Do que será que Serra imagina que se poupa ao retardar o que qualquer outro político já estaria fazendo? Apenas por hipótese, se, por exemplo, tivesse acontecido o inverso no PSDB, ele deixando a vaga para Aécio, não teríamos hoje o governador de Minas em plena campanha? Ou alguém imagina que Aécio estaria recolhido em cuidadoso silêncio? Quem tem responsabilidade de governo não pode se dedicar em tempo integral à política, mas muito se pode fazer sem ultrapassar os limites que se devem respeitar nesses casos.
Seja na discussão de um programa alternativo à proposta de continuidade que caracteriza a candidatura Dilma, seja na procura de entendimentos políticos e com a sociedade civil, junto a movimentos sociais, segmentos organizados, grupos de interesse, há muito a fazer na construção de uma candidatura das oposições. Nada se ganha deixando tudo para depois, para uma “hora certa” que ninguém sabe qual é.
Daqui a algumas semanas, Serra terá que renunciar a seu cargo. Ou seja, vai passar os próximos seis meses enfrentando a dura tarefa de ser candidato, sem nenhum anteparo. Será que ganhou alguma coisa não o sendo desde dezembro? Será que vai ganhar algo esperando que março termine?
Por enquanto, sua cautela só tem uma consequência: manter uma dúvida sempre no ar, sobre se vai mesmo ser candidato ou não. Uma incerteza que, a crer na imprensa de São Paulo, contagia seu partido. Não foi em um dos principais jornais do estado que lemos, outro dia, que o PSDB faz “tentativa para tornar irreversível a candidatura de Serra”? Contra quem é preciso fazer essa “tentativa”? Se não é contra o PSDB e os partidos de oposição, nem contra o PT e o governo (que nada têm a ver com isso), contra quem seria? O próprio Serra?
No cenário que vivemos desde o início do ano, é difícil entender os motivos que levam o governador de São Paulo a insistir na cautela. Dentro do PSDB, ninguém mais discute quem vai ser o candidato. No conjunto das oposições, ela só gera impaciência
Quando os historiadores do futuro forem analisar as eleições presidenciais de 2010, um dos capítulos mais interessantes será o que trata do sentido de tempo do governador José Serra. Até lá, é possível que alguém já o tenha decifrado. Para quem vive o presente, no entanto, é um mistério.
Os simpatizantes mais entusiasmados de sua candidatura dizem que o compreendem. Mas são só eles. Mesmo muitos de seus correligionários têm dificuldade de entender seu comportamento na altura em que estamos.
Para quem, como ele, liderava as pesquisas desde 2007, o certo era agir do modo que agia. Embora fosse óbvio que pretendia se candidatar, não havia razão para assumi-lo tão prematuramente. Se o fizesse, tudo que dissesse, qualquer coisa que acontecesse no seu governo cresceria de tamanho, sempre de maneira negativa. E o pior é que, em troca, a visibilidade não lhe traria qualquer benefício, por já ser bem conhecido da opinião pública nacional. Nem sequer a velha “falem bem ou mal, mas falem de mim” o atraía, por conseguinte.
Quando Aécio resolveu questionar a inexorabilidade da candidatura, mais ainda se justificava uma postura de cautela. Se havia dois nomes em disputa, ambos em condições de representar o PSDB na eleição, nenhum podia posar de candidato oficial. Aliás, nenhum o era.
Isso foi bom para Serra, pois permitiu que mantivesse a candidatura quieta em seu canto, protegida dos riscos da exposição antecipada. Era tão bom que muita gente chegou a pensar que estava mancomunado com Aécio, que fingia ser candidato apenas para servir de biombo para seu companheiro.
De dezembro para cá, as coisas mudaram. Quando tomou a decisão de retirar seu nome da disputa pela indicação tucana, Aécio mostrou que a candidatura não era um simples jogo de cena, uma manobra articulada com Serra. Mas ele foi além ao anunciá-la, deixando claro que aceitava a decisão de seu partido de não escolher entre as duas opções que estavam postas. Assim fazendo, de ficar com Serra.
No cenário que vivemos desde o início do ano, é difícil entender os motivos que levam o governador de São Paulo a insistir na cautela. Dentro do PSDB, ninguém mais discute quem vai ser o candidato. No conjunto das oposições, ela só gera impaciência. Quanto ao governo, tanta prudência em nada inibe as movimentações (se não provoca o oposto) e deixa o terreno livre para o crescimento de Dilma.
Do que será que Serra imagina que se poupa ao retardar o que qualquer outro político já estaria fazendo? Apenas por hipótese, se, por exemplo, tivesse acontecido o inverso no PSDB, ele deixando a vaga para Aécio, não teríamos hoje o governador de Minas em plena campanha? Ou alguém imagina que Aécio estaria recolhido em cuidadoso silêncio? Quem tem responsabilidade de governo não pode se dedicar em tempo integral à política, mas muito se pode fazer sem ultrapassar os limites que se devem respeitar nesses casos.
Seja na discussão de um programa alternativo à proposta de continuidade que caracteriza a candidatura Dilma, seja na procura de entendimentos políticos e com a sociedade civil, junto a movimentos sociais, segmentos organizados, grupos de interesse, há muito a fazer na construção de uma candidatura das oposições. Nada se ganha deixando tudo para depois, para uma “hora certa” que ninguém sabe qual é.
Daqui a algumas semanas, Serra terá que renunciar a seu cargo. Ou seja, vai passar os próximos seis meses enfrentando a dura tarefa de ser candidato, sem nenhum anteparo. Será que ganhou alguma coisa não o sendo desde dezembro? Será que vai ganhar algo esperando que março termine?
Por enquanto, sua cautela só tem uma consequência: manter uma dúvida sempre no ar, sobre se vai mesmo ser candidato ou não. Uma incerteza que, a crer na imprensa de São Paulo, contagia seu partido. Não foi em um dos principais jornais do estado que lemos, outro dia, que o PSDB faz “tentativa para tornar irreversível a candidatura de Serra”? Contra quem é preciso fazer essa “tentativa”? Se não é contra o PSDB e os partidos de oposição, nem contra o PT e o governo (que nada têm a ver com isso), contra quem seria? O próprio Serra?
segunda-feira, 1 de março de 2010
Acontece em Ubatuba - "Saúde em Ubatuba: tragédias evitáveis"
Saúde em Ubatuba: tragédias evitáveis
Entenda como o recente sofrimento do Prof. Maurício, de Caio Giraud de suas famílias e tantos outros poderiam ser evitados por uma gestão mais eficaz do sistema de saúde pública municipal.
Maurício Moromizato
A saúde pública é uma área complexa e de grande impacto na qualidade de vida e na morte das pessoas. Há tempos que as atitudes, fatos ocorridos e resultados (ou falta de) vêm mostrando que a atual administração municipal faz uma gestão amadora e que beira a irresponsabilidade. Tanto na Santa Casa como no resto do município. Hoje, domingo, li mais um relato desse porte no Jornal “a Cidade”, sobre o falecimento do jovem Caio Giraud, atendido no Posto de Saúde da Maranduba, em 07 de Fevereiro. (O coração de Ubatuba quer bater de verdade, pág. 02).
No dia 13 de fevereiro o Prof. Maurício faleceu. Diagnóstico final: aneurisma intracraniano com hemorragia cerebral subaracnóide. A prefeitura não poderia evitar que o paciente tivesse este aneurisma, porém poderia sim ter evitado o “trágico” e sofrido processo assistencial pelo qual passou o Prof. Maurício. O relato detalhado do processo assistencial já foi descrito pela Sra. Zelma Landi, mãe do Prof. Maurício no dia 18/02/2010 sob o título “O soro da virose ou da vergonha” (disponível nos meios virtuais).
Não podemos afirmar que se o sistema de saúde pública de Ubatuba fosse eficiente e estruturado, o falecimento do Professor Maurício e do jovem Caio seriam evitados. Os fatos mostram porém, que a forma trágica de seu desenlace e muito sofrimento (do paciente e de seus familiares) poderiam sim ser evitados, pois foram consequências da desestruturação do sistema municipal de saúde e da falta de compromisso com a qualidade dos serviços de saúde prestados à população, como comprovam o corajoso relato de dona Zelma, mãe do professor e de Daniela, irmã de Caio.
Por responsabilidade, procurei a opinião de uma especialista no assunto Saúde Pública. Em nossa conversa, concordamos que a falta de compromisso com a qualidade dos serviços prestados fica evidente nos relatos descritivos citados, do sistema de triagem implantado no hospital e no Posto de Saúde e da postura dos diversos profissionais que assistiram os pacientes. Esta falta de compromisso também se evidencia pela carência de profissionais especialistas. As falhas não foram individuais dos profissionais de saúde em ação, nem podem ser generalizadas a todos os trabalhadores da saúde (os relatos fazem justiça aos bons profissionais). Essas falhas devem ser interpretadas como o reflexo, no atendimento, da irresponsabilidade da gestão municipal da saúde pública.
Como quem critica deve mostrar alternativas, seguem algumas soluções possíveis:
Profissionalizar a área de gestão de pessoas (com ferramentas como gestão por resultados, avaliações qualitativas, gestão compartilhada de coletivos)
Aplicar de maneira correta os conceitos da Política Nacional de Humanização (PNH) para organizar as “portas de entrada” do sistema, isto é, para organizar a priorização no atendimento à demanda espontânea dos pacientes que chegam aos locais onde é prestada assistência de saúde pública.
Implantação de um “sistema de regulação”. Um sistema de regulação é, resumidamente, a organização geral dos serviços de saúde desde a contratualização adequada dos prestadores de serviços, passando pela disponibilidade de unidades móveis (ambulâncias) adequadas, até a correta programação e pactuação de serviços de referência nas complexidades que não estão disponíveis no município (UTI, por exemplo).
Controle social efetivo pela comunidade, com exigência para que o Conselho Municipal de Saúde atue de forma independente do executivo municipal e faça seu papel constitucional, bem como que se reinstale um conselho gestor na Santa Casa e nas Unidades de Saúde do Município.
O falecimento do Prof. Maurício é uma perda enorme para a comunidade ubatubense e a cidade sentiu... Isto ficou evidente pelo número de jovens, alunos do Prof. Maurício, presentes no funeral. No caso do jovem Caio, o relato aponta para a mesma intensidade de sofrimento. A perda imensa nos causa tristeza e faz parte da vida. Porém, o sofrimento evitável pelo qual este grande professor Maurício e o jovem Caio e suas famílias passaram nos causam outro sentimento: indignação.
Por isso, honrar a força do Prof. Maurício, do jovem Caio e suas famílias, para que eles não tenham sofrido em vão, passa por lutar para que:
1 - Os prestadores de serviço de saúde sejam contratados adequadamente pela Prefeitura...
...para que todo ser humano que chegue à Santa Casa da cidade ou a qualquer Posto de Saúde Municipal na situação em que chegaram os pacientes mencionados tenha o atendimento adequado, feito por profissionais competentes e compromissados, garantindo qualidade de atendimento e melhores resultados.
2 - Sejam disponibilizadas unidades móveis adequadas às necessidades da população...
...para que todos que apresentem quadros graves como os citados tenham o devido transporte, com a urgência necessária. E que, obviamente, este atendimento seja gratuito. Isso implica investimentos possíveis de serem feitos em aquisições de novos veículos e na manutenção adequada dos mesmos.
3 - Correta programação e pactuação de serviços de referência nas complexidades que não estão disponíveis no município...
...para que os próximos pacientes que precisem de uma UTI e não há nenhuma disponível na cidade, possam ter a garantia que o sistema de saúde pública do município encaminhará com rapidez o paciente para um outro local específico, já acordado previamente para receber os pacientes de Ubatuba (através da Programação Pactuada e Integrada/SUS); e assim os pacientes não precisam depender de que seus familiares consigam, através de suas relações de amizade pessoal, vagas em serviços de alta complexidade em outra cidade, uma preocupação que consumiu a família do Prof. Maurício nos seus últimos dias de vida.
O sofrimento dos pacientes poderia sim ser evitado se os responsáveis pelo governo municipal tratassem a saúde de forma profissional e competente. Cabia a eles evitar este sofrimento e não o fizeram. Cabe a nós fazer com que este sofrimento não seja em vão. Se nós, cidadãos de Ubatuba, conseguirmos nos organizar para cobrarmos dos administradores que eles façam o seu trabalho, mudaremos este estado lastimável da saúde em Ubatuba e, enfim, honraremos a passagem do Prof. Maurício e do Caio. Se fizermos isto, transformaremos estas tragédias evitáveis na última grande lição destes estimados cidadãos.
Maurício Moromizato
Cirurgião Dentista e Ex-Presidente do Conselho Municipal de Saúde
Entenda como o recente sofrimento do Prof. Maurício, de Caio Giraud de suas famílias e tantos outros poderiam ser evitados por uma gestão mais eficaz do sistema de saúde pública municipal.
Maurício Moromizato
A saúde pública é uma área complexa e de grande impacto na qualidade de vida e na morte das pessoas. Há tempos que as atitudes, fatos ocorridos e resultados (ou falta de) vêm mostrando que a atual administração municipal faz uma gestão amadora e que beira a irresponsabilidade. Tanto na Santa Casa como no resto do município. Hoje, domingo, li mais um relato desse porte no Jornal “a Cidade”, sobre o falecimento do jovem Caio Giraud, atendido no Posto de Saúde da Maranduba, em 07 de Fevereiro. (O coração de Ubatuba quer bater de verdade, pág. 02).
No dia 13 de fevereiro o Prof. Maurício faleceu. Diagnóstico final: aneurisma intracraniano com hemorragia cerebral subaracnóide. A prefeitura não poderia evitar que o paciente tivesse este aneurisma, porém poderia sim ter evitado o “trágico” e sofrido processo assistencial pelo qual passou o Prof. Maurício. O relato detalhado do processo assistencial já foi descrito pela Sra. Zelma Landi, mãe do Prof. Maurício no dia 18/02/2010 sob o título “O soro da virose ou da vergonha” (disponível nos meios virtuais).
Não podemos afirmar que se o sistema de saúde pública de Ubatuba fosse eficiente e estruturado, o falecimento do Professor Maurício e do jovem Caio seriam evitados. Os fatos mostram porém, que a forma trágica de seu desenlace e muito sofrimento (do paciente e de seus familiares) poderiam sim ser evitados, pois foram consequências da desestruturação do sistema municipal de saúde e da falta de compromisso com a qualidade dos serviços de saúde prestados à população, como comprovam o corajoso relato de dona Zelma, mãe do professor e de Daniela, irmã de Caio.
Por responsabilidade, procurei a opinião de uma especialista no assunto Saúde Pública. Em nossa conversa, concordamos que a falta de compromisso com a qualidade dos serviços prestados fica evidente nos relatos descritivos citados, do sistema de triagem implantado no hospital e no Posto de Saúde e da postura dos diversos profissionais que assistiram os pacientes. Esta falta de compromisso também se evidencia pela carência de profissionais especialistas. As falhas não foram individuais dos profissionais de saúde em ação, nem podem ser generalizadas a todos os trabalhadores da saúde (os relatos fazem justiça aos bons profissionais). Essas falhas devem ser interpretadas como o reflexo, no atendimento, da irresponsabilidade da gestão municipal da saúde pública.
Como quem critica deve mostrar alternativas, seguem algumas soluções possíveis:
Profissionalizar a área de gestão de pessoas (com ferramentas como gestão por resultados, avaliações qualitativas, gestão compartilhada de coletivos)
Aplicar de maneira correta os conceitos da Política Nacional de Humanização (PNH) para organizar as “portas de entrada” do sistema, isto é, para organizar a priorização no atendimento à demanda espontânea dos pacientes que chegam aos locais onde é prestada assistência de saúde pública.
Implantação de um “sistema de regulação”. Um sistema de regulação é, resumidamente, a organização geral dos serviços de saúde desde a contratualização adequada dos prestadores de serviços, passando pela disponibilidade de unidades móveis (ambulâncias) adequadas, até a correta programação e pactuação de serviços de referência nas complexidades que não estão disponíveis no município (UTI, por exemplo).
Controle social efetivo pela comunidade, com exigência para que o Conselho Municipal de Saúde atue de forma independente do executivo municipal e faça seu papel constitucional, bem como que se reinstale um conselho gestor na Santa Casa e nas Unidades de Saúde do Município.
O falecimento do Prof. Maurício é uma perda enorme para a comunidade ubatubense e a cidade sentiu... Isto ficou evidente pelo número de jovens, alunos do Prof. Maurício, presentes no funeral. No caso do jovem Caio, o relato aponta para a mesma intensidade de sofrimento. A perda imensa nos causa tristeza e faz parte da vida. Porém, o sofrimento evitável pelo qual este grande professor Maurício e o jovem Caio e suas famílias passaram nos causam outro sentimento: indignação.
Por isso, honrar a força do Prof. Maurício, do jovem Caio e suas famílias, para que eles não tenham sofrido em vão, passa por lutar para que:
1 - Os prestadores de serviço de saúde sejam contratados adequadamente pela Prefeitura...
...para que todo ser humano que chegue à Santa Casa da cidade ou a qualquer Posto de Saúde Municipal na situação em que chegaram os pacientes mencionados tenha o atendimento adequado, feito por profissionais competentes e compromissados, garantindo qualidade de atendimento e melhores resultados.
2 - Sejam disponibilizadas unidades móveis adequadas às necessidades da população...
...para que todos que apresentem quadros graves como os citados tenham o devido transporte, com a urgência necessária. E que, obviamente, este atendimento seja gratuito. Isso implica investimentos possíveis de serem feitos em aquisições de novos veículos e na manutenção adequada dos mesmos.
3 - Correta programação e pactuação de serviços de referência nas complexidades que não estão disponíveis no município...
...para que os próximos pacientes que precisem de uma UTI e não há nenhuma disponível na cidade, possam ter a garantia que o sistema de saúde pública do município encaminhará com rapidez o paciente para um outro local específico, já acordado previamente para receber os pacientes de Ubatuba (através da Programação Pactuada e Integrada/SUS); e assim os pacientes não precisam depender de que seus familiares consigam, através de suas relações de amizade pessoal, vagas em serviços de alta complexidade em outra cidade, uma preocupação que consumiu a família do Prof. Maurício nos seus últimos dias de vida.
O sofrimento dos pacientes poderia sim ser evitado se os responsáveis pelo governo municipal tratassem a saúde de forma profissional e competente. Cabia a eles evitar este sofrimento e não o fizeram. Cabe a nós fazer com que este sofrimento não seja em vão. Se nós, cidadãos de Ubatuba, conseguirmos nos organizar para cobrarmos dos administradores que eles façam o seu trabalho, mudaremos este estado lastimável da saúde em Ubatuba e, enfim, honraremos a passagem do Prof. Maurício e do Caio. Se fizermos isto, transformaremos estas tragédias evitáveis na última grande lição destes estimados cidadãos.
Maurício Moromizato
Cirurgião Dentista e Ex-Presidente do Conselho Municipal de Saúde
As placas se movem: Dilma já empata com Serra

O Mundo e a América Latina, em especial, se entristecem com as notícias sobre mais um terremoto arrasador - dessa vez no Chile.
Passei o sábado numa reunião, para criar uma associação de empresários e empreendedores de comunicação de linha progressista. Dentro da sala, num hotel paulistano, vez por outra aparecia alguém com mais notícias tristes sobre o terremoto. Tecnicamente, já sabemos o que se passou: placas tectônicas se chocaram, bem perto da costa chilena, o que pode provocar também tsunamis em todo o Pacífico.
No fim da tarde, outras placas se moveram - mas dessa vez na política brasileira. Na sala onde eu estava, chegaram os números da nova pesquisa DataFolha: Dilma colou em Serra.
A "FolhaOnline", até tarde da noite, ainda escondia os detalhes da pesquisa. A idéia é forçar o povo a comprar o jornal. Ok. Gastei meus 4 reais. E tenho aqui o diário impresso.
Os números são avassaladores.
No cenário mais provável, a situação é a seguinte: Serra 32% (contra 37% em dezembro), Dilma 28% (23% em dezembro), Ciro 12% (13% em dezembro) e Marina 8% (tinha os mesmos 8% em dezembro).
A manchete do jornal destaca esse quadro: "Dilma cresce e já encosta em Serra".
Ok. Está correto.
Mas, quando digo que os números são avasaladores, refiro-me a outras variáveis. Vejamos...
1) Rejeição - Serra é agora o mais rejeitado: 25% não votariam nele de jeito nenhum, contra 19% em dezembro.
2) Voto espontâneo - Dilma está em primeiro lugar, com 10%; com os mesmos 10% aparece... Lula! Serra é apenas o terceiro, com 7%; em quarto aparece o "candidato de Lula", com 4%, em quinto está Aécio, com 1%.
Reparem que a soma de Lula/Dilma/"candidato de Lula" alcança 24%, contra 8% de Serra/Aécio.
3) Transferência de Voto - 42% dizem que votariam num candidato apoiado por Lula; 26% dizem que "talvez" votariam em quem Lula indicar; e só 22% afirmam que "não" votariam no candidato de Lula.
4) Conhecimento do candidato - Serra é conhecido por 96%, Dilma é conhecida por 86%.
Resumo da ópera: há uma avenida aberta para que Dilma siga a crescer.
À medida que ela se torne mais conhecida, a tendência é que a intenção de voto em Dilma se aproxime dos 42% - que é o total de eleitores inclinados a escolher um candidato indicado por Lula.
A "Folha" escolheu não brigar com os números. Com uma exceção: o jornal diz que "é impreciso dizer que o levantamento indica um empate estatístico". Êpa. Aí, não. Estamos, sim, diante de um "empate técnico", no limite da margem de erro.
Mas isso é detalhe. O que importa é a tendência, anotada também na simulação de segundo turno: a diferença entre Serra e Dilma desapareceu: Serra tem 45%, Dilma tem 41%. Em dezembro, a vantagem de Serra era de 15 pontos. Agora, evaporou.
Diante disso, a colunista Eliane Cantanhêde parece desesperada. Na página 2 do jornal, ela escreve o texto "Ou vai ou Racha", com destaque para a seguinte pérola: "a eleição atingiu o ponto ideal para a definição de Aécio Neves: sempre se soube, mas nunca tinha ficado tão evidente o quanto sua candidatura a vice é fundamental para a oposição".
"Ponto ideal" pra quem, cara pálida? Cantanhêde quer empurrar Aécio pro fogo. Quer que ele perca agarrado a Serra.
Vamos raciocinar friamente. Se Aécio aceitar ser vice, e Serra perder (o que parece provável, dado que a soma dos votos espontâneos nos dois fica em um terço do total de votos espontâneos para Dilma+Lula+candidato do PT), o mineiro perde junto. Se Aécio aceitar a vice, e Serra ganhar, Aécio vira sócio minoritário da vitória.
Os jornalistas serristas, depois de espalhar por aí que Aécio bate na namorada e tem hábitos pouco ortodoxos, agora querem a ajuda do mineiro para salvar Serra.
É ruim, hem!
Do jeito que a coisa vai, estaremos em breve diante do seguinte quadro: Serra segue até o fim, em queda, e aí parte para o desespero, recorrendo a dossiês e ao esgoto jornalístico contra Dilma; ou Serra desiste antes de abril, e estaremos diante da situação inimaginável de ver os tucanos implorando a FHC para concorrer, em nome da sobrevivência do partido.
Quanto a Dilma, devo lembrar como bom corinthiano, o ideal é escapulir do salto alto. A pior besteira do mundo seria acreditar no já-ganhou. Corinthianos costumam pensar assim: quando tudo parece ir bem, é sinal de que algo errado pode acontecer em breve.
Mas falando sério: Dilma precisa lembrar que a elite (incluindo boa parte da classe média urbana) segue contra ela. Especialmente no Sul e Sudeste. Os mais escolarizados apóiam Serra - isso também aparece na pesquisa.
A mídia detesta Dilma (apesar dos sinais de que Globo e Lula parecem ter conversado nas últimas semanas, em busca de uma trégua - volto a isso em outro texto...).
Jornalistas do esgoto desesperados. Demos desesperados. Tucanos desarvorados. Essa gente toda somada é capaz de muita sujeira até a eleição.
Dilma que se prepare. Com ou sem acordo com a Globo, muito chumbo virá.
P.S.: escrevi aqui, em texto anterior, que a pesquisa DataFolha incluía outras perguntas - entre elas uma sobre a influência do "Bolsa-Família" na escolha eleitoral - http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/especialista-em-serra-datafolha-esta-em-campo. Esses números não apareceram na "Folha" deste domingo; o jornal pode ter guardado pra mais tarde, ou repassado os resultados só "a quem interessar possa". A conferir...
Rodrigo Vianna, em seu blog
Algumas considerações sobre a última pesquisa Datafolha:
1) O resultado surpreendeu tanto petistas como tucanos, que não esperavam um crescimento tão forte de Dilma e uma queda tão pronunciada de Serra;
2) Ciro Gomes já não tem nenhuma importância no quadro sucessório;
3) Idem a "verde" Marina Silva;
4) Se os dois insistirem em suas candidaturas, correm o risco de serem menos votados que o nanico Mário Oliveira;
5) Serra receberá entre 30% e 40% dos votos, concentrados no Sudeste e no Sul;
6) A estratégia de "popularizar" o tucano, levando-o, por exemplo a desfiles de Carnaval, não funcionou - a rejeição ao nome do governador paulista só aumenta;
7) Também não surte efeito a tática de tentar "clonar" a gestão federal, com medidas que copiam as do governo Lula;
8) A gestão de Gilberto Kassab à frente da prefeitura paulistana deixou de ser apenas um grande problema para os tucanos - tornou-se uma catástrofe;
9) Ainda há alguém que duvide da capacidade de o presidente Lula transferir a sua popularidade -e a de seu governo - para a sua candidata?;
10) Ainda há quem tenha coragem de chamar Dilma de "poste"?;
Por fim, a constatação mais óbvia: Dilma Rousseff só não será a próxima presidente da República se tudo, mas absolutamente tudo, sair errado em sua campanha.
2) Ciro Gomes já não tem nenhuma importância no quadro sucessório;
3) Idem a "verde" Marina Silva;
4) Se os dois insistirem em suas candidaturas, correm o risco de serem menos votados que o nanico Mário Oliveira;
5) Serra receberá entre 30% e 40% dos votos, concentrados no Sudeste e no Sul;
6) A estratégia de "popularizar" o tucano, levando-o, por exemplo a desfiles de Carnaval, não funcionou - a rejeição ao nome do governador paulista só aumenta;
7) Também não surte efeito a tática de tentar "clonar" a gestão federal, com medidas que copiam as do governo Lula;
8) A gestão de Gilberto Kassab à frente da prefeitura paulistana deixou de ser apenas um grande problema para os tucanos - tornou-se uma catástrofe;
9) Ainda há alguém que duvide da capacidade de o presidente Lula transferir a sua popularidade -e a de seu governo - para a sua candidata?;
10) Ainda há quem tenha coragem de chamar Dilma de "poste"?;
Por fim, a constatação mais óbvia: Dilma Rousseff só não será a próxima presidente da República se tudo, mas absolutamente tudo, sair errado em sua campanha.
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