sábado, 10 de maio de 2014

19 fotos que demonstram o amor de mãe no mundo animal






O Whatsapp virou um armazém de pornografia involuntária



Esta foto é meramente ilustrativa
Diário do Centro do Mund

"Katrin é uma estilista de Goiás que gosta de fazer sexo anal; Fernanda tem habilidades orais extraordinárias; Janaína estava de costas quando a fotografaram. Todos os nomes acima são fictícios. Suas histórias, não. Elas são apenas algumas das garotas que vieram parar no meu celular através do WhatsApp, um aplicativo de mensagens que acabou se tornando um verdadeiro armazém de pornografia amadora.

Em circunstâncias normais, isso não seria um problema. Acontece que as protagonistas desta história, em sua imensa maioria, estão ali contra a sua vontade – e são expostas de uma maneira literalmente incontrolável na era do smartphone. Na gíria popular, elas “caíram na net”. Se isso é uma novidade? De maneira alguma. Há um bom tempo o SMS, o email e o Messenger são usados por sujeitos de caráter escuso para divulgar suas conquistas sexuais.

Tratava-se de um processo relativamente lento, porém. O rapaz passava o material para um amigo, que repassava para outro e por aí a coisa andava.

Mas a popularização do WhatsApp foi como botar um motor de McLaren numa engrenagem que andava em ritmo de Fiat 147. É comum as pessoas terem, hoje em dia, vários grupos no WhatsApp: faculdade, escola, trabalho, pôquer, futebol e por aí vamos. Bastam dois cliques (literalmente) para repassar qualquer arquivo para dezenas de pessoas em questão de segundos. E nem precisa dizer que esse arquivo, em 90% dos casos, é pornografia amadora. Quase sempre contra o consentimento da modelo, claro.

Nos últimos tempos, a prática tornou-se ainda mais sofisticada. Agora junto dos vídeos e fotos, são compartilhados print screens do perfil da garota no Facebook ou no Instagram, para que não haja dúvida quanto a sua identidade. E para deixar claro que ela “caiu na net” contra sua vontade – elevando o grau de qualidade do material, pois o proibido é mais gostoso – são compartilhadas também conversas da garota no próprio WhatsApp, nas quais ela mostra sua decepção por ter sido traída pelo parceiro. Às vezes há até o seu telefone, o que resulta invariavelmente no assédio de dezenas homens. É uma humilhação em dose completa, pode-se dizer assim.

Há uma corrente de pensamento que bota nelas a culpa disso acontecer.

Afinal, quem mandou tirar a foto ou fazer um vídeo erótico? Mas dizer isso é tão absurdo quanto justificar um estupro porque a garota vestia uma saia curta demais: “Ela estava pedindo.” Poucas atitudes são tão covardes quanto trair e expor uma pessoa que confiou e se abriu para você. E não digo que os homens covardes são uma novidade de 2013. Eles apenas parecerem ter feito do WhatsApp seu habitat natural."

8 dicas para comemorar o Dia das Mães de forma sustentável



O CicloVivo separou algumas opções de momentos especiais de convivência entre mães e filhos.
Mayra Rosa, Redação CicloVivo

"O Dia das Mães é uma data muito especial, que vai além de presentes caros e do consumismo incentivado pelo comércio. Ao invés de optar pelos shoppings e restaurantes, faça algo inusitado e saia da rotina.
O melhor presente para o sua mãe será passar o dia com seus filhos e viver um momento de qualidade, onde se sinta feliz, valorizada e amada.
O CicloVivo separou algumas opções de momentos especiais de convivência entre mães e filhos. Veja qual se enquadra melhor ao estilo de vida de sua mãe:

Mãe esportista

Acorde cedo e convide sua mãe para fazer uma corrida ou um passeio de bicicleta. Vale correr em um parque, andar de bike pela cidade, ou até mesmo fazer uma trilha. Em São Paulo as ciclofaixas de lazer funcionam aos domingos e são uma ótima pedida. Depois do exercício convide-a para tomar uma água de coco e comer um açaí, para hidratar e repor as energias. Com certeza sua mãe esportista irá adorar o programa.

Mãe emotiva

Uma boa sugestão de presente para a mãe emotiva é produzir um vídeo com fotos de momentos marcantes da vida de vocês. Escolha a trilha sonora preferida de sua mãe e use sua criatividade. Também dá pra fazer slides, fotomontagens e até mesmo um cartão. Escolha a hora certa para mostrar a surpresa, que provavelmente acabará em muitas lágrimas.

Mãe que adora o mar

Se sua mãe é daquelas que adora o mar, convide-a para ir até a praia. Se mora longe do litoral, é uma ótima ideia fazer uma viagem de final de semana, ou até mesmo um bate e volta para alguma praia paradisíaca. Uma caminhada e almoço à beira mar também são uma boa pedida.

Mãe zen

Para a mãe zen, nada melhor que acordar cedo para curtir o sol da manhã e organizar um piquenique em algum local calmo, próximo à natureza. Vocês podem praticar meditação, ioga, tai chi chuan ou apenas conversar sob a sombra de uma árvore. Uma boa ideia também é fazer um dia de spa.

FotoMike Sween/Pixabay

Mãe faz tudo

Este tipo de mãe não suporta ficar parado. Tem sempre que arrumar ou fazer alguma coisa. Para essa mãe, sugerimos que façam uma horta. Os jardins são uma ótima opção de atividade para reunir a família. Plante hortaliças, escolha as sementes e chame as crianças para ajudar no plantio, elas são ótimas jardineiras e adorarão estar em contato com a terra. Já existem diversos tipos de hortas no mercado, até para pequenos apartamentos.

Mãe chef de cozinha

Prepare um jantar especial, um estilo de vida agitado pode significar jantares em família pouco frequentes. Portanto, uma data como essa, serve para atentar à importância da vivência e intimidade familiar. Escolha o prato preferido de sua mãe. Algumas mães adoram culinária, neste caso, faça questão que ela a instrua a preparar o menu e dê palpites, assim, se sentirá importante.

Mãe cultural

Domingo é um ótimo dia para fazer passeios tranquilos, como visitas a centros culturais e museus. Muitas dessas atividades são gratuitas. Outra ideia é ir ao cinema ou organizar uma noite de filmes em casa mesmo. Documentários com temática ambientais são uma ótima pedida. Se sua mãe gosta de música e sabe tocar algum instrumento, vocês podem passar a tarde fazendo uma "jam session".

Mãe solidária

Faça um trabalho voluntariado em família. Encontrem uma maneira de passar o dia juntos enquanto fazem a diferença. Plantem em hortas comunitárias, trabalhem em uma cozinha, pintem alguma organização que precise de ajuda, visite instituições com menores carentes ou qualquer trabalho nesta linha.
Lembre-se que o que mais irá emocionar a sua mãe são suas palavras, seu abraço e seu carinho. Portanto, deixe os bloqueios de lado e diga como você é grato por tudo que ela já fez por você."

Da água da bica à Sabesp: a seca em São Paulo é culpa de quem?


O rio Jacareí
Diário do Centro do Mundo 

"Dentre todos os culpados pela falta d’água em São Paulo, São Pedro é o único inocente. As estiagens e as deficiências de abastecimento são tanto antigas quanto previsíveis. Sempre foi assim, desde a chegada dos colonizadores. Os índios, ao contrário, viviam numa fartura da qual só herdamos a memória.

A aparente fartura e a seca recentes têm ambas a mesma origem. Pra quem não sabe, ou não lembra, o sistema Cantareira foi projetado pela antigaComasp - Companhia Metropolitana de Águas de São Paulo, pouco depois do golpe de 1964, em plena ditadura. Naquela época já se previa – novamente – que iria faltar água em São Paulo. E os milicos tinham pressa em fazer grandes obras para impressionar.

Até 1880 só havia água de pipa ou de bica. Em 1881 foi criada a Companhia Cantareira de Águas e Esgotos para o fornecimento de três mil metros cúbicos por dia, equivalentes a 50% da água encanada consumida na capital A empresa privada – veja você! – foi estatizada pelo governo do estado por causa dos péssimos serviços prestados à população. Naquela época o sucateamento das empresas era feito para estatizá-las, e não privatizá-las, como é feito hoje.

A Comasp foi criada em 1968 para a captação e tratamento das águas que abasteciam a Grande São Paulo. E eles previram tudo direitinho. O sistema Cantareira seria um conjunto de cinco reservatórios correspondentes às barragens do rios Jaguari e Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Juqueri e Águas Claras que iriam produzir 33 metros cúbicos por segundo, quando todas as represas ficassem prontas. A construção foi feita em duas etapas: Na primeira foram feitas as barragens a jusante do rio Cachoeira, produzindo 11m³/s. Depois foi acrescido o reservatório da barragem dos rios Jaguari e Jacareí, para atingir os 33m³/s previstos para o sistema.

“Reservatório”, como se sabe, foi feito para “reservar” a água dos rios, permitindo regular seu aproveitamento em casos de seca ou chuva. E osreservatórios do sistema Cantareira foram planejados para fornecer água em abundância por bastante tempo, a ponto de fazer os paulistas esquecerem por algum tempo a escassez de água que os milicos pretenderam acabar.

“Volume morto”, o lodo que se acumula nos fundo dos reservatórios e está prestes a ser filtrado para retirar água da lama, passou a ser chamado de “reserva técnica”, como se o reservatórios não fossem uma reserva e um tanque de decantação ao mesmo tempo. E “rodízio” virou um neologismo para “racionamento”. Assim como você deixa seu carro na garagem uma vez por semana, também poderá encostar seu chuveiro, cozinha e máquina de lavar.

Em 1972, os economistas Paulo Roberto Davidoff Cruz e Cláudia dos Passos Claro, da Secretaria de Planejamento do estado previam, com bastante exatidão, que a demanda por água encanada na região metropolitana seria de 68,29 metros cúbicos por segundo em 1990, para uma população estimada de 17 milhões de habitantes. Essa previsão só foi atingida no ano 2.000. Hoje, a população servida pela Sabesp na Grande São Paulo é de 16,3 milhões de pessoas, que receberam 73,2 metros cúbicos por segundo somente no ano passado. Se eles erraram, foi para mais, não para menos.

Quem distribuía a água captada pela Comasp, porém, não era ela própria como faz a Sabesp hoje. Era a Saec - Superintendência de Águas e Esgotos na Capital, sucessora do Departamento de Águas e Esgotos, o DAE. Em 1972 a Saec já admitia uma perda de 30% da água distribuída por causa de vazamentos nas tubulações. Exatamente o mesmo índice da Sabesp hoje, 42 anos depois.

Os estudos conduzidos pela Seplan paulista consideraram apenas a demanda para consumo doméstico. A demanda industrial não foi prevista, pois segundo eles seria improvável garantir o fornecimento dos grandes volumes contínuos exigidos pelas indústrias, além da ausência, naquela época, “de indicadores confiáveis sobre a estimativa de grande consumo industrial”. Os industriais preferem captar a água de que necessitam do que depender do abastecimento público duvidoso, acreditavam os técnicos do Estado desde então.

O engenheiro Haroldo Jenzler, presidente da Comasp, calculou em 1972 a necessidade de investimentos de 100 milhões de dólares ao ano durante 20 anos para realizar as obras projetadas para a Grande São Paulo. E concluiu:

 “Ou aceitamos as metas que serviram de base para esses investimentos e conseguimos os recursos necessários, ou deveremos modificar as metas.”
Os governos estadual e federal resolveram manter as metas e por isso criou a Sabesp em 1973, pela fusão da Comasp, da Saec - distribuidora da capital – do Fomento Estadual de Saneamento Básico e da Sanevale do Vale do Paraíba, entre outras empresas. Ela “vende” diretamente ao consumidor a água tratada que traz dos rios. E “vende” também para os grandes consumidores industriais urbanos, que não dispõem de fontes próprias de abastecimento, como supunham os planos iniciais.


Para atender a demanda industrial, a Sabesp ampliou em 13 vezes sua produção de água de “reúso”, proveniente do tratamento parcial de esgotos, em sociedade com a Odebrecht. Ainda assim, a produção é de apenas 395 mil metros cúbicos por mês, equivalentes a 0,15 metros por segundo. Se a população cresceu menos do que as previsões iniciais, a falta de previsões sobre o crescimento do consumo industrial fez toda a diferença.

Não são surpreendentes, portanto, os dados dos resultados obtidos pela unidade de negócios Metropolitana Norte da Sabesp, encravada no atual sertão paulista.

Segundo os dados apresentados pela unidade da estatal para concorrer ao Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento 2013, o volume total faturado pela unidade que abastece toda a zona norte da Grande São Paulo de São Paulo, mais os municípios produtores do sistema Cantareira – Bragança Paulista, Joanópolis, Piracaia, Atibaia, Mairiporã e Franco da Rocha -, passou de 350 milhões de metros cúbicos em 2010 para 370 milhões em 2012. Um crescimento de 6% na véspera da seca.

No mesmo período, a rentabilidade expressa em termos do Ebitda - lucro antes de juros e impostos – subiu de 65,9 para 72,6%. A arrecadação da unidade metropolitana norte passou de 863 milhões de reais em 2010 para um bilhão em 2012. O incremento do fornecimento para grandes consumidores – indústrias – saltou de 18 para 35% do volume faturado, incluída ai a incansável e sedenta construção civil.

Esses resultados são bons? Depende pra quem. Desde 2002 a Sabesp passou a negociar ações no Novo Mercado da Bovespa. As ações subiram ininterruptamente de seis para trinta reais entre 2008 e 2012. O crescimento médio do lucro líquido foi de 23% nos últimos cinco anos.

Nos últimos dez anos a companhia distribuiu aproximadamente quatro bilhões de reais em dividendos, dos quais a metade no período de 2010 a 2012, quando a Metropolitana Norte batia recordes de faturamento.

A região metropolitana como um todo responde por 75% do faturamento da companhia.

O rating internacional passou de BB a BB+. Como um desempenho tão fantástico pode ser classificado como classe B?

Para os acionistas foi um bom negócio, pelo menos até recentemente. As previsões de queda no faturamento e aumento das despesas deverão afetar esses resultados no curto prazo.

Sabesp e Petrobrás devem se tornar os troféus em disputa na campanha eleitoral que se aproxima. Ambas são grandes empresas brasileiras de economia mista, sólidas e bem administradas por profissionais competentes. As duas são importantes não só para seus
clientes, funcionários e acionistas, mas para o país.

Uma se deu mal na Cantareira e a outra em Pasadena. Nenhum dos dois prejuízos é irreversível para gigantes como elas.

As ações da Petrobrás não ostentam a valorização e o rendimento esfuziantes da Sabesp na última década. Mesmo assim a produção de petróleo bateu novo recorde em março. As ações da empresa dispararam 4% na quarta-feira, dia 7, e a Folha anunciou que o motivo foi a queda nas intenções de voto na presidenta.

Infelizmente não dá pra beber petróleo. Nem engolir essa."

A "crise": venda de veículos cresce 21,8% no país




"A venda de veículos novos cresceu 21,8% em abril, na comparação com março, segundo dados divulgados hoje (9) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foram licenciados, no mês passado, 293.240 veículos. Em relação a abril de 2013, houve queda de 12,1% nas vendas.
No acumulado deste ano, foram comercializados 1,1 milhão de veículos, contra 1,16 vendidos no mesmo período do ano passado, o que representa uma queda de 5%. Estes dados incluem automóveis leves, comerciais leves, caminhões e ônibus.
Quanto aos veículos importados, houve alta de 24,7% nas vendas em abril, na comparação com março. Foram vendidos no mês passado 49.661 veículos importados. Em relação a abril de 2013, houve queda de 18,1%.
Já os veículos nacionais apresentaram alta de 21,2% em abril, em relação a março. Foram vendidos 243.579 veículos durante abril, sendo que, na comparação com abril de 2013, foi registrado queda de 10,8%."

Não podemos deixar a brutalidade se naturalizar


Brasil?

O que está acontecendo no Brasil? Cabeças cortadas em presídios, mulheres arrastadas até a morte, linchamentos malucos que viram parte do cotidiano. É certo que o país sempre foi muito violento por baixo da capa cordial, terna e alegre --verdadeira, mas parcial--, usada para construir uma ideologia adequada aos trópicos. Só que agora a brutalidade parece exacerbada.

O que torna estranho o aumento do brutalismo, como o denominou o jornalista Janio de Freitas em coluna recente, é que houve, na última década, uma evidente, ainda que moderada, melhoria das condições sociais. As famílias mais pobres passaram a receber um auxílio que, embora pequeno, aliviou a miséria e abriu janelas de esperança para os seus filhos. Os jovens tiveram acesso a empregos com carteira assinada, ainda que de baixa remuneração e em condições precárias.

Os salários subiram, a começar do mínimo, que teve uma valorização da ordem de 70%. Mesmo depois de três anos de baixo crescimento do PIB, as categorias organizadas continuam a conseguir aumentos reais. Nos primeiro trimestre de 2014, de 140 convenções coletivas realizadas, 97% registraram concessão de ganhos acima da inflação (ver dados embit.ly/agsind). São ganhos pequenos, com apenas 33% desses dissídios representando elevação real maior do que 2%, mas ganhos, enfim.

Pode-se argumentar que tais avanços significam pouco em face do tamanho da pobreza e da desigualdade brasileiras, o que não deixa, também, de ser verdade. Porém deve-se considerar que tendo conseguido mantê-los ao longo de toda uma década, os efeitos são cumulativos. A esta altura já existe toda uma geração formada em ambiente menos excludente.

Por que, então, os traços de barbárie social, nos quais é possível enxergar a perversidade específica que a escravidão legou, não vão sendo atenuados? É como se em um contexto de lento desafogo, as relações fossem tomadas por uma onda barbarizante, quando se esperava um progresso civilizatório, mesmo que incremental.

Com sinceridade, não sei responder à pergunta. Percebo que, no fundo, ela sequer está bem formulada, pois o que estou chamando aqui de brutalismo deve encobrir fenômenos muito diferentes entre si.

Estou convicto de apenas uma coisa: é preciso politizar o problema. Os candidatos e os partidos precisam por a questão da violência em suas agendas. O Estado deve desenhar novas políticas públicas a respeito. As instituições e organizações da sociedade que estiverem do lado da civilização precisam refletir a atuar sobre o assunto.

O pior que pode acontecer é deixarmos a brutalidade se naturalizar, enquanto cada um se esconde em casa, tentando fingir que o mundo lá fora não existe.
http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/05/nao-podemos-deixar-brutalidade-se.html

OAB condena decisão de Barbosa: "estapafúrdia", "barbaridade"


VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS


"Barbosa inventa a lei que ele quer", diz presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB. E continua:

"É uma barbaridade do presidente do Supremo essa tentativa de desqualificar uma pessoa presa, que é advogado, e o escritório que o convidou." 

"Sempre que se interpreta a lei em relação a José Dirceu, essa interpretação, por parte de Barbosa, é contra. Isso fere claramente os direitos dele como pessoa, em particular, e os direitos humanos em geral."





sexta-feira, 9 de maio de 2014

O BRASIL COMO PANELA DE PRESSÃO EM VIAS DE EXPLODIR


IZABELLA NARDONI E BERNARDO BOLDRINI - Vítimas inocentes de ódios conjugais.

Por Alexandre Figueiredo

Que relação existe entre ônibus queimados, moradora estuprada e morta por zelador, agências bancárias depredadas, torcedor assassinado por um vaso sanitário, mulher linchada por um boato de sequestro e policiais matando namoradas na rua?

Isso quando não se fala em crianças inocentes mortas por conta de ódios ou desavenças conjugais, como os simpáticos Izabella Nardoni e Bernardo Boldrini, mortos no meio de um caminho entre pais e madrastas em discussão.

A banalização da violência contraria as expectativas de um Brasil desenvolvido e próspero. Afinal, um conjunto de fatores mostra o quanto nosso país está em crise, numa violenta crise sócio-cultural, crise de valores que influi em diversos aspectos, da arte à política, da criminalidade à libertinagem.

Ontem houve uma série de atos de vandalismo depredando nada menos que 467 ônibus no Rio de Janeiro, além de outros em várias capitais do país onde se realizaram greve dos rodoviários. E ainda se refletem os atos da mulher linchada no Guarujá por causa de um boato de que ela teria sido sequestradora, e do torcedor que foi morto por um rival que jogou um vaso sanitário contra a vítima.

De um lado, a permissividade, a corrupção, o desprezo ético. De outro, a raiva daqueles que querem perder privilégios que nem percebem se são benéficos ou se realmente eles gostam de tais benefícios. Ou então a indignação de quem não tem sequer o que precisa, e joga sua raiva contra quem representa algo negativo contra aquele.

São reflexos que vem desde a ditadura militar, que veio para tentar resolver - pelo menos sob a ótica da sociedade conservadora - as tensões sociais que ocorreram em 1964, mas não só não resolveu como criou e agravou muitas tensões, abafadas durante anos seja pela impunidade da corrupção e do crime, seja pela ilusão de um otimismo e uma paz que na verdade não existem.

CRISE DO DESEJO

Uns querem mais, sem necessidade. E tem muito quando não valorizam. Outros não tem sequer o básico. A desigualdade social no Brasil é uma crise do desejo, porque as pessoas que obtém privilégios e benefícios não sabem o que querem, não têm noção de perda, e isso vale desde políticos carreiristas até feminicidas.

O Brasil sofre uma crise até pior do que aquela que muitos tentavam evitar em 1964. Porque hoje a corrupção está tão banalizada e a política tão asséptica e sem gosto, insossa na teoria e amarga na prática, a cultura popular, se antes era apenas precária, hoje sucumbe à imbecilização mais escancarada.

A nossa mídia também está muito grotesca. Antes tínhamos um Carlos Lacerda esbanjando fúria na televisão. Atualmente são os "urubólogos" que não tem a erudição do político udenista. Se muitos reclamavam de um Zé Trindade, em 1964, hoje temos que reclamar contra centenas de milhares de péssimos comediantes, péssimos músicos "populares" e sub-celebridades.

O Brasil tinha um projeto em 1964. Mas hoje ele não foi reencontrado. Há quem veja saudosismo no "milagre brasileiro" (1969-1974) e tem ainda o cinismo de se proclamar "progressista". Hoje o Brasil não se encontra e está perdido por um surto de vandalismos, crimes cometidos por pessoas "comuns", corrupção justificada por alegações "técnicas", imbecilização cultural tida como "libertária" etc.

Daí que a trilha sonora dos bancos depredados e ônibus incendiados, de donas-de-casa linchadas sob falsa acusação de sequestro, policiais dando tiro em namoradas nas ruas e torcedor agredindo outro jogando vaso sanitário só não pode ser outra coisa.

A trilha só pode ser a do "funk" que promove pseudo-ativismo às custas de suas baixarias "provocativas". Ou a do "sertanejo universitário" que louva a união entre a embriaguez e o controle do volante dos automóveis. Ou a do "brega de raiz", o de Waldick e Odair, falsamente libertário mas feito sob medida para as marchas da família que pedem "intervenção militar" no Brasil.

Ou então são as "fusões" como os tributos falsamente "alternativos" de Raça Negra e quejandos, o Grupo Molejo bancando o engraçadinho com camiseta na estética Ramones, o tributo cinicamente "emepebista" do "Rei do Jabá" Michael Sullivan e a tortura de juntar Smiths e É O Tchan numa mesma mixagem, algo tão ofensivo quanto convidar o vegetariano Morrissey para um churrasco.

Junto a isso, há o "jornalismo verdade" dos programas policialescos que mais parecem "indústrias do crime", já que, ao espetacularizar a violência, exibida impunemente num horário altamente acessível ao público infantil, cria condições para que os violentos de ocasião tivessem seus quinze minutos de má fama às custas de um impulso nervoso que lhe dê algum sentido, ainda que mau, à sua vida.

E a própria intelectualidade está sintonizada no espírito que faz surgirem vândalos, torcedores violentos e linchadores e destruidores de bens públicos. Em vez de questionar os problemas sócio-culturais, nossas elites pensantes as reafirmam, em vez de desejarem qualidade de vida elas só querem um Brasil mais promíscuo, mais prostituído, mais drogado.

Se as elites pensantes só querem um país libertino que satisfaça suas vaidades pessoais, bastante paternalistas com as classes populares mas no fundo temerosas com qualquer despertar do povo pobre, então a crise que o país passa está muito, muito grave.

Não serão chuvas de dinheiro, seja de Guido Mantega, seja do(a) ministro(a) da Cultura de plantão, que irão resolver as coisas. Não serão, da mesma forma, os gols de Neymar e seus amigos na copa do próximo mês. E também não será a promessa de que as novas mídias digitais irão revolucionar o país, até porque esse papo esconde o antigo mito, reciclado, da coisificação do homem ante a máquina.

É bom que haja muitas crises, porque assim os problemas se tornam escancarados. O problema é que essas crises aumentam mais e mais, e o Brasil sucumbe a essa situação caótica que as esquerdas otimistas não previram e a direita pedante não conseguirá resolver. Isso porque os problemas são muito mais complexos, e até agora as melhores soluções ainda são desconhecidas por muitos.

Economia: unanimidade conservadora


"Com a antecipação do debate eleitoral, as candidaturas do campo conservador começam a solicitar as opiniões e as ideias de seus assessores econômicos. 

 Carta Maior  

A proximidade das eleições, a serem realizadas em outubro que vem, condiciona as diversas candidaturas a começarem um posicionamento sobre aspectos importantes do debate político. Dentre os inúmeros assuntos do amplo espectro de possibilidades, as questões relativas à política econômica passam a ganhar relevância e os postulantes aos cargos eletivos são obrigados a se definir no que diz respeito aos aspectos mais relevantes da agenda nacional.

Nada mais compreensível e esperado. Afinal, o desempenho de nossa economia ao longo dos últimos anos não tem sido muito animador. O crescimento do PIB tupiniquim tem-se mantido em níveis muito reduzidos, bem abaixo da média mundial, da América Latina e dos próprios países dos BRICS, por exemplo. E as taxas atuais são até mesmo mais diminutas do que tem registrado a média histórica brasileira mais recente. Dilma deve encerrar seu mandato com uma média de crescimento da economia de 1,9% ao ano. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta lembrar que a média dos 8 anos de Lula foi de 3,8%. Durante os dois mandatos de FHC, a economia cresceu à média anual de 2,4%.
Problemas na economia e debate eleitoral

A inflação tem sido outra preocupação do governo e dos analistas, uma vez que a taxa de crescimento dos preços tem se aproximado da banda superior do centro da meta, tal como previsto no tripé de política econômica. Por mais que insistamos em que esse quadro não represente nenhum ingresso na antessala do apocalipse, o fato é que a média de inflação também cresceu nos 4 anos da Presidenta. Afinal, a memória coletiva dos períodos de inflação crônica e elevada não oferece boas lembranças a ninguém. Vivenciar a corrosão do poder de compra do salário ou outra fonte renda, sem ter a capacidade de reposição, não é mesmo uma experiência agradável.


As informações relativas ao setor externo tampouco oferecem um quadro tranquilizador. Apesar do quadro ainda favorável na Balança Comercial, os dados do conjunto do Balanço de Pagamentos são foco de muito nervosismo. O saldo na conta de Transações Correntes, por exemplo, fechou o ano passado com um valor deficitário superior a US$ 81 bilhões. A título de comparação, esse mesmo saldo anual para o período 2003-2006 foi superavitário em média no valor de US$ 10 bilhões. Isso porque nessa contabilização entram os valores relativos aos aspectos financeiros das transações internacionais, para além das exportações e importações de bens. Assim, são levadas em consideração outras rubricas - como rendas e juros - que passaram a ser enviadas para o exterior em ritmo bastante acelerado.

Outro elemento bombardeado pela crítica conservadora refere-se ao esforço para geração do superávit primário. Em função das dificuldades criadas pelo baixo crescimento da economia e pela concessão de um conjunto amplo de desonerações e isenções de natureza tributária, as contas fiscais também foram comprimidas nos últimos exercícios. As receitas crescem menos do que o esperado e o governo tem menos margem para gerar saldos positivos. Em 2013, houve uma série de artifícios utilizados pelo Ministério da Fazenda para garantir o número oficial de 1,6% do PIB a título de superávit primário. Tal estratégia ficou conhecida como “contabilidade criativa”. Como o governo está comprometido desde 2003 com a sistemática de reduzir despesas na área social para assegurar o pagamento de juros da dívida, qualquer recuo nesse esforço é imediatamente denunciado pelos setores ligados ao sistema financeiro.

Oportunidade perdida para mudanças efetivas

O grande problema é que foi perdida a excelente oportunidade para se promover uma mudança na essência da política econômica. Uma das consequências da crise financeira iniciada nos Estados Unidos em 2008 foi o isolamento político a que ficaram submetidas as bases de fundamentação do neoliberalismo. De uma hora para outra, líderes políticos, economistas influentes e as próprias máquinas das organizações multilaterais (tipo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional) foram obrigados a esboçar uma espécie de auto-crítica. Como em um passe de mágica, todos pareciam ter se tornados adeptos de medidas inspiradas em um suposto keynesianismo de ocasião.

Como a crise havia revelado de forma cristalina a incapacidade das medidas ortodoxas em resolver os problemas da sociedade e da economia, aos poucos as idéias a respeito da necessidade da intervenção do Estado na economia foram ganhando espaço. Esse era o momento para o governo brasileiro avançar em suas proposições de aprofundar a via do desenvolvimentismo e superar sua dependência frente ao financismo. Mas, infelizmente, o medo venceu a esperança. Com isso, o projeto de um desenvolvimento nacional cedeu espaço à continuidade da submissão às forças da globalização. O governo não cansa de se vangloriar de nosso subalterno na divisão internacional de trabalho – um grande exportador de produtos primários, de baixo valor agregado.

Apesar de toda a reviravolta teórica e conceitual propiciada pela crise econômica financeira internacional, o Brasil não avançou em termos de refundar o modelo vigente. Seja durante os mandatos de Lula, seja durante a gestão de Dilma, muito pouco foi feito nesse sentido. O fato concreto é que os governos não ousaram quase nada na direção da mudança possível e necessária. Continuaram no mesmo rame-rame da administração da política econômica ditada pela ortodoxia conservadora. A pauta da política econômica continuou a ser definida pelos comentaristas de economia dos grandes órgãos de comunicação e pelos representantes do sistema financeiro. O resultado foi a continuidade dos juros oficiais nas alturas, os “spreads” elevadíssimos praticados pela banca, a taxa de câmbio sobrevalorizada, a desindustrialização avançando a olhos vistos e todo o tipo de benesses concedidas ao capital.

As velhas propostas dos candidatos jovens

Com a antecipação do debate eleitoral, as candidaturas do campo conservador começam a solicitar as opiniões e as ideias de seus assessores econômicos, todos eles pescados junto ao financismo neoliberal. Eduardo Campos e Aécio Neves avançam suas declarações de apoio a propostas de um passado que já deveria ter sido enterrado com a crise generalizada do modelo decadente. Os candidatos do PSB e do PSDB, ambos com carinha de jovens bem sucedidos, enchem a boca para trazer à tona autênticas velharias de política econômica, a exemplo de sugestões como a independência do Banco Central e um maior rigor na geração de superávit primário.

Ora, como os responsáveis pela política econômica, ao longo dos últimos anos de governo do PT, não ousaram desfazer as malhas da armadilha deixada pela ortodoxia monetarista, agora começamos todos a sofrer as consequências de tal atitude passiva e irresponsável. Criou-se um falso consenso em torno da ideia de que não existe mais nenhuma alternativa à receita ditada pelo financismo. Com isso, é capaz de que nada mude mesmo! Continuar a mesma herança que vem lá, imutável desde 1994, quando da edição do Plano Real. O tripé da política econômica deve ser mantido, com o argumento surrado e mal lavado - o eterno risco de cairmos em um caos de descontrole das variáveis-chaves da macroeconomia.

Em razão do receio em travar o embate de idéias e destacar a importância de se promover uma oxigenação no modelo monetarista, o governo ficou paralisado e agora é parte integrante dessa grotesca unanimidade conservadora. A construção de alguma estratégia alternativa para enfrentar as dificuldades da economia ao longo do próximo mandato mantém-se amarrada pela camisa de força do sistema financeiro.

O governo parece insistir na tática da desoneração da previdência pública, colocando em risco o futuro do modelo exitoso de seguridade social do INSS. Ao aceitar a sugestão fácil de reduzir as receitas previdenciárias no presente para fazer um agradinho ao capital, as autoridades contribuem para oferecer argumentos àqueles que desejariam ver esse volume imenso de recursos públicos transferidos para as mãos dos investidores privados, no mercado de capitais. Por outro lado, o movimento sindical que se prepare! Já tem gente na base aliada defendendo mudanças na política do salário mínimo, para reduzir os ganhos dois trabalhadores e aposentados. A desculpa de sempre é relativa ao impacto que ela estaria provocando na elevação do custo Brasil e na sobrecarga das contas públicas. Com esse tipo de política, quem precisa ter medo dos neocons da oposição mais à direita?"

Cartas marcadas na Sabesp

Vídeo postado pela reportagem de CartaCapital no dia 25 de novembro antecipa as empresas vencedoras da disputa encerrada três meses depois
"Um dia antes da entrega das propostas, o mercado já conhecia quem seriam os vencedores da licitação 

Fabio SerapiãoCartaCapital

Desde o fim do ano passado os paulistas vivenciam os problemas relacionados à crise no abastecimento de água, principalmente os residentes em municípios da região metropolitana da capital e cidades abastecidas pelo Sistema Cantareira. Enquanto a represa agoniza, a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo continua a culpar a “natureza” e a “maior falta de chuva dos últimos 84 anos” pelo inescapável racionamento.

A mesma Sabesp, ao custo de 43,7 milhões de reais mantidos mesmo após corte de 900 milhões no orçamento anual, bombardeia os paulistas diariamente com peças publicitárias veiculadas nas rádios, TVs e internet.

“Fenômenos inesperados da natureza acontecem em todos os lugares, nessas horas somente empresas como a Sabesp apresentam soluções sérias e verdadeiras”, afirma uma das propagandas. Em sua edição de número 788, CartaCapital começou a desconstruir esse discurso do governo do tucano Geraldo Alckmin segundo o qual a causa exclusiva da crise de abastecimento é resultado da ação de uma natureza maldosa e, ao que parece, petista.

Com base em contratos da estatal no âmbito do Programa de Redução de Perdas e amparado em relatório da Agência Reguladora de Saneamento de Energia de São Paulo, mostramos como a relação promíscua entre a estatal e empresas ligadas a ex-diretores causou um desperdício de 1,1 bilhão de reais, entre 2008 e 2013, e fez o índice de perdas aumentar, em vez de diminuir. A Sabesp preferiu a seguinte explicação: perder 32% de toda a água captada não interfere na situação do Sistema Cantareira.

Pois bem. Sendo desimportante o quanto de água a empresa desperdiça, no mesmo momento em que cria um sistema de multas para punir quem... desperdiça água, vamos para outro ponto: a criação de novas fontes de captação. Já em 2004, a Sabesp foi informada sobre a necessidade de “projetos que viabilizem a redução de sua dependência” do Cantareira. Dez anos depois do aviso da Agência Nacional de Águas, a Sabesp ainda não concluiu nenhum projeto alternativo para suprir a dependência do Cantareira.

Vamos nos ater ao principal deles: o Sistema Produtor São Lourenço.

Resultado de uma Parceria Público-Privada (PPP), o projeto de 2,2 bilhões começou a ser executado em 2013, após atraso de dois anos. O objetivo é a construção de uma represa no Rio Piraí, no município de Ibiúna, para enviar 4,7 mil litros de água por segundo para cidades da Grande São Paulo via tubulação de 83 quilômetros de extensão. Até o momento não se tem notícia sobre eventuais irregularidades nessa PPP. Mas o projeto São Lourenço envolve ainda um contrato de 80 milhões de reais para “prestação de serviços técnicos especializados para realizar a gestão metodológica, a supervisão da execução e as auditorias de garantia da qualidade” do programa. É esse contrato o assunto da reportagem.

No dia 25 de novembro de 2013, um dia antes da data estipulada pela Sabesp para entrega dos envelopes com as propostas das empresas interessadas no certame, o resultado da disputa já era conhecido. Tanto entre as empresas quanto dentro da própria estatal era certa a vitória do consórcio formado pelas empresas Cobrape (Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimento) e Vizca Consultoria. Um das participantes da disputa, a Engecorps, tentou inviabilizar o edital. Em representação ao Tribunal de Contas, a empresa afirmou ser o edital um limitador de competitividade e criador de desvantagens indevidas. Nada foi feito e a licitação continuou."


De posse da informação sobre quem seriam os vencedores, um funcionário da estatal entrou em contato com este que vos escreve e pediu para que fosse viabilizada uma forma de provar o fato de a licitação ser, nas palavras dele, com cartas marcadas. Como já passava das 5 da tarde da sexta 25, a saída foi produzir um vídeo com as informações sobre a licitação e postá-lo no YouTube com o nome Os Vencedores. Após o término da licitação, a versão explicitada no vídeo foi confirmada e o consórcio Cobrape/Vizca sagrou-se vencedor do certame.

Falemos das empresas vencedoras. A Cobrape tem como proprietário o engenheiro Alceu Gueirós Bittencourt. Antes do São Lourenço, ganhou cerca de 75 milhões de reais em contratos da estatal no período em que sua esposa, Marisa de Oliveira Guimarães, era assessora da diretoria de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente da Sabesp. Somente dos programas de redução de perdas e uso racional de água, entre 2006 e 2013, a Cobrape embolsou ao menos 36 milhões de reais.

Por sua vez, a Vizca tem vários contratos milionários com diversos órgãos públicos do estado de São Paulo. Entre eles, é parte de um consórcio contratado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) para gerenciar as obras da linha 8 Diamante. Um de suas parceiras nesse consórcio é a Focco Engenharia. Para quem não conhece, a Focco tem como sócio o ex-diretor da CPTM José Roberto Zaniboni. Investigado no Brasil por envolvimento no cartel do Metrô, Zaniboni já foi condenado na Suíça por receber depósitos de 836 mil dólares, a origem de parte dos valores seria o lobista Arthur Teixeira.

Ao que parece, assim como o governo paulista relaciona a crise de água aos deuses, a Sabesp acredita ser obra de intervenção divina a existência do vídeo sobre o resultado do certame. Segundo a estatal, é absolutamente impossível o conhecimento de vencedores de uma licitação um dia antes da entrega dos envelopes. Ainda no entendimento da estatal, o conhecimento antecipado dos vencedores não tem valor, uma vez que o Tribunal de Contas analisou e determinou como legal o edital. Em um cenário como este, quando as crenças se sobrepõem à realidade, deve ter sido essa mesma divindade a responsável por indicar o conselheiro Robson Marinho para analisar a licitação no Tribunal de Contas."

Como possuir as mulheres mais belas segundo Jean Jacques Rousseau


Rousseau
Diário do Centro do Mundo  

"Vamos elevar o nível dos debates.

Jean Jacques Rousseau, o popular Rousseau. Todos conhecem, com certeza. Presumo que citem frases dele com frequência. É pelo menos o que todos fazíamos em minha Havana natal, nos breves intervalos em que não estávamos na praia tomando sol ou derrubando mulatas maravilhosas que faziam nossos bispos (os sobreviventes) chutar postes.

Rousseau fez o mundo como o conhecemos. Os franceses que eliminaram brutalmente a monarquia foram inspirados por Rousseau e seu Contrato Social, que certamente vocês já decoraram de tanto ler, como fazíamos em Havana quando as mulatas não tinham outros planos.

Rousseau inspirou os jacobinos primeiro, e depois Napoleão. Mas até ele tinha que se inspirar em alguém para poder inspirar os outros. JJR se inspirou em Agostinho para escrever As Confissões. Agostinho, o santo, confessou que roubava maçãs na mocidade, assim como nós cubanos, na velha Havana, roubávamos virgindades.

JJR confessou que era adepto fervoroso do onanismo. “A masturbação permite a nós possuir as mulheres mais belas sem que elas tomem conhecimento”, explicou o “maior amigo da humanidade”, como ele era conhecido.

Pronto. Depois de escrever sobre tanta coisa que mamãe, uma santa, não poderia ver sem me punir com sua aberta reprovação, enfim um texto iluminado por Agostinho e Jean Jacques Rousseau.

Estou orgulhoso de mim mesmo."

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Exercício monstruoso do ódio


Laura Capriglione
“É com muita tristeza que deixo meus sentimentos de pêsames à família da Fabiane Maria de Jesus, esposa e mãe de dois filhos, vítima de um ato cruel e desumano de linchamento em via pública, o que levou à sua morte.

É lamentável que fatos como estes aconteçam nos dias atuais e em nossa cidade. Eu, particularmente, a conhecia da Igreja, éramos da mesma comunidade e morávamos no mesmo bairro, no Morrinhos.

A Fabiane era uma boa moça, sofria de problemas psiquiátricos e passou por um problema de depressão pós-parto. Ela participou do grupo de jovens católicos e todos que a conheceram sabem que ela seria incapaz fazer mal a alguém.”

Foi assim que a prefeita do Guarujá, Maria Antonieta de Brito (PMDB), 45 anos, descreveu a jovem Fabiane. Ambas integraram o Grupo de Jovens da Igreja de São João Batista, no bairro em que moravam.

Mesmo com tais referências, entretanto, Fabiane Maria de Jesus morreu aos 33 anos, depois de ser xingada, humilhada e torturada pelas ruas de Morrinhos, na periferia da estância balneária de Guarujá, alcunhada de “Pérola do Atlântico”.

Acusada de sequestrar e de praticar atos de magia negra contra crianças, Fabiane foi encurralada no último sábado em uma rua do bairro por uma turba com sangue nos olhos. Levada ao fundão de uma quebrada, segura pelos braços e pernas como um animal indo ao sacrifício, espancaram-na sob os olhares entre horrorizados e cúmplices de crianças, mulheres e idosos.

O suplício de Fabiane incluiu socos no rosto, marretadas na cabeça, pontapés.

Já inerte, o corpo foi jogado em uma vala fétida.

Em um dos vídeos gravados durante o linchamento, ouve-se a conversa:

- É ela mesmo?
- É ela mesmo.
- Tem certeza, irmão, que é ela mesmo? Tem certeza?
- Ah, lá, na foto.
- Vou pegar a foto dela ali.

Na página de “Guarujá Alerta”, ainda ontem no ar, a condenação era quase unânime, cerca de 1.800 usuários acusando-a de ser a responsável pela morte de Fabiane. A prefeita de Guarujá engrossou o coro em entrevista a este blog: “Quem matou foi uma minoria dos moradores de Morrinhos, instigados pelo uso irresponsável da rede social”.

Antes fosse. Mas não é.

Bairro proletário de 40.000 habitantes, Morrinhos, segundo a prefeita Maria Antonieta, é o lar de “gente ordeira que sai de madrugada para trabalhar”. Mas, então, como explicar que os “bons” não tenham conseguido se impor aos “maus”, impedindo-os de chegar ao fim em seu intento de sangue, tortura e morte?

Bem antes das redes sociais, as fotos que registram os negros enforcados nas árvores do sul dos Estados Unidos (muitos queimados vivos, cenas horrendas) também mostram honoráveis homens de terno e gravata em torno dos corpos, crianças risonhas, mulheres brancas, puritanas e bem compostas, em comemoração.

O problema desse tipo de “justiçamento popular” é que, excluídos os típicos sádicos, tarados por sangue, gente que por isso não tem credibilidade, são exatamente as pessoas ordeiras, os vizinhos pacíficos, os pais extremosos e a gente trabalhadora os principais envolvidos na execução coletiva de alguém. E eles o fazem para vingar, no corpo de sua vítima, da forma mais cruel possível, um delito cometido.

E por quê?

Segundo o professor José de Souza Martins, em seu “As condições do Estudo Sociológico dos Linchamentos no Brasil”, de 1995, “o linchamento não é uma manifestação de desordem, mas de questionamento da desordem. Ao mesmo tempo, é questionamento do poder e das instituições que, justamente em nome da impessoalidade da lei, deveriam assegurar a manutenção dos valores e dos códigos”. E não asseguram.

Pôr a culpa na página “Guarujá Alerta”, por isso, é tão simplista quanto atribuir a Rachel Sheherazade o condão de transformar membros da juventude dourada da zona sul do Rio em assassinos potenciais. “Guarujá Alerta” e Sheherazade tem sua parcela de responsabilidade, mas o problema é bem mais profundo.

Diz respeito à barbárie que surge quando a descrença nas polícias e na Justiça se combina com o medo de que os valores mais tradicionais da família, da Igreja e da vizinhança naufraguem no caos e na desordem.

O trágico é que poucos estariam tão revoltados com o linchamento de Fabiane se ela fosse ao menos “culpada” de alguma coisa, como aconteceu com o menino negro amarrado a um poste em plena praia do Flamengo, no Rio --depois de tanto escarafuncharem a vida do moleque, encontraram várias passagens pela Febem, como se isso justificasse o tratamento digno de capitães do mato.
Mas a inocência de Fabiane, mãe, fragilizada psicologicamente pela depressão, católica, amiga da prefeita, provou que essa tal “Justiça popular”, tão exaltada na internet sob os gritos de “Bandido bom é bandido morto”, é apenas o exercício monstruoso do ódio. Para Fabiane, é tarde demais para desculpas e arrependimentos.
http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/05/exercicio-monstruoso-do-odio.html