terça-feira, 13 de julho de 2010

O futebol é uma caixinha de.... negócios



O jornalista Carlos Alberto Sardenberg escreveu no Estadãouma peça de defesa do neoliberalismo em que apresenta a seleção espanhola vencedora da Copa do Mundo como um produto do livre mercado. Além de tratar os jogadores como commodities, comprados e vendidos pelo melhor preço do mercado, ignora as diferenças entre os países “produtores” e “compradores” como se o mundo fosse economicamente homogêneo.

Com espaço nos principais meios de comunicação da grande imprensa brasileira, também faz comentários econômicos para a Globonews  e para a  rádio CBN, Sardenberg atribui a qualidade da seleção espanhola ao fato dos clubes espanhóis contratarem o que de melhor têm os países exportadores, o que elevou o nível de seu futebol. Como defensor das regras do mercado, acha que é assim mesmo. Quem pode, compra, e quem não pode vende, mesma que à cutsa de sua pobreza.
O jornalista reconhece que o Brasil, a Argentina e toda a América do Sul estão na condição de grandes exportadores e que isso enfraquece, ao menos, seus campeonatos locais, mas atribui a diferença a um problema de gestão. Ou seja, os clubes brasileiros não têm dinheiro para pagar o que seus jogadores ganham lá fora apenas porque são incompetentes, como se não houvesse diferença de moedas, economias e poder de compra.
E qual a solução do nobre jornalista para os países “exportadores”? Tornar mais rentável o negócio do futebol, “que empolga milhões de pessoas que poderiam perfeitamente pagar mais caro por espetáculos mais bem organizados”. Ou seja, elitizar um esporte popular, afastando dele o povo e deixando que apenas uma elite capaz de pagar preços exorbitantes frequente os estádios.
Sardenberg condena também qualquer medida que restrinja a exportação do produto jogador. Consiedra que seria uma violação do direito de ir e vir e de trabalhar. Muito bem. Mas será que essa tal liberdade existe para qualquer trabalhador? Será que qualquer brasileiro ou sul-americano que quisesse trabalhar na Europa encontraria as portas tão abertas como ficam para os nossos craques? Ou a realidade é bem diferente, e os latino-americanos são deportados dos aeroportos e vistos como pessoas que querem roubar os postos de trabalhos dos europeus.
Além de reacionário, o artigo do jornalista é desmentido pelos fatos, pois os “importadores”, que já levam nossos jogadores em massa há décadas, deveriam estar vencendo todas as Copas e torneios internacionais. Mas não é o que se vê na Copa do Mundo, em que o Brasil é o maior campeão, e nem no Mundial de Clubes, onde os sul-americanos, com jogadores que regressam da Europa para envergar o uniforme de suas seleções nacionais.
Perdemos uma Copa, paciência. Não podemos criticar rapazes e jovens que vão atrás de grandes contratos, como se fossem eles os responsáveis pelas diferenças das economias, tanto quanto não podemos nos conformar com um quase “tráfico” de crianças, que mal despontam nas categorias mirins, aos 12, 13 anos, já  são “compradas” pelos países onde o futebol é um grande negócio empresarial.
O jogador de futebol não é apenas o ator de um espetáculo que emociona e arrasta multidões e fortunas. Ele é um ser humano, com uma cultura, uma família, uma comunidade.
Ele não é uma mercadoria, simplesmente, sobretudo quando ainda não tem o estágio de maturidade para decidir por si só. Ele é uma ser humano. Um ser humano jovem e fragilizado pela máquina impiedosa dos negócios.
tijolaço.com

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