sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Com fortuna de R$ 2 bilhões, Edir Macedo é o pastor evangélico mais rico do Brasil




do UOL
“Religião sempre foi um negócio lucrativo.” Assim começa uma reportagem da revista americana “Forbes” sobre os milionários bispos fundadores das maiores igrejas evangélicas do Brasil.
A revista fez um ranking com os líderes mais ricos. No topo da lista, está o bispo Edir Macedo, que tem uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões, segundo a revista.
Em seguida, vem Valdemiro Santiago, com R$ 400 milhões; Silas Malafaia, com R$ 300 milhões; R. R. Soares, com R$ 250 milhões; e Estevan Hernandes Filho e a bispa Sônia, com R$ 120 milhões juntos.
Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, além de ser o pastor mais rico do Brasil, possui templos até nos Estados e um jatinho particular, de modelo Bombardier Global Express XRS, estimado em R$ 90 milhões.
Macedo tem 10 milhões de livros vendidos, alguns deles extremamente críticos à Igreja Católica e a algumas religiões africanas.
Seu maior movimento aconteceu na década de 1980, quando adquiriu a rede Record, a segunda maior emissora do Brasil. Além disso, é dono do jornal “Folha Universal”, que tem uma circulação de 2,5 milhões de exemplares, e da gravadora Record News.
Seguindo os passos de Macedo, Valdemiro Santiago é ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Após se desentender com o chefe, ele fundou sua própria igreja: a Igreja Mundial do Poder de Deus, que tem 900 mil seguidores e mais de 4.000 templos, muitos deles adornados com imagens dele. Sua fortuna é estimada em R$ 400 milhões.
Silas Malafaia é líder da Assembleia de Deus, a maior igreja pentecostal brasileira. Entre os pastores, ele é o mais polêmico, e se envolve frequentemente em controvérsias com a comunidade gay do Brasil, já que declara ser o maior opositor ao casamento gay.
Ele também é uma figura proeminente no Twitter, onde possui mais de 440 mil seguidores.
Em 2011, Malafaia, cuja fortuna é estimada em R$ 300 milhões, lançou uma campanha a fim de arrecadar R$ 1 bilhão para a sua igreja, com o intuito de criar uma emissora de televisão global, que seria transmitida em 137 países. Os interessados podem contribuir com somas a partir de R$ 1.000, e em troca receberão um livro.
Já o cantor, compositor e televangelista Romildo Ribeiro Soares, conhecido como R. R. Soares, é possivelmente o mais multimídia entre os pastores brasileiros. Fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, R. R. Soares é uma das faces mais regulares da TV brasileira.
Ele também é ex-membro da Igreja Universal do Reino de Deus, além de ser cunhado de Macedo. Autointitulado “missionário”, tem uma fortuna estimada em R$ 250 milhões. Seu jatinho particular, de modelo King Air 350, custa “apenas” R$ 10 milhões.
Fundadores da Renascer em Cristo, o “apóstolo” Estevam Hernandes Filho e sua mulher, a “bispa” Sônia, possuem mais de mil igrejas no Brasil e no exterior – várias delas na Flórida, nos Estados Unidos.
Com uma fortuna estimada em R$ 120 milhões, o casal foi manchete dos jornais internacionais em 2007,quando foram presos em Miami sob a acusação de levarem consigo mais de R$ 100 mil não–declarados. Algumas notas estavam escondidas em meio às páginas da Bíblia, segundo agentes norte-americanos.
Eles voltaram ao Brasil um ano depois, onde respondem por outros crimes, entre eles a queda do teto de um de seus templos, que deixou nove pessoas mortas em 2009.
Entre seus ex-fiéis mais conhecidos, está o jogador de futebol Kaká, que doou mais de R$ 2 milhões no período em que frequentou a igreja. Ele deixou a instituição após as denúncias de fraude envolvendo o casal Hernandes.
Ser um pastor evangélico no Brasil é o sonho de muitas pessoas, de acordo com a Forbes. Diferente de muitas igrejas protestantes, que requerem que seus pastores tenham uma graduação, as igrejas neopentecostais brasileiras oferecem cursos intensivos para “criar” pastores com um custo de R$ 700, para poucos dias de aula.
Não é apenas uma questão de dinheiro – Malafaia, por exemplo, chega a pagar salários de R$ 20 mil a seus pastores mais talentosos – mas também de poder, segundo a reportagem.
Muitos pastores brasileiros conseguiram passaportes diplomáticos nos últimos anos. Alguns, especialmente os mais ricos, são cortejados por políticos em época de eleições. Para finalizar, igrejas são isentas de impostos.
Crescimento os evangélicos
A Forbes também destaca o crescimento dos evangélicos no Brasil –de 15,4% para 22,2% da população na última década–, em detrimento dos católicos. Hoje, os católicos romanos somam 64,6% da população, ou 123 milhões de brasileiros. Os evangélicos, por sua vez, já somam 42 milhões, em uma população total de 191 milhões de pessoas.
Para a revista, um dos motivos do crescimento de religiões evangélicas se dá graças à teologia da prosperidade, segundo a qual o progresso material é resultado dos favores de Deus. Enquanto o catolicismo ainda prega um olhar conservador sobre o além-vida, os evangélicos –sobretudo os neopentecostais– são ensinados a ter prosperidade nesta vida.
A fórmula parece estar funcionando. De acordo com a revista, os evangélicos formam uma parte da nova classe média brasileira, conhecida como classe C. Enquanto isso, os mais ricos e os mais pobres permanecem católicos.
Os evangélicos não só usufruem de seus bens como doam uma parte de sua renda à igreja – prática conhecida como “dízimo” e que também está presente em outras religiões cristãs. Isto faz com que certas igrejas pentecostais sejam negócios altamente lucrativos, e seus líderes, milionários. É a chamada “indústria da fé”.



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Prefeito Haddad vai fazer o que os tucanos não fizeram em 30 anos



Com apenas 17 dias no cargo, o  prefeito de São Paulo Fernando Haddad, arregaçou as mangas, para finalmente fazer  o que os prefeitos tucanos, ha quase três décadas 'governando' São Paulo, não fizeram

Haddad vai tirar do papel parte das obras de um novo plano viário para a zona sul, orçado em R$ 1,8 bilhão. Dividido em duas fases, o pacote inicial, que inclui a duplicação de algumas das mais congestionadas vias da capital, como M'Boi Mirim e Carlos Caldeira Filho, deve custar R$ 1 bilhão.

O edital da licitação será publicado em fevereiro e representará a primeira ação do prefeito Fernando Haddad (PT)  o Arco do Futuro, uma lista de obras que promete redesenhar o desenvolvimento da cidade.

 Prometido  na campanha eleitoral o plano virou prioridade para Haddad, que ordenou rapidez na contratação das obras durante a transição dos governos.O resultado dessa primeira triagem sai no dia 5 de fevereiro. Em seguida, será publicado o edital. A expectativa é de que os contratos sejam assinados no primeiro semestre

Além da duplicação de vias, o pacote contempla serviços de canalização de córregos com histórico de enchentes -- Coisa que tanto José Serra e Geraldo Alckmin (PSDB), não fizeram, e construção de marginais, além de um anel viário no entorno da Represa do Guarapiranga.

Na segunda fase, o prolongamento da Marginal do Pinheiros, sentido Santo Amaro, poderá ser incluído no pacote, assim como ampliações das Estradas de Itapecerica e do Alvarenga. A Prefeitura não informou a data da segunda licitação.

Espera

Com histórico diário de lentidão, a Estrada do M’Boi Mirim é um dos maiores gargalos de trânsito da cidade. De carro ou ônibus, cruzar a via é um transtorno para moradores, que não raramente preferem fazer o trajeto a pé nos horários de pico. A situação é a mesma ao longo da Avenida Dona Belmira Marin, no Grajaú, onde passageiros esperam até 2 horas por vaga em lotação. A avenida corta 12 bairros, onde moram cerca de 723 mil pessoas. As vias ganharão juntas 6,3 quilômetros extras.Quem mora no Morumbi também será beneficiado pela extensão da Avenida Carlos Caldeira Filho, que termina na Giovanni Gronchi.
osamigosdopresidentelula

Medo da volta de Lula estampa grandes jornais



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Folha e Globo tratam o ex-presidente Lula como se ele fosse, de fato, o prefeito de São Paulo em abordagens que reduzem a autoridade de Fernando Haddad; jornal paulista destaca "diretrizes" passadas por Lula; publicação do Rio afirma que Lula colocou em prática a "teoria do poste"; Lula mostrou que está vivo e assustou
Quem é o prefeito de São Paulo? Pela leitura dos grandes jornais brasileiros, seu nome não é Fernando Haddad, que foi eleito com 3.387.720 votos, mas sim Luiz Inácio Lula da Silva. A abordagem da mídia tradicional nesta quinta-feira sobre o encontro entre Lula, Haddad e seus secretários reduz a autoridade do prefeito e a transfere ao ex-presidente, que seria, segundo essa visão, o comandante, de fato, da maior cidade do Brasil.
No 247

Governo Alckmin ignora discussão pública sobre futuro das cidades




São Paulo, de prédios e congestionamentos, teria muito a discutir na conferência sobre cidades, mas o governo paulista não parece se animar com o tema (Foto: Marcelo Camargo. Arquivo Agência Brasil)

Isso obrigou movimentos sociais a publicarem convocatória para garantir discussões; evento serve para que governos ouçam propostas da sociedade sobre desenvolvimento urbano


Sem qualquer apoio do governo do estado, ocorre na próxima sexta-feira (18), em São Paulo, a primeira reunião preparatória para a etapa estadual da 5ª Conferência Nacional das Cidades - discussão pública que irá debater os problemas comuns aos municípios brasileiros e propor políticas setoriais para sua resolução. 

A etapa nacional será em Brasília entre os dias 20 e 24 de novembro, com representantes da sociedade e do poder público de todos os estados do país. "As conferências são formatadas para que a sociedade traga suas propostas", definiu àRBA uma fonte do Ministério das Cidades ligada à organização da 5ª Conferência. "É uma maneira de abrir os olhos das administrações municipais, estaduais e federal para as exigências da população."

Normalmente, são os governos, por sua capacidade de articulação, que devem convocar as conferências, em todos os níveis: as discussões municipais costumam ser chamadas pelas prefeituras; as estaduais, pelos governos de estado; e a nacional, pelo federal. 

Contudo, em São Paulo, com a omissão do governo do estado, são as entidades da sociedade  que estão convocando a etapa estadual. Como o Palácio dos Bandeirantes perdeu o prazo – vencido em 10 de outubro – para publicar a convocatória no Diário Oficial, ONGs, sindicatos e movimentos sociais tomaram para si essa tarefa – o que ocorreu em 29 de outubro com uma nota no Diário Oficial do Poder Legislativo.

"Agora estamos num processo de diálogo com o governo, o Ministério das Cidades e as entidades para ver se a administração estadual vai assumir a realização da conferência", explica Nelso Saule Jr., coordenador geral do Instituto Pólis. "Se não, a conferência ficará prejudicada." 

As conferências setoriais – saúde, educação, meio ambiente etc. – ocorriam esparsamente no Brasil desde 1941, mas foram intensificadas a partir de 2003, no primeiro governo Lula. Nestes últimos 10 anos, foram realizadas 89 conferências, envolvendo 40 temas.

Atualmente, funcionam de maneira piramidal: as discussões municipais são compiladas e levadas às conferências estaduais, cujos debates são repassados à etapa nacional, que sistematiza as propostas da sociedade civil, elege prioridades e as apresenta aos governos de todo o país como subsídio para a elaboração de políticas públicas. Em cada uma das etapas são eleitos delegados para a etapa seguinte.

"Em São Paulo existem 645 municípios. É impossível que a sociedade civil, sozinha, organize uma conferência sem o governo do estado", continua Saule Jr. "É preciso ter estrutura para dialogar com as administrações municipais." 
cronograma da 5º Conferência Nacional das Cidades determina que as etapas municipais deverão ocorrer entre os dias 1° de março e 1° de junho. Já as estaduais devem ser realizadas entre 1° de julho e 28 de setembro. "Participei da organização de duas conferências e ainda não tinha visto isso acontecer", comenta a fonte do Ministério das Cidades sobre o caso paulista, ao frisar que não existe nenhuma ilegalidade na ausência governamental. "Sem o governo, a conferência fica meio com a perna quebrada."

TEMÁTICA

A temática principal da 5ª Conferência será justamente a participação da sociedade na definição de políticas públicas para o desenvolvimento urbano – que compreende as áreas de mobilidade, habitação, transporte, saneamento básico, planejamento etc. 

"A própria conferência é um dos meios de garantir a participação social, mas há outros: desde grupos que levam suas reivindicações diretamente ao poder público e conselhos de desenvolvimento urbano até audiências públicas e contato com parlamentares", diz a representante do Ministério das Cidades. "Não é que tenha havido um déficit de participação nas políticas públicas, mas não é tanto quanto desejável. O setor do desenvolvimento urbano tem tradição de participação popular, mas pode ser mais."

O coordenador do Instituto Pólis concorda. "Só se pode realmente pensar numa mudança de prioridades de políticas para enfrentar os problemas sociais em moradia, acesso a serviços e infraestrutura das cidades numa perspectiva democrática, para que as comunidades possam interferir nos rumos do governo", indica. "Sem governança participativa é muito difícil pensar políticas que venham amudar a realidade das cidades." 



Em São Paulo, uma das demandas que certamente serão apresentadas ao governo é a criação de um Conselho Estadual das Cidades, onde representantes da sociedade serão eleitos para discutir permanentemente com o poder público a adoção de políticas de desenvolvimento urbano.
Em suas quatro edições anteriores, a Conferência das Cidades serviu para recolher as propostas da sociedade para a formulação de "planos nacionais" nas áreas de habitação social, mobilidade, saneamento básico e resíduos sólidos, por exemplo, que já viraram lei. 

Além da participação, Saule Jr. aponta outro assunto que deve determinar o rumo das discussões na 5ª Conferência: a elaboração de um sistema nacional de desenvolvimento urbano que dê conta de criar mecanismos para planejar as áreas metropolitanas e as aglomerações urbanas regionais. "Os entes federativos que mais têm responsabilidade nesta questão são os governos estaduais."

Procurada pela RBA, a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo não retornou os questionamentos da reportagem até o fechamento do texto.”

Projeto Verão da Secretaria de Saúde de Ubatuba

Projeto Verão da Secretaria de Saúde leva orientações de bem estar à população

A Prefeitura de Ubatuba, por meio da Secretaria de saúde e do NASF – Núcleo de Apoio à Saúde da Família estará promovendo até o dia 08 de fevereiro o ”Projeto Verão”, uma ação voltada para melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Durante todos os dias da ação, os profissionais da saúde estarão oferecendo gratuitamente as seguintes atividades: aferição de pressão, altura, peso e índice de massa corporal, orientação nutricional, orientação de educação física, orientação sobre terapia corporal e orientação sobre fisioterapia e postura corporal. Uma oficina sobre terapia ocupacional também será realizada toda quarta-feira.
Para participar, basta comparecer ao quiosque que foi montado no calçadão, na região central da cidade. O atendimento será das 9h às 15h, todas 2ª, 4ª e 6ª feiras. Mais informações pelo telefone da Secretaria da Saúde (12) 3834-2300.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Ubatuba

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Perry Anderson e o balanço do lulismo: mais duradouro que o New Deal?



FHC queria ser. Foi Lula? (foto Wikipedia)
por Luiz Carlos Azenha

No ano passado o historiador Perry Anderson publicou um ensaio sobre Lula na London Review of Books(íntegra em inglês, aqui). Tirando um ou outro erro factual (por exemplo, quando diz que Dilma implantaria um sistema nacional de saúde), o artigo trouxe à tona, lá fora, um debate recorrente dentro da esquerda brasileira, aquele sobre o lulismo.
Um debate sempre atual, especialmente quando a persistente crise financeira internacional e suas consequências no Brasil colocam em jogo a sobrevivência de longo prazo do projeto iniciado pelo ex-presidente Lula. Ou não?
O debate, aliás, desperta várias questões.
O lulismo no poder, representado agora por Dilma, dispõe dos instrumentos necessários para a retomada do crescimento econômico nos níveis que garantam sua sustentabilidade de longo prazo, independentemente do que aconteça lá fora? Ainda que disponha destes intrumentos, não está amarrado ao mínimo denominador comum exigido pela famosa governabilidade? O PT vai entregar aos parceiros mais conservadores, que buscam retomar os níveis de lucratividade pré-crise e estão plenamente representados dentro do governo, a “flexibilização” das leis trabalhistas, ou seja, a precarização ainda maior das condições de trabalho? É isso o que explica a busca de Dilma pela classe média, que reunida ao sub-proletariado lulista poderia facilitar o descarte dos movimentos sociais organizados que insistem na integralidade da CLT?
Há outras considerações a fazer, não relacionadas ao texto, quando falamos do futuro papel do Brasil na dinâmica do capitalismo globalizado: o que o país fará quando amadurecerem os projetos já em andamento em vários países da África (por exemplo, na Etiópia e em Moçambique) para incorporar grandes extensões de terra, muito mais próximas da China, ao agronegócio? E quando o minério de ferro de Carajás estiver próximo de se exaurir (segundo o jornalista Lúcio Flávio Pinto, no ritmo atual das exportações vai acontecer antes que o previsto)?
Para contribuir com este debate sobre o passado, o presente e o futuro da força política dominante no Brasil, o lulismo, destacamos para tradução um pequeno trecho do ensaio de Anderson, que nos pareceu mais relevante para a discussão. Neste trecho, ele contrapõe três visões do lulismo. A primeira, de Fernando Henrique Cardoso, resumimos: “sub-peronismo”. Em seguida, trata do lulismo na visão dos sociólogos André Singer e Francisco de Oliveira.
O Brasil de Lula
[...]
Lula não se tornou o Roosevelt brasileiro? O gênio de Franklin Delano Roosevelt [FDR, presidente dos Estados Unidos 1933-1945] foi transformar o cenário político com um pacote de reformas que eventualmente levantou para a classe média dos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra, milhões de trabalhadores e empregados sob pressão, para não falar daqueles que ficaram desempregados na Depressão. Qualquer partido que coloca em andamento a mobilidade social em tal escala vai dominar a cena por um longo tempo, como os democratas fizeram depois que o New Deal começou, embora a oposição eventualmente se ajuste às mudanças para competir no mesmo campo, como [o republicano Dwight] Eisenhower fez em 1952.
Presidindo sob mudanças comparáveis, as vitórias de Lula em 2002 e 2006 [Nota do Viomundo: Aqui um erro óbvio de Anderson, já que a vitória de Lula em 2002 não pode ser creditada a mudanças que ele fez] podem ser mapeadas com estranha proximidade às de Roosevelt em 1932 e 1936: primeiro uma grande maioria, depois uma avalanche, as classes populares se derramando nas urnas em defesa do presidente enquanto as classes “respeitáveis” se voltaram contra ele. Em perspectiva, poderemos ter um ciclo político no Brasil tão longo quanto o de FDR, dirigido pela mesma dinâmica de ascensão social.
Olhares no retrovisor em busca de semelhanças com FDR não são novas no Brasil. [Fernando Henrique] Cardoso também gostava de comparar seu projeto com a grande coalizão democrata agrupada ao Norte. Lula pode estar mais próximo, mas os contrastes entre o New Deal e seu governo ainda estão claros. As reformas sociais de Roosevelt foram introduzidas sob pressão de baixo, numa onda de greves explosivas e de sindicalização veloz. Os trabalhadores organizados se tornaram uma força formidável a partir de 1934, os quais ele teve de cortejar tanto quanto conseguia. Nenhuma militância industrial comparável sustentou ou desafiou Lula (os sem terra do campo que tentaram fazê-lo eram muito fracos, sendo o movimento deles facilmente marginalizável).
Enquanto Roosevelt enfrentou uma profunda crise econômica, que o New Deal nunca realmente superou, e foi resgatado do seu fracasso apenas pelo início da Segunda Guerra Mundial, Lula surfou a onda do boom das commodities numa período de crescente prosperidade. Com sortes diferentes, eles também eram completamente diferentes em estilo: Roosevelt o aristocrata que se rejubilava com o ódio de seus inimigos e Lula o trabalhador que não queria saber de ódio formam um contraste que dificilmente poderia ser maior. Embora o resultado final de seus governos tenha sido o mesmo, parece haver pequena conexão imediata entre causas e efeitos.
Ainda assim, em um ponto existe alguma semelhança. A intensidade do ânimo contra Roosevelt em círculos conservadores até o início da guerra era totalmente desproporcional às políticas reais de seu governo. Na aparência, a mesma anomalia aconteceu no Brasil, onde a aversão de Lula pelo conflito não teve recíproca. Qualquer pessoa cuja impressão do governo Lula foi formada pela imprensa de negócios estrangeira ficaria chocada ao ser exposta à mídia local. Virtualmente desde o início a Economist e o Financial Timesronronaram de admiração pelas políticas amigáveis ao mercado e a aparência construtiva da presidência Lula, regularmente contrastada com a demagogia e a irresponsabilidade do regime de Chávez na Venezuela: nenhum elogio era demais para o estadista que colocou o Brasil no firme caminho da estabilidade e prosperidade capitalistas.
O leitor da Folha ou do Estadão, sem falar da Veja, estava vivendo em um mundo diferente. Tipicamente, em suas colunas, o Brasil estava sendo desgovernado por um grosseiro candidato a caudilho sem o menor entendimento dos princípios econômicos ou respeito pelas liberdades civis, uma ameaça real tanto à democracia quanto à propriedade.
O grau de veneno dirigido contra Lula não tinha relação com nada do que ele estava fazendo. Por trás disso estavam queixas mais profundas. Para a mídia, a popularidade de Lula significou uma perda de poder. A partir de 1985, com o fim do governo militar, eram os donos da imprensa e da televisão que na prática selecionavam os candidatos e determinavam os resultados das eleições. O caso mais notório foi o apoio a [Fernando] Collor do império Globo, mas a coroação de Cardoso pela imprensa, antes mesmo que ele decidisse competir, foi menos impressionante por pouco.
A conexão direta de Lula com as massas rompeu este circuito, cortando o papel da mídia na definição da cena política. Pela primeira vez, um governante não dependia dos proprietários dos meios e eles o odiavam por isso. A ferocidade das campanhas contra Lula não poderia ser sustentada, no entanto, sem uma audiência simpática. E esta era formada pelas tradicionais classes médias, principalmente mas não exclusivamente baseadas nas grandes cidades, acima de tudo em São Paulo. A razão para a hostilidade neste estrato não era a perda do poder, que nunca possuiu, mas a do status.
Não apenas o presidente agora era um ex-trabalhador sem formação, cuja pobreza gramatical era legendária, mas sob seu governo as empregadas, os porteiros e os trabalhadores de manutenção — a gentalha de qualquer tipo — estavam adquirindo bens de consumo até então reservados aos brasileiros educados, além de se comportar fora da norma no dia-a-dia. Para uma boa parte da classe média, foi um choque agudo: a ascensão do sindicalista e dos serviçais significava que ela estava perdendo status no mundo.
O resultado foi um onda aguda de ‘demofobia’, como o colunista Elio Gaspari, um crítico bem humorado, apelidou. Juntos, a mistura de desgosto político entre donos dos meios e editores e o ressentimento social entre leitores resultou num caldo bizarramente vitriólico de antilulismo, sem relação objetiva com qualquer interesse de classe.
Isso porque, longe de causar qualquer dano aos proprietários (ou credenciados), o governo Lula os beneficiou grandemente. Nunca o capital prosperou tanto quanto sob Lula. É suficiente citar a bolsa de valores. Entre 2002 e 2010, a Bovespa teve a melhor performance do mundo, subindo 523%; agora representa o terceiro maior complexo de ações-mercados futuros-commodities do mundo. Grandes ganhos especulativos foram realizados por uma burguesia moderna acostumada a apostar nos preços de ações.
Para setores maiores e mais avessos a risco da classe média, taxas de juros no céu deram retornos mais que satisfatórios em simples contas bancárias.
As transferências sociais dobraram desde os anos 80, mas os pagamentos da dívida pública triplicaram. O orçamento do Bolsa Família totalizou mero 0,5% do PIB. Rendas obtidas a partir da dívida pública ficaram com de 6 a 7%. Receitas fiscais no Brasil são mais altas que na maioria dos países em desenvolvimento, chegando a 34% do PIB, principalmente por causa dos compromissos sociais inscritos na Constituição de 1988, no auge da democratização do país, quando o PT ainda estava em ascensão como força radical. Mas os impostos vertiginosamente regressivos foram mantidos.
Aqueles que vivem com menos de dois salários mínimos deixam metade de sua renda para o Tesouro, aqueles com 30 vezes o mínimo deixam 25%. No campo, a abertura de vastas áreas para o agronegócio moderno, no interior, que procedeu rapidamente sob Lula, deixou a concentração da posse de terras maior hoje que há meio século. As terras urbanas caminharam na mesma direção.
Relatórios oficiais, sustentados por análises estatísticas e endossados por agências e jornalistas simpáticos no exterior, alegam que houve não apenas uma grande redução da pobreza no Brasil nestes anos, sob a qual não existe qualquer dúvida, mas  também uma substancial redução da desigualdade, com o índice Gini caindo de um astronômico 0,58 no início do governo Lula para um alto 0,538 ao final. Em tais estimativas, a partir da virada em 2005, a renda dos 10% mais pobres da população cresceu numa taxa que foi o dobro da dos 10% no topo. Melhor de tudo, cerca de 25 milhões de pessoas entraram na classe média, que a partir de então se tornou maioria na Nação.
Para muitos comentaristas, domésticos ou estrangeiros, foi o mais esperançoso acontecimento do governo Lula. É o pièce de résistance ideológico nos balanços brilhantes de gente como o editor de América Latina da Economist, Michael Reid, ansioso para citar a nova classe média do Brasil como farol de uma democracia capitalista estável na “batalha pela alma” de um “continente esquecido” contra os perigos de agitadores e extremistas.
Muito deste aplauso se sustenta num artifício de categorização, pelo qual alguém com a renda anual inferior a R$ 22 mil (pauperismo em outros lugares) é classificado como “classe média”, enquanto de acordo com o mesmo esquema as classes mais ricas — a super elite da sociedade brasileira, composta por apenas 2% da população — começa com o dobro da renda per capita da população do mundo. Marcio Pochmann, o chefe do principal instituto de pesquisa econômica aplicada, tem insistentemente afirmado que uma descrição mais correta do muito falado novo estrato médio seria simplesmente “os pobres empregados”.
Mais geralmente, a crença de que a desigualdade no Brasil declinou de forma significativa deve ser vista com ceticismo, já que é baseada em dados de renda nominal e além disso exclui — por conta de regras estatísticas — os que estão na ponta, ou seja, os super ricos; mais fundamentalmente, ignora a apreciação de capital e o esconderijo de ganhos financeiros no topo da pirâmide.
Como um dos estudos importantes, Declining Inequality in Latin America, nota nos levantamentos sobre domicílios, “a renda com imóveis é grosseiramente subestimada”: “Se os que estão no topo da pirâmide de renda, ignorados por pesquisas, experimentarem um grande aumento relativo aos demais, então a verdadeira dinâmica da desigualdade pode ser de crescimento, mesmo quando pesquisas por estimativa mostram o resultado oposto”.
No Brasil é estimado que entre 10 e 15 mil famílias recebam a parte do leão nos pagamentos anuais de R$ 392 bilhões da dívida pública (o custo do Bolsa Família está entre R$ 20 e 30 bilhões), enquanto o número de milionários se multiplicou na última década, como nunca antes. A explosão do mercado de ações deveria servir de alerta contra a ingenuidade neste campo. Os ricos estão bem alertas sobre qual lado de seu pão recebeu manteiga. Ao contrário da “monarquia econômica” atacada por Roosevelt, que detestava o New Deal, a maior parte dos financistas e empresários brasileiros deu apoio caloroso ao governo Lula. O capital não foi apenas mais lúcido que a — verdadeira — classe média, mas se sentiu muito mais confortável com o governo Lula do que com qualquer regime prévio: de forma lógica, já que o lucro nunca foi tão alto.
Para uma terceira interpretação do Lulismo [Nota do Viomundo: sendo a primeira a de FHC e a segunda a de Singer], estes lucros precisam colocados no centro de qualquer análise realista do sistema lulista de governo. Numa série de ensaios iconoclastas, o sociólogo Chico de Oliveira desenvolveu uma visão que é quase a antítese da de [André] Singer, com o qual ele continua tendo uma boa relação apesar de diferenças políticas (um dos fundadores históricos do PT, Oliveira deixou o partido desgostoso pouco depois de Singer ter assumido um cargo no governo Lula).
Oliveira não contesta a caracterização de Singer sobre a psicologia dos pobres, ou as melhorias trazidas para eles por Lula. O sub-proletariado é como Singer o descreve: sem ressentimento com os ricos, satisfeito com alívios modestos e graduais de suas condições de existência. Mas a tese de Singer, na visão de Oliveira, foca muito estreitamente no relacionamento entre Lula e a massa de seu eleitorado. Faltam dois parâmetros fundamentais para entender o Lulismo.
O primeiro é o momento na história do capital mundial em que Lula chegou ao poder.
A globalização cortou qualquer possibilidade de um projeto de desenvolvimento nacional inclusivo há muito tempo pretendido pelo Brasil, inclusive pelo próprio Lula. A terceira revolução industrial, baseada em avanços biológicos e digitais que eliminam a fronteira entre a ciência e a tecnologia, requer investimento em pesquisa e impõe patentes que não permitem transferência pronta de seus resultados para a periferia do sistema — menos ainda para um país como o Brasil, onde o investimento nunca foi, mesmo no pico do desenvolvimentismo sob [Juscelino] Kubitschek nos anos 50, mais que baixos 22% do PIB. Gastos com Pesquisa e Desenvolvimento continuam miseráveis.
Assim, em vez de avanço industrial, a consequência para o Brasil da última onda de revolução tecnológica foi a transferência da acumulação do setor manufatureiro para as transações financeiras e a extração de recursos naturais, com rápido crescimento do setor bancário, onde os lucros são maiores, e da mineração e agronegócio de exportação. O primeiro é uma involução, pois desvia investimento da produção; o segundo é uma regressão, levando o Brasil de volta a ciclos anteriores de dependência da exportação de commodities primárias, para sustentar o crescimento.
Foi à dinâmica destes setores que o Lulismo teve de se ajustar, ao se acertar com o capital.
Aqui fica o segundo parâmetro mencionado por Oliveira, já que resultou na transformação das estruturas sob as quais o Lulismo tinha emergido — o partido e os sindicatos que, depois de 2002, se tornaram o aparato de poder. A liderança da CUT, a confederação do trabalho, foi colocada no comando do maior fundo de pensão do país. Os quadros do PT colonizaram a administração federal, onde o presidente tem o direito de nomear ocupantes de cerca de 20 mil empregos bem pagos, muito mais que o sistema permite ao Executivo nos Estados Unidos.
Agora totalmente desligado da classe trabalhadora, este estrato foi inexoravelmente sugado no vortex da financeirização que engolfou tantos os mercados quanto as burocracias. Sindicalistas se tornaram gerentes de algumas das maiores concentrações de capital no país, cenário de batalhas ferozes por controle ou expansão entre competidores predadores. Militantes se tornaram funcionários, aproveitando — ou abusando — de toda mordomia dos cargos.
Quando a nova lógica de acumulação se combinou com uma nova inscrustração no poder, uma camada social híbrida foi formada — Oliveira a compara ao ornitorrinco, cujo habitat natural é a corrupção. Os pobres desorganizados da economia informal agora tinham se tornado a base eleitoral de Lula, e ele não poderia ser censurado por isso ou pelo neo-populismo de sua relação com eles, inevitável também para Chávez ou Kirchner. Mas entre o líder e as massas havia um aparato que se deformou.
Ausente na tese de Singer estava este lado escuro do Lulismo. O que Lula tinha obtido era uma espécie de hegemonia invertida. Onde, para Gramsci, a hegemonia numa ordem social capitalista resultava da ascendência moral dos proprietários sobre as classes trabalhadoras, assegurando o consentimento dos dominados para sua própria dominação, no Lulismo foi como se os dominados tivessem revertido a fórmula, obtendo o consenso dos dominadores para sua liderança na sociedade, apenas para ratificar as estruturas de sua própria exploração.
Uma analogia mais apropriada [para o Brasil e o Lulismo] não seria com os Estados Unidos do New Deal, mas com a África do Sul de Mandela e Mbeki, onde as iniquidades do apartheid foram descartadas e os líderes da sociedade agora são negros, mas onde as regras do capital e suas misérias continuam tão implacáveis quanto sempre foram. O destino dos pobres no Brasil tinha sido viver numa espécie de apartheid e Lula acabou com isso. Mas o progresso igualitário e inclusivo continuou longe do alcance.
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Otimista, Alckmin já cogita vencer Lula em 2014




Mesmo em baixa nas pesquisas, governador de São Paulo diz a aliados que não acharia de todo ruim se o ex-presidente se candidatasse ao governo de São Paulo; "Aí a gente ganha dele aqui e dá uma bela alavancada para 2018″, ri o tucano; enquanto isso, ele coloca todos os secretários para trabalhar sem folga e faz figa para o número de crimes diminuir no Estado; "Até 2014, não tem mais fim de semana para ninguém"


O cenário não seria de todo ruim, na opinião do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se candidatasse ao governo do Estado em 2014. "Aí a gente ganha dele aqui e dá uma bela alavancada para 2018″, teria dito o tucano a aliados, considerando a hipótese de a presidente Dilma Rousseff se reeleger. Daqui a seis anos, então, os tucanos estariam no comando de São Paulo e do Planalto, na previsão de Alckmin.

Alckmin começou 2013 inspirado para trabalhar em sua campanha. Ele afirmou aos secretários mais próximos que faz questão da presença de todos em eventos e inaugurações dos quais ele não puder estar presente. "Até 2014, não tem mais fim de semana para ninguém", teria alertado o tucano a seus auxiliares, de acordo com um interlocutor, conforme noticia a coluna Poder Online, do portal iG.

Enquanto faz a ofensiva e coloca a equipe em trabalho intenso, o governador faz figa para aquilo que possui menos controle: os dados da criminalidade no Estado. O tema é visto como o mais sensível para o tucano na disputa ao governo. E para piorar, a crise na Segurança, especialmente na capital paulista, tem abalado sua popularidade. A parcela da população que considerava o governo paulista "ótimo" ou "bom" caiu de 40% em setembro para 29% em outubro, de acordo com o Datafolha.

Por conta disso, Alckmin passou a monitorar diariamente, desde o início do ano, os dados dos crimes registrados, com anotações em sua agenda pessoal, conforme noticiou nesta quarta-feira 16 a coluna Painel, da Folha de S.Paulo. "Em privado, mostra entusiasmo com as estatísticas de 2013: a média de assassinatos do ano passado só foi alcançada em três ocasiões", diz trecho da nota. Antes de comemorar, ele prefere aguardar, porém, o primeiro relatório mensal a ser divulgado pelo novo prefeito da capital, Fernando Haddad (PT)."

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Após mentiras divulgadas, Financial Times precisará pedir desculpas ao ex-presidente Lula



O jornalista inglês publicou informações sem checar se eram ou não mentirosas. Agora terá que se retratar publicamente


“O diário conservador inglês Financial Times (FT) precisará se retratar, publicamente, em relação à matéria publicada nesta sexta-feira, sob o título Lula’s ‘loot’: not much to look at (‘O butim de Lula: não há muito o que se observar‘, em tradução livre), em que atribui ao ex-presidente brasileiro imóveis que nunca lhe pertenceram. A resposta chegou nesta terça-feira, pela equipe de comunicação do Instituto Lula.

A notícia, assinada pelo editor-chefe da Editoria de Brasil do FT, Joseph Leahy, que já publicou outras matérias negativas em relação ao país, associa o nome do antecessor da presidenta Dilma Rousseff ao escândalo do ‘mensalão’. “Lula sempre negou qualquer conhecimento sobre o esquema. Agora os pedidos de investigação estão aumentando, sob alegações de que o ex-presidente recebeu dinheiro do ‘mensalão’ para uso pessoal”, alega o redator.

FT teve acesso às informações não confirmadas sobre o ex-presidente, que vazaram na rede na semana passada, e não se deu ao trabalho de checar se a fonte era confiável. “Endereços de propriedades, números de telefones, empresasregistradas em seu nome e documentos foram divulgados no Twitter”, escreveu o jornalista que cometeu o erro. A matéria atribui, ainda, quatro imóveis, que seriam de Lula, e reproduz imagens do Google Maps das fachadas dos bens.

A propriedade “mais respeitável”, segundo a publicação, fica situada em um condomínio em São Bernardo do Campo (SP). Trata-se, na realidade, do único imóvel que realmente pertence ao ex-presidente, segundo a assessoria de imprensa do Instituto Lula. Além deste, o texto cita uma casa em um “bairro não muito salubre” de São Bernardo, outra “humilde” em Sertãozinho, interior de São Paulo, que precisa de “uma mão de tinta” e a terceira em Natal, em uma região que “você não gostaria de passear à noite, especialmente quando uma busca no YouTube mostra vídeos de homicídios e outros problemas sociais”.

FT acrescentou que a fonte à qual consultaram, sem qualquer preocupação quanto à veracidade das informações divulgadas, a despeito de incriminar o ex-presidente – que tem sido taxado de “ladrão” pela direita brasileira – confirma que, mesmo se tivesse aquele patrimônio alegado, não seria nada de mais para quem tem mais de 30 anos de vida pública.

A matéria também não avançou sobre os imóveis subvalorizados que pertenceriam ao senador Aécio Neves (PSDB) no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Embora o líder tucano tenha um apartamento no Leblon e outro em Ipanema (entre outros imóveis em BH e Nova Lima, além da Rádio Arco-Íris), Aécio declarou um patrimônio de pouco mais de R$ 600 mil em sua última prestação de contas à Justiça Eleitoral.”

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Escândalo no TSE: e agora, ministra Cármen Lúcia?


De acordo com a "Teoria do Domínio do Fato", da forma como empregada no Julgamento do Mensalão no STF, quem está na posição superior da hierarquia deve ser responsabilizado pelos ilícitos praticados por subordinados. Não foi assim com José Dirceu?
A situação da ministra Cármen Lúcia, presidenta do Tribunal Superior Eleitoral, está, no mínimo, desconfortável, pois duas cabeças já rolaram.

Com a palavra a eminente ministra.

Comentários anônimos, atitudes covardes: é tempo de pararmos de beber este veneno digital


Comentários on-line são muitas vezes factualmente errados, mas o anonimato permite aos escritores usar uma linguagem vulgar e abusiva para apoiar as suas mentiras. Eles rodam muitas vezes no que tem sido chamado de "teste de qualidade" - aplicada com rigor, por exemplo, quando os editores de jornais se recusam a publicar cartas sem um nome e alguma forma de endereço. Então o que fazer? O artigo é de Robert Fisk. 

Robert Fisk, The Independent / Carta Maior

Reconhece esse cara? Ele é um "mentiroso", "idiota", "simpatizante terrorista", "enganador", uma "desgraça", um "louco insano liberal", ele está "na folha de pagamento da Irmandade Muçulmana" e "na folha de pagamento de neonazistas europeus". Ele é "louco". Mas espere. Esse pobre cara é também "um ignorante, inútil, pedaço de merda que odeia judeus", cujo "ódio pode ser visto em seus olhos". "Urina de porco esteja nele no inferno", é uma das maldições dirigidas a ele.

Ele diz "mentira em cima de mentira, todas elas direta ou indiretamente destinadas à destruição de Israel". E ele recebeu a seguinte mensagem: "Os islâmicos cortadores de gargantas com quem você simpatiza, cortariam seu pescoço de lápis de orelha a orelha com prazer, só porque você não se curva ao pedófilo sanguinário [sic] profeta deles." E agora uma pista. Nesta mesma lista de sujeira virtual - enviado em apenas dois dias - um escritor anônimo acrescenta: "Poderia Robert Fisk ser o próximo?"

Pessoas Doentes
Meu pecado - e acima, acreditem, é o fim limpo do abuso - foi escrever um artigo na semana passada sobre o Oriente Médio em 2013. Agora, nos velhos tempos, quando alguém recheava sua caixa de correio com algo abusivo, você iria à delegacia, em dois toques, esfregando cartas de tinta verde no rosto do sargento na delegacia. Comportamento ameaçador, pelo menos. Mas, agora, apenas reclamar sobre esse tipo de material incendiário marca-o como o excêntrico. "É por causa do seu perfil", um amigo me disse. Então é isso que eu mereço? Eu sempre disse que se você é repórter do Oriente Médio, você tem que encarar os gravetos e as pedras. Às vezes, literalmente.

Mas algo está errado aqui. Certamente não é para isso que a internet serve? Em todo o mundo agora, o anonimato - a ruína de todo o Editor de jornal - é aceito por cyber-jornalismo, o mais odioso, mais compreensível. Eu já desisti de vários debates em programas de rádio no meio da transmissão por causa da recusa absoluta das âncoras de explicar por que eles não vão desafiar os tweeters ou escritores de emails, às vezes violentamente nomeados. Sites e blogs e salas de chats nunca foram destinados a cobrir as crueldades semelhantes à Breivik, dessas pessoas doentes.

O ex-diplomata dos EUA, Christopher Hill, um homem cujas opiniões normalmente me fazem estremecer - ele foi embaixador no Iraque, especial ao Kosovo e um negociador de Dayton - observou esses perigos. "O acesso instantâneo à informação não significa acesso imediato ao conhecimento, muito menos à sabedoria", escreveu ele recentemente. "No passado, a informação foi integrada com a experiência. Hoje, ela é integrada com a emoção... A tecnologia digital tem desempenhado um papel importante “na promoção dessa atmosfera de maus modos, viciosos ataques pessoais, intolerância, desrespeito... Bullying agora é virtual ".

Pouco antes do Natal, um ministro de Estado irlandês, Shane McEntee, cometeu suicídio depois de receber uma porção de desagravos online. No seu funeral, o seu irmão Gerry foi aplaudido quando atacou a mídia social: "Que vergonha de vocês, vocês covardes que lhe enviaram mensagens horríveis no site e em texto, que vergonha de vocês." Shane McEntee tinha sido particularmente condenado por defender cortes no programa de governo para cuidados a crianças especiais da Irlanda e, de qualquer maneira, eu não tenho certeza de que e-mails anônimos matam. 

Jornais perseguem pessoas também, mas, pelo menos, editores têm um endereço.

O vice primeiro Ministro da Irlanda já falou de nova legislação contra o abuso na internet – complicado isso, quando os ex-oficiais da IRA sentam em Dáil Eireann e o abuso pode funcionar nos dois sentidos. O governo francês também está considerando novas regras para evitar comentários racistas, antissemitas e homofóbicos no Twitter. Hashtags racistas e anti Judias foram removidas na França, em outubro, mas o Twitter agora alega que não pode revelar suas identidades reais - em outras palavras, os culpados - desde que foram arquivadas na Califórnia, desta forma, as leis francesas não se aplicam.

Então me deixe ir agora ao jornalista irlandês John Waters, que no ano passado reclamou do "veneno desproporcional de comentários online" e a maneira que blogueiros recorrem a "formas de comunicação pré-civilizadas". Em uma paródia do estilo cyber, ele escreveu que preferiria que o criador do Twitter fosse preso e sua empresa fechada. Então, ele acrescentou - deliberadamente, na língua e gramática das mensagens repulsivas que todos recebem: "Queria q eles queimassem o fundador do Twitter em óleo e deixassem sua carcaça na rua p os urubus."

Veneno
E o que aconteceu? Um representante do Twitter ligou para um empregado do jornal de Waters - de um telefone fixo - para reclamar que sua última frase "passou de um certo limite". Que limite em especial, eu me pergunto? E quando Waters - um homem com quem não estou muitas vezes de acordo - depois queria entrar em contato com o Twitter para remover uma postagem difamatória, ele descobriu que só poderia fazê-lo... por se inscrever ao Twitter! Não, não somos Luditas, disse Waters. Mas algo era necessário "para frear o clima tóxico e sem lei em andamento na web". Por que pseudônimos são autorizados a apresentar-se como participantes de um debate democrático?

Eu concordo. Salas de chat e seções de comentários em jornais online, muitas vezes afirmam ter um "moderador" - uma expressão covarde, uma vez que sugere que o abusado e do abusador são igualmente culpados ou inocentes - que pode remover o material "inadequado". Isto é um pouco como dizer que Hitler poderia, por vezes, fazer 
comentários "inapropriados". De fato, com a leitura de um livro durante o Natal sobre a ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha, descobri que muitas ameaças do NSDAP (Partido Nazista) nos anos trinta hoje parecem insultos da internet.

Então o que fazer? Comentários on-line são muitas vezes factualmente errados, mas o anonimato permite aos escritores usar uma linguagem vulgar e abusiva para apoiar as suas mentiras. Eles rodam muitas vezes no que tem sido chamado de "teste de qualidade" - aplicada com rigor, por exemplo, quando os editores de jornais se recusam a publicar cartas sem um nome e alguma forma de endereço. Estamos falando de comentário verificável.

(*) Robert Fisk é correspondente do Oriente Médio para o jornal The Independent. Ele é o autor de muitos livros sobre a região, incluindo A Grande Guerra pela Civilização: A Conquista do Oriente Médio.”