segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Medidas farão Brasil crescer de forma suntentável, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que as iniciativas anunciadas pelo governo na semana passada vão estimular investimentos e sustentar o crescimento da economia brasileira.
Em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente", Lula comparou as providências tomadas frente à crise financeira internacional em 2008 e as medidas anunciadas na quarta-feira da semana anterior e disse que no final do ano passado era necessário incentivar o consumo e agora é preciso estimular também o investimento.
"Nessas medidas agora, além de continuarmos incentivando o consumo, nós estamos incentivando os investimentos, ou seja, que as empresas façam novos investimentos, que as empresas contratem mais trabalhadores. Então, é uma complementação daquilo que nós fizemos ano passado", afirmou o presidente.
Lula comentou ainda que "essa idéia de crescer de forma vigorosa em 2010" fez com que o governo antecipasse decisões que seriam anunciadas no ano que vem.
"Ou seja, ao invés de deixar para anunciar em 2010, anunciamos em 2009, aproveitando o final de ano e que as coisas estão bem, para mostrar que o Brasil não tem retorno. A gente vai continuar crescendo porque o Brasil vai se transformar em uma grande economia", disse Lula em seu programa.
"Agora, nós estamos em uma situação mais confortável. A economia já está crescendo de forma razoável", acrescentou.
Entre as iniciativas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última quarta-feira estão um novo aporte, de 80 bilhões de reais, para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiar investimentos em 2010 e 2011.
O governo também prorrogou desonerações para os setores de bens de capital e computadores e anunciou novos incentivos tributários para investimentos em refino de petróleo, indústria petroquímica e energia eólica. A renúncia fiscal estimada para 2010 é de 3,208 bilhões de reais.
Mantega também anunciou a criação de um instrumento de captação de recursos de longo prazo para os bancos. O novo instrumento terá os moldes de uma debênture e será regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
"Essas medidas, elas têm, eu diria, o endereço certo: a certeza absoluta que o governo trabalha, que a economia brasileira vai crescer muito em 2010, que a gente vai continuar com a inflação baixa", disse Lula.
Reuters
Postado por Glória Leite
Em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente", Lula comparou as providências tomadas frente à crise financeira internacional em 2008 e as medidas anunciadas na quarta-feira da semana anterior e disse que no final do ano passado era necessário incentivar o consumo e agora é preciso estimular também o investimento.
"Nessas medidas agora, além de continuarmos incentivando o consumo, nós estamos incentivando os investimentos, ou seja, que as empresas façam novos investimentos, que as empresas contratem mais trabalhadores. Então, é uma complementação daquilo que nós fizemos ano passado", afirmou o presidente.
Lula comentou ainda que "essa idéia de crescer de forma vigorosa em 2010" fez com que o governo antecipasse decisões que seriam anunciadas no ano que vem.
"Ou seja, ao invés de deixar para anunciar em 2010, anunciamos em 2009, aproveitando o final de ano e que as coisas estão bem, para mostrar que o Brasil não tem retorno. A gente vai continuar crescendo porque o Brasil vai se transformar em uma grande economia", disse Lula em seu programa.
"Agora, nós estamos em uma situação mais confortável. A economia já está crescendo de forma razoável", acrescentou.
Entre as iniciativas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última quarta-feira estão um novo aporte, de 80 bilhões de reais, para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiar investimentos em 2010 e 2011.
O governo também prorrogou desonerações para os setores de bens de capital e computadores e anunciou novos incentivos tributários para investimentos em refino de petróleo, indústria petroquímica e energia eólica. A renúncia fiscal estimada para 2010 é de 3,208 bilhões de reais.
Mantega também anunciou a criação de um instrumento de captação de recursos de longo prazo para os bancos. O novo instrumento terá os moldes de uma debênture e será regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
"Essas medidas, elas têm, eu diria, o endereço certo: a certeza absoluta que o governo trabalha, que a economia brasileira vai crescer muito em 2010, que a gente vai continuar com a inflação baixa", disse Lula.
Reuters
Postado por Glória Leite
Líder do PSDB sob investigação
A segunda fase das investigações sobre a arrecadação e distribuição de propinas no Distrito Federal (DF) tem como alvos principais dois personagens no esquema: o vice-governador Paulo Octávio, do DEM, e o ex-secretário de Obras de Brasília, Márcio Machado, presidente do PSDB de Brasilia
Responsável pela arrecadação de fundos para a eleição de José Roberto Arruda para o governo do Distrito Federal em 2006, Mracio Machado PSDB seria, segundo informações repassadas ao Ministério Público, o homem encarregado de articular a formação do caixa que seria destinado à campanha do ano que vem.
Sob risco de ser expulso do partido que preside, o PSDB, Machado não dá entrevista,A partir desta segunda-feira, as investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal sobre o esquema de arrecadação e distribuição de propinas envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, vão ganhar um novo rumo. A PF entregará ao ministro Fernando Gonçalves, responsável pelo inquérito, o relatório em que serão detalhados os indícios encontrados durante a execução de 28 mandados de busca e apreensão durante a Operação Caixa de Pandora, desencadeada no dia 28 de novembro.
O relatório vai traduzir o resultado da perícia nos vídeos entregues à PF pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa. O Instituto de Criminalística da PF vai responder se os vídeos e os áudios foram adulterados e se houve edição. As informações preliminares apontam que, embora Durval tenha se gravado, o procedimento obedeceu o padrão correto e imagem e som são autênticos.
Confirmados esses detalhes, as imagens de dinheiro sendo enfiado em cuecas e meias que ganharam o mundo pela internet e na televisão serão consideradas como provas contra os envolvidos no escândalo mais bem registrado na história recente do País. A polícia também vai esclarecer em quais endereços devassados foram encontradas as notas seriadas que integram o volume de R$ 700 mil apreendidos. A possibilidade de identificar o banco onde o dinheiro foi retirado e a pessoa que fez o saque pode fechar o ciclo contra parlamentares e secretários envolvidos e abrir uma nova frente de investigação.
A Operação Caixa de Pandora se originou de uma investigação iniciada há mais de um ano na Procuradoria da República do Distrito Federal. A PF foi acionada pelo MPF somente nos últimos 60 dias. O delegado que cumpre as cotas determinadas pelo ministro Fernando Gonçalves, Alfredo Junqueira vai sugerir, no final do relatório, a quebra do sigilo bancários dos envolvidos, e outras providências que deverão gerar uma segunda ofensiva de investigações. Serão chamados a prestar depoimento todos os suspeitos de participação no esquema, entre eles, o governador José Roberto Arruda, o vice-governador Paulo Octávio e todos os personagens citados por Durval Barbosa no inquérito.
O relatório da PF vai produzir os indícios necessários para que o MPF formalize a denúncia. Os envolvidos deverão ser enquadrados por corrupção passiva e ativa, peculato e formação de quadrilha. As imagens da distribuição de propina e o dinheiro apreendido serão a base das acusações. Já os empresários do setor de informática poderão ser indiciados por corrupção ativa.
Responsável pela arrecadação de fundos para a eleição de José Roberto Arruda para o governo do Distrito Federal em 2006, Mracio Machado PSDB seria, segundo informações repassadas ao Ministério Público, o homem encarregado de articular a formação do caixa que seria destinado à campanha do ano que vem.
Sob risco de ser expulso do partido que preside, o PSDB, Machado não dá entrevista,A partir desta segunda-feira, as investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal sobre o esquema de arrecadação e distribuição de propinas envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, vão ganhar um novo rumo. A PF entregará ao ministro Fernando Gonçalves, responsável pelo inquérito, o relatório em que serão detalhados os indícios encontrados durante a execução de 28 mandados de busca e apreensão durante a Operação Caixa de Pandora, desencadeada no dia 28 de novembro.
O relatório vai traduzir o resultado da perícia nos vídeos entregues à PF pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa. O Instituto de Criminalística da PF vai responder se os vídeos e os áudios foram adulterados e se houve edição. As informações preliminares apontam que, embora Durval tenha se gravado, o procedimento obedeceu o padrão correto e imagem e som são autênticos.
Confirmados esses detalhes, as imagens de dinheiro sendo enfiado em cuecas e meias que ganharam o mundo pela internet e na televisão serão consideradas como provas contra os envolvidos no escândalo mais bem registrado na história recente do País. A polícia também vai esclarecer em quais endereços devassados foram encontradas as notas seriadas que integram o volume de R$ 700 mil apreendidos. A possibilidade de identificar o banco onde o dinheiro foi retirado e a pessoa que fez o saque pode fechar o ciclo contra parlamentares e secretários envolvidos e abrir uma nova frente de investigação.
A Operação Caixa de Pandora se originou de uma investigação iniciada há mais de um ano na Procuradoria da República do Distrito Federal. A PF foi acionada pelo MPF somente nos últimos 60 dias. O delegado que cumpre as cotas determinadas pelo ministro Fernando Gonçalves, Alfredo Junqueira vai sugerir, no final do relatório, a quebra do sigilo bancários dos envolvidos, e outras providências que deverão gerar uma segunda ofensiva de investigações. Serão chamados a prestar depoimento todos os suspeitos de participação no esquema, entre eles, o governador José Roberto Arruda, o vice-governador Paulo Octávio e todos os personagens citados por Durval Barbosa no inquérito.
O relatório da PF vai produzir os indícios necessários para que o MPF formalize a denúncia. Os envolvidos deverão ser enquadrados por corrupção passiva e ativa, peculato e formação de quadrilha. As imagens da distribuição de propina e o dinheiro apreendido serão a base das acusações. Já os empresários do setor de informática poderão ser indiciados por corrupção ativa.
Dilma diz que proposta dos EUA para clima é decepcionante
A ministra Dilma Rousseff desembarca na Dinamarca neste domingo chefiando a delegação brasileira à 15a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em Copenhague.
Levará ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a proposta de cortar cerca de 1 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente até 2020.
O Brasil foi, voluntariamente, uma das primeiras nações a anunciar metas de redução de emissões. Acredita, com isso, ter reavivado a conferência, presa à resistência de países ricos a adotar medidas mais robustas.
"Tomando como referência os níveis verificados em 1990 (...), a proposta dos Estados Unidos equivale a cortar meros 4 por cento de suas emissões. É decepcionante, para um país que responde por 29 por cento das emissões globais", afirmou a ministra em artigo publicado neste domingo.
O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou um corte em 17 por cento nas emissões, mas tendo como base o ano de 2005. A China, maior emissor global de dióxido de carbono, comprometeu-se a diminuir entre 40 e 45 por cento até 2020.
No geral, as metas até agora propagadas não acompanham o desafio de evitar um colapso climático no mundo.
A questão-chave está em diminuir o desmatamento e definir formas de financiamento por parte dos países ricos para que nações em desenvolvimento --menores emissores mundiais-- possam alavancar ações de redução.
Segundo Dilma, é importante ter números na mesa, mas será igualmente "decepcionante" se a União Europeia fixar objetivos abaixo das expectativas alimentadas nos últimos anos.
O Brasil considera insuficiente, por exemplo, qualquer iniciativa em torno de 20 por cento ou abaixo desse patamar. Leia mais aqui.
Levará ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a proposta de cortar cerca de 1 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente até 2020.
O Brasil foi, voluntariamente, uma das primeiras nações a anunciar metas de redução de emissões. Acredita, com isso, ter reavivado a conferência, presa à resistência de países ricos a adotar medidas mais robustas.
"Tomando como referência os níveis verificados em 1990 (...), a proposta dos Estados Unidos equivale a cortar meros 4 por cento de suas emissões. É decepcionante, para um país que responde por 29 por cento das emissões globais", afirmou a ministra em artigo publicado neste domingo.
O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou um corte em 17 por cento nas emissões, mas tendo como base o ano de 2005. A China, maior emissor global de dióxido de carbono, comprometeu-se a diminuir entre 40 e 45 por cento até 2020.
No geral, as metas até agora propagadas não acompanham o desafio de evitar um colapso climático no mundo.
A questão-chave está em diminuir o desmatamento e definir formas de financiamento por parte dos países ricos para que nações em desenvolvimento --menores emissores mundiais-- possam alavancar ações de redução.
Segundo Dilma, é importante ter números na mesa, mas será igualmente "decepcionante" se a União Europeia fixar objetivos abaixo das expectativas alimentadas nos últimos anos.
O Brasil considera insuficiente, por exemplo, qualquer iniciativa em torno de 20 por cento ou abaixo desse patamar. Leia mais aqui.
A Grécia quebrou. E agora?
Estadão.com.br -- sexta-feira, 11 de dezembro de 2009, 11:55
Após Dubai, a Grécia. E Após a Grécia?
Na Europa mesmo, ao menos três outros países estão sangrando: Espanha, Portugal e Irlanda
Gilles Lapouge
PARIS - Durante todo o dia de ontem, os europeus dirigiram seu olhar não para Copenhague, onde se realiza a conferência sobre o clima, mas para um outro país do Velho Continente: a Grécia. Um vento de angústia sopra sobre a Comissão de Bruxelas no temor de que a Grécia seja compelida à "falência". Os números são preocupantes.
A Grécia corre ao longo do abismo. Sua dívida já alcança 112% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Seu déficit orçamentário atinge 12,7% do PIB. As agências de classificação de crédito que avaliam a solvência dos devedores, Moody’s, Standard and Poor’s, e Fitch, degradaram a classificação da Grécia.
Consequência: Atenas terá de aceitar taxas de juros cada vez mais altas para captar empréstimos. Ora, como ela está em ruínas, estará condenada a emprestar quantias cada vez mais gigantescas. É assim que se produzem os colapsos.
A ansiedade dos meios europeus é legítima. É bom não se iludir: a Grécia não se safará dessa sozinha. E como a União Europeia não pode permitir o naufrágio de um de seus membros, ela sairá em seu socorro.
Em outras palavras, são os alemães, franceses, ingleses que serão chamados a segurar a Grécia na beira do abismo. Grandezas e misérias da União Europeia. Mas os financistas já se perguntam se a queda da Grécia não constitui o primeiro sinal de uma nova desordem mundial.
Na Europa mesmo, ao menos três outros países estão sangrando. E pode-se temer que eles se juntem à Grécia em seu inferno. Trata-se de Espanha (que na quarta-feira teve sua classificação degradada pela agência Fitch), Portugal e Irlanda. São, portanto, quatro países europeus sobre o fio da navalha.
Nos meios de investimentos financeiros esses países são chamados, de uma maneira não muito delicada, pelas suas iniciais, ou seja, PIGs (porcos, em inglês).
Infelizmente, a lista não está fechada. Fora da União Europeia, muitos países perdem o fôlego. Outras explosões são possíveis. Na Rússia e nos antigos países da União Soviética, montanhas de dívidas chegam ao vencimento e terão de ser refinanciadas. Essas dívidas são uma pequena parte das dívidas do Estado russo e, sobretudo, das dívidas contraídas por empresas - em especial, pela gigante de gás, Gazprom. A dívida russa (privada e pública) já alcança US$ 470 bilhões.
Mesmo nos países ricos, como Estados Unidos ou Japão, déficits orçamentários se impuseram para manter à tona economias pesadamente danificadas. A rigorosa Alemanha está nesse caso. No próximo ano, seu passivo representará 70% de seu PIB ante 60% em 2002. Na Grã-Bretanha, ele subirá a 80%.
Voltando à União Europeia: Letônia, Lituânia, Estônia, mas também Bulgária e Hungria, todos esses países incorrem num endividamento superior a 100% de seu PIB.
Por toda parte, os governos e as companhias combateram a crise apelando para o crédito. Ora, chega o momento em que esses empréstimos monstruosos terão de ser reembolsados. Será preciso contrair novos empréstimos para saldar os primeiros. Mesmo a China está ameaçada: em 2010, as empresas chinesas deverão captar US$ 8,8 bilhões. No México, serão US$ 11 bilhões.
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Após Dubai, a Grécia. E Após a Grécia?
Na Europa mesmo, ao menos três outros países estão sangrando: Espanha, Portugal e Irlanda
Gilles Lapouge
PARIS - Durante todo o dia de ontem, os europeus dirigiram seu olhar não para Copenhague, onde se realiza a conferência sobre o clima, mas para um outro país do Velho Continente: a Grécia. Um vento de angústia sopra sobre a Comissão de Bruxelas no temor de que a Grécia seja compelida à "falência". Os números são preocupantes.
A Grécia corre ao longo do abismo. Sua dívida já alcança 112% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Seu déficit orçamentário atinge 12,7% do PIB. As agências de classificação de crédito que avaliam a solvência dos devedores, Moody’s, Standard and Poor’s, e Fitch, degradaram a classificação da Grécia.
Consequência: Atenas terá de aceitar taxas de juros cada vez mais altas para captar empréstimos. Ora, como ela está em ruínas, estará condenada a emprestar quantias cada vez mais gigantescas. É assim que se produzem os colapsos.
A ansiedade dos meios europeus é legítima. É bom não se iludir: a Grécia não se safará dessa sozinha. E como a União Europeia não pode permitir o naufrágio de um de seus membros, ela sairá em seu socorro.
Em outras palavras, são os alemães, franceses, ingleses que serão chamados a segurar a Grécia na beira do abismo. Grandezas e misérias da União Europeia. Mas os financistas já se perguntam se a queda da Grécia não constitui o primeiro sinal de uma nova desordem mundial.
Na Europa mesmo, ao menos três outros países estão sangrando. E pode-se temer que eles se juntem à Grécia em seu inferno. Trata-se de Espanha (que na quarta-feira teve sua classificação degradada pela agência Fitch), Portugal e Irlanda. São, portanto, quatro países europeus sobre o fio da navalha.
Nos meios de investimentos financeiros esses países são chamados, de uma maneira não muito delicada, pelas suas iniciais, ou seja, PIGs (porcos, em inglês).
Infelizmente, a lista não está fechada. Fora da União Europeia, muitos países perdem o fôlego. Outras explosões são possíveis. Na Rússia e nos antigos países da União Soviética, montanhas de dívidas chegam ao vencimento e terão de ser refinanciadas. Essas dívidas são uma pequena parte das dívidas do Estado russo e, sobretudo, das dívidas contraídas por empresas - em especial, pela gigante de gás, Gazprom. A dívida russa (privada e pública) já alcança US$ 470 bilhões.
Mesmo nos países ricos, como Estados Unidos ou Japão, déficits orçamentários se impuseram para manter à tona economias pesadamente danificadas. A rigorosa Alemanha está nesse caso. No próximo ano, seu passivo representará 70% de seu PIB ante 60% em 2002. Na Grã-Bretanha, ele subirá a 80%.
Voltando à União Europeia: Letônia, Lituânia, Estônia, mas também Bulgária e Hungria, todos esses países incorrem num endividamento superior a 100% de seu PIB.
Por toda parte, os governos e as companhias combateram a crise apelando para o crédito. Ora, chega o momento em que esses empréstimos monstruosos terão de ser reembolsados. Será preciso contrair novos empréstimos para saldar os primeiros. Mesmo a China está ameaçada: em 2010, as empresas chinesas deverão captar US$ 8,8 bilhões. No México, serão US$ 11 bilhões.
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DIVIRTAM-SE
sábado, 12 de dezembro de 2009
Lan houses impulsionam acesso à internet no país, revela IBGE
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O acesso à internet em centros pagos (lan houses) está associado ao aumento do uso da rede mundial de computadores no país em 75,3% nos últimos três anos, de acordo com pesquisa divulgada hoje (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), o levantamento sobre o acesso à internet revelou que, entre 2005 e 2008, os centros públicos foram o segundo lugar mais frequente de uso, atrás dos domicílios e à frente do local de trabalho, superado neste levantamento.
Para os pesquisadores, o uso de centros públicos pode estar associado ao perfil socioeconômico dos novos usuários da internet que entre 2005 e 2008, que passaram de 20,9% para 34,8% e estão entre as classes de renda e de escolaridade mais baixas.
“Observamos que locais de acesso como as lan houses vêm aumentando muito e que os custos nesses locais são baixos. Então, as pessoas com menor escolaridade e menor rendimento podem ter acesso à internet por esse meio”, afirmou a economista do IBGE Maria Lúcia Vieira.
Entre as pessoas que estão na maior faixa de escolaridade (15 ou mais anos), o crescimento de 4,3 pontos percentuais no uso da internet está abaixo do verificado para os usuários sem nenhuma instrução ou com menos de quatro anos de estudo (4,7 pp).
O acesso também cresce de acordo com as classes de rendimento, embora entre as pessoas com renda acima de cinco salários mínimos o percentual seja de cerca de 75,6%. Na faixa mais baixa, de até um quarto do salário, o acesso foi de 13%. O grupo entre 15 e 17 anos é o que mais usa essa tecnologia. Quanto à escolaridade, os usuários da internet tem mais de dez anos de estudo e os que não a usam (cerca de 104 milhões de pessoas) têm até 5,5 anos de escolaridade.
Desigualdades regionais também são observadas no acesso à internet. As regiões Sudeste (40,3%), Centro-Oeste (39,4%) e Sul (38,7%) apresentam os maiores percentuais de uso, enquanto a Norte (27,5%) e a Nordeste (25,1%) estão em patamar inferior. O acesso atingiu o maior percentual no Distrito Federal (56,1%) e o menor, no Piauí (17,8%).
“É justamente lá [Norte e Nordeste], que se acessa mais de centros públicos em vez de usar a internet em casa”, acrescentou Maria Lúcia, ao falar sobre as dificuldades de acesso à rede. “O custo do computador é elevado, o que pode dificultar, além do tipo de conexão, que, para ser banda larga nessa regiões, precisa de mais investimentos.”
Além de estar mais disponível para as classes de renda e escolaridade mais baixas, o avanço da internet está associado à qualidade do acesso por banda larga, que duplicou no período para 80,3%.
Edição: Nádia Franco
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O acesso à internet em centros pagos (lan houses) está associado ao aumento do uso da rede mundial de computadores no país em 75,3% nos últimos três anos, de acordo com pesquisa divulgada hoje (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), o levantamento sobre o acesso à internet revelou que, entre 2005 e 2008, os centros públicos foram o segundo lugar mais frequente de uso, atrás dos domicílios e à frente do local de trabalho, superado neste levantamento.
Para os pesquisadores, o uso de centros públicos pode estar associado ao perfil socioeconômico dos novos usuários da internet que entre 2005 e 2008, que passaram de 20,9% para 34,8% e estão entre as classes de renda e de escolaridade mais baixas.
“Observamos que locais de acesso como as lan houses vêm aumentando muito e que os custos nesses locais são baixos. Então, as pessoas com menor escolaridade e menor rendimento podem ter acesso à internet por esse meio”, afirmou a economista do IBGE Maria Lúcia Vieira.
Entre as pessoas que estão na maior faixa de escolaridade (15 ou mais anos), o crescimento de 4,3 pontos percentuais no uso da internet está abaixo do verificado para os usuários sem nenhuma instrução ou com menos de quatro anos de estudo (4,7 pp).
O acesso também cresce de acordo com as classes de rendimento, embora entre as pessoas com renda acima de cinco salários mínimos o percentual seja de cerca de 75,6%. Na faixa mais baixa, de até um quarto do salário, o acesso foi de 13%. O grupo entre 15 e 17 anos é o que mais usa essa tecnologia. Quanto à escolaridade, os usuários da internet tem mais de dez anos de estudo e os que não a usam (cerca de 104 milhões de pessoas) têm até 5,5 anos de escolaridade.
Desigualdades regionais também são observadas no acesso à internet. As regiões Sudeste (40,3%), Centro-Oeste (39,4%) e Sul (38,7%) apresentam os maiores percentuais de uso, enquanto a Norte (27,5%) e a Nordeste (25,1%) estão em patamar inferior. O acesso atingiu o maior percentual no Distrito Federal (56,1%) e o menor, no Piauí (17,8%).
“É justamente lá [Norte e Nordeste], que se acessa mais de centros públicos em vez de usar a internet em casa”, acrescentou Maria Lúcia, ao falar sobre as dificuldades de acesso à rede. “O custo do computador é elevado, o que pode dificultar, além do tipo de conexão, que, para ser banda larga nessa regiões, precisa de mais investimentos.”
Além de estar mais disponível para as classes de renda e escolaridade mais baixas, o avanço da internet está associado à qualidade do acesso por banda larga, que duplicou no período para 80,3%.
Edição: Nádia Franco
Le Monde: Dubai, futuro feito de areia
Le Em Dubai, um futuro feito de areia
Le Monde, no UOL
Jérôme Fenoglio
Dubai (Emirados Árabes)
Em Dubai, os mapas rodoviários se leem no futuro. Consultá-los muitas vezes equivale a procurar uma ponte que não existe, a querer circular sobre uma via ainda não conectada à rede, a se aventurar em um bairro que se resume a um cartaz publicitário. Esses mapas locais ilustram a peculiar relação com o tempo desenvolvida pelas empresas de construção do emirado. Nessa grande mistura de gêneros e de prazos, os canteiros se confundiam com os projetos, as maquetes com as realizações, as fotografias com as simulações saídas dos escritórios dos arquitetos. As datas de lançamento e de entrega das obras eram separadas por alguns meses somente. Tanto que mais ninguém, no local, parecia capaz de distinguir o que estava quase terminado daquilo que não havia nem mesmo começado.
É essa imprecisão, intencionalmente mantida, que complica hoje o inventário dos projetos que têm uma chance de sobreviver à crise econômica. Pois desde que esse processo foi atingido pelo estouro de seu principal motor - a especulação imobiliária, os mapas de Dubai também devem ser interpretados no passado. Segui-los equivale a se dedicar a uma espécie de arqueologia ao contrário, a discernir os vestígios de uma megalópole que não acontecerá, a encontrar as fundações de um ex-futuro centro do mundo autoproclamado, que desabou sob sua pretensão de se tornar, em quinze anos, uma mistura de Nova York, Veneza e Orlando.
As ruínas mais visíveis desses canteiros faraônicos são banhadas pelas águas do golfo Pérsico. A empresa Nakheel, agora conhecida como o fardo super-endividado de sua matriz Dubai World, havia se especializado nessas remodelagens significativas do litoral, nessas ilhas desenhadas com areia para impressionar os satélites de observação, primeiros transmissores desse grande espetáculo globalizado.
De fato, o início das obras havia posicionado Dubai como primeira capital talhada para a era Google Earth. Mas também como metrópole "anti-Copenhague", cujo desejo de visibilidade sobre o mapa se situa no ponto oposto ao imperativo ecológico de deixar o mínimo possível de vestígios sobre o planeta.
E o que restará dessas gesticulações geográficas? Das três quase-ilhas artificiais em forma de palmeiras, somente a menor, Palm Jumeirah, pode ser considerada como concluída. Ela ainda comporta duas ramificações mortas, onde nenhum alinhamento uniforme de mansões contíguas brotou. E seu semi-círculo externo, que deveria proteger o conjunto contra as marés ao mesmo tempo em que acolhe hotéis de luxo, ainda está muito modestamente ocupado pelos complexos prometidos.
Além disso, os problemas temidos por muitos geólogos já começavam a se apresentar. Por falta de correntes, as águas que banham a palmeira não são suficientemente renovadas. Acima de tudo, o afundamento da areia pelas obras teria sido superior ao que havia sido previsto. Esse nível excessivamente baixo sobre a água ironicamente faz pensar no nome do complexo turístico, Atlantis [Atlântida], situado na ponta desse continente ameaçado de inundação.
A desintegração nas águas do Golfo é um risco muito mais iminente para a segunda palmeira, situada mais ao sul, perto da imensa zona portuária de Jebel Ali. Lá, a forma de inspiração vegetal está completa, mas nenhum prédio foi erguido. Sobre uma das flechas de areia que ligam o conjunto à terra firme, as pilastras de uma futura ponte vão diminuindo, como uma confissão da nítida desaceleração das obras nos últimos tempos. De qualquer forma estas deveriam se interromper em breve, uma vez que a Nakheel já não pagava há nove meses o grupo coreano Samsung, encarregado da obra, segundo operários designados para o projeto.
Bem ao norte do litoral do emirado, perto da cidade antiga de Dubai, a terceira palmeira nem atingirá esse estágio. As obras que deveriam dar forma a Palm Deira, que teria sido a maior de todas, foram suspensas há meses - na Dubai da crise imobiliária, nunca nada é cancelado, tudo é "adiado".
Até os projetos aquáticos mais delirantes, figurando em alguns mapas, como a réplica em areia do sistema solar, não foram oficialmente jogados nas lixeiras da história. Dos arquipélagos sonhados por Nakheel ao largo da cidade, hoje há somente o "The World", composto por ilhas dispostas como um planisfério terrestre. Mas mesmo ali, a realidade é bem diferente das fotomontagens divulgadas.
As ilhas estão nuas, com exceção daquela que contém a mansão modelo destinada a seduzir as grandes fortunas. A crise e as dificuldades materiais, amplamente subestimadas, não deixam que se espere para breve o início das construções. Por falta de manutenção, algumas ilhotas já começaram a ser atacadas pelas marés.
Em terra, alguns grandes projetos de desenvolvimento visavam um objetivo simétrico às extensões do litoral: trazer água para o deserto. Eles não terão um destino melhor. Assim, o "canal da Arábia", que deveria cercar em 80 quilômetros a zona do novo aeroporto internacional Jebel ali, existe somente no papel dos mapas regionais. O desmoronamento do mercado imobiliário esmagou sobretudo o projeto que deveria concluir a transformação de Dubai em "cidade global", atraindo e mantendo os turistas em vez de vê-los transitando sobre suas terras.
Sobre milhares de hectares, Dubailand deveria ser constituída de uma miríade de parques de diversões, de residências e de hotéis. Hoje, a imensa porção de deserto que lhe era destinada é povoada por alguns raros vestígios desse sonho desvanecido: o portão para um futuro estúdio da Universal, a carcaça em concreto de mais um shopping center, uma cabeça de dinossauro acima de uma cerca, os inevitáveis embriões de loteamentos.
À beira desse projeto "adiado", uma faixa de asfalto novo em folha atravessa as areias deste que seria o Tiger Woods Resort, um complexo residencial construído em torno do primeiro campo de golfe projetado por uma celebridade. A estrada leva, através das dunas, até o que se parece com um palácio, servindo de escritório de vendas. Avançamos, impressionados pela obra, contornamos... É um cenário, que esconde pré-fabricados e que acaba dando ares de "Tintim no País dos Sovietes" a essas encenações de Dubai.
O problema é que esse cenário do emirado-espetáculo foi amplamente vendido e está fora de questão fazer o reembolso. Os lotes arenosos de Waterfront, ao lado de Palm Jebel Ali, os das futuras residências de Dubailand, várias ilhotas caríssimas do "The World", e os apartamentos das inúmeras torres em construção por toda a cidade encontraram compradores, segundo um processo inalterável de venda na planta. "Na assinatura, os compradores deviam pagar somente 10% da soma total", explica Thomas Bunker, agente imobiliário canadense da empresa Better Homes. "Depois eles corriam para revender antes do segundo pagamento, embolsando o lucro. Os apartamentos virtuais poderiam mudar cinco ou seis vezes de mãos. Os especuladores inexperientes faziam empréstimos para comprar até dez deles de uma só vez: a bolha não parava de inchar". Isso levava as construtoras a lançar cada vez mais projetos novos, em vez de começar a construir o que haviam vendido com os 10% recebidos.
Então o emirado se encontra hoje estufado por uma oferta imobiliária que não corresponde a nenhuma demanda, e não somente no setor de moradia. Em 2011, com as entregas em curso, metade dos escritórios deverá estar desocupada. Para salvar os móveis, as construtoras se converteram em massa às virtudes da "consolidação". "Eles procuram convencer os proprietários que não desapareceram junto com a especulação a desistir de seus apartamentos virtuais nas torres que não têm nenhuma chance de serem construídas", explica uma especialista do mercado imobiliário local. "Em troca, eles lhes propõem, em troca de abatimentos, investir em um imóvel que têm boas chances de serem concluídos. Assim, cada um minimiza suas perdas".
Ainda que ela não diminua a debandada, essa técnica tem ao menos a vantagem de desbloquear um mercado onde os proprietários não queriam mais pagar e as empreendedoras não podiam mais terminar as obras.
No arquipélago do "The World", essa consolidação tomou a forma de um reagrupamento de ilhas que aos poucos torna os continentes irreconhecíveis. Até o arranha-céu símbolo de Burj Dubai, o mais alto e o mais caro do mundo, não escapou de alguma forma de consolidação. Em 4 de janeiro, a inauguração oficial será somente de uma das torres do buquê que compõe o conjunto, onde figuram o Hotel Armani e alguns apartamentos. A empreendedora semi-pública Emaar, que nos últimos anos entrou em uma concorrência insana com a Nakheel, salvará dessa forma a honra ao mesmo tempo em que adia os sobrecustos de sua bela obra para um pouco mais tarde.
Sentado no terraço, sobre a esplanada que avança sobre a torre-recorde, Thomas Bunker, o agente imobiliário, e dois expatriados libaneses, Elsie Marin, consultor em publicidade, e Marcel Kairallah, diretor de empresa, confessam sentir um pouco de nostalgia por esses anos de construção permanente. "Víamos a cidade se construindo ao nosso redor", eles dizem. Mas eles não lamentarão os excessos, e esperam que a consolidação sirva de "filtro" eliminando as loucuras, e conservando somente os inegáveis trunfos da cidade.
Essa qualidade de infraestrutura, esse comedimento de modos, essa mistura de populações fizeram de Dubai uma ilhota em uma região de regimes autoritários e austeridades religiosas. Muito antes que o emirado se destacasse por seus efêmeros castelos de areia nas águas do Golfo.
Tradução: Lana Lim
Le Monde, no UOL
Jérôme Fenoglio
Dubai (Emirados Árabes)
Em Dubai, os mapas rodoviários se leem no futuro. Consultá-los muitas vezes equivale a procurar uma ponte que não existe, a querer circular sobre uma via ainda não conectada à rede, a se aventurar em um bairro que se resume a um cartaz publicitário. Esses mapas locais ilustram a peculiar relação com o tempo desenvolvida pelas empresas de construção do emirado. Nessa grande mistura de gêneros e de prazos, os canteiros se confundiam com os projetos, as maquetes com as realizações, as fotografias com as simulações saídas dos escritórios dos arquitetos. As datas de lançamento e de entrega das obras eram separadas por alguns meses somente. Tanto que mais ninguém, no local, parecia capaz de distinguir o que estava quase terminado daquilo que não havia nem mesmo começado.
É essa imprecisão, intencionalmente mantida, que complica hoje o inventário dos projetos que têm uma chance de sobreviver à crise econômica. Pois desde que esse processo foi atingido pelo estouro de seu principal motor - a especulação imobiliária, os mapas de Dubai também devem ser interpretados no passado. Segui-los equivale a se dedicar a uma espécie de arqueologia ao contrário, a discernir os vestígios de uma megalópole que não acontecerá, a encontrar as fundações de um ex-futuro centro do mundo autoproclamado, que desabou sob sua pretensão de se tornar, em quinze anos, uma mistura de Nova York, Veneza e Orlando.
As ruínas mais visíveis desses canteiros faraônicos são banhadas pelas águas do golfo Pérsico. A empresa Nakheel, agora conhecida como o fardo super-endividado de sua matriz Dubai World, havia se especializado nessas remodelagens significativas do litoral, nessas ilhas desenhadas com areia para impressionar os satélites de observação, primeiros transmissores desse grande espetáculo globalizado.
De fato, o início das obras havia posicionado Dubai como primeira capital talhada para a era Google Earth. Mas também como metrópole "anti-Copenhague", cujo desejo de visibilidade sobre o mapa se situa no ponto oposto ao imperativo ecológico de deixar o mínimo possível de vestígios sobre o planeta.
E o que restará dessas gesticulações geográficas? Das três quase-ilhas artificiais em forma de palmeiras, somente a menor, Palm Jumeirah, pode ser considerada como concluída. Ela ainda comporta duas ramificações mortas, onde nenhum alinhamento uniforme de mansões contíguas brotou. E seu semi-círculo externo, que deveria proteger o conjunto contra as marés ao mesmo tempo em que acolhe hotéis de luxo, ainda está muito modestamente ocupado pelos complexos prometidos.
Além disso, os problemas temidos por muitos geólogos já começavam a se apresentar. Por falta de correntes, as águas que banham a palmeira não são suficientemente renovadas. Acima de tudo, o afundamento da areia pelas obras teria sido superior ao que havia sido previsto. Esse nível excessivamente baixo sobre a água ironicamente faz pensar no nome do complexo turístico, Atlantis [Atlântida], situado na ponta desse continente ameaçado de inundação.
A desintegração nas águas do Golfo é um risco muito mais iminente para a segunda palmeira, situada mais ao sul, perto da imensa zona portuária de Jebel Ali. Lá, a forma de inspiração vegetal está completa, mas nenhum prédio foi erguido. Sobre uma das flechas de areia que ligam o conjunto à terra firme, as pilastras de uma futura ponte vão diminuindo, como uma confissão da nítida desaceleração das obras nos últimos tempos. De qualquer forma estas deveriam se interromper em breve, uma vez que a Nakheel já não pagava há nove meses o grupo coreano Samsung, encarregado da obra, segundo operários designados para o projeto.
Bem ao norte do litoral do emirado, perto da cidade antiga de Dubai, a terceira palmeira nem atingirá esse estágio. As obras que deveriam dar forma a Palm Deira, que teria sido a maior de todas, foram suspensas há meses - na Dubai da crise imobiliária, nunca nada é cancelado, tudo é "adiado".
Até os projetos aquáticos mais delirantes, figurando em alguns mapas, como a réplica em areia do sistema solar, não foram oficialmente jogados nas lixeiras da história. Dos arquipélagos sonhados por Nakheel ao largo da cidade, hoje há somente o "The World", composto por ilhas dispostas como um planisfério terrestre. Mas mesmo ali, a realidade é bem diferente das fotomontagens divulgadas.
As ilhas estão nuas, com exceção daquela que contém a mansão modelo destinada a seduzir as grandes fortunas. A crise e as dificuldades materiais, amplamente subestimadas, não deixam que se espere para breve o início das construções. Por falta de manutenção, algumas ilhotas já começaram a ser atacadas pelas marés.
Em terra, alguns grandes projetos de desenvolvimento visavam um objetivo simétrico às extensões do litoral: trazer água para o deserto. Eles não terão um destino melhor. Assim, o "canal da Arábia", que deveria cercar em 80 quilômetros a zona do novo aeroporto internacional Jebel ali, existe somente no papel dos mapas regionais. O desmoronamento do mercado imobiliário esmagou sobretudo o projeto que deveria concluir a transformação de Dubai em "cidade global", atraindo e mantendo os turistas em vez de vê-los transitando sobre suas terras.
Sobre milhares de hectares, Dubailand deveria ser constituída de uma miríade de parques de diversões, de residências e de hotéis. Hoje, a imensa porção de deserto que lhe era destinada é povoada por alguns raros vestígios desse sonho desvanecido: o portão para um futuro estúdio da Universal, a carcaça em concreto de mais um shopping center, uma cabeça de dinossauro acima de uma cerca, os inevitáveis embriões de loteamentos.
À beira desse projeto "adiado", uma faixa de asfalto novo em folha atravessa as areias deste que seria o Tiger Woods Resort, um complexo residencial construído em torno do primeiro campo de golfe projetado por uma celebridade. A estrada leva, através das dunas, até o que se parece com um palácio, servindo de escritório de vendas. Avançamos, impressionados pela obra, contornamos... É um cenário, que esconde pré-fabricados e que acaba dando ares de "Tintim no País dos Sovietes" a essas encenações de Dubai.
O problema é que esse cenário do emirado-espetáculo foi amplamente vendido e está fora de questão fazer o reembolso. Os lotes arenosos de Waterfront, ao lado de Palm Jebel Ali, os das futuras residências de Dubailand, várias ilhotas caríssimas do "The World", e os apartamentos das inúmeras torres em construção por toda a cidade encontraram compradores, segundo um processo inalterável de venda na planta. "Na assinatura, os compradores deviam pagar somente 10% da soma total", explica Thomas Bunker, agente imobiliário canadense da empresa Better Homes. "Depois eles corriam para revender antes do segundo pagamento, embolsando o lucro. Os apartamentos virtuais poderiam mudar cinco ou seis vezes de mãos. Os especuladores inexperientes faziam empréstimos para comprar até dez deles de uma só vez: a bolha não parava de inchar". Isso levava as construtoras a lançar cada vez mais projetos novos, em vez de começar a construir o que haviam vendido com os 10% recebidos.
Então o emirado se encontra hoje estufado por uma oferta imobiliária que não corresponde a nenhuma demanda, e não somente no setor de moradia. Em 2011, com as entregas em curso, metade dos escritórios deverá estar desocupada. Para salvar os móveis, as construtoras se converteram em massa às virtudes da "consolidação". "Eles procuram convencer os proprietários que não desapareceram junto com a especulação a desistir de seus apartamentos virtuais nas torres que não têm nenhuma chance de serem construídas", explica uma especialista do mercado imobiliário local. "Em troca, eles lhes propõem, em troca de abatimentos, investir em um imóvel que têm boas chances de serem concluídos. Assim, cada um minimiza suas perdas".
Ainda que ela não diminua a debandada, essa técnica tem ao menos a vantagem de desbloquear um mercado onde os proprietários não queriam mais pagar e as empreendedoras não podiam mais terminar as obras.
No arquipélago do "The World", essa consolidação tomou a forma de um reagrupamento de ilhas que aos poucos torna os continentes irreconhecíveis. Até o arranha-céu símbolo de Burj Dubai, o mais alto e o mais caro do mundo, não escapou de alguma forma de consolidação. Em 4 de janeiro, a inauguração oficial será somente de uma das torres do buquê que compõe o conjunto, onde figuram o Hotel Armani e alguns apartamentos. A empreendedora semi-pública Emaar, que nos últimos anos entrou em uma concorrência insana com a Nakheel, salvará dessa forma a honra ao mesmo tempo em que adia os sobrecustos de sua bela obra para um pouco mais tarde.
Sentado no terraço, sobre a esplanada que avança sobre a torre-recorde, Thomas Bunker, o agente imobiliário, e dois expatriados libaneses, Elsie Marin, consultor em publicidade, e Marcel Kairallah, diretor de empresa, confessam sentir um pouco de nostalgia por esses anos de construção permanente. "Víamos a cidade se construindo ao nosso redor", eles dizem. Mas eles não lamentarão os excessos, e esperam que a consolidação sirva de "filtro" eliminando as loucuras, e conservando somente os inegáveis trunfos da cidade.
Essa qualidade de infraestrutura, esse comedimento de modos, essa mistura de populações fizeram de Dubai uma ilhota em uma região de regimes autoritários e austeridades religiosas. Muito antes que o emirado se destacasse por seus efêmeros castelos de areia nas águas do Golfo.
Tradução: Lana Lim
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