segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Quantos Bilhões de Animais São Mortos Por Ano?





Número de animais mortos no mundo para consumo humano


Com base nas estatísticas da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), o Secretariado da União Vegetariana Europeia (EVU),num comunicado recente, apresentou o número de animais mortos no mundo para consumo humano durante o ano de 2003. Os números foram estabelecidos a partir de relatórios provenientes de mais de 210 países. Mas deve ter-se em atenção que alguns países e territórios não fornecem dados.



Animais abatidos em 2003 (por ordem decrescente):

- Galinhas e frangos: 45 bilhões e 900 milhões

- Patos: 2 bilhões e 260 milhões

- Porcos: 1 bilhão e 240 milhões

- Coelhos: 857 milhões
- Perus: 691 milhões
- Gansos: 533 milhões
- Carneiros, ovelhas, cordeiros: 515 milhões
- Cabras: 345 milhões
- Bois, vacas, vitelos: 292 milhões
- Roedores: 65 milhões
- Pombos e outras aves: 63 milhões
- Búfalos: 23 milhões
- Cavalos: 4 milhões
- Asnos, mulas, machos: 3 milhões
- Camelos e outros camelídeos: 2 milhões

A soma de todos estes números perfazem um total de mais de 50 bilhões de animais, sem ter em conta os animais aquáticos (peixes e crustáceos).

Os números referem-se apenas aos animais abatidos nos matadouros. Excluem-se os animais de criação extensiva (geralmente para consumo doméstico) assim como os que são alvo da caça, difíceis de contabilizar por não haver qualquer tipo de controle.

Os animais assassinados pela indústria de pele, que chega a matar 200 animais para a produção de um casaco, também não entram na contagem. 

Tendo em conta que um omnívoro consome em média 95 animais por ano e que a população mundial não-vegetariana é de bilhões, depreende-se que o número exacto de animais mortos para a alimentação humana será muito superior àquele que os dados da FAO nos fornece.

Sabe-se que só nos EUA se consomem anualmente mais de 10 bilhões de animais.

Sendo que a esperança média de vida em Portugal é de 75 anos, um omnívoro consome cerca de 7100 animais durante a sua vida.

Estimativas indicam que até 100 milhões de animais são mortos anualmente por experimentos científicos. Pensar na quantidade impressiona. Pensar nas formas pelas quais os animais são mortos e as vidas que levam antes de morrer também impressiona.

A tortura, mutilação e matança são desnecessárias. Não é necessário obter os nutrientes de origem animal, quando há tanta fonte vegetal.

Animais também não são necessários para o vestuário, há materiais vegetais, sintéticos e artificiais. Pesquisas indicam o melhor aproveitamento acadêmico em uso de métodos alternativos, que não utilizam animais; a comida pode ser utilizada como remédio, e muitas marcas disponíveis em mercados não testam em animais.

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Portugal: Derrota da direita e desafiador quadro político

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Manuel Carvalho da Silva: “A coligação de direita, formada por PSD e CDS perdeu mais de 700 000 votos face aos resultados que havia obtido em 2011, caindo 12 pontos percentuais (de 50,4% para 38,5%) e ficando agora com menos 28 deputados”.
Manuel Carvalho da Silva (*)
Os resultados das eleições do passado dia 4 de outubro criaram em Portugal um quadro político significativamente diferente daquele que o país viveu nos últimos 4 anos e meio. É já claro que surgirão pressões novas/ mudanças no sistema político-partidário e/ou suas práticas. Entretanto, Passos Coelho e seus pares, bem como o Presidente da República (PR) procuram dar a aparência de que mantêm o mesmo poder.
Primeiro, a coligação de direita, formada por PSD e CDS teve uma grande derrota: mais de 700 000 votos perdidos face aos resultados que havia obtido em 2011, caindo 12 pontos percentuais (de 50,4% para 38,5%) e ficando agora com menos 28 deputados. A direita não pode governar sozinha. Precisa de apoios para fazer aprovar o seu programa de governo e o Orçamento do Estado, pode nem sequer formar governo, ou sustentar um governo de duração limitada.
É um facto inquestionável que existia na sociedade portuguesa, há poucos meses atrás, a perspectiva de que esta coligação de direita no governo teria uma derrota ainda maior e havia também um certo consenso (expresso em sondagens e na opinião pública dominante) quanto à possibilidade de o PS ser a força política mais votada e com significativa diferença. Entretanto, com o aproximar do dia das eleições, as sondagens e o ambiente da campanha eleitoral foram progressivamente mostrando que a direita não teria a perda inicialmente prevista e o facto de aquele cenário, verdadeiramente possível, não ter sido atingido, propiciou no plano nacional e no plano europeu, o surgimento de uma certa ideia de vitória das políticas de austeridade e uma tentativa de relançamento da tese da sua eficácia na resolução dos problemas com que os povos e os países como Portugal se debatem. Trata-se de uma grande mentira que rapidamente ficará a nu.
Entre os inúmeros fatores que se podem enunciar como justificação para as escolhas feitas pelos portugueses e portuguesas, podem considerar-se:
i) o PS enredou-se em contradições, desde logo apresentando um programa eleitoral marcadamente técnico (com notas pontuais de influência neoliberal) quando o combate era político. Daí resultou um debate eleitoral em que no centro da discussão esteve muito mais o programa do PS do que o balanço dos 4 anos e meio de governação da direita e das propostas que esta tinha ou não para o futuro. Na parte final, os dirigentes do PS acreditaram que o PS podia resolver o problema apresentando-se como o saco do voto útil, esquecendo que a social-democracia há muito surge aos olhos dos cidadãos sem programa capaz de gerar alternativas sérias e que muitos cidadãos, apesar de gostarem muito da Europa como projeto comum, começam a apostar em propostas políticas que afrontem as regras europeias;
ii) a emigração de centenas de milhares de portugueses (aproximadamente 500 000) nos últimos anos levou para fora do país ativistas jovens, facto que enfraqueceu bases e capacidades de mobilização à esquerda;
iii) uma parte do descontentamento das pessoas – que andam a fugir da vida porque esta é muito dura – refugia-se na abstenção perante a inexistência de alternativas que interpretem os seus dramas;
iv) os discursos e intervenção do PR, sempre numa perspectiva de subjugação do país perante os poderes dominantes na União Europeia (UE) e/ou posições dos mercados, bem como o seu combate a políticas alternativas tiveram, ao longo dos anos, um efeito desmobilizador no comportamento dos portugueses e de favorecimento da direita;
v) a ideia de que no espaço da UE e da zona euro será muito difícil fazer vingar políticas alternativas foi muito reforçada com o processo político grego e com a avalanche de pronunciamentos de dirigentes e tecnocratas da UE. Sem dúvida que isto intimida e estes medos não serão ultrapassados sem que à esquerda se desenvolvam respostas mais sólidas, o que ainda não aconteceu no processo eleitoral.
Segundo, o PS embora não tenha atingido os objetivos eleitorais a que necessariamente se propunha, conseguiu aumentar a sua votação em mais de 180 000 votos, subiu (em comparação com os resultados obtidos em 2011) mais de 4 pontos percentuais e terá no novo Parlamento mais 11 deputados do que os que tinha até aqui. Está objetivamente no seio de um enorme sarilho, debaixo de fortes pressões da direita, do Presidente da República que atua com todo o descaramento para favorecer a direita e, por certo, sofrendo também fortes pressões dos poderes dominantes na UE e dos “mercados”. Tudo farão para o tornar prisioneiro da direita e uma parte significativa de “quadros” do PS, há muito que vendeu a alma ao diabo. Por outro lado, como refiro a seguir, aumentou significativamente a pressão à sua esquerda. Contudo, o PS “entalado” e obrigado a gerir cenários complexos estará, ao mesmo tempo, no centro de todo o processo político e à partida continua com condições para fazer melhor do que tem feito.
Terceiro, as forças à esquerda do PS reforçaram-se. O BE passou de 5,2% para 10,2%, a que correspondeu uma votação de quase 550 000 votos e a eleição de 19 deputados (antes tinha 8). O PCP ficou com 8,3% do global de votos (antes tinha 7,9%) elegendo 17 deputados, e obtendo mais de 450 000 votos. Se a estes dois partidos juntarmos a votação de alguns outros pequenos que não elegeram ninguém, temos uma representação eleitoral à esquerda do PS, bem superior a 20% do eleitorado.
Além disso quer o BE, quer o PCP avançaram com a afirmação de posições políticas novas no sentido de poderem trabalhar compromissos com o PS com vista a gerar-se uma “maioria de esquerda” para viabilizar um governo. E têm sido comedidos nas exigências que fazem. Qual a sinceridade e os objetivos táticos e estratégicos destas posições, qual a capacidade e disponibilidade do PS para as gerir e potenciar, são interrogações que hão de ter clarificação nos próximos tempos; mas é inquestionável que estes novos dados vão influenciar relações de forças – estão já a desencadear o surgimento de novas confluências, mas também contradições nos posicionamentos das esquerdas – e ter impactos em todo o quadro político-partidário existente e no futuro político do país.
Quarto, com estes resultados a Assembleia da República vai ter lugar de relevo como já não tinha há muitos anos. A perspectiva é de mais debate e conflito de posições, que obrigará ao desenvolvimento de propostas com mais qualidade e fundamentação, necessidade de mais negociação e de criação de compromissos novos. Para a democracia portuguesa será bom que o Parlamento desempenhe esse papel. As grandes mudanças não se fazem sem práticas novas e, além disso, todos os deputados (e as forças políticas representadas) têm responsabilidade igual nos seus mandatos.
Dois outros aspectos importa realçar: primeiro, o PR, que atabalhoadamente e de forma inqualificável apressou-se a entregar a Passos Coelho a tarefa de encetar diligências com vista à observação de condições para formar governo, mesmo antes de falar com todos os partidos e de estar feita a contagem dos votos dos emigrantes e identificando ele próprio condicionalismos que pretendem afastar o BE e o PCP da participação ou apoio a um governo de esquerda; não vai desarmar nas suas intenções, mas está já com os poderes de intervenção diminuídos pois em finais de janeiro ou fevereiro já está eleito um novo PR. Figuras da direita já berram contra a hipótese de entendimentos fortes à esquerda. Estão tão habituados a agir para uma sociedade que instituiu que uma parte dos cidadãos são excluídos, que também querem instituir a impossibilidade de forças de esquerda poderem governar.
Segundo, ao contrário do que pregam “orgulhosos” certos políticos europeus, os portugueses não sancionaram as políticas de austeridade. É bom lembrar que a direita proclamou durante toda a campanha eleitoral que “a crise e a austeridade” já passaram. Eles conquistaram votos a partir do convencimento de que agora vai haver recuperação de direitos e de condições de desenvolvimento.
Estou convencido que a sociedade portuguesa se mobilizará para exigir essa recuperação, seja qual for o futuro governo. Ninguém ignora o excesso do quadro cor-de-rosa com que a direita tentou pintar a realidade do país, todos sabemos que são grandes os problemas econômicos e políticos que atingiram a UE e a situação internacional, mas acima de tudo só cabeças loucas podem apresentar as políticas austeritárias como solução para um futuro melhor.
Em Portugal estamos vivendo um período político difícil mas desafiador. Com otimismo moderado afirmo: janelas de esperança se abriram.
Lisboa, 9 de outubro de 2015
(*) Professor universitário, coordenador do Observatório sobre Crises e Alternativas do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Ex-sindicalista.
https://rsurgente.wordpress.com/

Horário de verão começa em uma semana



Na passagem do próximo sábado para domingo, os relógios serão adiantados em uma hora e final de semana terá uma hora a menos

No próximo sábado (18), na virada para o domingo, começará a versão 2015/16 do horário de verão em dez estados e no Distrito Federal, com término previsto para 21 de fevereiro, também fim-de-semana. Será a 39° vez que vigora o horário especial.

À meia-noite, os relógios terão de ser adiantados em uma hora, tornando o fim de semana o mais curto do ano 2015, com 47 horas de duração. A hora perdida será recompensada ao final do período, quando, ao se atrasar os ponteiros em 60 minutos, o fim de semana terá 49 horas (o mais longo de 2016).

As estimativas do governo são de que o horário especial vai gerar uma economia de R$ 4 bilhões ao sistema elétrico interligado (SIN). por causa do deslocamento da luminosidade natural para mais tarde e consequente retardamento no acionamento da iluminação pública. Sem o horário de verão seriam consumidos mais 2.250 megawatts de energia no período, segundo o Ministério de Minas e Energia.

O horário também ajuda a reduzir o risco de apagões, pois acontece o alongamento da curva do pico de consumo causado pelo desencontro entre o acionamento do chuveiro e ar condicionado domésticos com a iluminação pública. O risco de sobrecarga e queda de energia no sistema fica menor. O horário provoca redução de 4,6% na demanda por energia no horário de pico (aproximadamente entre 18h e 20h).

Estados que ficarão uma hora adiantados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.

domingo, 11 de outubro de 2015

André Singer e a ilusão de que a mídia pode ser equilibrada

gangorra



Por Fernando Brito, em seu blog

André Singer escreve hoje na Folha um artigo em que, didaticamente, explica o que são as tais “pedaladas fiscais”, afinal um absoluto nada, apenas uma conta de serviços (para fazer determinados pagamentos, como o do Bolsa-Família) em que tem saldo negativo ou positivo e cada um – o banco (a Caixa) e o cliente (Governo Federal) recebem pelos saldos a seu favor ou pagam pelo déficit em seu desfavor, produzindo-se daí um valor a pagar.

“Vazado em linguagem cifrada, o voto do relator busca fixar a ideia de que em 2014 a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) teria sido burlada de maneira criminosa por meio das pedaladas. Como prova, menciona-se a páginas tantas que as contas relativas à Bolsa Família, ao Seguro Desemprego e ao Abono Salarial, gerenciadas pela Caixa Econômica Federal (CEF), teriam ficado negativas em 59% dos dias daquele ano.

O TCU considera que, ao deixar no vermelho o saldo dos referidos pagamentos, a União estaria usando dinheiro emprestado da CEF, o que seria proibido pela LRF. Com efeito, produzida, entre outras coisas, para conter o uso dos bancos públicos, ela proíbe que o Estado receba crédito de casa bancária por ele controlada.

Ocorre que a resposta do Advogado-Geral da União, neste particular, foi precisa. Na defesa oral apresentada perante os ministros, Luís Inácio Adams lembrou que, ao final de 2014, o Tesouro tinha a receber da CEF 141 milhões de reais. Onde já se viu tomador de empréstimo receber em lugar de pagar dívida contraída?

A charada se resolve se pensarmos que não houve empréstimo algum. Os ministérios têm um contrato de serviço com a CEF, que administra as sobrecitadas contas. Nos dias em que ela fica negativa, produz-se um haver em favor do banco, quando positiva, em favor do Tesouro, procedendo-se a um ajuste entre uns e outros. No caso de 2014, quem devia era a Caixa e não a presidente. Onde o crime, então?

A partir daí, porém, Singer cai no erro a que o levam seus sentimentos cavalheirescos em relação à mídia real (e não a que gostaríamos de imaginar que fosse), ao dizer que “se quiser [a imprensa] prestar um serviço à democracia, tem a obrigação de destrinchar o que está contido nas milhares de páginas oficiais escritas sobre o caso. Diferentemente dos episódios de corrupção, tudo está à mostra e pode-se chegar a conclusões claras.”

Ora,  o interesse da imprensa em prestar serviços à democracia  é tanto que há meses isso se discute e você – aliás com muita clareza – tem de explicar o que seriam as tais “pedaladas fiscais”, porque nem 10% das pessoas têm sequer uma pálida ideia do que elas sejam. E das que têm, ou acham que têm, imaginam um “rombo”, quando na verdade o que se tem é um saldo.

Mas há algo em que o otimismo de Singer é insuperável: “Ao governo cabe promover ampla campanha de esclarecimento. Se não o fizer, deixará o principal argumento pró-impeachment tomar conta do público por mera repetição”.

Campanha de esclarecimento? Onde, como, por intermédio de quem? A esta altura, mesmo que o deseje, o governo não tem condições de fazê-lo, como sequer tem condições que seus argumentos sejam minimamente debatidos. como ocorreu no TSE. O governo que deixa de lado a polêmica, que não tem interlocutores que o representem, que não tem líderes partidários que sustentem a discussão vai esclarecer a quem e do quê?

Cientistas investigam criatura que pode desvendar chave para a imortalidade


Anêmonas-do-mar são facilmente avistadas no litoral de muitas cidades
Anêmonas-do-mar são facilmente avistadas no litoral de muitas cidades, mas apesar de sua aparência colorida e brilhante, elas têm um ancestral comum com os humanos. Mas não é por essa característica que esses animais marinhos vêm atraindo a atenção da comunidade científica. Pesquisadores estão estudando se as anêmonas-do-mar podem guardar o segredo da vida eterna. A especialista britânica em meio ambiente Mary Colwell comenta por quê. 

Da BBC 

A bruxa do conto de fadas Branca de Neve tornou-se famosa pela pergunta retórica: "Espelho meu espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?" Mas seu sonho da juventude eterna é ilusório - na medida em que os anos passam, o corpo humano perde o viço dado que as células sofrem mutação e morrem.

Perdemos audição, mobilidade, agilidade mental, massa muscular e cerebral.
A Rainha Má segue o caminho de todos os seres vivos, exceto por uma criatura um tanto quanto negligenciada do mar - a anêmona-do-mar.

Outrora consideradas plantas, as anêmonas-do-mar são animais de corpo flexível que se agarram às rochas e recifes de coral em águas rasas. Seus tentáculos injetam veneno em pequenos peixes e camarões que se arriscam em atravessá-los e levam as presas paralisadas à sua boca ─ um orifício que também funciona como ânus.

Há mais de 1 mil espécies de anêmonas-do-mar
Há mais de mil espécies de anêmonas-do-mar, cujo tamanho varia de alguns centímetros a mais de alguns metros. Elas vivem no oceano, das águas mais quentes às mais frias.

A espécie mais familiar na Grã-Bretanha é a Actinia equina, também conhecida como morango-do-mar. Na maré baixa, seus tentáculos permanecem recolhidos e o animal parece uma mancha vermelha na rocha. Mas na medida em que a maré sobe, as anêmonas-do-mar se transformam e se assemelham a flores, seus tentáculos dançam com a correnteza como pétalas ao vento, buscando comida.

Como diz o biólogo Philip Henry Gosse em seu livro A Year at the Shore ("Um ano no litoral", em tradução livre): "A elegância maravilhosa da forma, o brilho requintado das cores, a grande variedade, os instintos, os poderes, o organismo extremamente elaborado, tudo isso foi outorgado a essas criaturas". Sua prosa efusiva inspirou quem estava começando a explorar o seu litoral. Seus leitores costumavam coletar anêmonas-do-mar e guardá-las em aquários em casa.

Imortalidade?

Normalmente, as anêmonas-do-mar não vivem por muito tempo, mas em condições ideais a realidade é diferente.

"Pelo que sabemos até agora, esses animais são imortais", diz Dan Rokhsar, professor de genética da Universidade da Califórnia, em Berkeley. "Elas vivem por muito tempo ─ uma delas teria vivido 100 anos segundo um registro documentado. As anêmonas-do-mar não envelhecem. Esses animais vivem para sempre e se proliferam, tornando-se cada vez maiores".

Anêmonas-do-mar tem alto poder de regeneração
Se os tentáculos são cortados, por exemplo, nascem novos. Mesmo se as bocas são cortadas, novas "cabeças" surgem. Se elas não forem envenadas ou comidas por outras criaturas, elas parecem poder viver para sempre.

Elas parecem evitar o processo de envelhecimento e os efeitos adversos que nós, seres humanos, sofremos ao longo do tempo. "Você deveria ver tumores nesses animais, mas há poucas descrições disso na literatura científica. Eles estão constantemente se recompondo sem apresentar nenhum sinal de câncer", diz Rokhsar.

Ao invés de envelhecer, as anêmonas-do-mar parece permanecer jovens e em pleno funcionamento. "Se você olhar para uma anêmona-do-mar hoje e uma semana depois a estrutura será igual, mas muitas das células terão sido substituídas por outras novas".

Os cientistas não sabem ainda como isso é possível. "Adoraríamos poder descobrir um gene ou uma pista que nos permita evitar o envelhecimento", diz Rokhsar. Mas ele e sua equipe ainda estão buscando pelo Santo Graal.

Semelhanças

Mas se eles acharem o que estão buscando, isso terá algum impacto no processo de envelhecimento humano?

Na verdade, as anêmonas-do-mar são mais parecidas com os humanos do que muitas pessoas pensam.

Anêmonas-do-mar têm ancestral comum com os humanos
"Esses animais vivem para sempre e se proliferam, tornando-se cada vez maiores", diz especialista
"As anêmonas-do-mar são os animais mais simples de que temos conhecimento com um sistema nervoso ─ a estrutura não é organizada como a nossa, mas elas têm uma rede de neurônios que lhes permite responder aos estímulos e ser predadoras muito ativas", diz Rokhsar.

Seus tentáculos podem imobilizar a presa, suas bocas podem abrir e fechar voluntariamente, e elas têm um aparelho intestinal que digere a comida ─ uma característica que as une aos seres humanos em um ancestral comum.

"As anêmonas-do-mar têm muito em comum conosco. Descobrimos muitas semelhanças que não tínhamos constatado quando comparamos os humanos com mosca-das-frutas ou nematódeos. Há paralelos na forma como os genomas estão organizados e como os genes estão estruturados, revelando uma conexão que data de 700 milhões de anos atrás."

Mas há questões filosóficas também. "Até que ponto a imortalidade para uma anêmona-do-mar e a imortalidade para um ser humano são iguais?", questiona Rokhsar."

E se Hitler acordasse nos dias de hoje?


Oliver Masucci como Hitler no filme “Ele está de volta”
Publicado na DW

Er ist wieder da, baseado no romance satírico Ele está de volta, não é a primeira vez que David Wnendt enfrenta o desafio de dirigir a versão cinematográfica de um best-seller de ficção.

Em sua visão radicalmente subjetiva, Zona úmida, reunindo divagações da autora Charlotte Roche sobre drogas, higiene genital, práticas sexuais com vegetais e outros assuntos íntimos – também parecia, a rigor, impossível de adaptar para a tela.

O cineasta alemão de 38 anos igualmente teve que pesquisar a fundo os círculos neonazistas para seu filme Combat girls. Ele enfoca uma jovem do Leste da Alemanha dominada pelo ódio aos estrangeiros, aos judeus, policiais e todos que considera responsáveis pelo declínio de seu país.

O lançamento desta quinta-feira (08/10) não trata tanto da cena política de extrema direita, mas sim de como as pessoas comuns reagem ao serem confrontadas com a ideologia direitista. Ainda mais quando é Adolf Hitler em pessoa a lhes dar a impressão que alguém as ouve e está do lado delas.

Saudações ao “Führer”

O ponto de partida do longa é o do livro homônimo de Timur Vermes: um belo dia, em plena segunda década do século 21, Adolf Hitler desperta em Berlim, sem qualquer noção do que aconteceu no país e no mundo desde 1945.

Os realizadores de Er ist wieder da foram mais além, atravessando de fato a Alemanha com o ator Oliver Masucci, que encarna o ditador nazista. Por toda parte vivenciaram cenas semelhantes: passantes cumprimentavam entusiásticos o falso Hitler que passava de carro, assumiam postura de soldado e faziam a saudação nazista. Se possível, aproveitavam para tirar uma foto ao lado do “Führer”.
Mas o pior não era isso: alguns não conseguiram conter o impulso de abrir seus corações com essa encarnação do fascismo. A dona de um quiosque de salsichas currywurst não perdeu a oportunidade de comentar com “Hitler” a suposta liberdade dada aos estrangeiros para se comportarem mal – segundo a vendedora, tudo fruto do sentimento de culpa que os alemães portam consigo desde a Segunda Guerra Mundial.

“Havia uma ira silenciosa entre a população, que me lembrava 1933. Só que na época o termo ‘desilusão com a política’ ainda não existia”, diz Hitler, a certa altura do filme, em referência ao ano em que os nacional-socialistas assumiram o poder na Alemanha.

Trata-se de um exagero, é claro. Mas, afinal de contas, numa comédia é legítimo usar tais recursos. Problemático é nem todas as cenas que dão a impressão de ser documentais, o serem de fato. Como quando “Hitler” visita a central em Köpenick do Partido Nacional-Democrático da Alemanha (NPD), de extrema direita. Lá, ele não se encontra com funcionários partidários verdadeiros, mas sim com atores – uma sutileza que pode escapar a parte dos espectadores.

Um povo, duas faces
Ainda assim, o filme merece que se perdoe tudo isso. Pois quando se viu tanto humor negro e profundidade política numa produção alemã? O espectador tem vontade de exclamar: “Finalmente ele chegou!”

Não o “Führer”, claro, mas sim um filme desses, que questiona a relação dos alemães com Adolf Hitler de forma totalmente nova, ao mesmo tempo cômica e inteligente. Pois não é fácil avaliar a parcela da população que saúda o NPD, aberta ou secretamente; que na mesa do bar concorda que “no tempo de Hitler não era assim tão ruim”; ou que promove arruaças contra os refugiados.

Numa passeata recente do movimento Pegida (sigla em alemão para “Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente”) na cidade de Dresden, cerca de 9 mil cidadãos se reuniram para protestar contra uma suposta “estrangeirização excessiva” do país.
Isso não é muito, diante de uma população de 80 milhões. A maioria dos alemães, pelo contrário, mostra outro rosto, que dá boas vindas aos refugiados. Porém o que o filme deixa claro – do seu jeito exagerado de comédia – é que, ao que tudo indica, para jovens e velhos, o criminoso nazista Adolf Hitler não está tão presente como advertência permanente quanto os alemães gostariam de acreditar.

Suicídio em questão

Coincidindo com a estreia de Er ist wieder da nas salas alemãs, desponta um debate sobre se Hitler não poderia ter sobrevivido à Segunda Guerra. O catalisador é um documentário de TV dos Estados Unidos, que seguiu rastros supostamente deixados pelo ex-ditador em diversos países depois de 1945.

Consta que, ainda anos após o fim da guerra, o FBI teria perseguido traços da presença de Hitler na Argentina e no Brasil, entre outros. Os documentaristas examinaram centenas de documentos confidenciais do serviço secreto americano, divulgados apenas em 2014. Estes deixam margem à versão de que em 30 de abril de 1945 o líder nazista e sua companheira, Eva Braun, não se encontrariam no abrigo aéreo da Chancelaria do Reich, mas sim teriam desaparecido na clandestinidade.

Além disso, os trabalhos de filmagem teriam confirmado a existência de um túnel garantindo a ligação entre o “bunker do Führer” e o aeroporto Berlim-Tempelhof em 1945. A partir de meados de dezembro, o canal americano History transmite a série em oito partes.

“Eles não conseguem se livrar de mim”, diz Hitler perto do fim do filme. “Eu sou parte deles.”