segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Falta um pouco de Chávez e Brizola na campanha do PT


Até quando a mídia brasileira vai se sentir acima do bem e do mal e agir à margem das leis brasileiras ? Neste caso da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Youssef foram ultrapassados todos os limites de decência. Só no Brasil processos que correm sob segredo de justiça são gravados e filmados pela maior emissora de TV do país com o escancarado objetivo de interferir no processo eleitoral. 

E o pior é  essa ação criminosa não é confrontada com a contundência necessária. Vale lembrar que o corrupto confesso Paulo Roberto Costa, em respeito ao sigilo legal, se manteve calado durante seu depoimento à CPI mista do Congresso Nacional sobre a Petrobras.

Além disso, a justiça negou o acesso ao conteúdo da delação solicitado pela presidenta Dilma, pelo presidente da CPI, pela presidenta da Petrobras, Graça Foster, e pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. Contudo, a Rede Globo, apelando sabe-se lá para que artifícios, obteve a gravação num estalar de dedos.  

Quem é o responsável ou quem sãos os responsáveis pelo vazamento ? O juiz do caso será punido pelo Conselho Nacional de Justiça ? Por acaso algum integrante do Ministério Público será chamado às falas pelo procurador-geral ou pelo conselho do órgão ?  O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, não será demitido ? Nenhum agente, delegado ou diretor da Polícia Federal será investigado pelo vazamento? Na minha opinião, nada vai acontecer. A julgar pelo conhecido conluio contra o PT formado por parte expressiva do MP, da PF e do monopólio da mídia, o que se pode esperar até o fim das eleições são  mais golpes ainda mais baixos e ilegais. Um vale tudo à revelia da lei para tentar impedir a reeleição da presidenta Dilma.

E, como sempre, a resposta do PT a mais esse ataque contra  sua reputação deixou a desejar. A nota oficial do partido não põe o dedo na ferida, pois não menciona o que há de mais grave nesse episódio : o acesso ilegal da Rede Globo às gravações. O texto do partido, embora tenha o mérito de repudiar as acusações e classificá-las como caluniosas incorre no  velho pecado petista do excesso de moderação. Também o presidente Lula, ao se dizer de "saco cheio" diante da sucessão de baixarias contra o PT em todas as eleições, podia ter ido mais longe questionando a armação criminosa da mídia para expor, no melhor estilo BBB, as entranhas de um processo protegido pelo sigilo judicial.

A campanha da presidenta Dilma não pode desperdiçar o trunfo da propaganda eleitoral gratuita na televisão. Na prática, o único período em que o monopólio da comunicação é quebrado no Brasil. É preciso levar para TV, tanto no programa como nas inserções, um conteúdo didático e demolidor sobre o papel dos meios de comunicação no Brasil. Mas é necessário dar o nome correto que as coisas têm. Nada de sujeito oculto ou indeterminado. O eleitor brasileiro tem o direito de saber  que Globo, Folha, Estadão e Veja são, na realidade, o maior partido de oposição do Brasil, que não hesita em afrontar a lei para impedir a continuidade do projeto democrático-popular em curso no país há 12 anos.

Historicamente os barões da mídia sempre se bateram contra as causas democráticas e os interesses do povo brasileiro. Foi assim na cassação do Partido Comunista Brasileiro, no suicídio de Vargas, na tentativa de impedir a posse de Jango, no golpe militar de 1964 e no boicote à campanha das Diretas Já. Hoje, a atuação política sem um mínimo de escrúpulo da mídia me traz à lembrança lideranças da coragem de um Hugo Chávez ou de um Leonel Brizola, os quais ousaram combater a ditadura da palavra e da imagem de peito aberto. São passagens antológicas o direito de resposta de Brizola que um envergonhado Cid Moreira foi obrigado a ler no Jornal Nacional e o ato no plenário da Alerj, ao qual tive a honra de comparecer, em que Chávez da tribuna expôs uma das tantas edições mentirosas e fraudulentas do jornal dos Marinho. Inesquecível.
http://blogdobepe.blogspot.com.br/2014/10/falta-um-pouco-de-chavez-e-brizola-na.html

Aécio força campanha com Petrobras, mas abafou CPI sobre má gestão tucana em 2001

O debate superficial e com fins eleitorais por setores da imprensa pode favorecer Aécio. Mas terá o candidato moral para falar sobre investigação de corrupção na estatal?


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Plataforma afunda em 2001: sinais de má gestão e corrupção mas, presidente da Câmara, Aécio Neves abafou CPI
O candidato do PSDB, Aécio Neves segue mantendo as denúncias de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da estatal que tenta reduzir sua pena – que pode chegar a 50 anos de prisão – como um dos principais temas de sua campanha para este segundo turno das eleições presidenciais.
Mas aqui cabe uma questão: Aécio tem  realmente um perfil adequado para falar sobre corrupção, levando em conta alguns de seus atos no passado em relação à Petrobras?
Lembremos. Em 14 de fevereiro de 2001, Aécio foi empossado presidente da Câmara dos Deputados, época em que seu partido detinha a presidência da República com o governo de Fernando Henrique Cardoso. No mês seguinte, madrugada do dia 15 de março de 2001, ocorreram duas explosões, seguidas do afundamento da plataforma de petróleo P-36 da Petrobras, no campo de Roncador, na Bacia de Campos, estado do Rio. Onze trabalhadores morreram.
Detalhe: a plataforma teve sua construção iniciada na Itália e foi concluída no Canadá, numa época em que o governo brasileiro preferia recorrer a "parcerias" no exterior, em vez de estimular a indústria nacional.
Pois bem. O CREA-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro), órgão independente e apartidário, periciou o afundamento e produziu um relatório final apontando como causas erros de gestão ao antecipar de forma irresponsável o tempo de montagem no Canadá, da adaptação malfeita de plataforma de perfuração para plataforma de produção, e um erro de projeto "profundo e claro, quando foi colocado um tanque de drenagem de emergência dentro de uma das colunas de toda a plataforma, fazendo Com que, quando ocorreu a explosão, realmente ela ficasse sem sustentação", nas palavras do então presidente do CREA-RJ, José Chacon.
O relatório do Crea-RJ foi encaminhado ao Ministério Público, ao Ministério do Meio Ambiente, à Agência Nacional de Petróleo (ANP), à Marinha do Brasil, à Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) e ao Congresso Nacional, com pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para responsabilizar os envolvidos no acidente.
Pois Aécio, como presidente da Câmara dos Deputados na época, agiu na direção de abafar CPI que pudesse investigar responsabilidades. Para tanto, entre outra manobras, ele usou o relatório da ANP que, na época tinha como diretor-geral o então genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn. Este, resumidamente, concluiu que “as causas das explosões na P-36 estiveram relacionados a não-conformidades quanto a procedimentos operacionais, de manutenção e de projeto” e, na prática, associava a responsabilidade da tragédia aos próprios trabalhadores.
Aliás no governo de FHC, a  Procuradoria-Geral da República tinha a tristemente famosa postura de “engavetar” tudo que pudesse responsabilizar o governo tucano, a ponto do então procurador, Geraldo Brindeiro, nomeado por FHC,  ganhar o apelido de ‘engavetador-geral’ da República. Na presidência da Câmara, o então deputado Aécio Neves, não ficava para  atrás. Todas as tentativas da oposição de abrir CPIs que pudessem atingir o PSDB eram barradas pela maioria governista da época, com a participação ativa de Aécio nas articulações.
O resultado era a impunidade. Havia crimes, mas criminosos eram sujeitos ocultos. Havia dolo, sem autores. Ninguém foi responsabilizado pelo afundamento da P-36. Prejuízos ao erário não voltavam aos cofres públicos. A lição era de que o crime de alta corrupção recompensava quem não tinha escrúpulos.
Atualmente, há duas CPIs investigando a Petrobras. O ex-diretor Paulo Roberto Costa, entrou na empresa como engenheiro concursado na década de 1970. Subiu na carreira, chegando a diretoria no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. Como funcionário de carreira e com desempenho técnico bem avaliado na época permaneceu na diretoria após 2003, no governo Lula. Em 2012 foi afastado por Dilma e acabou preso por acaso, por manter conexão com o doleiro Alberto Youssef, em outra investigação, que investigava lavagem de dinheiro e nada tinha a ver com a Petrobras.
Mas a conexão abriu nova linha de investigação. Sem saída, diante da eminência de condenação a uma longa pena, negociou uma delação premiada e a devolução de propinas recebidas por empreiteiras. Daí em diante, o vazamento de seus depoimentos passou a montar um outro cenário que prenuncia a montagem de uma nova tentativa de golpe midiático para tentar deformar o juízo do eleitorado. Mas isso é assunto para depois
Importante é frisar, mais uma vez, que hoje ainda há crimes sendo cometidos dentro das estatais sim mas, diferentemente do governo FHC, agora sabe-se buscam-se os criminosos e busca-se também puni-los. Quando há dolo, responsabiliza-se os autores e a recuperação do dinheiro público desviado. É assim que se combate a impunidade. E isso jamais foi feito nos governos tucanos de forma geral –haja vista a quantidade de CPIs barradas pela maioria submissa à vontade do governador Geraldo Alckmin em São Paulo.
O debate superficial, seletivo e parcial, dirigido com fins eleitorais por setores da imprensa que mandam às favas os fatos e destacam o que acham interessante para eleger seu candidato do PSDB, pode favorecer Aécio. Mas o debate aprofundado o desfavorece. Ao deflagrar o debate superficial porém, é inevitável seu aprofundamento.
http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/10/aecio-forca-campanha-com-petrobras-mas-abafou-cpi-do-naufragio-da-plataforma-p-36-5393.html

COM AÉCIO NEVES O BRASIL CORRE O RISCO DE UM SEGUNDO GOLPE DA REELEIÇÃO - NA TRILHA DE FHC

 
NÃO SE ILUDAM, por trás dessa movimentação de FIM DA REELEIÇÃO - está em MARCHA uma manobra para AÉCIO NEVES TENTAR MUDAR AS REGRAS DO JOGO, se beneficiando, CASO ELEITO AGORA, através de uma EMENDA CONSTITUCIONAL, com um acréscimo de 2 anos em seu mandato. 

ACABAR COM A REELEIÇÃO, simplesmente se conformando com 04 anos de mandato, abrindo mão de se reeleger, não é algo que combine nem com Aécio, nem com nenhum político. 

Agora, PASSANDO O MANDATO PRESIDENCIAL e de GOVERNADOR PARA 06 ANOS, E ISSO JÁ VALENDO PARA ELE E TODOS OS ELEITOS AGORA EM 2014, já é outra história, que sorrateiramente já vem sendo pensada, e objeto de conversas e acertos.

A MANOBRA GOLPISTA, QUE CONTA COM A CONIVÊNCIA DE MARINA SILVA, TERIA COMO DESCULPA A COINCIDÊNCIA DOS MANDATOS, e uma eleição única para todos os cargos do legislativo e do executivo. 

Ou seja, o cidadão está votando agora e elegendo para 04 anos, mas, veria as regras do jogo sendo mudadas em mais um GOLPE, tendo de aturar o ARROCHO durante 06 anos.

http://007bondeblog.blogspot.com.br/2014/10/com-aecio-neves-o-brasil-corre-o-risco.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/NIKX+(007BONDeblog)

O velho roteiro do golpe


O roteiro dos entreguistas e lesas-pátrias que se juntaram em torno do testa de ferro do grande capital para tomar o poder dos trabalhistas que habitam o Palácio do Planalto é de um filme velho e muitas vezes exibido ao redor do mundo.
Aqui perto de nós, na Venezuela, ele já esteve em cartaz várias vezes.
Também no Chile, na Argentina.
E no próprio Brasil.
O enredo é simples: procura-se criar uma "onda" de ressentimento, de ódio e preconceito contra os trabalhistas, acusando-os, por meio de uma imprensa venal e inteiramente aliada aos interesses oligárquicos, de tudo o que existe de errado no país.

Os jornalões batem, dia e noite, anos a fio, na mesma tecla: são corruptos, ladrões, demônios, assassinos, satanazes, belzebus...
Com isso, de quebra, se consegue esculhambar a própria atividade política.
Cria-se, então, uma alternativa a "tudo isso que está aí". 
Na falta de alguém mais preparado, o Brasil viu nascer recentemente uma Marina Silva, caricatura de si própria.
Financia-se uma boa quantidade de lumpens para fazer baderna nas ruas, sob palavras de ordem genéricas, tipo "não à corrupção".
Dá-se ampla cobertura a essas "manifestações espontâneas" e, dessa forma, consegue-se amealhar um tanto de jovens inocentes úteis, buchas de canhão que são duramente reprimidos por uma polícia de traços e DNA fascistas.
Se tudo isso ainda não der certo, ou seja, se o governo trabalhista resistir e durar até a eleição presidencial, aperta-se ainda mais o torniquete das mentiras, dos factoides, dos boatos e das calúnias.
É importante também arranjar aliados no Judiciário, para que o golpe assuma feições de legitimidade.
Arranja-se, por fim, testemunhas de "malfeitos" do governo.
Nesta eleição, dois criminosos confessos, apanhados com  a boca na botija, que, para se livrar de condenações pesadíssimas, aceitam dedurar seus cúmplices - claro que sem provas, apenas por "ouvir dizer".
Os cúmplices, frise-se, são do partido do governo e da sua base de sustentação.
O juiz do caso arma um circo, vaza imagens e áudio das "confissões" para a mídia inimiga dos trabalhistas.
O enredo se completa com a utilização de todo esse material, fartamente, na campanha do candidato laranja do grande capital internacional.
É tudo muito civilizado, muito moralizador.
Se não fosse o fato de que, neste e em outros casos idênticos de um passado tenebroso, os bandidos são os que não aparecem para o eleitor, são os que manipulam as instituições e a opinião pública, são os que despejam montanhas de dinheiro nas contas de políticos e parlamentares conhecidos. 
Os bandidos, neste e em outros casos que envergonham a história brasileira, são esses pulhas que posam como mocinhos, bons meninos e salvadores da pátria. 

http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/10/o-velho-roteiro-do-golpe.html

Mensagem aos militantes do PSB e ao povo brasileiro, por Roberto Amaral

Mensagem aos militantes do PSB e ao povo brasileiro

"A luta interna no PSB, latente há algum tempo e agora aberta, tem como cerne a definição do país que queremos e, por consequência, do Partido que queremos. A querela em torno da nova Executiva e o método patriarcal de escolha de seu próximo presidente são pretextos para sombrear as questões essenciais. Tampouco estão em jogo nossas críticas, seja ao governo Dilma, seja ao PT, seja à atrasada dicotomia PT-PSDB – denunciada, na campanha, por Eduardo e Marina como do puro e exclusivo interesse das forças que de fato dominam o país e decidem o poder.

Ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido, porém,  renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores – entre os quais me incluo – e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática.

Esse caminhar tortuoso contradiz a oposição que o Partido sustentou ao longo do período de políticas neoliberais e desconhece sua própria contribuição nos últimos anos, quando, sob os governos Lula dirigiu de forma renovadora a política de ciência e tecnologia do Brasil e, na administração Dilma Rousseff, ocupou o Ministério da Integração Nacional.

Ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos, encampada após sua morte por Marina Silva, no sentido de enriquecer o debate programático pondo em xeque a nociva e artificial polarização entre PT e PSDB. A sociedade brasileira, ampla e multifacetada, não cabe nestas duas agremiações. Por isso mesmo e, coerentemente, votei, na companhia honrosa de Luiza Erundina, Lídice da Mata, Antonio Carlos Valadares, Glauber Braga, Joilson Cardoso, Kátia Born e Bruno da Mata, a favor da liberação dos militantes.

Como honrar o legado do PSB optando pelo polo mais atrasado? Em momento crucial para o futuro do país, o debate interno do PSB restringiu-se à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do Estado.

Nas ante-salas de nossa sede em Brasília já se escolhem os ministros que o PSB ocuparia num eventual governo tucano. A tragédia do PT e de outros partidos a caminho da descaracterização ideológica não serviu de lição: nenhuma agremiação política pode prescindir da primazia do debate programático sério e aprofundado. Quem não aprende com a História condena-se a errar seguidamente.

 Estamos em face de uma das fontes da crise brasileira: a visão pobre, míope, curta, dos processos históricos, visão na qual o acessório toma a vez do principal, o episódico substitui o estrutural, as miragens tomam o lugar da realidade. Diante da floresta, o medíocre contempla uma ou outra árvore. Perde a noção do rumo histórico.

Ao menosprezar seu próprio trajeto, ao ignorar as lições de seus fundadores – entre eles João Mangabeira, Antônio Houaiss, Jamil Haddad e Miguel Arraes –, o PSB renunciou à posição que lhe cabia na construção do socialismo do século XXI, o socialismo democrático, optando pela covarde rendição ao statu quo. Renunciou à luta pelas reformas que podem conduzir a sociedade a um patamar condizente com suas legítimas aspirações.

Qual o papel de um partido socialista no Brasil de hoje? Não será o de promover a conciliação com o capital em detrimento do trabalho; não será o de aceitar a pobreza e a exploração do homem pelo homem como fenômeno natural e irrecorrível; não será o de desaparelhar o Estado em favor do grande capital, nem renunciar à soberania e subordinar-se ao capital financeiro que construiu a crise de 2008 e construirá tantas outras quantas sejam necessárias à expansão do seu domínio, movendo mesmo guerras odientas para atender aos insaciáveis interesses monopolísticos.

 O papel de um partido socialista no Brasil de hoje é o de impulsionar a redistribuição da riqueza, alargando as políticas sociais e promovendo a reforma agrária em larga escala; é o de proteger o patrimônio natural e cultural; é o de combater todas as formas de atentado à dignidade humana; é o de extinguir as desigualdades espaciais do desenvolvimento; é o de alargar as chances para uma juventude prenhe de aspirações; é o de garantir a segurança do cidadão, em particular aquele em situação de risco; é o de assegurar, através de tecnologias avançadas, a defesa militar contra a ganância estrangeira; é o de promover a aproximação com nossos vizinhos latino-americanos e africanos; é o de prover as possibilidades de escolher soberanamente suas parcerias internacionais. É o de aprofundar a democracia.

Como presidente do PSB, procurei manter-me equidistante das disputas, embora minha opção fosse publicamente conhecida. Assumi a Presidência do Partido no grave momento que se sucedeu à tragédia que nos levou Eduardo Campos; conduzi o Partido durante a honrada campanha de Marina Silva. Anunciados os números do primeiro turno, ouvi, como magistrado, todas as correntes e dirigi até o final a reunião da Comissão Executiva que escolheu o suicídio político-ideológico.

Recebi com bons modos a visita do candidato escolhido pela nova maioria. Cumprido o papel a que as circunstâncias me constrangeram, sinto-me livre para lutar pelo Brasil com o qual os brasileiros sonhamos, convencido de que o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única alternativa para a esquerda socialista e democrática. Sem declinar das nossas diferenças, que nos colocaram em campanhas distintas no primeiro turno, o apoio a Dilma representa mais avanços e menos retrocessos, ou seja, é, nas atuais circunstâncias, a que mais contribui na direção do resgate de dívidas históricas com seu próprio povo, como também de sua inserção tão autônoma quanto possível no cenário global.

Denunciamos a estreiteza do maniqueísmo PT-PSBD, oferecemos nossa alternativa e fomos derrotados: prevaleceu a dicotomia, e diante dela cumpre optar. E a opção é clara para quem se mantém fiel aos princípios e à trajetória do PSB.

O Brasil não pode retroagir.

Convido todos, dentro e fora do PSB, a atuar comigo em defesa da sociedade brasileira, para integrar esse histórico movimento em defesa de um país desenvolvido, democrático e soberano.

Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2014.

Roberto Amaral

Por que um planeta desigual nunca será sustentável?


Foto: Too Much Online
"Quanto maior a concentração de riqueza e maior a desigualdade dentro dos países, menores são as chances de se alcançar a sustentabilidade mundial. Os mais conceituados ambientalistas já entenderam essa conexão, chegou a vez de nossas sociedades

Sam Pizzigati, em Too Much / Envolverde

O que será necessário para salvar o planeta da devastação ambiental? Apenas o poder do povo? Nós certamente vimos isso na véspera da Cúpula do Clima da ONU em Nova York. Quase 400 mil pessoas marcharam pelas ruas de Manhattan. Outras milhões se manifestaram no mesmo dia com mais de 2.600 ações em 162 países.

Ou simplesmente constranger os líderes mundiais a responderem mais seriamente aos desafios da mudança climática? Nós vimos um pouco desse constrangimento na semana passada também. A poeta Kathy Jetnil-Kijiner, das Ilhas Marshall – um dos países-arquipélago mais ameaçados pelas mudanças climáticas –, que ajudou a abrir a reunião da ONU, leu o poema que fez à sua filha de 7 meses, levando alguns líderes mundiais presentes às lágrimas.

Mas isso, infelizmente, não é o bastante para estimular o bom senso de tais líderes. Como aponta artigo da Christian Science Monitor, a Cúpula deixou a comunidade internacional “sem uma estratégia ampla para combater a mudança climática”, apenas com a esperança de que, talvez, a próxima reunião “possa estabelecer um plano que poderia, lenta e eventualmente, reverter a crescente emissão global de carbonos”.

As pessoas têm alimentado tais esperanças há muito tempo, como o colunista George Monbiot observou, desde que os líderes mundiais se reuniram pela primeira vez em cúpulas ambientais, em 1992. “Essas reuniões falharam pela mesma razão que os bancos falharam”, explica Monbiot. “Os sistemas políticos, que deveriam representar a todos, agora têm governos para os milionários, financiados para agir em nome dos bilionários.”

Esperar que tais governos protejam a biosfera faz tanto sentido quanto “esperar que um leão viva de comida vegetariana”, compara Monbiot.
Por que deveria ser esse o caso? Ao longo das décadas recentes, analistas e ativistas fizeram todo o tipo de ligações entre a crescente degradação do meio-ambiente no mundo e o aumento da concentração da riqueza mundial.

Os super-ricos, para começar, deixoaram um enorme rastro de carbono no planeta. O maior símbolo desse “pisoteamento”? Provavelmente seus jatos particulares.

Esses brinquedinhos superpoderosos da elite global emitem seis vezes mais carbonos por passageiro do que os aviões comerciais comuns. Entre 1970 e 2006, o número de aviões particulares cresceu dez vezes mais no mundo inteiro. Os super-ricos não apenas consumem em níveis que tornam insignificante o consumo dos “meros mortais”, seus gastos devassos estimulam um consumo infinito que se estende por todas as classes econômicas.

“Grandes abismos de renda”, como Rob Dietz e Dan O´Neill apontam seu livro Enough is Enough(algo como “já deu”, traduzindo livremente), “levam a um nada saudável status de competição e consumo de materiais e energia, além do que é necessário para satisfazer as necessidades das pessoas”. Em sociedades mais iguais, os analistas sugerem, a maioria das pessoas pode adquirir as mesmas coisas. Nesse tipo de ambiente, as coisas materiais não significam tanto assim.

Mas as “coisas” se tornaram um poderoso transformador de status social em sociedades desiguais nas quais a maioria das pessoas não tem o mesmo poder de compra. Nessas sociedades, ou você acumula mais e mais coisas ou se encontra rotulado como um fracassado.

Como conseguimos reverter esse ciclo de consumo infinito? Nós podemos superar “o status de competição destrutiva, tanto socialmente, quanto ambientalmente, se trabalharmos para estender a democracia para a esfera econômica”. Pelo menos é o que afirmam os cientistas sociais Richard Wilkinson e Kate Pickett, em seu recente A Convenient Truth (Uma verdade conveniente). Empresas com representantes dos trabalhadores em sua junta de diretores, companhias com funcionários- proprietários e cooperativas “geralmente têm uma diferença de salários bem pequena entre eles”, apontam Wilkinson e Pickett, autores também do best-seller “O Nível Espiritual: Porque sociedades mais igualitárias quase sempre vão melhor”. Nós também precisamos trabalhar juntos, sugere a socióloga Juliet Schor, para começarmos criar uma “comunidade que sustente nossas necessidades básicas”, através de, por exemplo, serviços de propriedade pública como energia para as casas a um preço razoavelmente sustentável.

Tudo isso funcionando ao mesmo tempo não será fácil. As pessoas, em algum ponto, terão que confiar uma nas outras, aponta Bill Kerry, do Equality Trust, no Reino Unido. De acordo com uma pesquisa da instituição, quanto mais desigual é uma sociedade, mais desconfiança é gerada dentro dela. Assim como as menos democráticas. Em países onde a renda e a riqueza são mais concentradas, os ricos podem usar de seu poder político gritantemente desproporcional para evitar as reformas ambientais que ameaçam suas minas de ouro. Por exemplo, executivos em empresas energéticas podem alterar os limites de emissões de carbonos, que eventualmente ameaçariam os lucros de suas empresas, assim com benefícios pessoais.

Esses executivos estão agora usando “seus consideráveis poderes político e financeiro”, aponta o ativista veterano Chuck Collins, “para bloquear políticas energéticas sensatas, conseguir subsídios através de impostos, difamar matrizes renováveis e limitar o poder de escolha dos consumidores”.

Os “prósperos” podem usar de sua riqueza para acabar com políticas para recursos naturais que de fato funcionariam. Na Califórnia sofrendo com a seca, por exemplo, os proprietários ricos em Montecito têm “pago 10 vezes mais que o valor da taxa de água” para contornar os limites de uso para a água local. Esses ricos proprietários tem “importado” de caminhão, água de poços particulares em outros locais do estado “em uma tentativa desesperada para salvar seus gramados bem cuidados e a topiaria decorativa”. Esses caminhões estão destruindo as estradas locais.

Outros prósperos de Montecito estão correndo para cavar poços em suas propriedades – cerca de 100 mil dólares por cada – que poderiam eventualmente secar os aquíferos locais. “Se o mundo não encontrar uma maneira coletiva de coibir emissões por esses ‘gastões’ entre países ricos, assim como os ricos nesses países, nós iremos pagar pelo alívio que os pobres entre nós não poderão arcar”, afirma o analista político Jim Tankersley.

As lutas contra a degradação ambiental e por uma sociedade mais igualitária precisam, em resumo, andar de mãos dadas. Um planeta profundamente desigual não pode nunca ser sustentável. A cidade “mais verde” do mundo, Oslo, não está por acaso em um dos países mais igualitários do planeta, a Noruega.

Ativistas ambientais estão cada vez mais compreendendo essa conexão. Espalhar essa consciência – e agir em cima dela – se tornou agora nosso maior desafio. Nós podemos resolver tanto os problemas ambientais como os sociais, mas “apenas se enxergamos ambas as lutas como apenas uma”.

* Tradução: Vinicius Gomes.

** Publicado originalmente pelo Too Much e retirado do site Revista Fórum.

domingo, 12 de outubro de 2014

Proposta de Aécio para a economia do Brasil

Neste 2º turno, a polarização eleitoral vai aumentar. O país tem 14 dias para escolher que caminho vai seguir nos próximos anos. Acho que é preciso qualificar a discussão, o que significa sair da simples retórica do ser contra por ser contra e ponto final.

Nos últimos meses, cresceu um discurso de ódio contra a presidenta Dilma Rousseff. Não odeio Aécio Neves, nem tampouco amo Dilma Rousseff. E precisa? A discussão que temos que fazer é política. Nossa escolha não é entre Dilma e Aécio, mas sim entre os projetos que cada um representa para o país. Precisamos olhar o Brasil que tínhamos, o que temos e o país que queremos ter. O que cada um fez, faz e fará por ele. Minha escolha, pelo projeto representado por Dilma Rousseff se apoia nesta reflexão.

Propostas econômicas, Aécio defende Alca e menos investimentos públicos

O programa de Aécio Neves é bastante explícito no resgate das principais orientações do modelo econômico neoliberal, que se baseia na redução do papel do Estado como indutor da economia e garantidor dos serviços públicos. Este é um dos motivos pelos quais eu não voto em Aécio Neves.

A política do Estado Mínimo foi desastrosa, na década de 90, no Brasil e em toda a América Latina. Gerou miséria, concentração de renda e desmonte de direitos sociais e trabalhistas. Nos países em que se manteve essa orientação, não houve crescimento econômico e a desigualdade só se aprofundou. Basta olhar, por exemplo, a situação do México. A lógica neoliberal – que privilegia o capital financeiro em detrimento do capital produtivo – resultou em uma das maiores crises econômicas da história, iniciada em 2008, com consequências terríveis nos Estados Unidos, na Europa e em outros países.

Em seu programa, Aécio Neves afirma explicitamente seu compromisso com a redução do papel do Estado. Ele coloca como principal meta econômica a geração de superátiv primário para conter a inflação. Mas ele oculta a informação para a sociedade de que no governo FHC, a inflação média anual era de 9,1%, enquanto nos governos Lula e Dilma é de 5,8%.

Para fazer este superávit, Aécio vai apertar o cinto e “limitar a taxa de crescimento dos gastos públicos”. Pretende reduzir o papel dos bancos públicos na oferta dos créditos, dizendo claramente que vai “definir critérios mais rigorosos para a concessão de créditos subsidiados” e que pode, inclusive, descontinuar tais políticas. A redução dos gastos públicos precisa ser feita, segundo o programa tucano, para conter a dívida pública. Mas eles ignoram o fato de que durante o governo de FHC a dívida líquida do setor público representava 60% do PIB, hoje representa 34%.

Aécio já anunciou o seu ministro da Fazenda, o ex-presidente do Banco Central dos anos FHC, Armínio Fraga, homem que defende abertamente o arrocho salarial, a redução de direitos trabalhistas que “elevam o custo Brasil” e grande defensor do capital financeiro. Atrás da retórica de que é preciso reduzir os juros, mais uma vez nega a informação de que em 2002 a taxa Selic era de 18.9%, enquanto em 2012 era de 8,5%. (aspas extraídas do programa de governo de Aécio que consta do seu site de campanha).

Ou seja, foi essa orientação econômica que, apenas em certa medida, foi alterada pelos governos Lula e Dilma. Digo isso porque o rompimento com a política macroeconômica ortodoxa deveria, na avaliação de muitos economistas, ter sido maior. Para alavancar o desenvolvimento econômico com base na produção e na geração de emprego e renda é indispensável que o Estado tenha papel destacado na indução deste projeto.

A diferença entre os dois projetos fica clara ao se comparar o desempenho da economia durante o governo de FHC e os últimos 12 anos. O PIB brasileiro era de R$ 1,48 trilhões em 2002 e saltou para R$ 4,84 trilhões em 2013 – mesmo com o cenário internacional desfavorável em razão da crise. Houve crescimento econômico no Brasil graças à política de investimento público, de enfrentamento dos problemas de infra-estrutura, com a realização de obras de grande porte, que geraram emprego com carteira assinada e renda no país. Em razão disso, o PIB per capita subiu de R$ 7,6 mil reais em 2002 para R$ 24,1mil em 2013. 

Indústria nacional e comércio exterior

O programa de Aécio Neves também não esconde a sua discordância com as várias políticas de valorização da indústria nacional e do mercado interno. Respeitando a lógica neoliberal de reforçar o papel do mercado e colocar a "competitividade" como chave mestra para o desenvolvimento da economia, diz que o Brasil precisa se integrar ao mundo, o que impõe reforçar as relações comerciais com Estados Unidos e Europa. 

A ideia é um contraponto à política externa de valorização das relações comerciais que privilegiam o eixo Sul-Sul e a integração com a América Latina. Seu programa critica abertamente o Mercosul e retoma a bandeira da Área de Livre Comércio das Américas. Se o Brasil tivesse ingressado na Alca, hoje o tsunami que devastou a economia norte-americana, em 2008, teria colocado o nosso país em uma situação gravíssima. Imagine como seria a história se o Brasil fosse, ainda, credor do Fundo Monetário Internacional nos marcos desta crise? Se não fosse a diversificação do comércio exterior – que nos anos FHC eram praticamente apenas com EUA e Europa – o Brasil teria literalmente quebrado.

O que nos permitiu resistir à crise foi justamente as políticas de fortalecimento do mercado interno e da indústria nacional e as novas parcerias comerciais. E o que Aécio propõe é retroceder à submissão econômica aos EUA e Europa, abandonar as políticas regionais de integração e ampliar a “competitividade” dos produtos nacionais com os estrangeiros, reduzindo as cargas tributárias sobre as exportações. Por isso eu não voto em Aécio Neves de jeito nenhum.

Eu defendo o fortalecimento do mercado interno, da indústria nacional, um posicionamento mais soberano do Brasil no mundo. Isso só foi viável porque os governos de Lula e Dilma investiram nos BRIC's, estimularam o Mercosul e participaram de outras iniciativas de integração econômica na América Latina.

Veja mais alguns dados econômicos* que comparam o desempenho do país a partir de 2002:

Posição entre as Economias do Mundo
2002 - 13ª
2014 - 7ª

Reservas Internacionais (Fonte: Banco Central)
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares

Investimento Estrangeiro Direto (Fonte: Unctad-ONU)
2002 – 16,6 bilhões de dólares
2013 – 64 bilhões de dólares

Exportações (Fonte: Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio)
2002 – 60,3 bilhões de dólares
2013 – 242 bilhões de dólares

Produção de veículos (Fonte: Anfavea)
2002 – 1,7 milhões
2013 – 3,7 milhões

Safra Agrícola (Fonte: IBGE)
2002 – 97 milhões de toneladas
2013 – 188 milhões de toneladas

Índice Bovespa (Fonte: Bovespa)
2002 – 11.268 pontos
2013 – 51.507 pontos

Valor de Mercado da Petrobras (Fonte: Petrobras)
2002 – R$ 15,5 bilhões
2014 – R$ 104,9 bilhões

Lucro médio da Petrobras (Fonte: Petrobras)
Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano

Falências Requeridas em Média/ano (Fonte: Serasa)
Governo FHC – 25.587
Governos Lula e Dilma – 5.795


* Parte destes dados já foram divulgados em outros sites, blogs e portais. Antes de reproduzi-los aqui eu chequei um a um e, ao lado, acrescentei a fonte que estou utilizando.

O chapeiro e o dono da padaria


Curso Profissionalizante de Chapeiro e Lancheiro


Não precisa ser marxista para concordar que as necessidades do chapeiro e do dono são diferentes

As vitórias da Dilma, no Nordeste, do Aécio, no Sudeste e a mesma divisão mostrada pelo Datafolha para o segundo turno ressuscitaram o velho preconceito de que pobre não sabe votar. Os mais ricos e escolarizados escolheriam racionalmente e votariam no PSDB, enquanto os mais pobres e com menos anos de estudo, iludidos pelas "esmolas" e falsas promessas do governo, fechariam com o PT.

Essa ideia equivocada deriva de uma falsa premissa: a de que existiria o voto certo e o errado. Candidaturas não representariam interesses distintos de diferentes camadas da sociedade, mas sim a verdade ou a mentira. Uma eleição não seria, portanto, uma escolha entre múltiplas propostas, mas se assemelharia àquele golpe em que, sobre um tabuleiro, uma pessoa vai rolando uma bolinha e a escondendo cada hora sob um de três copos; no fim, você tem que descobrir qual copo esconde a bola, quais estão vazios; qual candidatura é a certa, boa para todos, quais são as vazias, querendo nos enganar.

Ora, bolas, o Nordeste não deu 60% dos votos à Dilma porque foi enganado por ela. Deu porque, sob o PT, as condições de vida daqueles milhões de eleitores melhoraram. E o mensalão? E o escândalo da Petrobras? E a inflação? Nada disso conta? Não a ponto de escolherem outro candidato. É um voto racional.

A mesma coisa vale para os 39,45% do Aécio no Sudeste. O sudeste é mais rico, vê seus interesses representados pelo candidato, não precisa tanto de programas sociais --só quer menos Estado, evidentemente, quem não depende dele. E o mensalão mineiro? E o escândalo do metrô? E a compra de votos pra reeleição? Nada disso conta? Não a ponto de escolherem outro candidato. É um voto racional.

Na boa: você não precisa ser marxista-leninista pra concordar que as necessidades do chapeiro são diferentes das do dono da padaria, vai?

Na quinta, Armínio Fraga e Guido Mantega foram entrevistados por Miriam Leitão, na GloboNews. O que Armínio dizia era, numa livre tradução, que o PT está quebrando a padaria e, caso isso aconteça, quem mais se estrepará será o chapeiro. Mantega se defendia afirmando que a padaria não está quebrando, só está com pouco movimento por conta da crise mundial. E lembrava que, mesmo nesse período difícil, o Brasil manteve contínuos aumentos de salário e seguiu contratando chapeiros. Armínio rebatia que a crise já tinha passado e as outras padarias estão melhores que a nossa e acusava o governo de só manter o emprego e o salário nesses níveis na base da gambiarra. As planilhas estariam cheias de araminho e fita isolante. É a crise!, se defendia Mantega, alegando que na hora do dilúvio é mais importante botar a bacia embaixo da goteira que consertar o buraco no teto. Uma hora o teto vai cair, vaticinava Armínio. Com a gente, nunca caiu, se orgulhava Mantega, com vocês, caiu três vezes! Era a crise, se defendia Armínio. O que importa é que as pessoas estão bem, sorria Mantega. O que importa é que o balancete vai mal, sorria Armínio.

E eu, que não sou chapeiro nem dono de padaria, fiquei com a sensação de que os dois tinham razão e estavam errados, alternadamente.

ANTONIO PRATA, escritor e colunista de "Cotidiano", escreve aos domingos neste espaço.
http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/10/o-chapeiro-e-o-dono-da-padaria.html

Aecinho foi aspone da Câmara Federal dos 17 aos 21 anos?

Miguel do Rosário, Tijolaço  



O Brasil ainda não conhece Aécio Neves.

Sua propaganda eleitoral apenas repete que ele foi “neto de Tancredo”.
Aos poucos, descobre-se que seu discurso de meritocracia é somente para os outros.

Ele mesmo sempre viveu de favor político, obtendo empregos públicos por indicação desde a adolescência.

Foi nomeado diretor da Caixa Econômica, pelo Sarney, aos 25 anos.
 Descobriu-se também que ele ganhou uma rádio, do mesmo Sarney, alguns anos depois.


E agora a Carta Maior descobriu outra novidade, ainda mais cabeluda.
Com apenas 17 anos, Aécio Neves foi “aspone” da Câmara Federal, em Brasília, morando no Rio!

Atente para a biografia do gajo. Em toda a sua vida, Aécio acumulou sinecuras, ou seja, empregos públicos por indicação política, em função de seu sobrenome.

Este é o homem que vem falar em meritocracia…"

PT paga o preço de ter alimentado mídia hostil


"Como nunca se viu numa eleição presidencial no Brasil, unanimidade comemorativa na mídia contra candidatura do PT; presidente Dilma Rousseff paga o pato de sofrer impacto de todas as manchetes contra, capas de revista, Jornal Nacional etc; convívio do partido com a chamada "imprensa burguesa" sempre foi difícil; Dilma passa a defender Lei de Meios, que não entrou no programa dela por falta de consenso; baixa clareza da agremiação sobre relacionamento com famílias Marinho, Frias, Civita, Mesquita e poucas outras pode custar caro: o poder; racha sem volta
Brasil 247 

 Nunca houve clareza no PT sobre como se relacionar com a mídia tradicional e familiar. A negação, a crítica, o distanciamento sempre foram as marcas mais visíveis da relação.  O relacionamento que continha desprezo e até ojeriza nos primeiros tempos de formação do partido, no ABC – quando os jornalistas em geral eram chamados de petistas e Lula e o comando dos sindicalistas rechaçavam o diálogo  com "a imprensa burguesa" - tornou-se agora de vida ou morte. Esse  longo braço de ferro com a mídia tal qual ela sempre foi conhecida – Globo, da família Marinho, Folha, dos Frias,  Estado, dos Mesquista etc etc – está perto de uma definição. Como nunca antes, todos os veículos de maior faturamento comercial e circulação do País estão rasgadamente contra o PT – e o PT definitivamente contra todos. É a final da luta do século, com revanche para sabe-se lá quando houver novas eleições gerais.

Nesta eleição, o caso virou briga de rua, em que vale, expressamente, tudo. Concretamente, vale até o maior vazamento eleitoral da história do Brasil. De fato, nunca se tinha visto antes uma operação tão orquestrada, de na hora certa da eleição a voz do delator premiado Paulo Roberto Costa aparecer em todas as mídias para entregar "3% para o PT" nos contratos que ele operava na Petrobras. O espaço natural que o vazamento iria mesmo ocupar no noticiário, na abertura da reta final da eleição, em pleno empate técnico entre a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves, foi amplificado ao último volume  Neste final de semana, para completar a blitzkrieg, tratamento extra VIP é dado neste final de semana pelas revistas Veja e Época, em campanha desabrida pelo candidato do PSDB.

Finalmente, agora, com a maior aliança de mídia já feita no Brasil explicitamente contra uma candidatura presidencial – a de Dilma, como todos sabem -, o PT sabe o que fazer. Após ter passado 12 anos no poder sem ter uma proposta consensual sequer a respeito de uma renovação, que seja, da legislação que regula os meios de comunicação no Brasil, o partido tem uma proposta de legislação para o setor de mídia.

A chamada Lei de Meios, que não foi incluída no programa oficial da candidatura Dilma por veto da presidente, o que demonstrou a falta de consenso, voltou à baila. E pela voz da própria Dilma, que disse a blogueiros finalmente ter aderido à ideia de mudar as normas que permitem a maior concentração de propriedade do mundo, monopólio, participações cruzadas e, é claro, autoregulamentação publicitária. Um espetáculo de privilégios que foi brindado com reserva de mercado desde os tempos do regime militar, com as leis que impedem a participação de grupos estrangeiros no controle da empresas de comunicação. Por baixo do pano, ainda nos anos 1960, a Globo quebrou essa regra, mais tarde a Abril se capitalizou com sul-africanos apresentados pela CIA, e a concentração só se fortaleceu.

O partido, conscientemente, fez sua trajetória na diagonal dos meios que encontrou implantados, quando, segundo o PT dos primeiros tempos, a história do Brasil estava começando, exatamente porque o partido surgia. Agora, porém, a aposta é alta, do tipo quem vencer leva tudo: a radicalização sem precedentes ou vai mudar tudo, em caso de vitória de Dilma, ou tende a tornar o setor ainda mais concentrado na propriedade.
O impacto de toda a mídia de um País, de uma vez só, veicular a voz BBB de Costa disparando contra o PT coroou o movimento de rasgar de fantasia da mídia. O caso virou, é claro, comentário de botequim. A Folha, que nos comerciais diz que é a favor disso, contra aquilo, que é democrática, etc, passou recibo no Facebook ao publicar um meme de Aécio em festa como se fosse do próprio jornal. "Também estamos em festa" foi o recado. De bandeja, em seguida, aparece o vídeo de Costa, com o dedo no olho do PT. E contra esse "golpe", assim classificado pela própria Dilma, o partido se debate agora.

Será um feito não menor que o espetacular a presidente Dilma conter danos à sua imagem eleitoral debaixo da verdadeira operação "Tempestade no Deserto" desfechada pela mídia tradicional. A presidente tem algum tempo para se recuperar, mas deve contar que novos ataques virão. Quem sabe não aparece logo logo uma fita com o depoimento do doleiro Alberto Yousseff? As fontes são praticamente as mesmas.

A linha escolhida é da denúncia da operação orquestrada. "Um golpe", como definiu a presidente, no que foi acompanhada por seu coordenador de campanha Miguel Rossetto. Não se sabe se vai dar certo, mas que, a esta altura do campeonato, é a única posição que restou ao PT, quanto a isso não há nenhuma dúvida na direção partidária. De Lula a Rui Falcão, e passando por Rossetto, a renovada briga contra a mídia ganhou também a posição da presidente Dilma.

A relação de disputa entre a mídia e o PT está sendo travada no campo em que, paradoxalmente, a própria mídia queria. O PT nunca conseguiu – ou melhor, nunca nem tentou – criar a sua própria base de informação própria.

Ainda que o atual presidente do partido, Rui Falcão, seja um jornalista que chegou a cargos de comando em sua carreira. Experiências bem sucedidas como a TV dos Trabalhadores, da CUT, não mereceram o carinho devido da direção do partido para crescer e se multiplicar. Na mídia de papel, jamais o PT quis ter um jornal próprio, no que, nesse particular, foi uma negação pouco inteligente da secular experiência do PCB, pela esquerda, em ter seus próprio veículo. Ou não quis, ou não soube fazer.

No PT, assunto de mídia sempre foi segredo guardado a sete chaves. Não há notícia de que a direção partidária, desde a fundação da agremiação, tenha liderado um diálogo amplo para tratar do tema. Mesmo a proposta de Lei de Meios não é clara para a maioria dos militantes. Provavelmente, cada um que se ocupa do tema tem seu próprio projeto."