sábado, 16 de fevereiro de 2013

Por que eles sempre fazem o que Veja manda?



Apanhar a bola-la, estender a pata-ta, sempre em equilíbrio-bro, sempre em exercício-cio… misteriosamente, há alguns políticos que, embora não sejam cães (longe disso, são todos homens honrados), obedecem sempre, de maneira quase pavloviana, ao comando da Editora Abril; neste sábado, Veja criou uma crise artificial em torno da blogueira Yoani Sanchez; uma tremenda bobagem, mas, como a Abril pediu, lá estão Álvaro Dias (PSDB-PR), Agripino Maia (DEM/RN) e Roberto Freire sempre de prontidão; será que é para isso que os saltimbancos da oposição foram eleitos?

Brasil 247

Eles não se chamam Bobby, Lulu, Snoopy, Rocky, Rex ou Rintintin. Evidentemente, não são cães. São todos homens honrados, representantes do povo brasileiro. Mas há um traço intrigante no comportamento de certos políticos. Por que será que estão sempre de prontidão para obedecer ao comando da Editora Abril? É o caso, por exemplo, de três autênticos representantes da oposição: Álvaro Dias (PSDB-PR), Agripino Maia (DEM/RN) e Roberto Freire, do PPS.

Neste sábado, por exemplo, Veja criou um factóide, ao acusar o PT, o ministro Gilberto Carvalho e o governo cubano de organizarem uma campanha difamatória contra a blogueira Yoani Sanchez, que chega ao Brasil amanhã e será recebida com tapete vermelho por todos os veículos de comunicação que fazem parte da Sociedade Interamericana de Imprensa, a SIP. Em seguida, Reinaldo Azevedo, no seu cada vez mais monótono mimimi, cobrou uma resposta à altura. "Com a palavra, a presidente da República. Com a palavra, o Ministério da Justiça. Com a palavra, o Senado Federal. Com a palavra, a Polícia Federal. Com a palavra, a Abin. Com a palavra, o Ministério Público Federal. Com a palavra, os líderes das oposições".

E, da maneira mais previsível, os líderes da oposição apareceram.
Agripino Maia: "É um assunto muito grave. É um 'mal combinemos' para evitar a liberdade de expressão e de manifestação da cubana. Fere totalmente o princípio da convivência democrática. Se for o caso, eu mesmo vou levar ao plenário a discussão sobre um pedido de informações ao ministro".
Alvaro Dias: "O uso de dossiês tem sido recorrente no governo do PT. Agora há uma conspiração cubana em território nacional com a participação de agentes públicos instalados no Palácio do Planalto".
Roberto Freire: "O Gilberto Carvalho tem tantas explicações para dar, inclusive para a própria Justiça, que essa é só mais uma. Infelizmente, falta de compromisso democrático é proverbial nesse governo".
Será que foi para isso mesmo que os nobres representantes da oposição, à exceção de Freire, que já não têm mais mandato, foram eleitos? Será que assim honram os votos que receberam?
Para que reflitam a respeito, segue abaixo, um vídeo dos Saltimbancos:
E também a letra da canção "Um dia de cão":
Um Dia De Cão
Os Saltimbancos
Apanhar a bola-la
Estender a pata-ta
Sempre em equilíbrio-brio
Sempre em exercício-cio
Corre, cão de raça
Corre, cão de caça
Corre, cão chacal
Sim, senhor
Cão policial
Sempre estou
Às ordens, sim, senhor
Bobby, Lulu,
Lulu, Bobby
Snoopy, Rocky
Rex, Rintintin
Lealdade eterna-na
Não fazer baderna-na
Entrar na caserna-na
O rabo entre as pernas-nas
Volta, cão de raça
Volta, cão de caça
Volta, cão chacal
Sim, senhor
Cão policial
Sempre estou
Às ordens, sim, senhor
Bobby, Lulu
Lulu, Bobby
Snoopy, Rocky
Rex, Rintintin
Bobby, Lulu
Lulu, Bobby
Snoopy, Rocky
Estou às ordens
Sempre, sim, senhor
Fidelidade
À minha farda
Sempre na guarda
Do seu portão
Fidelidade
À minha fome
Sempre mordomo
E cada vez mais cão

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O PIB, as desigualdades sociais e o bem-estar do brasileiro



http://luiscarlosgusmao.files.wordpress.com
Segundo o britânico Centro de Pesquisas Econômicas e de Negócios (CEBR), em 2022 — portanto daqui a dez anos —, o Brasil será a quinta maior economia do mundo, ultrapassando as europeias Reino Unido, França e até a poderosa Alemanha. Seu PIB deverá ter crescido 92% comparado aos números atuais. Interessante. Afinal, insuspeito. Não é?

Mas alguns críticos (sempre tão argutos) lembram que o Brasil ainda é inferior em muitos aspectos a diversos países europeus, inclusive, notadamente até, aos supracitados. Mas aí, danou-se! E é milagre, é? Como se as mazelas — históricas! — acaso desmerecessem as conquistas dos últimos dez anos! Engraçado é que essas mesmas vozes, antes (quando o Brasil ainda dormia em berço esplêndido, ou seus ministros tiravam os sapatos no aeroporto de Tio Sam), não davam um piu. Piu. É, nem isto.

Outros lembram que o crescimento da economia em 2012 foi muito inferior ao previsto pelo próprio governo. Em suma: um “PIBinho”. Bom, é verdade que alguns outros países emergentes, e até do próprio Brics, tiveram um “produto interno bruto”, digamos, mais avantajado. Mas não o é menos que o Brasil está em seu melhor momento no quesito, importantíssimo — permita-me, “até umas horas!” —, da redução das desigualdades sociais.

Com efeito, segundo o presidente do Instituto de Pesquisas Aplicadas – IPEA, nosso gigante ex-adormecido(!) — agora definitivamente acordado — está atualmente no menor nível de desigualdade da história, que tem estreita relação, olha só, com o crescimento da renda “per capita” nas diversas classes sociais. Para que você tenha uma ideia, caro leitor, nos últimos dez anos a renda dos 10% mais pobres cresceu mais de 90%, enquanto que a dos mesmos 10% mais ricos cresceu pouco mais de 15%. Vale dizer: o “PIBinho” verificado neste ano que finda é notoriamente relativizado quando tomada em consideração a histórica redução das nossas vergonhosas desigualdades sociais. Em suma, concluiu: para um PIB tímido tem-se, de outro lado, um crescimento chinês na base.

Calma. Essa relação ainda nos diz mais. Num universo de 150 países, o Brasil foi o que apresentou “maior ganho de bem estar” nos últimos cinco anos, considerados 51 indicadores econômicos e sociais (conforme a Boston Consulting Group – BCG). Por “bem estar” entenda-se “oportunidades, renda familiar, acesso aos bens de consumo, saúde, educação, etc.”

Haveria mais a dizer, mas o espaço é de menos. Então, que fiquem esses dados, contrapondo-se ao ambiente catastrófico dos “calunistas” de plantão da chamada grande imprensa (ou da “midiazona”, como diz o Cadu Amaral).
Publicada no jornal Gazeta de Alagoas, pág. A4, n/dataPublicada no jornal Gazeta de Alagoas, pág. A4, n/data

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Capitalismo global busca um novo 'papado'




Saul Leblon, Carta Maior / Blog das Frases

“Passados cinco anos de implosão da ordem neoliberal, o sistema capitalista está longe de dizer 'habemus papam'. 
Entre a austeridade imposta à Europa e a liquidez contracíclica dos EUA, seus cardeais ora parecem hesitar, ora ganhar tempo.

Nesta 4ª feira (13), os dois lados da crise transatlântica convergiram para um meio fio que os elucida mais que todas as palavras e aparências.

A ideia é criar um grande 'nafta' europeu/norte-americano, 'equivalente à metade da produção mundial' (leia a reportagem de nosso correspondente em Londres, Marcelo Justo).

Labirínticos acordos de eliminação recíproca de tarifas e outras formas dissimuladas de protecionismo (legislações sanitárias, por exemplo) terão que ser vencidos para o desfecho da crise redundar nessa imensa 'pátria grande dos livres mercados'.

A bandeira motivacional é defender ambas as margens do avanço implacável da concorrência chinesa.

Do ponto de vista social significa algo do tipo: façamos com o emprego, a indústria, a agricultura e os serviços aquilo que a concorrência oriental faria de qualquer jeito.

O relevante nesse aceno do consistório conservador é o fato de dobrar a aposta na mesma lógica que jogou a humanidade na pior crise desde os anos 30.

O papel reservado a governos e Estados no processo é o de sempre. E estrito: desregular, desbastar, escalpelar direitos, abrir espaços ao livre fluxo dos capitais enegócios

E seja o que Deus quiser.

O combustível da corrida são as inovações tecnológicas assadas em fogo alto nos laboratórios das corporações globais, que tem escala e capital para isso.

De novo: 'e seja o que Deus quiser'.

Externalidades como o custo adicional em pobreza e desigualdade, ademais da soberania dos povos, ficam a cargo do poder de ajuste e convencimento dos respectivos centuriões locais.

Aécios Neves estão, como sempre estiveram, disponíveis nas mais remotas latitudes.

Sua caixa de ressonância midiática, idem.

Há poucos dias a banca europeia fechou a conta de seu desempenho em 2012: 55 mil demissões. 

A pátria sem fronteiras dos acionistas aplaudiu.

Ajustes e aplausos equivalentes ocorrem em todas as áreas e nos diferentes pontos cardeais do planeta, mediante a exibição de números equivalentes.

A república dos dividendos gostaria que algo parecido acontecesse com a Petrobrás no Brasil. Cortes; redução drástica de conteúdo nacional nas encomendas; bombeamento maciço de óleo para exportação; zero de novas refinarias. E por aí afora.

Um feérico exercício de musculatura desse quilate está em marcha urbi et orbi.

Dele emergirá o novo papado. A nova ordem pós-crise.

Não a dos cardeais da austeridade europeia; nem a dos discursos bonitos do cardeal Obama.

A das corporações globais eemoenhadas em embalada disputa pela economia pós-crise. 

O efeito em cadeia dessa recomposição global de massa muscular é imaginável.

Contrapor-se à modelagem unilateral do futuro requer alguns ingredientes estratégicos. Facilita muito dispor de um mercado interno de massa, assim como de uma base industrial capaz de competir por um naco do mercado do século 21.

A receita varia de nação a nação.

Mas nada acontecerá sem um requisito de desassombro polítoco: restituir algum nívrel de comando do Estado sobre a economia e o mercado.

A extensão e o calibre dessa ordenação pública depende da equação política de cada sociedade

É o que o Brasil de Dilma, a Argentina, de Cristina, a Venezuela de Chávez e Maduro, a Bolívia e o Uruguai tentam implementar, de acordo com o acumulo de forças interno em cada caso.

Não é fácil.

Estados egressos de décadas de desmonte neoliberal não foram suficientemente regenerados.

Mesmo por que não se trata simplesmente de reeditar o estatismo autoritário.

É preciso ir além.

E criar espaços de socialização do planejamento público, como as conferências setoriais realizadas no governo Lula sinalizaram.

Na realidade concreta improvisa-se.

Da mão para a boca; na tentativa de manter a cabeça fora d'água. E resgatar alguma capacidade de comando sobre o destino.

Altos e baixos, avanços e hesitações formam a norma nessa corrida.

Um episódio resume todos os demais.

O governo Dilma acaba de redefinir a margem de retorno dos projetos de infraestrutura oferecidos à iniciativa privada.

O capital privado tem caixa e interesse em investir e o país necessita desse investimento.

O governo Dilma reajustou a taxa de retorno original considerada baixa pelo mercado.

Não renunciou à prerrogativa de planejar o país e definir os projetos prioritários a serem implementadas, ademais de fixar o seu prazo, a qualidade e a taxa de retorno correspondente.

Mas cedeu um percentual maior na remuneração do investimento.

Poderia ter feito diferente?

Poderia, em tese.

Por exemplo, ter confiscado o caixa ocioso das empresas com uma brutal taxação sobre a aplicação financeira.

Em teoria.

Na prática, a equação política permitiu outra solução: previamente o espaço de fuga do capital ocioso foi comprimido cortando-se significativamente a taxa de juros que serviria de abrigo confortável e seguro à liquidez. 

O saldo é quase o mesmo, a um custo futuro de tarifa pública maior; a fricção política, menor.

Ambas as escolhas refletem os ares do mundo.

Vive-se uma corrida contra o tempo.

E o governo Dilma não escapa ao tique-taque implacável dos ponteiros.

Ou o país desencadeia um novo ciclo de investimentos com algum grau de racionalidade pública - o maior possível; ou a lógica selvagem das grandes corporações acabará modelando o futuro brasileiro no pós-crise.

A esquizofrenia midiática que acusa Dilma ora de intervencionista, ora de privatizante 'à la FHC', abstrai as variáveis estratégicas em jogo, omite as implicações sociais distintas entre um desfecho e outro.

Na verdade, o papado de sua preferência é conhecido.

Abortado por Lula na primeira tentativa, quem sabe o país não pega o último bonde da 'nova grande nafta', preconizada pelos EUA e a UE como saída para a crise?

É esse o jogo de forças do consistório em marcha.

Diante dele os países em desenvolvimento tem que articular a sua melhor resistência, no menor tempo possível.

Ou serão asfixiados pela fumaça que anunciar o 'habemus papam'.

TV tem cada vez menos audiência dos foliões do sofá



Keila Jimenez, Folha de S. Paulo

O Carnaval está perdendo o seu poder de sedução com os foliões do sofá, aqueles acompanham escolas de samba e trios elétricos somente pela televisão.

Segundo dados do Ibope, a transmissão do desfile das escolas de samba de São Paulo, na última sexta-feira, sofreu queda de 27% de audiência em relação ao ano anterior. A Globo registrou média de 8,3 pontos, ante 11,1 pontos no primeiro dia de folia em 2012. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande SP.

No sábado, a queda foi menor: a Globo marcou 10,3 pontos, ante 11 pontos do desfile paulista no ano anterior.

A emissora também perdeu espectadores nos desfiles do Rio. O primeiro dia de transmissão das escolas de samba cariocas, no domingo, marcou 7,6 pontos de audiência, ante 8,3 pontos do desfile do ano passado. Na segunda-feira, o carnaval da Globo alcançou 9,3 pontos, média um pouco menor que a de 2012, que foi de 9,6 pontos.

SBT e Band também não cresceram em ibope com as transmissões da festa no Nordeste. A média de audiência das emissoras oscilou entre um e três pontos de audiência.

A RedeTV!, que vinha registrando média na casa do 0,7 ponto, marcou um ponto com os "Bastidores do Carnaval".

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Por que as ideias de Marx são mais relevantes do que nunca no século XXI





O MARXISMO ESTÁ EM EVIDÊNCIA COM A CRISE ECONÔMICA GLOBAL. MAS, COMO MARX DIZ, O IMPORTANTE NÃO É APENAS INTERPRETAR O MUNDO, MAS O TRANSFORMAR. PARA ISSO, ELE PRECISA SER MAIS DO QUE UMA FERRAMENTA INTELECTUAL PARA COMENTARISTAS CONFUSOS COM A CONJUNTURA. ELE NECESSITA SER UMA FERRAMENTA POLÍTICA.





O ‘capital’ costumava nos vender visões do amanhã. Na Feira Mundial de 1939, em Nova York, empresas exibiram novas tecnologias: nylon, ar condicionado, lâmpadas fluorescentes, e o impressionante ''View-Master''. No entanto, mais do que apenas produtos, um ideal, de “classe média”, de tempo livre e de abundância, era oferecido àqueles cansados da depressão econômica e da expectativa de guerra na Europa.

O passeio futurístico levou os participantes até mesmo por versões em miniatura de paisagens transformadas, representando novas autoestradas e projetos de desenvolvimento: o mundo do futuro. Esta era uma tentativa determinada a renovar a fé no capitalismo.

No despertar da segunda guerra mundial, um pouco desta visão se tornou realidade. O capitalismo prosperou e, mesmo que desigualmente, os trabalhadores norte-americanos progrediram. Pressionado por baixo, o estado foi conduzido por reformadores, e o comprometimento de classe, para além da luta de classes, fomentou o crescimento econômico e compartilhou uma prosperidade antes inimaginável.

A exploração e opressão não acabaram, mas o sistema pareceu ser não somente poderoso e dinâmico, mas conciliável com os ideais democráticos. O progresso, no entanto, estava esmorecendo. A democracia social se deparou com uma crise estrutural nos anos 1970, que Michal Kalecki, autor de ''Os Aspectos Políticos do Pleno Emprego'', previu décadas antes. Altas taxas de emprego e as garantias do estado de bem-estar social não ''compraram'' os trabalhadores, mas encorajaram fortes demandas salariais. Os capitalistas mantiveram estas políticas enquanto os tempos eram bons, mas com a estagflação - que consiste na intersecção entre baixo crescimento e alta inflação - e o embargo da Opep, uma crise de rentabilidade seguiu-se.

O neoliberalismo emergente refreou a inflação e restaurou os lucros, mas tudo isso só foi possível por meio de uma ofensiva cruel contra a classe trabalhadora. Havia batalhas campais travadas em defesa do estado de bem-estar social, mas, de maneira geral, nossa era foi de desradicalização e conformismo político.

Desde então, os salários reais se estagnaram, a dívida disparou, e as perspectivas para uma nova geração, ainda apegada à velha visão social-democrata, se tornaram sombrias.

O ''boom'' tecnológico dos anos 1990 trouxe rumores de uma ''nova economia'', leve e adaptável, algo que substituiria o velho ambiente de trabalho Fordista. Mas tais rumores foram apenas um eco distante do futuro prometido na Feira Mundial de 1939.

De qualquer forma, a recessão de 2008 despedaçou estes sonhos. O capital, livre de ameaças provindas de baixo, cresceu ganancioso, selvagem, e especulativo.

Para muitos de minha geração, a ideologia subjacente ao capitalismo foi minada. O maior percentual de norte-americanos nas idades entre 18 e 30 anos que possuem uma opinião mais favorável ao socialismo do que ao capitalismo pelo menos sinaliza que a era da Guerra Fria, onde havia uma confluência entre socialismo e stalinismo, não mais impera.

Para os intelectuais, o mesmo é verdade. O marxismo tem estado em evidência: a política externa recorreu a Leo Panitch, e não a Larry Summers, para explicar a recente crise econômica; e pensadores como David Harvey têm desfrutado de um renascimento tardio em suas carreiras. Um maior reconhecimento do pensamento da “esquerda do liberalismo” – como a revista Jacobin, que editei – não é apenas o resultado de uma perda de confiança nas alternativas dominantes, mas sim a capacidade que os radicais possuem de formular questões estruturais mais profundas e apresentar novas alternativas de desenvolvimento situadas em um contexto histórico. 

Agora, mesmo um liberal célebre como Paul Krugman tem invocado ideias que foram largamente relegadas às margens da vida norte-americana. Quando pensa sobre automação e o futuro do trabalho, Krugman preocupa-se que “mesmo possuindo ecos de um marxismo fora de moda, tais temas não deveriam ser ignorados, mas frequentemente são”. Mas a esquerda que ressurge possui mais do que preocupações, ela tem ideias: sobre a redução do tempo de trabalho, a desmercantilização do trabalho, e os meios pelos quais os avanços da produção podem constituir uma vida melhor, e não mais miserável.

É neste ponto que está se desenvolvendo, mesmo que desajeitadamente, um intelectualismo socialista do século 21 que mostra suas forças: na vontade de apresentar uma visão para o futuro, algo mais profundo do que mera crítica. Mas mudanças intelectuais não significam muito por si mesmas.

Um exame do panorama político nos EUA, a despeito do surgimento do movimento Occupy em 2011, é desanimador. O movimento trabalhista demonstrou alguns sinais de vida, especialmente entre os trabalhadores do setor público ao combaterem a austeridade; no entanto, tais ações são apenas de retaguarda, um esforço defensivo. Os índices de sindicalização continuam em baixa, e é a apatia, e não um fervor revolucionário, o que reina.

O marxismo nos EUA precisa ser mais do que uma ferramenta intelectual para comentaristas tradicionais confusos com nosso mundo em mudança. Ele necessita ser uma ferramenta política para transformar o mundo. Comunicado, não apenas escrito, para um consumo de massa, vendendo uma visão de tempo livre, abundância e democracia ainda mais real do que os profetas do capitalismo ofereceram em 1939. Uma Disneyland socialista: inspiração para depois do “fim da História”.

Tradução: Roberto Brilhante


Fonte: Carta Maior

As raras máscaras do Barbosão



Os relatos são desencontrados, contraditórios até.
Alguns jornalões, como o Globo, juram que as máscaras de Joaquim Barbosa, o implacável, foram o maior sucesso do Carnaval - antes mesmo de a festa começar o jornal já apregoava o sucesso popular do ministro supremo. Barbosão, diziam as notícias, estaria presente em todo o Brasil, se não de corpo, pelo menos de alma - e de cara.
Quem viu ou participou do festejo, porém, diz que a coisa não foi bem assim. Segundo várias informações, Barbosão foi figurinha difícil de ser encontrada nos blocos de rua, esses que realmente medem a temperatura do Carnaval. Alguns afirmam que viram um ou outro folião com a tal máscara, quantidade insuficiente para transformá-lo no tal sucesso antecipado pelos responsáveis pela opinião publicada.
Seja como for, este não foi o Carnaval do Barbosão.
O ministro supremo, o terrível algoz e acusador dos petistas na AP 470, o homem que os jornalões pintaram como um implacável caçador de corruptos, como o moralizador da nação, presidenciável que cairia como uma luva no gosto da poderosa elite que não suporta o governo trabalhista, sequer foi visto, de corpo e alma, nesses camarotes de cervejarias que ficam lotados de "personalidades" nos tantos desfiles oficiais que abundam por este imenso país nesta época.
Sabe-se lá onde o Barbosão se meteu.
Desaparecido do Carnaval, ele fracassou no teste de popularidade que os jornalões haviam imposto, talvez como pré-condição para galgá-lo definitivamente à galeria dos presidenciáveis com chances reais de defenestrar a laia petista do Planalto.
Agora, é esperar para ver como o ministro supremo vai se comportar daqui para a frente, já que ele tem ainda um bom tempo na Presidência do STF, e a AP 470, apesar do que apregoam por aí, ainda não acabou.
É possível que a batalha jurídica se estenda até o próximo Carnaval.
E, dependendo de como se comportar o nosso Barbosão, ficará mais fácil desencalhar as milhares de máscaras suas que sobraram neste Carnaval.
Evoé, momo!!
!
cronicasdomotta

Número de prisões por Lei Seca cresce 261% no Carnaval

Policiais fazem blitz da lei seca na zona leste de São Paulo na noite de sábado.


Enquanto apenas treze condutores foram detidos no ano passado, esse número pulou para 47 no balanço deste ano

O número de motoristas presos por dirigirem sob efeito do álcool cresceu 261% durante a operação Carnaval 2013, segundo o balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Estadual.quanto apenas treze condutores foram detidos no ano passado, esse número pulou para 47 no balanço deste ano.

A quantidade de motoristas que se recusaram a fazer o teste de bafômetro aumentou 155% neste ano. Em 2012, 85 condutores foram autuados. Já neste Carnaval, 217 foram multados. Somando a quantidade de multas aplicadas durante esta operação feita pela PRE, o total de motoristas punidos por infração à Lei Seca irão pagar uma quantia no valor de pelo menos R$ 505 mil.

Mortes caem 

O balanço divulgado pela PRE também revelou uma queda no número de mortes causadas por acidentes registrados nas rodovias estaduais durante o Carnaval. No ano passado, nove pessoas morreram num total de 77 acidentes, que também deixaram 50 feridos. Em 2013, esses dados caíram para três pessoas mortas e 39 feridas num conjunto de 72 acidentes.

Os dados da Polícia Rodoviária Federal serão divulgados somente na manhã da próxima quinta-feira (14).

Valor mais alto

O Carnaval deste ano foi o primeiro com a nova Lei Seca em vigor, que alterou o valor da multa de R$ 957,65 para R$ 1.915,30 para motorista flagrado sob efeito de álcool ou drogas psicoativas.

Se o motorista reincidir na infração dentro do prazo de um ano, o valor será duplicado, chegando a R$ 3.830,60, além de determinar a suspensão do direito de dirigir por um ano.

Em caso de infração, o texto determina que a carteira de motorista e os documentos do veículo devem ser recolhidos pelas autoridades. O veículo também deve ser levado para o depósito dos departamentos de Trânsito.

Jangadeiro

China passa os EUA e é a maior potência comercial do planeta


A China tornou-se a primeira potência comercial do planeta em 2012, no que economistas consideram um momento histórico. Medido pela soma de exportações e importações de mercadorias, a potência asiática pela primeira vez superou os Estados Unidos, em nova mostra de seu persistente crescimento na economia mundial.


Por Assis Moreira

Os EUA totalizaram US$ 3,82 trilhões de exportações e importações. Já a China totalizou US$ 3,87 trilhões, segundo as últimas estatísticas divulgadas pelos dois países.

A China já era o maior exportador do mundo desde 2009. Agora surge como maior nação comerciante, mas ainda não é o maior importador global. Os EUA importaram US$ 2,2 trilhões de mercadorias, enquanto a nação asiática importou US$ 1,8 trilhão.

Na cena comercial em Genebra, em todo caso, mais importante é que os últimos dados das três maiores economias mostram uma retomada do crescimento.

A China e os EUA tiveram forte alta nas exportações. E a Alemanha teve seu segundo maior recorde de vendas externas em 60 anos, obtendo um saldo comercial de US$ 188 bilhões no ano passado.


Fonte: Valor Econômico via Portal Vermelho

Um papa sem encanto




A renúncia de Bento XVI contem lições interessantes.

Paulo Moreira Leite, ÉPOCA

“Empossado com um programa que pretendia reconduzir a Igreja para um mundo fechado nela mesma, voltada exclusivamente para debates de natureza espiritual, longe das questões que afligem os homens e mulheres do mundo, Bento XVI deixou o trono da Igreja em ambiente de decepção e melancolia.

Um de seus admiradores afirma que, embora tenha sido um grande teólogo, Bento XVI fracassou como Papa.

Não é de surpreender. Não tenho a menor condição de debater teologia. Mas, ateu desde a infância, tenho capacidade de examinar os Papas como aquilo que são – chefes políticos da Igreja. E é nesta função que o fracasso de Bento XVI contém elementos didáticos.

Embora o conservadorismo católico tenha produzido vários representantes ao longo da História da Igreja, Bento XVI não era apenas um Papa fora do tempo – era um Papa contra seu tempo.

Num mundo onde a cultura tornou-se plural, as sociedades se mostram complexas, os cidadãos se recusam a abrir mão de sua autonomia, seus direitos e opções de vida, a proposta de Bento XVI era uma forma de clausura política e cultural.

Ele se recusava a dar respostas consistentes para a vida das pessoas do século XXI, fosse em relação a vida em família, aos direitos das mulheres, às angustias dos mais pobres.

Alguém acha viável ter audiência junto às mulheres sem falar sobre aborto?
   
Ou conversar com a juventude sem falar da liberdade sexual?  

Ou procurar audiência junto às grandes populações do planeta sem responder à pobreza, à desigualdade?

Basta assistir a uma missa num bairro popular de São Paulo – recomendo a Achiropita, no Bixiga – para se entender o que estou dizendo. É fácil perceber quando os fiéis prestam atenção, quando se empolgam, quando ficam entediados. 

Este conservadorismo radical  de Bento XVI queria transformar o isolamento social da Igreja em virtude.

Antecessor de Bento XVI, João Paulo II era um Papa conservador, que deu início a uma política de combate à Teologia da Libertação e mesmo perseguição ao clero comprometido com os interesses dos mais pobres e oprimidos, como aconteceu em São Paulo, com dom Paulo Evaristo Arns – cardeal que esteve longe de liderar alguma fração esquerdista da Igreja, mas jamais abandonou valores como o respeito pelos direitos humanos e a democracia.

Mas João Paulo II nunca deixou de dar respostas – à sua maneira – às questões da vida concreta. Sua pregação tinha elementos democráticos, sua mensagem procurava responder ao sofrimento de homens e mulheres comuns – e por isso ele atraía multidões por onde passava. As viagens de Bento XVI jamais tiveram a mesma vibração nem a mesma acolhida, num sinal de que seu papado acentuou uma tendência histórica da Igreja.

No início dos anos 80, o francês Marcel Gauchet escreveu um clássico sobre as religiões, “O Desencantamento do Mundo”. Ele explica a decadência universal do catolicismo pelas mudanças na vida em sociedade.

Para Gauchet, o apogeu da religião ocorreu em épocas históricas em que as pessoas acreditavam que viviam num mundo encantado. Simplificando uma teoria muito mais complexa: homens e mulheres acreditavam viver num mundo em que a religião era uma forma de magia. Atribuíam aos céus suas alegrias e tristezas, sucessos e desgraças. Pensavam que a colheita era obra divina, tinham certeza de que havia uma vida após a morte – e atribuíam cada passo da existência à decisão de Deus. Acreditavam em milagres.
Naquele mundo de encantamento, temia-se o pecado como uma ação terrível – e a punição divina como um castigo material.

Na medida em que a sociedade de modificou, os meios de subsistência evoluíram, a educação e o conhecimento se ampliaram inclusive para as populações muito pobres,  muitas conquistas científicas se mostraram indispensáveis para o bem-estar de todos, era preciso falar a outros homens e mulheres, outras angústias e preocupações. João XXIII e, em certa medida, Paulo VI fizeram esforços neste sentido. Ao contrário do que sugeriam seus inimigos, a Teologia da Libertação e correntes semelhantes ajudaram a prolongar a audiência da Igreja. Deram-lhe uma audiência que as correntes conservadoras jamais teriam alcançado.

O projeto de Bento XVI era fazer o caminho de volta. Chegava a dizer que preferia uma Igreja menor e menos influente, mas composta por fiéis convictos e irredutíveis, do que uma comunidade ampla e pouco consistente.

Foi esta sua aposta política.

Um engano, que o crescimento das igrejas pentecostais demonstram pelo avesso: conseguem combinar a angustia material dos mais pobres com a promessa de milagres aqui e agora.
Falando a um mundo em que poucos creem, Bento XVI desencantou-se.”     

A RENÚNCIA DE BENTO XVI - MOTIVOS PARA MUITO ALÉM DE UM MARCA-PASSO

TEMPESTADE SOBRE O VATICANO


A renúncia do Papa Bento XVI tem por trás do motivo alegado: 'cansaço físico', outro tipo de cansaço, decorrente dos cada vez mais frequentes e difíceis de serem encobertos, incidentes que mostram a divisão entre os influentes cardeais que controlam o VATICANO e o descontrole sobre questões vitais como pedofilia, desvio de dinheiro, celibato e casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Vaticano conseguiu ocultar que Bento XVI passou por uma cirurgia cardíaca, dois episódios de Isquemia e é portador de um suposto problema de Próstata, mas, não dá mais para fingir que a igreja católica atravessa uma crise sem precedentes, da qual só sairá "INTEIRA" se for transparente e renovar suas práticas. 

Vaticano revela que Papa vive há anos com marca-passo

Brasília - Um dia após o anúncio da renúncia do papa Bento XVI, o Vaticano informou hoje (12) que o pontífice, de 85 anos, vive com um marca-passo há anos. A declaração foi feita pelo porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, que reiterou, entretanto, que o líder máximo da Igreja Católica não está com nenhuma doença grave.

Lombardi acrescentou que a última aparição pública de Bento XVI será em uma missa na Praça de São Pedro em 27 de fevereiro, um dia antes de ele deixar o posto no qual permaneceu durante os últimos sete anos. Segundo o porta-voz, o pontífice também não terá nenhum papel na administração da Igreja Católica após sua saída do cargo, nem terá influência formal na escolha do sucessor.

LEIA TAMBÉM:


Segundo reportagem publicada pelo jornal italiano Il Sole 24, o papa submeteu-se a uma cirurgia para substituir o marca-passo há três meses. O aparelho regula os batimentos cardíacos com estímulos elétricos.

Em sua coletiva no Vaticano, Lombardi confirmou que as baterias do aparelho foram trocadas na operação de rotina. "Isso não influenciou de qualquer maneira a decisão (sobre a renúncia). Simplesmente, ele constatou que sua vitalidade estava diminuindo com o avanço da idade", explicou Lombardi.

O irmão do pontífice, Georg Ratzinger, disse que o papa havia sido aconselhado por seu médico a não mais fazer viagens transatlânticas. Ele acrescentou que Bento XVI estava pensando em renunciar há meses.

"Quando ele chegou aos 85 anos, sentiu que sua idade estava pesando e que gradativamente estava perdendo suas habilidades, o que o impedia de executar as funções apropriadamente", afirmou Ratzinger à BBC, de sua casa em Regensburg, na Alemanha. Para o irmão do pontífice, a renúncia foi um "processo natural".

O Vaticano agora espera que um novo papa seja eleito antes da Páscoa. Lombardi ressaltou que Bento XVI "não interferirá, sob qualquer hipótese", na eleição do sucessor, que será escolhido por 117 cardeais durante um conclave realizado na Capela Sistina, dentro do Vaticano.

Analistas dizem que os candidatos europeus são favoritos na disputa papal, incluindo os arcebispos de Milão, o italiano Angelo Scola, e de Viena, Christoph Schönborn, ex-aluno de Bento XVI. Outros fortes candidatos podem emergir da África e da América Latina, onde o número de católicos é alto. Entre os possíveis nomes que substituiriam o atual pontífice estão o cardeal Peter Turkson, de Gana, o cardeal Francis Arinze, da Nigéria, e o cardeal-arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer.

Segundo Lombardi, o pontífice deve celebrar uma missa na Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma para os católicos. O último evento público do pontífice, porém, deve ser uma cerimônia na Praça de São Pedro no dia 27 de fevereiro, na qual ele deve se despedir dos fiéis.

Após essa celebração, de acordo com o Vaticano, Bento XVI irá à residência papal no vilarejo de Castel Gandolfo, perto de Roma, antes de partir rumo à clausura em um monastério reformado usado por freiras para um período de orações e reflexão.

"Ele permanecerá em Roma e certamente terá alguns deveres. Além disso, continuará a estudar de maneira a ascender intelectual e teologicamente", disse o irmão do papa à BBC. "Onde for preciso, ele estará disponível, mas não quer interferir nos assuntos de seu sucessor", acrescentou.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Se não está fácil para o papa…



Foto: ©AFP / Vincenzo Pinto
Matheus Pichonelli, CartaCapital

“Vamos combinar: não deve ser fácil ser papa hoje em dia. Quando foi escolhido para comandar a Santa Sé, em 2005, as ferramentas que mudariam os canais de interlocução entre o público e as autoridades eram ainda uma novidade. Havia internet, havia uma cobertura intensa do conclave, havia todo tipo de análise de todos os calibres sobre o futuro da Igreja Católica.

Quase oito anos depois, Bento 16, sem o carisma do antecessor João Paulo II, tinha nas costas não apenas a missão de estancar a hemorragia de fiéis num tempo de convicções seculares, mas também a de atrair um público jovem cada vez mais conectado, cada vez mais ativo, cada vez menos interessado em verdades inabaláveis. Não foi por outro motivo que o papa aderiu ao Twitter, um púlpito bem diferente daquele a que todos os antecessores, a começar por São Pedro apóstolo, haviam reinado.

Oficialmente, a renúncia de Joseph Ratzinger é explicada pela saúde debilitada. Há relatos sobre ordens médicas para que evitasse grandes deslocamentos para se poupar. Em livro de memórias, ele já havia manifestado o desejo de deixar o pontificado caso a saúde limitasse sua missão. É uma explicação plausível, dada a idade avançada do sumo pontífice (ele tem 85 anos). Mas há também de se levar em conta a discrepância entre a missão herdada e a capacidade de Bento 16 conduzi-la.

Os canais de interlocução que ora eram anunciados como pontes entre a Igreja e os novos tempos são as mesmas a expor as fraturas expostas de uma instituição combalida. Os inúmeros, incontáveis escândalos sexuais e outros desvios protagonizados por quem detém, supostamente, o monopólio da fé, da bondade e da caridade hoje não permanecem mais de dois minutos debaixo do tapete. As reações também.

O resultado é que, embora  conectados a ferramentas atualizadas de comunicação, o papa e sua Igreja seguiram com um velho discurso construído em dogmas e tabus pouco atualizados do século primeiro até aqui. Num mundo que pede igualdade de oportunidades, direitos e deveres, o papa discorria sobre os “perigos” do casamento gay e condenava os avanços que tornaram a humanidademelhor, mais humana e mais livre em relação a tempos remotos (como a camisinha, a pílula e o desapego às instituições familiares e patriarcais). Não que este anacronismo estivesse ausente em postulados recentes; é que, antes, as tecnologias não permitiam tal assimilação. Como o papa relutante de Nanni Moretti, que em seu Habemus Papam parecia ter previsto uma fábula sóbrio o vácuo de liderança do mundo atual, Bento 16 pode ter se dado conta de que sua posição não o tornou imune ao escrutínio humano. Num passado recente, a aura em torno de uma autoridade e seu circulo de asseclas eram barreira protetora diante das demandas e manifestações populares. O exercício de poder é um exercício, portanto, de autoilusão, até que alguém da rua grite que o rei está nu.

Hoje esta distância praticamente inexiste: os canais de interlocução criam reações automáticas, assustadoramente rápidas até para nativos digitais. Em outras palavras: aqui se paga o que se fala, o que se escreve. E nunca foi tão fácil descobrir o quanto um líder é amado ou odiado.

Se em algum momento o papa Bento 16 se perguntou “que rei sou eu”, a internet e outros canais não o deixaram sem respostas, estas que faltam na Bíblia e sobram nas ruas.”

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Enfim uma boa notícia... Papa Bento XVI renuncia

Papa Benedicto XVI anuncia su dimisión como Sumo Pontífice

Benedicto XVi se convierte en el primer papa que decide renunciar
"El Papa anunció que renunciará a su ministerio a las 20.00 horas locales (19.00 GMT) del 28 de febrero. Comenzará así un período de 'sede vacante'", precisó el padre Federico Lombardi, en un anuncio prácticamente sin precedentes en la iglesia Católica.
El papa Benedicto XVI anunció este lunes que tiene previsto renunciar como Sumo Pontífice el próximo 28 de febrero "por falta de fuerzas", durante un discurso pronunciado en latín en medio de una canonización en la Santa Sede de El Vaticano.
"El Papa anunció que renunciará a su ministerio a las 20.00 horas locales (19.00 GMT) del 28 de febrero. Comenzará así un período de 'sede vacante'", precisó el padre Federico Lombardi, en un anuncio prácticamente sin precedentes en la iglesia Católica.
El alemán Joseph Aloisius Ratzinger, de 85 años de edad, expresó que “siendo muy consciente de la seriedad de este acto, con plena libertad, declaro que renuncio al ministerio de Obispo de Roma, Sucesor de San Pedro, que me fue confiado por medio de los Cardenales el 19 de abril de 2005, de forma que, desde el 28 de febrero de 2013, a las 20.00 horas, la sede de Roma, la sede de San Pedro, quedará vacante”.
En ese sentido, Benedicto XVI recordó que para esa fecha “deberá ser convocado, por medio de quien tiene competencias, el cónclave para la elección del nuevo Sumo Pontífice”.
A continuación, el discurso íntegro pronunciado por el Papa, este lunes, al anunciar su dimisión:
"Queridísimos hermanos,
Os he convocado a este Consistorio, no sólo para las tres causas de canonización, sino también para comunicaros una decisión de gran importancia para la vida de la Iglesia.
Después de haber examinado ante Dios reiteradamente mi conciencia, he llegado a la certeza de que, por la edad avanzada, ya no tengo fuerzas para ejercer adecuadamente el ministerio petrino. Soy muy consciente de que este ministerio, por su naturaleza espiritual, debe ser llevado a cabo no únicamente con obras y palabras, sino también, y en no menor grado, sufriendo y rezando.
Sin embargo, en el mundo de hoy, sujeto a rápidas transformaciones y sacudido por cuestiones de gran relieve para la vida de la fe, para gobernar la barca de San Pedro y anunciar el Evangelio, es necesario también el vigor tanto del cuerpo como del espíritu, vigor que, en los últimos meses, ha disminuido en mí de tal forma que he de reconocer mi incapacidad para ejercer bien el ministerio que me fue encomendado.
Por esto, siendo muy consciente de la seriedad de este acto, con plena libertad, declaro que renuncio al ministerio de Obispo de Roma, Sucesor de San Pedro, que me fue confiado por medio de los Cardenales el 19 de abril de 2005, de forma que, desde el 28 de febrero de 2013, a las 20.00 horas, la sede de Roma, la sede de San Pedro, quedará vacante y deberá ser convocado, por medio de quien tiene competencias, el cónclave para la elección del nuevo Sumo Pontífice.
Queridísimos hermanos, os doy las gracias de corazón por todo el amor y el trabajo con que habéis llevado junto a mí el peso de mi ministerio, y pido perdón por todos mis defectos.
Ahora, confiamos la Iglesia al cuidado de su Sumo Pastor, Nuestro Señor Jesucristo, y suplicamos a María, su Santa Madre, que asista con su materna bondad a los Padres Cardenales al elegir el nuevo Sumo Pontífice. Por lo que a mi respecta, también en el futuro, quisiera servir de todo corazón a la Santa Iglesia de Dios con una vida dedicada a la plegaria.
Vaticano, 10 de febrero 2013".
No teleSUR

PT faz aniversário, programa festas e lança campanha por reforma política



"O Partido dos Trabalhadores (PT) comemora 33 anos de existência hoje (10) e organiza uma semana de eventos para lembrar a data. Destacam-se uma exposição multimídia instalada na Câmara dos Deputados, em Brasília, mostrando a trajetória do partido desde sua fundação, e uma comemoração no dia 20 de fevereiro, em São Paulo, para filiados e convidados, com presenças já confirmadas da presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. 

A festa marcará também os 10 anos de governo federal do PT.  ”Vamos celebrar as grandes conquistas, as mudanças no Brasil nos últimos dez anos, o fim da dependência ao FMI, o aumento do salário mínimo, o fim da miséria extrema, enfim, indicadores que mostram que nós temos hoje outro Brasil”, disse o presidente Rui Falcão, em vídeo divulgado para marcar a data.
As comemorações também levarão em conta o ano pré-eleitoral. A intenção do PT é renovar as direções da sigla nos estados neste Processo de Eleição Direta (PED). “A nossa meta é ter mais filiados votando, do que no último PED, quando estiveram 520 mil filiados”, afirmou Falcão.

Correndo em paralelo com o PED, o partido também organiza um congresso para atualização programática. Na reunião preparatória do evento, em Fortaleza, já será colocada em prática a coleta de assinaturas para uma emenda popular em defesa da reforma política eleitoral do Brasil."

Com informações do Sul-21 e do site www.pt.org.br

Assista o vídeo de Rui Falcão sobre os 33 anos do PT e agenda de comemorações



Por uma mídia que ouse ser ética



Mariana Martins, Observatório do Direito à Comunicação

“Mais uma vez o que me motiva a sair da inércia para escrever é a nossa mídia, aquela mesma de sempre, ávida pelo lucro e cheia de vaidades. A mídia não é um ser inanimado, ela é feita de pessoas. A mídia é feita, principalmente, de jornalistas que devem receber uma formação para saber, antes de tudo, o que é notícia e o que é espetacularização. Jornalistas que devem sempre optar pela notícia.

É uma pena que, em todas as tragédias, nós tenhamos péssimos exemplos da nossa imprensa. As coberturas são traumáticas. A grande maioria tenta logo de saída fazer das tragédias grandes espetáculos. Procuram por parentes, procuram por vítimas, procuram por testemunhas. Pessoas que, por tão intensamente envolvidas, podem não querer colocar mais uma vez o dedo na ferida. Pessoas que estão tendo que prestar depoimentos na polícia e assim por diante. (Esse tipo de fonte deve ser usada com muita cautela e parcimônia; eu diria que em doses homeopáticas. Nunca podem ser o foco da cobertura). Os jornalistas procuram também por fotos, imagens de qualquer tipo, mas que de preferência mostre desespero, mostre aflição e, na maioria das vezes, que mostrem corpos. Corpos estendidos no chão, amontoados, enfim, corpos. Cenas dos familiares recebendo as notícias, se despedindo dos entes, em momentos de profunda dor e de uma dor familiar, privada e não pública. E essas histórias se repetem a exaustão, por vários e intermináveis dias.

Convido todos os jornalistas, mas em especial os das emissoras e veículos públicos para pensar sobre a cobertura das tragédias. Estes últimos em destaque porque, por princípio, deve ousar e fazer diferente. Primeiramente, vou pedir para que vocês não pensem na audiência, o que pode ou não “trazer gente para matéria”. Não pensem em alavancar audiência para veículo A ou B, não vejam isso como tábuas de salvação para o “sucesso” de vocês.

Convido vocês a pensar então na notícia. Será que todas as imagens - sejam fotos, sejam vídeos na internet que vocês colocaram na matéria - têm, de fato, o propósito de contribuir com a informação? Já sei que você vai me responder que todo mundo clica no vídeo e na imagem, que todo mundo quer ver sim aquelas imagens. E eu vou refazer a pergunta destacando a ideia principal do questionamento que é: a imagem tem relevância para aquela informação que você está dando como notícia? É essa relação muito tênue do que você precisa dar com o que as pessoas “querem ver” que precisa ser repensada. É nela que reside a audiência como preciosidade e, muitas vezes, não é só o lucro em si que move esse interesse, é a audiência mesmo, é mostrar que está bem, é fazer sucesso. É dizer que bateu o site A, B ou C, é dizer que teve mais Ibope que o programa tal e o programa tal.”
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