segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Fico imaginando...



Fim de ano, boataria intensa sobre o fim do mundo...
Fico só imaginando como seria o Brasil hoje se em 2008, quando a crise financeira se espalhou pelo Planeta Terra, o então presidente Lula tivesse ouvido os insistentes conselhos dos tais "analistas econômicos" que ditam as pautas dos jornalões - sempre com o viés mercadista, neoliberal, ortodoxo.
Imagino só como estariam neste momento os milhões de brasileiros que fazem as últimas compras de Natal, se preparam para a ceia ou arrumam as malas para viajar em busca de um pouco de distração e lazer, se o então presidente Lula não tivesse adotado, contrariando as sugestões dos tais "analistas econômicos" a serviço do capital, as medidas anticíclicas que permitiram que a maior crise depois do crash de 29 chegasse ao Brasil como uma "marolinha".
É algo para se pensar.
E, voltando ainda mais no tempo, imagino como seria hoje o Brasil se Lula tivesse perdido a eleição em 2002 para essa simpatia de pessoa que se chama José Serra.
Os maias estavam errados, o mundo não acabará hoje.
O tempo vai correr como sempre e logo estaremos construindo outro ano, um 2013 que será melhor que este 2012 para a imensa maioria dos brasileiros.
Essa é uma certeza, não uma suposição.
Como também é uma certeza o fato de que, apesar de todo o imenso esforço que faz a oligarquia nacional para não perder os seus privilégios seculares, o Brasil mudou muito - e para melhor - em apenas dez anos.
E isso foi devido a um projeto de um partido político que nasceu quase utópico, cresceu em meio a muitas dificuldades - externas e internas - e hoje, maduro, sente os efeitos de seu crescimento e das mudanças que provocou na sociedade brasileira. 
Nem dá para imaginar o que estaria escrevendo agora se em 2002 o PT tivesse perdido novamente a eleição presidencial.

cronicasdomotta.blogspot.com.br

Empresas de óleo de cozinha, baterias e filtros automotivos assinam termo de compromisso para coleta de resíduos



Fernanda Cruz, Agência Brasil
 
“Associações brasileiras de óleo vegetal, baterias e filtros automotivos assinaram hoje (20) um termo de compromisso com o governo do estado de São Paulo em que se responsabilizam pela coleta de resíduos de seus produtos nos municípios paulistas. 

De acordo com o secretário do Meio Ambiente do estado, Bruno Covas, a ação demonstra o amadurecimento do setor produtivo, que entendeu a importância de se investir no destino final dos resíduos sólidos. “A gente tinha uma cadeia produtiva linear. O produto era criado, consumido e jogado fora. A gente está, aos poucos, introduzindo uma cadeia produtiva circular. Esse produto, depois de ser utilizado, é reaproveitado e com apoio e financiamento da própria indústria”, declarou.

O termo foi assinado também pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e a Associação de Empresas de Filtros e seus Sistemas Automotivos e Industriais (Abrafiltros).

No caso da Abiove, que representa empresas responsáveis pelo processamento e fabricação do óleo de cozinha, haverá ampliação do número de pontos de coleta já existentes, passando dos atuais 800 locais de recolhimento para cerca de 1.000 em todo o estado. Segundo Bernardo Machado Pires, diretor de Sustentabilidade da Abiove, a ideia é aumentar para 900 pontos, em um prazo de dois a três anos, e chegar a 1.000 em, no máximo, quatro anos.

Bernardo destacou também a criação do site www.oleosustentavel.org.br para orientar os consumidores sobre os pontos de entrega mais próximos. “Toda indústria que fabrica produtos que tenham impacto ambiental têm a responsabilidade, compartilhada com os governos, de ajudar a trazer de volta esses resíduos”, disse.

Após a coleta do óleo, organizações não governamentais (ONGs) cadastradas se encarregam do reaproveitamento do material. “O óleo é muito usado para biodiesel, tintas, vernizes e sabão. Tem muitas comunidades que usam esse óleo e até têm um bom retorno econômico. Uma boa alternativa de trabalho e renda para as comunidades mais pobres”, disse Bernardo.

Já a coleta dos filtros automotivos usados, feita pela Abrafiltros, teve início em julho deste ano, como forma de teste, em um grupo de cerca de dez municípios do estado. Segundo João Moura, presidente da associação, o recolhimento tem sido feito nos postos de combustíveis, de onde os filtros são enviados para usinas de processamento. “Lá, sofrem uma lavagem inicial e depois são triturados. A chapa é separada do resíduo do meio filtrante, que são papéis, cola, borracha e plástico que determinados filtros usam. Depois, são compactados e a chapa é enviada para a usina e os resíduos de papel, borracha, plásticos seguem como componente energético em cimenteiras”, disse.

Ao contrário do óleo, que tem custo baixo para reciclagem, os filtros exigem maior investimento das empresas fabricantes. “Para o nosso setor é um custo muito representativo, porque o filtro é um dos poucos que você não pode reaproveitar. O único benefício é para o meio ambiente”, declarou Moura.
André Luis Saraiva, diretor de Responsabilidade Socioambiental da Abinee, informou que, no setor de baterias automotivas, a logística reversa já é uma realidade. “Hoje, esse segmento recicla 98% do volume comercializado”, disse. Segundo Saraiva, sempre que um consumidor vai a uma autoelétrica trocar a bateria do carro, ele entrega o produto antigo ao revendedor que o repassa para a destinação correta.

A importância da assinatura do acordo de hoje, de acordo com o diretor da Abinee, está na fiscalização do cumprimento da lei. “A Cetesb pode ampliar a sua margem de ver quem não está cumprindo o acordo. As empresas que não estiverem cumprindo sofrerão as sanções que a lei prevê”, disse.

De acordo com o secretário do Meio Ambiente, os próximos setores a adotarem o sistema de logística reversa são o de lâmpadas fluorescentes e de embalagens de alimentos e bebidas. “Vamos chegar em um futuro, espero não muito longe, em que as indústrias que não tiverem o seu plano de logística reversa não vão poder comercializar no estado de São Paulo”, disse.”

Povo confia mais em Dilma que no STF, na mídia e no Congresso



Dilma, com aprovação de 73%, tem 19 pontos a mais que o STF, que ganhou holofotes graças ao mensalão (Foto: Roberto Stuckert Filho. STF)

“Pesquisa Ibope mostra que quase metade dos brasileiros não confia nos ministros do Supremo, e que 65% não depositam confiança no trabalho do Legislativo 


Pesquisa do Ibope divulgada hoje (24) mostra que praticamente a metade dos brasileiros não confia no Supremo Tribunal Federal (STF), e 65% não depositam confiança no trabalho do Congresso. Os dois poderes envolvidos em um bate-boca político neste fim de ano mostram-se menos confiáveis aos olhos da população que a presidenta Dilma Rousseff, que em pesquisa divulgada no começo de dezembro obteve taxa de 73%.

Segundo dados publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo, o índice de 54% obtido pelo STF fica bem abaixo da instituição mais confiável, o Corpo de Bombeiros, com 83%, e está nove pontos atrás da Presidência da República como um todo, que recebe voto de confiança de 63% dos entrevistados. 

Esta foi a primeira vez que a sondagem mediu o índice de confiança no Supremo, que ocupou toda sua agenda do segundo semestre com o julgamento da Ação Penal 470, o chamado mensalão. Nas últimas semanas, os magistrados acirraram o clima com o Legislativo ao definir pela cassação de mandato dos deputados condenados pelo caso – segundo a Constituição, apenas os próprios parlamentares podem definir este tipo de questão. Entre junho e dezembro, o respaldo ao trabalho do Judiciário como um todo foi de 53% para 47%.

Os que mais confiam no trabalho dos ministros do STF são os mais ricos (60%), os moradores das regiões Norte e Centro-oeste (60%) e os que têm mais de 50 anos de idade (56%). 

Em meio a pequenas variações no geral, a pesquisa do Ibope mostra que os brasileiros têm confiado cada vez menos nos meios de comunicação. Em quatro anos, o índice de aprovação do trabalho da imprensa em geral recuou de 71% para 60% – abaixo, portanto, do Planalto.

O Congresso, que despertava a confiança de 36% dos entrevistados em junho, foi agora a 35%, próximo do índice obtido pelos partidos políticos. Ambos figuram atrás da polícia, com 40%, e do sistema eleitoral, com 54%.”

E se Deus jogasse a toalha?




“E se o louco for você, e não o resto do mundo? E se as pessoas não tivessem mais medo dos malucos? E se ninguém jamais teve coragem de lhe contar toda a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade? E se os seus medos forem adotivos? E se a verdade o libertasse, como previsto nos textos sagrados, o que você faria com ela: escreveria um livro, plantaria bananeiras no meio da rua, teria um filho com uma prostituta?

E se Papai Noel ficasse gagá e esquecesse os presentes? E se os presentes à festa se rebelassem contra o bom velhinho, internando-o num hospício? E se o passado ficasse solenemente enterrado no passado e parasse de interferir tanto no presente? E se a memória não judiasse mais da gente? E se você tivesse chegado lá segundos antes? E se tivesse chegado segundos depois? E se a morte fosse comemorada como um gol de placa?

E se os lactentes exigissem leite desnatado tipo A, enriquecido com ômega 3, diretamente das tetas maternas? E se os filhos da mãe parassem de roubar o erário, sobraria mais recurso para o leitinho das crianças? E se houvesse vagas suficientes nos presídios para tantos delinquentes? E se alguém criasse uma CPI numa pizzaria, as investigações acabariam em quê: num prato de salada ou numa pilha de processos?

E se soubéssemos cantar o Hino Nacional Brasileiro, de cor e salteado, como se fosse “Parabéns Pra Você”? E se dependêssemos menos do mercado internacional do que da pinga? E se o mercadinho da esquina vendesse ilusões, qual seria o percentual de inadimplência da clientela? E se os pregadores religiosos fossem pregados numa cruz? E se fossemos criados à base de gemada, Biotônico Fontoura, vermífugos e toda a verdade nua e crua? E se os vermes desistissem de roer cadáveres, haveria espaço na história para tantas covas?

E se nascesse um camelo com três corcovas, de quem seria a culpa: do efeito estufa, dos legumes transgênicos, do acidente radiológico em Fukushima, da profecia maia ou, simplesmente, dos gametas aloprados da mamãe-camelo e de um adolescente? E se os tarados usassem viagra, morreriam de overdose? E se nós os liquidássemos, prescrevendo-lhes cápsulas de cicuta para se curarem da disfunção erétil? E se o Homem evoluísse um pouquinho e se transformasse num réptil? E se ninguém mais rastejasse a suplicar pelo amor de outrem? E se eu andar muito na linha e o trem me atropelar?

E se não houvesse mais tinta nas gráficas para imprimir esta avalanche de livros descartáveis? E se os acadêmicos imortais fossem condenados a pagarem Imposto de Renda para sempre, abdicariam da imortalidade? E se, ao invés de escrever um livro, todo homem ou mulher de bem se livrasse de um livro ruim, arrancando-o da própria biblioteca e doando para uma pizzaria com forno à lenha?

E se fosse permitido por lei hipotecar a própria sogra? E se houvesse vacinas para evitar a contração de matrimônios? E se toda a mágoa de um relacionamento falido saísse pela urina, como se fosse água? E se os filhos fossem poupados do melodrama de seus pais separados? E se estarmos juntos não for nada disso? E se os adultos deixassem de amedrontar as crianças com tantas bobagens? E se viver em família for pior que ser criado por uma loba, tal e qual sucedeu a Rômulo e Remo? E se torcedores de Remo e Paissandu se abraçassem ao final de umapartida de futebol no Pará?

E se Deus se arrependesse de ter feito o Homem a sua imagem e semelhança, como é que a gente saberia? E se ele alegasse sob os holofotes da irrisória justiça terrena que toda semelhança é mera coincidência? E se os porquês parassem de alimentar as dúvidas? E se a hóstia consagrada contiver glúten?
E se houver vida noutro planeta e este planeta for pior que o nosso, para onde correr? E se algum profeta marcar uma data muito longinqua para um novo apocalipse, quem suportaria tamanha expectativa? E se Jesus voltar? E se a inflação galopante voltar? E se a Gretchen voltar a rebolar nas tardes domingueiras?

E se o guarda de trânsito tivesse déficit de atenção? E se eu parasse de tomar ritalina? E se a meretriz Vitalina exigisse copular somente sob carteira assinada, como sói ocorre nos países desenvolvidos? E se, apesar de tanto desenvolvimento, os homens se envolvessem menos com as meretrizes? E se todas as manhãs, além das ereções reflexas, eu tivesse uma puta ideia?

E se os velhos se rebelassem contra o título de “melhor idade” e saíssem em passeata sem o uso de andadores? E se as demais pessoas — além dos enfermeiros, médicos e papa-defuntos — realmente se interessassem pelos mais velhos? E se as piadas velhas não morrerem? E se eu enterrasse você na areia? E se eu escrevesse nela um verso do Drummond, e você o lesse antes que a onda viesse nos lamber? E se, traído por uma foto na estante, eu me apaixonasse por alguém que já morreu?

E se os recursos financeiros para propinas não forem suficientes para concluir falcatruas e estádios de futebol até a Copa do Mundo de 2014? E se os elefantes brancos — não bastasse o fato de já serem albinos — voassem? E se a tromba da Roberta Close ressuscitasse? E se as gerações futuras concluírem que o futebol era o nosso ópio? E se o Joãozinho Sem Braço fizesse justiça com as próprias mãos? E se eu quebrasse uma vidraça do Congresso: seria preso ou condecorado? E se faltasse pão nas padarias e palhaços nos circos, seria o fim da política?

E se uma amante sifilítica aparecesse com um chester (ou uma winchester 73) na sua casa durante a ceia de Natal? E se o Zorro desmascarasse você na revelação do amigo oculto? E se você alegasse que foi motivado pelas forças ocultas? E se você dissesse a verdade, mesmo que tivesse boas chances para mentir? E se todos acreditarem que, ao invés de estar falando a verdade, você surtou durante os festejos natalinos?

E se eu parasse de especular tanto, de encher páginas e mais páginas com dilemas insolúveis? E se você me desse um tiro? E se as balas voltassem rapidinho para os canos fumegantes que mataram JFK, Luther King, John Lennon, Hitler e um passarinho pousado sobre a cerca? E se o mundo, na verdade, não existisse e tudo não passasse de um pesadelo terrível do Criador?”

Mais de 3 mil inquéritos da PF apuram desvio de verba pública em prefeituras



“Investigações da Polícia Federal envolvem quase 500 prefeitos e ex-prefeitos sob suspeita 

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

A Polícia Federal conduz 3.167 inquéritos sobre desvios de recursos e corrupção envolvendo prefeituras em todo o País. Estão sob investigação 484 prefeitos e ex-prefeitos por violação ao Decreto Lei 201/67, que define os ilícitos de responsabilidade de administradores municipais.

Os dados constam de levantamento realizado pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor) – braço da PF que aloja setores estratégicos da instituição, inclusive o serviço de análise de dados de inteligência e a divisão de repressão a crimes financeiros.

O Maranhão é o Estado onde a PF mais trabalha, com um acervo de 644 inquéritos relativos a fraudes em gestões municipais. A Bahia está em segundo lugar, com 490 inquéritos, seguida de Ceará (296), Piauí (285), Pará (196) e Pernambuco (194).”
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domingo, 23 de dezembro de 2012

Juristas colocam STF no "banco dos réus"



No início da semana aconteceu em São Paulo um importante debate entre respeitáveis juristas e jornalistas, quando foram denunciados mais uma vez a intromissão da mídia golpista no chamado "julgamento do mensalão" e os erros jurídicos gravíssimos absurdamente cometidos no plenário do Supremo Tribunal Federal.

O professor de Direito Penal e Processual Penal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Prof. Dr. Cláudio Langroiva, preocupadíssimo, denunciou a ocorrência no julgamento de "presunção de culpa", no lugar da "presunção de inocência", a ausência de ampla defesa e do contraditório, o uso de provas indiciárias e outras irregularidades.

O professor de Direito Constitucional também da PUC de São Paulo, Prof. Dr. Pedro Serrano, denunciou a falta de "juiz imparcial" e de "decisão coerente" e a existência de erros gravíssimos de fundamentação, afirmando que o ministro Celso de Mello se comportou com irresponsabilidade, "rasgando o texto constitucional", ao cassar mandatos de deputados, prerrogativa da Câmara Federal. O professor Serrano, indignadíssimo, chamou o julgamento de "catástrofe" e "festa da cocada".
                                                                          Foto: Banco de Imagens do STF

Ambos alertaram para o alto risco de retrocesso institucional, golpe e atentado à democracia.

Cidadania, todos nós, atentos e mobilizados!

Vejam o vídeo abaixo. O que importa aqui é a fala do professor Langroiva (aos 13min55s) e do professor Serrano (aos 29min10s).

Diferenças e semelhanças: judeus, hebreus, sionistas, israelenses e israelitas | Ousar Lutar!!! Ousar Vencer!!!

Diferenças e semelhanças: judeus, hebreus, sionistas, israelenses e israelitas | Ousar Lutar!!! Ousar Vencer!!!

Bancadas religiosas: Quando o pior é possível!



 
O casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma questão de direitos humanos e direitos civis, ponto. Ou somos todos iguais ou não somos. Entretanto, as bancadas religiosas do Congresso nacional fazem todo o possível para nos fazer acreditar que existe um "meio-termo" de igualdade. Assim, essa horda de desqualificados políticos e pseudo-detentores da moral e dos bons costumes alheios, continua sua saga obscurantista e fundamentalista, já que, a única coisa que pretendem é obrigar toda a sociedade a viver segundo seus dogmas, crenças e regras. Aliás, regras essas que eles mesmos não seguem. Mas isso nem chega a ser uma novidade, afinal de contas, fundamentalistas têm horror às diferenças, temem a liberdade e parecem não compreender o mundo lá fora.
A imposição de uma fé como oficial e a consequente exclusão das outras (inclusive com perseguições declaradas) deixou seu rastro perverso no passado. No presente, muitos conflitos continuam sendo alimentados a partir de convicções ou sob a justificativa de crença. Mas, um Estado Democrático de Direito não pode permitir que se perpetue em seu seio uma voz exclusiva da moral de qualquer religião, pelo menos não em um país que se diz LAICO.
Então como explicar a luta ferrenha e constante desses setores religiosos na negação dos direitos civis (principalmente o casamento igualitário) dos cidadãos LGBT's? Não vemos tanto empenho em questões como o trabalho escravo, o trabalho infantil, a exploração sexual de crianças e adolescentes, a falta de infraestrutura na educação e saúde, a falta de saneamento básico em TODOS os Municípios brasileiros, o caos do transporte público etc. A sensação que fica é de que, a única coisa importante para a trupe dos farsantes da fé, é se certificar de que os homossexuais jamais conquistem o direito ao casamento civil e, consequentemente, tenham assegurados os seus direitos como qualquer outro cidadão. Aliás, esses cidadãos, que veem diariamente seus direitos sendo vilipendiados, pagam seus impostos e, já que têm os mesmos deveres, deveriam, teoricamente, gozar dos mesmos direitos.
O discurso implícito é algo como: o mundo tal como existe, normal e regular, é um mundo de homens e mulheres heterossexuais, pontilhado por alguns que não o são, e em relação aos quais se deve promover um arremedo de "aceitação" e "tolerância", ou seja: aceitamos e toleramos que existam, qualquer coisa a partir dai já se constituí em um "privilégio". Tudo isso acontece sob o olhar pachorrento e complacente do Estado. Uma interiorizada e inconsciente(?) miopia típica de quem, mesmo sendo "laico", se situa, afinal de contas, na heteronormatividade. E por quê? Por causa da pressão do lobby católico/evangélico versão fundamentalista?
Já vimos esse filme antes e sabemos muito bem qual é o trágico final. Num passado, não muito remoto, essas religiões impuseram um estado de terror e perseguição que agora se repete. A diferença fica apenas por conta dos personagens. Se antes também perseguiam índios, negros, mulheres e infiéis, agora o foco são os LGBT's. Exemplos é que não nos faltam.
O documento oficial "Dum Diversas" (publicado em 18 de Junho de 1452 pelo Papa Nicolau V), é um belo exemplo de como os religiosos "amavam" seus semelhantes. "[...] nós lhe concedemos, por estes documentos, com nossa Autoridade Apostólica, plena e livre permissão de invadir, buscar, capturar e subjugar os sarracenos e pagãos e quaisquer outros incrédulos e inimigos de Cristo, onde quer que estejam, como também seus reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades [...] e reduzir suas pessoas à perpétua escravidão [...]."
Lembrem-se que essas declarações pareciam bem razoáveis na época e, mesmo que a igreja tenha vindo a público pedir desculpas por essas barbaridades, hoje o Papa Bento XVI é capaz de dizer, sem o menor constrangimento, que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é capaz de ameaçar a paz mundial. "[...] as tentativas de casamento entre um homem e uma mulher [...] juridicamente equivalentes a formas radicalmente diferentes de união, são um atentado contra a verdade da pessoa humana e uma ferida grave infligida à justiça e à paz. [...] O casamento deve ser protegido e reconhecido como uma união entre um homem e uma mulher", considerando que os casamentos homossexuais "prejudicam" e "contribuem para a sua desestabilização [do casamento heterossexual] obscurecendo o seu caráter especial e o seu papel social insubstituível". Essas declarações, provavelmente, serão alvo de um novo pedido de desculpas no futuro. Repetindo assim o que já fizeram em relação aos julgamentos sumários, às conversões forçadas e às fogueiras nas quais eram queimados os acusados de heresia, pelos abusos sexuais cometidos por padres pedófilos, pelos abusos cometidos contra os índios durante o período colonial, pela escravidão dos povos afro-descendentes (negros) que aqui sofreram massacre e desrespeito às suas culturas, pela campanha de depreciação contra o povo judeu e, de certa forma, pelo papel ambíguo da Santa Sé durante a perseguição nazista aos judeus, homossexuais, negros, ciganos, doentes mentais, deficientes motores, comunistas etc., na II Guerra Mundial, só para citar alguns exemplos.
E por falar em nazismo, aqui temos um ótimo exemplo de até que ponto pode chegar o fanatismo religioso. Esse trecho, retirado do Discurso no Reichstag, 1936, de Adolf Hitler, é bem revelador: "Por isso, estou convencido de que estou agindo como o agente do nosso Criador. Lutando contra os judeus, eu estou fazendo o trabalho do Senhor. [...] Eu acredito, hoje, que estou agindo em harmonia com o todo poderoso Criador. Exterminando os judeus, estou lutando pelo trabalho do Senhor". As palavras de Adolf Hitler ficaram gravadas na história. Ele fez o que fez porque acreditava que a fé era mais forte do que a razão, acreditava que a aceitação cega de um crença ou dogma tinha mais valor do que uma investigação baseada na razão e na lógica. Exatamente como ainda fazem hoje, outros fanáticos religiosos.
"Os caras na Parada Gay ridicularizaram símbolos da Igreja Católica e ninguém fala nada. É pra Igreja Católica 'entrar de pau' em cima desses caras, sabe? 'Baixar o porrete' em cima pra esses caras aprender (sic). É uma vergonha". (Pastor silas malafaia)
Já imaginou uma bancada cristã publicando algo assim? Pois o que pretendem fazer hoje é exatamente o mesmo que já fizeram no passado, ou seja, a imposição de seus dogmas e crenças. Levando-se em conta, é claro, a ótica da perseguição e o controle perverso das liberdades, existem muitas semelhanças entre o que era dito no passado, e o que dizem hoje nossos congressistas.
"Todos os dias da minha vida pregarei o que diz a Palavra, que a prática do ato íntimo entre dois homens ou duas mulheres é e continuará sendo pecado e ponto. Não discuto o que é pregado no púlpito fora do momento da pregação". "Me apavora chegar em Brasília toda terça-feira [...] e saber como o diabo está infiltrado no governo brasileiro. E não é só no governo brasileiro, é no governo do mundo. Satanás tem levantado homens e mulheres e a Igreja não tem se atinado a isso [...] satanás levantou seu ativismo neste país. Senhoras e senhores, existe um ativismo de satanás contra a santidade da família brasileira [...] Eu fui prestar agora um serviço à nação brasileira, levantei um plebiscito e precisava do apoiamento de 1/3 da casa [...] Queremos saber se a nação brasileira aprova a união de dois homens e de duas mulheres que estão aí à torto e a direito difamando aquilo que é sagrado e santo. Imaginem vocês - a causa é boa, sim ou não?". "A AIDS é uma doença gay. A AIDS é uma doença que veio desse povo, mas se você falar, vai colocar eles numa situação constrangedora não vão conseguir verba". "Vamos agarrar o diabo pelos chifres e esfregar a cara dele no chão. É hora de se levantar". (Marcos Feliciano, pastor e deputado federal)
"Estou me lixando para esse pessoal aí [do movimento gay]. O que esse pessoal tem a oferecer para a sociedade? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer para vocês que são jovens que, no dia em que vocês tiverem um filho, se for gay, é legal e vai ser o 'uhuhu' da família? Esse pessoal não tem nada a oferecer". (Deputado federal Jair Bolsonaro)
"Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um homossexual como meu empregado, eventualmente". "Digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso". (Deputada estadual Myrian Rios)
"o projeto é um protesto contra os privilégios dados aos gays" (Vereador Carlos Apolinário ao aprovar a criação do Dia do Orgulho Heterossexual).
Enfim, a pergunta que fica é: Como o reconhecimento legal de um relacionamento amoroso de uma pessoa, que está comprometida com um parceiro do mesmo sexo, pode, de alguma forma, diminuir, comprometer ou ameaçar o casamento de outras pessoas de sexo diferente?
Julio Marinho
No Maria da Penha Neles!

Levantamento revela perfil das mortes em São Paulo e história das vítimas



Afonso Benites e Carolina Leal, Folha de S. Paulo

“O autônomo Alex Marques do Vale, 30, conversava com amigos em um bar em São Paulo quando dois homens em uma moto dispararam contra os clientes. Eram 23h05 do dia 31 de outubro.

Alex, que já tinha sobrevivido a uma tentativa de homicídio seis anos atrás, ao ser baleado de raspão na cabeça em um assalto em Campinas, não resistiu. Levou seis tiros.

Nas periferias, esses assassinos passaram a ser chamados de "motoqueiros fantasmas". Chegam com a placa da moto tampada, atiram e fogem sem serem reconhecidos.

Assim como Alex, outras 39 pessoas também foram mortas por motoqueiros de 24 de outubro a 27 de novembro, segundo levantamento feito pela Folha.

Nas últimas semanas, a reportagem esteve nas 93 delegacias da cidade e obteve os dados em 74 delas. Segundo o levantamento, 132 pessoas foram assassinadas no período.

Os números apurados se aproximam da totalidade de casos de novembro, divulgados anteontem pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), quando 170 pessoas foram assassinadas na cidade.”
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A Antecipação da Sucessão, por Marcos Coimbra




Marco Coimbra

“Um dos traços mais significativos da vida política brasileira em 2012 foi a intensidade do efeito que nela exerceu a próxima eleição presidencial. Quase tudo de importante que aconteceu a teve como referência.

Dilma nem chegou à metade do mandato, seu governo ainda tem um longo caminho pela frente e, para o cidadão comum, a sucessão está longínqua. Mas o sistema político passou o ano obcecado por ela.

Especialmente as oposições.

Os partidos oposicionistas e seus aliados se viram forçados a disputar, em 2012, o primeiro round da eleição de 2014. Percebendo, com base em avaliações internas e pesquisas disponíveis desde o início do ano, que o vento soprava contra seus projetos, resolveram começar a trabalhar na sucessão presidencial desde cedo.

A principal estratégia foi desconstruir a imagem do PT através do julgamento do mensalão, dando-lhe toda a exposição possível. E o sincronizaram com as eleições municipais, de forma a que os eleitores chegassem às urnas maximamente atingidos por ele.

Só os muito ingênuos viram como coincidência que José Dirceu fosse condenado faltando uma semana para o pleito. Naquele momento, bem como na eleição inteira, o que fizeram foi criar um clima de opinião para interferir na escolha do eleitorado.

Queriam matar dois coelhos com uma só cajadada: enfraquecer os candidatos do governo a prefeito e vereador; desgastar o partido para a eleição a seguir. A oposição sairia fortalecida e com a sustentação municipal recomposta, com melhores condições de ampliar a bancada na Câmara dos Deputados e fazer bom papel na eleição presidencial.

Os resultados da eleição municipal e as pesquisas deste fim de ano a respeito das intenções de voto em 2014 mostram que isso não funcionou. Pelo menos, por enquanto.

A pesquisa mais recente foi feita pelo Datafolha, no dia 13 de dezembro, ouvidas 2588 pessoas em todo o País.

Em que pese o esforço dos comentaristas de encontrar problemas para Dilma e Lula, foi muito favorável a ambos. A começar por sua folgada liderança em todos os cenários.

Dilma varia de 57%, quando é confrontada com Marina Silva (que tem 18%) e Aécio Neves (com 14%), a 53%, quando entra na lista Joaquim Barbosa (que alcança 9%). Na hipótese de Eduardo Campos ser o quarto nome, ao invés de Barbosa, ela fica com 54% e o pernambucano com 4%.

Lula está na frente, com 56%, no único em que aparece, no qual estão Marina Silva (13%), Joaquim Barbosa (10%) e Aécio Neves (9%). É aquele em que Dilma obteve 53%.

São resultados semelhantes a outros disponíveis. Em abril deste ano, em pesquisa da Vox Populi, Dilma alcançava 57%, Marina 16% e Aécio 12%, quase exatamente os números do Datafolha. Em julho, segundo a CNT, ela obtinha 59% e Aécio 15%, em uma lista sem Marina e com Eduardo Campos (que ficava com 6%).

Em relação a esses levantamentos, Lula cai, passando de 69% (Vox Populi) ou 70% (CNT), aos 56% atuais do Datafolha. Não são listas comparáveis, mas parece ter havido, de fato, uma queda na intenção de voto no ex-presidente.
O relevante na pesquisa de agora é a manutenção da larga vantagem dos candidatos petistas. Traduzindo os resultados no chamado “voto válido”, ambos ficam sempre acima dos 60% e chegam a 64%. O que quer dizer que estão perto de ter, sozinhos, o dobro da soma dos outros.

Bom para os dois. E mau para os demais.

Menos ruim para Marina Silva, que permanece em patamar respeitável, entre 15% e 20%, superior a candidatos com mais bagagem política, como Aécio e Eduardo Campos.

É possível que o Datafolha tenha querido respeitar a precária saúde eleitoral de Serra, não o incluindo nas listas. Mas o que fez foi manter viva a crença de que só o paulista tem condições de brigar com o PT.

Chegamos, assim, ao final de 2012, com perspectivas inalteradas para a eleição de daqui a dois anos. A crer nas pesquisas, o enorme estardalhaço feito para afetá-la foi inútil.

Como está no título de uma comédia de William Shakespeare, pensando na eleição, foi Muito Barulho por Nada.”