quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Um papa sem encanto




“A renúncia de Bento XVI contem lições interessantes.

Paulo Moreira Leite, ÉPOCA

“Empossado com um programa que pretendia reconduzir a Igreja para um mundo fechado nela mesma, voltada exclusivamente para debates de natureza espiritual, longe das questões que afligem os homens e mulheres do mundo, Bento XVI deixou o trono da Igreja em ambiente de decepção e melancolia.

Um de seus admiradores afirma que, embora tenha sido um grande teólogo, Bento XVI fracassou como Papa.

Não é de surpreender. Não tenho a menor condição de debater teologia. Mas, ateu desde a infância, tenho capacidade de examinar os Papas como aquilo que são – chefes políticos da Igreja. E é nesta função que o fracasso de Bento XVI contém elementos didáticos.

Embora o conservadorismo católico tenha produzido vários representantes ao longo da História da Igreja, Bento XVI não era apenas um Papa fora do tempo – era um Papa contra seu tempo.

Num mundo onde a cultura tornou-se plural, as sociedades se mostram complexas, os cidadãos se recusam a abrir mão de sua autonomia, seus direitos e opções de vida, a proposta de Bento XVI era uma forma de clausura política e cultural.

Ele se recusava a dar respostas consistentes para a vida das pessoas do século XXI, fosse em relação a vida em família, aos direitos das mulheres, às angustias dos mais pobres.

Alguém acha viável ter audiência junto às mulheres sem falar sobre aborto?
   
Ou conversar com a juventude sem falar da liberdade sexual?  

Ou procurar audiência junto às grandes populações do planeta sem responder à pobreza, à desigualdade?

Basta assistir a uma missa num bairro popular de São Paulo – recomendo a Achiropita, no Bixiga – para se entender o que estou dizendo. É fácil perceber quando os fiéis prestam atenção, quando se empolgam, quando ficam entediados. 

Este conservadorismo radical  de Bento XVI queria transformar o isolamento social da Igreja em virtude.

Antecessor de Bento XVI, João Paulo II era um Papa conservador, que deu início a uma política de combate à Teologia da Libertação e mesmo perseguição ao clero comprometido com os interesses dos mais pobres e oprimidos, como aconteceu em São Paulo, com dom Paulo Evaristo Arns – cardeal que esteve longe de liderar alguma fração esquerdista da Igreja, mas jamais abandonou valores como o respeito pelos direitos humanos e a democracia.

Mas João Paulo II nunca deixou de dar respostas – à sua maneira – às questões da vida concreta. Sua pregação tinha elementos democráticos, sua mensagem procurava responder ao sofrimento de homens e mulheres comuns – e por isso ele atraía multidões por onde passava. As viagens de Bento XVI jamais tiveram a mesma vibração nem a mesma acolhida, num sinal de que seu papado acentuou uma tendência histórica da Igreja.

No início dos anos 80, o francês Marcel Gauchet escreveu um clássico sobre as religiões, “O Desencantamento do Mundo”. Ele explica a decadência universal do catolicismo pelas mudanças na vida em sociedade.

Para Gauchet, o apogeu da religião ocorreu em épocas históricas em que as pessoas acreditavam que viviam num mundo encantado. Simplificando uma teoria muito mais complexa: homens e mulheres acreditavam viver num mundo em que a religião era uma forma de magia. Atribuíam aos céus suas alegrias e tristezas, sucessos e desgraças. Pensavam que a colheita era obra divina, tinham certeza de que havia uma vida após a morte – e atribuíam cada passo da existência à decisão de Deus. Acreditavam em milagres.
Naquele mundo de encantamento, temia-se o pecado como uma ação terrível – e a punição divina como um castigo material.

Na medida em que a sociedade de modificou, os meios de subsistência evoluíram, a educação e o conhecimento se ampliaram inclusive para as populações muito pobres,  muitas conquistas científicas se mostraram indispensáveis para o bem-estar de todos, era preciso falar a outros homens e mulheres, outras angústias e preocupações. João XXIII e, em certa medida, Paulo VI fizeram esforços neste sentido. Ao contrário do que sugeriam seus inimigos, a Teologia da Libertação e correntes semelhantes ajudaram a prolongar a audiência da Igreja. Deram-lhe uma audiência que as correntes conservadoras jamais teriam alcançado.

O projeto de Bento XVI era fazer o caminho de volta. Chegava a dizer que preferia uma Igreja menor e menos influente, mas composta por fiéis convictos e irredutíveis, do que uma comunidade ampla e pouco consistente.

Foi esta sua aposta política.

Um engano, que o crescimento das igrejas pentecostais demonstram pelo avesso: conseguem combinar a angustia material dos mais pobres com a promessa de milagres aqui e agora.
Falando a um mundo em que poucos creem, Bento XVI desencantou-se.”     

A RENÚNCIA DE BENTO XVI - MOTIVOS PARA MUITO ALÉM DE UM MARCA-PASSO

TEMPESTADE SOBRE O VATICANO


A renúncia do Papa Bento XVI tem por trás do motivo alegado: 'cansaço físico', outro tipo de cansaço, decorrente dos cada vez mais frequentes e difíceis de serem encobertos, incidentes que mostram a divisão entre os influentes cardeais que controlam o VATICANO e o descontrole sobre questões vitais como pedofilia, desvio de dinheiro, celibato e casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Vaticano conseguiu ocultar que Bento XVI passou por uma cirurgia cardíaca, dois episódios de Isquemia e é portador de um suposto problema de Próstata, mas, não dá mais para fingir que a igreja católica atravessa uma crise sem precedentes, da qual só sairá "INTEIRA" se for transparente e renovar suas práticas. 

Vaticano revela que Papa vive há anos com marca-passo

Brasília - Um dia após o anúncio da renúncia do papa Bento XVI, o Vaticano informou hoje (12) que o pontífice, de 85 anos, vive com um marca-passo há anos. A declaração foi feita pelo porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, que reiterou, entretanto, que o líder máximo da Igreja Católica não está com nenhuma doença grave.

Lombardi acrescentou que a última aparição pública de Bento XVI será em uma missa na Praça de São Pedro em 27 de fevereiro, um dia antes de ele deixar o posto no qual permaneceu durante os últimos sete anos. Segundo o porta-voz, o pontífice também não terá nenhum papel na administração da Igreja Católica após sua saída do cargo, nem terá influência formal na escolha do sucessor.

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Segundo reportagem publicada pelo jornal italiano Il Sole 24, o papa submeteu-se a uma cirurgia para substituir o marca-passo há três meses. O aparelho regula os batimentos cardíacos com estímulos elétricos.

Em sua coletiva no Vaticano, Lombardi confirmou que as baterias do aparelho foram trocadas na operação de rotina. "Isso não influenciou de qualquer maneira a decisão (sobre a renúncia). Simplesmente, ele constatou que sua vitalidade estava diminuindo com o avanço da idade", explicou Lombardi.

O irmão do pontífice, Georg Ratzinger, disse que o papa havia sido aconselhado por seu médico a não mais fazer viagens transatlânticas. Ele acrescentou que Bento XVI estava pensando em renunciar há meses.

"Quando ele chegou aos 85 anos, sentiu que sua idade estava pesando e que gradativamente estava perdendo suas habilidades, o que o impedia de executar as funções apropriadamente", afirmou Ratzinger à BBC, de sua casa em Regensburg, na Alemanha. Para o irmão do pontífice, a renúncia foi um "processo natural".

O Vaticano agora espera que um novo papa seja eleito antes da Páscoa. Lombardi ressaltou que Bento XVI "não interferirá, sob qualquer hipótese", na eleição do sucessor, que será escolhido por 117 cardeais durante um conclave realizado na Capela Sistina, dentro do Vaticano.

Analistas dizem que os candidatos europeus são favoritos na disputa papal, incluindo os arcebispos de Milão, o italiano Angelo Scola, e de Viena, Christoph Schönborn, ex-aluno de Bento XVI. Outros fortes candidatos podem emergir da África e da América Latina, onde o número de católicos é alto. Entre os possíveis nomes que substituiriam o atual pontífice estão o cardeal Peter Turkson, de Gana, o cardeal Francis Arinze, da Nigéria, e o cardeal-arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer.

Segundo Lombardi, o pontífice deve celebrar uma missa na Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma para os católicos. O último evento público do pontífice, porém, deve ser uma cerimônia na Praça de São Pedro no dia 27 de fevereiro, na qual ele deve se despedir dos fiéis.

Após essa celebração, de acordo com o Vaticano, Bento XVI irá à residência papal no vilarejo de Castel Gandolfo, perto de Roma, antes de partir rumo à clausura em um monastério reformado usado por freiras para um período de orações e reflexão.

"Ele permanecerá em Roma e certamente terá alguns deveres. Além disso, continuará a estudar de maneira a ascender intelectual e teologicamente", disse o irmão do papa à BBC. "Onde for preciso, ele estará disponível, mas não quer interferir nos assuntos de seu sucessor", acrescentou.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Se não está fácil para o papa…



Foto: ©AFP / Vincenzo Pinto
Matheus Pichonelli, CartaCapital

“Vamos combinar: não deve ser fácil ser papa hoje em dia. Quando foi escolhido para comandar a Santa Sé, em 2005, as ferramentas que mudariam os canais de interlocução entre o público e as autoridades eram ainda uma novidade. Havia internet, havia uma cobertura intensa do conclave, havia todo tipo de análise de todos os calibres sobre o futuro da Igreja Católica.

Quase oito anos depois, Bento 16, sem o carisma do antecessor João Paulo II, tinha nas costas não apenas a missão de estancar a hemorragia de fiéis num tempo de convicções seculares, mas também a de atrair um público jovem cada vez mais conectado, cada vez mais ativo, cada vez menos interessado em verdades inabaláveis. Não foi por outro motivo que o papa aderiu ao Twitter, um púlpito bem diferente daquele a que todos os antecessores, a começar por São Pedro apóstolo, haviam reinado.

Oficialmente, a renúncia de Joseph Ratzinger é explicada pela saúde debilitada. Há relatos sobre ordens médicas para que evitasse grandes deslocamentos para se poupar. Em livro de memórias, ele já havia manifestado o desejo de deixar o pontificado caso a saúde limitasse sua missão. É uma explicação plausível, dada a idade avançada do sumo pontífice (ele tem 85 anos). Mas há também de se levar em conta a discrepância entre a missão herdada e a capacidade de Bento 16 conduzi-la.

Os canais de interlocução que ora eram anunciados como pontes entre a Igreja e os novos tempos são as mesmas a expor as fraturas expostas de uma instituição combalida. Os inúmeros, incontáveis escândalos sexuais e outros desvios protagonizados por quem detém, supostamente, o monopólio da fé, da bondade e da caridade hoje não permanecem mais de dois minutos debaixo do tapete. As reações também.

O resultado é que, embora  conectados a ferramentas atualizadas de comunicação, o papa e sua Igreja seguiram com um velho discurso construído em dogmas e tabus pouco atualizados do século primeiro até aqui. Num mundo que pede igualdade de oportunidades, direitos e deveres, o papa discorria sobre os “perigos” do casamento gay e condenava os avanços que tornaram a humanidademelhor, mais humana e mais livre em relação a tempos remotos (como a camisinha, a pílula e o desapego às instituições familiares e patriarcais). Não que este anacronismo estivesse ausente em postulados recentes; é que, antes, as tecnologias não permitiam tal assimilação. Como o papa relutante de Nanni Moretti, que em seu Habemus Papam parecia ter previsto uma fábula sóbrio o vácuo de liderança do mundo atual, Bento 16 pode ter se dado conta de que sua posição não o tornou imune ao escrutínio humano. Num passado recente, a aura em torno de uma autoridade e seu circulo de asseclas eram barreira protetora diante das demandas e manifestações populares. O exercício de poder é um exercício, portanto, de autoilusão, até que alguém da rua grite que o rei está nu.

Hoje esta distância praticamente inexiste: os canais de interlocução criam reações automáticas, assustadoramente rápidas até para nativos digitais. Em outras palavras: aqui se paga o que se fala, o que se escreve. E nunca foi tão fácil descobrir o quanto um líder é amado ou odiado.

Se em algum momento o papa Bento 16 se perguntou “que rei sou eu”, a internet e outros canais não o deixaram sem respostas, estas que faltam na Bíblia e sobram nas ruas.”

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Enfim uma boa notícia... Papa Bento XVI renuncia

Papa Benedicto XVI anuncia su dimisión como Sumo Pontífice

Benedicto XVi se convierte en el primer papa que decide renunciar
"El Papa anunció que renunciará a su ministerio a las 20.00 horas locales (19.00 GMT) del 28 de febrero. Comenzará así un período de 'sede vacante'", precisó el padre Federico Lombardi, en un anuncio prácticamente sin precedentes en la iglesia Católica.
El papa Benedicto XVI anunció este lunes que tiene previsto renunciar como Sumo Pontífice el próximo 28 de febrero "por falta de fuerzas", durante un discurso pronunciado en latín en medio de una canonización en la Santa Sede de El Vaticano.
"El Papa anunció que renunciará a su ministerio a las 20.00 horas locales (19.00 GMT) del 28 de febrero. Comenzará así un período de 'sede vacante'", precisó el padre Federico Lombardi, en un anuncio prácticamente sin precedentes en la iglesia Católica.
El alemán Joseph Aloisius Ratzinger, de 85 años de edad, expresó que “siendo muy consciente de la seriedad de este acto, con plena libertad, declaro que renuncio al ministerio de Obispo de Roma, Sucesor de San Pedro, que me fue confiado por medio de los Cardenales el 19 de abril de 2005, de forma que, desde el 28 de febrero de 2013, a las 20.00 horas, la sede de Roma, la sede de San Pedro, quedará vacante”.
En ese sentido, Benedicto XVI recordó que para esa fecha “deberá ser convocado, por medio de quien tiene competencias, el cónclave para la elección del nuevo Sumo Pontífice”.
A continuación, el discurso íntegro pronunciado por el Papa, este lunes, al anunciar su dimisión:
"Queridísimos hermanos,
Os he convocado a este Consistorio, no sólo para las tres causas de canonización, sino también para comunicaros una decisión de gran importancia para la vida de la Iglesia.
Después de haber examinado ante Dios reiteradamente mi conciencia, he llegado a la certeza de que, por la edad avanzada, ya no tengo fuerzas para ejercer adecuadamente el ministerio petrino. Soy muy consciente de que este ministerio, por su naturaleza espiritual, debe ser llevado a cabo no únicamente con obras y palabras, sino también, y en no menor grado, sufriendo y rezando.
Sin embargo, en el mundo de hoy, sujeto a rápidas transformaciones y sacudido por cuestiones de gran relieve para la vida de la fe, para gobernar la barca de San Pedro y anunciar el Evangelio, es necesario también el vigor tanto del cuerpo como del espíritu, vigor que, en los últimos meses, ha disminuido en mí de tal forma que he de reconocer mi incapacidad para ejercer bien el ministerio que me fue encomendado.
Por esto, siendo muy consciente de la seriedad de este acto, con plena libertad, declaro que renuncio al ministerio de Obispo de Roma, Sucesor de San Pedro, que me fue confiado por medio de los Cardenales el 19 de abril de 2005, de forma que, desde el 28 de febrero de 2013, a las 20.00 horas, la sede de Roma, la sede de San Pedro, quedará vacante y deberá ser convocado, por medio de quien tiene competencias, el cónclave para la elección del nuevo Sumo Pontífice.
Queridísimos hermanos, os doy las gracias de corazón por todo el amor y el trabajo con que habéis llevado junto a mí el peso de mi ministerio, y pido perdón por todos mis defectos.
Ahora, confiamos la Iglesia al cuidado de su Sumo Pastor, Nuestro Señor Jesucristo, y suplicamos a María, su Santa Madre, que asista con su materna bondad a los Padres Cardenales al elegir el nuevo Sumo Pontífice. Por lo que a mi respecta, también en el futuro, quisiera servir de todo corazón a la Santa Iglesia de Dios con una vida dedicada a la plegaria.
Vaticano, 10 de febrero 2013".
No teleSUR

PT faz aniversário, programa festas e lança campanha por reforma política



"O Partido dos Trabalhadores (PT) comemora 33 anos de existência hoje (10) e organiza uma semana de eventos para lembrar a data. Destacam-se uma exposição multimídia instalada na Câmara dos Deputados, em Brasília, mostrando a trajetória do partido desde sua fundação, e uma comemoração no dia 20 de fevereiro, em São Paulo, para filiados e convidados, com presenças já confirmadas da presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. 

A festa marcará também os 10 anos de governo federal do PT.  ”Vamos celebrar as grandes conquistas, as mudanças no Brasil nos últimos dez anos, o fim da dependência ao FMI, o aumento do salário mínimo, o fim da miséria extrema, enfim, indicadores que mostram que nós temos hoje outro Brasil”, disse o presidente Rui Falcão, em vídeo divulgado para marcar a data.
As comemorações também levarão em conta o ano pré-eleitoral. A intenção do PT é renovar as direções da sigla nos estados neste Processo de Eleição Direta (PED). “A nossa meta é ter mais filiados votando, do que no último PED, quando estiveram 520 mil filiados”, afirmou Falcão.

Correndo em paralelo com o PED, o partido também organiza um congresso para atualização programática. Na reunião preparatória do evento, em Fortaleza, já será colocada em prática a coleta de assinaturas para uma emenda popular em defesa da reforma política eleitoral do Brasil."

Com informações do Sul-21 e do site www.pt.org.br

Assista o vídeo de Rui Falcão sobre os 33 anos do PT e agenda de comemorações



Por uma mídia que ouse ser ética



Mariana Martins, Observatório do Direito à Comunicação

“Mais uma vez o que me motiva a sair da inércia para escrever é a nossa mídia, aquela mesma de sempre, ávida pelo lucro e cheia de vaidades. A mídia não é um ser inanimado, ela é feita de pessoas. A mídia é feita, principalmente, de jornalistas que devem receber uma formação para saber, antes de tudo, o que é notícia e o que é espetacularização. Jornalistas que devem sempre optar pela notícia.

É uma pena que, em todas as tragédias, nós tenhamos péssimos exemplos da nossa imprensa. As coberturas são traumáticas. A grande maioria tenta logo de saída fazer das tragédias grandes espetáculos. Procuram por parentes, procuram por vítimas, procuram por testemunhas. Pessoas que, por tão intensamente envolvidas, podem não querer colocar mais uma vez o dedo na ferida. Pessoas que estão tendo que prestar depoimentos na polícia e assim por diante. (Esse tipo de fonte deve ser usada com muita cautela e parcimônia; eu diria que em doses homeopáticas. Nunca podem ser o foco da cobertura). Os jornalistas procuram também por fotos, imagens de qualquer tipo, mas que de preferência mostre desespero, mostre aflição e, na maioria das vezes, que mostrem corpos. Corpos estendidos no chão, amontoados, enfim, corpos. Cenas dos familiares recebendo as notícias, se despedindo dos entes, em momentos de profunda dor e de uma dor familiar, privada e não pública. E essas histórias se repetem a exaustão, por vários e intermináveis dias.

Convido todos os jornalistas, mas em especial os das emissoras e veículos públicos para pensar sobre a cobertura das tragédias. Estes últimos em destaque porque, por princípio, deve ousar e fazer diferente. Primeiramente, vou pedir para que vocês não pensem na audiência, o que pode ou não “trazer gente para matéria”. Não pensem em alavancar audiência para veículo A ou B, não vejam isso como tábuas de salvação para o “sucesso” de vocês.

Convido vocês a pensar então na notícia. Será que todas as imagens - sejam fotos, sejam vídeos na internet que vocês colocaram na matéria - têm, de fato, o propósito de contribuir com a informação? Já sei que você vai me responder que todo mundo clica no vídeo e na imagem, que todo mundo quer ver sim aquelas imagens. E eu vou refazer a pergunta destacando a ideia principal do questionamento que é: a imagem tem relevância para aquela informação que você está dando como notícia? É essa relação muito tênue do que você precisa dar com o que as pessoas “querem ver” que precisa ser repensada. É nela que reside a audiência como preciosidade e, muitas vezes, não é só o lucro em si que move esse interesse, é a audiência mesmo, é mostrar que está bem, é fazer sucesso. É dizer que bateu o site A, B ou C, é dizer que teve mais Ibope que o programa tal e o programa tal.”
Matéria Completa, ::AQUI::

domingo, 10 de fevereiro de 2013

A Coca-Cola e o campo de distorção da realidade



Manifestação do dia 4 de outubro de 2012 - POA
Todo ser humano é o mestre da sua própria realidade. Estamos criando ela o tempo todo, mas temos a tendência de entregar o nosso poder para autoridades externas que se proclamam conhecedoras da verdade e alegam querer o melhor para nós. 

Por trabalhar na área da educação, faz algum tempo que acompanho e observo as publicidadesproduzidas pela Coca-cola, que tem aproveitado a busca intrínseca do ser humano de descobrir a si próprio, de modo a associar o seu produto a esta necessidade e, assim, criar maior mercado de consumo.
Associação do produto à identidade das pessoas
"Não saber quem somos" é o incentivo por trás da mudança, crescimento e expansão em nosso mundo. Guardamos uma espécie de saudade de um estado de consciência em que consigamos ser nós mesmos, sem que estejamos limitados por padrões, julgamentos ou rótulos. Este estado de consciência, ao qual me refiro, guarda os potenciais adormecidos para a liberdade e a maestria sobre nós mesmos. Na educação, trabalhamos com esta busca de identidade na formação emocional de jovens e adultos e, a cada dez pessoas perguntadas sobre quem elas verdadeiramente são, reconhecemos que, em grande parte, a maioria vive em crise: ora se identificando com suas qualidades; ora com seus defeitos; ora com traços da personalidade como profissão ou papéis sociais que cumpre, etc. 
Ao identificar-se com papéis sociais e imagens externas a você mesmo, sua consciência é colocada sobre uma gangorra, estando sempre sujeita aos altos e baixos da sua personalidade. Por este motivo, temos uma questão que move o ser humano a ir para frente, de modo a encontrar-se e libertar-se dos condicionamentos, rótulos e julgamentos, que normalmente o tiram do seu centro de equilíbrio. 
A Coca-cola, desse modo, criou uma associação do seu produto à identidade física do ser humano, sabendo que a sua auto-estima está apoiada sobre a externalidade de si e não ao seu âmago mais profundo. 
Este objetivo não é levá-lo a conhecer-se e nem explorar seu real potencial, mas manipulá-lo a tal ponto que você faça da indústria do refrigerante o seu modo e sistema de pensar. Ninguém pode organizar a própria vida sem algum sistema de pensamento. E uma vez que tenhamos desenvolvido um sistema de pensamento qualquer, viveremos em função dele. Como isto acontece? Veremos adiante.
A utilização de palavras-chaves associadas à imagem do produto da Coca-cola, constitui naquilo que conhecemos modernamente como "mapa mental". Um mapa mental é uma ferramenta poderosa no que se refere à aprendizagem, pois por meio dele conseguimos atingir as duas áreas do cérebro, emocional e racional, e fazer com que informações sejam retidas na memória de longo prazo. Porém, a forma como a Coca-cola vem utilizando esta ferramenta produz um fenômeno também conhecido na área da educação como "campo de distorção da realidade".  Vejamos a seguinte publicidade:
Aqui temos a imagem do produto associada às palavras-chaves "Abra a felicidade". Uma imagem é o método mais poderoso de comunicar uma idéia. As imagens são um meio de exercer poder sobre as pessoas, já que possuem um impacto muito forte sobre o lado emocional do cérebro. Quando elas estão associadas a palavras-chaves e estas fazem referência às necessidades dos seres humanos, ocorre um fenômeno típico: os mapas mentais tornam as pessoas subservientes a ponto de desconectá-las das suas verdadeiras necessidades, de modo que troquem suas próprias necessidades pelo produto, sem o uso da força física ou da violência. Isto é o que chamaríamos de controle invisível da mente e é algo que viceja livre nas publicidades produzidas pela Coca-cola, fazendo com que as pessoas entreguem voluntariamente o seu próprio poder e valor. Eles iludem-nos de tal forma que não precisamos ser violentamente forçados a nada; aceitamos os valores retratados pelo mapa mental como se fossem os nossos próprios e agimos de acordo com eles. Por isso, essa indústria tem criado muitas falsas imagens a respeito de felicidade que não servem a ninguém, a não ser àqueles que as constroem. Veja esta:
Mais uma vez temos a utilização da imagem associada a palavras-chaves que fazem referência às necessidades dos seres humanos. Perceba o destaque que é dado à palavra FELICIDADE. Agora olhe estas outras:


É óbvio que nunca encontraremos a felicidade numa garrafa de plástico com líquido preto, mas é desse modo que atua-se sobre o "campo de distorção da realidade". As informações devem ser alojadas na memória de longo prazo do indivíduo, a fim de que seu cérebro reproduza estas categorias de percepção e não consiga distinguir a realidade da ilusão. Como o ser humano busca por felicidade a cada respiração, a publicidade propõe verdadeiros moldes sobre os quais se vestirão nossas tendências individuais, a fim de que possamos encontrar rapidamente em nossa memória os arquivos "instalados", sob medida, pela publicidade. Isto constituirá a nossa "história incorporada". É essa "história incorporada" ou imprinting cultural, inscrito no cérebro, que funcionará como princípio gerador do que fazemos, como um conjunto de disposições para a ação, através do qual sejamos levados a facilmente organizar nosso mundo a partir das escolhas, opções e comportamento de consumidor.
Derrubado o "Tatu da Copa", símbolo da Coca-cola, em Porto Alegre.
É nosso papel desvelar os modos ocultos e invisíveis com que esta indústria se utiliza para manipular a vida das pessoas e assim produzir a dominação. Quando utilizo o termo desvelar, sustento que se trata de evidenciar aquilo de que não se quer saber ou que não se quer que saiba - coisas que, de alguma forma, as pessoas sabem, mas que estão situadas num nível de profundidade onde não se vai procurá-las. Porém, não há como escondê-las por muito tempo. Abraham Lincoln sabiamente disse que pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos por todo tempo.  
Manifestação no Largo Glênio Peres.
Fato este que, no dia 4 de outubro de 2012, ocorreu uma forte manifestação popular no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, contra a privatização dos espaços públicos e retirada do boneco inflável "Tatu da Copa" da Coca-cola, que teve como objetivo quebrar os grilhões do mero poder e autoridade dessa indústria que cria desilusões e ilusões e fazer com que esta estrutura de poder seja vista como ela verdadeiramente é. Nosso intuito não é o de atacar a Coca-Cola, embora pareça. Ao contrário, buscamos proteger a verdade, a fim de devolver às pessoas seu poder de auto-decisão.

O que aconteceu teve realmente um valor simbólico muito grande. Mesmo que a Brigada Militar (PM)tenha respondido com violência brutal e sem justificativa, vimos uma verdade abafada, escondida, profunda, ser-nos revelada: o imprinting cultural ou "história incorporada", que nos é dada pelas idéias convencionais da sociedade de consumo, representadas ali pela Coca-Cola, sofreu o fermento da rejeição e da inadaptação, característicos de nossa cultura profundamente adolescente, que procura, ataca e subverte, agressivamente, as regras impostas pelo "status quo". 

E isto é uma ameaça intolerável e inaceitável para a hierarquia reinante, que anseia por controle porque tem medo. É o medo das mudanças. No entanto, a mudança é a única coisa que é inevitável.  Há um número cada vez maior de pessoas que vêm pensando diferente, fazendo novas perguntas e questionando a ordem existente.  O que faz com que convidem uma nova dinâmica e uma nova energia para entrar e acordar a sociedade que está dormindo o sono rígido e sufocado dos velhos hábitos, vendidos em garrafas de plástico com líquido preto, sob a falácia e distorção de que aquilo é a felicidade. Estas imagens irreais de felicidade não têm mais nenhuma conexão com o coração humano e esperam para ser transformadas por você, por pessoas inspiradas que ousam abrir novas perspectivas e que ajudem as outras a se conectar com seus corações e com seus verdadeiros desejos.

Eduardo Sejanes Cezimbra
No Blog de Um Sem-Mídia

Silas Malafaia e a Teologia da Estupidez: Homossexuais e Bandidos?


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjOm9ou1ngJTiwBvvts8huv2085-HOIPYw0kMzI7NKf9I5qVnL-A9mQrCTsDwjdROWbrvDEqWPXy9y1NFUGhp7Irk0RH-5r3vSXAqSsHlCnNVYwxJ37F9MxgcOnvENc9189AXDmoWQEjlhQ/s1600/malafaia.PNG 
Não há surpresas ou novidades quando o pastor Silas Malafaia fala. Cada vez em que é entrevistado ou empresta sua voz para algum programa de natureza política ou religiosa, assistimos e ouvimos o mesmo desfile de preconceitos, inverdades e sofismas. Bem sabemos que os disparates e infâmias habituais de sua retórica convicta e fundamentalista enojam e irritam. Entretanto, convém não perder a capacidade, e a paciência, de nos chocarmos e nem “acomodar com o que incomoda”, como diz a letra de uma bela canção.
E por que não devemos nos calar ou tão simplesmente dar de ombros, ignorar a ignorância? Porque o silêncio nos torna cúmplices da ignorância. Aliás, se é verdadeiro que em certas circunstâncias o silêncio pode ser mais eloquente do que a palavra, em outras o silêncio é o adubo fértil para o crescimento da ignorância e da barbárie. Por isso, cabe não calar. Falar a verdade ao poder e criticar os preconceitos é combater incansavelmente contra o silêncio que naturaliza ambos.
Voltemos, pois, a Malafaia, este paladino e missionário do ódio. Coube a jornalista Marília Gabriela a hercúlea tarefa de suportar o discurso de Malafaia, entrevistando-o em seu programa “De Frente com Gabi”. E se a jornalista por vezes se exaltou com as afirmações do pastor ou por este a atropelá-la em suas perguntas e raciocínios, penso que ela aguentou em nome de um compromisso com a verdade e com a sensatez; afinal, a mentira para ser desmascarada deve ser antes exposta.
O que disse o pastor desta vez? Num exemplo cristalino de homofobia cordial, disse que amava os homossexuais da mesma forma como ama os bandidos: “Eu amo os homossexuais como amo os bandidos”. Este amor misericordioso que Malafaia afirma cultivar não passa de um ardil ideológico que finge aceitar e acolher mas apenas para tentar “corrigir”, “reorientar”, “ajustar”. Em outras palavras, domesticar e “curar” a homossexualidade segundo os “meus valores” e “minha verdade”. Não creio que os homossexuais precisem deste amor denegador da liberdade e da autonomia individual. O amor de Malafaia é um amor tutelar, de correção moral e interesseiro.
A correlação valorativa entre “homossexuais” e “bandidos” é odiosa. Ela objetiva reforçar o vínculo entre homossexualidade e desvio, sustentando, sorrateiramente, a ideia de que a homossexualidade assim como o fenômeno da delinquência atenta e prejudica a sociedade. Em outros termos, a analogia diz o seguinte: os bandidos existem, são um fato social, mas precisamos mudá-los, puni-los e “ressocializá-los” para que não lesem a sociedade. Sem afirmar diretamente, Malafaia pensa o mesmo sobre os homossexuais; eles são um fato social, existem, mas precisamos corrigi-los para que não lesem à família, os bons costumes, às leis naturais, à palavra de Deus etc..
A piedade e a compreensão amorosa do pastor são, com efeito, estratégias retóricas para a normalização pastoral e sexual. Nesse ponto, Malafaia se serve abundantemente de preconceitos e concepções de gênero, família e sexualidade que não se sustentam, nem do ponto de vista do conhecimento científico nem socialmente – haja vista todas as transformações culturais, sociais e jurídicas das últimas décadas.
Tentando atenuar os aspectos mais, digamos, etnocêntricos e interessados de suas opiniões, o pastor recorre a ciência em vez da religião pura e simplesmente; refugia-se em argumentos pseudo-científicos e pesquisas que nunca cita a fonte, Malafaia busca, com isso, preencher de autoridade, poder de verdade e neutralidade os seus preconceitos e sua intolerância. À bem da verdade, Malafaia achincalha a ciência – mais uma razão para não nos calarmos.
Quando prenuncia, num claro julgamento moral e especulativo, que a formação de famílias homoparentais ou a criação de filhos por casais homossexuais terá consequências sociais e psicológicas nefastas e nocivas, Malafaia esquece que, segundo Freud, a família independentemente das orientações sexuais do casal é a origem e o palco da maior parte dos problemas emocionais e psíquicos por conta dos conflitos subjetivos que envolvem a constituição do eu nas relações e identificações familiares. Aliás, a grande maioria das psicoses estudadas por Freud era produto das dinâmicas emocionais, repressivas e traumáticas da família vitoriana.
O artigo “Desconstruindo preconceitos sobre a homoparentalidade” dos psicólogos Jorge Gato e Anne Maria Fontaine cita diversos estudos psiquiátricos, psicológicos, sociológicos e antropológicos que desmentem as pré-noções estigmatizantes de que a criança em famílias homoparentais sofreria danos em seu desenvolvimento psicológico. Todos os estudos mencionados pelos autores foram unânimes na constatação da não-existência de uma excepcionalidade ou de diferenças substanciais que tornem a homoparentalidade especialmente danosa para o desenvolvimento emocional, cognitivo e sexual da criança em comparação às famílias heteroparentais. Inclusive, em algumas casos, de mães lésbicas, por exemplo, estudiosos verificaram um ambiente familiar no qual as crianças sentiam-se mais a vontade, livres e confiantes em discutir temáticas de caráter emocional e sexual, ocasionando um efeito positivo no desempenho escolar.
Em contrapartida, as dificuldades das crianças criadas em famílias homoparentais aparecem exatamente no plano das relações sociais, ou seja, os obstáculos na aceitação e reconhecimento social por conta de contextos sociais discriminatórios como a escola. Mas, ainda assim, os estudos mostraram variações importantes nesse ponto a depender do país e região.
O que podemos concluir sobre os resultados das pesquisas científicas é que os problemas que estas crianças enfrentarão no futuro decorrem precisamente  de pessoas como Malafaia. Quer dizer, do preconceito, da intolerância e da ignorância que Malafaia pratica, semeia e propaga.
Portanto, o que atrapalha e lese o desenvolvimento psicológico e social é o preconceito e a intolerância, os quais Malafaia transforma em bandeira. As religiões se tornam nocivas à humanidade quando são eivadas de ódio e ignorância por profetas fundamentalistas e intolerantes que alimentam incompreensões.
Por mais que canse, devemos continuar a combater e criticar os absurdos odiosos do pastor Malafaia, pois ele, por sua retórica e status, goza de um poder de interferência na vida social capaz de favorecer violências simbólicas e físicas contra grupos e minorias sexuais que já tem de enfrentar práticas homofóbicas em seu cotidiano. Se não quisermos cair presas da retórica do preconceito e sua violência simbólica, devemos sempre exercitar a crítica pública. É com ela que podemos cultivar uma cultura de direitos humanos e de reconhecimento capaz de transformar uma esfera pública refratária ao debate racional dos direitos e das violências sofridas por minorias e grupos vulneráveis em uma esfera pública refratária a estupidez, a barbárie e ao preconceito. Para essa transformação ocorrer, então, é preciso jamais se cansar de se contrapor ao preconceito.
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Artigo “Desconstruindo preconceitos sobre a homoparentalidade”: Leia-o aqui.
Entrevista de Silas Malafaia no Programa De Frente com Gabi: assista-a aqui.
Alyson Freire
No CartaPotiguar

PT: 33 anos

Existem coisas que apesar de haverem transitado há 33 anos permanecem tão vivas e presentes. Situações únicas que acompanharão todos ao longo de suas existências.

Soava surrealista, a qualquer um, a pretensão de trabalhadores formarem um partido político para defender suas bandeiras.
A luta pela redemocratização do país e as intensas campanhas para reposição salarial (de índices surrupiados pela ditadura) deram a experiência necessária para a formação de um partido político diferente e por isso único.
Percorreu-se períodos que não havia a segurança econômica tal era a velocidade das mudanças e vinham em volume tal que eram chamadas de “pacotes” e com igual intensidade se diluíam os efeitos e acachapavam o valor de compra do salário mínimo.
Testou-se na prática teorias econômicas e receitas do Fundo Monetário Internacional e cada vez, também na prática, o poder aquisitivo minguava.
O provérbio popular de diz que: “não há mal que sempre dure”.
Assim, ousado o Brasil pela primeira vez conduziu um operário para ser seu Presidente, substituindo um sociólogo reconhecido pelas academias e que tinha mandado esquecer o que havia escrito.
Terminadas as eleições, lembram-se?
O Fundo Monetário Internacional exigiu para liberar carta de crédito o aval de Lula, que ainda era apenas um presidente eleito, tal era a situação de descrédito.
As elites temerosas de que a chegada ao poder de um simples operário significava um risco a ordem econômica.
As previsões dessas pseudo-videntes falharam.
O Brasil estabilizou-se.
O salário mínimo começou a ter ganhos reais.
O mercado interno aqueceu-se.
O Brasil chamava a atenção do mundo. Lula se reelegeu.
Prosseguiu realizando avanços estruturais e saldando compromissos.
A dívida “impagável” com o Fundo Monetário Internacional foi saldada pela primeira vez em toda a História do Brasil.
Inserido no contexto internacional o Brasil disputou e venceu a disputa pelo direito de sediar eventos mundiais: Copa do Mundo e Olimpíada.
Anteriormente o país havia fracassado tendo em vista a situação interna.
Ousadia e coragem fizeram o Partido dos Trabalhadores lançar e eleger a primeira mulher Presidenta como afirmação da igualdade de direitos entre homens e mulheres.
Mais que isto, Dilma é parte da história da resistência à imposição ditatorial que foi implantada durante o regime de exceção.
Poderia se dizer numa frase épica que: de vitimizada nos porões da ditadura à presidência do país.
O desafio era enorme. Seguir no ritmo do governo do presidente Lula e implantar seu próprio estilo.
O Brasil é um canteiro de obras, basta lançar um olhar sobre as 12 cidades sedes da Copa do Mundo de 2014 ou sair do centro das cidades e ir aos bairros e verificar “in loco” a quantidade de casas populares que se constroem diariamente.
Há tanta coisa a se dizer e por certo tantas outras ainda por se fazer.
As classes conservadoras encontram-se aturdidas.
Não bastasse a enorme popularidade e aprovação do governo Lula, agora vem a presidenta Dilma e repete o sucesso e tem 2014...
Está se construindo a felicidade do Brasil nesses 33 anos de luta do PT de todos nós.
A grande diferença quem faz é você petista, é você, militante.
Um patrimônio político que nenhum outro partido político possui.
Por isso, nesses 33 anos de história, permita-me brindar seu engajamento.
Parabéns!

Hilda Suzana Veiga Settineri
No Guerrilheiros Virtuais
via
contextolivre