domingo, 25 de dezembro de 2011

O Dia do Perdão

Questionar a principal data comemorativa do cristianismo se tornou quase obrigação ao longo dos séculos que sucederam o nascimento de Jesus Cristo. Questionam-se consumismo, gula, narcisismo, ostentação, futilidade, falta de reflexão sobre o sentido da data e até aquele que a considera período propício a sentimentos edificantes.
Contos e crônicas de Natal remetem a histórias de abrandamento de corações e de milagres que contemplariam os despossuídos, muitas vezes decorrendo, tais milagres, da generosidade que a data gerou. Mas a própria existência de toda essa cultura em torno de uma data religiosa é vista como a mais soberba manifestação de hipocrisia.
A principal crítica que se faz ao Espírito de Natal, assim, é a de que se trata de uma farsa porque deveríamos ser generosos o ano todo. Mas como não somos suficientemente generosos, simulamos generosidade apenas um dia ao ano, quando fingimos que abrimos a porta dos nossos corações para o perdão, para a compaixão e a generosidade.
Perdoar no Natal parece apenas mais uma das faces da hipocrisia que seqüestrou a noite de 24 de dezembro e o dia que a sucede, quando o Bom Velhinho capitalista, em suas roupas escarlates, empurra-nos às compras como se dinheiro, embrulhos coloridos e banquetes faustosos operassem a remissão dos pecados.
Por outro lado, não estimular tolerância e generosidade no Natal só porque tais sentimentos escasseiam no resto do ano seria desperdiçar a oportunidade de aproveitar um momento em que as pessoas estão mais receptivas para exortá-las a adotarem atitudes positivas que não teriam comumente.
Dirão que o perdão concedido graças a comportamento adotado só por conta dos costumes, sem uma origem interior legítima, é falso, inexistente. Todavia, será que o que falta para que as pessoas se perdoem umas às outras não é a chance que se dá ao indivíduo de perdoar sem parecer fraco diante de si ou dos outros?
O maior inimigo do perdão, pois, é o orgulho. Quem sabe o homem não precise dessa desculpa para perdoar não só aos outros, mas a si mesmo. Uma data comemorativa em que perdoar é visto como ato de grandeza e de força usa o orgulho contra si mesmo, pois faz o indivíduo descer do pedestal como prova de suas qualidades.
Se o Perdão Natalino não é legítimo, ao menos predispõe quem o pratica a talvez lograr posteriormente vencer o ressentimento, um sentimento que jamais faz bem a qualquer ser humano porque nos impele a ter sempre que ficarmos tentando provar que quem errou foi o outro.
Não é preferível, então, que exista um dia em que nos disponhamos a pôr o orgulho de lado a fim de começar a sobrepujar rancores que, se pudéssemos voltar no tempo, teríamos optado por não começar a edificá-los? Enfim, caro leitor, esta reflexão não o fez lembrar daquela pessoa a quem você não ainda não conseguiu perdoar?
blog da cidadania

Jesus, o mito pagão

Quer saber como o dia 25 de Dezembro foi definido como aniversário de Jesus (que não existiu)? Assista estes vídeos:

sanguessugado do jornalisticamente falando

Papai Noel existe para alguns

]



O Papai Noel dos banqueiros 
Altamiro Borges 
Opera Mundi 


O Papai Noel existe sim e é muito dadivoso. Que o digam os banqueiros da Europa e EUA, que receberam generosos presentes de Natal nos últimos dias – apesar de todas as suas sacanagens. É certo que milhões de trabalhadores europeus, desempregados, desalojados e desesperados, não terão um final de ano feliz – nem mesmo um 2012 feliz. Mas os banqueiros estão a salvo!
Nesta semana, o BCE (Banco Central Europeu) concedeu empréstimo de 489,2 bilhões de euros (cerca de 1,2 trilhão de reais) para 523 instituições rentistas do velho continente. Os juros são os mais baixos do mercado (1% ao ano), os prazos de pagamento são longos e as regras para uso do dinheiro público são flexíveis, nos marcos da libertinagem financeira neoliberal. Um presentão!...

Pesquisas questionam a suposta generosidade cristã dos brasileiros

Se a generosidade é um dos atributos dos cristãos, por que os brasileiros não se destacam nesse quesito? Duas recentes pesquisas levam essa questão à reflexão. 
Pesquisa da americana Pew Research Center confirmou ser o Brasil o segundo maior país cristão do mundo, com 90% de sua população.

Outra pesquisa, feita pela britânica CAF (Charities Aid Fondation), colocou os brasileiros em 85º lugar em um ranking de generosidade. O índice de generosidade dos brasileiros em 2011 foi de 29%, contra os 30% de 2010, na 76ª posição. Houve, portanto, uma queda de nove posições.


Do total de entrevistados, 48% afirmaram que ajudaram um estranho, 26% informaram ter doado dinheiro a instituições de caridade e 14% disseram que participaram de um trabalho voluntário. 

Em termos de generosidade, o Brasil está no mesmo nível da África do Sul, Bangladesh, Camarões, Itália, Mali, Marrocos, Moçambique e República Democrática do Congo. 

Os norte-americanos são o povo mais generoso do mundo e também o mais cristão, como mais de 90% do total das pessoas. Nesse caso, vale, portanto, a tese de que a cristandade e a generosidade andam juntas.

Mas uma pesquisa feita no Reino Unido entre abril de 2010 a março de 2011 mostrou que cristãos não são mais desprendidos em relação aos não crentes, pelo menos quanto aos trabalhos voluntários. Do total de pessoas consultadas, 56% das sem religião participaram como voluntárias ao menos uma vez em atividades sociais – percentual apenas um pouco abaixo do apurado entre os cristãos (58%).

No caso dos brasileiros, talvez a pesquisa de generosidade da CAF deva ser colocada em dúvida porque somos tidos como um povo naturalmente solidário, independentemente das religiões, se isso não for mais um mito. 

Quanto aos cristãos mais devotos, talvez a sua generosidade esteja beneficiando não quem precisa de ajuda, mas pastores cada vez mais milionários.

Nível de generosidade dos brasileiros está em 85º lugar, diz estudo.
dezembro de 2011

Não religioso britânico se dedica ao voluntariado igual ao religioso.
outubro de 2011

Estatística das religiões no Brasil.

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2011/12/pesquisas-questionam-suposta.html#ixzz1hNfBo8TU 

Entre Papai-Noel e Menino Jesus

Natal
Da última vez que visitei Oslo, reuniam-se na capital norueguesa ministros do turismo de países escandinavos e bálticos para decidir: qual é a terra de Papai-noel?
Ministros da Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Islândia quebravam a cabeça para decidir como evitar propaganda enganosa junto ao público infantil. A criançada queixava-se: alguém mentia. Papai-noel não pode ter nascido -como sugeria a concorrência entre agências de turismo- na Lapônia e na Groenlândia, lugares distintos e distantes um do outro.
Não conheço o resultado da conferência de Oslo. Espero que, se não chegaram a um acordo, pelos menos a guerra, se vier, seja apenas de travesseiros. Mas é a Finlândia que melhor explora a figura do velho presenteador transportado no trenó puxado por renas. Assinala inclusive a sua terra natal: Rovaniemi, onde o Santa Park é, todo ele, tematizado por Papai-noel, lá denominado Santa Claus.
Sabemos todos que Papai-noel nasce, de fato, na fantasia das crianças. Acreditei nele até o dia em que me perguntei por que o Paulo, filho da empregada, não recebera tantos presentes de Natal como eu. O velhinho barbudo discrimina os pobres?
Malgrado tais incongruências, Papai-noel é uma figura lendária, reaviva a criança que trazemos em nós. E disputa a cena com o Menino Jesus, cujo aniversário é o motivo de festa e feriado de 25 de dezembro. Papai-noel enriquece os correios no período natalino, tantas as cartas que são remetidas a ele. Aliás, basta ir aos Correios e solicitar uma das cartas que crianças remetem ao velhinho barbudo. Com certeza o leitor fará a alegria de uma criança carente.
Não se sabe o dia exato em que Jesus nasceu. Supõem alguns estudiosos que em agosto, talvez no dia 7, entre os anos 6 ou 7 antes de Cristo. Sabe-se que morreu assassinado na cruz no ano 30. Portanto, com a idade de 36 ou 37 anos, e não 33, como se crê.
Tudo porque o monge Dionísio, que no século 6 calculou a era cristã, errou na data do nascimento de Cristo.
Até o século 3, o nascimento de Jesus era celebrado a 6 de janeiro. No século seguinte mudou, em muitos países, para 25 de dezembro, dia do solstício de inverno no hemisfério Norte, segundo o calendário juliano. Evocavam-se as festas de épocas remotas em homenagem à ressurreição das divindades solares.
Os cristãos apropriaram-se da data e rebatizaram a festa, para comemorar o nascimento Daquele que é “a luz do mundo”. Para não ficar de fora da festa, os não cristãos paganizaram o evento através da figura de Papai-noel, mais adequado aos interesses comerciais que marcam a data.
Vivemos hoje num mundo desencantado, porém ansioso de reencantamento. Carecemos de alegorias, mitos, lendas, paradigmas e crenças. O Natal é das raras ocasiões do ano em que nos damos o direito de trocar a razão pela fantasia, o trabalho pela festa, a avareza pela generosidade, centrados na comensalidade e no fervor religioso.
Pouco importa o lugar em que nasceu Papai-noel. Importa é que o Menino Jesus faça, de novo, presépio em nosso coração, impregnando-o de alegria e amor. Caso contrário, corremos o risco de reduzir o Natal à efusiva mercantilização patrocinada por Papai-noel. Isso é particularmente danoso para a (de)formação religiosa das crianças filhas de famílias cristãs, educadas sem referências bíblicas e práticas espirituais.
Lojas não saciam a nossa sede de Absoluto. Há que empreender uma viagem ao mais íntimo de si mesmo, para encontrar um Outro que nos habita. Esta é, com certeza, uma aventura bem mais fascinante do que ir até a Lapônia.
Contudo, as duas viagens custam caro. Uma, uns tantos dólares. Outra, a coragem de virar-se pelo avesso e despir-se de todo peso que nos impede de voar nas asas do Espírito.
Frei Betto é escritor, autor do romance Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
via Cotrreio do Brasil

Por que e Natal: origem da riqueza acumulada pela Igreja Católica

Anotações de Aleppo
(Papa LeónX)"A igreja é a maior de todas as corrupções imagináveis."
(O filósofo Friedrich Nietzsche)"Nós realmente queimar com a luxúria, e enquanto vociferantes contra o dinheiro, encher nossos potes de ouro, e nada será suficiente."
(O bispo Jerônimo)
As riquezas da Igreja Católica:
O Vaticano tem o segundo maior tesouro de ouro no mundo



. ■ No italiana "Oggi" tesouro revista ouro no Vaticano, em uma "informação especial" foi colocado atrás os EUA, como o segundo maior do mundo: 7.000 milhões de liras = 3500000000 Euros. Em comparação, o valor do tesouro de ouro no estado da Itália é "apenas" 400 bilhões de liras. Isso foi em 1952. Qual é o tamanho atual do tesouro do Vaticano? Calcular o aumento do valor, então o valor do ouro hoje seria 63% maior. Com a venda do tesouro do Vaticano, de acordo com o tempo de uma eventual pagamento, poderia ter produzido um ganho de 650%.E aqui uma pergunta:
. Como é que esta riqueza do Vaticano enorme em ouro?.....

sábado, 24 de dezembro de 2011

Adriano o maior craque em fazer merda do mundo

RIO - O jogador de futebol Adriano é acusado de ter atirado acidentalmente em Adriene Cyrilo, de 20 anos, na saída da boate Barra Music, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, por volta das 6h deste sábado. Ela foi baleada na mão esquerda, dentro da BMW que tem placa de São Paulo (FAD-1002), de propriedade de Adriano, que joga no Corinthians.
Adriene acusa o jogador de ter atirado nela, acidentalmente, depois de ele pegar a pistola .40 do segurança, o tenente da reserva da PM Júlio César Barros de Oliveira, de 52 anos. Ela contou à Polícia Militar que o jogador estava brincando com arma, quando ela disparou. Segundo a polícia, havia seis pessoas no carro, sendo quatro mulheres. Há uma marca de tiro no veículo, de dentro para fora, do lado do banco traseiro esquerdo. Também há vestígios de sangue na lataria do BMW.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/adriano-acusado-de-atirar-em-mulher-dentro-do-proprio-carro-3508542#ixzz1hTIifcbc


Passa-se uns dias ele promete que vai se regenerar, a mídia acha lindo o esforço dele para se recuperar e....breve... mais uma merda.
Os sócios do clube que contrata um jogador como este para ganhar milhões de reais em um ano e não jogar deviam processar seus dirigentes.
É por isto que nosso futebol a cada dia se afunda mais, dirigentes irresponsáveis, jogadores mais irresponsáveis ainda e que jogam muito menos, inclusive Neymar, do que a mídia e eles próprios acham que jogam.
Bom, ao menos temos o maior fazedor de merda do futebol mundial! 
Uma sugestão: convoquem a Dona Eliana Calmon para presidir a CBF, aquilo lá é um antro de bandidos!

by: Interrrogações

Amanhã é natal e ninguém lembra das pessoas que passam fome...



Amanhã é natal e eu não entendo o por quê desse desespero todo em torno de uma data que perdeu todo seu sentido. 

Vendo pais e filhos se estressando por conta de presentes a comprar, pessoas sendo mal educadas nas fila e no trânsito por causa da pressa ou da busca do presente deixado para a última hora, muita gente sonegando para poder consumir mais, consumidores comprando produtos piratas porque dizem que "não são ladrões do seu próprio dinheiro", esquecendo que para produzir aquele CD ou DVD (original) teve muita transpiração e inspiração por trás e que seus autores deveriam ser justamente remunerados (e não me venham com o papo de que poderia ser cobrado mais barato, porque se o problema é o preço, compre-se só o que puder comprar ou não compre).

Amanhã é natal e ninguém lembra das pessoas que passam fome ou sofrem dores lancinantes, ou se lembram, o fazem só nessa época, como uma expiação de seus próprios pecados.

Ninguém lembra - ou fazemos todos que fingimos não ver - das crianças com armas em punho, martelos em punho, drogas nas mãos, marcas no corpo, estômagos tão vazios que doem, por esse mundo afora.

Não lembramos sequer dos vizinhos que passam necessidades.

Uma festa pagã, onde o deus é o cifrão e os anjos são as marcas e o status. 

Amanhã é natal e a data que a igreja criou para comemorar o aniversário de Jesus Cristo aproveitando de uma festa pagã (para facilitar a atração de fiéis) está voltando às origens, ou seja, voltando a ser uma festa pagã, onde o deus é o cifrão e os anjos são as marcas e o status. 

E Jesus Cristo parece nem estar aí para tudo isso, eis que ninguém sabe mesmo quando ele nasceu ou quando ele morreu.

Amanhã é natal e depois da manhã tudo voltará a ser como sempre foi. A maioria pensando em como se safar nessa vida de "cada um por si". E com as lojas cheias de pessoas reclamando dos presentes que ganharam e não gostaram.

Apenas um aviso aos incautos: nenhuma loja é obrigada a trocar os produtos que não serviram ou não combinaram com o resto do guarda-roupa ou que vocês simplesmente não gostaram, se não houver defeito. E erro de escolha ou tamanho não é defeito. Se as lojas trocarem, o farão simplesmente para tratar bem o cliente, com a expectativa de que voltem no próximo evento comercial...

CPI da Privataria: deputados petistas dizem que vão apoiar a Comissão

Na última quarta-feira, dia 21, foi protocolado o requerimento para a instalação da CPI da Privataria, proposta pelo deputado Protógenes Queiróz (PCdoB/SP) e que obteve o apoio de mais de 180 parlamentares.
Apesar de desejada por grande parte da militância de esquerda, a CPI parece não ter sido recebida com o mesmo entusiasmo por parte do PT, partido que teve papel fundamental na crítica às privatizações, nos anos 90. Em entrevista coletiva, a presidenta Dilma Rousseff preferiu não se posicionar claramente sobre o tema. Já Cândido Vaccarezza, líder do Governo na Câmara, afirmou “não olhar para o retrovisor”.
Entretanto, o requerimento recebeu adesão de 67 deputados petistas, que foram fundamentais para se ultrapassar o número mínimo de 171 assinaturas para a instalação da CPI. A ausência de alguns nomes gerou inquietações em quem desejava maior adesão. Os 19 deputados que não assinaram foram os seguintes:
Arlindo Chinaglia (SP)
Benedita da Silva (RJ)
Candido Vaccarezza (SP)
Carlinhos Almeida (SP)
Dalva Figueiredo (AP)
Décio Lima (SC)
Edson Santos (RJ)
Gilmar Machado (MG)
Jesus Rodrigues (PI)
Jilmar Tatto (SP)
José Airton Cirilo (CE)
Marco Maia (RS)
Miguel Correa Júnior (MG)
Odair Cunha (MG)
Paulo Teixeira (SP)
Pedro Eugênio (PE)
Rui Costa (BA)
Sérgio Barradas Carneiro (BA)
Zeca Dirceu (PR)
O Escrevinhador tentou falar com todos os deputados do PT que não assinaram o requerimento. Apresentamos a seguir a justificativa daqueles que retornaram o contato.
Edson Santos (RJ)
Apesar de seu nome não constar na lista, o deputado carioca afirma ter assinado o requerimento e explica que provavelmente sua assinatura não foi reconhecida pela Mesa da Câmara. De acordo com o documento, houve sete assinaturas que “não conferem”.
Edson Santos declarou ao Escrevinhador: “as CPIs são um instrumento tradicional da oposição. Apesar de fazer parte da base do Governo, fiz questão de assinar esta CPI por entender que a mesma será importante para a necessária releitura histórica do episódio em questão. Quero que as informações apresentadas no livro de Amaury Ribeiro Jr. sejam publicamente esclarecidas para que, a partir do envio das conclusões da CPI à Justiça, os culpados por eventuais desvios possam ser devidamente responsabilizados”.
José Airton Cirilo (CE)
A assessoria de imprensa afirmou que o deputado desejava assinar o requerimento, mas não conseguiu devido a sua agenda. “A ausência da sua assinatura não impediu a criação da CPI, que é o mais importante. Ele também irá se empenhar e colaborar com a CPI no que for possível, com outras formas de contribuição.”
Marco Maia (RS)
Como presidente da Câmara, o petista não se posiciona sobre o tema. Em entrevista coletiva, ele afirmou que essa pode ser ”uma CPI explosiva, com contornos muito claros de debate político, mas também terá o intuito de esclarecer os fatos e dar oportunidade para o contraditório”.
Paulo Teixeira (SP)
O líder do PT na Câmara preferiu não assinar o requerimento para “manter a neutralidade como líder de bancada, e evitar ver prejudicada a relação com outras legendas”. Nota de sua assessoria de imprensa afirma que, “enquanto parlamentar, teria assinado tranquilamente, no entanto, sua posição enquanto líder da bancada petista exigiu uma postura mais cautelosa” e que, “mesmo não assinando a CPI, o parlamentar garantiu que apoia as investigações”.
Rodrigo Vianna
No Escrevinhador

O que um juiz faria com R$ 77,00 de aumento salarial?

A presidente Dilma Rousseff assinou nesta sexta-feira (23) o decreto que determina o valor de R$ 622,00 para o salário mínimo a partir de janeiro de 2012. São 77 mangos a mais do que os R$ 545,00 de hoje – ou 14,13%.
Já o salário mínimo mensal necessário para manter dois adultos e duas crianças deveria ser de R$ 2.349,26 – em valores de novembro de 2011. O cálculo é feito, mês a mês desde 1994, pelo Departamento Intesindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese).
Para calcular o valor, o Dieese considera, de acordo com a Constituição. Ou seja: “salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim”,
Mas como todos sabemos, o artigo 7º, inciso IV da Constituição Federativa do Brasil, que prevê isso, é uma das maiores anedotas que temos na República.
O governo federal atrelou o ritmo de crescimento do PIB ao do salário mínimo, na tentativa de resgatar seu poder de compra. O combinado prevê reajustes baseados na soma entre a inflação e a variação do PIB. Como o PIB foi bom em 2010, o aumento será mais significativo. Mas estamos longe de garantir dignidade com esse “mínimo de brinquedo”. Nas grandes cidades, são poucos os que recebem apenas o mínimo. Contudo, ele ainda é referência para remunerações em muitos lugares, sem contar que milhões de famílias dependem do mínimo pela Previdência Social.
Ninguém está pregando aqui a irresponsabilidade fiscal geral e irrestrita, mas o aumento do salário mínimo é uma das ações mais importantes para a qualidade de vida ao andar de baixo. Afinal de contas, salário mínimo não é programa de distribuição de renda, é uma remuneração mínima – e insuficiente – por um trabalho. Não é caridade e sim uma garantia institucional de um mínimo de pudor por parte dos empregadores e do governo.
A evolução no valor de compra do mínimo desde o Plano Real mostram que estamos melhorando. O problema é que saltos no gráfico não revelam que, na média, o salário mínimo continua uma desgraça sem vergonha.
Acordei pensando o que deve passar pela cabeça de uma pessoa que mora no interior do país, recebe pouco mais de um mínimo e tem que depender de programas de renda mínima para comprar o frango do Natal, quando vê na sua TV velha a notícia de juízes que receberam, de uma só vez, centenas de milhares de reais em pagamentos atrasados de auxílio-moradia, se defendendo de críticas falando de Justiça. E, pouco depois, no mesmo telejornal, a notícia de que o Estado, em sua magnanimidade, lhe dará a garantia de mais R$ 77,00 ao final do mês.
Naquele momento, alguns engolem o choro da raiva ou da frustração e torcem para a novela começar rápido e poderem, enfim, esquecer de tudo aquilo. Não porque precisam se mostrarem fortes – sabem que são. Mas porque também sabem de que de não adianta se indignar. Afinal de contas, o país não é deles mesmo.
No Blog do Sakamoto, via comtextolivre