segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sem políticos não há democracia



Há desonestos em todos os setores da sociedade. Há médicos que molestam sexualmente as suas pacientes, há advogados que prestam serviços a criminosos, há policiais que cometem crimes, há padres que praticam pedofilia e, claro, há jornalistas que só opinam o que o patrão manda… Por que, então, não haveria políticos que roubam dinheiro público?
A discussão que setores da imprensa desencadearam por conta do aumento dos salários dos políticos detentores de mandatos eletivos ignora (propositalmente) a inegável premissa do primeiro parágrafo e tenta pintar toda a classe política como corrupta, incompetente e abusadora dos privilégios dos cargos públicos.
A desqualificação generalista da classe política foi incutida pela “grande” imprensa nas mentes de expressiva parcela da sociedade ao longo da história da República. A tática é oriunda das elucubrações da ponta superior da pirâmide social e visa impedir que oportunidades se redistribuam em um dos dez países em que são mais concentradas.
Cabe reproduzir interessante observação do leitor Marcos Inácio Fernandes sobre post  anterior que versou sobre o mesmo tema que será tratado neste post. Marcos bem lembrou que o parlamento remunerado foi uma conquista dos trabalhadores no âmbito do Movimento Cartista do século XIX, na Inglaterra, desencadeado, por sua vez, no âmbito da Revolução Industrial.
O Movimento Cartista (1837-1848) foi organizado pela “Associação dos Operários“, que exigia melhores condições de trabalho, pedindo limitação de oito horas para a jornada laboral, regulamentação do trabalho feminino, extinção do trabalho infantil, folga semanal e salário mínimo, entre outros.
Mas talvez a parte mais relevante do movimento tenha sido a luta por direitos políticos como o estabelecimento do sufrágio universal e o fim do voto censitário, que só delegava direito de voto a quem se enquadrasse em um perfil que englobava gênero, renda, religião e outros valores que nada têm que ver com o direito de votar e ser votado.
No âmbito dos direitos políticos, a fim de que qualquer cidadão pudesse disputar um mandato eletivo, logrou-se estabelecer remuneração aos que chegassem a cargos públicos pelo voto, sobretudo como parlamentares. Foi a fórmula encontrada para impedir que só os ricos exercessem o poder.
Diante do fato consumado de que qualquer um pode se eleger e ser pago para exercer mandato eletivo, os que prefeririam que o país fosse administrado pelo topo da pirâmide social vêm tratando de criminalizar o uso de dinheiro público para permitir que até o cidadão mais humilde possa se eleger vereador, deputado, senador, prefeito, governador e até presidente da República.
Diante de argumentações racionais sobre as razões da elite midiática para enfraquecer a classe política e, assim, mantê-la refém de seus desejos, impérios de comunicação que pretendem governar o país através de notas e “informações” manipuladas vieram agora com certas comparações sobre o salário dos parlamentares brasileiros e os de países ricos, que ganham menos do que os nossos.
O primeiro sintoma de má fé dessa campanha difamatória e generalista contra a classe política reside no uso da correlação entre o PIB per capita e o novo salário de deputado. Comparam países ricos – em que o PIB per capita é maior – com o Brasil – que devido à sua enorme população tem uma correlação bem mais modesta do PIB per capita – sem explicar nada.
Países que têm algumas poucas dezenas de milhões de habitantes e alto desenvolvimento industrial , como no caso da Inglaterra, obviamente que têm uma correlação mais alta entre PIB per capita e salário de parlamentares do que um país semi-industrializado que tem duas centenas de milhões de habitantes, como é o Brasil.
Em países ricos, que têm sociedade educada, digno padrão médio de vida e leis que valem para todos, a corrupção é muito mais difícil de ocorrer porque a imprensa não cai matando só em cima dos políticos corruptos, como no Brasil, mas também em cima dos corruptores, que em países como o nosso são deixados em paz por serem grandes anunciantes.
Pagar bem ao político brasileiro, portanto, é imperativo. Em um país como este, um cidadão como o autor deste texto teria dificuldade de se eleger e, assim, deixar a sua atividade profissional – comércio exterior – de lado para se dedicar ao serviço público devido ao fato de que se depois de um mandato de quatro anos não fosse reeleito teria que recomeçar a vida do zero, pois se afastar de sua profissão por tanto tempo o deixaria fora do mercado.
A intenção da criminalização da classe política é justamente essa. Baixos salários favorecem a imprensa de propriedade de grupos econômicos que precisam justamente de uma classe política mal-paga e, assim, suscetível a corrupção e a coação por meio de ameaça de denúncias no noticiário.
Não que altos salários sejam garantia de que um deputado, por exemplo, não irá se corromper. Como já foi dito, há políticos, advogados, médicos e até jornalistas corruptos, para os quais dinheiro nunca é demais. Daí a dizer que todos eles se corromperão pelo que fazem alguns, é outra história – é má fé.
Alguém já viu uma campanha da mídia dessa envergadura contra o salário de juízes, por exemplo? São os salários mais altos, aos quais acabam de ser equiparados os salários dos parlamentares e chefes do Executivo. Mas o senso comum diz que juízes devem ser bem pagos para não tomarem decisões movidos por propinas oferecidas pelos que serão julgados.
Aí ninguém contesta o argumento, pois é óbvio que juiz mal pago – ou melhor, que não seja muito bem pago – certamente correria maior risco de se vender, até por conta do poder que tem para fazê-lo sem ser descoberto. Mas a mídia não gosta muito de brigar com juízes, pois precisa deles o tempo todo. E muito menos com corruptores-anunciantes.
Blog da cidadania

Dá-lhe LULA

azymuth - voo sobre o horizonte

Folha mente oito anos e diz a verdade um dia

BAND-AID EDITORIAL

Folha faz caderno especial em que reconhece avanços econômicos e sociais do ciclo Lula. Faltou explicar porque escondeu isso do leitor durante oito anos. 








1 em cada 5 brasileiros é burro ou mau-caráter

esquerdopata
 O POVO GOSTA DO LULA.

A IMPRENSA,  NÃO.
ONDE ESTÁ O ERRO?


Algumas coisas são difíceis de serem entendidas. Uma delas é o ódio indiscriminado sentido pela imprensa, de Lula e de seu partido.

Se a Folha mostra na pesquisa feita por ela mesma que 84% das pessoas acham que o governo de Lula é bom ou ótimo, por qual motivo a imprensa só bate no governo? Insiste em desqulificá-lo, em dizer que nada presta, em falsificar dossiês, e fichas criminais, como foi o caso da de Dilma, veiculada pela Folha, mesmo sabendo que era grosseiramente falsificada.

Segundo a Folha, 67% dos ricos aprovam Lula.

Curioso é que a dissidência é ruidosa. Na tucanolândia de Curitiba, possivelmente 8 entre 10 pessoas da suposta elite odeiam Lula. Claro que não têm um motivo específico pra isso. Apenas odeiam. Como o dia nasce e como a noite chega. Odiar e destratar o que é diferente é uma constante pra alienação Curitibana.
E é assim também na suposta elite de São Paulo. E de BH. E do Rio.

A elite da mídia odeia Lula pelo que ele representa pra ela. Sem mencionar a diminuição das verbas que o Governo Federal impingiu à nossa imprensa sanguessuga, Lula significou em muitos setores um "se vira". Lula não é estatista. Apenas não vai queimar o patrimônio público como fez seu antecessor.  Lula diz o seguinte: querem explorar pedágios? Me apresentem o menor preço que tá feito. 

Bem ao contrário do que querem os comparsas da tucanalha. O que eles queriam e querem é que o Estado lhes conceda tudo, e não exija nada. Falam em livre comércio, mas é uma mentira. Querem é um Esttado presente, desde que seja pra lhes favorecer.

Assim, não é incomum vermos empresários que estão rachando o bico de ganhar dinheiro com a economia crescendo, mas que adorariam um retrocesso. Desde que eles continuassem surfando na crista da onda. Porém, não entendem que não é possível. Ou a economia está grande e favorece a todos, ou ela está pequena e favorece somente meia dúzia.

Só que nesta meia-dúzia, talvez não estejam incluídos os novos ricos, a nova pseudo elite que aprendeu a achar bonito odiar o Lula. "Ah, eu votei no Lula, mas agora... nunca mais!".

Isso talvez devesse ser encarado da seguinte forma. "Eu votei em Lula pra ele me ajudar. Agora que tirei o pé da lama, que se danem os que vêm atrás. Eu  não quero concorrência.".

Eu confesso que não aprendi a entender direito esse povo. Mas acho que o mundo precisa de uma reformulada. Ou a canalha pára com essa mania de ser exclusivista, ou vamos irremediavelmente todos para o mesmo buraco.

Lula está bem na foto. Mas desconfio que Dilma vai inaugurar uma nova era de "ódios'. Na campanha já tivemos uma prévia substancial de intelectuais que diziam "não gosto dessa mulher".

Motivo, não existia. Só aquilo que é falado na Veja, mesmo.

Pra muita gente infelizmente, é motivo bastante.
Anais políticos

AZIMUTH NA LINHA DO HORIZONTE

Salvar os banqueiros e assassinar os pobres

Os governos da União Europeia se preparam para, uma vez mais, salvar os bancos da crise financeira, sob o pre­texto de que isso é necessário, a fim de salvar a economia. Prevê-se uma injeção de capi­tal da ordem de seiscentos bi­lhões de euros. Com esse di­nheiro, aplicado em progra­mas de desenvolvimento eco­nômico e de assistência urgen­te contra a fome e as endemias e epidemias nos países pobres (como é o caso mais dramático, o do Haiti), seria possível im­pedir a morte prematura de milhões e milhões de pessoas, sobretudo de crianças. Os ban­queiros enriquecem-se com o dinheiro dos depositantes e devedores; distribuem grandes lucros a si mesmos, como representantes dos acionistas, cometem crimes calculados, certos de que os governos os salvarão. É o que ocorre, quase sempre: em lugar de serem punidos, são salvos pelos Esta­dos, que deveriam defender os interesses dos cidadãos que trabalham e produzem bens. Nos últimos tempos globalizantes e neoliberais,o que vem ocorrendo é a mais brutal transferência de renda dos produtores (trabalhadores e empresários industriais) ao sistema financeiro, e a cres­cente irresponsabilidade dos principais bancos do mundo.
Também ontem se soube que, em Kosovo, na guerra que conduziu à independên­cia, houve a matança organi­zada e coordenada de sérvios e kosovos-albaneses, para que de seus cadáveres se re­tirassem os rins, destinados ao mercado negro europeu de órgãos. De acordo com a in­vestigação, realizada por Di­ck Marty, ex-juiz suíço e atual membro do Conselho da Eu­ropa, pelo menos 500 pes­soas, presas durante o confli­to, foram retiradas das celas improvisadas, conduzidas a locais escolhidos e equipa­dos de instrumental adequa­do. Ali, uma a uma, recebiam um tiro na cabeça e, ato contínuo.eram estripadas. Os rins imediatamente se destinavam a hospitais e cirurgiões privados que os aguardavam, para atender à demanda dos pacientes na Europa rica.
Os pobres sempre foram vistos como servidores da vi­da dos ricos, como escravos formais ou sob contratos leo­ninos de trabalho. O avanço da ciência médica, em lugar de servir para dar-lhes mais tempo de vida saudável, con­dena-os, em determinadas circunstâncias, a se tornarem vítimas de brutal canibalis­mo. A eventual doação de ór­gãos deve ser decidida pelas pessoas enquanto vivas, me­diante documentos claros e precisos de sua livre vontade. Como sempre se denuncia - e em alguns casos há indícios fortes, como nessa denúncia de uma pessoa idônea e res­peitável, o suíço Marty - os po­bres têm servido de conjuntos desmontáveis, como os auto­móveis roubados, a fim de ofe­recer peças de reposição aos que podem pagar bem a fim de adiar a própria morte.
E temos outras informa­ções chocantes, como a do surgimento de uma organiza­ção de moradores do tradicio­nal bairro da alta classe mé­dia de São Paulo, Higienópolis, em defesa de seus cães. Como informou a Folha de S. Paulo, exigem que a prefei­tura cuide das praças do bair­ro elegante, onde seus cães passeiam todos os dias, leva­dos por empregados ou pelos próprios donos, de forma a dar dignidade aos animais. Entre outros benefícios, rei­vindicam tanques de água fria, para o banho refrescan­te de seus animais, além da higiene cuidadosa do chão onde transitam.
Como pagam seus impostos municipais, talvez em dia, é provável que a prefeitura os atenda, concedendo existên­cia digna aos cães de raça no­bre, como os labradores, são-bernardos, huskies sibe­rianos e pastores belgas, sem esquecer os diminutos lhassas e pequineses.
Quanto às crianças, perambulames pelas ruas, que tra­tem de ser astutas, para não serem mortas pelos que que­rem sanear as metrópoles, co­mo ocorreu na Candelária e em outros lugares. Elas e os moradores de rua – mais odiados ainda do que os cães sem dono - não têm tanques onde banhar-se e exalam o odor dos desprezados.
Mauro Santayana
By: Gilson Sampaio

A economia dos instintos no romantismo

“Minha disposição é a mais pacífica. Os meus desejos são: uma humilde cabana com um teto de palha, mas boa cama, boa comida, o leite e a manteiga mais frescos, flores em minha janela e algumas belas árvores em frente à minha porta; e, se Deus quiser tornar completa a minha felicidade, me concederá a alegria de ver seis ou sete de meus inimigos enforcados nessas árvores. Antes da morte deles, eu, tocado em meu coração, lhes perdoarei todo o mal que em vida me fizeram. Deve-se, é verdade, perdoar os inimigos – mas não antes de terem sido enforcados”. [In Gedanken und Einfälle].
O autor da ironia corrosiva foi o escritor e poeta alemão Heirich Heine (1797-1856).
Freud cita este trecho da obra de Heine em O mal-estar na civilização (1929), para enfatizar o permanente conflito humano entre as exigências do instinto (a nossa porção Natureza) e as restrições da civilização (a porção Cultura).
O poeta romântico foi um duro crítico da religião (que agora está na moda, com inúmeros autores se dedicando a escrever sobre o tema anti-religioso).
A famosa expressão que qualifica a religião como “ópio do povo", usado por Karl Marx na Crítica da filosofia hegeliana do Direito (1844), foi inspirada numa obra de Heine de 1840, onde ele ironizava (como sempre):
“Bendita seja uma religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança”.
By: Diário Gauche