domingo, 15 de março de 2015

Extrema-direita avança com ódio aos direitos humanos, diz filósofo

Na avaliação do filósofo Renato Janine Ribeiro, da USP, a extrema-direita no Brasil adotou uma agenda voltada para a área de costumes, com “ódio cabal aos direitos humanos”. Em palestra em São Paulo, ele disse que o risco no atual cenário político é a contaminação da direita liberal pela extrema-direita

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Em palestra proferida em São Paulo, o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor da cadeira de Ética e Filosofia Política da USP, afirmou que os grupos políticos de extrema-direita no Brasil estão voltando suas atenções sobretudo para a área de costumes — o que envolve as questões de gênero e os direitos de minorias, como os homossexuais. “O que distingue a extrema-direita hoje no Brasil é quase que mais uma agenda de costumes do que uma agenda política”, afirmou. “A extrema-direita está se distinguindo do restante por um ódio cabal aos direitos humanos.”

Antes de falar sobre a forma como a extrema-direita age, o professor observou que no Brasil ainda existem preconceitos fortes em relação a expressões como direita e esquerda e que isso torna o diálogo político mais difícil. Ao definir os dois grupos do ponto de vista da ideologia, disse que a direita defende uma sociedade mais competitiva, com pouca interferência do Estado; e que a esquerda quer programas sociais mais intensos, com maior presença do Estado.

Para a esquerda a questão básica seria a redução das desigualdades. Para a direita, a liberdade, sobretudo a liberdade de empreender. O ideal, do ponto de vista político, seria conseguir um “diálogo bem falante” entre direita e esquerda.

O diálogo não é possível, porém, com grupos extremistas. Enquanto a direita e a esquerda são democráticas, defensoras da liberdade e dos direitos humanos, a extrema-direita e a extrema-esquerda são contrárias a esses princípios, observou o palestrante.

Ao se referir ao quadro partidário e ao Congresso, disse que não existem evidências de ação de grupos de extrema-esquerda no atual momento político. A extrema-direita, no entanto, estaria presente em vários partidos, destacando-se com ataques à liberdade de costumes.

“Atacam o homossexual, a igualdade de gênero, os direitos das mulheres, e por aí. Tudo isso tem um alcance muito grande no Brasil”, assinalou.

Ao atacarem condutas diferentes, os grupos políticos de extrema-direita estariam ganhando o apoio e se articulando com correntes políticas evangélicas, sobretudo neopentecostais. “Isso está criando uma situação potencialmente perigosa”, afirmou. “Na Câmara, um deputado está propondo uma PEC na qual se diz que todo poder não emana do povo, mas de Deus. Não vai passar, mas é um sinal da loucura que está por aí.”

Ainda sobre os riscos potenciais da ação da extrema-direita, Janine observou: “O perigoso no Brasil, de certa forma, é a extrema-direita ir se aproximando da direita e contaminando, a ponto de seu apoio se tornar essencial.”

O cenário é delicado, segundo o filósofo. “A extrema-direita quer aumentar o seu cacife, mas a direita não vê as coisas dessa maneira. Para ela interessa uma extrema-direita radical, que não conhece limites, mas que não se torne hegemônica. Esse é um ponto delicado. A extrema-direita se tornará hegemônica se começar a conquistar gente da oposição, se a oposição começar a achar que o discurso brutal é correto.”

Sobre essa questão ele também disse: “Estamos tendo no Brasil uma tolerância, que é grande, com condutas antidemocráticas que deveriam ser tipificadas como criminosas… Pregar a volta dos militares deveria ser crime, deveria levar a pessoa para a cadeia. Vários países da Europa criminalizaram a pregação nazista. Nós — que tivemos uma ditadura militar — deveríamos criminalizar a pregação da ditadura.”

Na palestra que se estendeu por quase duas horas, com perguntas dos convidados, Ribeiro fez críticas à ação do PSDB e do PT e falou de políticas sociais do governo, impeachment, corrupção e insatisfações da classe média, entre outros assuntos. O encontro aconteceu na terça-feira, 10, e foi organizado pelo Quintal Amendola — uma organização que se apresenta como “espaço para discussão, debate e aprendizado”.

Roldão Arruda
No Estadão

A Marcha dos Insensatos e a sua primeira vítima - (parte 3)




Outro mito sobre o suposto comunismo do PT, é que Dilma e Lula, por revanchismo, sejam contra as Forças Armadas, quando suas administrações, à frente do país, começaram e estão tocando o maior programa militar e de defesa da história brasileira.

Lula nunca pegou em armas contra a ditadura. No início de sua carreira como líder de sindicato, tinha medo “desse negócio de comunismo” — como já declarou uma vez — surgiu e subiu como uma liderança focada na defesa de empregos, aumentos salariais e melhoria das condições de classe de seus companheiros de trabalho, operários da indústria automobilística de São Paulo, e há quem diga que teria sido indiretamente fortalecido pelo próprio regime militar para impedir o crescimento político dos comunistas em São Paulo.

Dilma, sim, foi militante de esquerda na juventude, embora nunca tenha pego em armas, a ponto de não ter sido acusada disso sequer pela Justiça Militar.

Mas se, por esta razão, ela é comunista, seria possível acusar desse mesmo “crime” também José Serra, Aloisio Nunes Ferreira, e muitos outros que estão, hoje, contra o PT.

Se o PT tivesse alguma coisa contra a Marinha, ele teria financiado, por meio do PROSUB, a construção do estaleiro e da Base de Submarinos de Itaguaí, e investido 7 bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a França, de vários submersíveis convencionais e do primeiro submarino atômico do Brasil?

Teria, da mesma forma, comprado novas fragatas na Inglaterra, voltado a fabricar navios patrulha em nossos estaleiros, até para exportação para países africanos, investido na remotorização totalmente nacional de mísseis tipo Exocet, na modernização do navio aeródromo (porta-aviões) São Paulo, na compra de um novo navio científico quebra-gelo na China, na participação e no comando por marinheiros brasileiros das Forças de Paz da ONU no Líbano ?

Se fosse comunista, o governo do PT estaria, para a Aeronaútica, investido bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a Suécia, de mais de 30 novos caças-bombardeio Grippen NG-BR, que serão fabricados dentro do país, com a participação de empresas brasileiras e da SAAB, com licença de exportação para outros países, depois de uma novela de mais de duas décadas sem avanço nem solução ?

Teria encomendado à Aeronáutica e à Embraer, com investimento de um bilhão de reais, do governo federal, o projeto do novo avião cargueiro militar multipropósito KC-390, desenvolvido com a cooperação da Argentina, do Chile, de Portugal e da República Tcheca, capaz de carregar até blindados, que levantou voo pela primeira vez, há poucos dias, como a maior aeronave já fabricada no Brasil ?

Teria comprado, para os Grupos de Artilharia Aérea de Auto-defesa da FAB, novas baterias de mísseis IGLA-S; ou feito um acordo com a África do Sul, para o desenvolvimento conjunto, com a DENEL Sul-africana, do novo míssil ar-ar A-Darter?

Se fosse um governo comunista, o governo do PT teria financiado o desenvolvimento, para o Exército, do novo Sistema Astros 2020, e recuperado financeiramente a AVIBRAS?

Se fosse um governo comunista, que odiasse o Exército, o governo do PT teria financiado e encomendado a engenheiros dessa força, o desenvolvimento e a fabricação, com uma empresa privada, de 2.050 blindados da nova família de tanques Guarani, que estão sendo construídos na cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais?

Ou o desenvolvimento e a fabricação da nova família de radares SABER, e, pelo IME e a IMBEL, para as três armas, da nova família de Fuzis de Assalto IA-2, com capacidade para disparar 600 tiros por minuto, a primeira totalmente projetada no Brasil?

Ou encomendado e investido na compra de helicópteros russos — lembremos que a Rússia é hoje um país capitalista — e na nacionalização de novos helicópteros de guerra da Helibras e mantido nossas tropas no Haiti?

Em 2012, o novo Comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, então Comandante Militar da Amazônia, respondeu da seguinte forma a uma pergunta, em entrevista à Folha de São Paulo:

Lucas Reis:

“Em 2005, o então Comandante do Exército, general Albuquerque, disse “o homem tem direito a tomar café, almoçar e jantar, mas isso não está acontecendo (no Exército). A realidade atual mudou?

General Eduardo Villas Bôas:

“Mudou muito. O problema é que o passivo do Exército era muito grande, foram décadas de carência. Desde 2005, estamos recebendo muito material, e agora é que estamos chegando a um nível de normalidade e começamos a ter visibilidade. Não discutimos mais se vai faltar comida, combustível, não temos mais essas preocupações.”

A outra razão que contribui para que o governo do PT seja tachado de comunista, e muita gente saía às ruas, no domingo, é a política externa, e a lenda do “bolivarianismo” que teria adotado em suas relações com o continente sul-americano.

Não é possível, em pleno século XXI, que os brasileiros não percebam que, em matéria de política externa e economia, ou o Brasil se alia estrategicamente com os BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul), potências ascendentes como ele; e estende sua influência sobre suas áreas naturais de projeção, a África e a América Latina — incluídos países como Cuba e Venezuela, porque não temos como ficar escolhendo por simpatia ou tipo de regime — ou só nos restará nos inserir, de forma subalterna, no projeto de dominação europeu e anglo-americano?

Ou nos transformarmos, como o México, em uma nação de escravos, que monta peças alheias, para mercados alheios, pelo módico preço de 12 reais por dia o salário mínimo?

Jogando, assim, no lixo, nossa condição de quinto maior país do mundo em território e população e sétima maior economia, e nos transformando, definitivamente, em mais uma colônia-capacho dos norte-americanos?

Ou alguém acha que os Estados Unidos e a União Europeia vão abrir, graciosamente, seus territórios e áreas sob seu controle, à nossa influência, política e econômica, quando eles já competem, descaradamente, conosco, nos países que estão em nossas fronteiras?

"meme" contra ex-comandantes militares do Governo Dilma por
sua obediência à Constituição e à hierarquia
Do ponto de vista dessa direita maluca, que acusa o governo Dilma de financiar, para uma empresa brasileira, a compra de máquinas, insumos e serviços no Brasil, para fazer um porto em Cuba — a mesma empresa brasileira está fazendo o novo aeroporto de Miami, mas ninguém toca no assunto — muito mais grave, então, deve ter sido a decisão tomada pelo Regime Militar no Governo do General Ernesto Geisel.

Naquele momento, em 1975, no bojo da política de aproximação com a África inaugurada, no Governo Médici, pelo embaixador Mario Gibson Barbosa, o Brasil dos generais foi a primeira nação do mundo a reconhecer a independência de Angola.

Isso, quando estava no poder a guerrilha esquerdista do MPLA - Movimento Popular para a Libertação de Angola, comandado por Agostinho Neto, e já havia no país observadores militares cubanos, que, com uma tropa de 25.000 homens, lutariam e expulsariam, mais tarde, no final da década de 1980, o exército racista sul-africano, militarmente apoiado por mercenários norte-americanos, do território angolano.

Ao negar-se a meter-se em assuntos de outros países, como Cuba e Venezuela, em áreas como a dos “direitos humanos”, Dilma não faz mais do fez o Regime Militar brasileiro, com uma política externa pautada primeiro, pelo “interesse nacional”, ou do “Brasil Potência”, que estava voltada, como a do governo do PT, prioritariamente para a América do Sul, a África e a aproximação com os países árabes, que foi fundamental para que vencêssemos a crise do petróleo.

Também naquela época, o Brasil recusou-se a assinar qualquer tipo de Tratado de Não Proliferação Nuclear, preservando nosso direito a desenvolver armamento atômico, possibilidade essa que nos foi retirada definitivamente, com a assinatura de um acordo desse tipo no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Se houvesse, hoje, um Golpe Militar no Brasil, a primeira consequência seria um boicote econômico por parte do BRICS e de toda a América Latina, reunida na UNASUL e na CELAC, com a perda da China, nosso maior parceiro comercial, da Rússia, que é um importantíssimo mercado para o agronegócio brasileiro, da Índia, que nos compra até mesmo aviões radares da Embraer, e da Àfrica do Sul, com quem estamos também intimamente ligados na área de defesa.

O mesmo ocorreria com relação à Europa e aos EUA, de quem receberíamos apenas apoio extra-oficial, e isso se houvesse um radical do partido republicano na Casa Branca.

Os neo-anticomunistas brasileiros reclamam todos os dias de Cuba, um país com quem os EUA acabam de reatar relações diplomáticas, visitado por três milhões de turistas ocidentais todos os anos, em que qualquer visitante entra livremente e no qual opositores como Yoani Sanchez atacam, também, livremente, o governo, ganhando dinheiro com isso, sem ser incomodados.

Mas não deixam de comprar, hipocritamente, celulares e gadgets fabricados em Shenzen ou em Xangai, por empresas que contam, entre seus acionistas, com o próprio Partido Comunista.

Serão os "comunistas" chineses — para a neo-extrema-direita nacional — melhores que os "comunistas" cubanos?

(segue)

Leia também: A Marcha dos Insensatos e a sua primeira vítima - (parte 1) — A Marcha dos Insensatos e a sua primeira vítima - (parte 2)

A crise política brasileira: uma novela em 6 atos



Ato 1 - como construir um desastre em quatro meses

Terminada a eleição, Dilma Rousseff sai vitoriosa. Foi ela quem imprimiu o ritmo final de campanha, intuiu a hora de atacar e garantiu a vitória no segundo turno. Saiu das eleições extenuada física, psicológica e emocionalmente, mas com a sensação de ter-se graduada com louvor em política: nessa eleição a vitoriosa havia sido ela, não Lula.

Assessores alertavam que o terceiro turno não esperaria a trégua tradicional: começaria no dia seguinte às eleições. Virando a esquina estava a bocarra da Lava Jato, os problemas da Petrobras, o desajuste fiscal, o início do desemprego e derrotados que saíram da campanha babando sangue.

O período deveria ser aproveitado para a freada de arrumação, preparar o segundo governo, juntar ideias, organizar grupos de trabalho em cada área. Os desafios a serem superados eram enormes: montar uma estratégia defensiva de resposta à Lava Jato e de saída para a Petrobras; um plano de governo para a agenda positiva; e um trabalho de recomposição da base de apoio.

Mas Dilma sumiu do mapa. Trancou-se por dois meses, com raríssimas aparições públicas, empenhando-se exclusivamente em montar um ministério para chamar de seu. Fechou-se a qualquer sugestão, inclusive de Lula — que se afastou dela.

Entre 5 de novembro e 15 de fevereiro foram 8 aparições públicas — sem discurso, a não ser os protocolares. Seu eleitorado se sentiu abandonado; sua equipe, perdida.

No final do ano todos os Ministros já tinham preparado suas cartas de demissão, colocando simbolicamente o cargo à disposição da presidente. Em fevereiro, pouca coisa decidida. Ministros, secretários, assessores sem saber se colocavam filhos na escola, providenciavam a volta para seus locais de origem, procuravam emprego. As empresas públicas em suspenso, sem planejamento, os Ministérios paralisados, aguardando as definições.

As únicas decisões de Dilma foram entregar a Fazenda a um economista ortodoxo e montar um conselho político para assessorá-la nas estratégias parlamentares.

Quando a longa gestação chegou ao fim, abriu-se o baú da reforma ministerial aguardando que dele saltasse o Anjo Gabriel, anunciando a anunciação. Em seu lugar, pulularam sacis, lobisomens, boitatás e mulas sem cabeça - especialmente as espécies sem cabeça.

O governo perdeu fragorosamente as eleições na Câmara — único objetivo de um Ministério político —; a base de apoio esfacelou-se. O Ministro Joaquim Levy anunciou um pacote fiscal que, necessário ou não, atropelava todo o discurso de campanha de Dilma. Além de abandonado, agora seu eleitorado sentia-se traído, porque sem explicações, pedidos de desculpas, autocríticas seja lá o que lhe permitisse criar um álibi qualquer para continuar defendendo Dilma.

Sem a blindagem na opinião pública, Dilma viu-se acossada por um exército de tiranossauros, uma fauna exótica onde se misturam Fernando Henrique Cardoso (o Marcello Reis do PSDB), Lobão, Aécio, Marcello Reis (o FHC do "Revoltados, Já") e, por trás, José Serra — com sua notável capacidade de sumir na hora do pau e arrotar valentia nos bastidores (alô, alô! Você que convive com Serra: não é isso mesmo?). Todos devidamente pautados por Marcello Reis, brilhante intelectual emergente desses tempos e cólera, na verdade uma zebra que assumiu a liderança da oposição, dando o tom primário e a palavra de ordem tosca para seus seguidores, além de estimular um comércio crescente de camisetas com ofensas a Dilma.

FHC assimilou o discurso com uma pequena copidescagem para torná-lo mais elegante, o Príncipe curvando-se aos fatos e conformando-se com o sub-comando de um exército saído das profundezas do tempo. Aloyzio Nunes foi a seco, em alguns momentos superando o grande Marcello Reis. E, assim, a oposição foi, a reboque de Marcello e da mídia.

A passeata do dia 15 entra nos telejornais, na agenda de eventos dos jornais impressos, no alarido dos locutores de rádio, firmando-se como grande atração do dia, a ponto de deslocar o horário de um jogo de futebol.

Foi duro o choque de realidade.

Nos dois meses de retiro, a interlocução de Dilma foi só com Aloizio Mercadante, que mais ouviu do que falou, mais obedeceu do que aconselhou e acabou levando a culpa por muitas decisões que não foram dele.

Em prazo recorde, o capital acumulado nas eleições se esvaiu. O handicap de Dilma passou a ser a outra face da moeda: a cara rancorosa do comandante Marcello Reis, do sub-comandante FHC e a desenvoltura agressiva de Eduardo Cunha.

Seguiram-se vários movimentos trôpegos de quem tenta entender o tamanho da jamanta que a atropelou. E toca a juntar os cacos.

Antes de entrar nesse terreno, alguns dados para entender o fator Dilma Rousseff.

Ato 2 - entendendo o fator Dilma

Dilma tem aspectos bastante semelhantes ao do ex-presidente Itamar Franco. Ambos sempre se viram na dimensão de pessoa física, não da institucionalidade do cargo, ou como representantes de projetos, de ideias.

Dilma só reage quando a pessoa física é atingida. Se o PGR (Procurador Geral da República) sugere a demissão da diretoria da Petrobras, afeta a autoridade pessoal de Dilma e ela reage. Se alguém insinua seu conhecimento das falcatruas, também reage indignada. Se os ataques são contra o governo, as instituições, a democracia ou o PT, ignora em nome do republicanismo.

Vasculhando a história do país, não se encontrará presidente mais honesto, patriota e anti-arreglos. Dilma abomina qualquer forma de desonestidade e mesmo da manipulação pessoal do interesse público. E a pessoa física não consegue aceitar situações que o homem de Estado acataria de forma pragmática em nome do projeto político.

Foi assim que Dilma tomou-se de uma ojeriza expressa por Eduardo Cunha, quando chegaram ao seu conhecimento rumores sobre os jogos de interesse bancados pelo deputado.

Por duas vezes Cunha enfiou em uma medida provisória a possibilidade de construção de aeroportos particulares, medida que interessava diretamente à Camargo Correia e à Andrade Gutierrez. Por duas vezes, Dilma vetou.

Nos bastidores, falava-se em financiamento de até R$ 80 milhões para a bancada de Cunha, caso a medida passasse. Outra participação ativa foi na Lei dos Portos, um lobby explícito em favor de grupos portuários.

Esse maneira de pensar e agir foram decisivas na montagem da estratégia política de não aceitar qualquer acordo prévio com Eduardo Cunha nas eleições para a mesa da Câmara. E explica grande parte dos conflitos com Lula, cujo pragmatismo abriu espaço para o fortalecimento dessa fauna.

E, aí, entra-se em um terreno pantanoso, ainda não suficientemente analisado pelas instituições nacionais, especialmente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e pelo Ministério Público: o avanço político do crime organizado.

Ato 3 - o avanço político do crime organizado

A lista HSBC expõe, de forma ampla, o que foi o ambiente cinza do mercado financeiro internacional depois da liberalização financeira, uma mixórdia onde se misturavam caixa 2, dinheiro do narcotráfico, do terrorismo internacional, da corrupção política, das jogadas financeiras.

É essa zona cinzenta que favorece a proliferação do crime.

Na política também existe uma zona cinzenta, um cenário que favorece a expansão da influência do crime organizado. No caso brasileiro, a zona cinzenta ganhou dimensão quando o STF implodiu o sistema partidário e permitiu a proliferação dos pequenos partidos. E, depois, quando o financiamento privado de campanha decidiu investir na sua própria bancada, em vez de bancar políticos individualmente.

Sempre houve políticos bancados pelo crime mas, em geral, eram subordinados à organização partidária que restringia sua capacidade de atuação no Congresso. Com o pluripartidarismo à brasileira, esse disciplinamento deixou de existir. Abriu-se uma caixa de Pandora de difícil equacionamento, especialmente depois que os partidos majoritários passaram a se engalfinhar em uma luta fratricida.

Os elogios de líderes do PT e do PSDB a Eduardo Cunha, no seu depoimento espontâneo à CPI da Petrobras, é um dos episódios mais vexatórios da história do Congresso e mais significativo desses tempos sem rumo.

O avanço do crime organizado não se deu apenas na atividade parlamentar, mas também em outros territórios extra-institucionais, como a imprensa.

O episódio que inaugurou essa nova fase foi a parceria entre a revista Veja e a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira.

Não era mais a imprensa se aliando a colarinhos brancos sofisticados, a golpistas do mercado financeiro, a banqueiros suspeitos, mas à corrupção chula de bicheiros e contraventores.

Cachoeira elegeu um senador, Demóstenes Torres.

Veja transformou-o em um cruzado contra a corrupção, deu-lhe status de celebridade no mercado de opinião. Com o poder conquistado, Demóstenes fazia os jogos de interesse de Cachoeira e da Abril (na matéria da Veja, foto ao lado, apenas Demóstenes é réu, os demais são apenas coadjuvantes para deixá-lo em boa companhia).

A CPMI de Cachoeira poderia ser o início da grande luta política contra o crime organizado ao desvendar as ligações de Cachoeira com a Veja e com empreiteiras — como a Delta —, que por sua vez mantinham ligações estreitas com o mundo político, a começar do então governador do Rio Sérgio Cabral.

A CPMI mostrou a especialização que se formara no mercado de corrupção. O bicheiro prospectava contratos e licitações no setor público, passíveis de corrupção, uma atuação que poderia começar nas discussões de projetos de leis e emendas orçamentárias e se desdobrar por repartições públicas federais e estaduais; aliava-se a uma empresa parceira, que assumia a fase legal do projeto; garantia a blindagem com a parceria com a mídia e com os padrinhos políticos.

Na série "O caso de Veja" narro como essa parceria provocou o escândalo Marinho que alijou dos Correios o esquema Roberto Jefferson para a entrada de parceiros de Cachoeira — uma outra quadrilha, desbaratada dois anos depois pela Polícia Federal.

O Ministério Público cochilou ao não avançar nas investigações abertas pela CPMI de Cachoeira. Seria o ponto de partida para o início da verdadeira guerra contra a corrupção política mais visceral, aquela que envolve o crime organizado.

A Lava Jato abre uma nova possibilidade para se desbaratar esse modelo, ao identificar seus desdobramentos regionais. E o MPF terá que sair da zona de conforto e enveredar por caminhos nunca dantes navegados: as interseções do crime organizado com o país institucionalizado, incluindo aí a mídia e o Congresso.

É nesse terreno pantanoso que a pessoa física Dilma Rousseff precisa entrar, enfrentando um jogo sujo, tomada por pruridos próprios das pessoas de bem, mas sem o senso prático das pessoas de Estado, juntando os cacos e retomando as redes da governabilidade. E a mãe de todas as batalhas, o por assim dizer caco-mor, é a recomposição da base política.

Ato 4 - o início da reação política

Em 2010, Dilma tinha à mão o maior conhecedor de Congresso, o vice presidente Michel Temer. Dilma esvaziou-o tanto que, tendo por alavanca apenas a atuação sobre comissões temáticas da Câmara, o notório Eduardo Cunha logrou o controle do PMDB.

Na 5a feira foi anunciado o novo conselho político, desta vez enriquecido por profissionais: Michel Temer, Eliseu Padilha, Eduardo Braga, Gilberto Kassab e Aldo Rebello, o mais diplomático de seus Ministros, mantido Aluizio Mercadante, o menos político de seus ministros.

Foi tão rápida a decisão que na 5a, por volta das 19:30, Kassab ainda não sabia do novo conselho. E Padilha foi avisado pelos jornais.

Será um trabalho complexo, que ajudará a definir a nova base de apoio e, com ela, um novo Ministério. O atual morreu de velhice prévia.

Não será tarefa fácil. Cunha impõe um receio aos adversários que vai muito além do mero confronto político, como atesta a maneira cautelosa com que o vice presidente Temer refere-se a ele.

Mas nenhuma estratégia política será bem sucedida sem se construir um cenário econômico razoável. Por isso mesmo, o segundo caco a ser juntado é o econômico.

Ato 5 - recompondo o incêndio econômico

Ainda há muito fato negativo pela frente, os desdobramentos do pacote fiscal, o aumento do desemprego, da inflação. Mas o governo começa a despertar da inércia.

O primeiro ato foi a substituição de Graça Foster na presidência da Petrobras. A teimosia de Dilma atrasou por seis meses o ajuste e quase deixou o gigante de joelhos. A entrada de Ademir Bendine, com um plano claro de reestruturação, deu início à volta à normalidade. Já se tem um plano de ação pela frente, com a negociação com as agências de rating e os credores.

O segundo ato — já na reta final — foi a montagem do grupo de bancos públicos e privados para garantir a manutenção da rede de fornecedores da Petrobras nessa fase mais crítica.

O terceiro ato — em andamento — é o redesenho das concessões em infraestrutura e o encaminhamento do PAC 3. Não se pretende iniciar obras novas, nem novos investimentos, dada a penúria fiscal, mas completar as que estão em andamento.

No campo das concessões, o Planejamento já está trabalhando com o setor privado na definição dos projetos executivos, dentro da modalidade de licitar também o projeto. As conversas estão indo bem, os primeiros resultados deverão aparecer em breve e as primeiras licitações deverão ocorrer até o final do ano.

Em geral, leva 9 meses entre o início dos trabalhos e a licitação na rua. Haverá um interregno até o final do ano e, depois, entrará em voo de cruzeiro.

Enquanto isto, haverá um longo desafio pela frente de restaurar o ânimo social do país.

Ato 6 - a dura reconquista da confiança

É forçar a barra julgar que as reações contra Dilma e o PT sejam meras manifestações das classes A e B. Pode ser uma visão paulistana ou carioca, mas o ódio contra o PT e contra Dilma desceu na escala social.

Gilberto Carvalho já alertara, antes mesmo das eleições, sobre a profundidade da resistência contra ambos.

Será necessário um penoso processo de reconstrução da credibilidade perdida, algo que passa pela retomada do crescimento (que dificilmente ocorrerá antes de dois anos), pela definição de um programa de governo que possa mostrar a retomada do futuro, mesmo que em algum ponto distante, pela revitalização dos programas sociais, pela retomada de políticas industriais eficientes.

O governo tem todas armas à mão. Os últimos anos geraram um enorme estoque de ideias centrais em diversas áreas, no desenvolvimento regional, nas políticas sociais, nos componentes de políticas industriais modernas, nos modelos de parceria universidade-empresas, nos próximos passos das políticas educacionais.

Mas há um problema crítico de comunicação interna no governo.

Dilma não tem a menor ideia sobre os estudos já desenvolvidos, as ideias-chave já gestadas, para poder tecer as amarras de um plano integrado de governo.

Ainda há tempo de fazer o que deveria ter feito no dia seguinte às eleições: um enorme brainstorm juntando todas as áreas do governo, com assessoria de bons gestores e bons analistas políticos, visando renascer das cinzas as ideias centrais sobre o que poderá ser o segundo governo Dilma.

Para não ter o mesmo destino do segundo governo FHC, que se arrastou sem nada produzir até o fim do mandato. E não havia tanto ódio no ar quanto agora.

Luís Nassif
No GGN, via http://www.contextolivre.com.br/2015/03/a-crise-politica-brasileira-uma-novela.html

Barões da mídia, tremei: a CPI do Swissleaks vem aí


"O senador Randolfe Rodrigues (PSOL), autor do requerimento que cria a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do SwissLeaks, está determinado em investigar todos os brasileiros envolvidos com as contas secretas do HSBC; ele disse, neste sábado (14), que a primeira medida do colegiado será pedir a quebra de sigilo de todos os correntistas já conhecidos, para verificar se de fato eles declararam à Receita Federal odinheiro depositado no exterior; Randolfe também convocará todos os órgãos de fiscalização e bancos para explicar como o sistema permite a sonegação de impostos; para ele, "essas contas secretas no HSBC reúnem personagens de todos os escândalos recentes da história do país, dos últimos 20 anos"; "É ali que muito corruptos iam esconder o resultado de seus crimes. Aliás, não é apenas os corruptos que deverão ser investigados, mas também o papel que teve o HSBC ao ser leniente com a entrada de dinheiro suspeito na instituição", ressalta

Brasil 247 


O senador Randolfe Rodrigues (PSOL), autor do requerimento que cria a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do SwissLeaks, disse que a primeira medida do colegiado será pedir a quebra de sigilo de todos os correntistas já conhecidos do HSBC na Suíça, para verificar se de fato eles declararam à Receita Federal o dinheiro depositado no exterior.

“Para a CPI é muito fácil fazer uma lista de todos os nomes e contas bancárias que o UOL e o Globo já publicaram, enviar tudo para a Receita Federal e requerer a quebra do sigilo fiscal. Vamos pedir que nos digam quem dessas pessoas declarou Imposto deRenda e incluiu nas suas declarações de bens as contas no exterior, na Suíça”, diz Randolfe.

Ele afirma que "essas contas secretas no HSBC reúnem personagens de todos os escândalos recentes da história do país, dos últimos 20 anos". "É ali que muito corruptos iam esconder o resultado de seus crimes. Aliás, não é apenas os corruptos que deverão ser investigados, mas também o papel que teve o HSBC ao ser leniente com a entrada de dinheiro suspeito na instituição", ressalta.

No entanto, a CPI ainda precisa que os partidos indiquem os nomes para compor a CPI. No momento, falta apenas a indicação do PMDB. “Espero que o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira, indique os nomes já no começo da semana”, diz Randolfe. Mas existe também a hipótese de a investigação começar a funcionar mesmo sem os nomes peemedebistas, pois já haveria quórum suficiente. Essa interpretação depende da direção do Senado.

Outro objetivo de Randolfe é investigar as brechas do sistema financeiro que permitem dar “guarida a quem comete crimes ou pretende sonegar impostos”. "O primeiro ato da CPI será convocar todos os órgãos responsáveis por fiscalizar os bancos e os fluxos financeiros. Vamos convocar o Coaf [Conselho de Controle de AtividadesFinanceiras], a Receita Federal, o Banco Central e o Ministério da Fazenda. Todos terão de explicar muito bem como é possível ter um sistema tão poroso que permite evasão de divisas e sonegação de impostos como parece ter sido o caso que agora está sendo revelado por essas reportagens do SwissLeaks", afirma."

O que significa ‘Status Orgasmus’ e outras 26 curiosidades sexuais


Fabio Hernandez, DCM

"Zanzando pelo twitter, descobri o FreakFact. FatoBizarro, ou coisa assim. O nome se explica em si mesmo. Curiosidades. Mas o que realmente me atraiu foi o foco e o tom. O foco é sexo, e o tom é bem humorado, divertido, irreverente, como, aliás, o sexo deve ser.

Virei seguidor na hora.

Selecionei, para você, um punhado de coisas que vi.

1) Há um preservativo ultrapequeno chamado Hot Shot. Ele foi projetado para garotos de 11 a 14 anos.

2) Urofilia é o nome técnico da Chuva Dourada, que é apenas o velho ato de pessoas ficarem mijando umas nas outras.

3) Após o primeiro encontro, os casais esperam em média sete dias para fazer sexo.

4) É normal que o pênis se curve ou se incline ligeiramente para a direita ou para a esquerda quando ereto. Muitos pênis se curvam para cima também.

5) Quando se trata de doenças sexualmente transmissíveis, nenhum lugar no mundo pode se comparar à Ásia. É sempre a número 1 em doenças sexualmente transmissíveis.

6) Sexo agitado queima mais calorias do que o sexo suave.

7) Dar sexo oral queima em torno de 32 calorias.

8 ) Alguns efeitos colaterais negativos da masturbação podem variar de fadiga e dor pélvica até alterações na visão e perda de cabelo.

9) 80% das mulheres não acham o peito nu de um homem particularmente sexy.

10) Esmegma é uma substância branca com cheiro de queijo que se acumula ao redor dos órgãos genitais de homens e mulheres.

11) Flocos de Neve é quando o homem ejacula na boca da mulher.

12) Bolas Azuis é quando o homem fica muito animado sexualmente mas não tem orgasmo. Seus testículos podem doer muito

13) Cabeça de Galinha é um termo pejorativo para a mulher que dá sexo oral com freqüência.

14) Aréola é a área mais escura da pele ao redor dos mamilos em ambos os sexos

15) 11 de Setembro é uma gíria usada para um sexo breve que dura menos de 5 minutos.

16) Vaginismo é o aperto involuntária da vagina, devido a um reflexo condicionado dos músculos.

17) Homens que foram circuncisados demoram um pouco mais para ter orgasmo do que aqueles que não foram.

18) Música durante o sexo pode ajudar você a se concentrar mentalmente e, assim, melhorar seu desempenho na cama.

19) Segundo a teoria, as pessoas que gostam de mastigar gelo têm uma grande energia sexual.

20) Quando uma mulher tem orgasmos múltiplos, a sua condição é conhecida como Status

Orgasmus. Eles duram entre 20 e 60 segundos.

21) Em média, são necessárias duas colheres de sangue para irrigar um pênis ereto.

22) Os primeiros preservativos legalizados nos Estados Unidos eram feitos de borracha vulcanizada e reutilizados até nove vezes.

23) 60% dos homens ficam excitados quando uma mulher beija seu pescoço.

24) O lubrificador original era azeite de oliva e há sinais de que era usado já em 350 AC.

25) Mais de 1 milhão de mulheres estão agora infectadas com gonorréia e não têm idéia

26) A maioria dos homens tem orgasmo em até seis minutos depois de penetrar a mulher.

27) Os pinguins têm um único orgasmo por ano."

Por que a Lua está se afastando da Terra


A Lua se afasta da Terra cerca de 4 cm por ano
"Você certamente não percebeu, mas a Lua está se afastando de nós.

BBC Brasil  

O satélite da Terra está atualmente 18 vezes mais longe do que quando se formou, há 4,5 bilhões de anos.

Sem a Lua, nosso planeta seria irreconhecível. Os oceanos quase não teriam marés, os dias teriam outra duração e nós poderíamos não estar aqui, de acordo com alguns cientistas que acreditam que a Lua foi fundamental para o início da vida em nosso planeta.

Mas como esse afastamento nos afeta e com que rapidez ele está ocorrendo? 

Distância exata

A Lua, como explica à BBC a pesquisadora Margaret Ebunoluwa Aderin-Pocock, do Departamento de Ciência e Tecnologia do University College de Londres, está se afastando da Terra a uma velocidade de 3,78 centímetros por ano.

E graças ao pouso na lua da missão Apollo, da Nasa, entre 1969 e 1972, podemos medir essa distância com incrível precisão.

Em três das missões, os astronautas deixaram no satélite unidades retrorefletoras cheias de pequenos espelhos.

Credito: Reuters 

Os astronautas da missão Apollo deixaram pequenos espelhos no satélite que permitem medir a distância entre a Lua e a Terra  

Desde então, os astrônomos têm disparado raios laser em direção a essas unidades refletoras, para manter um registro exato de o quanto a Lua está se afastando.

"Enviamos cerca de 100 quatrilhões de fótons com cada pulso de laser. Se tivermos sorte, para cada pulso que enviamos, volta (à Terra) um fóton", disse à BBC Russet McMilllan, do observatório astronômico científico Apache Point Observatory (APO, por sua sigla em Inglês), localizado nas montanhas de Sacramento, no Novo México (EUA).

Apesar de à primeira vista um fóton parecer pouco, ele é suficiente para medir a distância entre a Lua e da Terra até o seu último milímetro.
No momento em que a BBC conversou com McMillan, a distância exata era 393.499 km, 257 metros e 798 mm.

Por quê?

Esse afastamento se deve à fricção entre a superfície da Terra e a enorme massa de água que está sobre ela e faz com que, ao longo do tempo, a Terra gire um pouco mais lentamente sobre o seu eixo.
Para cada ação há uma reação igual e oposta. Esta é a terceira lei de Newton.

Crédito: Thinkstock
À medida que o movimento da Terra diminui, o da Lua se acelera
A Terra e a Lua são unidas por uma espécie de abraço gravitacional. Então, à medida que o movimento da Terra diminui, o da Lua acelera.

E, quando algo que está em órbita acelera, essa aceleração o empurra para fora.

Efeito

A distância da Lua afeta nosso planeta de várias formas. Para começar, à medida em que a Terra gira mais devagar, os dias ficam mais longos.

Eles já estão mais longos, em dois milésimos de segundo a cada século.


Além disso, os invernos serão muito mais frios e os verões, muito mais quentes.

Isso pode ter um efeito devastador sobre a Terra, ante a dificuldade dos animais em se adaptar a extremos climáticos.

E se a força gravitacional da Lua torna-se mais fraca, as marés na Terra não serão tãoacentuadas.

No entanto, mesmo sem a Lua, existiriam marés - ainda que suaves - pelo efeito do Sol.

No entanto, nenhuma dessas consequências deve preocupar: as mudanças são sutis demais para que possamos testemunhá-los.

A Lua nunca vai escapar da Terra. Mesmo que a Terra continue diminuindo sua velocidade, irá girar na mesma velocidade em que orbita a Lua. Nesse momento, a Terra e a Lua vão chegar a um equilíbrio e a Lua deixaria de se afastar.

Mas, muito antes que isso aconteça, o Sol vai se expandir até virar um gigante vermelho e engolir, no processo, a Terra e seu satélite.

Dito isso, não há necessidade de se preocupar. Ainda faltam cerca de 5 bilhões de anos para isso acontecer."