segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Elio Gaspari compara as soluções anticrise de Lula e Fernando Henrique

Interessante essa comparação feita ontem por Elio Gaspari, na Folha e no Globo:

Duas crises financeiras, dois resultados

Um malvado devorador de números fez um exercício e comparou as iniciativas tomadas pelo tucanato durante a crise financeira internacional de 1997/1999 com as medidas postas em prática pelo atual governo desde o ano passado. Fechando o foco nas mudanças tributárias, resulta que os tucanos avançaram no bolso da patuléia, enquanto Nosso Guia botou dinheiro na mão da choldra.

Entre maio de 1997 e dezembro de 1998, o governo remarcou, para cima, as alíquotas de sete impostos, além de passar a cobrar um novo tributo.

A alíquota do Imposto de Renda do andar de cima passou de 25% para 27,5%. O IOF de créditos pessoais dobrou e aumentaram-se as dentadas nas aplicações. O IPI das bebidas ficou 10% mais caro e a alíquota do Cofins passou de 2% para 3%. Tudo isso e mais a entrada em vigor da CPMF, que arrecadou R$ 7 bilhões em 1997.

A voracidade arrecadatória elevou a carga tributária de 28,6% para 31,1% do PIB. O produto interno fechou 1998 com um crescimento de 0,03% e a taxa de desemprego pulou de 10% para 13%. Em 1999, o salário mínimo encolheu 3,5% em termos reais.

A crise financeira mundial de 2008/2009 foi mais severa que as dos anos 90. Em vez de aumentar impostos, o governo desonerou setores industriais, baixou o IPI dos carros, geladeiras e fogões, deixando de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões nos primeiros três meses do tratamento. Uma mudança na tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas, resolvida antes da crise, deixou cerca de R$ 5,5 bilhões na mão da choldra.

A carga tributária caiu de 35,8% do PIB para 34,5%. Em 2009, o salário mínimo teve um ganho real de 6,4%.
O desemprego deu um rugido mas voltou aos níveis anteriores à crise.

Ao que tudo indica, a crise de 2008 sairá pelo mesmo preço que a de 1997/98: um ano de crescimento perdido.

As duas situações foram diferentes, mas o fantasma do populismo cambial praticado pela ekipekonômica de 1994 a 1998 acompanhará o tucanato até o fim de seus dias. O dólar-fantasia teve uma utilidade, ajudou a reeleger Fernando Henrique Cardoso. Ele derrotou Lula em outubro e o real foi desvalorizado em janeiro.

Vamos aguardar

A revista Veja na coluna de Lauro Jardim, diz que uma nova pesquisa nacional, foi realizada pela Vox Populi, concluída há seis dias. Nela, o tucano José Serra aparece com os mesmos 40%, das intenções de votos, que ele tinha em maio deste ano.Ou seja, está estacionado.A ministra Dilma estaria com 15%. Ciro Gomes, tem 12% e 5% de Marina da Silva.

Já tem blogueiro tucano comemorando...A um ano da eleição, não se deve antecipar vencedores.Os números verdadeiros da pesquisa, vai aparecer quando o Presidente Lula ocupar o horário eleitoral e palanque ao lado da ministra Dilma...

Só lembrando

Em 2008, havia uma candidata, com mais de 40% de intenção de votos, um ano antes da eleição...Durante a campanha, esses números despencaram e ela perdeu a eleição.Lembram disso?

É cedo para comemorar. Nada está ganho.

domingo, 8 de novembro de 2009

Só falta mudar o nome da Uniban para Taliban

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), informou neste domingo, 8, que que vai cobrar da Universidade Bandeirante (Uniban) explicações sobre a decisão de expulsar uma aluna que usava um vestido curto e sobre o andamento das medidas contra estudantes que a "atacaram verbalmente". Nilcéa condenou a decisão de expulsar a universitária e disse que a atitude da escola de demonstra "absoluta intolerância e discriminação". "Isso é um absurdo. A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade acha que deve estabelecer padrões de vestimenta adequados, deve avisar a seus alunos claramente quais são esses padrões", disse a ministra à 'Agência Brasil', ao chegar para participar do seminário seminário A Mulher e a Mídia.

Em anúncio pago publicado nos jornais deste domingo e que já circulam neste sábado, a Uniban informou a expulsão da aluna Geisy Arruda. Diz o texto que a moça adotou uma “postura incompatível com o ambiente da universidade” e que ela provocou os colegas ao fazer “um percurso maior que o habitual”, desfilando todo o seu “desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.As cerca de 300 participantes do seminário A Mulher e a Mídia decidiram divulgar, ainda neste domingo, moção de repúdio à Uniban pela expulsão da estudante

A decisão da Uniban também foi reprovada pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), uma das participantes do seminário. Segundo a deputada, a expulsão de Geisy não se justifica e parte de um "moralismo idiota". afirmou Erundina

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, considerou "descabida" a decisão da Universidade Bandeirante (Uniban) de expulsar a aluna após o episódio em que ela foi humilhada por outros alunos.

Uniban e o linchamento moral: a culpa é da vítima

Esse desfecho já era esperado. Desde quando houve a sindicância o advogado de Geyse reclamou sobre o tipo de interrogatório que estava sendo promovido ali. Perguntas e mais perguntas sobre a vida pessoal de Geyse, suas roupas, seu comportamento, etc. Depois na quinta-feira em um propgrama de TV, também o assessor jurídico disse que eles iriam investigar se ela provocou, se não provocou, se ela tinha o hábito de ir com aquelas roupas, ou não, e que os alunos, professores e funcionários iriam ser ouvidos, porque ele estava impressionado como que na universidade há tantas meninas que usam vestidos curtos e roupas decotadas e ainda assim não ocorre o que ocorreu com Geyse. Alguma causa há, dizia ele.

E mesmo a ministra Nilcea Freire tendo enviado um documento para a Uniban no qual dizia, entre outras coisas:“Justificar qualquer crime ou mesmo discriminação contra a mulher só faz propagar a cultura sexista de gênero, pois afasta a culpa dos agressores, transmitindo a fatores secundários como o uso inadequado de roupas, comportamento provocativo ou ainda à conduta da mulher”...Parece que ninguém deu muita bola para ministra.


Expulsão de aluna da Uniban chega à mídia internacional

Em artigo, o New York Times, a história de Geisy.Ao final do texto, o jornal diz que, apesar de o Brasil ser conhecido por suas roupas sumárias, a maior parte dos estudantes usam roupas mais modestas nas universidades, como jeans e camisetas.Outros jornais que deram destaque para o caso foram o Guardian e o Daily Telegraph, ambos do Reino Unido. Além disso, a versão on-line da rede americana CBS traz matéria sobre a expulsão da estudante.

Caetano e os analfabetos

A história ensina a não confiar nos artistas. A quantidade de artistas que aderiram às teses de Mussolini, alguns mesmos tornando-se verdadeiros heróis do Il Duce, como o poeta D'Annunzio, já mostra que um artista entende tanto de política quanto de matemática. Por acaso, há artistas que entendem de política, como há artistas que talvez entendam de matemática; mas trata-se, por assim dizer, de coincidências.

Nosso alegre boêmio, Augusto Frederico Schmidt, por exemplo, apoiou o golpe de Estado de 1964, ou pelo menos foi isso que os jornais deram a entender, quando publicaram manchete com uma frase sua favorável ao regime. Céline teve que esperar alguns anos antes de poder retornar a França, pois havia sido condenado à morte por causa de sua posição dúbia - em alguns momentos até favorável - quanto ao nazismo; e o incomparável Knut Hansum, que escrevera o romance mais doloroso do século XX, A Fome (que traz a descrição mais humana, mais viva e mais autêntica da fome, segundo Josué de Castro), filiou-se entusiasticamente ao partido nazista, recebendo, inclusive, condecorações!

Portanto, não estranhem quando um grande artista como Caetano Veloso dá voz a preconceitos tão mesquinhos, como fez na entrevista ao Estadão, na qual declarou que "votava em Marina porque ela não era analfabeta como Lula".

Dias depois, o "cafona", o "grosseiro", era, pela enésima vez, recebido pela rainha da Inglaterra, que tinha um sorriso sincero e admirativo no rosto. O analfabeto estava lá para receber um prêmio internacional da Chatham House... O Primeiro Mundo nem sempre foi o mar de rosas pacífico, limpo e desenvolvido que gostamos de imaginar. Inglaterra, França e EUA já viveram fome, guerra, miséria, revoluções, e aprenderam que somente superaram suas dificuldades em virtude da sabedoria, criatividade e força dos homens simples, dos homens do povo.

Afinal, o que é ser "analfabeto" para Caetano? Sua crítica, aliás, está na boca de muita gente. Há uma consciência de classe muito específica aqui. Sim, porque, a questão não é saber ler ou não, pois Lula sabe ler muito bem. A questão é possuir uma determinada cultura, mas qual é, exatamente, essa cultura? São os clássicos? Lula deveria ter lido a Ilíada, de Homero? Aí entramos numa situação curiosa. É que Homero era, ele sim, um analfabeto, embora no caso dele não seria possível outra condição, porque, segundo a maioria dos pesquisadores, o alfabeto grego ainda não fora inventado. Andei lendo bastante sobre isso, e descobri que uma das teorias mais respeitadas entre os estudiosos é que a pessoa que inventou o alfabeto grego (que é uma cópia do fenício, adaptada ao vocabulário grego) o fez justamente para anotar os versos de Homero. A seguinte cena deve ser imaginada: Homero recitando os versos para que esse astuto e pioneiro escrivão anote-os, e daí nasce a literatura ocidental!

Não precisamos ir tão longe. Antropólogos e historiadores vem estudando com muito afinco, desde os anos 60, o poder das culturas populares, baseadas sobretudo na tradição oral. Pode-se transmitir conhecimentos oralmente? É claro que sim, pois de outra maneira qual o sentido de pagarmos 120 mil dólares para ouvir um professor "falar" sobre Platão, numa sala em Harvard? Não poderíamos, simplesmente, ler Platão no conforto de nossa casa - e sem gastar os 120 mil dólares?

As palavras ouvidas e faladas valem menos que as palavras escritas? Bem, talvez não seja isso o que pretendia dizer Caetano, porque suas letras são "cantadas" e não "lidas", e não é preciso ter lido Levi-Strauss para saber apreciá-las corretamente. Caetano expressou uma noção sobre "etiqueta". Uma visão (embora inconscientemnete, e mesmo assim indesculpável) um tanto fascista sobre uma determinada forma de se comportar, de falar, de se expressar, e que inclui o conhecimento, mesmo que superficial, mesmo que seja apenas um verniz, sobre um cânone.

O mundo produziu milhões de livros importantes, e hoje em dia é virtualmente impossível estabelecer precisamente quais devem ser lidos ou não. Caetano não leu nem 1% desses livros, assim como Lula. Eu também não li. Por outro lado, poderia-se acusar Lula de não ter lido Dom Casmurro. De fato, é um livro interessante. Mas aí precisamos fazer um interrogatório detalhado ao presidente, porque corremos o risco de quebramos a cara se ele responder: "eu li Dom Casmurro. Não gostei muito". Aliás, é fácil entender porque um operário de chão de fábrica, sem grande interesse pela literatura universal, não demonstre entusiasmo pela história de um burguesinho ciumento...

Milhares de brasileiros leram Dom Casmurro, mas permanecem na condição de "analfabetos", pois continuam cafonas e grosseiros. Depois ter cantado em dupla, por tantas vezes, com Júnior (o irmãozinho genial da Sandy), supreendi-me com esse súbito repúdio de Caetano à estética cafona... Ah tá, Júnior com certeza não é analfabeto... Claudia Leite também não é analfabeta... É de se perguntar, além disso, se Caetano chamaria Cartola, Pixinguinha e Nelson Cavaquinho de "analfabetos", por não possuirem instrução formal e se comportarem de forma um tanto "cafona". Pixinguinha recebia seus convidados segurando um copo cheio de cachaça e Cartola, sempre um orgulhoso e inveterado cachaceiro, trabalhou como flanelinha no centro do Rio...

Porque ainda há milhões de analfabetos de verdade, que não sabem assinar o próprio nome. Há casos tristes, trágicos, de pessoas que não conseguem sequer se expressar. Todos conhecemos casos assim, em geral associados às condições econômicas miseráveis. Há outros, que, apesar de não saberem ler, desenvolveram admirável capacidade oratória. Há pessoas que lêem muito, mas não conseguem falar. Meu pai era assim, coitado. Um homem culto, mas que não conseguia encaixar uma frase em outra. Era uma espécie de analfabeto da fala, e isso o fazia sofrer muito, porque dificultava a socialização e ele era um homem que amava muito seus amigos e via-se que ele se esforçava, às vezes, para superar sua deficiência. Bebia muito em função disso, para tentar se soltar. Eu herdei um pouco dessa dificuldade e também bebia muito tentando "destravar" a língua. No colégio, sofria horrivelmente com a insuperável dificuldade em abordar as meninas, em comunicar minha admiração por elas. Mas eu acabei superando essas barreiras, e tornei-me um tagarela quase insuportável.

Enfim, a humanidade oferece uma heterogeneidade muito grande de saberes linguísticos. Neste quesito, acho que Caetano, se tivesse a oportunidade de reelaborar suas colocações, aceitaria que Lula é um mestre, e não apenas no Brasil. A sensibilidade linguística de Lula é reconhecida internacionalmente. Seria desonesto negar os fatos, e a popularidade de Lula prova isso. A própria oposição política, não querendo dar o braço a torcer sobre sua qualidade como administrador, atribui a popularidade de Lula exclusivamente à sua técnica verbal.

Então de que analfabetismo fala Caetano? Voltamos ao cânone. Caetano tem um cânone na cabeça. São os livros que ele mesmo leu, e que ele considera, preconceituosamente, que todos deveriam ler, se querem ser inteligentes. Há também a questão do comportamento. Em outras entrevistas, Caetano admitiu, muito sapecamente, que adora o jeito 'classe-média' de ser, como fazer comprar no supermercado Zona Sul, etc... Daí voltamos àquele repúdio sanguíneo ao sindicalista barbudo, grosso, cachaceiro, que não sabe segurar um garfo e faca, com quem não podemos conversar sobre vinhos franceses...

Eu conheço bem esse preconceito tolinho, esses olhos que brilham quando falamos em Marcel Proust, essa admiração canina por um diploma. O irônico de tudo é que a literatura autêntica nasce da vida, e os escritores vão as ruas estudar a personalidade de indivíduos como Lula para se inspirarem. Afinal, há os que escrevem, há os que lêem, e há os que inspiram livros. São os líderes políticos, os guerreiros, revolucionários, chefes sindicais, bandoleiros famosos.

Outro ponto que me veio à cabeça, quando li essa entrevista do Caetano, foi sobre Sancho Panza, o astuto escudeiro de Don Quixote. Sancho é uma figura fundamental no clássico de Cervantes, e até hoje talvez não tenha merecido a devida atenção. Lembrei de Sancho porque Lula é uma espécie de Sancho Panza da política. É um homem do povo que simula uma simplicidade muito maior do que a que realmente possui. Sancho Panza é muito mais prudente, esperto e lúcido do que seu patrão. Don Quixote é um bem-intencionado, um valente, um culto, mas é um indivíduo completamente destrambelhado, um louco. Sancho Panza é sua maior ligação com a realidade. E Sancho é leal e corajoso.

Outra figura muito parecida à Sancho Panza é Sam Weller, o empregado do Sr.Pickwick, no admirável romance de Charles Dickens. O escritor publicava os capítulos num folhetim. Quando introduziu Sam, houve um êxito instantâneo. Sua inserção no quinto capítulo da narrativa alavancou as vendas de forma estrondosa: do quarto número foram tirados 400 exemplares, após o surgimento da figura, a tiragem saltou para 400 mil antes mesmo do vigésimo capítulo.

Hoje poucos leram esse romance, o primeiro do escritor inglês. É um romance absurdamente hilário. As trapalhadas do Sr.Pickwick são de fazer qualquer um morrer de rir. Tão diferente das xaropadas melancólicas que Dickens irá escrever depois! Pois bem, o Sr.Pickwick resolve contratar um empregado para o ajudar em suas viagens pela Inglaterra e encontra Sam. O rapaz se revelará o verdadeiro "cérebro" do romance. É ele que inventa os planos mirabolantes e sempre bem sucedidos para tirar seu chefe das mais incríveis enrascadas. Além disso, possui um humor incomparável, e não economiza-o em momento algum. A genialidade de Sam retrata a admiração dos britânicos pela sabedoria popular, e explica a simpatia franca e humana com que a rainha Elisabeth recebe Lula toda a vez que o presidente põe os pés na ilha. Em toda Europa, a cultura (entendendo aí o comportamento, os modos, a maneira de falar) dos trabalhadores é respeitada com quase reverência. Na França, milhares de aristocratas tiveram suas cabeças cortadas por muito menos que entrevistas como essa de Caetano. Nos Estados Unidos, a criatividade do homem do povo é honorificada constantamente em filmes e livros.

Pois a cultura "livresca" que Caetano e grande parte da classe média brasileira prezam como condição mínima para uma pessoa pertencer à boa sociedade, para ser um não-analfabeto, implica também em matar a espontaneidade natural, aquela graça original, a força, a virilidade. Tantos historiadores já escreveram sobre isso, sobre a auto-censura a que o homem civilizado é sujeito, causa de tantas neuras e debilidades psíquicas! Afinal, qual o objetivo do ser humano? É ser um indivíduo com algumas leituras, ou mesmo um gênio da poesia, como D'Annunzio, mas que defende o fascismo? É ser um homem culto, porém sem graça, sem coragem, e broxa?

É muito difícil ser um homem inteiro, e conciliar o desenvolvimento pleno de todas as nossas faculdades físicas e psicológicas com uma participação criativa na sociedade. Muitos dizem que essas coisas estão ligadas, e que a debilidade psicólogica tem origem numa relação doentia e medrosa com o ambiente social. Eu acredito nisso. Gosto de participar da vida política do mundo porque sinto-me mais forte quando o faço. Sinto saúde. É uma relação de parceria. Eu ajudo (ou tento ajudar) o mundo e o mundo me ajuda.

Voltando ao analfabetismo de Lula, as pessoas como Caetano deveriam entender que o conhecimento deriva-se não apenas dos livros, mas da observação dos homens, superação das dificuldades, conversas noturnas, amor, casamento, sexo. Muitas pessoas querem encontrar nos livros o que talvez encontrassem numa boa conversa de botequim, ou simplesmente num passeio solitário pelas ruas. Muitas firulas psicológicas podem ser resolvidas com um saudável mergulho na vida, e a política, muitas vezes, proporciona essa aproximação com as forças primevas da sociedade. Esse conhecimento é genuíno. É tão válido quanto qualquer máxima filosófica. O próprio Kant entendia isso quando abre a sua obra-prima, a Crítica da Razão Pura, dizendo que todo e qualquer conhecimento nasce da experiência. E o que importa ao conhecimento são os frutos. De que adianta ler muitos livros e ser um idiota preconceituoso, ou um medíocre inútil e corroído pela inveja? Se Lula conseguiu se tornar um estadista invejável, admirado internacionalmente, dono de uma popularidade inédita no Brasil e no mundo, é porque ele colheu conhecimentos em algum lugar, não importa onde, processou-os, e converteu-os em vida, em talento, em sucesso, em redenção econômica e social para milhões de brasileiros. Se mesmo assim ele for considerado um analfabeto, então viva os analfabetos!

# Escrito por Miguel do Rosário #

O PCC ataca, a imprensa esconde, e José Serra faz campanha

A imprensa, evita ao máximo prejudicar a campanha política do governador paulista, José Serra (PSDB.

Primeiro: A imprensa não associa o PSDB ao nome do senador tucano Eduardo Azeredo. Para não desgastar a imagem de José Serra, o mensalão é de Minas. Mensalão, só ganha nome de partido político quando as matérias de jornais se referem ao governo Lula.:“Mensalão do PT e mensalão de Minas”.

O jornal O Estado de S. Paulo praticamente escondeu a notícia, publicando-a na página 9 de seu primeiro caderno.

A Folha de S. Paulo deu uma chamada subalterna e amena na capa ("Relator do STF aponta crime de Azeredo em valerioduto") e trouxe uma reportagem com apenas 630 palavras, pequena para os padrões do escândalo midiático.

O Globo deu, na capa, uma manchete sobre economia e, em sua página eletrônica preferiu atacar o deputado José Genoino (PT-SP), com a manchete "Réu do mensalão, Genoino defende 'ficha-suja'", só se referindo à decisão do ministro Joaquim Barbosa numa matéria secundária com um título "frio": "Para relator do mensalão no STF, Eduardo Azeredo cometeu peculato".

Segundo: A imprensa, faz de conta que não sabe, mas, o mensalão tucano envolve Azeredo com a lista de Furnas.No episódio, Nilton Monteiro entregou para a PF recibo no valor de R$ 4,5 milhões assinado por Eduardo Azeredo que registra financiamentos de campanha do senador em 2002 e mais 156 políticos. A investigação do mensalão tucano foi iniciada com base nesses dados que nós publicamos aqui no blog, com exclusividade em 2005. A lista de furna faz descrição de origem e destino de recursos de caixa dois do PSDB.

Terceiro:A imprensa esqueceu o nome da facção criminosa que age no estado de S.Paulo: Ontem, jornais notíciaram que, "Com armas de guerra, uma quadrilha"...A quadrilha em questão, nada mais é que, o Primeiro Comando da Capital, o (PCC), nascido dentro dos presídios de São Paulo, há 15 anos,desde o primeiro dia em que o PSDB assumiu o governo paulista.

O PCC roubou, anteontem, cerca de R$ 6 milhões de um carro-forte da Prosegur, na Rodovia Anhanguera,(privatizada por José Serra) e matou um empresário -A Intervias, era uma das clientes do empresário morto-.O ataque é semelhante ao ocorrido 23 dias atrás na cidade de Amparo,também em São Paulo, quando assaltantes levaram R$ 1.367 milhão de um carro-forte da mesma empresa.O PCC foi bem ousado dessa vez...usou um ônibus para fechar a Rodovia.

Em ambos os casos, os criminosos portavam metralhadoras e fuzis de uso restrito, uma arma desse calibre teria abatido um helicóptero da polícia no Rio, no mês passado, dizem polícias civis. Aliás, não faz muito tempo que, um paulistano foi preso na Bahia transportando num ônibus uma metralhadora .50, capaz de derrubar aeronaves. A imprensa, finge que nada está acontecendo. Fala em quadrilha criminosa, mas esquece de dar o nome dessa quadrilha. Afinal, dia sim, e outro também, José Serra, está discursando nos palanques, e a divulgação de notícia da ação do PCC, prejudicaria a campanha Serra presidente.

Após resposta de Lula, Fhc diz evitar debata "de baixo nível"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) comentou neste sábado a resposta que o Presidente Lula deu ontem durante o 12º Congresso do PCdoB, em São Paulo. No evento, Lula afirmou que FHC tinha certeza de que o governo petista "seria um fracasso", além de dizer que o governo tucano não foi melhor por "incompetência".

"Tudo o que tinha a dizer já disse. Não vou mais falar sobre o assunto. Não quero entrar nesse debate de baixo nível das questões", disso Fernando Henrique, que participa nesse sábado da Conferência de São Paulo.

"O que eu escrevi foi pensando no funcionamento do sistema, não foi pensando em pessoas. Não tenho nada a acrescentar. Quero evitar que isso se transfome em acusações pessoais. Não é o meu objetivo e não faz meu estilo", disse o ex-presidente.

Dilma diz que "forças do passado" fazem queixumes, resmungos e lamúrias

por Luiz Carlos Azenha

O Viomundo sugeriu ao presidente Lula e à ministra Dilma Rousseff que identificassem Fernando Henrique Cardoso como um homem do século 20, com ideias do século 20, defensor de um capitalismo para poucos. Um homem do passado.

Em outras palavras, acreditamos que o governo não deve repetir a batalha ideológica que vem sendo travada desde os anos 60, entre esquerda e direita. Convenhamos, o governo Lula é uma coalizão centrista e como tal deve se apresentar. Deve falar aos eleitores sobre coisas concretas: banheiro com privada, melhoria do acesso à saúde e educação, oportunidades de emprego, melhoria salarial, projetos sociais para fortalecer o mercado interno, agricultura familiar, etc. Deve articular a ideia de que os projetos sociais melhoram o mercado interno, o que é bom para todos os brasileiros: mais gente comprando é mais gente produzindo. Chamem de capitalismo solidário, capitalismo do século 21, capitalismo para todos. A nomenclatura pouco importa.

Importa articular a ideia de que existe uma grande diferença entre um projeto político includente e outro, excludente.

Apesar de não ser exatamente uma novata, Dilma Rousseff pode se apresentar, sim, como candidata da renovação, por ser a primeira mulher com chances de chegar ao Planalto. José Serra e FHC, do outro lado, se encaixam perfeitamente -- no campo da imagem -- na ideia de forças do passado. Se o candidato tucano fosse Aécio Neves, as coisas seriam diferentes:

Lula critica FHC e Dilma diz que ‘forças do passado são patéticas’

por Maria Angélica Oliveira

Do G1, em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas à oposição e, em especial, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesta sexta-feira (6). Além disso, Lula voltou a defender a candidatura da ministra Dilma Roussef à presidência em 2010.

"O Fernando Henrique Cardoso eu tenho uma convicção absoluta de que ele tinha certeza absoluta de que nós seríamos um fracasso e que ele poderia voltar por conta do meu fracasso. É isso que magoa. Eu lamento, porque o mundo não deveria ser assim. A gente quando perde uma coisa a gente tem que torcer para o outro fazer", afirmou, durante o 12º Congresso do PC do B, em São Paulo.

A fala do presidente foi interpretada como uma resposta a artigo escrito por FHC e publicado no último domingo (1) nos principais jornais do país, em que o ex-presidente criticou o governo Lula e pediu o 'fim do continuísmo'.

Num discurso que durou uma hora, ele mostrou um recorte de jornal com uma reportagem cujo título era, segundo ele, “Contra Lula, PSDB treina cabos eleitorais no Nordeste.

“É um pouco do que Hitler fazia para os alemães pegarem os judeus, ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam. (...) Fiquei com pena. (...) Vão encontrar gente do PT, do PC do B, da CUT, do MST. Acho que vão se dar mal”, disse.

Em nota, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que Lula age como um "psiquiatra", que interpreta sentimentos alheios. FHC disse que sempre torceu, porque ama o Brasil, que o governo Lula desse certo e, para isso, preparou uma transição "suave".

Em outro momento, Lula defendeu o nome da ministra Dilma Rousseff para “consagrar a continuidade”. Ele disse sentir “uma certa tristeza” porque “vai ser a primeira eleição para a Presidência da República que meu nome não vai estar na cédula”. “Vai ter um vazio. Na minha cabeça, vai ter um vazio. Por isso, depois dele, a Dilma, para gente poder consagrar a continuidade de um projeto. Preste atenção porque essa coisa é muito séria. Quem é prefeito ou governador sabe que um estranho no ninho pode desmontar tudo o que foi feito em apenas dois anos”.

'Patéticos'

Ao lado de Lula e diante de ministros e lideranças de partidos da base aliada, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada como possível candidata do PT ao Palácio do Planalto, afirmou que “forças do passado” usam “velhas táticas” para tentar fragmentar a base aliada do governo e que “são patéticas ao tentar confundir as pessoas”.

“Os que vão fazer o Brasil avançar não serão aqueles que imobilizaram num modelo neoliberal este país por tantos anos, forças do passado que mais uma vez tentam se organizar e que usam as mesmas velhas táticas. Pensam ser astutos ao tentar fragmentar a base aliada do governo Lula por meio de crises artificiais. São patéticos ao tentar confundir as pessoas ao dizer que nossos modelos são parecidos, nossa política econômica é a mesma. São patéticos quando afirmam que o Bolsa Família é a continuidade do Vale Gás e do Bolsa Escola”.

"Eles reiteradamente se esqueceram do povo, dilapidaram o patrimônio público com privatizações. Ele não tem moral para falar de nós", referindo-se ao ex-presidente e a seu partido, o PSDB. A ministra disse ainda identificar por parte dos opositores "queixumes, resmungos e lamúrias", além de ´excesso de vaidade´e falta de rumo.

Antes de discursar, Dilma foi saudada como “futura presidente da República” pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT), e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).

Na mesa com Lula e Dilma, estavam também os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Orlando Silva (Esportes), Tarso Genro (Justiça), Paulo Vanucchi (Direitos Humanos), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), lideranças do PC do B e deputados do PSB e PDT, que falaram em nome de seus partidos.

A ministra afirmou ainda que o povo brasileiro “sabe comparar”. “O povo brasileiro sabe comparar. Pensa, reflete e decide muito bem. (...) O povo brasileiro vai saber comparar um país que está vencendo a crise, que consolidou a participação dos movimentos sociais, um país que quebrou mitos, que soube criar uma fórmula que permite distribuir renda e crescer.”

FT: Brasil, superpotência pronta para alimentar o mundo

do site da BBC Brasil

O jornal britânico Financial Times traz em sua edição desta quinta-feira um caderno especial dedicado a oportunidades de investimento no Brasil em que chama o país de "superpotência agrícola pronta para alimentar o mundo" mas aponta para deficiências no setores de infra-estrutura e educação.

Lembrando que o país foi um dos que se saiu melhor na recessão, e que muitos de seus setores não foram sequer afetados, o FT afirma que se o Brasil mantiver o rumo de sua política econômica e social e se não houver outra grande recessão no mundo, o mais provável é que continue no caminho do crescimento, apresentando uma série de oportunidades de investimento em diferentes setores.

“O sucesso demorou muito tempo a chegar e a noção de que o país está mudando está alcançando os brasileiros a um ritmo lento”, afirma a reportagem de abertura, explicando que a classe média emergente – que este ano, pela primeira vez, corresponde a mais da metade da população, segundo dados do governo - é uma das forças por trás deste crescimento.

O jornal diz que o país, "maior exportador mundial de carne, frango, suco de laranja, açúcar, etanol, tabaco e soja", se consolidou nas últimas duas décadas como superpotência agrícola, e que esse status se deve à modernização e ganhos em eficiência.

O FT lembra ainda que, apesar dos fortes influxos de investimentos no país, para alcançar seu potencial, ainda são necessárias mudanças no país.

“O Brasil precisa de muito mais, não apenas para se preparar para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. Estradas, ferrovias, portos, energia e outras infra-estruturas vitais precisam de expansão e modernização.”

O jornal lembra que o setor de educação, por exemplo, é um dos que precisa melhorar, e que os níveis de escolaridade no país ainda deixam a desejar em comparação a outros na região e em situação semelhante, como a China ou a Coreia do Sul.

Segundo o FT, ainda existe também uma diferença muito grande entre a região Nordeste e o resto do país e aponta para o forte - e ainda pouco explorado - potencial do setor de turismo.

O diário elogia os setores de agricultura, bancos, mercado de capitais e ainda elogia o programa de transferência de renda bolsa família, afirmando que ele faz “diferença real”.

Preocupação

Para o jornal, os investidores estarão atentos a mudanças no país, e casos recentes, que demonstram maior intervenção do Estado na economia, podem ser vistos como motivo de preocupação.

O FT cita especificamente a criação de uma nova empresa para explorar as reservas do pré-sal, e a pressão sobre a Vale para que diversifique seus investimentos.

“No pior dos casos, a combinação de um aprofundamento da crise global e uma mudança na política poderia levantar barreiras no que parece ser um caminho certo para um crescimento mais rápido”, diz a reportagem.

“Mas por agora, parece improvável que essas preocupações tirem o país do rumo”, conclui.

O FT traz reportagens sobre setor bancário, mercados de capitais, meio ambiente, turismo, políticas sociais, Nordeste, açúcar, agricultura, mineração, petróleo, energia, educação, infra-estrutura, moda, e sobre o medo da violência depois que o Rio foi escolhido como a sede das Olimpíadas.

Apesar do cenário ainda indefinido em relação à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o jornal diz que dificilmente um dos dois principais pré-candidatos até agora (a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff e o governador de São Paulo, José Serra) vai mudar os rumos do país drasticamente.

“O desempenho ruim e as dúvidas em relação a si mesmo vão persistir”, diz o jornal, “mas o enorme potencial do país e seus tremendos recursos naturais e humanos estão finalmente chegando perto de alcançar o futuro brilhante que não muito tempo atrás parecia destinado a permanecer para sempre fora de alcance”.

frase do dia

"A oposição não tem projeto, discurso nem base de apoio social. O que eles têm é uma tentativa de partidarização de alguns segmentos da imprensa, substituindo a oposição política por uma oposição quase midiática.
(ministra Dilma Rousseff; 07-11)