terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Serra achou que ia esconder os pobres debaixo do tapete do PIG


O PiG não jogou o bote para evitar o afogamento do Serra no Jardim Romano




A excelente análise do Nassif sobre o fim irremediável do Serra e do paulistano na política brasileira merece um acréscimo, se possível.


Nassif observa que Zé Alagão não entende mais o que acontece no Brasil.

E pensou que ia governar o Brasil de 2002.

Aí, este modesto blogueiro acredita que, por um mecanismo patológico, Zé Alagão achou que tinha sido eleito em 2002 e que o Brasil congelaria, à espera dele em 2010.

O Brasil que ele herdaria do desastroso Governo do FHC estaria à espera de sua salvadora intervenção.


Voltamos ao Nassif.

Serra não percebeu que a agenda tinha mudado.


Que a questão central não era mais a estabilidade: era a desigualdade social.

Por isso, acha este modesto blogueiro, Zé Alagão foi incapaz de realizar uma única política dirigida ao combate da gritante desigualdade social de São Paulo.

Zé Alagão acreditou no que dizia.

O problema eram a política monetária e o câmbio.

O que já não fazia mais sentido em 2010.

E por que o Zé Alagão menosprezou a questão da desigualdade de renda ?

Este modesto blogueiro sugeriria ao Nassif meditar sobre o seguinte: Serra achou que poderia esconder a miséria embaixo do tapete do PiG.

Serra é do tempo em que bastavam três telefonemas para controlar o PiG.

Para o Dr Roberto, para o seu Frias, e para o Ruy Mesquita.


(O Robert(o) Civita vinha no bolo.)

Com isso, ele controlava a Globo, a Folha e o Estadão e suas agências de notícias.

E calava o Brasil.

Quer dizer, em quinze minutos ele “alinhava” o PiG.

O PiG não vai ao Jardim Romano, a Heliópolis, a Paraisópolis, ao Itaim Paulista, a São Miguel Paulista.

O PiG mal cobre a rua Augusta, da Avenida Paulista para baixo.

O Conversa Afiada sempre disse que, sem o PiG, esses tucanos paulistas não passavam de Resende.

A pobreza de São Paulo está nos extremos geográficos da cidade.

E a elite branca – e separatista – de São Paulo ignora os extremos, porque quem mora lá são nordestinos.

E a maioria não vota em São Paulo.

O Zé Alagão achou que controlava a miséria de São Paulo com os telefonemas e podia se concentrar na tarefa superior de assumir a Presidência devida.

Serra não governa São Paulo, como não governou a Prefeitura.

Ele é o chefe da campanha que lhe dará posse em 2010.

Ele desconhece o que se passa no (des)governo dele.

Veja que nessa reunião para explicar o aumento (?) de salário do funcionalismo, ele demonstra irritação, enfado, e não consegue dar uma resposta: passa as perguntas aos subordinados.

(E toma água num copo vazio … Bem que a Yvete tinha razão: falta-lhe um anabolizante.)

Ele entende é de câmbio …

Zé Alagão não tomou conhecimento do Governo Lula.

Para ele, não aconteceu nada entre 2002 e 2010.

Por isso, não tem nada a declarar sobre os assuntos que, hoje, interessam aos brasileiros.

O “engenheiro competente” não percebeu, por exemplo, que a classe “C” já é a maioria da população.

E que a classe “C” tem acesso à internet.

Ele se preparou para tomar o lugar do Fernando Henrique, quando o Google não existia.


Ele ia sentar na cadeira com os jurássicos da mídia de antanho: o Dr Roberto, o seu Frias e o Ruy.

O Robert(o) entraria de penetra.

Bye-bye Serra 2010.

Paulo Henrique Amorim

José só conseguirá vencer a eleição se Dilma perder para ela mesma

Era um inferno. Sempre que passava por ali, o elefante esmagava a entrada do formigueiro. Então as formigas decidiram reagir.

Um dia, aos milhares, saltaram sobre o elefante e começaram a picá-lo. Com um abanão das orelhas, o elefante livrou-se delas. Restou uma agarrada ao seu pescoço.

“Esgana o bicho, esgana”, gritavam as outras em coro.

O elefante da história está mais para Lula, aprovado por oito entre 10 brasileiros, assim como as formigas estão mais para a oposição – PSDB, PPS, DEM em fase terminal e uma fatia do PMDB.


Quem será a formiga que insiste inutilmente em esganar o elefante? Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado?

Ora, Arthur anda sumido desde que perdeu a batalha pelo afastamento de José Sarney da presidência do Senado. Há duas semanas, voou para um café da manhã com Barack Obama em Washington. Imaginava trocar idéias com ele. Havia dois mil convidados.

O Amazonas de Arthur é fortaleza do lulismo. Ele pretende se reeleger. Sabe como é...

A formiguinha suicida seria José Agripino Maia, líder do DEM no Senado?

Agripino anda muito ocupado com o escândalo que engoliu o único governador do seu partido, José Roberto Arruda, do Distrito Federal, preso numa cela da Polícia Federal, em Brasília. O escândalo ainda ameaça engolir o vice Paulo Octávio, do DEM.


E Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB?

Poupemos Guerra. O coração dele bate acelerado diante da demora do governador José Serra, de São Paulo, em se declarar candidato à vaga de Lula. E bate aflito diante do risco do próprio Guerra não se reeleger senador por Pernambuco. É uma carga dupla e bastante pesada.


De Aécio Neves, outra estrela do infausto formigueiro, diga-se que jamais aprovaria o plano de um ataque em massa ao elefante.

Se dependesse dele, o formigueiro simplesmente teria mudado de endereço para escapar de eventuais danos. Como não o levaram em conta, mergulhou terra à dentro e foi cuidar de sua vida.

Tudo deu certo para Lula desde que se elegeu presidente em 2002. Seu governo sobreviveu ao explosivo escândalo do mensalão. A economia cresceu. Milhões de brasileiros ascenderam à classe C. A maioria dos partidos se rendeu aos seus encantos. E o PT à candidata que ele sacou do bolso.

Dizem que a próxima será a primeira eleição em 21 anos onde os brasileiros estarão impedidos de votar em Lula. De fato, é verdade. Mas na prática, não.

Dilma só existe como candidata porque Lula a inventou. Nada mais direto, pois, do que o apelo que orientará sua campanha: votar em Dilma significa votar em Lula.

Caberá à oposição separar os dois – fácil, não?

A ela caberá também a difícil tarefa de vender Serra como o melhor candidato pós-Lula. Melhor até mesmo do que Dilma, a quem Lula escolheu. E logo quem?

E logo Serra que concorreu contra Lula em 2002. Se Serra tivesse vencido não haveria Lula presidente por duas vezes. Oh, céus!

O ex-metalúrgico que chegou ao lugar antes privativo dos verdadeiros donos do poder deixou de pertencer à categoria dos homens comuns – embora daí extraia sua força.

Foi promovido nos últimos oito anos à condição de mito. E como tal deverá ser encarado pelas futuras gerações. É improvável que alguém como ele reprise sua trajetória.

A oposição se propõe a derrotar um mito. E tentará fazê-lo sem reunir sua força máxima.

Serra está pronto para conversar com Aécio sobre a vaga de vice em sua chapa. Quanto a isso, há duas coisas mais ou menos certas. Serra oferecerá a vaga a Aécio. E Aécio a recusará.

Descarte-se a hipótese de Serra sugerir: “Bem, nesse caso, você sai para presidente com meu apoio e eu irei disputar um novo mandato de governador”.

Aécio tem a resposta na ponta da língua: “Agora, é tarde. Quis ser candidato. Sugeri a realização de prévias dentro do partido. Não fui ouvido. Serei candidato ao Senado”.


E aí, José?

Aí José só vencerá a eleição se Dilma conseguir perder para ela mesma.

Possível, é, embora...


Fonte: blog do Noblat

Comentário do Aguinaldo: Pareçe que já jogaram a toalha. O Noblat escreveu este artigo? então...bye bye Serra.

O Demo, Serra e a Lei de Murphy



Já dizia Shakespeare que existem mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Como bom agnóstico, esse que vos escreve coloca em dúvida, mas não nega a possibilidade de realmente existir algo mais que corpos celestes e o espaço que há entre eles. Se existe há de ser divino e por consequência justo. Se for justo pode punir quem se comporta mal. Quem deseja o mal dos outros pode receber o mal em troca.

Só mesmo o sobrenatural para explicar o que acontece com o DEM, e por proximidade o Serra em pleno ano eleitoral. Eles desejaram o mal do país durante oito anos para prejudicar o presidente, mesmo que com isso o país fosse prejudicado. Como bem colocou o Élio Gaspari eles são os teólogos da urucubaca. Agora parece colher o que plantaram. Como na difamada lei de Murphy a realidade democrata prevê que se algo vai acontecer vai dar errado, e as consequências serão as piores possíveis. Quando se pensa que o furacão passou e nada pode piorar lá vem outro vendaval para jogar tudo de pernas para o ar de novo. Se não bastasse enfrentar a candidate de um presidente com um alto grau de popularidade, PSDB e DEM vêm enfrentado desgastes seguidos com os escândalos de corrupção no governo Yeda (PSDB/RS), Richa (PSDB/Curitiba) e Arruda (DEM/DF), com as enchentes no estado de São Paulo evidenciando incapacidade de gestão e agora com a cassação do maior aliado de Serra, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Engraçado como andam desbaratinados os defensores da candidatura de Serra a presidente. Esses escândalos que vão fazer o DEM e Serra sangrarem durante as eleições não estavam nos planos deles. Não sabem o que fazer por não poderem ignorar os fatos e ao mesmo tempo tem que falar sem causar mais desgastes aos seus aliados. Nunca pensei que fosse falar isso, mas senti pena do Merval Pereira no Jornal das Dez (Globonews), ele falou com uma expressão de desespero que o DEM enfrentava um inferno astral. Se fosse profissional sério tinha abordado a notícia sem se envolver emocionalmente, mas como eles já fazem isso por muito tempo passou a ser natural que dêem essas bandeiras, mesmo falseando uma postura de isenção que não tem, nunca tiveram e nunca vão ter. Merval ainda deixou claro que defende a ideologia neoliberal dos tucanos que foi enterrada pelo mercado porque fracassou, mas mesmo assim esse pessoal não consegue evoluir, além de viúvas de FHC se tornaram viúvas do neoliberalismo.

O que parece claro nos últimos dias olhando o comportamento esquizofrênico desses analistas é que mesmo que não assumam eles estão apavorados e sem esperanças que a situação tenha uma saída boa para eles. Eles fazem questão de forçar a impressão que o Serra é favorito, mas todos sabem que quem tá na frente é que recebe os ataques e vira alvo dos concorrentes, mas o que vemos são os ataques ininterruptos dos aliados do dito favorito contra quem está em segundo lugar nas pesquisas e segundo o IBOPE não tem chances de ganhar. Esse ímpeto de atacar Dilma mostra que o cenário real não é o que eles pintam. Eles sabem do potencial dela e estão cientes que ela tem muito a crescer e que o X das pesquisas (se não forem maquiadas), é questão de tempo.

Botton de 30 anos do PT 1 real


Bandeira vermelha com a estrela branca 10 reais

Ver a velha mídia batendo cabeça prevendo mais uma derrota do seu candidato...não tem preço.

Fonte: Com texto livre

Um ano decisivo para a América Latina

Mário Augusto Jakobskind

Finalmente começou o ano de 2010, período em que muitas águas vão rolar. Não precisa nenhuma bola de cristal para prever que o ex-presidente FHC vai voltar a destilar ódio contra a candidata Dilma Roussef, o que para ela é muito positivo, pois cada pronunciamento do príncipe sociólogo mais a agora candidata oficial do Partido dos Trabalhadores cresce nas pesquisas. FHC, que em oito anos de mandato revelou-se um entreguista de marca maior, vai reafirmar que Dilma “é uma pessoa dura, autoritária, dogmática e mais próxima da esquerda do que o Presidente Lula”, como disse para o jornal Miami Herald.

Cardoso, que ainda se julga o maior dos maiorais, deve elevar as mãos para os céus que está solto, porque se o país fosse outro, uma Argentina, uma Bolívia um México ou Peru, por exemplo, o ex-Presidente já estaria respondendo na Justiça pelo que fez em matéria de entregar a preço de banana estatais às empresas transnacionais. Carlos Menem e Gonzalo Sanchez de Losada, para não falar de Carlos Salinas de Gortari e Alberto Fujimori, respectivamente, ex-Presidentes da Argentina, Bolívia, México e Peru que o digam. Depois de deixarem o governo, tiveram de enfrentar ações na Justiça. Cardoso, lépido e faceiro, segue escrevendo em O Globo e Estado de S. Paulo defendendo o indefensável, ou seja, o que fez em seu governo.

Da Bolívia podem acontecer novidades surpreendentes, inclusive repicando no Brasil. É que o governo Evo Morales ordenou a abertura de todos os arquivos implacáveis das Forças Armadas dos anos de chumbo que atravessou o país vizinho. Não é nenhuma novidade que governos militares brasileiros, de Costa e Silva e Médici, passando por Ernesto Geisel e até mesmo João Figueiredo, incentivaram golpes de estado que provocaram numerosas violações dos direitos humanos e mortes. Os governos militares destas bandas têm culpa no cartório também e os arquivos podem trazer novidades que mostrarão como a direita tupiniquim, cujos remanescentes hoje destilam ódio em sites com os nomes mais estranhos, ajudaram a extrema direita boliviana a ocupar o poder.

Lamentavelmente, e isso é história, os governos de fato aqui do Brasil deram força até a golpistas vinculados ao narcotráfico, como o general meliante Garcia Meza. E tudo isso depois do golpe que derrubou o Presidente chileno Salvador Allende, em que civis e militares brasileiros desempenharam papéis relevantes na quebra constitucional. O então vendedor de armas Aristóteles Drumond que o diga.

Conhecer a história é também importante no sentido de se evitar que os lamentáveis fatos daquela época voltem a ocorrer. É o mínimo que se exige para que avance o processo democrático.

Ainda pelas bandas de Nuestra América, informes da Colômbia, raramente divulgados pela mídia hegemônica, dão conta que mães de jovens assassinados pelo Exército estão denunciando “encenações midiáticas”. Ou seja, as Mães de Soacha, e outras tantas que tiveram os filhos desaparecidos, possivelmente mortos em circunstâncias criminosas, estão tentando encontrar pelo menos os restos dos jovens.

Elas acusam o Exército colombiano de responsabilidade em crimes do Estado, os quais remetem às “encenações macabras” que denominaram de “falsos positivos”. Os jovens mortos são apresentados aos colombianos como guerrilheiros mortos em combate, segundo as mães de Soacha. A ONU contabilizou um total de 1.800 jovens, mas o número pode ser muito maior. Os jovens são recrutados com promessas de trabalho, o que não se concretiza. As mães denunciam ainda que há também o método em que os filhos são recrutados á força pelos militares e mesmo paramilitares, mas quando opõem algum tipo de resistência são sumariamente executados. Na etapa seguinte, são apresentados em espetáculos de televisão como combatentes das Farc. Os corpos, ainda com trajes de guerrilheiros, são mostrados em close nos telejornais.

É preciso que a opinião pública da Colômbia e latino-americana exija que uma comissão internacional investigue as denúncias. Não se pode deixar que o caso caia no esquecimento. E não se pode também confiar que o governo acusado, como o de Álvaro Uribe, seja o responsável pelas investigações.

Se nada disso acontecer, a omissão e o silêncio poderão servir à guerrilha, cujos comandantes aproveitarão o embalo para mostrar como denúncias de mães colombianas não são levadas a sério.

Ao término deste artigo veio a notícia da Colômbia que no país foi encontrada a maior fossa comum até hoje localizada no continente americano. Foram achados, em Macarena, no Departamento de Meta, pelo menos dois mil corpos A mídia conservadora, para variar, silenciou sobre o fato e também não informou que naquela região o Exército esteve fazendo várias incursões.

Fonte: blog do Saraiva

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Serra e o fim da era paulista na política


Por que José Serra vacila tanto em anunciar-se candidato?

Para quem acompanha a política paulista com olhos de observador e tem contatos com aliados atuais e ex-aliados de Serra, a razão é simples.

Seu cálculo político era o seguinte: se perde as eleições para presidente, acaba sua carreira política; se se lança candidato a governador, mas o PSDB consegue emplacar o candidato a presidente, perde o partido para o aliado. Em qualquer hipótese, iria para o aposentadoria ou para segundo plano. Para ele só interessava uma das seguintes alternativas: ele presidente ou; ele governador e alguém do PT presidente. Ou o PSDB dava certo com ele; ou que explodisse, sem ele.

Esta foi a lógica que (des)orientou sua (in)decisão e que levou o partido a esse abraço de afogado. A ideia era enrolar até a convenção, lá analisar o que lhe fosse melhor.

De lá para cá, muita água rolou. Agora, as alternativas são as seguintes:

1. O xeque que recebeu de Aécio Neves (anunciando a saída da disputa para candidato a presidente) demoliu a estratégia inicial de Serra. Agora, se desiste da presidência e sai candidato a governador, leva a pecha de medroso e de sujeito que sacrificou o partido em nome de seus interesses pessoais.

2. Se sai candidato a presidente, no dia seguinte o serrismo acaba.


O balanço que virá


O clima eleitoral de hoje, mais o poder remanescente de Serra, dificulta a avaliação isenta do seu governo. Esse quadro – que vou traçar agora – será de consenso no ano que vem, quando começar o balanço isento do seu governo, sem as paixões eleitorais e sem a obrigatoriedade da velha mídia de criar o seu campeão a fórceps. Aí se verá com mais clareza a falta de gestão, a ausência total do governador do dia-a-dia da administração (a não ser para inaugurações), a perda de controle sobre os esquemas de caixinha política.

Hoje em dia, a liderança de Serra sobre seu governo é próxima a zero. Ele mantém o partido unido e a administração calada pelo medo, não pelas ideias ou pela liderança.

Há mágoas profundas do covismo, mágoas dos aliados do DEM – pela maneira como deserdou Kassab -, afastamento daqueles que poderiam ser chamados de serristas históricos – um grupo de técnicos de alto nível que, quando sobreveio a inércia do período FHC-Malan, julgou que Serra poderia ser o receptador de ideias modernizantes.


Outro dia almocei com um grande empresário, aliado de primeira hora de Serra. Cauteloso, leal, não avançou em críticas contra Serra. Ouviu as minhas e ponderou uma explicação que vale para todos, políticos, homens de negócio e pensadores: “As ideias têm que levar em conta a mudança das circunstâncias e do país”. Serra foi moderno quando parlamentar porque, em um período de desastre fiscal focou seu trabalho na responsabilidade fiscal.


No governo paulista, não conseguiu levantar uma bandeira modernizadora sequer. Pior: não percebeu que os novos tempos exigiam um compromisso férreo com o bem estar do cidadão e a inclusão social. Continuou preso ao modelito do administrador frio, ao mesmo tempo em que comprometia o aparato regulatório do Estado com concessões descabidas a concessionárias.

O castigo veio a cavalo. A decisão de desviar todos os recursos para o Rodoanel provocou o segundo maior desastre coletivo da moderna história do país, produzido por erros de gestão: o alagamento de São Paulo devido à interrupção das obras de desassoreamento do rio Tietê. O primeiro foi o “apagão” do governo FHC.

O fim das ideias


O Serra que emergiu governador decepcionou aliados históricos. Mostrou-se ausente da administração estadual, sem escrúpulos quando tornou-se o principal alimentador do macartismo virulento da velha mídia – usando a Veja e a Folha – e dos barra-pesadas do Congresso. Quando abriu mão dos quadros técnicos, perdeu o pé das ideias. Havia meia dúzia de intelectuais que o abastecia com ideias modernizantes. Sem eles, sua única manifestação “intelectual” foi o artigo para a Folha criticando a posição do Brasil em relação ao Irã – repetindo argumentos do seu blogueiro -, um horror para quem o imaginava um intelectual refinado.

É bobagem taxar o PSDB histórico de golpista. Na origem, o partido conseguiu aglutinar quadros técnicos de alto nível, de pensamento de centro-esquerda e legalistas por excelência. E uma classe média que também combateu a ditadura, mas avessa a radicalizações ideológicas.

Ao encampar o estilo Maluf – virulência ideológica (através de seus comandados na mídia), insensibilidade social, (falsa) imagem de administrador frio e insensível, ênfase apenas nas obras de grande visibilidade, desinteresse em relação a temas centrais, como educação e segurança – Serra destruiu a solidariedade partidária criada duramente por lideranças como Mário Covas, Franco Montoro e Sérgio Motta.

Quadros acadêmicos do PSDB, de alto nível, praticamente abandonaram o sonho de modernizar a política e ou voltaram para a Universidade ou para organizações civis que lhe abriram espaço.

O personalismo exacerbado


Principalmente, chamaram a atenção dois vícios seus, ambos frutos de um personalismo exacerbado – para o qual tantas e tantas vezes FHC tinha alertado.

O primeiro, a tendência de chamar a si todos os méritos, não admitir críticas e tratar todos subordinados com desprezo, inclusive proibindo a qualquer secretário sequer mostrar seu trabalho. Principalmente, a de exigir a cabeça de jornalistas que o criticavam.

O mal-estar na administração é geral. Em vez de um Estadista, passaram a ser comandados por um chefe de repartição que não admite o brilho de ninguém, nem lhes dá reconhecimento, não é eficiente e só joga para a torcida.

O segundo, a deslealdade. Duvido que exista no governo Serra qualquer estrela com luz própria que lhe deva lealdade. A estratégia política de FHC e Lula sempre foi a de agregar, aparar resistências, afagar o ego de aliados. A de Serra foi a do conflito maximizado não por posições políticas, mas pelo ego transtornado.


O uso do blogueiro terceirizado da Veja para ataques descabidos (pela virulência) contra Geraldo Alckmin, Chalita, Aécio, deixou marcas profundas no próprio partido.

Alckmin não lhe deve lealdade, assim como Aloizio Nunes – que está sendo rifado por Serra. Alberto Goldmann deve? Praticamente desapareceu sob o personalismo de Serra, assim como Guilherme Afif e Lair Krähenbühl – sujeito de tão bom nível que conseguiu produzir das poucas coisas decentes do malufismo e não se sujar.

No interior, há uma leva enorme de prefeitos esperando o último sopro de Serra para desvencilhar-se da presença incômoda do governador.

O que segura o serrismo, hoje em dia, é apenas o temor do espírito vingativo de Serra. E um grupo de pessoas que será varrido da vida pública com sua derrota por absoluta falta de opção. Mas que chora amargamente a aposta na pessoa errada.

Aliás, se Aécio Neves for esperto (e é), tratará de reasgatar esses quadros para o partido.

Saindo candidato a presidente e ficando claro que não terá chance de vitória, o PSDB paulista se bandeará na hora para o novo rei. Pelas possibilidades eleitorais, será Alckmin, político limitado, sem fôlego para inaugurar uma nova era. Por outro lado, o PT paulista também não logrou se renovar, abrir espaço para novos quadros, para novas propostas. Continua prisioneiro da polarização virulenta com o PSDB, sem ter conseguido desenvolver um discurso novo ou arregimentado novas alianças.

O resultado final será o fim da era paulista na política nacional, um modelo que se sustentou décadas graças ao movimento das diretas e à aliança com a velha mídia.


Acaba em um momento histórico, em que o desenvolvimento se interioriza e o monopólio da opinião começa a cair.

A história explica grande parte desse fim de período. Mas o desmonte teria sido menos traumático se conduzido por uma liderança menos deletéria que a de Serra.

By: Nassif

Senador Agripino Maia mentiu mais uma vez..



O líder do DEMos no Senado, José Agripino, mentiu descaradamente ao tentar desqualificar as afirmações de Dilma Rousseff, em seu discurso no Congresso do PT, de que Petrobras, Furnas, Banco do Brasil e CEF só não foram privatizados porque os "brasileiros resistiram".

O senador do DEMos afirmou:

- O delírio da ministra está chegando às raias da mentira. Nunca se cogitou nada disso, privatização da Petrobras, de Furnas. Isso nunca existiu.

Quem ultrapassou as raias da mentira foi José Agripino Maia. A própria imprensa corporativa comprova categoricamente.

Em Agosto de 1997, o DEMos ainda era PFL, e o jornal Gazeta Mercantil publicava declarações do presidente do então partido Jorge Bornhausen (PFL/SC) e do então líder na câmara Inocêncio de Oliveira (PFL/PE) defendendo a privatização da Petrobras:

Detalhe:
Em 1997 o presidente da Petrobras, era Joel Rennó, nomeado pelo PFL (DEMos), e ficou no cargo até 1999, após a reeleição de FHC.

Fonte: Com texto livre

UOL informa



Não fosse o UOL e eu pensaria que quem iria recorrer da cassação do Kassab seria o juiz da 1ª zona eleitoral de SP Aloísio Sérgio Resende Silveira, responsável pela decisão.

Ou quem sabe a Marta Suplicy poderia achar injusto condenar alguém porque faz tempo que o crime foi cometido, como alega o DEM:

"Causa perplexidade e insegurança jurídica que assuntos e temas já decididos há tantos anos pela Justiça sejam reabertos e reinterpretados sem nenhuma base legal e contrariando jurisprudência do TRE e do TSE, afirma o partido (DEM) em nota.

Isso deve ser o jeito do DEM provar a Teoria Geral da Relatividade, de Einstein, porque UM ANO E MEIO não é tantos anos assim, não é?

De ilusão também se vive...


...e mentindo se ganha muito dinheiro


Fosse jornalismo uma atividade séria e seus praticantes teriam que esclarecer o sentido de suas frases e palavras. No caso "percepção popular" e a percepção de quem, já que ele mesmo diz mais acima que 3/4 da população não pensou no assunto eleições presidenciais ainda?

Longe de mim combater a Liberdade de Expressão e querer proibir as pessoas de mentir, mas o fato do ex-deputado, senador, secretário de estado, ministro do planejamento, ministro da saúde, prefeito de São Paulo, candidato a presidente da república e atual governador de São Paulo cair consistentemente em todas as pesquisas realizadas por vários institutos por mais de um ano não significa alguma coisa? O fato do ultra-conhecido candidato não ganhar um voto e perder muitos pesquisa após pesquisa não indica uma tendência, no mínimo um teto eleitoral?

O fato do nome indicado espontaneamente pela população como seu candidato ser Lula, por ampla margem, não indica a tendência dessas pessoas votarem na candidata apoiada por Lula? É fato conhecido até do mundo vegetal que a pesquisa "espontânea", quando as pessoas são perguntadas em quem pretendem votar sem receber uma lista dos verdadeiros candidatos, é uma amostra muito mais representativa da intenção de voto faltando tanto tempo para a eleição, ainda mais com uma Copa do Mundo no meio.

Lula e Dilma somados têm o triplo da intenção de voto de Serra. Somente um terço dos que declaram votar em Lula declaram depois que, entre Dilma e Serra, votarão em Dilma. Isso mostra um potencial imenso de crescimento para Dilma e pouco, muito pouco, quase nada para Serra. Se a diferença fosse hoje estrondosa não seria tão importante, mas a diferença medida hoje é de 10 a 15 pontos. Só o apoio público e claro de Ciro Gomes a Dilma já acabariam com a pretensa vantagem de Serra.

Claro que é possível que nada disso aconteça, que o ultra-conhecido Serra comece a ganhar votos e Dilma pare de conquistá-los. É possível que o eleitorado não identifique Dilma com Lula mesmo depois de Lula passar agosto e setembro dizendo isso em rede nacional de rádio e TV. É possível que um meteoro atinja a Terra e destrua 90% das formas de vida ou até o planeta inteiro, mas a tarefa de jornalistas é analisar os fatos acontecidos e os previsíveis, com maior ou menor grau de especulação, mas baseada em fatos não em desejos.

Dizer hoje o que diz o moço acima é mentira. A "percepção popular" é que o Dunga não vai convocar o Ronaldinho Gaúcho, mas ainda assim o Brasil deve ganhar a Copa.

Fantástico esconde a verdade em reportagem sobre lixo e alagamentos em São Paulo

Luciana Rotondi: "A matéria do Fantástico faltou com a verdade e reproduziu o discurso do Kassab e do Serra, que vira e mexe responsabilizam a população pelas enchentes, terceirizando a culpa"

Na reportagem, às 8h as ruas do Bom Retiro estão limpas. Frequentemente, porém, a realidade é esta: montes de lixo. A foto, tirada por Luciana, no dia 12 de dezembro às 8h, foi passada para o laptop do repórter.

por Conceição Lemes

Domingo retrasado, 7 de fevereiro, o Fantástico exibiu a reportagem Câmera registra como o lixo provoca alagamentos. Repórter, Maurício Ferraz. Cenário de parte dela, o Bom Retiro, bairro da região central da cidade de São Paulo, conhecido pelas confecções e comércio de roupas.

Selecionamos alguns trechos:

Para ver exatamente como o lixo se acumula, ficamos 14 horas de plantão no Bom Retiro.... O caminhão de lixo passa depois que as lojas fecham. De manhã, as ruas estão limpas. Mas, aos poucos, aparece um saco de lixo aqui, outro ali. Quatro horas depois, a sujeira já toma conta de vários lugares.
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E um catador de lixo faz a maior sujeira. “O lixo que sobra, o caminhão passa e pega. É muito lixo, mas não é só meu”, conta o catador de lixo Adriano Cabral.
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Os garis fazem o que podem, mas reparem: o que recolheu volta para a rua de novo, dentro de um saco plástico, à espera do caminhão de lixo.
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Os bueiros já não dão mais conta. O lixo vai parando e a água vai ficando represada... É impressionante como a água sobe rapidamente. Em menos de dez minutos o trânsito para. Parece que estamos num rio.
....

Com uma câmera especial, o Fantástico registrou também como ficam os bueiros, depois dos temporais. No Bom Retiro, é tanta sujeira, tanto retalho de tecido, que fica evidente o que vai acontecer na próxima chuva. Fazemos uma blitz em vários pontos da capital paulista, e a situação é parecida.

“DEI FOTOS COM A SITUAÇÃO REAL, O FANTÁSTICO IGNOROU”

“A reportagem do Fantástico distorce a realidade, colocando a culpa em lojistas, catadores de lixo e a população em geral. Nenhuma crítica é feita à péssima coleta de lixo da Prefeitura, que é a responsável pelo serviço”, afirma Luciana Rotondi. “E não foi por desconhecimento. Eu mesma dei informações e fotos ao repórter, provando o que acontece de fato no Bom Retiro. Nada foi usado.”

Luciana Rotondi é advogada. Há sete anos trocou a profissão (“Cansei!”) pela gerência da loja de bijuterias, que fica no coração do bairro – a rua José Paulino. De segunda a sábado, às 8h, ela já está lá. Inclusive no dia 4 de fevereiro, quando cruzou com um cinegrafista da Globo, depois com o restante da equipe.

“Como estávamos sem energia desde a tarde anterior devido à chuva forte, saí para dar uma volta. Nessa hora, encontrei o cinegrafista da Globo. Parei para conversar”, relembra. “Disse-lhe que achava muito bom que filmassem as mazelas do Bom Retiro. Também que, diferentemente daquele dia que tudo estava limpinho, é comum as ruas estarem imundas logo pela manhã e que eu tinha fotos, feitas no meu celular, com data e horário, mostrando a situação real.”

“Em seguida, o repórter veio até a loja me solicitar as fotos, disse que estavam ótimas e pediu para passá-las para o seu micro”, prossegue. “Contei que, em dezembro, a coleta da rua tinha sido péssima e que em janeiro ainda estava ruim...Também que de agosto a dezembro ganhava um prêmio quem encontrasse um gari nas ruas do bairro.”

“Eles saíram da loja agradecendo, disseram que as minhas reclamações eram as mesmas de outras ouvidas pelo bairro”, continua Luciana. “Pedi apenas que apresentassem a coisa como realmente ela é... Eles disseram que iriam fazer isso, mas não sabiam como ela iria ao ar... Fiquei, sim, com uma ponta de esperança de que a Globo fosse apresentar a realidade. Não foi o que aconteceu.”

As lojas fecham entre 17h30 e 18h. O caminhão de lixo não passa logo depois como dá a entender a reportagem. “Já fiquei lá várias vezes até 19h, nunca o vi”, frisa. “No início de fevereiro, o site da empresa que faz a coleta informava que era às 23h30. Um absurdo. Atualmente consta 4 da madrugada. Outro absurdo. O ideal é que passasse às 18h. Além de evitar que o lixo se espalhe, já não há mais trânsito na região. ”

Às 8h, as ruas não estão limpas como é dito na matéria. Frequentemente nesse horário já estão com quantidades enormes de lixo. “Talvez a Prefeitura, sabendo que a Globo iria lá, resolveu mascarar um pouco o que acontece no dia a dia”, suspeita.

“O fato é que, em sete anos de Bom Retiro, nunca vi tanto alagamento nem tanto lixo acumulado nas ruas. Tem de haver uma explicação séria para isso, para buscar soluções”, ressalta Luciana. "Esse, no meu entender, seria o mote para uma reportagem honesta. Não foi. A matéria do Fantástico faltou com a verdade e reproduziu o discurso do prefeito Gilberto Kassab e do governador José Serra, que vira e mexe responsabilizam a população pelas enchentes, terceirizando a culpa. Lamentável.”

Depois das reclamações de muitos lojistas, inclusive de Luciana, o serviço de coleta de lixo passou na rua José Paulino. Horário: meio dia.

Fonte: Viomundo