terça-feira, 29 de julho de 2014

Morre uma criança por hora em Gaza, denuncia a ONG Save The Children


"A organização não governamental Save the Children Fund alertou que, nos últimos dois dias, uma criança palestina morre por hora em Gaza. Em comunicado, a ONG pediu à comunidade internacional uma “resposta inequívoca para deter este derramamento de sangue”
Esquerda.net. Artigo publicado no Clarín

Duas semanas depois do começo da ofensiva militar israelense, pelo menos 70 mil crianças da Faixa de Gaza viram-se obrigadas a abandonar as suas habitações com as famílias, assegurou a ONG, citada pela Europa Press.

Além disso, a Save de Children Fund indicou que 116 mil é o número de crianças que necessita de “apoio psicossocial especializado imediato” na Faixa de Gaza. Em Israel, as crianças também sofrem com as consequências desta situação “enfrentando, no dia a dia, o terror do lançamento de torpedos”.

A equipe da Save the Children em Gaza está trabalhando nas zonas mais castigadas pelos ataques com o objetivo de proporcionar ajuda médica e auxiliar as famílias deslocadas com colchões, materiais para proteção, kits de higiene e materiais para o cuidado dos bebés, advertindo que “o nível de necessidades é assustador”.

Os médicos alertaram que os partos prematuros estão duplicando, assinalou a ONG. “Vimos muitos partos prematuros como resultado do medo e dos problemas psicológicos causados pela ofensiva militar” (israelita), explicou Yousif Al Swaiti, diretor do hospital Al Awda com o qual trabalha a Save the Children.

A ONG informou que os recém-nascidos são um setor muito vulnerável e assegura que a comida para os bebês é “extremamente escassa”, o que coloca as mães numa situação de enorme estresse.

São já 121 as crianças mortas, em Gaza, pela ofensiva israelense. ”O número de partos prematuros duplicou, comparado com os que havia antes da escalada de violência”, esclareceu o médico. “Perdem-se anos de trabalho com cada explosão”, assegurou um dos ativistas da Save the Children, David Hassell. “Nunca existirá justificativa para o ataque a escolas e hospitais, quando muitos civis não têm para onde ir. Nenhuma das partes deveria usar estas instalações para fins militares”, disse.

A ONG pediu à comunidade internacional que “responda a esta guerra contra as crianças exercendo toda a sua influência diplomática para pôr fim imediato ao derramamento de sangue”. “Se a comunidade internacional não atua já, a guerra contra as crianças, em Gaza, pesará sobre as nossas consciências para sempre”, concluiu.

* Leia mais em:

http://www.savethechildren.org/site/c.8rKLIXMGIpI4E/b.6153151/k.5AE1/West_Bank_and_Gaza_Strip.htm

Tradução: António José André

O “mercado”, que toca o terror na eleição, quebrou o mundo


Bob Fernandes, Terra Magazine
"O "mercado" não quer Dilma. Isso está nas manchetes há dias, semanas. A Bolsa sobe ou cai a depender de pesquisas que mostram Dilma em baixa ou em alta.
E não só pelos erros do governo Dilma. 
Em 2002, em pleno governo Fernando Henrique, o "mercado" fez terror com a hipótese da vitória de Lula. Qual foi o resultado daquele terror todo? 
Basta conferir num site de buscas. O governo Fernando Henrique terminou melancólico, com dólar a quase R$ 4, risco-país acima de 4 mil pontos, e inflação de 12, 53% ao ano.
Sobre qualquer assunto que tenha algo a ver com economia, largos setores da mídia dão voz preferencial e, a depender da mídia muitas vezes única, a "especialistas" do "mercado".
O que é o tal "mercado"? 
É o sistema de bancos e demais instituições financeiras. Assim sendo, vale lembrar os custos da crise criada no e pelo "mercado" e que explodiu em 2008. 
Mark Anderson, ex-chefe da Standart and Poor's, o homem que rebaixou a nota de crédito dos EUA, diz que o custo final da crise mundial é de US$ 15 trilhões.
Estima-se que hoje o chamado "mercado de derivativos" seria de US$ 1,2 quatrilhão. Isso é 20 vezes todo o PIB do mundo. Ou seja, é só ficção. É "dinheiro" de mentira.
Isso existe apenas como alavanca para quem pilota o tal "mercado" acumular ainda mais fortuna. Com grandes riscos para o próprio sistema financeiro. Nem se diga para os demais pobres mortais. 
Relatório da ONG britânica Oxfam informa: 85 pessoas das 7 bilhões e 200 milhões da Terra têm patrimônio igual à metade da população do mundo.
O 1% mais rico do mundo tem US$ 110 trilhões. O que é 65 vezes mais do que tudo que tem metade da população mundial.
No Brasil, apenas 4 dos bancos tiveram lucro líquido de R$ 50 bilhões em 2013. Isso é mais do que a soma do PIB de 83 países no mesmo ano passado.
Isso é o tal "mercado". O resto é conversa mole e disputa pelo Poder. "

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Quando Golias é judeu


Na luta desigual, de um lado morrem os civis, e muitas crianças, do outro sobretudo os soldados
"A invasão ofende os Direitos Humanos diante da indiferença cúmplice das potências ocidentais

Gianni Carta, CartaCapital  

Cidade de Gaza, quinta-feira 24. Ruas cobertas de cadáveres. Casas sem fachada, esburacadas ou destruídas. Mães, pais, crianças e idosos aos prantos e gritos. Alguns seguram nos braços crianças mortas, por vezes decapitadas. Tanques de guerra. O incessante barulho ensurdecedor das metralhadoras dos soldados do Tsahal, ou IDF, o exército israelense, ou de bombas lançadas de caças F-18. Ou pelos navios de guerra no Mediterrâneo. A toda essa tragédia se mescla o assobio de mísseis, vindo de todas as partes, inclusive dos teleguiados, a marcar presença no céu. “Eles atiram nas pessoas, nas vacas, em qualquer coisa que se mova”, grita uma septuagenária. Nos seus olhos, como nos de seus conterrâneos, estampam-se o medo, o desespero, o horror. Motivos não escasseiam.

Na quinta-feira 24, quando este artigo seria impresso, o número de baixas era de 700 palestinos, dos quais 150 crianças, e mais milhares de feridos. Segundo as autoridades israelenses, 32 soldados tinham perdido a vida, e mais três civis israelenses. Em Gaza falta água potável. As pessoas comem quando há comida, praticamente dia sim, dia não. Hospitais não têm condições de tratar todos os feridos. Ambulâncias, inclusive aquelas dos Médicins Sans Frontières, não circulam na probabilidade de ser atingidas. 

Ambas as fronteiras para escapar para o mundo, Erez, em Israel, e Rafah, no Egito, permanecem fechadas para os palestinos, mesmo para aqueles mais ameaçados. Apagões são frequentes, de resto como sempre. Porém, agora, mais amiúde.

Indago a Hussam, meu fixer em várias viagens a Gaza, aquele que traduz em perfeito inglês e me guia para evitar confrontos nessa minúscula Gaza em guerra, se posso falar com minhas ex-fontes do Hamas. Claro, as autoridades dos EUA e da União Europeia não tratam com “terroristas”, mas por que lidaram com o Exército Republicano Irlandês, entre outros? Gostaria de entrevistar novamente, como em 2013, digo a Hussam, Mahmoud al-Zahar, ex-ministro do Exterior e um dos fundadores do Hamas. Diga-se que Al-Zahar, de 69 anos, é o líder do Hamas, mas por questões de segurança contra ataques israelenses, ele faria parte apenas do conselho do Hamas. No entanto, esse médico, que já sofreu atentados e perdeu um filho quando um caça F-15 lançou uma bomba contra sua casa, está escondido em algum bunker, diz Hussam. O outro filho foi morto há anos em um confronto armado. 

Poucos meses atrás, aqui mesmo, indaguei a Al-Zahar se a única solução contra Israel é a luta armada. “Começamos a negociar em 1991, em Madri, mas nunca houve um processo de paz, e sim um apoio à ocupação israelense”, dizia então Al-Zahar. Fez uma pausa, e acrescentou: “A única solução é a luta armada”.

Com seu 1,8 milhão de habitantes espalhados por apenas 40 quilômetros de extensão e 10 de largura, a Faixa de Gaza, separada do mundo por um bloqueio imposto por Israel depois da vitória em escrutínio democrático da legenda islamita Hamas, em 2006, vive-se a enésima Nakba (catástrofe). Esse enredo de violência começa com a expulsão dos árabes palestinos quando Israel venceu sua luta de independência em 1948. Após a Guerra de Seis Dias, em 1967, mais alguns milhões de árabes palestinos foram expulsos pelo Oriente Médio.

A chamada Operação Margem Protetora, a atual, foi acionada pelo premier israelense Benjamin Netanyahu em 8 de julho com os ataques ditos “cirúrgicos” de caças F-18. Parecem tão cirúrgicos, que até o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, os questionou durante uma emissão da tevê estadunidense Fox News. Ao acreditar que os microfones estivessem desligados, comentou ironicamente: “Como são cirúrgicos os ataques dos israelenses”. Trata-se, porém, de um diplomata e logo corrigiu o “erro”.

Os motivos de Bibi, como é popularmente chamado Netanyahu, foram dois, ambos apoiados pela chamada “comunidade internacional”, isto é, por, entre outros, Barack Obama, Angela Merkel, François Hollande e Matteo Renzi. Primeiro, o sequestro e mortes de três adolescentes na Cisjordânia, a outra parte da Palestina sem contingência com Gaza, manobra das autoridades israelenses para dividir e conquistar o vizinho árabe. Segundo motivo: os inúmeros foguetes Qassam lançados pelo Hamas contra o território israelense. Mas a questão é mais complexa do que pensam, ou fingem pensar, os aliados de Netanyahu. Tudo indicaria que os adolescentes não foram assassinados com a autorização do Hamas. E os foguetes seriam lançados de Gaza por grupos radicais envolvidos na disputa do poder no território.

Magid Shihade, professor de Relações Internacionais da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, me diz: “Comunidade internacional, você concorda comigo, é um jargão inconcebível. Eles (Obama, Merkel, Hollande etc.) não alcunharão o que Netanyahu está a provocar em Gaza porque não pega bem para a dita comunidade internacional. Shihade emenda: “O sionismo é uma ideologia racista e colonial. Baseia-se na desapropriação, na deslocação e na separação das pessoas, na supremacia dos judeus sobre os árabes palestinos nativos”.

Em 17 de julho, uma incursão terrestre das Forças de Defesa Israelense elevou a dimensão da carnificina. O motivo da intervenção terrestre foram os incessantes foguetes oriundos de Gaza. Embora de forma proporcionalmente muito inferior àquela dos palestinos, o Tsahal sofreu com a incursão, em meados de julho, várias baixas, especialmente, parece, a do sargento Shaul Aaron. O Hamas diz que o capturou, mas Tel-Aviv sustenta que ele poder ter sido morto. Se, porém, foi capturado, algo que não estava ainda claro na quinta-feira da semana passada, o conflito poderia se ampliar. E da mesma forma como o bloqueio de Gaza teve início com a captura do soldado Gilad Shalit, a situação poderia piorar rapidamente. A prisão de um israelense pelos palestinos é algo passível de elevar brutalmente a tensão.

Para quem está em Gaza, a postura da diplomacia ocidental é de um cinismo abissal. Mesmo porque existe um evidente conluio entre o lobby judeu e a diplomacia internacional. Durante nove meses, o secretário de Estado Kerry cuidou de mostrar empenho a favor da paz, enquanto Israel continuava impunemente a colonizar a Cisjordânia. Kerry dizia ser possível para Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, ir adiante no plano de criação de um Estado palestino apesar dos assentamentos. Palavras ao vento em que tremulam as gravatas amarelas e laranja do secretário de Estado. Não é por acaso que ele não goza de credibilidade alguma nas terras em conflito, mesmo porque suas propostas carecem de qualquer substância. Gianni Vattimo, o filósofo italiano, disse que gostaria de “comprar mais foguetes para o Hamas”. Vattimo, que já entrevistei, disse: “Os europeus deveriam formar uma brigada internacional para lutar com o Hamas, assim como voluntários lutaram contra Franco durante a Guerra Civil Espanhola”.

O que faremos por esse povo?  Hussam, meu fixer, tem 45 anos. Nunca deixou Gaza. Aprendeu inglês, perfeito, na universidade. Vive em Camp Beach, na cidade. Tem mulher e seis filhos, durmo com estes em uma grande sala, todos vestidos. Hussam e a mulher recolhem-se em um quarto separado.

 Ele anuncia quando podemos tomar banho. À noite, coloca mesas de plástico no chão, visto que não há mobília, e deposita pratos de comida. No ano passado, havia certa fartura. Agora, é apenas pão sírio amanhecido e tabule.

Às 4 horas, a mesquita ao lado lança o apelo, “Alá, o maior”, e todos se levantam, colocam uma esteira no chão e rezam. Uma luz ilumina o nosso quarto. Sinto-me seguro, devo confessar. Depois durmo. E muito bem.  O Tsahal, contudo, atingiu um minarete da mesquita. Hussam lamenta. Indago: “Você faria parte do Hamas?” Responde: “Não, existem limites”.

Os Acordos de Oslo de 1993 estabeleceram que a Autoridade Palestina governaria Gaza e a Cisjordânia.  Não foi o que se deu. Em 2012, a Assembleia-Geral da ONU elevou a Palestina ao status de “Estado não integrante”. Vitorioso em 2006 em Gaza, o Hamas expulsou o Fatah em 2007.

 Sete anos mais tarde, Fatah e Hamas fizeram as pazes e se reuniram em abril de 2014. E eis o problema. Netanyahu não aceita a união. Dividir é o que se pretende. Divide et impera, diziam os imperadores romanos."

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O despreparo de Aécio para lidar com as asperezas da vida


Ninguém disse que ia ser fácil
, Diário do Centro do Mundo 
"Criança mimada, quando exposta às asperezas da vida, sofre em dobro.
O mesmo vale para político mimado.

Até há pouco tempo, Aécio viveu no mundo superprotegido de Minas Gerais. Jamais foi exposto pela mídia local, dependente dos anúncios do governo, a embaraços e a enfrentamentos.

Isto o poupou de aborrecimentos, é certo. Mas o deixou absolutamente despreparado para lidar com outras coisas que não sejam tapinhas nas costas de repórteres.

O caso do aeroporto – o primeiro grande teste de Aécio como vidraça – é exemplar.

Ele vem mostrando não ter preparo nenhum para as adversidades jornalísticas. Nas vezes em que se pronunciou sobre o assunto, misturou nervosismo, arrogância e falta completa de convencimento.

Decretou, numa das ocasiões, que estava “tudo explicado”, como se coubesse a ele decidir isso.  A melhor resposta a isso veio do colunista Elio Gaspari: “Explicação de Aécio não decola”.

E como poderia?

Sua melhor alegação é que o aeroporto pertence não a seu tio, mas ao Estado, pois a terra onde ele está foi desapropriada. (Em termos, porque a desapropriação está na justiça, num caso de litígio.)

Mas, se é um aeroporto de interesse público, como justificar que o acesso a ele só se dê se você, autorizado, pega a chave na fazenda?

É um aeroporto para poucos, muito poucos. Sintomaticamente, Aécio não respondeu, numa entrevista, se ele estava entre os poucos. Não disse se usou o aeroporto, o que na prática sabemos o que significa.

Em outro capítulo desastrado de sua louca cavalgada, ele atribuiu o vazamento ao PT. Aos velhos e conhecidos métodos do PT, segundo ele.
Será que ele imagina que, assim, vai transferir o ônus do escândalo para outras mãos que não as suas?

A vida fácil de neto de Tancredo poupou Aécio de dissabores como este com que ele lida agora.

Mas, ao virar personagem nacional, a mamata tinha mesmo que acabar. E o que se vê é uma criança mimada contrariada, pronta a culpar os outros pelas artes que comete.

Não é certa ainda a extensão dos danos do aeroporto para as pretensões presidenciais de Aécio.

Num mundo menos imperfeito, ele retiraria sua candidatura, sob o assédio da mídia e, mais ainda, da opinião pública.

Um homem que repetiu a palavra ética milhões de vezes, sobretudo para acusar seus adversários, não pode tropeçar, ou será visto como detentor de um descaro total.

Mas este aqui é o mundo que temos.

A mídia está fazendo o máximo para preservar Aécio: a mínima cobertura possível, tom quase dócil — o suficiente apenas para não passar vergonha.

Mas não há nada que ninguém possa fazer para poupar Aécio das dores excruciantes que um político mimado sofre ao lidar com dificuldades das quais foi sempre protegido."

São Paulo na vanguarda do atraso


O rinoceronte Cacareco, antecessor de Tiririca, foi eleito vereador em SP
Pelé é até hoje criticado por ter dito que o brasileiro não sabe votar.
Mas quando se constata, só para ficar num exemplo mais conhecido, que os paulistas, que já elegeram o "chuchu" Alckmin, estão prestes a cometer novamente essa barbaridade, até que dá para desculpar o "rei" do futebol pela sua frase.
Citei Alckmin, mas poderia citar vários outros políticos que os paulistas sufragaram majoritariamente para cargos do Executivo: Celso Pitta, José Serra, Gilberto Kassab e Paulo Maluf, por exemplo.
Não é um quarteto notável?
A democracia tem dessas coisas.

O eleitor pode, perfeitamente, errar, eleger um picareta ou um sujeito sem nenhuma qualificação intelectual para o cargo de prefeito ou governador de Estado. Ou de presidente da República.
Acontece.
Mas a democracia também permite que esse mesmo eleitor que se enganou uma vez se redima e, numa próxima eleição, rejeite esse político que o decepcionou.
Esse é o grande mérito do regime democrático: dar voz ao povo, propiciar que ele escolha, livremente, seus governantes, que promova uma alternância no poder.
O que ocorre no Brasil - e mais especificamente em São Paulo -, porém, foge à razão.
Ou melhor, é motivo para que os mais sábios dos sábios se debrucem nos seus preciosos livros para tentar decifrar o enigma.
Há duas décadas o Estado mais rico da federação, que já foi chamado de "Locomotiva da Nação", é governado por um grupo político que hoje, em nível federal, faz oposição feroz aos trabalhistas.
Esse grupo representa o que de mais atrasado existe na vida social do país. 
É totalmente desligado das organizações populares e sindicais, criminaliza os movimentos sociais e reivindicatórios, exibe resultados menos que medíocres em todas as áreas de governo, aumenta taxas e impostos indiscriminadamente, despreza a transparência administrativa, mente compulsivamente sobre todas as questões que possam significar início de uma crise - e mesmo assim é aprovado pela maioria dos cidadãos!
É fato notório que o prefeito paulistano, o petista Fernando Haddad, tem  sido vítima de uma perseguição cotidiana por parte da oligarquia paulista, imprensa incluída.
E também notório que Haddad é um dos melhores quadros políticos já surgidos no passado recente do país.
A tentativa de exterminá-lo politicamente, ao mesmo tempo em que as inúmeras mazelas provocadas por 20 anos de governos tucanos em São Paulo são inteiramente escondidas da população, prova de que a democracia brasileira ainda é muito imperfeita. 
Talvez por ser ainda dominada por um grupo de pessoas que preza muito mais manter os imensos privilégios que ainda goza do que ver o país em que vive se transformar numa terra mais justa para todos. 
E não há no país local mais exemplar dessa criminosa interferência no processo de consolidação democrático do que São Paulo.
Triste destino o dos paulistas...
Do, http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/07/sao-paulo-na-vanguarda-do-atraso.html

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O pós-Copa e a aposta nas eleições



, GGN

"Conversei longamente com um experiente analista político, que vê a campanha a partir da ótica de Lula e Dilma. Dê-se o devido desconto ao fato de ter lado. Mas sua análise é relevante para permitir saber como o lado de Dilma analisa o atual momento político.
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A Copa revelou, em sua plenitude, os problemas de comunicação do governo, diz ele.
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Foram dois anos e meio de inação, achando que a verdade iria prevalecer por si. Nesse período, todas as mazelas públicas passaram a ser atribuídas ao governo central pela mídia, mesmo em temas de competência de governos estaduais e municipais.
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O resultado foi que o governo Dilma aceitou a agenda do adversário, permitiu que crescesse a imagem dos "malfeitos" em vez de impor sua agenda, de aprofundamento da inclusão social, de fortalecimento do mercado interno.
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De qualquer modo, em sua opinião esse período pior passou.
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Na Copa houve o embate final entre a campanha #imaginanaCopa e a #CopadasCopas. No final, a Copa das Copas venceu em todas as linhas.
Significa que Dilma entrará na campanha com um processo de recuperação que ainda irá ecoar por alguns dias. Provavelmente, deve bater nos índices de 42 a 43%, enquanto Aécio Neves permanecerá estacionado em 19/20% e Eduardo Campos em 9/10%.
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Para esse analista, as pesquisas que indicam de 6 a 7% para os nanicos são mera conta de chegada para viabilizar a aposta no segundo turno. Na última eleição, Zé Maria teve 0,025% dos votos. Como achar que, hoje em dia, ele contaria com 2% dos votos, como indicaram algumas pesquisas?
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Em sua opinião, juntando todos, não devem passar de 3 a 4%.
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Não significa que não haverá segundo turno. É possível que o eleitor queira dar um calor na candidata, como fez com Lula em 2006. Mas o sinal maior é o de quase estagnação de Aécio e Campos, mesmo com seis meses de campanha intensa dos grupos de mídia.
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Já os grupos de mídia continuarão atuando politicamente, observa ele. Eles precisam vender o fim do mundo todo dia. Por isso, já começam a esquecer a Copa e a falar de economia novamente.
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Trata-se da própria luta de sobrevivência dos grupos na nova disputa que se dá na Internet. Mas estarão mais fritos ainda vendendo o fim do mundo, diz ele. E, tendo atrás de si, provavelmente o maior desastre de comunicação da história do jornalismo: a aposta no fracasso da Copa, com o resultado do erro sendo entendido por toda a população.
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Na sua opinião, ao endossar o discurso da mídia, Aécio Neves vai perder a oportunidade de montar um discurso e uma imagem para 2018. Um candidato começa a construir sua eleição na eleição anterior.
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Foi o caso de Lula. Sua vitória em 2002 começou a ser construída nas eleições de 1998. Ali, ele começou a denunciar o estelionato eleitoral de FHC (segurando o câmbio até terminar a campanha) e a se dirigir a um eleitoral que, até então, não era preocupação dele.
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Saiu derrotado no primeiro turno, mas com um ativo valioso, que lhe garantiu a eleição seguinte.
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Em sua opinião, Aécio sairá dessa eleição igual ou pior do que entrou, com discurso falando apenas para o núcleo duro do eleitorado raivoso. Eduardo Campos estaria no mesmo trajeto, somando o discurso raivoso de campanha a uma bronca pessoal de Dilma.
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O problema maior serão os efeitos dessa provável vitória na auto-suficiência de Dilma, em um segundo governo."

terça-feira, 8 de julho de 2014

Isso não é jornalismo é bandidagem



247 – Consertar uma tese jornalística errada não é fácil. Mas é o que tentam fazer, neste momento, alguns dos colunistas e editorialistas mais radicais da mídia tradicional. No circuito Merval Pereira-Reinaldo Azevedo-Arnaldo Jabor e outros, a tese que está em campo agora é em tudo diferente da que vigorou até momentos antes da classificação da Seleção Brasileira para a segunda fase do Mundial, dez dias atrás. Até ali, quando ainda existiam apostas contra o sucesso popular e de organização da Copa no Brasil, os mesmos articulistas da Rede Globo e do Grupo Abril trabalhar pelo estabelecimento do clima de medo e apreensão frente ao sucesso do Mundial. Engrossaram, à sua maneira, o esvaziado #naovaitercopa – e ficaram completamente isolados nas arquibancadas vazias dos que apostaram no sucessos do evento.
Agora, numa ampla ofensiva que utiliza todos os meios disponíveis – dos programas ditos sérios na rádio CBN ao decadente Domingão do Faustão -, os mesmos caras pregam que o sucesso da Copa é de todos, em exceção. Mas que, se houver perda esportiva e aumento de críticas ao Mundial, a culpa deve recair exclusivamente sobre a torcedora número 1, a presidente Dilma Rousseff.
- Dilma e Lula não marcam gols, sublinhou, com certo desespero, Merval Pereira para seu parceiro Carlos Alberto Sardemberg, nesta terça-feira 8, num bate-bola do time do contra na rádio CBN. No domingo, Faustão fez as vezes de editorialista e repetiu, por dois minutos, que "a verdadeira Copa vai começar agora, com as eleições", como querendo dizer que a #copadascopas é um evento menor, nada significativa para a vida de um País.
Pelo Grupo Abril, Reinaldo Azevedo irritou-se, em texto no site veja.com, com o gesto de "é tóis", feito por Dilma com os braços, divulgado na página do Facebook da presidente. Ele reconheceu que não sabia do que se tratava, apesar de a expressão ser popular há pelo menos seis meses. E emendou dizendo que a presidente vibrar e torcer pela Seleção, por Neymar e pelo sucesso da Copa seria "uma tentativa canhestra do poder de manipulação do povo". Nossa! Para Azevedo, será que Dilma deveria vestir luto por esses dias? Ou talvez sair do País, olhar a Copa de longe? O que ele queria, que Dilma, como ele, torcesse contra?
Por jogadas como essa, é mesmo dura a disputa pela camisa 10 no time dos que jogam contra. Muitos candidatos.
O problema com a tentativa de ajustar a posição editorial sobre a Copa – passando da aposta contra para a adesão oportunista e, ainda por cima, tentando criticar a postura da presidente da República por ter-se empenhado e acreditado no sucesso do Mundial – é que ela não dará certo. Dilma, esse é o fato, mergulhou de cabeça na Copa no Brasil. Publicamente, não vacilou em comandar a torcida, fazendo apelos pela realização da #copadascopas e jogando alto na capacidade de o povo brasileiro fazer um evento diferenciado. É o que está acontecendo, a olhos vistos.
A esta altura, qualquer que seja o resultado esportivo da Seleção Brasileira, com vitória ou não na partida de 17h00, no Mineirão, em Belo Horizonte, contra a Alemanha, a Copa é um sucesso espetacular. E, como dizem as pesquisas, ajudou sim na recuperação da popularidade da presidente Dilma. Não serão colunistas que perdem credibilidade a cada dia que irão mudar essa situação.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

O complexo de vira-latas nos impede de viver em cidades com trânsito menos caótico


, Diário do Centro do Mundo 

Sabem como se chama a companhia de engenharia de trânsito nos EUA?
Departamento de Tráfego e Estacionamento.

Na pátria do automóvel eles nunca tiveram dúvida de que trânsito estacionamento são duas faces da mesma moeda, tão complementares quanto inspirar e expirar, sístole e diástole.

Um não pode viver sem o outro.

Ainda assim, na congestionada São Paulo, a eliminação de vagas de estacionamento ainda provoca protestos. Sobretudo de jornais – como o Estadão – que têm no mercado automobilístico uma de suas derradeiras fontes de receita.

Se o estacionamento representa a capacidade de manter os veículos parados, enquanto o tráfego é a de fazê-los andar, fica claro que o espaço determina as capacidades de ambos. E espaço é cada vez mais raro e caro em São Paulo.

Para abrir mais espaço para o transporte coletivo – numa cidade com uma rede de metrô pequena e ainda em construção – o prefeito Fernando Haddad teve que fazer o mesmo que seus colegas de Nova York, Londres, Paris e Amsterdã fizeram: reduzir o espaço de circulação e estacionamento de automóveis.

O complexo brasileiro de vira-latas permanece ainda uma incógnita. Ao mesmo tempo que nossos cada vez mais frequentes turistas voltam encantados de suas visitas ao primeiro mundo, recusam-se a fazer aqui o que admiram lá fora.

Separar e reciclar o lixo é outro bom exemplo. Até hoje as cidades brasileiras foram incapazes de implantar coletas de lixo limpas e eficientes. A maior fonte de sujeira das cidades é a precária e antiquada coleta do lixo em sacos espalhados pelo chão e recolhidos manualmente um a um. Um trabalho degradante e ineficiente.

A razão é simples de entender. Para ter cidades limpas como as suíças é preciso limpar e separar embalagens, latas e garrafas. Estacioná-las dentro de casa e depois levar a um ponto adequado de coleta instalado perto de casa. Isso é simples, mas dá trabalho. Nossa herança escravocrata ainda prefere jogar tudo dentro de um saco e depositar na rua, até que o lixeiro – ou a chuva – leve tudo embora para os lixões – ou para os rios..

A casa grande não consegue se libertar da senzala.

Algo muito semelhante ocorre com o estacionamento de veículos: um entope as ruas e o outro as galerias de águas pluviais.

A solução de ambos os problemas, portanto, é parecida. Precisamos de mais espaço para estacionar o lixo e menos para os automóveis. No lugar deles teremos onde implantar caçambas de lixos sólidos e orgânicos e ciclovias, que irão retirar carros das ruas e oferecer mais espaço para os próprios veículos em movimento. Menos carros parados são mais carros andando.

Essa é uma decisão que São Paulo vem protelando há anos, desde que a taxa do lixo, implantada pela ex-prefeita Marta Suplicy, foi suspensa por José Serra. Se a taxa não era a solução do problema, ele deveria ter proposto outra, mas deixou tudo como estava e a situação só se agravou de lá pra cá.

Abrir espaço para bicicletas e ônibus em São Paulo, reduzindo o estacionamento de veículos e ampliando os equipamentos de coleta de lixo não vai ser tarefa fácil para nenhum prefeito, de nenhum partido. A maioria desistiu antes de começar, por que sabe com quem está mexendo.

A lei da cidade limpa só limpou as fachadas e a publicidade. Ao contrário da redução do estacionamento, teve amplo apoio da imprensa, que compete pelo mesmo mercado também nesse caso. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

O complexo de vira-latas nos impede até mesmo de viver em cidades limpas e sustentáveis.

Faz sentido."

São Paulo tucana: chame o ladrão

Chame o ladrão

Num Estado em que maca é contabilizada como vaga em prisão, é preciso encarar indicadores com um pé atrás

Declarações sinceras de políticos ou governantes, muitas vezes, costumam dar pistas: o sujeito está deixando o cargo e resolveu falar a verdade; ou então trata-se de confissão de incompetência.

Ainda é cedo para saber onde encaixar afirmações como a do secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, diante da escalada de roubos no Estado. As palavras chegam a ser desconcertantes. "Estou estudando. Dentro de uma ou duas semanas a gente vai ter alguma conclusão a respeito [...]. Não adianta dizer que é isso ou aquilo, porque isso é achismo'. Precisamos nos debruçar, estudar, fazer o diagnóstico."

Enquanto o secretário se debruça, São Paulo vive uma epidemia de criminalidade. Segundo manchete desta Folha, o número de roubos cresceu em 11 das 12 macrorregiões do Estado entre janeiro e maio, na comparação com o ano passado. A capital liderou a alta: 42%. O mais alarmante é uma das explicações oficiais. Diz que o índice disparou porque agora é possível registrar ocorrências pela internet. A acreditar na tese, é provável que nos últimos anos o volume de roubos tenha sido artificialmente rebaixado por falta de notificações das vítimas. O que, vamos e venhamos, só piora o cenário.

Num Estado em que macas em enfermaria são contabilizadas como vagas em presídio e apenas um em cada dez casos de roubo motivam um inquérito, o bom senso recomenda encarar indicadores com um pé atrás. Tanto para o bem, quanto para o mal.

Aqui vai um exemplo. O governo tucano não desperdiça chances de comemorar a pretensa queda de homicídios. Ótimo se fosse assim mesmo. Digo mais: todos torcemos para isso. Então surge a dúvida: até que ponto tais números não são obra da "contabilidade criativa" que o governador critica na esfera federal, mas que ele mesmo pratica nos dados que distribui à imprensa? Tomando emprestado o repertório da meteorologia, por mais que o governo paulista festeje dados sobre a queda do número de mortes, a "sensação térmica" de insegurança no Estado é muito pior do que imagina o pessoal do Bandeirantes. Basta ouvir as ruas e prestar atenção ao próprio noticiário.

Até hoje, as autoridades paulistas não deram uma explicação convincente ao papel exercido por facções como o PCC no comando da criminalidade, mesmo seus líderes estando formalmente na cadeia. Tampouco sabe-se de medidas eficazes para coibir delitos; assiste-se apenas a operações espalhafatosas para ganhar espaço em telejornais. Quando não é assim, parte-se para práticas do Velho Oeste: oferecer recompensas para quem denunciar malfeitores. A valorização da função policial, sobretudo a preventiva, esgota-se em discursos e promessas nunca cumpridas. Tudo isso sem falar no péssimo exemplo da complacência com a corrupção e com os larápios incrustados no aparelho do Estado.

Sem atacar esses males, continuaremos apenas a ouvir lamúrias e perder a carteira, quando não conhecidos e familiares.
No: http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/07/sao-paulo-tucana-chame-o-ladrao.html

Dez casos de corrupção denunciados no governo de FHC


Grampos do BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity
Grampos do BNDES flagraram Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity
A fonte é o blog de Altamiro Borges: suprimi adjetivos e informações paralelas, procurando manter apenas dados objetivos e comprováveis. Em minha opinião, grave mesmo foi a privatização da Vale e das telefônicas – negociatas no padrão daquelas que se seguiram ao fim da União Soviética.
1. Fernando Henrique extinguiu, por decreto, no início de seu governo, a Comissão Especial de Investigação, criada por Itamar Franco e formada por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, quando uma CPI foi instituída para apurar corrupção, criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão não mostrou resultados durante seu governo.
2. Denúncias de tráfico de influência no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam) derrubaram o brigadeiro Mauro Gandra ; o embaixador Júlio César dos Santos, supostamente envolvido, foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma. A empresa Esca, encarregada de incorporar a tecnologia da americana Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência.
3. Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República arquivou os processos da “pasta rosa” – documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais. A oposição deu, então, ao o Procurador Geraldo Brindeiro o apelido de “engavetador geral da República”.
4.Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto que mudou a Constituição para permitir a reeleição de FHC: foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. O plenário da Câmara absolveu outros três deputados acusados de vender o voto: Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra,.
5. A Vale do Rio Doce foi vendida em leilão por R$ 3,3 bilhões, quando especialistas eu preço seu preço era estimado em mais de R$ 30 bilhões: detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura, com navios, portos e ferrovias. A Vale é a terceira maior mineradora do mundo , a maior produtora de minério de ferro e a segunda maior de níquel; destaca-se na produção de manganês, cobre, carvão, cobalto, pelotas, ferroligas e alguns fertilizantes, como os fosfatados (TSP e DCP) e nitrogenados (ureia e amônia)
6. As empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás cerca de R$ 22 bilhões; nos dois anos e meio anteriores à venda, o governo investiu na infraestrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. O BNDES financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Grampos do BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity. O BNDES destinou cerca de R$10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais privatizadas. Em uma das diversas operações, injetou R$ 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.
7. Fernando Henrique Cardoso afirmou que assinava sem ver a liberação dee verbas para a construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, em que se constatou desvio de R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à prisão o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso.
8. O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) , no final de 1995, custou ao Tesouro Nacional, segundo Fernando Henrique, 1% do PIB anual do Brasil. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, chegou a 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos foram de 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. .
9. FHC segurou a paridade entre o real e o dólar para assegurar a sua reeleição em 1998, às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o caso dos bancos Marka e FonteCindam, socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de reais.
10. De 1994 a 1999, as fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassaram R$ 2 bilhões. Sem punir ninguém, FHC extinguiu o órgão. Na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), apuraram-se desvios de R$ 1,4 bilhão.,com a emissão de notas fiscais frias. Aí também não houve punidos e a Sudene foi extinta.
Nilson Laje é jornalista e professor.
do< http://correiodobrasil.com.br/noticias/opiniao/dez-casos-de-corrupcao-denunciados-no-governo-de-fhc/714814/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=facebook