segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Livre arbítrio – realidade ou ilusão?


Livre Arbítrio
Livre arbítrio, ou vontade livre, entendido como a faculdade mental de se decidir de forma desimpedida e não condicionada o que pensar, o que fazer e o que não fazer, é um tema presente na Filosofia desde suas origens no século VI ac. Na Teologia, é essencial em diversos assuntos caros ao Cristianismo, tais como origem do mal, justificação (salvação e condenação da alma) e moral. E, sobretudo por causa dos temas da responsabilidade e autonomia pessoal, é também importante em sistemas filosóficos humanistas. Os atuais estudos sobre a realidade do livre arbítrio, se existe ou se é uma ilusão, parecem ter graves implicações nessas diversas áreas, sem falar nas ciências sociais aplicadas, tais como Direito e Política. Talvez seja a perspectiva de um suposto esvaziamento de sentido e valor para as ações humanas, que poderia levar à deslegitimação da Moral e do Direito, que provoca em muitos um grande desconforto com a ideia de a mente humana se reduzir a processos físicos e químicos no corpo e, mais especificamente, a processos neurológicos. No caso das religiões abraâmicas, em especial, a inexistência do livre arbítrio poderia significar a ruína de um grande edifício teológico construído desde a antiguidade, onde a vontade livre e criativa é vista como a semelhança do homem com Deus, uma faculdade de natureza espiritual que seria uma prova da existência da alma.
Foi no século IV dc, com os trabalhos de Santo Agostinho, que o cristianismo deu uma forma doutrinária mais definida para o livre arbítrio como fundamento para a explicação do problema do mal no mundo e da condenação dos pecadores. O bispo de Hipona, teólogo de influência neoplatônica, acreditava que a razão (vontade e consciência) é capaz de subjugar a paixão (instintos, desejo de prazer, animalidade e subconsciência), a ponto de se tornar culpada quando não o fizer (pecado). Para o autor, “não há nenhuma outra realidade que torne a mente cúmplice da paixão a não ser a própria vontade e o livre-arbítrio. […] Logo, […é] lógico que a mente seja punida por tão grande pecado” (AGOSTINHO, p. 52). Em outras palavras, “não só possuímos o livre-arbítrio da vontade, mas acontece ainda que é unicamente por ele que pecamos” (ibid., p.73). Livre arbítrio seria o que nos torna superiores aos animais, evidenciando nossa natureza espiritual, “pois é no espírito que reside a faculdade [razão] pela qual nós somos superiores aos animais” (ibid., p. 44).
É bem verdade que esse assunto foi outras vezes reinterpretado por muitos outros autores cristãos posteriores, uns defendendo uma vontade livre mais autônoma, outros uma vontade mais subjugada pelo decaimento do pecado original, mas todos concordaram que o fundamento do mal e da punibilidade dos pecadores é o livre arbítrio. A final de contas, que sentido teria mandar para o inferno pessoas cujos pecados não tivessem sido cometidos por vontade própria? Ou pior: sem agentes de vontade livre, a culpa pelo mal no mundo recairia sobre o único ser livre que sobraria, Deus.
O que aconteceria, então, se descobríssemos que não existe livre arbítrio? Como a doutrina da condenação e salvação se sustentaria se descobríssemos que mente e cérebro são duas faces da mesma moeda e que não há no cérebro nenhuma evidência de uma entidade espiritual agindo sobre nós? Não é sem razão que o filósofo e neurocientista Sam Haris afirmou que “if the scientific community were to declare free will an illusion, it would precipitate a culture war far more belligerent than the one that has been wagged on the subject of evolution” [veja nota 1] (2012, pos. 81). Fato é que se descobríssemos que as pessoas não fazem nem pensam o que livremente decidem fazer ou pensar, mas que são levadas a tal por estados mentais prévios, a Filosofia, as ciências humanas, a Psicologia e as ciências sociais aplicadas certamente encontrariam novas soluções para entender a responsabilidade e autonomia humana. Com efeito, já há muito tempo se discute nessas áreas esse assunto e muitos dos mais importantes filósofos da modernidade e pós modernidade já se posicionaram no sentido de declarar o livre arbítrio como uma ilusão. Mas no caso das religiões abraâmicas (cristianismo, islamismo e judaísmo) o impacto de tal ideia poderá ser fatal.
Recentes estudos em Psicologia têm demonstrado que, na maior parte do tempo, nossos julgamentos e decisões são precipitados, praticamente automáticos, moldados e determinados por emoções, sentimentos e pensamentos inconscientes. O professor de psicologia John A. Bargh, em artigo sobre a influência do inconsciente nas decisões conscientes do dia a dia, explica que “pensamentos e sentimentos inconscientes influenciam não só a maneira como nos percebemos e ao mundo ao redor, mas também as ações cotidianas” (2014, p. 30). Qualquer estímulo que receba, mesmo que não percebido conscientemente, “pode ser suficiente para fazer alguém realmente buscar um objetivo sem nenhuma consciência de como se originou – nenhuma deliberação consciente ou livre arbítrio será necessário. Nossa mente inconsciente pode não apenas conduzir a escolher determinada ação, mas talvez ajude a reunir a motivação necessária para realmente alcançá-la” (ibid., p.33). Com efeito, há muito tempo profissionais de marketing e propaganda conhecem e sabem utilizar com sucesso esse conhecimento para levar pessoas a adotar ideias, comprar produtos e votar em candidatos políticos.
Entretanto, tem crescido entre os neurocientistas a opinião de que nem mesmo quando prestamos atenção no que vamos decidir, quando paramos para pensar racionalmente, nossa consciência tem qualquer controle sobre nossa vontade. Sam Haris, em seu livro Free Will (ainda não publicado em português), com base em diversos estudos que mostram que partes do cérebro envolvidas na realização de movimentos são ativadas instantes antes das pessoas conscientemente tomarem a decisão de se movimentarem, argumenta que “some moments before you are aware of what you will do next – a time in which you subjectively appear to have complete freedom to behave however you please – your brain has already determined what you will do. You then become conscious of this ‘decision’ and believe that you are in the process of making it” [2] (2012, pos. 151). No mesmo livro, o autor defende a ideia de que quem está no controle é o inconsciente e que o livre arbítrio da consciência é uma ilusão.
Nem todos, entretanto, concordam com essa visão da consciência como espelho de processos inconscientes e há quem busque encontrar algum livre arbítrio na mente consciente. Eddy Nahmias, professor de filosofia no Instituto de Neurociência da Georgia State University, chama a atenção para o fato de que a pesquisa em neurociência ainda não tem suficiente sofisticação técnica para chegar a uma conclusão definitiva sobre o tema e aponta o que pensa ser algumas falhas nos estudos, que estariam levando à conclusão de que não existe livre arbítrio. Segundo ele, “é verdade que muitas vezes somos influenciados inconscientemente por características sutis do nosso ambiente e por vieses emocionais ou cognitivos. Até nós os entendermos, não estaremos livres para tentar neutralizá-los. Este é o motivo pelo qual acho que temos menos livre arbítrio que muitas pessoas tendem a acreditar. Embora haja uma grande diferença entre ter menos e não tê-lo” (2015, p. 80). Mas como fundamentar o livre arbítrio, a vontade que causa algo mas não é causada, numa mente inserida num mundo físico onde nada quebra a regra da causa e efeito? Parece impossível fazer isso sem se recorrer a algum tipo de dualismo.
Atribuir à mente humana alguma liberdade de decisão não condicionada por processos inconscientes parece cada vez mais difícil, conforme os estudos do cérebro avançam. Este é um órgão do corpo, como tantos outros, igualmente formado por tecidos e células especializadas, que funcionam conforme sua constituição bioquímica, reagindo a estímulos internos e externos de maneiras complexas, mas previsíveis. Qualquer pensamento, qualquer emoção, qualquer decisão da mente pode ser associada a processos neurológicos que, por sua vez, podem ser reduzidos a processos bioquímicos que, em última instância, se comportam de acordo com as mesmas leis da física que nos permitem entender o universo e prever seu comportamento. Em outras palavras, não há por que supor que os processos bioquímicos, que fazem o cérebro funcionar, respeitem a leis outras que não as mais básicas leis da física e da química, muito menos para supor que esses processos bioquímicos quebrem tais leis. Sendo assim, a mente é um aspecto que emerge da atividade do cérebro em conformidade com as leis da física e da química, o que implica em dizer que somos o que a química de nossos cérebros faz de nós.
Os defensores da existência do livre arbítrio costumam teorizar algum tipo de dualismo, dizendo que a mente não se reduz aos processos que ocorrem no cérebro. Para eles, a equação seria “cérebro + alguma coisa = mente”, sendo que essa alguma coisa geralmente é algo metafísico ou espiritual, que traria imprevisibilidade para as decisões do indivíduo, quebrando o determinismo do mundo físico e gerando livre arbítrio. Mas deveríamos ser capazes de verificar experimentalmente esse “alguma coisa”, como algo que interfere nos processos normais do cérebro para criar o livre arbítrio. E isso nunca foi observado.
No fim do século passado, um importante filósofo da ciência, em associação com um renomado neurocientista ganhador do prêmio Nobel, apresentou uma alternativa para tentar fugir do reducionismo materialista que faz de nós esses “fantoches bioquímicos” (HARIS, 2012, pos. 471). Com evidente influência platônica, Karl R. Popper propôs um dualismo interacionista no livro “O Eu e o seu Cérebro”, escrito em diálogo com John Eccles. Segundo o filósofo, haveria no cérebro estruturas sensíveis capazes de se comunicar com uma realidade metafísica, distinta da realidade deste mundo físico e material, a que ele chamou de mundo 2 (o físico seria o mundo 1). Esse mundo 2 teria verdadeira existência, mas seria uma transcendência do mundo 1 (ele também fala em um mundo 3, comunicante com o mundo 2). Embora Popper não tenha defendido nenhum caráter espiritual para os mundos 2 ou 3, muito menos suas pré existências ou eternidades, muitos viram nessa hipótese uma explicação para a forma como o espírito agiria sobre o cérebro humano gerando a mente e o livre arbítrio pela interferência em seus processos neurológicos e bioquímicos. Apesar dos esforços de John Eccles e de outros neurocientistas, essas hipotéticas estruturas comunicantes com o mundo 2, ou qualquer outro mundo não físico, nunca foram encontradas, assim como nunca se verificou evidência de existência objetiva desses mundos metafísicos. Igualmente, nunca se encontrou evidência de qualquer processo neurológico ou bioquímico que ocorra contrariamente ao que regem as bem conhecidas leis da física. Ao contrário, “there is no question that (most, if not all) mental events are the product of physical events. The brain is a physical system, entirely beholden to the laws of nature” [3] (HARIS, 2012, pos. 170).
Então, como parece provável, se em algum momento a ciência definitivamente vir a comprovar que o livre arbítrio é uma ilusão criada por nossa mente consciente e que nenhum espírito interfere em nossas decisões, como lidaremos com a responsabilidade e autonomia pessoal na Filosofia, na Moral e no Direito? Não acredito que este será realmente um problema. Se a humanidade foi capaz de crescer, se desenvolver e criar variadas soluções e sistemas morais e jurídicos ao longo de séculos em que acreditou estar agindo livremente é por que, do ponto de vista evolucionário, é útil e eficiente a mente humana da forma como está estruturada. Livres ou não, não há como negar que continuaremos capazes de criar, produzir arte, desenvolver conhecimento, imaginar soluções, construir sistemas simbólicos, acreditar e ir além. Isso nos faz humanos e, independente de como isso biologicamente ocorre, fato é que ainda somos capazes de feitos maravilhosos. O preço que pagaremos, entretanto, será o de ter que rever algumas de nossas mais arraigadas crenças ancestrais, reajustando umas, descartando outras. Talvez algumas religiões enfrentem problemas de legitimidade. Ou talvez não, já que a criatividade humana é sempre grande o suficiente para inventar novas explicações para velhos mitos.
NOTAS
1. Tradução livre: “se a comunidade científica declarasse o livre arbítrio como ilusão, isso precipitaria uma guerra cultural muito mais beligerante do que a que tem sido vista no tema da evolução”.
2. Tradução livre: “alguns momentos antes de se aperceber do que você vai fazer a seguir – um tempo em que você subjetivamente parece ter total liberdade para se comportar como desejar – o seu cérebro já determinou o que você vai fazer. Você, então, torna-se consciente dessa ‘decisão’ e acredita que está em processo de fazer isso” (decidir e fazer).
3. Tradução livre: “não há dúvida de que (a maioria, se não todos) os eventos mentais são o produto de eventos físicos. O cérebro é um sistema físico, inteiramente controlado pelas leis da natureza”.
REFERÊNCIAS
HARIS, Sam. Free Will. epub. 1 ed. Nova York: Free Press, 2012.
AGOSTINHO. O Livre Arbítrio. 2 ed. São Paulo: Paulus.
BARGH, John A. A Mente Inconsciente. Scientific American Brasil. São Paulo, a. 12, n. 141, p. 26-33, fev. 2014.
NAHMIAS, Eddy. Por que temos livre-arbítrio. Scientific American Brasil. São Paulo, a. 13, n. 153, p. 78-81, fev. 2015.
POPPER, Karl R; ECCLES, John. O Eu e seu Cérebro. 2 ed. Papirus, 1995.
http://www.bulevoador.com.br/2015/02/livre-arbitrio-realidade-ou-ilusao/

Entenda o caso dos vazamentos do HSBC


Segurança privado em frente à sede do HSBC na Suíça: o banco está sob grande pressão
'A filial suíça do banco é acusada de ignorar crimes de clientes e ajudar milhares de correntistas a sonegar impostos em seus países 

Diogo Antonio Rodriguez, CartaCapital

Que caso é esse dos vazamentos do HSBC? O que aconteceu?

O jornal inglês The Guardian e outros órgãos da imprensa (como o francês Le Monde) vazaram documentos internos da filial suíça do banco inglês HSBC, que mostram que essa instituição ajudou 106 mil clientes com contas secretas a sonegar impostos novalor de 120 bilhões de dólares (334 bilhões de reais) entre 1988 e 2007. Segundo os documentos divulgados, o banco orientava seus clientes a fugir de impostos e permitia que sacassem grandes quantias em dinheiro, o que sugere que o HSBC ajudava essas pessoas a transportar quantias sem declará-las, facilitando crimes como a lavagem de dinheiro. Além disso, ajudou a manter contas secretas, para evitar que clientes ricos tivessem de pagar imposto de renda. E ainda abriu contas para criminosos e corruptos.

Quem vazou os documentos?

Um ex-funcionário do HSBC, chamado Hervé Falciani. Ele trabalhava no setor de Tecnologia da Informação (TI) da empresa. O The Guardian diz que as autoridades de vários países já conheciam esses documentos desde 2010, mas o caso só foi divulgado agora.

Quem está divulgando essas informações?

O International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), que compartilhou os dados com 140 jornalistas de vários países.

Que crimes foram cometidos? Por quem?

A princípio, sonegação de impostos. Muitas dessas contas não eram declaradas pelos donos em seus países de origem. É o caso dos pilotos de Fórmula 1 Fernando Alonso e Michael Schumacher. Ambos guardam suas fortunas no banco e podem ser processados.
 
Existem brasileiros envolvidos?

Sim. Segundo o ICIJ existem 6.606 contas relacionadas ao Brasil, que somam juntas mais de 7 bilhões de dólares (19 bilhões de reais). Na lista dos que têm conta no banco está o banqueiro Edmond J. Safra, morto em 1999. Segundo o site do ICIJ, os representantes da viúva dele disseram que todas as contas serviram apenas para propósitos legais. A família Steinbruch, dona da indústria têxtil Vicunha, manteve 464 milhões de dólares no HSBC entre 2006 e 2007. Também foram divulgados os nomes de 11 envolvidos na Operação Lava Jato, que investiga casos de corrupção na Petrobras. O jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, escolheu, por enquanto, divulgar apenas os nomes dos investigados na Operação Lava-Jato, preservando os demais. Citou Fernando Barusco (ex-gerente da petroleira), o doleiro Henrique Raul Srour e oito pessoas da família Queiroz Galvão.
 
Se existem tantas contas do Brasil, por que só esses nomes foram divulgados?

Não está claro. Rodrigues é um dos jornalistas com quem o ICIJ tem trabalhado e imagina-se que ele tenha acesso a mais nomes, senão à lista completa. O que se sabe é que a mídia internacional tem revelado o envolvimento de grandes empresários, atletas, políticos e artistas. No site do consórcio de jornalistas há uma lista que pode ser acessada.

Todas as pessoas que têm contas no HSBC da Suíça cometeram crimes?

Não. Muitas dessas 106 mil contas são legítimas. As autoridades europeias e americanas ainda estão investigando para saber se houve sonegação de impostos e outros crimes.
 
Por que falam tanto de contas na Suíça? É melhor ter contas lá, tem alguma vantagem?

A Suíça é um "paraíso fiscal". Isso quer dizer que as regras para abrir contas e fazerinvestimentos são mais flexíveis do que em outros países. Por isso, pessoas que movimentam grandes quantidades de recursos preferem guardar suas economias no país, já que pagam pouco (ou nada) em impostos. A princípio, não é ilegal ter dinheiro na Suíça, mas as leis de diversos países, como o Brasil, exigem que seus cidadãos declarem o dinheiro que possuem no exterior para que impostos sejam cobrados sobre essas quantias. Quem não faz isso comete crime de evasão de divisas e pode pegar de dois a seis anos de prisão, além do pagamento de multa.
 
O Brasil está investigando esse caso?

Ainda não. Mas o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) encaminhou um pedido de abertura de investigação à Procuradoria-Geral da República para saber se as contas dos brasileiros têm irregularidades. França, Estados Unidos, Argentina e Bélgica já estão apurando os crimes. Desde 2009, quando as autoridades francesas obtiveram a lista de contas suspeitas no HSBC, elas conseguiram obter de volta 820 milhões sonegados por 3 mil clientes. No mesmo período, a Espanha conseguiu 960 milhões de reais, também de 3 mil clientes espanhóis do HSBC."

* O jornalista Diogo Antonio Rodriguez é criador do site meexplica.com

Delator acusa Agripino de levar propina milionária


"Em delação, empresário George Olímpio denunciou suposto esquema que atuava em serviços de cartório ao Detran do Rio Grande do Norte, que envolvia a ex-governadora e atual vice-prefeita de Natal Wilma de Faria (PSB), o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado Ezequiel Ferreira (PMDB), além do senador Agripino Maia (DEM); "Ficou definido que para o governo ia R$ 15 por contrato. A média de contratos por mês girava em torno de 5 mil", disse ele em reportagem do "Fantástico", da TV Globo; em outro trecho, ele afirma que o senador pediu mais de R$ 1 milhão no ano de 2010; parlamentar nega 

Brasil 247

Um empresário do Rio Grande do Norte acursou políticos de Estado de receberem propina em troca da aprovação de leis. Segundo o programa "Fantástico", da TV Globo, a denúncia foi feita em delação premiada de George Olímpio ao Ministério Público.

De acordo com ele, o esquema envolvia a ex-governadora e atual vice-prefeita de Natal Wilma de Faria (PSB) e o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado Ezequiel Ferreira (PMDB), além do senador Agripino Maia (DEM).
Olímpio contou que, entre 2008 e 2011, montou um instituto para prestar serviços de cartório ao Detran do estado que cobrava uma taxa de cada contrato de carro financiado no Estado.

"Ficou definido que para o governo ia R$ 15 por contrato. A média de contratos por mês girava em torno de 5 mil", afirmou.

Na delação, o empresário conta que o esquema da propina foi negociado na residência oficial da então governadora do estado, Wilma de Faria, do PSB
Em um dos trechos da delação, empresário também diz que o senador Agripino Maia pediu a ele mais de R$ 1 milhão no ano de 2010.

Ao "Fantástico", Agripino Maia negou a acusação: "É uma infâmia, uma falta de verdade. Está completamente falso e faltando com a verdade", afirmou (saiba mais).

Diante do ressurgimento do seu nome na operação Sinal Fechado, o senador José Agripino também apresentou documento onde o então Procurador-Geral Roberto Gurgel mandou arquivar, por falta de provas, o processo de investigação contra ele. Depois do depoimento de Olímpio, o atual Procurador Rodrigo Janot desarquivou, há cerca de cinco meses, a investigação contra o senador (leia aqui no blog de Daniel Dantas)."

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Exclusivo: Assange quer mudar a sede do Wikileaks para o Brasil



assange
O inimigo número 1 dos EUA na Internet, Julian Assange, que está preso a quase cinco anos na Embaixada do Equador, em Londres, sem que pese contra ele nenhuma acusação, concedeu por e-mail à Revista Fórum essa entrevista exclusiva onde revela que gostaria que wikileaks pudesse mudar sua sede para o Brasil.
“Os ativistas brasileiros deveriam lutar para criar um ambiente que seja ‘habitável’ para o WikiLeaks e nosso estafe (que proteja a criptografia e o anonimato na rede e o Marco Civil da Internet é um passo importante neste sentido) para que possamos mudar nossa sede para o Brasil.”
Essa entrevista foi intermediada pela Editora Boitempo, por onde Assange vai lançar a versão em português do seu novo livro, “Quando o Google encontrou o Wikileaks”, registro de um conversa entre ele, Eric Schmidt, presidente do Google e outros integrantes da corporação, realizada em 2011. Em breve, o blogueiro fará uma resenha da obra por aqui. Por ahora, fiquemos com a entrevista que está bastante interessante.

Julian, no seu novo livro você menciona que a principal censura sobre a história é o fator econômico, mas também se refere aos ataques jurídicos a jornalistas como uma ameaça. Como você entende que a mídia independente –particularmente aquela que está hospedada na internet – deveria confrontar essas ameaças à liberdade de imprensa e de expressão?
O WikiLeaks demonstrou que, ao reconhecer esses métodos de censura, a publicação pode estruturar suas operações logísticas e legais para resistir à censura, ou pelo menos torná-la muito cara. Outras publicações podem aprender com nossa experiência e reestruturar similarmente suas operações a fim de dificultar que sejam censurados. Os detalhes disso estão no livro, mas, resumindo, deve-se usar múltiplas jurisdições, a tecnologia e o poder da audiência, para que os ataques proibitivos à essas publicações sejam custosos política e economicamente. Meu conselho a estes é: onde existe vontade existe uma saída, mas antes de tudo tem que ter a vontade.
Na sua opinião, como será possível construir um sistema de livre informação que desafie o domínio das grandes corporações que cada vez mais se tornam aliadas do Departamento de Estado dos EUA?Ainda há chances para a Internet ou ela já foi apropriada pelo poder econômico?
Embora eu tenha falado bastante disso no livro e tenha tratado da natureza distópica da internet em diversos lugares, é também importante refletir a respeito dos seus benefícios. Esses benefícios são o extraordinário desenvolvimento da civilização humana; e, parte da tragédia, é que esses desenvolvimentos estão sendo erodidos pela cooptação da internet pelas grandes facções de poder no Ocidente. A internet é uma habilidade sem precedentes para o mundo se comunicar através das fronteiras e isso significa que precisamos nos educar sobre como realmente é a civilização humana e nosso lugar na Terra.
Essa transferência lateral de informação foi disponibilizada ao público, junto àquela transferência vertical de informação das velhas organizações opacas, por conta de organizações como Wikileaks e outras instituições ou fenômenos similares. Esse sistema maravilhoso e libertador tem sido, pelos últimos dez anos, alvo de predadores da pior espécie: a Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês), o GCHQ (o similar britânico) e outras agências aliadas e organizações, sendo a mais importante o Google. A invasão dessas organizações ao espaço educacional da civilização humana é uma tragédia. É de alguma maneira como se a revolução tivesse sido traída. Ainda há chance para que o potencial emancipatório da internet tenha continuidade? Sim, eu acredito que existe essa chance, mas apenas se lutarmos por ela – e essa será um longa e amarga luta.
Na conversa com Eric Schmidt e os outros representantes do Google, você falou dos desafios de comunicação na revolução do Egito e sugeriu possíveis formas de contatos criptografados via celulares. Ainda acha que é possível escapar do controle com a quantidade de dados que o Google e o Facebook têm dos cidadãos no mundo todo? Não te parece que estamos vivendo num momento em que além de buscar a privacidade precisaremos inciar uma guerra cibernética de destruição de dados? Não são os dados e os tratamentos que essas grandes corporações podem fazer deles que nos  tornam prisioneiros do vigilantismo?
A verdadeira questão é: qual é a escala natural das tecnologias que as pessoas necessitam para se comunicar pelo mundo? Qual é a escala natural dessas indústrias que produzem smartphones, redes sociais, mecanismos de busca, etc? Será que a escala natural dessas tecnologias permite apenas um Google no mundo? Ou uma superpotência? Ou pode existir uma em cada casa? Ou em cada cidade? Ou em cada nação, incluindo as nações menores? A resposta para isso ainda não está clara. Existem alguns fatores que sugerem que irá existir apenas um único mecanismo de busca gigante no planeta, o que levaria a civilização global a ser dominada por apenas uma cultura ou um Estado que está mais envolvido com aquele mecanismo de busca, um mecanismo de busca que integra tudo que pode ser procurado ao redor do mundo.
Pode haver uma tendência natural em direção a centralização global como um resultado dessa tecnologia. Como exemplo, o cérebro humano é todo centralizado em um só lugar. Nós não dividimos nosso cérebro com nossas pernas, nossas costelas, nossas pontas do dedo. Está tudo em um só lugar, então nosso pensamento pode ser rápido e nossos neurônios podem se comunicar rapidamente uns com os outros, a partir disso nós formamos o entendimento do nosso ambiente. Um mecanismo de busca precisa, de maneira similar, estar em um só lugar para reunir as informações do mundo e pesquisá-las. E uma vez que está um só lugar, as informações adicionais que são coletadas devem também estar no mesmo lugar, para que isso traga benefícios de economia de escala e proximidade. Sendo assim, isso irá criar um mundo centralizado, encorajando os grupos mais poderosos a ficarem ainda mais poderosos.
Mas a tecnologia da internet também pode ser mais parecida com um rifle, onde podem existir centenas ou milhares de fabricantes e cada rifle pode ser empunhado por um individuo para aumentar sua força física. Isso seria tecnologia democrática, não uma tecnologia centralizada. Ambas as coisas parecem ser a realidade. Com uma mão o smartphone é empunhado por um individuo, e eles são muito poderosos, na outra mão está o Google sugando praticamente toda informação e armazenando-as em um só lugar, ampliando tremendamente toda a capacidade de coleta de informações para a inteligência dos EUA.
No seu novo livro você também diz que a grande imprensa tem de ser eliminada e substituída por algo melhor. O que seria este algo melhor na sua opinião? Num dado momento você diz que a base do jornalismo deveria ser a da ciência, mas isso por si só não impediria uma série de interpretações diferentes acerca de um mesmo fato. E nem acabaria com a concentração midiática. Como enfrentar o pensamento único e a o a concentração de poder midiático de forma criativa no mundo atual?
A melhor coisa que a internet nos deu foi a de desconectar a distribuição da publicação e desconectar a publicação de direitos autorais. Isso permitiu uma explosão de vozes independentes e perspectivas que não foram vistas desde a invenção do rádio e da televisão. Com o passar do tempo, distribuidores estão se coligando com publicações para ampliar o controle do lucro na integração vertical. O Google, que é a maior publicação na internet, está agora construindo sua própria rede de distribuição e está se tornando um ISP (Internet Service Provider – uma organização que provê serviço, acesso e uso na Internet) em diversas cidades e tem planos extremamente ambiciosos para se tornar uma ISP em grande parte do mundo. Ao mesmo tempo, a Comcast, a Fox, a Viacom estão comprando redes de distribuição na internet. E o Facebook está entrando no negócio da distribuição, mas já está há muito tempo no negócio de capturar autoria e publicação, aplicando numerosos métodos de contenção de autoria – o que turva a noção se ele é um autor ou uma publicação.
Por outro lado, novas startups estão ignorando isso e criando novos métodos de comunicação que flutuam acima dessas redes de distribuição originalmente montadas pela AT&T, Cable and Wireless e outras gigantes das telecomunicações. Essa é a grande tensão. Será a internet uma continua revolução ou perderá o folego e será consumida pelos elementos do Estado e das corporações que controlam sua infraestrutura básica?
Qual a sua situação atual e como os ativistas brasileiros podem te ajudar a se livrar dessa estúpida sentença a que tem sido submetido?
Eu estou detido no Reino Unido por quatro anos e meio sem qualquer acusação. Nós estamos em um sério confronto legal e de informação contra os tradicionais centros de poder dos EUA, incluindo investigações públicas contra nós (Wikileaks) por diferentes agências norte-americanas, incluindo o Departamento de Justiça, o FBI, o Departamento de Estado, a CIA, o Pentágono e o DIA (Defense Inteligence Agency). Vencer tal conflito é um esforço que exige muito seriedade. Até agora, nós vencemos nas áreas mais importantes. O Pentágono e o Departamento de Estado exigiram que destruíssemos todas nossas publicações sobre o governo dos EUA. Nos recusamos e não destruimos um único documento. Eles exigiram publicamente para o mundo que destruíssemos todas nossas futuras publicações. Não destruímos um único documento. Eles levantaram um bloqueio financeiro contra nós, envolvendo a Visa, a Mastercad, o Paypal, etc. — muito similar ao bloqueio de Cuba. Nós vencemos tal bloqueio diversas vezes nas cortes européias. Eles insistiram que nós parássemos de lidar com “whistleblowers” (funcionários do governo que por se sentirem fazendo algo errado denunciam o governo) do governo norte-americano. Não fizemos isso. Nós nos adiantamos a todos e garantimos que Edward Snowden tivesse sucesso em sair de Hong Kong e conseguisse asilo na Rússia. Nosso sucesso nessas ações e nossas publicações prejudicaram o prestígio dessas agências, que, lembremos, existem por conta de sua habilidade em projetar uma aparência de poder e que agora buscam retomar essa aparência tornando as coisas difíceis para o WikiLeaks e para mim.
Não existe apenas uma guerra juridica e de informação contra nós, existe também uma guerra de propaganda. Essa guerra procura minar nossa reputação e nosso apoio. Então, o que as pessoas podem fazer é, primeiramente, se elas tiverem acesso a documentos secretos, enviarem para nós que nós os publicaremos. Em segundo lugar, se elas descobrirem informações sobre planos contra nós, devem nos avisar, para que possamos tomar uma decisão estratégica a respeito. Terceiro, podem nos ajudar a vencer a guerra de propaganda dizendo para as pessoas a verdade do que estamos fazendo.
Já os ativistas brasileiros, especificamente, deveriam lutar para criar um ambiente que seja ‘habitável’ para o WikiLeaks e nosso estafe (que proteja a criptografia e o anonimato na rede e o Marco Civil da Internet é um passo importante neste sentido) para que possamos mudar nossa sede para o Brasil.
http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/02/22/exclusivo-assange-quer-mudar-sede-wikileaks-para-o-brasil/

A inversão das notícias sobre o Sistema Cantareira para favorecer Alckmin


Alckmin, o volume morto
A chuva acima da média no Sistema Cantareira foi a gota d’água para a mídia gerar uma enxurrada de boas notícias para o Governo Alckmin.

Os termos “descarte do rodízio”, “soma das águas” e “recuperação do Cantareira” foram usados ad nauseum. Vale tudo para coroar o sucesso do Governador Geraldo Alckmin na luta contra a “maior estiagem de todos os tempos”.

Balela.

Passados os dias de pânico com a possível seca geral e sucessivos recordes de vendas de caixas d’água, eis que se anuncia que o Cantareira está com 9,5% de sua capacidade.

Piada de mau gosto.

Na verdade, o Sistema Cantareira está com 90,5 negativos. Não se trata da afirmação do copo meio cheio, meio vazio. Fato é que ainda estamos no segundo volume morto, com apenas 9,5%.

Desde o início de 2014, o Diário do Centro do Mundo vem anunciando a gravidade da gestão da água pela Sabesp.

Em fevereiro do ano passado, o DCM já alertava para os riscos de desabastecimento quando reservatório Cantareira já registrava 22% de sua capacidade.

DCM também apontou o desprezo da Sabesp para com manutenção do sistema de distribuição e o desleixo na conservação ambiental do Sistema.

Na ocasião, o descumprimento de vários preceitos da outorga de 2004 já colocava a Sabesp no banco dos réus. Aproveitando-se da estiagem, livrou-se renovação da outorga adiada diante o caos que já se anunciava.

Aqui também anunciamos os riscos à saúde ao disponibilizar água de reuso do Rio Pinheiros para consumo ou ainda o bombeamento das mesmas poluídas águas para a combalida Billings.

Na versão oficial do Palácio dos Bandeirantes, o paulistano está próximo de se livrar do rodízio.

Na vida real, enquanto estimulam os grandes consumidores com tarifas irrisórias, Alckmin penaliza o trabalhador com seca nas torneiras e multa. É a lógica do mercado: ao anunciar aumento da tarifa e multa por consumo acima da média, o resultado foi valorização das ações da Sabesp na Bolsa de Valores de Nova York.

Inverter a análise sobre a drástica crise de abastecimento de água anunciando melhoria do cenário hídrico é tão irresponsável quanto o mantra de 2014 de que não haveria racionamento.

Não há o que comemorar. De novo Alckmin aposta na chuva e no blá blá blá.

Edson Domingues
No DCM, via http://www.contextolivre.com.br/2015/02/a-inversao-das-noticias-sobre-o-sistema.html

O que saberemos sobre o espaço daqui a uma década?






A Nasa lançou recentemente a Orion, primeira de suas novas naves destinada ao transporte de astronautas em substituição aos ônibus espaciais. A agência também está desenvolvendo um enorme foguete que vai rivalizar com o Saturn V. A Europa conseguiu pousar uma sonda em um cometa a 510 milhões de quilômetros da Terra, enquanto a China está trabalhando em sua próxima estação espacial.

Enquanto isso, empresas particulares estão mudando o mapa dos negócios no espaço, ao seguirem com seus planos para realizar voos ao espaço, turismo espacial e até missões para Marte.

Nos próximos anos, também assistiremos à etapa final da construção telescópio espacial James Webb, um observatório flutuante do tamanho de uma quadra de tênis.

Portanto, a partir de 2020, será que teremos uma nova e gloriosa era espacial?

A BBC reuniu um painel de especialistas para ouvir suas opiniões: Scott Pace, diretor do Instituto de Política Espacial, em Washington; David Baker, ex-engenheiro da Nasa, escritor e editor da revista Spaceflight; e Monica Grady, professora de ciências planetárias e espaciais na Open University, da Grã-Bretanha.

Veja o que eles têm a dizer:

O homem vai voltar à Lua...

Para especialista, a Lua poderia servir de base para lançamento de foguetes
Para David Baker, a Lua exerce um fascínio porque está ali visível todas as noites. "Uma viagem à Lua dura apenas três dias, e mandar astronautas para lá por um curto período de tempo é algo que exige poucos recursos. Um dos objetivos da China é colocar astronautas na Lua", afirma.

Já Monica Grady prevê que alguns grupos estabeleçam uma base semipermanente na Lua. "Não é uma colonização; o local servirá para lançar foguetes que explorarão o Sistema Solar no futuro", diz.

Scott Pace critica a política dos Estados Unidos em relação à Lua. "O país não só excluiu o astro como um próximo passo de sua exploração, como também deixou de fora seus parceiros internacionais. Tínhamos muitos parceiros em potencial que estavam interessados na Lua. Mas este assunto tem que continuar na agenda, porque ele é guiado por interesses geopolíticos, técnicos e econômicos, tanto dos Estados Unidos como de seus grandes parceiros".

...mas (ainda) não vai a Marte

Ex-engenheiro considera ideia de ir a Marte 'perigosa'
"Apesar de Marte ser um dos objetivos da exploração humana, não sei muito bem o que poderá acontecer uma vez que pousarmos lá e fincarmos uma bandeira", afirma Grady. "Há um debate sobre se devemos fazer de Marte um habitat protegido."

Para Pace, a questão das parcerias internacionais também foi afetada pela decisão dos Estados Unidos de se dedicar a uma missão para Marte. "Muitas outras agências espaciais disseram que se tratava de algo muito ambicioso. Estrategicamente, escolhemos uma direção que nos tirou das parcerias", diz.

Baker critica a ideia de ir a Marte como "drástica, perigosa e prematura". "A Orion só consegue manter sua autonomia no espaço por três semanas – não serve para abrigar seres humanos no caminho até Marte", explica. "A imagem que a Nasa passa para a opinião pública é muito diferente daquilo que ela tem capacidade para realizar."

China e Índia terão destaque

China está a caminho de ter sua própria Estação Espacial
"Estamos começando a assistir a uma corrida espacial entre a Índia e a China, e acho que isso tende a crescer nos próximos anos", aposta o ex-engenheiro David Baker.

Scott Pace discorda: "Não creio que se trata de uma corrida. Para a China, a conquista espacial é uma maneira de estimular o orgulho nacional e apoiar o Partido Comunista, assim como uma maneira de melhorar a qualidade industrial e atrair jovens para a área de ciência e tecnologia".

"Nos Estados Unidos e na Europa, cada vez que um novo governo assume o poder, muda as políticas espaciais. Essa descontinuidade gera uma enorme perda de tempo e de recursos", afirma Monica Grady. "A China leva vantagem nessa área ao ter um sistema político não democrático que pode fazer planos com bastante antecedência e que sabe que eles serão cumpridos".

O futuro da Estação Espacial é incerto

EUA têm obrigações com a Estação Espacial Internacional até 2024
O analista Pace lembra que os Estados Unidos estão comprometidos com a EEI até 2024, mas questiona se os demais países permanecerão no projeto até lá, principalmente a Rússia.

"Isso vai depender do futuro das relações entre os dois países. Ambos dependem mutuamente do outro para que o projeto dê certo. Será preciso um grande esforço para isolar isso dos demais problemas nas relações entre russos e americanos", diz ele.

Já Baker acredita que a EEI será tirada da órbita terrestre, já que a Rússia não poderá seguir operando a base sozinha por não ser sua única dona.

"Quando chegarmos em 2020, serão mais de 20 anos desde que os primeiros componentes da EEI foram lançados", lembra.

Pace prevê que em meados de 2020 a China terá uma estação espacial em órbita e afirma que a Europa já está em negociação com o país asiático para ter alguns astronautas a bordo.

Iniciativas privadas podem roubar a cena

Para analistas, avanço do turismo espacial pode ser positivo para as agências governamentais
Os especialistas consultados pela BBC acreditam no sucesso de missões lançadas por empresas particulares, como a Virgin Galactic, a SpaceX e a XCOR, mas reconhecem que será um privilégio para pouquíssimas pessoas.

"Será algo para os super-ricos, da mesma maneira que os primeiros voos de avião também foram feitos por super-ricos", lembra Monica Grady.

Para David Baker, a iniciativa poderia ser uma maneira de enviar cientistas para experimentos em voos sub-orbitais. "Quando as empresas privadas se consolidarem como algo independente dos governos, teremos resultados surpreendentes", diz.

Já Pace vê com cautela o avanço das companhias particulares. "A falta de planos do governo americano para além da EEI é algo perigoso para o setor comercial espacial emergente. Sem uma demanda governamental clara, é difícil ver como essas empresas poderão se manter sozinhas. Hoje em dia, a Nasa injeta nelas bilhões de dólares para que desenvolvam projetos que atendam à própria Nasa", explica.

O homem continuará a ser audacioso

Mesmo com advento de robôs, o homem continuará curioso em relação ao espaço
Os avanços da robótica poderão abrir novos caminhos para que o homem continue explorando o espaço, na opinião dos especialistas. "A própria definição do que é ser humano envolve questões como: ‘Até onde podemos ir?
O que podemos ver? O que podemos aprender e trazer de volta?’", indica Pace. "Em parceria com sistemas robóticos, devemos ir até onde pudermos."

Para Monica Grady, os robôs um dia serão capazes de fazer tudo o que os seres humanos fazem e, para fins científicos, não haverá necessidade de mandar pessoas para missões espaciais. "Mas continuamos curiosos por natureza, temos aspirações e inspirações. Por isso, acho que mesmo com robôs, as pessoas vão continuar querendo viajar para o espaço", afirma.

Já David Baker questiona se um modelo baseado na robótica será mesmo o futuro da exploração espacial. "Acho que ela continuará sendo guiada pelo mercado e por pessoas. Estamos assistindo a uma democratização do programa espacial", diz."

Como ser feliz no amor e no sexo segundo Balzac

Fabio Hernandez, DCM

Balzac (1799-1850) foi o romancista entre os romancistas. O maior de todos. Com sua Comédia Humana, composta de 88 volumes independentes mas entrelaçados, Balzac praticamente inventou o romance como gênero literário. Balzac foi um caso raro de trabalhador árduo entre os franceses, culturalmente acostumados a cultivar o ócio acima do trabalho, algo que encontra sua tradução imortal na expressão “joie de vivre” — alegria de viver. Balzac trabalhava 15 horas por dia, movido a café. Não era exatamente um estilo de vida saudável, e ele encontrou a morte na Paris que retratou como ninguém aos 51 anos.

O amor e o sexo estão obsessivamente presentes em Balzac. De seus escritos se pode extrair um pequeno e útil manual de conduta amorosa em 15 frases nas quais Balzac prova ser uma espécie de Buda do relacionamento entre homens e mulheres. Os sutras — sintéticos aconselhamentos — de Buda para a conquista do nirvana encontram em Balzac uma versão para a conquista do sexo perfeito.

Os 15 sutras de Balzac para homens e mulheres em busca de satisfação na relação com seus parceiros amorosos:

1) Na cama está todo o casamento.

2) No amor, é certo que se dermos demasiado não receberemos bastante. A mulher que ama mais do que é amada há de necessariamente ser tiranizada. O amor durável é o que tem sempre as forças dos dois seres em equilíbrio.

3) O homem vai da aversão ao amor. Mas, quando começou por amar e chega à aversão, nunca mais volta ao amor.

4) Ainda não foi possível decidir se a mulher é levada a tornar-se infiel mais por não conseguir se refrear do que pela liberdade que encontra para a traição.

5) Você não avalia como é perigoso para uma imaginação vívida e um coração incompreendido vislumbrar a forma etérea de uma jovem e bela mulher.

6) Numa história de amor, é preciso trair para não ser traído.

7) Numa relação amorosa, o momento em que dois corações podem entender-se é tão rápido como um relâmpago, e não volta mais, depois de ter se dissipado.

8) Quanto mais se julga, menos se ama.

9) A sorte de uma relação amorosa depende da primeira noite.

10) É uma prova de inferioridade, num homem, não saber fazer de sua mulher sua amante. Só os homens tolos julgam que se deve ter ambas separadas — a mulher e a amante. A amante e a mulher devem estar unidas num único ser sublime

11) Por que, de cada dez mulheres bonitas, há pelo menos sete que são perversas?

12) Nada é mais santo, nem mais sagrado do que o ciúme. O ciúme é a sentinela que nunca dorme: ele é para o amor o que o mal é para o homem, um verídico aviso. Quanto mais uma mulher castigar com ciúme um homem, mais ele lamberá, submisso e humilde, o bastão que ao bater-lhe lhe diz quanto ela se interessa por ele.

13) A virgindade, com todas as monstruosidades, tem riquezas especiais, grandezas absorventes. A vida, cujas forças são economizadas, toma no indivíduo virgem uma qualidade de resistência e durabilidade incalculável. O cérebro enriqueceu-se no conjunto de suas qualidades reservadas. Quando os castos precisam de seu corpo ou de sua alma, quer recorram à ação ou ao pensamento, encontram então aço em seus músculos ou ciência poderosa em sua inteligência, uma força diabólica ou a magia negra da vontade.

14) Receber olhares cheios de admiração, desejo e curiosidade é como uma flor que todas as mulheres aspiram deliciadas. Algumas mulheres cumpridoras de seus deveres, lindas e virtuosas, voltam para a casa de mau-humor quando não colhem um ramalhete de galanteios durante um passeio.

15) O homem dominado pela mulher é, com justiça, coberto pelo ridículo. A influência da mulher deve ser absolutamente secreta. Em tudo, a graça nas mulheres está no mistério."

O CASO Swiss Leaks / HSBC E O GLOBO - SONEGAÇÃO DE DINHEIRO E DE INFORMAÇÃO


O HSBC já admitiu, e o fato começa a ser investigado em vários países, inclusive no Brasil, que o BANCO facilitou que seus correntistas SONEGASSEM DINHEIRO / IMPOSTOS, depositados em contas SECRETAS, preferencialmente na SUÍÇA, esse país EUROPEU que é UM PARAÍSO FISCAL PARA BANDIDOS E FRAUDADORES.

A SUÍÇA, por seu comportamento através de uma LEGISLAÇÃO que favorece esse tipo de crime, deveria ser ACIONADA pela ONU. Onde já se viu, servir de ABRIGO para DINHEIRO de origem DUVIDOSA ?

A outra SONEGAÇÃO, essa nunca admitida, é a que faz o jornal O Globo, como na sua edição de HOJE - Domingo 22/02/2015. O Jornal SONEGA INFORMAÇÃO, escolhe que tipo e que supostos autores de CORRUPÇÃO vão ser noticiados.

Para uns, várias PÁGINAS, já para esse escândalo do HSBC, em que o nome de vários BRASILEIROS já foi detectado, o Jornal não deu UMA LINHA nesse dia nobre, em que mais se compra o Jornal IMPRESSO.

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Swiss Leaks: entenda a fraude fiscal no HSBC

Criado em 20/02/15
Por Luiz Claudio Ferreira Edição:Portal EBC

Um escândalo financeiro de repercussão em todo o mundo, que envolve a filial suíça do banco HSBC, tem chamado a atenção tanto pelos valores envolvidos quanto pela relevância das descobertas e do possível desenrolar do caso. Documentos secretos revelaram que a instituição financeira atraiu 106 mil clientes, entre suspeitos de sonegação e de diversos crimes (incluindo traficantes e terroristas) em 203 países entre os anos de 1988 e 2007. 

A quantia somada chegou a US$ 100 bilhões. Nomes de 8.667 brasileiros estão na lista. Os dados vieram à tona a partir de uma apuração do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ na sigla em inglês), que não divulgou a lista total dos correntistas suspeitos. O caso, chamado de “Swiss Leaks” (que significa vazamentos suíços, em alusão ao projeto Wiki Leaks, de Julian Assange), chamou a atenção de autoridades e organismos de controle em todo o mundo.

A entidade de jornalistas recebeu o material vazado por um ex-funcionário do HSBC, Herve Falciani, para autoridades francesas em 2008. O consórcio e o jornal francês Le Monde enviaram o conteúdo para 140 jornalistas de 45 países. A apuração dos jornalistas aponta que a filial suíça aproveitou-se das falhas nas regras fiscais do país para ajudar quem estivesse disposto a sonegar ou esconder dinheiro. 

A lista, segundo o ICIJ, inclui artistas, celebridades e esportistas. Apenas 65 nomes foram revelados. Estão entre os suspeitos antigos e atuais políticos da Grã-Bretanha, Rússia, Ucrânia, Geórgia, Quênia, Romênia, Índia, Liechtenstein, México, Líbano, Tunísia, República Democrática do Congo, Zimbábue, Ruanda, Paraguai, Djibouti, Senegal, Filipinas e Argélia. Sobre a divulgação parcial dos dados, o consórcio justifica que apenas nomes de “interesse público” serão revelados.

Fonte: PORTAL EBC, via http://007bondeblog.blogspot.com.br/2015/02/o-caso-swiss-leaks-hsbc-e-o-globo.html

SABESP DEVE PEDIR TARIFA EXTRA EM ABRIL