Charles Darwin, num ofício que muitos taxariam como inútil, estudou em detalhes as orquídeas, flores do grupo das plantas monocotiledôneas que encantam pela beleza e variedade. Certa vez, em 1862, Darwin recebeu do horticulturista James Bateman um pacote contendo a orquídea Agraecum sesquipedale, uma espécie que só existe naturalmente em Madagascar. Já versado no assunto e já elaborando sua teoria de que as flores das orquídeas frequentemente têm formas, cores e cheiros que refletem a seleção natural provocada por insetos polinizadores, o naturalista notou que a flor exibia um longuíssimo tubo produtor de néctar, com até 35 centímetros.
“Céus, que inseto pode sugá-lo?”, perguntou Darwin numa carta a um amigo. Inseto? O atual recorde de maior inseto é da larva do apropriadamente chamado besouro-Golias (Goliathus goliatus), com 11 centímetros. Como Darwin poderia saber que aquela estrutura tubular longuíssima da orquídea era alvo da alimentação de um inseto, e não de algum outro animal, como um morcego com uma língua tão longa quanto o tubo do nectário? Darwin foi mais longe: .....







