quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Anfavea confia em cenário econômico mais positivo após reeleição


Daniel Lima, Agência Brasil

"O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan Yabiku Junior, elogiou o trecho do discurso da presidenta reeleita Dilma Rousseff que prevê novos estímulos para a economia. Na avaliação de Luiz Moan, a riqueza do país provém do mercadointerno. Para ele, passadas as eleições é importante ter paciência e aguardar até que a presidenta adote novas medidas destinadas a melhorar o cenário econômico.

“Há uma visão muito clara, inclusive da nossa entidade, de que o Brasil é país que depende muito do seu mercado interno. A riqueza do Brasil provém do mercado interno. Então, todo estímulo ao mercado interno é muito bem vindo”, disse, ao deixar o Ministério da Fazenda, em Brasília, onde participou de reunião com o secretário executivo Paulo Rogério Caffarelli.

Moan disse que informou ao secretário números que mostram que a Anfavea aguarda no segundo semestre maior dinamismo nas vendas de veículos. Ele apresentou também dados  parciais, de outubro, que demonstram que as vendas nos quinze primeiros dias do mês estão 2% superiores na comparação ao mesmo período de setembro.  “Esperamos continuar desta forma na segunda quinzena de outubro. É crescimento das vendas mesmo [não há fatores sazonais], destacou.

Enumera, entre as razões para a melhoria do setor, a existência no segundo semestre de maior número de dias úteis em relação ao primeiro semestre  e a abertura do Salão do Automóvel na próxima quinta-feira em São Paulo. Também observou que os últimos dois meses do ano são melhores para as vendas em razão da aproximação das festas de final de ano e do décimo terceiro salário.

Sobre os acordo do setor com outros países em busca de uma maior “integração produtiva e comercial”, ele disse que haverá um novo encontro com representantes da Colômbia, desta vez no Brasil. Novas discussões serão iniciadas, em meados de novembro, com o México, já que o atual acordo com este país vence em março de 2015. “São acordos de troca de autopeças e de veículos. Podemos ter mercados crescentes, na Colômbia e no México, tanto de veículos quanto de autopeças, assim como eles poderão exportar mais para nós”. Sobre a Argentina, ele lembra que as vendas estão ruins, mas há conversas para a melhoria do cenário não só com autoridades do país como também com dirigentes de montadoras de forma individual. “Acho que eles estão buscando uma solução própria”, concluiu."

Chega ao Brasil produto social que transforma água contaminada em água limpa


O P&G Sachet é capaz de transformar 10 litros de água contaminada em 10 litros de água potável.
Ciclo Vivo 

Estima-se que cerca de um bilhão de pessoas sofram com a falta de água potável no mundo. Para tentar combater esse tipo de problema, a P&G desenvolveu um produto social inovador chamado P&G Sachet, que acaba de chegar ao Brasil. Utilizando uma tecnologia de baixo custo, o sachê de 4 gramas é capaz de transformar 10 litros de água contaminada em 10 litros de água potável. No primeiro ano do projeto no país, serão doados 1,8 milhão de sachês pela empresa, porém, este número deve aumentar com a iniciativa do Walmart, que incentivará a doação de sachês pelos próprios consumidores.

O consumo de água contaminada é uma das principais causas de mortes entre bebês e crianças em países em desenvolvimento. Doenças como a diarreia, matam mais de 1.600 mil crianças com até 5 anos por dia no planeta. No Brasil, é estimado que 17,3% da população não recebe água por meio de rede de abastecimento. A falta da água potável reflete diretamente o desenvolvimento de uma sociedade e as crianças são as que mais sofrem com isso.


O P&G Sachet não será vendido e faz parte da principal ação de responsabilidade social da empresa, o Programa Água Pura Para Crianças, que já entregou mais de 7,8 bilhões e meio litros de água purificada em todo mundo.

No Brasil, o projeto será desenvolvido inicialmente no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais carentes do país onde pessoas sofrem diariamente com a falta da água potável. “O Vale do Jequitinhonha representa os problemas da maioria das famílias do semiárido brasileiro, que não têm o suprimento adequado e permanente de água limpa. Em regiões assim, é comum o contato de animais com a água de lagos e rios, contaminando com coliformes fecais a água que é usada para o abastecimento dos moradores”, destaca Gerson Pacheco da ONG ChildFund Brasil, que fará a distribuição, orientará as famílias locais e os multiplicadores sociais da região.


Cada família receberá o produto para obter água potável por um ano inteiro. O objetivo é atender 24.250 pessoas ao fornecer 18 milhões de litros de água purificada em 4.850 mil domicílios da região. “Com isso, esperamos reduzir na região a incidência de doenças transmitidas em função da ingestão de água contaminada”, afirma Juliana Gattaz, gerente de Comunicação, Sustentabilidade e Responsabilidade Social da P&G. Até 2015, a meta é fornecer 22 milhões de litros de água potável no Brasil.

O programa ainda vai contar com o apoio da rede varejista Walmart, que, juntamente com a P&G, desenvolveu uma promoção para incentivar os consumidores a contribuírem com o projeto. Por meio da promoção Doe Água Limpa, a cada produto das marcas P&G comprados na rede, será doado o equivalente a mais um dia de água limpa para uma pessoa.

“Se aqui apresentamos apenas números e estatísticas do projeto, nas comunidades atendidas isto representa vidas salvas e um futuro melhor para cada criança. O compromisso do Walmart é de engajar o consumidor brasileiro nessa causa”, destaca Guilherme Loureiro, Presidente do Walmart Brasil.


Como funciona?

Para purificar a água, o conteúdo do P&G Sachet deve ser despejado em um recipiente com 10 litros de água não potável. Depois é preciso mexer a mistura por 5 minutos e aguardar mais 5 minutos para a sujeira decantar. Em seguida, a água deve ser passada por um filtro, que pode ser até mesmo uma simples camiseta de algodão limpa. Para finalizar, deve-se esperar por 20 minutos para que o bactericida do produto faça efeito e pronto. Em 30 minutos uma água barrenta ou contaminada se transforma em água limpa para o consumo.

A P&G contabiliza o investimento em mais de 50 milhões de dólares utilizados para fornecer água de qualidade para comunidades carentes em todo o mundo. Até agora, o P&G Sachet já foi distribuído em mais de 75 países e, com os 7,8 bilhões de água purificada fornecidas pelo programa, foram evitados mais de 325 milhões de dias de doenças e 43 mil mortes em consequência do consumo de água contaminada, sendo a maior parte crianças, além da parceria com mais de 140 organizações parceiras que estão envolvidas no programa, entre elas o CARE, PSI, Save The Children, ChildFund e Visão Mundial.

“É uma meta alcançada que nos orgulha muito e nos motiva a seguir em frente. A P&G tem como compromisso a conscientização sobre a crise mundial de água e, até 2020, nossa meta é salvar uma vida a cada hora, com a distribuição de 200 milhões de sachês, o equivalente a dois bilhões de litros de água pura por ano”, anuncia Allison Tummon Kamphuis, diretora global do Programa Água Pura Para Crianças, da P&G."

O jornalista e a falácia do mensageiro



Sylvia Debossan Moretzsohn, Observatório da Imprensa

"A tentativa de influenciar o voto dos eleitores indecisos, e mesmo de reverter a decisão de quem já havia feito sua escolha, através da produção de um bombástico factoide de última hora, já foi suficientemente analisada por Luciano Martins Costa em seus mais recentes artigos neste Observatório (ver aqui e aqui). Mas a última edição da revista Vejateve, além de tudo, o poder de ressuscitar a famosa metáfora do mensageiro, através da qual os jornalistas costumam isentar-se de responsabilidade pelo que divulgam.

Foi exatamente este o argumento utilizado pela revista, ao responder à contundente manifestação da presidente Dilma Rousseff, então candidata à reeleição, em seu último programa eleitoral, no qual acusava a publicação de haver cometido um crime (ver aqui). Foi também este o argumento disseminado em comentários nas mídias sociais.

Desmontar essa falácia é uma providência fundamental para esclarecer o papel, a relevância e as responsabilidades do jornalismo.

O jornalista, um mediador

Há alguns anos, o jornalista português José Vitor Malheiros, no Público, ofereceu uma excelente síntese para esse esclarecimento:
“Os jornalistas não são mensageiros porque o seu papel não consiste em transportar de um lugar para outro – das folhas de um processo para as páginas de um jornal, por exemplo – uma dada mensagem. Um jornalista não é um estafeta reduzido a um papel de mero transporte, nem um pé de microfone. (...) os jornalistas, sendo mediadores porque estabelecem uma mediação entre leitores e sociedade, são produtores de informação e possuem o dever de escolher, filtrar e validar as notícias que dão – a partir da informação que recolhem activamente ou que recebem passivamente – e até de traduzir, descodificar, explicar, enquadrar ou mesmo comentar as notícias que o exijam. São os autores das notícias”.

Como se vê, o trabalho do mediador tampouco implica neutralidade: exige critério para filtrar, no meio do turbilhão de informações, aquilo que tem credibilidade, substância e relevância para ser publicado. Exige fazer escolhas, como é próprio da atividade jornalística.

Um mentiroso como fonte

Ancorado no que pejorativamente passou a ser conhecido como jornalismo declaratório, o denuncismo já foi objeto de inúmeras críticas. Baseia-se nisso que certa vez chamei de “jornalismo de mãos limpas”: alguém faz uma denúncia, a imprensa publica; o denunciado protesta, a imprensa publica. Bastaria, portanto, referir as informações – verdadeiras ou falsas, pouco importa – às fontes, e lavar as mãos: quem as divulga não teria nada a ver com isso.

É um raciocínio que não resiste à mínima reflexão: para dar um exemplo extremo, concordar com ele é aceitar que a imprensa se comportou de maneira perfeitamente ética no caso Escola Base.

No que diz respeito às denúncias de Veja, (in)devidamente antecipadas no site do Globona base do condicional – o doleiro “teria dito”, a revelação “teria sido feita” etc – e depois reproduzidas nos dois principais jornais paulistas, há outro aspecto a ser considerado: as acusações teriam decorrido de um acordo de delação premiada, pelo qual o preso se compromete a dizer a verdade, ou não obtém o benefício almejado. Logo, parte-se singelamente do pressuposto de que ele não mentiria. Por que aguardar a apresentação de provas, então?
Em sua coluna de 26/10, na Folha de S.Paulo, Janio de Freitas fornece um perfil do denunciante:

“Dado apenas como doleiro, Alberto Youssef é mentiroso profissional. E seu negócio são importações mentirosas para exportar dólares como pagamentos. Sua atual busca de delação premiada, em troca de liberdade apesar de criminoso confesso e comprovado, não é a primeira. Voltou a ser preso, há seis meses, porque, desfrutando de liberdade concedida pela Justiça como prêmio por antigas delações, dedicou-se aos mesmos crimes que se comprometera a não repetir. A delação premiada e o acordo com um juiz foram ambos mentirosos”.

Seria aceitável confiar numa fonte como esta? Mais ainda: seria lícito servir de porta-voz desse tipo de fonte e divulgar acusações de tamanha gravidade às vésperas de um momento decisivo para a vida política do país?

A tarefa de asseverar

Previsivelmente, a tendência de uma parcela do público não é indagar as intenções da revista, mas acolher as denúncias, porque “é evidente” que Lula e Dilma sabiam de tudo: o senso comum funciona precisamente no sentido contrário ao dos postulados do direito e se baseia na presunção de culpa.
Não seria demais assinalar, entretanto, que, se “é evidente”, nem haveria necessidadede investigação judicial. O mais grave, porém, é ignorar que casos de corrupção costumam ter ramificações importantes, embora as denúncias sejam sempre seletivas e, desta forma, publicadas com o objetivo de atingir determinados alvos, deixando outros envolvidos à sombra.
Tudo isso, claro, sempre em nome da “liberdade de expressão”, cujo abuso, uma vez contestado, é sempre condenado como tentativa de imposição de censura.

Num livro publicado originalmente há 20 anos (Pragmática do jornalismo, Summus), o professor Manuel Carlos Chaparro afirma que o ato de fala próprio do jornalismo é o de “asseverar”. Mais ou menos pela mesma época, o economista João Sayad escreveu breves mas preciosas “Notas sobre a imprensa” na Folha de S.Paulo (12/2/1993), em que comentava os métodos usuais na cobertura de economia:

“Andam dizendo que tal instituição vai quebrar. Sim, é verdade, andam dizendo aquilo. Mas será verdade o que andam dizendo? Ou é verdade que andam dizendo mentiras?”

É pela responsabilidade de distinguir entre verdade e mentira – e as mil e uma nuances entre esses extremos – que o jornalista preserva a sua dignidade. Confundi-lo com um mensageiro, além de falso, seria uma desonra que profissional algum deveria admitir.

***

Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

7 espécies que praticam homossexualidade no reino animal


1 - Girafas
O escritor e biólogo americano John Alcock, especialista em comportamento animal da Universidade do Estado do Arizona mostra que, em comunidades de girafas de maioria masculina, as fêmeas disponíveis podem ser ignoradas pelos machos. Na verdade, o comportamento homossexual entre girafas macho pode ser, em algumas comunidades, até mais comum que o comportamento heterossexual.
2 - Leões
Sim, entre os leões, símbolos de virilidade, força e dominação, também foram observados diversos casos de homossexualidade. Uma certa porcentagem de leões abandonam suas fêmeas para formarem suas próprias reuniões do mesmo sexo. E como os leões são um dos animais com maior impulso sexual entre os felinos, é provável que seus encontros sejam mais do que apenas interações inocentes
3 – Carneiros
A contagem de carneiros homossexuais vem tirando o sono de muitos cientistas. Um estudo mostrou que a proporção de carneiros machos que formaram pares com outros machos e nunca mais tiveram contatos com fêmeas chega a 8%.
4 – Elefantes
Elefantes machos africanos e asiáticos se envolvem em relações com o mesmo sexo. Essas relações envolvem beijos, entrelaçamento da trompa e colocar a trompa na boca um do outro. Ao contrário das relações heterossexuais, que são sempre pouco duradouras, as relações entre machos podem durar anos. Elefantes asiáticos em cativeiro chegam a ter até 45% de todos os encontros sexuais com indivíduos do mesmo sexo
5 - Bonobos (chimpanzé-pigmeu)
Bonobos, que são também conhecidos como chimpanzés-pigmeu, estão entre os animais mais inteligentes do mundo e também são um dos nossos “parentes” mais próximos. Eles vivem em sociedade matriarcal e são altamente sociais e mais tranquilos do que os violentos chimpanzés. Além disso, o comportamento bissexual na espécie é bastante comum. Cerca de 60% de todas as atividades sexuais entre bonobos ocorrem entre duas ou mais fêmeas. Infelizmente, essa incrível espécie corre risco de extinção e depende de máximo esforço para se manter na natureza.
6 - Libélulas
Insetos também podem ser gays. Na verdade, há uma extensa lista de insetos que já tiveram relações homossexuais observadas. Entre as libélulas, investigações revelam que há provavelmente uma frequência bastante alta de encontros entre libélulas do mesmo sexo, podendo ficar entre 20 e 80% entre os machos
7 - Galo-da-serra
O galo-da-serra é um animal lindo e espetacular, com uma cor laranja brilhante e uma enorme crista que chama a atenção. É também uma das espécies com maior incidência de relações homossexuais, chegando a até 40% dos machos – algo que não parece acontecer entre as fêmeas, neste caso

Chuva não livrará São Paulo do desastre anunciado


Fernando Brito, Tijolaço  


As previsões meteorológicas – hoje muito precisas –  indicam que, a partir do final de semana, São Paulo terá chuvas fortes.

Pode chover, num dia, quase o mesmo que choveu durante todo o mês de outubro e o volume total deve passar de 100 milímetros de precipitação.

Infelizmente, porém, isso não trará praticamente nenhuma elevação do nível dos reservatórios assolados pela seca. Subirão, no máximo, décimos de um ponto percentual.

A única dúvida que se tem, séria, a esta altura, é sobre quando se dará o colapso no abastecimento.

Porque se haverá já é algo com que só o maior dos otimistas, contando com um verão miraculosamente diluviano, pode esperar.

Você, que se acostumou com pesquisas eleitorais, veja como é o “ibope” do Cantareira, em matéria de reserva de água, e veja como tudo foi um desastre anunciado.

Em 27 de outubro de 2010, os reservatórios tinham 78% de sua capacidade preenchidos com água.

Na mesma data, em 2011, eles oscilaram para 69,7%.

Em 27 de outubro de 2012, o índice caiu para 56,2.

No ano passado, no mesmo dia, tinham  37,5%

Hoje, baixaram a menos 16%, porque o zero daquela estatística fica antes do “volume morto” que está nas últimas gotas.

No final da temporada chuvosa de 2010/2011, a 1° de maio,  a água havia subido perto de 16 pontos, para 93,7%.

No fim das chuvas de 2011/2012, havia ganho 4,7%, subindo para 73,4%.
Quando terminaram as chuvas de 2012/2013, subiu também 6,6%, passando a 62,8%.

2013 para 2014, como todos sabem, veio a seca e, em lugar de subir, o volume baixou 27,3%, para 10,2% de água disponível, afora o volume morto.

Logo, se o regime de chuvas deste verão foi o melhor dos últimos cinco anos, sem contar o deficit hídrico do solo, os empoçamentos e tudo o mais que faz de uma seca o quanto pior, pior, o Sistema Cantareira entrará no período seco com zero de armazenamento, tendo reposto apenas o volume morto.

Pouco mais,mas bem pouco mesmo,  talvez, se a Sabesp mantiver os paulistanos sem água também no período de temperaturas elevadas, porque o envio de água à cidade já caiu de médias de 32 mil litros por segundo para apenas 20 mil litros por segundo.

E agora já não há mais nada a fazer, porque não se fez quando era tempo.
Pode não faltar (mais) água em São Paulo, mas por um  milagre pelo qual estamos todos torcendo.

Mas não se administra a vida de milhões de pessoas esperando milagres."

Novidades sobre o segundo governo Dilma


"Surgem nomes fortes para Ministério, o PT recupera a identidade e Lula pode ajudar a manter a ordem num partido que terá de escolher um candidato para 2018

Paulo Moreira Leite, Blog: Paulo Moreira Leite

Nascido a partir de uma vitória por 3,2% dos votos, o segundo governo Dilma não terá um grama a menos de legitimidade do que qualquer outro. Mas seu perfil retrata uma vitória que, sempre ao alcance da mão ao longo da campanha, foi conseguida por caminhos ásperos e curvas inesperadas, processo que irá se refletir em suas prioridades de governo e na formação da equipe de ministros e auxiliares mais próximos.

Em função da campanha e do papel que cada um desempenhou dentro dela, parece claro que, no segundo governo Dilma, o Planalto terá uma configuração diferente da atual. Nela se destacam Aloizio Mercadante, Jaques Wagner e Miguel Rossetto, assim mesmo, em ordem alfabética, sem que isso signifique uma ordem de preferencia interna, a quem se destinam três pastas próximas a presidente, que até a noite de ontem não pareciam definidas, numa situação onde os nomes e vocações de cada um ganharam prioridade sobre os cargos. O certo é que a presidenta quer os três por perto e fala-se deles, na Brasília de Dilma, com uma reverência que há muito tempo não se via.

O fato decisivo é que a partir de 2015 o Brasil estará sob o governo de uma presidente cada vez mais ciosa de suas prerrogativas e direitos de reeleita. O ritual da vitória, na noite de domingo, espelha isso. Pelo programa original, seria uma celebração entre Dilma e aqueles ministros e assessores próximos que formaram o núcleo duro da campanha. Lula estaria ausente e só deveria ir a Brasília no dia seguinte, segunda-feira, para dar os cumprimentos e abraçar a presidente.

A decisão que levou Lula a antecipar a viagem só chegou ao conhecimento de auxiliares próximos dos dois no próprio domingo, nos preparativos para o encontro no hotel Golden Tulipe. Caso o ritual original tivesse sido mantido, a foto da festa — e aquela memória que ajuda a compreender o significado de todas as coisas importantes — seria outra.

Aplicando uma observação clássica de Leon Tolstoi, a família petista também poderia estar feliz — mas seria feliz de outra maneira.

No primeiro mandato, o “volta Lula” chegou a ser uma sombra entre a presidente e o ex. O apoio da ministra da Cultura Marta Suplicy à ideia gerou um conflito insolúvel com a presidente que, mesmo podendo engordar seus votos junto ao arredio eleitorado paulista durante a campanha presidencial, recusou-se a fazer qualquer gesto para pedir sua ajuda. A relação entre ambas atingiu um tamanho grau de amargura e irritação que colegas de Marta no Ministério duvidam que ela tenha disposição para permanecer no posto até janeiro.

A partir de 2015 o “volta Lula” deixa de ser um problema, até pelo impedimento legal de Dilma candidatar-se a um terceiro mandato consecutivo. A pergunta é saber se Lula irá tentar o retorno, em 2018, quando estará com 73 anos de idade. Embora o presidente do PT, Rui Falcão, já tenha anunciado essa hipótese, mais de uma vez, provocando reações irritadas durante a campanha porque isso poderia tirar o foco em Dilma quando ela mais precisava reunir energias para o segundo turno, a maioria dos petistas tem dificuldade de levar este segundo ” volta Lula “a ferro e fogo. O próprio Rui Falcão é menos enfático, em conversas informais. Como tantos dirigentes, ele partilha uma visão utilitária do Lula-2018.

A tese é que, num governo sem uma candidatura natural a sucessão, ministros e governadores interessados na cadeira de Dilma poderiam ficar motivados a usar suas posições no Ministério e/ou em seus Estados para ganhar musculatura, gerando crises e conflitos mortais para a condução de qualquer governo, ainda que  submetido a autoridade de uma presidente ciosa como poucas da hierarquia e disciplina. Ao colocar Lula no primeiro lugar da fila, o que se garante é a disciplina dos eventuais pretendentes. Nenhum pré-pré-candidato se atreverá a disputar sua sorte com o líder maior do partido e de toda essa história que levou à conquista inédita de quatro mandatos consecutivos — até porque irá precisar do apoio sempre indispensável de Lula para ter qualquer chance numa eleição presidencial que, a julgar pelos números de domingo, e também pelo desgaste inevitável das longas permanencias no poder, a cada campanha pode se tornar um pouco mais difícil.

Quem esteve no Golden Tulip, na noite de domingo, assistiu a reaparição de uma força política que esteve colocada numa posição perto da irrelevância nos debates reais do governo, nos últimos anos — o Partido dos Trabalhadores. Até a arquitetura do evento reservava um lugar especial aos militantes do partido, reconhecidos, após o segundo turno, como uma peça fundamental para enfrentar o imenso arsenal de forças  colocado a disposição de Aécio Neves. Cidadãos com bandeiras vermelhas são uma parte previsível no cenário de cerimônias petistas desde o Colégio Sion, onde o PT foi fundado. Mas aquilo que se viu na noite da vitória de 2014 lembrava outros tempos do PT, quando a militância tinha um papel real na dinâmica do partido.

A militância — palavra que na campanha incluiu petistas e muitos não-petistas, sindicalistas, ativistas de movimentos sociais e cidadãos que acharam que tinham o dever de resistir ao esforço do PSDB para retornar ao comando do Estado e foram a rua impedir que isso acontecesse — deu à campanha um tom bem mais à esquerda do que o governo Dilma em seu cotidiano.

Foram estes militantes que fizeram um ato inesquecível de 100 000 pessoas no Recife, ajudando Dilma a levar mais de 70% dos votos de Pernambuco, onde Marina Silva foi vitoriosa no primeiro turno e a família de Eduardo Campos apareceu na TV para pedir votos a Aécio. Essa força garantiu uma boa vitoria no Rio de Janeiro e uma vantagem decisiva em Minas. Num pleito onde cada voto era uma preciosidade, o ativismo ajudou a amenizar a derrota brutal de São Paulo. Atraiu a juventude da periferia que foi aplaudir Dilma em Itaquera, dias antes do pleito — e também participou do ato na PUC, e de diversas manifestações com batuque, palavras de ordem e cerveja na Praça Roosevelt, inclusive na véspera da votação.

Essa situação pode-se ver naquela noite sofrida em que se contabilizaram os votos. Com ajuda de um teleprompter, Dilma leu aquele que deve ter sido o mais bem acabado discurso em mais de 50 anos de vida pública — inclusive o tempo em que pertencia a Var Palmares — perante uma platéia numerosa, apertada, comprimida, mas feliz, atenta a cada palavra e cada silêncio do pronunciamento da presidente. No momento em que a presidente-candidata fez uma pausa antes de enumerar as prioridades do segundo mandato, um militante sentado nas primeiras fileiras de cadeira, molhado pela chuva que caía sobre Brasília naquela hora, camisa vermelha, tronco enrolado numa bandeira do Brasil, soltou um berro: “Reforma Politica!”, antecipando, exatamente, aquilo que a presidente iria dizer.

A plateia também encheu o peito e ergueu os punhos para cobrar a regulamentação dos meios de comunicação. Se essa reivindicação adquiriu importancia cada vez maior nos últimos anos, ganhou urgência redobrada depois que dois dias antes da votação VEJA deu curso a um golpe midiático que nada tinha a ver com jornalismo e não passava de uma operação política destinada a prejudicar Dilma e ajudar a vitória de Aécio Neves de qualquer maneira, acendendo uma nova onda anti-PT que a presidente fora capaz de estancar nos últimos debates.

Na festa da vitória, os militantes olhavam  desconfiados para quem, em outros pontos da platéia, não acompanhava o coro de palavras-de-ordem como “o povo não é bobo, abaixo a rede Globo.”

Na nova conjuntura política, iniciada com a confirmação da vitória de Dilma, a oposição procura incluir novos pontos em debate. Interessada em fazer o governo retornar a uma posição defensiva, sob uma pressão semelhante a do período anterior, quando se enxergava o fim do governo Dilma e do PT como uma possibilidade concreta e próxima. Para isso tenta-se construir a visão de um país “dividido”, no qual a presidente teria autoridade apenas sobre uma parcela de cidadãos — aqueles que lhe deram seu voto — mas não sobre o conjunto da nação, que foi as urnas no domingo. Caso essa visão visse a prevalecer na vida prática, Dilma teria de ignorar os compromissos de campanha e submeter sua autoridade — nova em folha — às conveniências e opções de seus adversários, como se petistas e tucanos tivessem resolvido formar um governo de coalizão após uma das disputas eleitorais mais quentes de nossa história recente.

Este argumento parece sob medida para inviabilizar pela raiz certas iniciativas da presidente, como o plebiscito para reforma política, caminho indispensável para abrir caminho para qualquer mudança que irá atingir os interesses econômicos que alugam o poder de Estado a seus interesses — e pagam políticos aliados para fazer o serviço. O plebiscito já começa a ser definidas como “bolivarianismo”, noção típica de quem não desistiu de pensar o Brasil como uma versão só um pouco mais sofisticada do que a Venezuela e os governos do PT como caricaturas de Hugo Chávez.

A vitória por uma diferença magra chegou a assustar o PT. Personagens graúdos até imaginaram o pior. Mas depois do domingo, aquela força social que parecia sem orientação e sem grande motivação durante muitos anos havia recuperado a própria identidade e tinha muita clareza sobre aonde quer chegar — e essa é uma das boas novidades da vitória."

Retalhos de uma eleição desigual


A mídia e a lavagem cerebral 
O que a mídia vem fazendo no Brasil há mais de 10 anos é lavagem cerebral. O objetivo: demonizar o PT e seus dirigentes. Exatamente como na Alemanha nazista faziam com os judeus. 
É a aplicação da máxima do infame Joseph Goebbels: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade." 
Além da mídia nazista, contribuem para essa lavagem cerebral esses estelionatários, picaretas e bandidos que se dizem "pastores" ou "bispos" de seitas religiosas variadas, que só fazem roubar os pobres de espírito e inculcar neles ódio, preconceito e mais ignorância.


Altíssimo risco 
A mídia fez uma jogada de altíssimo risco ao promover esse golpe eleitoral, Se Dilma vencer, não tenho dúvidas que a retaliação será violentíssima. 
Haverá, certamente, corte de toda publicidade oficial a essas empresas, entre outras medidas. Abril, Folha, Estadão, Globo, Band, Record etc etc ficarão sem as polpudas verbas do governo federal. 


Só a Globo recebeu no ano passado quase R$ 1 bi de publicidade. E, como se sabe, Abril e Estadão passam por sérias dificuldades financeiras, assim como outras empresas. 
A articulação do golpe não é só uma questão ideológica: é questão de sobrevivência, já que, sob o governo Aécio as famílias que controlam com mão de ferro a comunicação no Brasil salvarão as suas empresas e ficarão ainda mais ricas. 
E a democracia brasileira, cada vez mais vilipendiada... 

A carreata vermelha e o sinal da cruz 
Duas horas de carreata em Serra Negra, por locais nunca dantes navegados. Manifestações de apoio em bairros longínquos do centro, manifestações de hostilidade de motoristas de carrões, bebuns, um motoboy, um lixeiro (outro, talvez mais consciente do que é a mais valia e a luta de classes ergueu o polegar), uma moça de branco em frente a uma clínica veterinária, que até fez o sinal da cruz à passagem dos carros. Na rua do comércio, cheia de turistas, uma senhora idosa quase tem um ataque apoplético ao ver os vermelhos passando... 
 Mas foi melhor do que imaginava. 
Serra Negra e as outras cidades do Circuito das Águas Paulista são ultraconservadoras, redutos de coronéis como os Chedid - um deles, o deputado Edmir é o "chefe" do octogenário prefeito Bimbo (DEM). O criminoso governador Alckmin teve 70% dos votos na região, que ajudou a eleger para a Assembleia e Câmara a fina flor do reacionarismo. Aécio também teve votação estrondosa. 
O prefeito é um caso à parte: os carros, na concentração, prontos para sair, e eis que ele passa, dirigindo um veículo oficial da prefeitura, para dar uma olhada nos "inimigos". Para mais à frente, sai do carro e quando a carreata passa, dá um alô para ela. 
Se Dilma tiver neste domingo mais de 4 mil votos na cidade, será uma vitória estrondosa para ela, essa é a realidade. 
E, se tudo der certo, lá pelas 8 horas da noite estaremos comemorando a vitória das forças populares contra as trevas lá na casa do Beraldo do Correio. Guardei duas bandeiras para a festa. 

Quero viver na Noruega tropical 
Aos amigos aecistas, que são, antes de tudo, antipetistas: não entendo a lógica, se é que ela existe, de vocês, de votar num desqualificado apenas para tirar o PT do poder.
Também não entendo o ódio que vocês têm do PT: a vida de vocês, todos bem de vida, melhorou nesses últimos anos, assim como a vida de dezenas de milhões de brasileiros. 
Resta então, como justificativa para esse ódio algum problema pessoal, alguma coisa mal resolvida no íntimo de vocês, algum preconceito de classe tão forte que vocês não podem superá-lo, alguma desilusão que tiveram com o PT no passado, sei lá... 
Seja como for, desejo a todos que sejam felizes vivendo no país de seus sonhos. 
O meu é um país democrático, no qual a desigualdade social não seja abjeta como hoje, um país onde todos tenham realmente oportunidades de comer, estudar, trabalhar com dignidade, passar bons momentos de lazer, melhorar de vida... 
Um país, sei lá, como aquelas nações nórdicas que todo mundo inveja - sem o frio delas, é claro. 

Retaliação 
O governo Dilma, se reeleito, deveria cortar TODA verba de publicidade oficial, incluindo a das estatais, para esses jornais, revistas, emissoras de rádio e TV e portais de internet que se dedicam, 24 horas por dia, 7 dias por semana, a espalhar notícias falsas e caluniosas e a fabricar escândalos sobre o governo federal, com o único objetivo de defenestrar os trabalhistas do Palácio do Planalto. 
Dilma deveria usar as redes nacionais para informar a população sobre medidas relevantes, como permite a Constituição, e fortalecer quem faz jornalismo de verdade, e não propaganda partidária. 
Deveria ainda cuidar melhor da EBC, dar mais recursos para a TV Brasil, e esquecer essa mídia oligopolizada. 
Esquecer, não: ficar bem de olho nela, nas suas falcatruas fiscais e trabalhistas, apertar a fiscalização, não deixar passar uma só irregularidade, seja de que tipo for, nessas empresas. 
E tratar da criação de um marco regulatório para as comunicações, a nossa tão falada lei de meios, para acabar com essa pouca vergonha que é meia dúzia de famílias decidir sobre o que o povo brasileiro deve ser informado.
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Nós perdemos, mas exigimos ganhar, entende?


Curiosíssima a arrogância do mercado, na Folha, exigindo uma guinada na política econômica do Governo com a reeleição de Dilma Rousseff.

A democracia, para eles, funciona assim: não importa quem o eleja, o Governo do país deve obedecer-nos.

Pois, senhores, tirem o cavalinho da chuva.

É óbvio que Dilma vai buscar o diálogo até, provavelmente, nomeando para o Ministério da Fazenda alguém com origem no mercado e que, por isso, facilite e distensione a interlocução do governo.

Mas quem nomeia é ela, não o “mercado” e é por isso que, ontem, ela negou-se a dar pistas sobre uma decisão que, a esta altura, provavelmente já está tomada.

Este é, provavelmente, o primeiro “teste de fidelidade” de seu novo Ministro da Fazenda: a discrição com que se move e faz consultas.

É bom que o “mercado” lembre: foi Dilma e não ele quem ganhou as eleições.

E como Aécio já se apresentou guarnecido por seu “xerife da Fazenda”, Armínio Fraga, o eleitor brasileiro rejeitou uma política econômica recessiva, lesiva ao emprego e ao salário.

Simples e democrático assim, pois não?

Dilma, uma mineira agauchada, certamente se lembra da frase de Pinheiro Machado ao cocheiro, no Império: “vá, mas nem tão depressa que pareça fugga, nem tão devagar que pareça afronta”.

Aliás, o resto é marola e jogada para enganar trouxas, como os que saíram se desfazendo de ações ontem no “terremoto” da Bolsa que deu xabu e terminou o dia amansando, como amansará hoje. Os espertos compraram, levantando as mãos para o céu, Petrobras a R$ 14, o que é quase bilhete premiado de loteria. Vão ganhar mais que o tal diretor Paulo Roberto Costa.

Siga a Bolsa, hoje, e veja só.

Os índices de preços, embora ainda possam revelar números maiores pelo período acumulado, vão começar a acusar quedas, seja por causa do reinício das chuvas, seja porque a “animação inflacionária” do período eleitoral ficou para trás.

A palavra de ordem no Governo, agora, é “muita calma nessa hora”.

Lembrar, sem arroubos autoritários, que foi a situação – e sua política desenvolvimentista – quem ganhou a eleição.

E lembrar-se, como disse ontem a Presidenta Dilma, que o povo sinalizou claramente que quer mudanças nela.

Mas para melhor.

(Tijolaço)

A vez das baratas


Triste, muito triste, desolado. 
Sempre soube que há uma parte da sociedade brasileira que gostaria que no país houvesse um sistema de castas - os "homens de bem", saudáveis, ricos, vivendo no conforto do ar-condicionado, sem preocupações maiores que não escolher o melhor cardápio do restaurante, a roupa de grife, o destino das férias, e aquela gente feia, que não tem méritos para desfrutar os doces prazeres da vida.
Casa grande e senzala.
Burguesia e proletariado.

O que realmente me espanta, e que torna cada vez maior meu desconforto em ter de me relacionar com as pessoas de meu "nível" social, é que tais indivíduos, que antes só expressavam seu ódio de classes em privado, a petit comité, hoje têm orgulho em bradar essa anomalia em praça pública, nas redes sociais, em mesas de bar, como se essa degeneração de caráter fosse o natural do ser humano.
Bem, talvez seja mesmo.
Talvez seja eu o errado e eles o certo.
Talvez eu, na minha insignificância, não compreenda que o mundo sempre foi assim, dividido entre senhores e escravos, nobres e plebeus, fortes e fracos, ganhadores e perdedores.
E que sempre será, até a raça humana se extinguir por causa de sua estupidez cósmica e ser substituída pela operárias formigas.
Ou pelas repulsivas baratas.
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Corruptos, corruptores e a hipocrisia da "gente de bem"


Combater a corrupção é fundamental para que o Brasil seja ainda melhor do que é.
Mas o combate tem de ser de verdade, não esse de mentirinha que os nossos prezados tucanos apregoam.
Aécio teve o cinismo de dizer, nesse último debate televisivo, que para acabar com a corrupção era só tirar o PT do poder!
Como um político que quer ser levado a sério diz uma imbecilidade dessas?
Ora, a corrupção existe no Brasil desde os tempos de Cabral.
É uma das práticas favoritas não só de políticos, mas de empresários - não existe corrupto sem corruptor, não é? - e dos cidadãos comuns, esses mesmos que escrevem essa besteirada toda nas redes sociais de que estão fartos da corrupção do PT.
Um monte de "gente de bem" vive de carteiradas, de pequenos golpes que aplicam no dia a dia, de expedientes e jeitinhos.

Você dá uma volta na sua cidade e em 10 minutos observa não sei quantas infrações no trânsito.
Vai ao supermercado e vê a vaga de estacionamento de idosos e deficientes físicos tomada por carrões dirigidos por peruas loiras e rapagões sarados.
Conheço gente que se orgulha de fazer "gato" do sinal da NET e de ter sonegado o Imposto de Renda.
E os nossos queridos médicos, dentistas, advogados, que nunca emitiram uma nota fiscal na vida toda?
E os comerciantes, então, que só dão a nota se a gente implorar?
Ora, quem são essas pessoas para cobrar o fim da "corrupção do PT"?
Que exemplos eles dão aos seus filhos, infringindo as mais elementares leis?
O combate à corrupção deve ser sistemático, sem trégua.
Lembro a todos que foi no governo Lula que se criou a Controladoria-Geral da União, que tem feito um trabalho incessante contra a corrupção.
Lembro ainda que foi Fernando Haddad que criou órgão semelhante na Prefeitura de São Paulo.
Esses são bons exemplos institucionais de como combater a corrupção.
O trabalho da Polícia Federal é outro.
Seu desempenho sob os governos petistas é prova que o país evoluiu muito nesse quesito.
Agora, o cidadão comum também tem de colaborar - e não ficar só nesse discurso babaca de que o PT é culpado de tudo, de que os políticos são corruptos, isentando todos os outros atores, inclusive ele próprio, do crime.
No fundo, o que eu acho é que as pessoas não conseguiriam sobreviver sem aquela corrupçãozinha do dia a dia e morrem de medo que tenham, eventualmente, de pagar pelo que fazem com a maior naturalidade do mundo.
Só para terminar: será que esse pessoal "anticorrupção" toparia endurecer a lei, como querem covardemente fazer com os menores de idade?
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