sexta-feira, 12 de setembro de 2014

QUE LEI OU CATACLISMA INSTITUIU O CULTO AO DEUS MERCADO?


O Deus Mercado e a safadeza do rentismo

            Quem vive em imóvel alugado sabe do que estou falando: na hora de alugar um imóvel para morar, o candidato a locatário pena feito um miserável. Exigem comprovação negativa de débitos (te fazem pagar por certidões e ficha), bons antecedentes, avalista ou fiador, caução, o diabo a quatro. Por fim, você assina um contrato onde todas as normas só obrigam você a tudo, sob as estritas condições do locador – muitas vezes representado por algum advogado ou administrador de imóveis – e sob ameaça de pesadas multas e evicção por qualquer transgressão ou falha.

            A partir daí, você paga os reajustes anuais segundo índices apontados pelo locador, com a ressalva de que se houver índice mais alto ou periodicidade menor permitidas por lei durante a vigência do contrato, esses serão utilizados. Paga o IPTU – que é um imposto sobre propriedade e não sobre o uso – devendo por tal razão caber ao proprietário e não a você, paga seguro contra incêndio e taxa municipal de incêndio (idem), paga qualquer dano causado ao patrimônio do proprietário, mas se algo não estiver funcionando bem é um problema seu já que devia ter notado o problema quando alugou o imóvel.

            Mas o pior ainda está por vir: ao fim do prazo inicialmente previsto para a locação, em geral de 30 meses, o contrato se torna a prazo indeterminado e o valor pode ser repactuado (ou melhor, majorado ao sabor da conveniência e vontade do dono do imóvel ou de seu advogado), passando a ser reajustado aleatoriamente a cada ano. Puta sacanagem!

           Nessa hora, a do reajuste aleatório, te falam que o reajuste régio que você pagou ano a ano não acompanhou o ‘mercado’, e que pela avaliação deles de mercado, o aluguel do imóvel já está valendo muito mais. Você então contesta que também fez uma pesquisa e que descobriu que já está pagando o teto do mercado para aquele tipo de imóvel e local, mas respondem que não é bem assim e que a procura é imensa e o jeito é pagar ou sair.

          Quem faz o mercado somos nós, a cada ação individual. Se chutamos o preço de algo para cima ou aceitamos qualquer imposição, estamos ajudando a inflá-lo. Se um bem essencial (casa, moradia) é mercadoria sujeita a normas unilaterais de valor, a parte mais fraca (isto é, quem depende desse bem para morar) está perdida e esse desequilíbrio na relação não se ajusta só por leis mágicas mercadológicas.

          O rentista tem seu direito protegido pela Lei do Inquilinato e pelo Código Civil, mas o locador só tem duas alternativas: ou paga ou sai, podendo fazê-lo voluntariamente ou ser expulso – caso no qual poderá fazer pé mole e dificultar o despejo, hipótese na qual poderá ser condenado a pagar custas processuais e mais multas. A Lei do Inquilinato não protege o inquilino – deveria, portanto, chamar-se Lei do Senhorio: seria bem mais fiel à realidade.

Obs: o programa Minha Casa Minha Vida, lançado no governo Lula em 2009 e agora em sua segunda etapa, já entregou mais de 1,5 milhões de casas novas e já permitiu a outras 4,5 milhões de pessoas terem acesso definitivo a imóveis já construídos.
do: http://salafehrio.blogspot.com.br/2014/09/que-lei-ou-cataclisma-instituiu-o-culto.html

Quadro comparativo do Brasil de 2002 com o de 2013, em todas as áreas. Informe-se para votar consciente





Com este quadro você vai ter argumentos baseados em dados, com fontes seguras e oficiais (especificadas ao final), para conversar com amigos e familiares e assim conseguir fazer uma comparação entre os governos Lula e Dilma e os anteriores, que as candidaturas Marina e Aécio querem trazer de volta.

É isso que está em jogo: a continuidade do governo de mudanças Lula-Dilma ou a volta ao passado. Compare.


O BRASIL REAL - DE 2002 A 2013

Por Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira. Fonte: Pátria Latina


1. Produto Interno Bruto: 
2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões

2. PIB per capita:
2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil

3. Dívida líquida do setor público: 
2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB

4. Lucro do BNDES:
2002 – R$ 550 milhões
2013 – R$ 8,15 bilhões

5. Lucro do Banco do Brasil: 
2002 – R$ 2 bilhões
2013 – R$ 15,8 bilhões

6. Lucro da Caixa Econômica Federal:
2002 – R$ 1,1 bilhões
2013 – R$ 6,7 bilhões

7. Produção de veículos: 
2002 – 1,8 milhões
2013 – 3,7 milhões

8. Safra Agrícola: 
2002 – 97 milhões de toneladas
2013 – 188 milhões de toneladas

9. Investimento Estrangeiro Direto: 
2002 – 16,6 bilhões de dólares
2013 – 64 bilhões de dólares

10. Reservas Internacionais:
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares

11. Índice Bovespa: 
2002 – 11.268 pontos
2013 – 51.507 pontos

12. Empregos Gerados: 
Governo FHC – 627 mil/ano
Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano

13. Taxa de Desemprego: 
2002 – 12,2%
2013 – 5,4%

14. Valor de Mercado da Petrobras: 
2002 – R$ 15,5 bilhões
2014 – R$ 104,9 bilhões

15. Lucro médio da Petrobras: 
Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano

16. Falências Requeridas em Média/ano: 
Governo FHC – 25.587
Governos Lula e Dilma – 5.795

17. Salário Mínimo: 
2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)
2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)

18. Dívida Externa em Relação às Reservas:
2002 – 557%
2014 – 81%

19. Posição entre as Economias do Mundo:
2002 - 13ª
2014 - 7ª

20. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas

21. Salário Mínimo Convertido em Dólares:
2002 – 86,21
2014 – 305,00

22. Passagens Aéreas Vendidas:
2002 – 33 milhões
2013 – 100 milhões

23. Exportações:
2002 – 60,3 bilhões de dólares
2013 – 242 bilhões de dólares

24. Inflação Anual Média:
Governo FHC – 9,1%
Governos Lula e Dilma – 5,8%

25. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas

26. Taxa Selic:
2002 – 18,9%
2012 – 8,5%

27. FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário

28. Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas

29. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas

30. Capacidade Energética: 
2001 - 74.800 MW
2013 - 122.900 MW

31. Criação de 6.427 creches

32. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados

33. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50 milhões de beneficiados

34. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza

35. Criação de Universidades Federais: 
Governos Lula e Dilma - 18
Governo FHC - zero

36. Criação de Escolas Técnicas:
Governos Lula e Dilma - 214
Governo FHC - 11
De 1500 até 1994 - 140

37. Desigualdade Social: 
Governo FHC - Queda de 2,2%
Governo PT - Queda de 11,4%

38. Produtividade: 
Governo FHC - Aumento de 0,3%
Governos Lula e Dilma - Aumento de 13,2%

39. Taxa de Pobreza:
2002 - 34%
2012 - 15%

40. Taxa de Extrema Pobreza:
2003 - 15%
2012 - 5,2%

41. Índice de Desenvolvimento Humano:
2000 - 0,669
2005 - 0,699
2012 - 0,730

42. Mortalidade Infantil:
2002 - 25,3 em 1000 nascidos vivos
2012 - 12,9 em 1000 nascidos vivos

43. Gastos Públicos em Saúde:
2002 - R$ 28 bilhões
2013 - R$ 106 bilhões

44. Gastos Públicos em Educação:
2002 - R$ 17 bilhões
2013 - R$ 94 bilhões

45. Estudantes no Ensino Superior: 
2003 - 583.800
2012 - 1.087.400

46. Risco Brasil (IPEA):
2002 - 1.446
2013 - 224

47. Operações da Polícia Federal:
Governo FHC - 48
Governo PT - 1.273 (15 mil presos)

48. Varas da Justiça Federal:
2003 - 100
2010 - 513

49. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)

50. 42 milhões de pessoas saíram da miséria

FONTES:
47/48 - http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas
39/40 - http://www.washingtonpost.com
42 - OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU
37 - índice de GINI: www.ipeadata.gov.br
45 - Ministério da Educação
13 - IBGE
26 - Banco Mundial

Campanha contra a maconha vira piada na web


Campanha contra a maconha vira piada na web (Reprodução)
 Do adNEWS

"No dia 6 de setembro, a página Brasil Sem Drogas lançou uma campanha, com o apoio da ONG Movida (Movimento Pela Vida e Não Violência), contra a legalização da maconha.  As peças da ação criaram certa polêmica nas redes sociais, principalmente no Twitter.

"Você teria coragem de ser operado por um médico que acabou de fumar um baseado?", diz uma das peças. "Você entraria num avião cujo piloto acabou de fumar um bagulho?", questiona outra.

Internautas utilizaram o microblog para ironizar a iniciativa.


Confira algumas postagens:

As peças originais



As reações


Você teria coragem de ser operado por um médico do sindicato dos médicos do Ceará?

  João @JNMiranda_ 
vc teria coragem de atendido por um médico q se veste assim?
  Camila Ribas @ribas_camila 
Você teria coragem de ser atendido por um médico bêbado?

Nós e nosso eterno delírio da perfeição


Ilustração: Mary Jane Ansell
André J. Gomes,Revista Bula  

'Ela veio de longe. Chegou caminhando firme, segura, decidida. Trazia em sua bagagem os mistérios do céu e da terra, os códigos secretos, os novos mandamentos, as fórmulas dos alquimistas reveladas. E os entregaria à primeira pessoa que se mostrasse capaz de pequenos gestos de grandeza, demonstrações simples de cuidado com o outro, meras amostras de humanidade e ternura.

Era um anjo em forma de moça, enviado das altas esferas ao seio do nosso convívio terreno. Sua missão era muito simples. Polvilhar de poesia divina o nosso bolo humano crescido nas obrigações diárias, confeitado sem grandes cuidados por mãos grossas de pressa e desilusão, como em velhas e empoeiradas padarias de rodoviária.

Andando no contrafluxo de uma larga e movimentada calçada, ela desviava aqui e ali de apressados pedestres, enquanto observava a correria competitiva dos carros nas ruas, as ultrapassagens raivosas, as buzinas ofensivas, os gestos obscenos, as guimbas de cigarro e garrafas de plástico vazias que os motoristas lançavam fora pela janela sem tirar os olhos do tráfego, os avanços sob o sinal vermelho e outras desobediências públicas.

De repente, alguém na faixa da direita pisa de leve no freio e permite que o veículode um desconhecido tome a sua frente. O anjo reconhece ali um pequeno milagre, obra de alguém tomado por um sentimento bom, e sai voando invisível até a sua companhia.

Era um homem comum. O anjo se senta a seu lado e o observa. Dali em diante, a moça que veio do céu acompanharia seus passos, assistiria silenciosa e despercebida a todas as suas ações. E se realmente constatasse estar diante de uma pessoa boa, daria a ele com absoluta legitimidade um presente divino: todo o conhecimento que ela trazia sob suas asas.

Ao homem comum seria atribuída a missão de distribuir aos outros o que o anjo lhe ensinasse, ajudando assim, aos goles, a hidratar um mundo ressequido pela maldade de toda sorte. Ele, o sujeito capaz de permitir uma simples ultrapassagem no trânsito embrutecido, foi escolhido por um anjo sensível, que entre nós decidiu adotar a forma de uma mulher, para nos salvar da burrice, da crueldade e da idiotia.

Cada instante caminhando ao lado do homem enchia o anjo de nova esperança. O escolhido era a gentileza em pessoa. Conversava francamente com todos sem distinção de sexo, cor, escolaridade, conta bancária, gosto musical. Aceitava com humor as provocações de seus colegas torcedores do time adversário.  Fazia seu trabalho diário com empenho e honestidade.

Mirava sorrindo, cheio de amor, a foto de sua família sobre a mesa, ao lado do chiclete, da garrafa d´água, da chave do carro.

No caminho para o almoço com a turma do escritório, dava esmolas a quem lhe pedisse, e na volta à lida fazia dois telefonemas: o primeiro para casa, a fim de falar com os dois filhos adolescentes, saber se tudo ia bem, lembrar da comida do cachorro, cobrar-lhes o dever da escola, e o segundo para o trabalho da mulher, que nem sempre o atendia, executiva atarefada que era.

O anjo passou sete dias espreitando o homem em toda a sua boa vontade.

Acompanhou com método e cuidado sua volta do trabalho, o jeito amoroso de beijar a mulher e os filhos, a verdade de sua festa diária com o cachorro. Assistiu, agitando as asas de encantamento, a sete jantares de sua família. Eles comiam juntos, à mesa, todas as noites, mais ou menos à mesma hora. O pai, a mãe e os dois filhos meninos.

Com um pouco de imaginação, ao anjo era possível até perceber no olhar manso daquelas pessoas um feitio de oração. Um agradecimento silencioso pelo pão e a carne, o suco da mãe e do pai, o guaraná das crianças, a ração do animal. Eles deixavam a mesa antes da novela e seguiam juntos até a frente da TV, onde ficavam até o fim do capítulo. Depois rumavam cada um a seu canto da casa, a seus afazeres de família boa. Os meninos jogavam videogame no quarto, o pai e a mãe faziam contas, pagavam boletos, liam qualquer coisa, falavam amenidades até a hora em que a vida mergulhava no silêncio da noite e do sono tranquilo, à espera do dia seguinte e do tudo outra vez.

Ao fim do sétimo dia, o anjo assumiu novamente sua forma de mulher jovem, bonita, disposta. Tomou suas anotações da semana e parou em frente ao portão do escolhido. Era domingo de manhã, hora de revelar a ele alguns segredos especiais do universo e esperá-lo fazer o bom uso de sempre, distribuindo amor e bons modos a quem encontrasse.

O anjo ficou ali, no portão, orgulhosa de sua escolha, ouvindo a família acordar animada para a vida que recomeça no primeiro dia da semana. Escutou seus sons de animação em torneiras que abrem e fecham, televisões trocando de canal, cadeiras arrastando, louça batendo na pia, risos altos, francos latidos.

Ela respirou fundo um perfume de pão e café uma última vez e tocou a campainha. Um toque só. Gentil e direto como convém a um anjo. Nada.

Então ela tocou de novo. A casa ficou muda de repente.

O homem bom saiu na janela da sala e olhou desconfiado a moça que ali estava. Ela sorriu o céu azul e falou a ele com a calma da brisa mais suave:

— Bom dia! Posso falar com você um instante?

Silêncio. Insegurança. Estranhamento. E uma resposta seca como a terra sem água.

— Falar comigo? Sobre o quê?
— Eu tenho umas coisas importantes pra dizer a você.
— Que coisas? Da parte de quem?
— Se você me deixar entrar, eu explico melhor.
— Hoje, não. Obrigado.

Sem fechar a janela, o homem voltou a seus afazeres de domingo. Do portão, o anjo ouviu a mulher perguntar ao marido na sala:

— Quem era?

E ele respondeu direto, com a verdade impensada dos homens:

— Testemunha de Jeová."

Uma imprensa sem jornalismo



Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa

"Já se disse neste Observatório que não existe mais uma relação orgânica entre imprensa e jornalismo no Brasil. Alguns comentaristas que se manifestam sobre os temas propostos pelo observador neste espaço, entre eles acadêmicos portadores de currículos respeitáveis, consideram exagerada, ou no mínimo controversa essa afirmação. Mas a ruptura entre a mídia tradicional, como instituição, e o jornalismo, como atividade socialmente relevante no equilíbrio entre as forças que atuam no espaço público, fica mais evidente conforme se intensifica a disputa eleitoral. É neste período que os principais protagonistas da instituição conhecida como imprensa extrapolam de suas funções mais nobres para atuar como agentes de propaganda a serviço de determinada pauta política.

Como na frase de um antigo assessor do ex-presidente americano Bill Clinton, trata-se, como sempre, da economia: por trás de toda controvérsia abrigada pelos jornais, pode-se notar a linha d’água da questão crucial que ainda divide o mundo das ideias, grosseiramente, entre esquerda e direita. Trata-se de um embate mais próximo do pensamento religioso do que da racionalidade.
Acontece que essa matriz dicotômica não dá conta de iluminar as questões da complexa realidade contemporânea. Assim como as planilhas de uma pesquisa de opinião, por mais extensas e detalhadas que sejam, não conseguem abarcar as sutilezas que demarcam as variáveis individuais, a informação mediada passa longe de retratar a diversidade de interpretações possíveis para cada evento.

A origem dessa complexidade é facilmente identificável: quanto maior o protagonismo dos indivíduos, estimulado pela cultura de massas e facilitado pelas tecnologias de informação e comunicação, maior o peso das individualidades sobre o coletivo.

Tomemos, por exemplo, o caso da Petrobras, que frequenta o noticiário a bordo de uma sucessão de notícias sobre desvios de recursos, fraudes e supostos erros de gestão. Não há como escapar ao fato de que toda a celeuma em torno da estatal brasileira de petróleo tem como núcleo a divergência central grosseiramente delimitada entre direita e esquerda. Isolada a questão da corrupção, fenômeno histórico, o que alimenta o debate é a divergência ideológica.

A ruptura

Desde os comentários em programas noticiosos do rádio e da televisão até os artigos de economistas e jornalistas especializados, passando pelos editoriais que procuram conduzir a opinião do leitor para determinado viés, todas as manifestações credenciadas pela imprensa brasileira sobre a Petrobras carregam uma alta dose de aversão ao controle da estatal pelo... Estado.

Paralelamente ao noticiário – necessário e coerente com o papel da imprensa - sobre erros, fraudes, crimes e outros desvios na gestão da empresa, o que se critica, realmente, é a estratégia de gestão. Dizem comentaristas da mídia tradicional que o governo atual prejudica a Petrobras ao definir uma estratégia que a coloca como um dos instrumentos da política econômica.

Ora, se a aliança política que governa o país foi eleita há doze anos para conduzir um projeto de governo que se propõe a reduzir as diferenças de renda, ainda que eventualmente contrariando a doutrina do livre mercado, e o eleitorado tem renovado seus mandatos, não há como questionar a legitimidade de suas ações quando elas são coerentes com o compromisso anunciado.

A Petrobras, assim como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e todos os ativos do Estado são instrumentalizados para a realização desse propósito. Essa escolha permitiu, há cinco anos, que o governo utilizasse os bancos oficiais para manter a oferta de crédito, quando a crise surgida no sistema financeiro dos Estados Unidos quebrou a capacidade dos bancos privados de financiar atividades econômicas essenciais.

Sob essa estratégia, a Petrobras não apenas reduz a dependência nacional de insumos fundamentais para o dia a dia do país – também atua como fator de moderação de preços. Submetida aos caprichos do mercado, ela serviria apenas aos investidores da bolsa de ações e títulos – que, aliás, durante os anos anteriores se valeram de muita manipulação para fazer lucros da noite para o dia.

Essa é apenas uma das muitas complexidades que a mídia tradicional não penetra, nas intervenções diárias que protagoniza no debate eleitoral.
Por quê? Porque não existe mais a relação orgânica entre imprensa e jornalismo no Brasil."

CAIU A CASA DA VEJA - MAIS UMA VEZ OS FATOS DESMENTEM A REVISTECA


Comissão conclui que não houve vazamento de informação privilegiada na CPI da Petrobras
Da Redação - 12/09/2014

A comissão de sindicância instaurada no Senado para apurar denúncias de conduta inadequada de servidores no âmbito da CPI da Petrobras concluiu pelo arquivamento do processo. Os membros da comissão entenderam que "não houve qualquer indício de vazamento de informações privilegiadas, de documentos internos da CPI ou de minutas de questionamentos que seriam formulados aos depoentes".

A sindicância foi pedida pelo presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), e determinada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, depois que a revista Veja sugeriu a existência de um esquema de combinação prévia de perguntas com pessoas chamadas a depor à comissão.

Veja a íntegra da nota:

"A Diretoria-Geral do Senado Federal recebeu, na tarde desta quinta-feira (11), o relatório da comissão de sindicância instaurada para investigar a denúncia publicada na imprensa quanto ao suposto vazamento de informações, em especial de perguntas, entre assessores parlamentares do Senado e a assessoria da Petrobras no âmbito da CPI da Petrobras.

A comissão de sindicância funcionou por 37 dias, tomou 14 depoimentos, investigou as caixas-postais de correio eletrônico dos envolvidos, verificou o controle de acesso aos arquivos eletrônicos confidenciais, examinou os documentos utilizados como subsídio das reuniões da CPI e analisou os vídeos dos depoimentos, por diferentes câmeras, bem como o vídeo que originalmente fundamentou a denúncia.

Ao término das investigações, a comissão, composta por servidores com notável formação acadêmica e experiência profissional, contando com um doutor em Direito Penal, um mestre em Direito Processual e um especialista em Direito Constitucional, concluiu que não houve qualquer indício de vazamento de informações privilegiadas, de documentos internos da CPI ou de minutas de questionamentos que seriam formulados aos depoentes e manifestou-se pelo arquivamento do processo."

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
sugado do: http://007bondeblog.blogspot.com.br/2014/09/caiu-casa-da-veja-mais-uma-vez-os-fatos.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/NIKX+(007BONDeblog)

Candidata apoiada pela CIA disputa eleição presidencial no Brasil



Eleições no Brasil: Marina Silva e a CIA-EUA é “caso” antigo
12/9/2014, [*]  Nil NikandrovStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Marina Silva é atual candidata do Partido Socialista à presidência do Brasil. Em meados dos anos 1980s, ela já atraíra a atenção da CIA, quando frequentava a Universidade do Acre. Naquele momento, estudava marxismo e tornara-se membro do Partido Comunista Revolucionário, clandestino. Durou pouco aquele “compromisso”: ela rapidamente se transferiu para a “proteção do meio ambiente’ na Região Amazônica. Os serviços especiais dos EUA sempre tiveram interesse muito especial naquela parte do continente, na esperança de construírem meios para controlar a área no caso de emergência geopolítica.

CIA fez contato com Marina Silva. Não por acaso, em 1985 ela alistou-se no Partido dos Trabalhadores (PT), o que lhe abriu novas possibilidades de crescimento político.

Em 1994, Marina Silva foi eleita para o senado brasileiro, com fama de ativista apaixonada a favor da proteção ao meio ambiente. Foi quando começaram a circular informações sobre laços entre Marina Silva e a CIA. Em 1996, ela recebeu o Goldman Environmental Prize. [1]E recebeu inúmeras outras importantes condecorações: é praxe, quando se trata de “candidatos” que a CIA tem interesse em promover, que o “candidato” seja coberto de medalhas e condecorações.

Marina Silva serviu como Ministra do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até que, interessada em”‘voos mais altos” e, preterida, ela abandonou o Partido dos Trabalhadores e mudou-se para o Partido Verde, de início dedicada a protestar contra políticas ambientais apoiadas pelo PT. Foi realmente um choque, na política brasileira, que a ex-ministra tenha mudado tão completamente de lado, depois de quase 30 anos de atividade a favor do Partido dos Trabalhadores.

Nas eleições de 2010, a candidata da CIA obteve quase 20 milhões de votos, como candidata do Partido Verde; na sequência, para as eleições de 2014, aceitou lugar na chapa de Campos, como vice-presidenta, quando fracassaram seus esforços para criar seu “não partido”, mas “rede”, chamada “Sustentabilidade”. Dilma Rousseff, candidata do PT contra a qual se alinhavam já em 2010 todas as demais candidaturas, trazia planos para dar continuação às políticas independentes do presidente Lula. Nada disso interessava a Washington em 2010, como tampouco interessa hoje, em 2014.

Daquele momento até hoje, as relações entre Brasil e EUA só fizeram piorar, resultado do escândalo da espionagem & escutas clandestinas. A Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou a presidenta Dilma Rousseff e membros de seu gabinete. A presidenta brasileira chegou a cancelar visita oficial que faria aos EUA, como sinal de protesto. Os EUA jamais apresentaram pedido de desculpas ou comprometeram-se a pôr fim às atividades de espionagem. A presidenta Dilma, então, agiu: denunciou as atividades da Agência de Segurança Nacional e da CIA dos EUA na América Latina e tomou medidas para aumentar a segurança nas comunicações e controle sobre representantes dos EUA ativos no Brasil. Obama não gostou.

As eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para 5 de outubro de 2014. E Washington está decidida a fazer de Dilma Rousseff presidenta de mandato único. Não há dúvida alguma de que os serviços especiais já iniciaram campanha para livrar-se da atual governante brasileira. Começaram a agir com movimentos de protesto ditos “espontâneos”, que encheram algumas ruas e foram amplamente “repercutidos” na imprensa-empresa, nos quais os “manifestantes” pedem mudanças (aparentemente, qualquer uma, desde que implique “mudança de regime”) e o fim das “velhas políticas” [de fato, nenhuma política é ou algum dia será “mais velha” que o golpismo orquestrado pela CIA no Brasil e em toda a América Latina (NTs)]. Ouviram-se grupos de jovens em protestos contra a propaganda e os símbolos dos partidos políticos, especialmente do PT.

Não se sabe até hoje de onde surgiram os recursos com os quais Marina Silva começou a organizar sua “rede” Sustentabilidade. A nova “organização” visava a substituir os partidos tradicionais, que a candidata declarou “velhos”. Tendo obtido 19 milhões de votos, o que lhe valeu o 3º lugar nas eleições passadas, ela contudo não conseguiu cumprir todas as exigências legais para criar oficialmente sua nova “rede”. Até que a tragédia que matou Eduardo Campos e seis outras pessoas, perto de São Paulo, mês passado, deu a Marina Silva uma surpreendente segunda chance para tentar chegar à presidência do Brasil. Para conseguir ser a primeira mulher mestiça a chegar à presidência do Brasil, terá de derrotar a primeira mulher que chegou lá antes dela, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, PT; além o candidato Aécio Neves do PSDB, partido pró-business, que hoje amarga um 3º lugar nas pesquisas. A Casa Branca tem-se sentido frustrada.

Dia 13 de agosto de 2014, a campanha eleitoral presidencial no Brasil foi lançada em área de incerteza, quando um jato que conduzia o candidato do partido socialista, Eduardo Campos, tombou sobre bairro residencial de Santos, próximo de São Paulo. Morreram o candidato e seis outras pessoas, passageiros e da tripulação, no acidente que pode ter acontecido por causa do mau tempo, quando o Cessna preparava-se para pousar. As mortes geraram uma onda de comoção nacional, que provavelmente evoluirá para especulações sobre o efeito que terão nas eleições do próximo 5 de outubro de 2014. A presidenta Rousseff declarou três dias de luto oficial por Campos, ex-ministro do governo do presidente Lula. A aeronave passara por manutenção técnica regular e nenhum problema foi detectado. De estranho, só, que o gravador de vozes da cabine do avião não estava operando, o que gerou suspeitas. O gravador operara normalmente e gravara várias conversações na cabine, mas nada gravou no dia da tragédia. O avião já passara por vários proprietários (empresários norte-americanos e brasileiros, representantes de empresas de reputação duvidosa), antes de chegar à campanha dos candidatos Eduardo Campos e Marina Silva. 

Para alguns comentaristas brasileiros e dos EUA, há forte probabilidade de que tenha havido um atentado, que resultou no assassinato de Eduardo Campos. Antes da tragédia, o avião foi usado pela agência antidrogas dos EUA, Drug Enforcement Administration (DEA). Enviados de antigos proprietários do avião tiveram acesso ao local do acidente, sob os mais diferentes pretextos. Difícil não conjecturar se teria havido agentes dos EUA por trás da tragédia. Mas ainda não se sabe exatamente sequer o que aconteceu. Saber quem fez, se algo foi feito,  demorará ainda mais.

O avião decolou do Rio de Janeiro, onde opera uma estação da CIA, em território do consulado dos EUA. Não há dúvidas de que aquele escritório é usado pela Agência. Talvez os serviços especiais do Brasil devessem dar atenção especial a personagens que rapidamente deixaram o país, imediatamente depois da tragédia em Santos. A morte de Eduardo Campos teve efeito instantâneo sobre a candidatura do Partido Socialista: Eduardo Campos jamais passara dos 9-10% de preferência nas pesquisas, mas Marina Silva rapidamente surgiu com 34-35%, na votação em primeiro turno. Agora, se prevê que a eleição seja levada para o segundo turno.

O principal problema de Marina Silva é que é sempre difícil entender quais seriam suas reais intenções e projetos. É uma espécie de “imprecisão” que se observa constantemente no discurso de candidatos promovidos pelos EUA. Marina Silva  mudou de lado, sempre muito dramaticamente, inúmeras vezes. Ao unir-se a Eduardo Campos, por exemplo, a candidata várias vezes se manifestou a favor de manter bem longe do Brasil as ideias de Chavez (Hugo Chavez – falecido presidente da Venezuela, conhecido pelas convicções socialistas e políticas de esquerda). Mas ela serviu ao governo do presidente Lula, conhecido e muito respeitado defensor do chavismo. (...)
De fato, ao tempo em que a campanha avança e as eleições aproximam-se, Marina Silva vai-se tornando cada vez mais neoliberal. Já disse que não vê sentido em fazer dos BRICS um centro de poder multipolar, nem em apressar a implementação de medidas já decididas dentro do bloco, como criar um banco de desenvolvimento, um fundo de reserva, etc. Já manifestou “dúvidas” sobre o Conselho Sul-Americano de Defesa, e diz, em discussões com assessores íntimos, que quer dar menos atenção ao MERCOSUL e à UNASUL (União das Nações Sul-Americanas, união intergovernamental em que se integram duas uniões aduaneiras, o MERCOSUL e a Comunidade de Nações Andinas, como parte do processo de integração sul-americana). Para Marina Silva, mais importante é desenvolver relações bilaterais com os EUA.

Fato é que os brasileiros estão já habituados a quase 20 anos de progresso social no país, com os governos do presidente Lula e da presidenta Rousseff. A população é ouvida, as reformas acontecem, o que foi prometido está sendo construído, o Brasil vive tempos de estabilidade e de avanços.

Se Marina Silva chegar à presidência (George Soros, magnata norte-americano, investidor e filantropo, tem alimentado a campanha dela com quantidade significativa de fundos), deve-se contar com o fim de vários programas sociais e políticos, o que pode vir a gerar grave descontentamento popular. Há quem diga que os escritórios dos EUA no Brasil estão repletos de agentes dos serviços especiais, encarregados de “gerar” “protestos” naquele país.
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Nota dos tradutores:
[1] Conheça o “Goldman Environmental Prize”; além de Marina Silva, outro brasileiro recebeu esse prêmio, um “Carlos Alberto Ricardo”, fundador da ONG “Instituto Socioambiental”, em 1992.
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[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas. Especializou-se em desmascarar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.
vi no: http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/09/candidata-apoiada-pela-cia-disputa.html

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Brasil cria 101,4 mil novos empregos em agosto. Que crise?


País gerou 101.425 postos de trabalho com carteira assinada no mês passado; destaque ficou para o setor de serviços, que criou 71,3 mil vagas no período, seguido por comércio, responsável por 40,6 mil empregos; de janeiro a agosto, o número de empregos formais criados no País foi de 751,5 mil; dados foram divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho e Emprego e fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregado); emprego é uma das principais armas da campanha da presidente Dilma, que vem alertando sobre o risco de redução na criação de vagas com a proposta de autonomia do Banco Central.
País gerou 101.425 postos de trabalho com carteira assinada no mês passado; destaque ficou para o setor de serviços, que criou 71,3 mil vagas no período, seguido por comércio, responsável por 40,6 mil empregos; de janeiro a agosto, o número de empregos formais criados no País foi de 751,5 mil; dados foram divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho e Emprego e fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregado); emprego é uma das principais armas da campanha da presidente Dilma, que vem alertando sobre o risco de redução na criação de vagas com a proposta de autonomia do Banco Central.
O Brasil criou em agosto 101.425 vagas formais de emprego, anunciou o Ministério do Trabalho e Emprego na tarde desta quinta-feira 11. De janeiro a agosto, o número de empregos formais foi de 751,5 mil.
O destaque ficou para o setor de serviços, que criou 71,3 mil postos de trabalho no período. O setor de comércio, responsável por 40,6 mil empregos com carteira assinada no mês, ficou em segundo lugar.
Os dados fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregado) e foram divulgados na tarde desta quinta-feira 11 pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Em julho, haviam sido criados 11.796 postos com carteira assinada, sem ajustes. O resultado de agosto é 21,5% inferior ao do mesmo período do ano passado, quando o país criou 127,6 mil postos de trabalho.
Emprego é uma das principais armas da campanha da presidente Dilma, que vem alertando sobre o risco de redução na criação de vagas com a proposta de autonomia do Banco Central.

Saúde pública no estado de São Paulo segue na mira de interesses particulares


Pacientes aguardam atendimento em corredor do Hospital das Clínicas, em São Paulo
"Na unidade mais rica da federação, aids e mortalidade infantil são alguns dos sintomas de falta de investimentos e privatização da gestão, que agora ameaça hospital-escola, outrora referência

Cida de Oliveira e Sarah Fernandes, da RBA 

Uma nova luz amarela se acendeu na saúde pública de São Paulo, marcada por diversas tentativas de privatização dos serviços básicos ao longo de duas décadas de administração do PSDB. Depois de quase 20 anos sem entrar em greve, médicos e funcionários do Hospital Universitário (HU) da USP paralisaram suas atividades em 18 de junho contra problemas na estrutura física, ambulatórios inadequados e superlotação. O movimento se juntou ao de trabalhadores, professores e estudantes da universidade, parados desde 27 de maio devido à proposta de reajuste zero do reitor Marco Antonio Zago, que argumenta não ter dinheiro para reajustar os salários.

Criado para formar médicos na graduação e na residência, o HU absorveu o atendimento relativo ao ensino das áreas básicas do curso de medicina da USP, antes mantido pelo Hospital das Clínicas, que ficou com a especialização médica. De hospital-escola, foi transformado em mais um hospital sobrecarregado.

Além de toda a comunidade universitária, atende à população do subdistrito do Butantã, estimada em 500 mil habitantes. Hospital de referência da região oeste da capital paulista, só em 2013 prestou 282 mil atendimentos de emergência e 13 mil internações. A cada mês foram feitas ali 12 mil consultas ambulatoriais, 400 cirurgias, 3.543 partos, 140 mil exames de imagem e 965 mil exames laboratoriais. Para tudo isso, recebe 8% da verba destinada à USP, embora em 2013 tenha recebido 7,9%.

Em meio à chamada crise orçamentária, em agosto, o Conselho Universitário da USP (CO) aprovou, na surdina, a desvinculação do HU, transferindo-o para a Secretaria Estadual de Saúde. A proposta desagradou toda a comunidade.

Conforme posicionamento oficial, a Associação dos Médicos Residentes da USP (Amerusp) entende que a ideia impõe o risco de sucateamento já observado em outros hospitais universitários, além de excluí-lo do contexto acadêmico. Por isso, pediu que o Conselho Universitário refletisse mais antes de qualquer decisão. Para a Associação dos Docentes (Adusp), a história precisa ser melhor contada.

Em debate na Faculdade de Medicina, no final de agosto, o presidente da Adusp, Ciro Correia, conjecturou que a economia será muito pequena com a transferência, já que os funcionários continuarão vinculados à universidade. O orçamento do HU gira em torno de R$ 370 milhões, dos quais R$ 270 milhões para a folha de pagamento. “Tem que haver algo que não está explicitado nessa proposta e talvez seja isso, não poder explicitar o que está atrás, que faz com que ela tenha que ser aprovada a toque de caixa, de qualquer jeito, porque se for discutir direito talvez apareça a verdadeira razão”, sugeriu.

O que pesa entre a comunidade é a desconfiança – e o temor – de um intuito privatizante na proposta, com a incorporação da gestão por fundações de apoio ou OSs, como tem sido comum nos hospitais estaduais. A forte pressão levou o Conselho Universitário a adiar a decisão.

Insistência

Traço marcante do governo tucano de São Paulo, encabeçado por Geraldo Alckmin (PSDB), a gestão de hospitais e serviços de saúde pelas Organizações Sociais (OSs) é criticada porque não tem melhorado a qualidade da saúde oferecida à população e está envolva em suspeitas e escândalos.

No começo de julho, a Justiça paulista suspendeu o contrato de administração do hospital para dependentes químicos, na região da cracolândia, na capital, que seria gerido pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), uma das mais envolvidas em suspeitas, que é comandada pelo psiquiatra Ronaldo Laranjeira. A entidade já teria recebido R$ 7 milhões do estado.

O juiz Valentino Aparecido de Andrade entendeu que o governo feriu o "princípio da impessoalidade" na administração pública, uma vez que Laranjeira coordena o programa estadual Recomeço, voltado a dependentes de crack, e presidiria o conselho administrativo do hospital.

TJ negou decreto assinado por Alckmin que destinava 25% dos leitos de hospitais públicos para planos de saúde
Em dezembro passado, o núcleo Sorocaba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, indiciou 61 pessoas envolvidas em irregularidades praticadas pelo Sistema de Assistência Social e Saúde (SAS) e pelo Instituto SAS na gestão do  hospital estadual de Itapetininga, a 170 quilômetros da capital. O esquema teria desviado R$ 7,5 milhões apenas no Hospital Regional de Itapetininga, conforme os promotores.

A quadrilha se apropriava de recursos públicos destinados à área da saúde a partir da ação de lobistas, ao financiamento de campanhas de agentes políticos e ao pagamento de propina a funcionários públicos para direcionar contratos fraudulentos ao SAS.

O dinheiro seria desviado para os integrantes da quadrilha por meio de pagamento de notas fiscais “frias” ou superfaturadas, emitidas contra o SAS por empresas, na maioria das vezes registradas em nome dos integrantes do bando ou de seus parentes.

Em 2012, as unidades de saúde administradas diretamente pelo próprio estado receberam recursos da ordem de R$ 5,1 bilhões, e as OSs, de R$ 4,6 bilhões. O que chama a atenção é que entre 2008 e 2012 os recursos repassados a essas entidades aumentaram 268%, conforme aponta o deputado Gerson Bittencourt (PT), que analisou relatórios dessas entidades, a maioria deles com informações incompletas e sem comprovantes. Foi detectado rombo financeiro em 12 dos 23 hospitais geridos por essas entidades no estado.

Bittencourt e outros integrantes da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa questionam ainda o montante a ser investido em parcerias público-privadas (PPP). Recentemente, o governo paulista firmou contrato com a Construcap para as obras do Hospital de Sorocaba (250 leitos), do Hospital da Mulher (218 leitos) e do Hospital de São José dos Campos (158 leitos), no valor de R$ 772 milhões.

Outra parceria em andamento é para instalar centros de assistência farmacêutica, infraestrutura para distribuição, além de gerenciar, transportar e rastrear medicamentos – a chamada PPP da logística de medicamentos. O valor estimado é de R$ 188 milhões.

Venda de leitos

A intimidade entre o público e o privado, tão enraizada em São Paulo, poderia ter trazido prejuízos ainda maiores à saúde pública. Em maio de 2012, por unanimidade, o Tribunal de Justiça paulista negou, em caráter liminar, a destinação de 25% dos leitos de hospitais públicos para atendimento de pacientes particulares ou para beneficiários de planos de saúde.

A decisão, ainda mantida, refere-se a uma ação civil pública do MP paulista para suspender os efeitos do Decreto 57.108, assinado por Geraldo Alckmin, em julho de 2011, autorizando as OSs a reservarem 25% dos leitos dos hospitais estaduais que gerenciam para os clientes dos planos de saúde, cobrando o ressarcimento diretamente das operadoras de convênios.

Sem paralelo no Brasil, a lei cria um problema gravíssimo no estado ao tirar 25% dos leitos dos grandes hospitais públicos estaduais, aumentando a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) em 25%, e entregá-los aos planos privados, que não entraram com um tostão para melhorar ou equipar esses hospitais, declarou na época o promotor de Justiça Arthur Pinto Filho, de Direitos Humanos da Área de Saúde Pública.

Considerada inconstitucional pelo MP, a lei cria a chamada dupla porta, na qual os usuários de planos particulares têm privilégios na fila em relação aos pacientes do SUS. Alckmin até recorreu da decisão, mas o TJ negou.

A proposta chegou a ser criticada pelo Conselho Nacional de Saúde, que pediu à Justiça de São Paulo que a considerasse ilegal. O conselho entende que a lei favorece a prática de dupla porta de entrada, “selecionando beneficiários de planos e saúde privados para atendimento nos hospitais públicos, promovendo, assim, a institucionalização da atenção diferenciada com preferência na marcação e no agendamento de consultas, exames e internação e melhor conforto de hotelaria”.

Santas Casas

Outro golpe da gestão da saúde paulista contra a população veio no dia 22 de julho, quando a Santa Casa de São Paulo suspendeu o atendimento de emergências e urgências e, no dia seguinte, exames e cirurgias eletivas.
A direção da entidade alegou que a dívida total do hospital superava R$ 300 milhões. Só os débitos com fornecedores, que levaram ao fechamento do pronto-socorro, eram de R$ 50 milhões. O atendimento só foi retomado dois dias depois, após o secretário estadual da Saúde, David Uip, anunciar a liberação imediata de R$ 3 milhões e uma auditoria nas contas da entidade.
Na ocasião, o Ministério da Saúde solicitou informações à Secretaria Estadual de Saúde. Verificou que, em 2013, não chegaram ao hospital os R$ 54,1 milhões de recursos federais. Em 2014, o montante que deveria ter sido repassado chega a R$ 20,6 milhões.

"São R$ 291.390.567,11 transferidos pelo Ministério da Saúde e R$ 237.265.012 recebidos pela Santa Casa de recursos federais, em 2013. Em 2014, os valores são R$ 126.375.127 e R$ 105.761.932, respectivamente", aponta o ministério em nota. Assim, o governo Alckmin deixou de transferir para o hospital R$ 74,7 milhões desde o ano passado.

Governo Alckmin deixou de transferir R$ 74,7 milhões para a Santa Casa da capital desde 2013
O fechamento ocorreu no início da campanha eleitoral, o que acabou criando um embate entre os governos estadual e federal. O candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes, Alexandre Padilha, que deixou este ano o Ministério da Saúde, acusou a gestão Alckmin de represar recursos da União. "Se a Santa Casa fechou a porta é porque tem dinheiro que foi repassado pelo Ministério da Saúde e está no governo do estado. Não chegou. O governador tem que explicar."

A Santa Casa é um hospital filantrópico privado que atende a 8 mil pessoas por dia. Os recursos vêm de doações e do poder público, que paga por atendimento feito pelo SUS. A entidade é um dos 762 hospitais filantrópicos do país que tiveram os valores da tabela do Sistema Único de Saúde dobrados, segundo o ministério. Isso porque foi criada uma política de incentivo pela qualidade que paga a mais pelos procedimentos realizados com menos tempo de espera e de forma mais humanizada.

A Santa Casa de São Paulo não se pronunciou sobre a crise. Segundo a última nota divulgada pela instituição, em 25 julho, a Secretaria de Estado da Saúde montou uma comissão para analisar as contas da instituição e até a divulgação dos resultados não irá se pronunciar publicamente.

Em 2012, o governo federal repassou às Santas Casas dos municípios paulistas R$ 3,07 bilhões. O governo estadual repassou R$ 540 milhões.
Em dezembro de 2013, o Ministério da Saúde liberou R$ 1,6 bilhão para 762 Santas Casas e entidades filantrópicas de 604 cidades em 23 estados. Do total, R$ 400,6 milhões foram liberados em três parcelas de R$ 133,5 milhões. Com a medida, o Ministério da Saúde elevou o valor mínimo do incentivo pago aos estabelecimentos filantrópicos, que passou de 26% do valor dos procedimentos de média complexidade para 50%.

O presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de São Paulo (Fehosp), Edson Rogatti, afirmou que a situação das santas casas no país é de crise. “Temos 2.100 santas casas e hospitais filantrópicos e pelo menos 80% estão em uma condição financeira muito difícil.”

Na última semana, a federação entregou uma carta ao ministro da Saúde, Arthur Chioro, solicitando reajuste da tabela de procedimentos. “O governo federal repassa incentivos para 800 hospitais, mas temos 2.100”, diz. “Em São Paulo, a situação é um pouco melhor porque o governo estadual faz um aporte de recursos financeiros para cumprir a tabela SUS. Em 2014, ele vai colocar R$ 568 milhões. Porém, o benefício atende apenas a 128 instituições e temos 400 no estado.”

No final do ano passado, com toda pompa, o Estado Alckmin anunciou um programa de auxílio às santas casas e hospitais filantrópicos, com investimentos da ordem de R$ 535 milhões em 117 entidades. Na época, Alckmin anunciou que o valor era duas vezes maior que o valor previsto originalmente. Só a Santa Casa de São Paulo receberias R$ 4,33 milhões.O andamento do programa, porém, não foi informado pelo estado à reportagem.

Escassez de recursos

Os repasses estaduais, quando chegam, muitas vezes são escassos em muitas prefeituras. No último dia 5, em audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal de São Paulo para debater o financiamento da saúde no país, prefeitos fizeram fila para reclamar que, como recebem poucos recursos estaduais, chegam a comprometer 30% da receita própria, quando a lei manda colocar 15%, no mínimo.

Em 2013, Santos, na Baixada Santista, recebeu R$ 127.853.551,07 do governo federal. Do estado veio um valor 58 vezes menor: R$ 2.226.345,03. Segundo demonstrativo financeiro, o Fundo Municipal de Saúde contou ainda com R$ 243.883.230,65 de recursos próprios e R$ 4.107.998,87 vindos de outras fontes.


O saldo explica, em grande parte, a situação de saúde do município, em desvantagem em relação a muitos outros. De acordo com a Comissão Permanente de Saúde e Higiene da Câmara Municipal de Santos, presidida pelo médico e vereador Evaldo Stanislau (PT), há anos a população santista é a mais vulnerável à aids em todo o estado. Em 2009, a incidência da doença, por 100 mil habitantes, era de 58 casos, enquanto a média estadual era 15, e a nacional, de 14. Em 2011, a taxa até que caiu, mas continuou alta na comparação: 32 na cidade, contra 13 no estado e 12 em todo o Brasil.

Santos tem ainda taxa de mortalidade infantil um pouco acima da média estadual: 12 óbitos para cada mil nascidos vivos, quando a média paulista é de 11,48. A Baixada Santista concentra desde 2000 os maiores índices no estado conforme um levantamento da Fundação Seade. Em 2012, o índice regional era de 15,65 por mil nascidos vivos.

Em seguida, vem a região de Sorocaba, com 12,70. Já os melhores índices são da região de Franca, com 8,17, e São José do Rio Preto, com 9,29 – semelhantes aos da Europa, com apenas um dígito, conforme a Secretaria Estadual de Saúde. A média nacional no mesmo período é de 13.

Entre as principais causas estão problemas durante a gravidez, no parto ou no primeiro mês de vida – as chamadas causas perinatais – e as malformações congênitas. Ambas correspondem a praticamente 80% dos óbitos. Em menor proporção aparecem as doenças respiratórias, infecciosas e parasitárias.


Promessas

A situação da saúde em São Paulo tende a continuar no mesmo estado. Ou quem sabe até se complicar. De acordo com programa de governo de Geraldo Alckmin, o estado está crescendo e vai crescer de forma acelerada. "Mas para isso vamos ter de fazer melhor o que já fazemos bem. Temos as melhores universidades, os melhores institutos de pesquisa, a mais ampla rede de ensino técnico e tecnológico do país, as empresas mais inovadoras do país."

Ainda segundo o documento registrado na Justiça Eleitoral, os institutos de tecnologia, a começar pelo IPT, pelo Butantan e pelo Agronômico, "também irão complementar a tarefa dos parques tecnológicos, com laboratórios e serviços que estimulem a pesquisa e o desenvolvimento do setor privado, que sejam um instrumento de maior competitividade e uma garantia de empresas mais inovadoras".

O Instituto Butantan, em franco processo de sucateamento, é orgulho da gestão tucana. No campo da saúde, segundo o programa de governo, os últimos anos foram balizados por grandes conquistas: "Redução da taxa de mortalidade infantil, aumento da esperança de vida ao nascer, aumento da sobrevida de pacientes com aids e hepatite C, consolidação do Instituto Butantan como um dos maiores centros de pesquisas biomédicas do mundo, ampliação da Furp, criação de uma rede inédita de telemedicina, entre outras importantes marcas".

O candidato Paulo Skaf (PMDB) pretende implementar o sistema integrado de controle da oferta de serviços de saúde, o prontuário eletrônico do paciente (PEP), instalar a central de agendamento de consultas, instalar sistema de aviso de consulta e exames por telefone e/ou SMS, construir novos hospitais e ambulatórios médicos de especialidades (AMEs), para aumentar a oferta de serviços nas regiões menos atendidas, podendo ser concretizados por meio de parcerias público-privadas.

Pretende ainda criar mecanismos de articulação dos serviços municipais e estadual, buscando eficiência e efetividade na prestação dos serviços de saúde, incrementar o alcance do Programa Saúde da Família, valorizar a carreira do profissional da área, ampliar a distribuição de medicamentos e melhorar os programas existentes voltados para públicos específicos, como jovens, adolescentes e idosos.

Terceiro lugar nas pesquisas, Alexandre Padilha (PT) pretende fomentar a produção de medicamentos e concentrar a inovação por meio de articulação dos setores público, privado e acadêmico. Ele afirma que a pujança econômica de São Paulo precisa ser acompanhada da transformação do estado no melhor lugar para se viver. Isso passa pela diminuição da desigualdade de renda, pela erradicação da miséria e pela redução da pobreza, temas nos quais o fortalecimento do SUS aparece diluído."