sábado, 23 de setembro de 2017

povo, pátria e soberania

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fernando Rosa – O governo golpista assina um protocolo internacional para submeter o Brasil a bisbilhotice externa em suas instalações nucleares, após investir no desmonte do projeto do submarino nuclear (Pro-Sub) e condenar o Almirante Othon a 43 anos de prisão.
Os golpistas também cortam em 30% o orçamento anual das Forças Armadas, reduzem seu efetivo pela metade nas fronteiras, ao mesmo tempo que buscam transformar as forças de defesa nacional em mera “polícia” do caos urbano, que eles mesmos criaram com sua política econômica.
Em parceria com Trump, Temer ainda ameaça meter o Brasil e as Forças Armadas na aventura de uma “guerra amazônica”, um novo Vietnam, para atender aos interesses geopolíticos norte-americanos e sua necessidade de manter-se no poder a qualquer custo.
Enquanto isso, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sergio Etchegoyen, diz que “privatizações não ameaçam a soberania”, ao mesmo tempo em que os jornais anunciam que se encontrará com dirigentes da CIA, do FBI e outras agências de inteligência americanas.
As situações descritas deixam claro a tentativa dos interesses que patrocinam o golpe de Estado de afastar as Forças Armadas de seu compromisso histórico de garantir a integridade territorial, a soberania sobre nossas riquezas e a identidade do país, enfim, o Estado Nacional.
Diante disso, não é de estranhar a reação de descontentamento de setores das Forças Armadas com a situação do país, que vive entre a desfaçatez entreguista dos golpistas e a quase total ausência de preocupação da oposição com os temas que envolvem a soberania nacional.
Em entrevista ao jornal Valor, no início do ano, o Comandante do Exército, general Villas Bôas, já havia feito um diagnóstico contundente da realidade brasileira, dizendo que “somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser”.
Pois, neste momento, é disso que se trata, é isso que se impõe, a construção de um projeto para o país e da unidade entre suas forças políticas civis e militares, com poder de enfrentar a guerra assimétrica de destruição imposta pelos interesses do sistema financeiro internacional.
Em artigo publicado em fevereiro deste ano, afirmamos que “nenhum país do mundo, e menos ainda um país com a dimensão e a história do Brasil, consegue sobreviver sem um Projeto Nacional, e subordinado a interesses externos e internos menores”.
E dissemos mais, que diante das disputas geopolíticas atuais nenhum país se afirmaria no contexto mundial “sem contar com Forças Armadas fortes, robustas, instrumentalizadas tecnologicamente, capazes de impor respeito e afirmar os interesses nacionais”.
Assim é na Venezuela onde as Forças Armadas defendem a soberania do país, na Síria em que as Forças Armadas enfrentaram a aliança dos EUA com o Daesh, na Turquia ou em qualquer lugar do mundo que resiste seriamente a ataques externos contra seus interesses nacionais.
A ilusão de subordinar os interesses econômicos e geopolíticos do Brasil aos Estados Unidos, por um lado, abdica da ideia de Nação independente e mergulhará o país em um conflito futuro sem precedentes na história nacional, a exemplo dos tempos da primeira Guerra Brasílica.
De outro lado, no estágio atual do mundo, ainda mais na América do Sul, é também ilusão achar que o imperialismo financeiro global recua de sua voracidade destrutiva apenas diante de protestos de rua e/ou eleições, sem a presença de uma força de dissuasão, ou seja, militar.
Portanto, o Brasil precisa impedir a ação de uma nova “guerra fria” e, neste momento de profunda crise, promover a unidade em torno de valores que unifiquem os interesses nacionais, populares, democráticos, patrióticos – civis e militares, comprometidos com a defesa da Nação e o futuro dos brasileiros.
Do contrário, abandonaremos a vocação de “grande potência”, como definiu o general Villas Bôas, para nos transformar em uma colônia norte-americana, como já rechaçou o general Ernesto Geisel nos anos setenta, com uma terra sem dono, um povo escravo e uma FFAA rebaixada à capitães do mato.

Distribuição de riqueza, só com catástrofe


Recentemente, foram divulgados estudos que mostram que é falsa a ideia de que houve distribuição de renda na última década no Brasil.
 
Um dos que já sabiam disso é Pedro Herculano de Souza, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Em entrevista concedida ao portal EPSJV/Fiocruz, ele afirmou:

O período em que fomos menos desiguais foi entre 1942 e 1963, quando o 1% mais rico chegou a abocanhar ‘apenas’ 17% da renda total. Isso foi uma exceção, já que ao longo desses anos o centésimo mais rico deteve entre 20% e 25% de todos os rendimentos brasileiros fatia que, desde 2006, está na casa dos 23%...

Mas a entrevista tem outra passagem interessante:

É importante lembrar que a maior parte do mundo era muito desigual nos séculos 18 e 19. Os países onde realmente a coisa mudou relativamente em pouco tempo foram aqueles que passaram por catástrofes muito grandes. Notadamente, a Primeira Guerra Mundial, a grande depressão de 1929 e a Segunda Guerra mudaram radicalmente a distribuição de renda em vários países ricos. Países que, no início do século 20, não eram tão diferentes do Brasil mas que, depois da Segunda Guerra, já eram completamente diferentes.

Nosso grande desafio seria inventar um jeito pacífico, tranquilo, sem catástrofe, de sermos o primeiro país a sair desse nível de desigualdade e chegar a um nível civilizado. Eu não conheço exemplos assim. Em geral, acontece alguma coisa muito errada que obriga uma distribuição de perdas. A necessidade acaba forçando regras que impõem uma redistribuição e um conjunto de políticas que nasce junto.

Assim caminha a humanidade. Sob o capitalismo.

Uma distribuição de renda que interessa aos ricos Causou certo barulho a divulgação de um estudo publicado no início de setembro pelo World Wealth Income Database, instituto dirigido por Thomas Piketty. Suas conclusões negam a ideia de que houve queda na desigualdade de renda no Brasil nas últimas décadas. Segundo o levantamento, atualmente o 1% mais rico concentra 28% da renda nacional, equivalendo a um crescimento de 3% desde 2001. Além disso, de 2003 a 2008, o 0,1% mais rico da população se apropriou de 68% do crescimento da renda. Mas o fato é que a pesquisa só reforça estudos anteriores feitos por brasileiros. Principalmente, por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. E todos contornam um problema metodológico que mascarava toda essa concentração de riqueza. Os levantamentos anteriores utilizavam apenas dados das pesquisas domiciliares do IBGE. E os atuais usam informações de declarações de Imposto de Renda, que até pouco tempo atrás não estavam disponíveis. Os números da Receita Federal não se limitam aos rendimentos, mas revelam também o tamanho do patrimônio, da riqueza. Quando se olha para eles, fica claro que houve redistribuição de renda, sim. Mas só entre os trabalhadores da faixa intermediária de renda para os de patamar inferior. Os imensos ganhos de capital da minoria bilionária que atua no País ficavam escondidos por essa cortina de fumaça estatística. Acomodado a esta situação, um projeto político que logo seria tratado com enorme ingratidão por quem mais se beneficiou dela. Petistas e lulistas dirão que a divulgação de informações como essas “faz o jogo da direita”. Deveriam admitir que muitos deles é que vêm fazendo este jogo há anos.


Causou certo barulho a divulgação de um estudo publicado no início de setembro pelo World Wealth Income Database, instituto dirigido por Thomas Piketty. Suas conclusões negam a ideia de que houve queda na desigualdade de renda no Brasil nas últimas décadas.

Segundo o levantamento, atualmente o 1% mais rico concentra 28% da renda nacional, equivalendo a um crescimento de 3% desde 2001. Além disso, de 2003 a 2008, o 0,1% mais rico da população se apropriou de 68% do crescimento da renda.

Mas o fato é que a pesquisa só reforça estudos anteriores feitos por brasileiros. Principalmente, por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. E todos contornam um problema metodológico que mascarava toda essa concentração de riqueza.

Os levantamentos anteriores utilizavam apenas dados das pesquisas domiciliares do IBGE. E os atuais usam informações de declarações de Imposto de Renda, que até pouco tempo atrás não estavam disponíveis.

Os números da Receita Federal não se limitam aos rendimentos, mas revelam também o tamanho do patrimônio, dariqueza. Quando se olha para eles, fica claro que houve redistribuição de renda, sim. Mas só entre os trabalhadores da faixa intermediária de renda para os de patamar inferior.

Os imensos ganhos de capital da minoria bilionária que atua no País ficavam escondidos por essa cortina de fumaça estatística. Acomodado a esta situação, um projeto político que logo seria tratado com enorme ingratidão por quem mais se beneficiou dela.

Petistas e lulistas dirão que a divulgação de informações como essas “faz o jogo da direita”. Deveriam admitir que muitos deles é que vêm fazendo este jogo há anos.  

ma nota de rodapé de “O Capital”


“O Capital”, talvez, seja a primeira obra teórica a utilizar notas de rodapé exaustivamente. Imaginando que seu estudo seria recebido com grande hostilidade e ceticismo, Marx apoiou suas muitas afirmações polêmicas em inúmeras fontes bibliográficas, factuais e estatísticas.

Apesar de tornarem a leitura ainda mais difícil, algumas delas servem como pausas divertidas em meio às acrobacias dialéticas do autor. É o caso de uma nota do capítulo III.

A nota refere-se a um trecho que ironiza a crença burguesa de que o valor das mercadorias é definido pelas etiquetas de preço que seus vendedores colam nelas. Cita o relato de um tal Capitão Parry sobre os estranhos hábitos comerciais de nativos da costa ocidental da baía de Baffin:

“Nesse caso”, (ao intercambiar produtos) “(...) eles o lambiam” (o que lhes foi oferecido) “duas vezes com a língua, com o que pareciam considerar o negócio concluído satisfatoriamente”. Se a língua no norte, portanto, serve de órgão de apropriação, não é de admirar que no sul a barriga funcione como órgão de propriedade acumulada e que o cafre calcule a riqueza de um homem segundo a sua pança. Os cafres são tipos muito espertos, pois enquanto o relatório oficial inglês sobre a saúde, de 1864, deplora a falta de substâncias formadoras de gorduras em grande parte da classe trabalhadora, um certo dr. Harvey (...) no mesmo ano fez a sua fortuna por meio de receitas que prometiam livrar a burguesia e a aristocracia de seu excesso de gordura (1).

(1) Marx, Karl. “O Capital” (1867), “Capítulo III - O Dinheiro ou a Circulação das Mercadorias”.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Quando a economia vai bem porque o povo vai mal



Governo e grande mídia vêm comemorando a redução da taxa de juros pelo Banco Central e a maior alta da Bolsa de Valores de São Paulo desde 2008. Mas não é bem assim. 
De fato, em outubro de 2016, a taxa de juros estava em 14% anuais. Atualmente está em 9,25%. Mas não se deve comparar esses dois índices entre si, e sim, taxa de juros e nível de preços.

Acontece que o índice de preços do governo federal (IPCA) registrava 9% anuais em agosto de 2016, contra os atuais 2,7%. Aritmética simples. A taxa de juros, descontado o nível de preços, passou de 5%, antes, para 6,5%, hoje.

Já a subida da Bolsa é explicada por José Paulo Kupfer em artigo publicado no Globo, em 15/09. Segundo ele, a alta corresponde a ações de empresas cujo “desempenho depende pouco ou nada de uma eventual recuperação do mercado interno”. Os detalhes:

Apenas cinco papéis entre os 60 que compõem o índice respondem por cerca de 40% de seu movimento. Dois são de bancos (Itaú e Bradesco), outros dois são de produtores de commodities (Petrobras e Vale), cujas receitas são fortemente correlacionadas com as cotações internacionais, e o último é de uma empresa que, embora opere no mercado de consumo (Ambev), é bastante internacionalizada, a ponto de obter no exterior quase metade de suas receitas.

Em 1974, o ditador sanguinário, general Garrastazu Médici, afirmou: "A economia vai bem, mas o povo vai mal". Antes, agora e quase sempre na história do País, esta frase deve ser interpretada assim: “A economia vai bem porque o povo vai mal”.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Outra Explosão Solar Classe X8 em 10 de setembro




  • Nem deu tempo de esfriar da maior CME registrada nos últimos 11 anos e o Sol já emitiu outra furiosa explosão com ejeção de massa coronal (CME) de classe X8 da mesma mancha AR2673.

    Os prótons acelerados em direção à Terra pela explosão estão pulando em torno de nosso planeta agora, causando uma tempestade de radiação solar moderadamente forte. 

    Um pulso de radiação ultravioleta  ionizou o topo da atmosfera da Terra, provocando um apagão de rádio de ondas curtas sobre as Américas. Esse apagão agora está diminuindo. 


    No entanto, um apagão ainda mais forte das comunicações de rádio de ondas curtas em torno dos pólos ainda está em andamento. 



    Não consegui baixar o video, clique no link abaixo:



    A mancha solar AR2673 aumentou numa velocidade incrível 10 vezes o seu tamanho desde de 3 e três dias depois, desencadeou a mais forte explosão solar em mais de uma década, lançanda uma CME na diretamente na Terra.  Agora, esta mancha está prestes a "desaparecer" de vista, porque está bem na borda ocidental do Sol 

    A viagem na parte de trás do Sol dura 14 dias, ou seja por volta dos dias 23/24 de setembro, ela estará na parte da frente do Sol, resta saber se reaparecerá tão potente quanto agora. 

    Em virtude dos últimos acontecimentos, acho válido compartilhar a reportagem abaixo que só postei no facebookna época da entrevista, penso ser interessante para quem não assistiu, ver a previsão deste ex engenheiro da Nasa, que previu problemas climáticos nunca antes visto entre julho e setembro deste ano. Apesar da previsão não se confirmar por causa do El Ninho, é válido assistir a reportagem. Nada de muito novo para quem já está alerta há tempos, mas vale a pena assistir. 


    Também não é novidade esta relação, mas vale lembrar o que nem deu tempo de esquecer, logo após a primeira CME classe 9.3 ocorreu um dos maiores terremotos de 8,2 no México

    Condições climáticas extremas é parte dos ciclos climáticos da Terra, mas está crescendo num ritmo alarmante, assim como a frequência de grandes catástrofes. Há 8 anos escrevo sobre isso, tem uma explicação, ou melhor um conjunto delas. É hora de ver, de ouvir, de perceber, de se abrir para a não oficialidade da informação, porque nenhum meio de comunicação "oficial" explicará à massa o que os antigos e cientistas que foram mortos ou desacreditados tentaram fazer. 

    Conforme necessário, farei as atualizações sobre o Sol. 

    Ravena


    Mais informações:
  • O Brasil deveria ser potência mundial


    Malas de dinheiro encontradas em apartamento de Geddel Vieira, amigo do Lula, da Dilma, do Temer, enfim, da quadrilha
    O Brasil podia ser potência mundial, não fosse o brasileiro em geral um grande filho da puta.
    No Rio uma quadrilha se especializou em alugar armas pra assaltos. Oras, não alugamos carros? Porque não armas? Coisa de gênio. Pena que na hora de inovar só inovamos pra fazer merda.
    Não conheço um brasileiro que não diga que precisamos de mais (e melhor) educação, mas quantos estão dispostos realmente a ver e fazer isso acontecer? A investir de verdade em educação, em valorizar professores, financiar pesquisas e etc?
    O brasileiro reclama (às vezes com razão) que a escola não ensina muito do que importa pra vida. Verdade, às vezes estudamos como calcular molalidade, mas não sabemos pagar um boleto. A escola poderia sim ser mais ampla, mas é isso mesmo que querem? Vi esses dias uma mini-revolta eclodir diante de uma foto de um evento em uma escola pública onde ensinavam como enviar nudes de forma segura.
    Revolta, raiva, “o que estão fazendo com nosso dinheiro???”, “porque não ensinam a calcular molalidade?”, etc….
    Oras, estão fazendo o que pediram, ensinando pra vida. Ensinando sobre uso de tecnologia, autodefesa, empoderando especialmente mulheres, educando para que exista mais respeito, etc… O brasileiro quer é gritar que está tudo ruim e reclamar mais ainda quando tentam fazer alguma coisa pra melhorar.
    Mas o Brasileiro é esperto: O tráfico se reinventa, os políticos encontram mil formas de roubar e escapar ilesos, a PM comete suas chacinas sem grandes preocupações e grande parte do povo se vira pra sobreviver. É muita criatividade, sem dúvida. Como pode um sistema tão podre e falido ainda se sustentar? É coisa que nem mil prêmios Nobel são capazes de entender ou explicar. Mas nós seguimos adiante.
    Agora temos a notícia de novas gravações do Joesley Batista — o amigo do Lula, da Dilma, do Aécio, do Temer, enfim, de toda a quadrilha — que envolvem até o STF. A torre de marfim foi arranhada. São 4 nomes, um já sabemos quem é, não poderia ser mais óbvio, mas e os outros 3? Mais de 1/3 do STF envolvido em corrupção? Não surpreende, mas assusta. Não sobra nada, nem ninguém.
    Mesmo o MPF estava infiltrado, assessor de Janot foi pego também ajudando os corruptos e lhes repassando informações.
    Aquele famoso áudio do Jucá que os petistas adoram usar escondendo sempre uma parte (a que cita Lula) parece profético. Caminhamos pra um acordo entre todos, executivo, legislativo e judiciário (E empresariado) pra salvar o cu de todo mundo. Do Lula, do Temer, do PSDB, do PMDB, do PR, do STF, da JBS, enfim…
    Não sobra um.
    Enquanto isso parte da esquerda tenta defender o Lula, outra parte (ou a mesma parte) acha mais importante lacrar, fazer fanfic e/ou exigir pena de morte para deficiente mental e ficar fazendo guerrinha identitária.
    O que sobrou?
    sanguessugado do: https://medium.com/@tsavkko/o-brasil-deveria-ser-pot%C3%AAncia-mundial-e07b3434ff5b

    Ou uma "força oculta" se levanta contra o golpe, ou o Brasil vai ser dividido



     O Brasil se encaminha para a etapa final de um processo que acompanho e prevejo há anos.

    Só a idade provecta, a desimportância pessoal e a mídia restrita que uso permitiram que expusesse minha certeza que, por certa, se confirma – assim mesmo porque me recuso a discutir com os apaixonados, os crentes e os convictos, que fazem dos desejos esperança e contam que alguém os realize.

    ​
    Só um tarado formalista ou um bacharel brasileiro poderiam aceitar que o que ocorre tem algo remotamente parecido com democracia.

    O legal não é legítimo: por meios institucionais, essa gente jamais devolverá o poder.
    Ao contrário de 1964, quando o golpe foi dado contra o trabalhismo e no contexto da guerra fria, esse objetiva desmontar o Brasil – e o fará.

    Quem se opuser será desacreditado, desmoralizado, combatido como criminoso, condenado por crimes quer os tenha ou não cometido, ou terá morte suspeita – provavelmente em desastre de avião, que é o mais fácil.

    Radicalizaram.

    O dragão da maldade comanda o Judiciário, o Legislativo, o Executivo, a mídia, as igrejas, armou um exército policial paralelo – uma espécie de SS frente a Wehrmacht. A dissidência será contida em guetos, sob pressão social, e se condenará a validar, pela existência, a iniquidade.

    Ou uma improvável força oculta (nem poderia, obviamente expor-se) ergue-se com a força dos terremotos por sobre a desinformação da massa e o engano dos letrados – terá que buscar no povo forças para revolver o lixo o e enfrentar águias, hienas e urubus que cercam a carniça - ou .podemos cogitar do fracionamento do país em estados menores que (dou, como exemplo, guardadas nítidas diferenças, a Iugoslávia) poderiam, talvez, viver sob menor pressão e enfrentar com eficácia os problemas sociais que infernizam – e infernizarão cada vez mais – a nossa vida.


    *Nilson Lage é professor titular da UFSC

    A esquerda e o “favelismo”



    Vem aí o Partido Frente Favela Brasil. Entre seus idealizadores, está Celso Athayde, criador da Central Única de Favelas. Perguntado sobre sua posição ideológica, ele respondeu: “Não sou esquerdista nem direitista. Sou favelista!”.

    Foi o bastante para que setores da esquerda acusassem a proposta de ser divisionista, reformista, conciliadora, despolitizada etc.

    Mas, talvez, também fosse o caso de perguntar se a grande maioria da esquerda poderia se considerar “favelista”, tal como o documento de apresentação da proposta define o conceito, qual seja:

    ...trabalhar na inserção dos negros, dos moradores de favelas, e dos pobres dos subúrbios/periferias, no espaço de discussão e decisões políticas do país, bem como manter a constante vigília contra o preconceito racial e discriminação de qualquer origem.

    Será que a maioria da esquerda pode dizer que realmente abre “espaço de discussão e decisões políticas” aos negros e pobres em suas organizações? Além disso, a “vigília” contra o preconceito racial e outras opressões é pra valer ou fica restrita à retórica de seus documentos e discursos?

    Claro que ser antirracista sem ser de esquerda não leva a lugar algum. Mas não há como ser verdadeiramente anticapitalista sem combater o racismo.

    Por outro lado, a proposta defende a “construção de um projeto de oportunidades, a partir do qual todos possam ocupar um espaço digno de sua humanidade.” Este objetivo não reduziria a luta “favelista” à conquista de ajustes nos mecanismos da meritocracia, que justificam não só o racismo, mas toda a exploração capitalista?

    São questões como essas que devem orientar a esquerda no debate sobre a proposta “favelista” para evitar as tentações de nosso sectarismo.
    https://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/09/a-esquerda-e-o-favelismo.html

    Para o capital, o pecado. Para nós, o castigo



    No capitalismo, a imensa maioria das pessoas é obrigada a trabalhar para a pequena minoria que controla os meios de produção. Mas esta última alega que chegou a essa condição porque fez por merecer.

    Falso. Quase todos os patrões herdaram suas empresas.

    Ainda assim, responderia essa elite, seus antepassados trabalharam duro para que sua descendência não só desfrutasse como criasse oportunidades de trabalho para os despossuídos.

    Tudo isso faria sentido não fosse o que Marx chamou de acumulação primitiva do capital. O conceito aparece em “O Capital” para descrever o surgimento do capitalismo. Foi nesse momento, por exemplo, que os camponeses ingleses tiveram suas terras comunais roubadas pela burguesia nascente.

    Mas não só isso. Um trecho:

    As descobertas de ouro e de prata na América, o extermínio, a escravização das populações indígenas, forçadas a trabalhar no interior de minas, o início da conquista e pilhagem das Índias Orientais e a transformação da África num vasto campo de caçada lucrativa são os acontecimentos que marcam os albores da era da produção capitalista. Esses processos idílicos são fatores fundamentais da acumulação primitiva.

    Na verdade, a tradução mais fiel do original em alemão para o conceito seria acumulação “originária” do capital. O termo “originário” é uma sutil referência ao pecado original bíblico. Aquele cometido pelo primeiro casal, que expulsou a humanidade do Éden e nos condenou a continuar pecando.

    Do mesmo modo, a burguesia surgiu cometendo os piores pecados. E nunca mais parou. São inúmeras guerras, tragédias sociais, catástrofes ambientais causadas por poderosos interesses econômicos.

    A diferença, aqui, é que os piores castigos nunca desabam sobre os maiores pecadores.