terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Santayana: Resposta aos canalhas que pretendem destruir a Petrobras


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Os Civita e os irmãos Marinho afundam uma P-56 por semana!

Quanto vale a Petrobras

O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.
A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.
E, naturalmente, a novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.
O que importa mais na Petrobras?
O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?
Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da internet.
Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?
Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?
Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?
Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?
Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?
Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?
Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, aSiemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?
Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?
Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?
É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.
A PETROBRAS teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.
É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.
As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.
Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.
Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.
Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.
E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.
Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.
Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.
Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.
A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.
E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.
A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.
Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.
É necessário punir os ladrões que a assaltaram?
Ninguém duvida disso.
Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.
A Petrobras não é apenas uma empresa.
Ela é uma Nação.
Um conceito.
Uma bandeira.
E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.
Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.
E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.

http://www.viomundo.com.br/denuncias/mauro-santayana-sobre-os-canalhas-que-pretendem-destruir-petrobras.html

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O PT sofre de Síndrome de Estocolmo






Uma campanha para a presidência da República custa muito caro.
Mais inteligente é mandar no país sem precisar disputar esse cargo honorífico.
O PMDB encontrou a fórmula mágica. Faz o vice-presidente da República, um bloco de ministros, o presidente da Câmara de Deputados, o presidente do Senado e muitos governadores. Manda no país sem sentar no trono.
O PT é refém do PMDB. A prova é ter de eleger Renan Calheiros e engolir Eduardo Cunha.
O petismo sofre de síndrome de Estocolmo. Ama o sequestrador.
O leigo se pergunta: entre 81 senadores, alguns bem graduados, por que o presidente do Senado é sempre Renan Calheiros? O que ele oferece aos seus colegas? O que ele dá que outros não poderiam dar? Como ele faz para dominar seus companheiros? As respostas são sempre genéricas embora evidentes. Seria preciso explicitá-las. Por que até o senador gaúcho Paulo Paim se obriga a votar em Renan, cuja ficha é conhecida: coronel de Alagoas, possivelmente no furacão da Lava-Jato, tendo renunciado uma vez à presidência do Senado por ter tido a pensão da amante paga por uma empresa amiga? Por que esse impoluto senador manda na casa?
Como disse a senadora Marta Suplicy, ou o PT muda ou desaparece.
Engolido pelo PMDB.
sugado do: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6930

Dez considerações sobre o novo Congresso




Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

De acordo com estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o Congresso Nacional empossado, neste domingo, é conservador socialmente, atrasado do ponto de vista dos direitos humanos, temerário em questões ambientais, liberal economicamente e pulverizado partidariamente.

Sobre isso, reuni algumas considerações oriundas de debates que venho travando, por aqui, há algum tempo:

1) Parte dos mais votados fez sua carreira na mídia ou conseguiu entender a lógica da cobertura política e, produzindo factóides, surfando nessa lógica, mantendo-se constantemente em evidência em seus mandatos. Os três primeiros colocados para a eleição de deputado federal em São Paulo – Celso Russomanno (7,26% do total de votos), Tiririca (4,84%) e Marco Feliciano (1,90%) – bem como os três do Rio de Janeiro – Jair Bolsonaro (6,10%), Clarissa Garotinho (4,40%) e Eduardo Cunha (3,06%) – têm uma característica em comum: sabem se beneficiar da exposição midiática.

Discordo das avaliações de que eles foram os primeiros apenas por conta de suas pautas conservadoras. O conservadorismo está presente nas bancadas paulista e carioca (e não é de hoje), mas não é elemento suficiente para explicar essas expressivas votações. Até porque há outros representantes desse pensamento que foram candidatos, alguns deles com mais profundidade ou legitimidade em suas defesas, inclusive. Estes campeões de votos, em especial, souberam criar narrativas polêmicas que são um prato cheio para nós, jornalistas, ávidos por registrar e transmitir discursos que, por fugir do que acreditamos ser a forma tradicional de fazer política, chamam a atenção e produzem audiência.

2) Os movimentos sociais e organizações da sociedade civil de caráter mais progressista sempre empurraram o Congresso Nacional para que ele fosse menos conservador do que a população do país. Em outras palavras, a força da mobilização e da organização desses grupos na política nacional conseguia fazer com que esse descompasso acontecesse entre a representação política e a realidade.

Boa parte desse pessoal, contudo, contava com relações com o Partido dos Trabalhadores e, na minha opinião, enfraqueceram-se ao fazer parte de sua base de apoio por várias razões – do “vamos influenciar o programa'', passando pela “escolha do menos pior'', resvalando ao “é um governo ruim, mas é melhor que o outro'' ao “cargo amigo''. Além disso, houve um afastamento dos militantes tradicionais desses movimentos sociais ou mesmo de partidos políticos com o distanciamento do governo federal com pautas tradicionais da esquerda e a caminhada em direção ao pragmatismo político exacerbado.

3) Há um intenso desgaste com a atuação média de representantes sindicais que estavam no Parlamento, independentemente de partido. Não é que o motor capital-trabalho tenha deixado de empurrar a História, muito pelo contrário – David Harvey que o diga. Mas uma parte das pessoas que clamam para si a autoridade de falar pelos trabalhadores há muito só falam por interesses corporativistas (na melhor das hipóteses) ou por si mesmas, na maioria das vezes. Muitos deles nem participaram de ações importantes, como a aprovação da PEC do Trabalho Escravo ou a campanha contra a ampliação da terceirização legal.

4) Empresários são sempre bem representados. Em sua maioria, podem financiar campanhas que estão cada vez mais caras. Dessa forma, há uma distorção de representatividade: não são necessariamente grupos ou ideias que possuem assento, mas o dinheiro. Se não garantirmos limites para o financiamento privado de campanha, a situação vai só piorar. De um lado, aumentando a dificuldade de eleição de quem não tem recursos e não quer sujar as mãos para se eleger e, do outro, gerando mais corrupção através de quem aceita se “endividar'' com doadores de campanha. Nesse meio do caminho, surgem “petrolões'' e “trensalões'' que ajudam a garantir financiamentos dos próprios partidos ou de duas bases aliadas.

5) A violência é um problema real no Brasil. Dezenas de milhares são assassinados anualmente e muito pouco é investigado, menos ainda indiciado, uma pequena fração julgada e quase ninguém punido conforme a lei. Mas as narrativas da violência urbana, que já existiam, circulam com mais força graças não apenas às redes sociais, mas também a determinadas pessoas que se dizem jornalistas mas, na verdade, espalham o ódio e o terror (lembrando, é claro, que a mídia pode funcionar como partido político). A situação da segurança pública é péssima mas, acredite: não raro, a espiral do vale-tudo pela audiência do jornalismo faz ela parecer o rascunho do mapa do inferno.

Há soluções mais efetivas do que a redução da maioridade penal (usada para atacar a “causa'' do problema quando, na verdade, nem resvala na “consequência''). Contudo, mandar a criançada para o xilindró é um discurso facilmente deglutível – tanto que pesquisas mostram 93% da população a favor dele. Usar e abusar desse discurso, bem como o da repressão policial, ajudou a elevar o número de pessoas eleitas que surfaram no medo da população, aumentando as bancadas da bala e da segurança pública.

6) O número de parlamentares evangélicos cresceu porque tinha que crescer mesmo. Havia uma sub-representação desses grupos, organizados em uma série de igrejas com pontos de vista diferentes. Eles não formam um movimento coeso como a Frente Parlamentar da Agropecuária (que cresceu junto com a força econômica do agronegócio no país). Pelo contrário: há gente que se detesta de ódio mortal entre eles. E, ao contrário do que pregam críticos inconsequentes, nem todos são reacionários. Muitos são bem progressistas, diga-se de passagem.

7) Há uma desmotivação muito grande com a democracia representativa tradicional. Isso vale tanto para jovens que estão cheios de gás para “mudar o mundo'' quanto para militantes, ativistas e figuras proeminentes da esquerda brasileira. Pessoas que, em outras épocas, aceitariam candidatar-se ao Parlamento para serem puxadoras de votos. Hoje, muitas querem distância. Tem medo de pegar tétano se chegarem muito perto.

8) Há boas pessoas que fazem um bom trabalho, independente do partido, sejam elas conservadoras ou progressistas. Pessoas que estão no parlamento e já honram a função que exercem e outras entrando pela primeira vez, cheias de ideias. Essas pessoas terão trabalho para garantir direitos adquiridos com base em lutas sociais ao longo de décadas. Isso se conseguirem se fazerem ouvidas.

9) O Congresso é o reflexo da população no que diz respeito à visão de mundo e ação diante desse mundo. Talvez não daquilo que ela gostaria de ser, mas daquilo que ela efetivamente é. Como já disse antes, com o resultado dessas eleições, não é que o Congresso tenha ficado pior. Ele apenas está mais parecido com o Brasil.

10) Acompanho pautas que dizem respeito à defesa dos direitos humanos. E marcos legais que garantem dignidade aos mais pobres, como a que pune o trabalho escravo contemporâneo, estão por um fio para serem mudadas e reduzidas. Parlamentares já elencaram essas leis como “barreiras'' a serem removidas nos próximos quatro anos para garantir o “progresso''. A base do governo e a oposição, que possuem excelentes quadros para discutir e defender o interesse coletivo, parecem estar mais preocupados com governabilidade e obstruções. Então, além da pressão via mobilização social, vai sobrar para Deus. Não sou pessoa de fé. Mas se ele existir, que nos ajude.
no: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/02/dez-consideracoes-sobre-o-novo-congresso.html




Tribunal Popular da Água julgará responsabilidade de Alckmin na crise hídrica


Foto: Assessoria de imprensa  do Governo do Estado de São Paulo
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Edson Aparecido da Silva, coordenador da Frente Nacional de Saneamento Ambiental: “Entidades, movimentos e articulações envolvidos na luta pela água vão ter de atuar em conjunto, coletivamente mesmo”
por Conceição Lemes
Desde 1993, todo 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água. Ele foi instituído pela Organização das Unidas (ONU) durante a sua Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, no Rio de Janeiro.
O tema de 2015: Água e Desenvolvimento Sustentável, que será discutido no mundo inteiro inclusive no Brasil.
No Estado de São Paulo, especificamente, um aspecto norteará o debate: a crise hídrica na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), cujo grande responsável é o governador Geraldo Alckmin (PSDB).  Com cumplicidade da mídia tradicional que “comprou” e “vendeu” à população a versão tucana de que a culpa é de São Pedro, poupando incompetência e a irresponsabilidade do governo Alckmin de não ter investido em novos mananciais, como estava previsto desde 1995.
A agenda para o Dia Mundial está sendo montada pelo Coletivo de Luta pela Água, criado em 20 de janeiro por dez entidades ligadas a movimentos sociais, sindical e gestores municipais de saneamento.
“No dia 20 de março, promoveremos o Tribunal Popular da Água, que julgará a responsabilidade do governador em relação à crise”, revela em primeira mão ao Viomundo Edson Aparecido da Silva, coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental. “Além disso, estamos preparando uma representação ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP) com intuito de responsabilizar criminalmente o governador Alckmin pela crise da água.”
Confira a íntegra da nossa entrevista:
Viomundo — Até o momento o que se vê é  uma ou outra manifestação em relação à crise da água em São Paulo. O que está acontecendo?
Edson Aparecido da Silva – Existe, ainda, uma grande dificuldade de mobilização em torno do tema da água. A maioria das pessoas ainda acha que o problema é dos outros e não dela. Na hora em que elas sentirem, de fato, a falta da água para as necessidades básicas do dia a dia, acredito que o comportamento da população irá mudar.
Viomundo — Depois da reunião da Arsesp (agência reguladora de saneamento e energia ligada ao governo do Estado de São Paulo) ficou combinado que as organizações iriam atuar em conjunto, até para dar mais força e legitimidade. Por que a Proteste saiu sozinha e fez aquela manifestação com uns poucos gatos pingados?
Edson Aparecido da Silva – Esse episódio reforça a necessidade de as várias entidades, movimentos e articulações envolvidos na luta pela água e/ou de defesa do consumidor atuarem em conjunto para a realização de grandes manifestações.
Viomundo — Ou seja, agir coletivamente em vez de ser na base “do eu comigo meu umbigo”? 
Edson Aparecido da Silva –  A construção de certas atividades tem que ser coletiva, mesmo.  As pessoas às vezes se entusiasmam com as milhares de adesões no Facebook e que acham o evento vai bombar. Na hora H, aparecem poucas pessoas. A gente tem de atuar no concreto. O Facebook é só um instrumento para ajudar a divulgar. Não substitui o corpo a corpo.
Viomundo —  Certas ações isoladas  parecem disputa de egos, pra ver quem é na melhor na área. Isso não é um tiro no pé, ou melhor, ou tiro na água?
Edson Aparecido da Silva –  Infelizmente é muito comum uma certa disputa pelo protagonismo das ações. Pura bobagem. Essas disputas enfraquecem o movimento e fortalecem os responsáveis pela crise da água.
 Viomundo – É possível unir todos os órgãos, entidades e movimentos preocupados com a crise da água em torno de uma pauta única?
Edson Aparecido da Silva – Sem dúvida, temos que trabalhar nessa perspectiva. Apesar dos movimentos terem características e composições próprias, creio que é possível construirmos agendas unitárias.
 Viomundo — Como viabilizar isso?
Edson Aparecido da Silva – Por exemplo, no dia 20 de janeiro, dez entidades ligadas a vários movimentos e organizações criaram o Coletivo de Luta pela Água. Ele vem se somar a outras articulações importantes que já existem como: Aliança pela Água, De Olho nos Mananciais, Assembleia Estadual da Água, Movimento Itu vai Parar, Coletivo Curupira, entre outros. Iniciamos uma série de conversas no sentido de, na medida do possível, unificarmos nossas ações. Eu, por exemplo, defendo um encontro estadual de todas as articulações de luta pela água como forma de dar visibilidade e força para esses movimentos. Também queremos fomentar e ajudar na criação de “Comitês de Luta pela Água locais e ou Regionais” para envolver a população afetada lá na ponta, especialmente na periferia, onde ocorre a falta de água desde o início de 2014.
Viomundo – O Coletivo de Luta pela Água já tem um calendário de ações previstas?
Edson Aparecido da Silva  – Sim. No dia 20 de janeiro quando criamos o Coletivo, iniciamos uma “Jornada de Luta pela água”, que não tem prazo para acabar. Inicialmente, teremos, pelo menos, dois eventos importantes. No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, nós participaremos de atividades organizadas por coletivos de mulheres relacionadas à crise da água. No dia 20 de março, realizaremos o Dia de Luta pela Água,  com diversas manifestações. Também no dia 20 de março promoveremos o Tribunal Popular da Água, que julgará o governador pela responsabilidade em relação à falta da água. Além disso, estamos preparando uma representação ao MPE-SP com intuito de responsabilizar criminalmente o Governador pela crise. A ideia é que várias entidades subscrevam a representação.
Viomundo – O que nós, cidadãos e cidadãs, podemos fazer?
Edson Aparecido da Silva –É muito importante que o cidadão saiba que não está sozinho e que existem vários movimentos lutando para que essa crise o afete o menos possível. Mas para isso é importante que os cidadãos e cidadãs se informem e ajudem a criar comitês locais. Convidem pessoas das organizações para darem palestras nas associações de moradores, na igreja nas escolas, no clube. E têm que exigir que a Sabesp e o governo do Estado façam sua parte e não continuem penalizando e responsabilizando o povo pela crise.

Podemos, mas queremos?


A revolta europeia é um alerta para quem diz falar em nome do povo, mas caminha no sentido oposto

Os números, como sempre, são conflitantes. Segundo a polícia, foram 100 mil pessoas. Os organizadores da manifestação contaram 300 mil. O jornal "El País", valendo-se de critérios próprios de medição, calculou em mais de 153 mil o número de presentes ao ato do Podemos em Madri no sábado (31). A capital espanhola tem cerca de 3,3 milhões de habitantes.

A gigantesca manifestação contra as políticas de austeridade na Europa foi vitaminada pela vitória estrondosa do partido Syriza na Grécia. Assim como este, o Podemos reúne um pouco de tudo: ex-militantes de partidos tradicionais, manifestantes indignados, jovens desiludidos, desempregados e muita gente que podia nem estar aí, mas insiste em pensar no futuro.

Segundo a repórter Luisa Belchior Moskovics, desta Folha, os "manifestantes eram sobretudo adultos e idosos". Uma aposentada de 66 anos, Ascensión Fernández, contou à jornalista: "Ainda temos nossa aposentadoria, mas isso não está mais garantido a nossos filhos, e por isso viemos. Não queremos mais ser empregados da Merkel". [Angela Merkel, chanceler alemã e símbolo da política de arrocho, para os outros, claro, que devasta a Europa.]

Parece longe, do outro lado do oceano. Falso. O fenômeno tem tudo a ver com o Brasil. Tanto o Syriza como o Podemos surgiram da insatisfação de povos cansados do jogo político tradicional, da coreografia repetitiva de eleições para presidente de Câmara, da subserviência de legendas autoproclamadas populares, mas que na prática curvam-se aos status quo da plutocracia e da ciranda financeira.

Guardadas certas proporções, o momento histórico e diferenças sociais, foi mais ou menos um movimento parecido que criou o PT brasileiro. O PT, hoje no poder, nasceu do encontro de militantes de origens variadas, de católicos a ultraesquerdistas, passando por uma maioria revoltada com "o que está aí".

Detalhe essencial: a origem não confere um selo de qualidade vitalícia ao rebento. Exemplos não faltam. Desde a traição dos velhos partidos social-democratas ao papel destruidor exercido pelo stalinismo quanto à esperança de um mundo solidário, mais justo e menos desigual.

Nada disso trava a história. De tempos em tempos, o cenário é sacudido pela ação da esmagadora maioria insatisfeita com o poder do 1% sobre o restante. De uma ou de outra forma, é isso que está por trás de eventos como a queda do Muro de Berlim, a Primavera Árabe e a resistência dos povos europeus ao plano de terra arrasada proposto pela troika.

A questão é o futuro. Uma vez no poder, a expressão política destes movimentos esbarra em carências doutrinárias, indefinição programática e rendição ao dinheiro fácil e a benesses do poder. O PT, no Brasil, sofre este risco. A proliferação de movimentos sociais descolados do partido é impressionante. Grupos de sem-teto, articulações culturais fora do eixo e até sem eixo, mídias alternativas --há uma efervescência correndo por fora e que de repente explode como em junho de 2013.

Syriza, Podemos e outros tantos são exemplos de vida pulsante pelo mundo. A incógnita, mais uma vez, é como essa ebulição será orientada. Curvar-se ao manual da austeridade, ajuste fiscal e metas de superavit é o caminho mais fácil para a desmoralização. Veja-se o fiasco dos partidos de "esquerda" tradicional em todas as eleições europeias. Lev Davidovitch Bronstein escreveu que a crise da humanidade é a crise da direção revolucionária. Diante dos fatos, impossível não lhe dar razão.

via http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2015/02/podemos-mas-queremos.html

O sexo dos políticos e os conflitos do jornalismo





Com as eleições de 2016 no horizonte e o clima de campanha eleitoral permanente herdado dos confrontos de 2014, o jornalismo brasileiro terá de novo que calibrar seu comportamento acerca de controvérsia encarada de maneiras distintas mundo afora: quais os limites toleráveis na cobertura da vida privada de postulantes a funções públicas ou no exercício delas, mais propriamente a respeito de seus amores e sexualidades?

A abordagem consagrada pela imprensa no país costuma proteger os políticos da difusão de informações sobre seus relacionamentos não públicos.

Essa é a cultura nacional, e da minha parte está bem assim. Num exemplo, se determinada figura pública mantém outros namorados ou namoradas além do titular dos retratos palacianos, isso constitui assunto íntimo.

Reconheço, contudo, que são vigorosos os argumentos contrários, adotados em larga escala pelos meios de comunicação norte-americanos: se alguém se dispõe a participar da administração pública e por isso interfere no cotidiano dos cidadãos, precisa aceitar que seu dia-a-dia seja escrutinado publicamente. Teme-se também que relações afetivas secretas possam se tornar instrumento de chantagem contra o político e, portanto, ameaçar o interesse público.

A atitude jornalística mais nefasta, como confirmam os últimos meses de certo noticiário, é a insinuação, no estilo ordinário da imprensa amarela ou marrom. A fórmula da baixaria se condensa hoje na expressão maliciosa “homem de confiança''.

Se o jornalismo considera importante e legítimo expor vínculos amorosos de políticos, que os exponha. Mas cultivar a maledicência equivale à desqualificação mais vulgar do ofício informativo.

Nos Estados Unidos, com suas irrefreáveis carolice, hipocrisia e patrulhas da libido, quando um político é surpreendido com a regra três, mesmo em relações consensuais entre maiores de idade, a informação é veiculada, e a carreira, liquidada. Que o diga Bill Clinton.

Na França, ao contrário, a existência de duas famílias de François Mitterrand, uma de domínio social e outra na moita, era manjada nas redações. Mas o “secret de Polichinelle” só foi compartilhado com o povaréu quando o presidente morreu.

Como se descobriu em janeiro do ano passado, os franceses mudaram: a partir do furo de valor duvidável de uma revista, mostrando que Hollande, xará de Mitterrand, saía de moto para costurar para fora, o jornalismo em conjunto debruçou-se sobre a tempestade conjugal no Élysée. Entre as alegações buscando prestigiar a informação que originara a crise, estava a de que os filhos da pátria tinham o direito de saber que o namorador, rumo aos seus pulinhos de cerca, cometia o desatino de circular com débil proteção da segurança.

Brasil

Com governantes no poder, o jornalismo brasileiro costuma ignorar escapadelas ou convivências não oficiais.

Quando um presidente da República supunha ter um filho fora do casamento — assumido legalmente por ele, mas escondido dos refletores —, o opção quase unânime foi não noticiar. Inexistia relevância pública na informação, e prevaleceu o silêncio. Corretamente, como, no meu tempo de ombudsman, eu respondia aos leitores que me procuravam reivindicando reportagens sobre o tema. Tratava-se de matéria essencialmente particular.

Alguns anos atrás, a Agência Brasileira de Inteligência expediu informe reservado dando conta de um affaire entre um ministro e uma ministra de Estado. Mesmo na queda do ministro, suspeito de promiscuidade com empreiteiras, os muitos repórteres que tiveram acesso ao documento nada publicaram. Fizeram bem, porque não havia interesse público — talvez “do” público futriqueiro — no suposto xodó ministerial.

(É diferente quando os protagonistas de um romance clandestino o tornam público, como Zélia Cardoso de Mello e Bernardo Cabral, na atmosfera burlesca da era Collor.)

Noutra quadra, eu preparava o perfil de uma expoente da República quando comprovei que ela mantinha um namorado na surdina. Escrevi sobre a influência do dito cujo na militância da senhora, pois era fato político significativo. Mas não ensaiei insinuação sobre outras conexões, pois elas não diziam respeito a ninguém além do casal enamorado e do marido desatento.

Às vezes, contudo, a descompostura alheia obriga a veiculação de estocadas indignas.

Na década de 1990, num mata-mata eleitoral para prefeitura, a campanha de uma candidata espalhou que a adversária manifestava “conduta sexual atípica”, ou, no raciocínio desmiolado de quem proferiu as palavras, era homossexual.

Já nos anos 2000, propaganda de uma candidata a prefeita indagava na TV sobre o contendor: “É casado? Tem filhos?”.

Nos dois episódios, o jornalismo tinha obrigação de noticiar. Mas não escarafunchou a intimidade dos candidatos. Acertou.

Para os anais: os eleitores rejeitaram a intolerância oportunista e derrotaram os concorrentes que apelaram à insensatez.

História

Não ultrapassar os limites civilizados da privacidade não implica calar na hipótese de testemunhar ou ouvir testemunho de ações de um político que os eleitores merecem conhecer, para avaliá-lo, julgá-lo e eventualmente sufragá-lo. Desde envolvimento com pedofilia a agressão a companheiro ou companheira.

A tradicional recusa brasileira em abordar o sexo dos políticos não se sustenta, contudo, ao reconstituir o passado.

No balanço sincero da história, seria aberrante não contar em obra jornalística ou historiográfica de fôlego o que o presidente Juscelino Kubitschek pretendia fazer no Rio quando ocorreu o desastre automobilístico que o matou. Ele não viajava para cá a fim de comer um sanduíche de rosbife no saudoso Gordon.

Bem como seria incompreensível narrar a vida de Tancredo Neves ignorando uma longeva relação fora do matrimônio.

Idem uma biografia do argentino Ernesto Che Guevara que não tentasse esclarecer, confirmando ou negando (as que eu li divergem), se ele e a alemã Tamara Bunke eram amantes. Ambos combateram na guerrilha deflagrada na Bolívia e foram mortos em 1967.

Seria desclassificante evocar a trajetória de Marilyn Monroe e John Kennedy apagando o bundalelê entre os dois. Não seria contar vidas, mas omitir e descaracterizar.

Sem falar do rabicho entre D. Pedro I e Domitila de Castro Canto e Melo, como entender a proeminência da Marquesa de Santos nas intrigas imperiais?

Exemplos não faltam.

Porém, cavucar honestamente o passado difere da informação invasiva contemporânea com possível impacto em embates eleitorais. Salvo eventual cenário extraordinário, notícias sobre quem-come-quem ou se-gosta-de-menino-ou-menina carecem de importância pública, portanto jornalística.

O jornalismo não deveria ser bedel dos desejos, e sua contribuição indispensável à democracia prescinde de mexericos.

Mário Magalhães, via http://www.contextolivre.com.br/2015/02/o-sexo-dos-politicos-e-os-conflitos-do.html

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A democracia ocidental morreu?


Paul Craig Roberts: A democracia ocidental morreu?
Para garantir que os bancos não tenham perdas, a população é obrigada a aceitar a diminuição de seus padrões e abdicar de sua qualidade de vida. Assim é a “Nova Democracia”, o ressurgimento da ordem feudal. Alguns aristocratas absurdamente ricos e todo o resto da população como servos obrigados a sustentar a nova ordem vigente. A pilhagem que teve início na Grécia continua agora na Ucrânia. Quem será a próxima vítima?
Por [*] Paul Craig Roberts − Institute for Political Economy. Original “Is Democracy Dead In The West?”. Traduzido por Mberublue e publicado por redecastorphoto
Descobriremos a resposta para a pergunta colocada no título quando soubermos o resultado da contenda entre o novo governo grego, formado pelo partido político Syriza e o Banco Central Europeu que se alinha aos interesses da União Europeia e dos Estados Unidos contra a Grécia.
Os espartanos, cujas capas vermelhas e proezas na guerra enchiam de medo os invasores da terra grega e de seus oponentes de outras cidades-estados, não existem mais. Mesmo a própria Atenas não passa de uma ruína histórica. Os gregos quando confrontados foram capazes, apesar de contar com apenas 300 espartanos aos quais se somaram alguns milhares de coríntios, tebanos e outros guerreiros, de deter um exército persa de cem mil homens nas Termópilas, e que no final derrotaram a frota persa na Batalha de Salamina e o exército persa na Batalha de Plateia só existem nos livros de História.
Os gregos históricos se tornaram um povo legendário. Nem mesmo os romanos conseguiram conquistar a Pérsia, mas um punhado de gregos conseguiu deter a tentativa persa de conquistar a Grécia.
Mas, apesar de sua história gloriosa, os gregos não conseguiram deter um punhado de bancos da Alemanha e da Holanda que invadiram a Grécia. Caso ainda existisse aquela Grécia gloriosa e destemida da historia, os bancos privados da União Europeia estariam tremendo de medo, pois o povo grego está sendo explorado impiedosamente por estes bancos e pela União Europeia, que representam atualmente para a Grécia uma ameaça muito maior do que a Pérsia jamais representou.
A Grécia, espoliada de sua independência pela adesão à União Europeia e pela aceitação do Euro como moeda única, perdeu sua soberania. Não pode financiar a si mesma, pois perdeu o controle sobre o próprio dinheiro. A Grécia tem que contar com bancos privados de outros países. No século XXI os bancos privados europeus não podem contemplar a possibilidade de perder dinheiro simplesmente porque são incompetentes e concederam empréstimos sobre empréstimos aos países membros da União Europeia. Por incrível que pareça, a falha evidente desse procedimento não é creditada aos bancos e sim aos governos mutuários e sua população.
Há relatos esclarecendo que os banqueiros norte americanos da empresa Goldman Sachs, também chamada ocasionalmente de “Gold Sacks” (“ouro em sacas” – NT) escondeu o real volume do débito grego, para que os bancos estendessem ainda mais os empréstimos para a Grécia, colocando dessa maneira o país e o povo grego prontos para serem saqueados.
Os banqueiros trapaceiros podem sempre argumentar, mais uma vez desonestamente, que o povo grego se aproveitou dos recursos obtidos através dos empréstimos e, portanto, agora têm que pagar esses empréstimos através do corte das pensões de seus idosos, do desemprego, da redução dos salários e através da venda dos bens nacionais gregos.
Esta é a verdadeira face da austeridade imposta ao povo grego pela União Européia e dos credores da Grécia.
A Grécia se encontra em estado de prostração. Os gregos atualmente estão na realidade cometendo suicídio, por que não podem prover a si mesmos, nas atuais condições de baixa em que vivem e que foram criadas para eles pela União Europeia e pelos bancos privados, sem nenhuma outra razão a não ser a negativa dos bancos, que não devem amortizar (write down – condição econômica em que acontece a depreciação monetária de determinado ativo, porque ele se encontraria supervalorizado em relação ao seu real valor de mercado – NT) os empréstimos.
Então, um dos resultados da “democracia” grega é o suicídio. Com suficiente democracia, poderemos controlar a população mundial e deter a destruição do capital natural. Tudo o que temos que fazer é permitir que os banqueiros saqueiem à vontade o mundo inteiro.
O que o Syriza pode fazer?
Na realidade muito pouco, sem os espartanos.
As intenções do partido e de seus líderes são honestas e merecem o nosso respeito. O Syriza é um partido popular e é exatamente isso o que o marca para a destruição. Jamais se permitirá que a voz do povo afete as políticas do mundo ocidental. As pessoas que eles governam não poderiam ser menos importantes para os poderosos grupos de interesses dos ricos que dominam o mundo ocidental.
Mal o Syriza havia se instalado no gabinete quando a Bloomberg, uma agência de notícias de negócios, comunicou ao novo Primeiro Ministro grego, Alexis Tsipras, que o Syriza tinha que dançar conforme a música dos credores.
Tsipras declarou que o novo governo grego não pretende impor um “choque catastrófico” aos seus credores, mas apenas conseguir melhorar as condições irracionais impostas à Grécia, na intenção de poder dar satisfações aos bancos privados que são seus credores e ao mesmo tempo evitar a instabilidade social, política e econômica da Grécia.
Em oposição a estas declarações bem razoáveis, a Bloomberg relatou que o novo gabinete grego teria comunistas que são favoráveis a uma maior aproximação com a Rússia. Na clara intenção de lembrar ao novo gabinete dos dominados gregos quem é o dono do chicote que desce sobre suas costas e sobre o mercado financeiro grego, as ações e títulos gregos sofreram um ataque do qual resultou uma baixa violenta.
O aviso de Wall Street e da União Europeia foi claro: você será destruído se nos desafiar.
A punição do novo governo grego foi imediata. Segundo a Bloomberg:
(…) as ações e títulos gregos tiveram queda por três dias consecutivos, depois que os novos ministros afirmarem que devem cessar com a venda de alguns bens do Estado Grego e aumentar o salário mínimo. Os rendimentos de títulos com vencimento em três anos subiu de 2,99% para 16,69%. O referencial Índice Geral de Atenas decresceu 9,2%, atingindo o menor nível desde o ano de 2012, levado para baixo por um colapso no valor dos bancos.
Entenderá Tsipras que as instituições financeiras gregas continuarão a ser punidas enquanto estiverem por trás de seu governo? A Bloomberg colocou tudo em pratos limpos:
(…) a Alemanha advertiu a nação mediterrânea contra o abandono de acordos de ajuda previamente assinados, depois de analistas afirmarem que a Grécia parecia estar em rota de colisão com seus pares europeus, o que fatalmente levaria a um futuro abandono da zona do euro.
As declarações dos ministros recém nomeados “sugerem que em futuro breve deverão acontecer confrontação e negociações tensas”, escreveu em nota a seus clientes Vangelis Karanikas, presidente da Títulos Euroxx, baseada em Atenas.
O que é a “rota de colisão” (aqui, parece ter havido um erro de digitação no original, pois anteriormente o autor grafara “collision course” [rota de colisão] e neste parágrafo “collusion course” - NT) do Syriza? O novo governo quer apenas tornar menos onerosos os acordos feitos pelos governos anteriores que venderam o povo grego. O novo governo quer apenas para de doar os bens gregos a preço vil para os clientes de seus credores e aumentar o salário mínimo para que o povo grego possa ter pão e água o bastante para sobreviver.
No entanto, para os bancos privados que são credores da Grécia, para a Alemanha de Merkel que está por trás dos bancos, para Washington que pouco se importa com o que quer que venha a acontecer com os gregos, para as elites gregas que se veem como “parte da Europa”, o Syriza é apenas um obstáculo a ser removido.
Assim, os títulos e ações gregos são atacados, ameaças que podem influenciar e causar medo em parte da população grega saturada de propaganda no sentido de que ou a Grécia faz parte da União Europeia ou será ignorada pela história são lançadas diuturnamente.
Uma conclusão a ser tirada disso tudo é que o povo grego parece muito com o povo americano em sua despreocupação. O partido Syriza obteve apenas 37% dos votos. São mais votos que os obtidos por qualquer outro partido grego, mas não o suficiente para demonstrar para a União Europeia e para os Estados Unidos que o povo grego está ombro a ombro com seu governo.
Em vez disso, mostra que o novo partido teve que formar um governo em coligando-se com outro partido, o qual poderia cair fora do governo a qualquer tempo em troca, talvez, de um pouco de dinheiro. Mostra também que o partido Syriza pode ser demonizado no ocidente e apresentado ao povo grego como uma ameaça para a Grécia.
O novo partido está ciente de sua fraqueza. O novo Primeiro Ministro afirma não querer confronto, mas que também não pode continuar com a leniência exibida por governos anteriores. É necessário que se alcance uma acomodação razoável de parte a parte.
Acontece que é pouco provável que haja uma acomodação razoável, pelo simples motivo de que tal acomodação não faz parte dos desejos de Washington, da União Europeia e dos credores da Grécia.
Qual o propósito da criação da “crise financeira da Grécia”? É deixar estabelecido para todos os países membros que não mais existe soberania entre eles e que os bancos que emprestam dinheiro para os tais estados não soberanos não são responsáveis por quaisquer perdas relativamente a esses empréstimos. A responsabilidade é da população dos países endividados. Para garantir que os bancos não tenham perdas, a população é obrigada a aceitar a diminuição de seus padrões e abdicar de sua qualidade de vida.
Assim é a “Nova Democracia”. Nada mais que o ressurgimento da ordem feudal. Alguns aristocratas absurdamente ricos e todo o resto da população como servos obrigados a sustentar a nova ordem vigente. A pilhagem que teve início na Grécia continua agora na Ucrânia. Quem será a próxima vítima?
Terá o partido Syriza condições para levantar o povo grego contra seus saqueadores, levando-se em consideração de que obteve apenas 37% dos votos?
Conseguirá a Grécia obter forças para escapar de uma situação semelhante à Idade das Trevas na Europa, quando as populações foram longa e barbaramente espoliadas por piratas saqueadores?
Talvez, se a Grécia se realinhar com a Rússia e ao grupo de países BRICS em busca de amparo financeiro.
[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal,  Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.
http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/02/paul-craig-roberts-democracia-ocidental-morreu/