sábado, 16 de janeiro de 2010

FRASE

" A verdade verdadeira é que não somos iguais. Uma bomba em Nova Yorque, em Londres ou em Paris desperta a dor do mundo. Mas quando morre 1 milhão de africanos numa guerra o assunto é pé de página dos jornais e os negócios das indústrias de armas continuam de vento em popa"

Fritz Utzeri

Cidadãos brasileiros já doaram R$ 315 mil ao Haiti; Google cria central de doação

Em São Paulo

Nome oficial: República do Haiti
Capital: Porto Príncipe
População: 9.035.536
Idiomas: francês e francês crioulo
Religião: católica, protestante,afro-americanas
Etnias: negros (95%), mulatos e brancos (5%)
IDH (Índice de Desenvolvimento Humano): 148º
Tipo de governo: república presidencialista

Divisão administrativa: o país é dividido em 10 departamentos

A ONG Viva Rio, por exemplo, em cerca de 24 horas já recebeu R$ 40 mil em dinheiro. Segundo a entidade, pela dificuldade de mandar suprimentos desde o Brasil, está sendo estudada uma forma de transferir os recursos para os funcionários que estavam atuando em projetos sociais na sede da instituição em Porto Príncipe, que sacariam o valor e comprariam os insumos - água, remédio e alimentos - em alguma região próxima, como a República Dominicana.

Interligada em todo o mundo, a Care Brasil, por sua vez, contabiliza até agora R$ 100 mil em repasses, vindos principalmente de empresas. Todo esse montante já está sendo enviado para um fundo de emergência mundial da entidade.

Segundo seus representantes em São Paulo, já foi enviada uma grande quantidade de substâncias purificadoras de água - partindo do Panamá - e outras 60 mil refeições com biscoitos de alto valor protéico estão sendo distribuídas aos sobreviventes da tragédia.

Campanha via SMS arrecada quase US$ 4 mi para Cruz Vermelha no Haiti

Em nome da Embaixada do Haiti no Brasil, o Banco do Brasil (BB) também abriu uma conta especial para receber doações. Até o começo da tarde desta quinta-feira (14), já eram R$ 149 mil em verbas para ajudar a recuperar o país atingido terça-feira (12) por um forte tremor de terra. Segundo o BB, os recursos serão utilizados da forma que o governo da ilha caribenha decidir.

A Cruz Vermelha, instalada em Brasília, informou que a conta aberta para receber ajuda de pessoas físicas e jurídicas brasileiras está com um saldo de R$ 26 mil. Toda essa quantia deverá ser aplicada em assistência médica e aquisição de insumos básicos para garantir a recuperação dos atingidos pelos escombros após o terremoto.

Google solidário

Com seu poder e alcance, a empresa por trás do buscador de internet mais popular do mundo criou uma página especial para organizar doações para o Haiti.

Qualquer internauta pode entrar no endereço e, utilizando um cartão de crédito, enviar recursos em dinheiro que serão encaminhadas para instituições como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e para a Care. Na mesma página, o Google também informa que fez uma doação inicial de U$ 1 milhão.

É SÓ ESCOLHER ONDE QUER DEPOSITAR

A embaixada do Haiti no Brasil recebe doações em dinheiro por meio da conta corrente abaixo. Os recursos serão recebidos diretamente pela embaixada e administrados por ela, segundo o Banco do Brasil. Podem ser feitos depósitos ou transferências de qualquer banco e até mesmo de fora do Brasil para a conta corrente.

Nome: Embaixada da República do Haiti
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1606-3
CC: 91000-7
CNPJ: 04170237/0001-71

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também recebe doações só em dinheiro. Segundo Silvia Backes, coordenadora do CICV no Brasil, a entidade não recebe outros tipos de doações, como roupas, devido à dificuldade de enviá-las ao país. Ela diz que há uma equipe de ajuda emergencial da Cruz Vermelha saindo de Genebra com toneladas de doações e com equipes de médicos.

Para doar ao CICV, use a conta corrente abaixo:

Nome: Comitê Internacional da Cruz Vermelha
Banco: HSBC
Agência: 1276
CC: 14526-84
CNPJ: 04359688/0001-51

O Movimento Viva Rio informou que abriu uma conta para receber doações que serão usadas para compra de alimentos, água e medicamentos. Presente desde 2004 no Haiti, o Viva Rio mantém uma equipe de mais de 400 pessoas trabalhando nos projetos, sendo nove brasileiros. Doações podem ser feitas na conta:

Nome: Movimento Viva Rio
Banco: Banco do Brasil Agência: 1769-8 CC: 5113-6

A incapacitação do Haiti



Antes e depois do terremoto

A incapacitação do Haiti

por Ashley Smith, no Counterpunch

Um terremoto devastador, o pior em 200 anos, atingiu Porto Príncipe na terça-feira, destruindo a cidade e matando um número não definido de pessoas. O terremoto mediu 7 pontos na escala Richter e detonou mais de 30 tremores secundários, todos de magnitude 4.5, durante a noite ou na manhã de quarta-feira.

O terremoto destruiu casas construídas pobremente, hotéis, hospitais e mesmo os prédios políticos mais importantes da cidade, inclusive o palácio presidencial. O colapso de tantas estruturas causou uma nuvem gigantesca no céu, que flutuou sobre a cidade, causando uma chuva de poeira sobre as áreas devastadas.

De acordo com algumas estimativas, mais de 100 mil pessoas podem ter morrido em uma metrópole de 2 milhões de pessoas. Aqueles que sobreviveram estão morando nas ruas, com medo de retornar aos edifícios que permaneceram em pé.

Em todo o mundo, haitianos lutam para contatar suas famílias e amigos no país devastado. A maioria não conseguiu chegar a seus amados, uma vez que as linhas telefônicas no país cairam.

* * *

Enquanto a maioria das pessoas reagiu à crise tentando encontrar um jeito de ajudar ou de doar dinheiro, o fanático da direita cristã Pat Robertson [pastor televangelista dos Estados Unidos] deu novos passos na profundidade do racismo. Ele explicou que os haitianos foram amaldiçoados por terem feito um pacto com o diabo quando se libertaram da escravidão francesa na revolução do Haiti de dois séculos atrás.

A mídia corporativa pelo menos noticiou que foi o movimento das placas tectônicas na falha geológica que fica sob Porto Príncipe que causou o terremoto -- e que a incapacidade do governo Préval tornou o desastre muito pior. Mas não foi além da superfície.

"A cobertura do terremoto é marcada pelo divórcio entre o desastre e a história política e social do Haiti", o ativista canadense Yves Engler disse em uma entrevista. "Ela apenas repete que o governo estava completamente despreparado para lidar com a crise. É verdade. Mas não explicaram os motivos".

Por que 60% dos edifícios de Porto Príncipe foram mal construídos e eram inseguros em condições normais, de acordo com o prefeito da cidade? Por que não há regulamentos para a construção em uma cidade que fica sobre uma falha geológica? Por que Porto Príncipe inchou de uma cidade de 50 mil habitantes no anos 50 para 2 milhões de pessoas desesperadamente pobres hoje? Por que o estado foi completamente incapaz de lidar com o desastre?

Para entender esses fatos, temos de olhar para uma segunda falha geológica -- a política imperial dos Estados Unidos em relação ao Haiti. O governo dos Estados Unidos, as Nações Unidas e outros poderes ajudaram a elite do Haiti a submeter o país a planos econômicos neoliberais que empobreceram as massas, causaram deflorestamento, destruiram a infraestrutura e incapacitaram o governo.

Esta "falha" do imperialismo dos Estados Unidos interagiu com a falha geológica para transformar um desastre natural em uma catástrofe social.

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos apoiaram as ditaduras de Papa Doc Duvalier e depois de Baby Doc Duvalier -- que governaram o país de 1957 a 1986 -- como um contrapeso anticomunista à Cuba de Castro, que fica por perto.

Sob a direção de Washington, Baby Doc Duvalier abriu a economia do Haiti para o capital dos Estados Unidos nos anos 70 e 80. A enchente de produtos agrícolas dos Estados Unidos destruiu a agricultura camponesa. Como resultado, centenas de milhares de pessoas fugiram para as favelas de Porto Príncipe para trabalhar por salários baixíssimos nas zonas de processamento de exportação para os Estados Unidos.

Nos anos 80, massas de haitianos se levantaram para expulsar os Duvaliers do poder -- mais tarde, elegeram o reformador Jean-Bertrand Aristide para ser o presidente em uma plataforma de reforma agrária, ajuda aos camponeses, reflorestamento, investimento em infraestrutura para o povo, aumentos de salários e direitos sindicais para os trabalhadores.

Os Estados Unidos, por sua vez, apoiaram o golpe que tirou Aristide do poder em 1991. Eventualmente o presidente eleito foi restaurado ao poder em 1994, quando Bill Clinton mandou tropas dos Estados Unidos para as ilhas -- com a condição de que ele implementasse um plano neoliberal. Os haitianos chamaram a ideia de "plano da morte".

Aristide resistiu a partes do programa dos Estados Unidos para o Haiti, mas implementou outras, enfraquecendo as próprias reformas que propunha. Eventualmente, no entanto, os Estados Unidos se tornaram impacientes com o fracasso de Aristide de obedecer completamente, especialmente quando ele pediu 21 bilhões de dólares em reparações em seu ano final no poder. Os Estados Unidos impuseram um embargo econômico contra o país, levando os camponeses e trabalhadores a uma pobreza ainda maior.

Em 2004, Washington colaborou com a elite do Haiti, que apoiou esquadrões da morte que derrubaram o governo, sequestraram e deportaram Aristide. As Nações Unidas mandaram tropas para ocupar o país e o governo fantoche de Gérard Latortue foi instalado para continuar os planos neoliberais de Washington.

O breve regime de Latortue era completamente corrupto -- ele e seu bando embolsaram grandes porções dos 4 bilhões de dólares mandados para o país pelos Estados Unidos e outros poderes quando acabou o embargo. O regime desmantelou as frágeis reformas de Aristide. Assim, o padrão de empobrecimento e degradação da infraestrutura do país acelerou.

Nas eleições de 2006, as massas haitianas votaram num aliado de longa data de Aristide, René Préval, para presidente. Mas Préval tem sido uma figura fraca, que colaborou com os planos dos Estados Unidos e fracassou na tentativa de enfrentar a crescente crise social.

De fato, os Estados Unidos, a ONU e outros poderes imperiais efetivamente deram a volta no governo Préval e jogaram dinheiro nas ONGs. "O Haiti tem agora a maior presença per capita de ONGs no mundo", diz Yves Engler. O governo Préval se tornou uma ficção, atrás da qual as decisões reais são tomadas pelos poderes imperiais e implementadas através das ONGs escolhidas".

* * *

O verdadeiro poder estatal não é do governo Préval, mas da ocupação dos Estados Unidos apoiada pelas Nações Unidas. Sob liderança brasileira, as forças da ONU protegeram os ricos e colaboraram com -- ou pelo menos fecharam os olhos -- para os esquadrões da morte da direita que aterrorizaram os apoiadores de Aristide e do Partido Lavalas.

As forças de ocupação não fizeram nada para enfrentar a pobreza, a infraestrutura detonada ou o deflorestamento maciço que exacerbou os efeitos de uma série de desastres naturais -- furacões severos em 2004 e 2008 e agora o terremoto em Porto Príncipe.

Em vez disso, elas meramente policiam uma catástrofe social e, ao fazer isso, cometem os crimes normais, característicos de toda força policial. Como Dan Baeton escreveu em uma relatório da NACLA, "a missão de estabilização da ONU no Haiti (Minustah), que começou em junho de 2004, foi marcada por escândalos de assassinatos, estupros e outros casos de violência das tropas desde o início".

Primeiro o governo Bush e agora o governo Obama usaram o golpe e as crises social e natural para expandir os planos econômicos neoliberais dos Estados Unidos.

Sob Obama, os Estados Unidos deram um alívio de 1,2 bilhão de dólares na dívida do Haiti, mas não cancelaram toda a dívida -- o país ainda paga grandes somas para o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O alívio é para disfarçar a verdadeira política de Obama para o Haiti, que é a mesma velha política.

Em colaboração próxima com o enviado especial das Nações Unidas para o Haiti, o ex-presidente Bill Clinton, Obama apóia um programa econômico familiar para todo o resto do Caribe -- turismo, fábricas têxteis (sweatshops) e o enfraquecimento do controle do estado sobre a economia através da privatização e da desregulamentação.

Em particular, Clinton orquestrou um plano para transformar o norte do Haiti num parque turístico, bem longe das favelas de Porto Príncipe. Clinton atraiu a empresa de cruzeiros Royal Caribbean para investir 55 milhões de dólares na construção de um pier na costa de Labadee, que foi alugada pela empresa até 2050.

De lá, a indústria de turismo do Haiti espera promover expedições à fortaleza montanhosa Citadelle e ao palácio de Sans Souci, ambos construídos por Henri Cristophe, um dos líderes da revolução de escravos do Haiti.

De acordo com o Miami Herald:

O plano de 40 milhões de dólares envolve transformar a pequena cidade de Milot, que sedia a Citadelle e o Palácio de Sans Souci, num vila turística vibrante, com mercados de artes e artesanato, restaurantes e ruas de pedra. Os visitantes seriam poupados do congestionamento de Cap-Haïtien, levados para uma baía e depois transportados de ônibus através do campo. Uma vez em Milot, ele poderiam escalar ou ir a cavalo até a Citadelle, nomeada uma herança da Humanidade desde 1982. Ecoturismo, expedições arqueológicas e visitas a rituais de Vodoo estão sendo vendidos pela indústria de turismo de boutique do Haiti e a Royal Caribbean planeja trazer para o país seus maiores navios, criando a demanda por excursões.

Então, enquanto Pat Roberton denuncia a grande revolução escrava do Haiti como um pacto com o diabo, Clinton está ajudando a reduzí-la a uma armadilha turística.

Ao mesmo tempo, os planos de Clinton para o Haiti incluem a expansão da indústria têxtil para tirar vantagem do trabalho barato das massas urbanas. Os Estados Unidos deram isenção fiscal para a indústria têxtil do Haiti para facilitar a volta dos sweatshops ao país.

Clinton celebrou as possibilidades de desenvolvimento dos sweatshops durante um tour de uma fábrica operada e de propriedade do infame Cintas Corp. Ele anunciou que George Soros tinha oferecido 50 milhões de dólares para um novo parque industrial de sweatshops que criaria 25 mil empregos na indústria de roupas. Clinton explicou em uma entrevista que o governo do Haiti poderia criar "mais empregos se reduzisse o custo de fazer negócios, inclusive o custo dos aluguéis".

Como o fundador da TransAfrica, Randall Robinson, explicou ao Democracy Now!, "esse não é o tipo de investimento de que o Haiti precisa. Precisa de investimento de capital. Precisa de investimento para se tornar autosuficiente. Precisa de investimento com o qual possa se alimentar".

Uma das razões pelas quais Clinton pode celebrar os sweatshops de forma tão aberta é que o golpe apoiado pelos Estados Unidos reprimiu toda e qualquer resistência. Livrou o Haiti de Aristide e de seu hábito de aumentar o salário mínimo. Baniu-o do país, aterrorizou seus aliados e barrou o seu partido político, Fanmi Lavalas, o mais popular do país, de disputar o poder. O golpe também atacou organizadores sindicais dentro dos sweatshops.

Como resultado, Clinton pode dizer a empresários: "Seu risco político no Haiti é o menor de toda a minha vida".

Assim, como presidentes anteriores dos Estados Unidos fizeram, o governo Obama tem trabalhado para ajudar a elite do Haiti, patrocinando corporações internacionais que querem tirar vantagem do trabalho barato e enfraquecendo a capacidade do estado do Haiti de regulamentar a sociedade, além de reprimir qualquer resistência política à sua agenda.

* * *

Essas políticas levaram diretamente à incapacitação do estado no Haiti, à infraestrutura dilapidada, aos prédios construídos de forma improvisada, à pobreza desesperada, combinada com furacões e agora com o terremoto, que transformaram desastres naturais em catástrofes sociais.

Enquanto todos devem apoiar a atual tentativa de dar ajuda ao Haiti, ninguém deveria fazê-lo com uma venda nos olhos.

Como disse Engler:

Ajuda ao Haiti sempre foi usada para avançar os interesses imperiais. Isso é óbvio quando você vê como os Estados Unidos e o Canadá trataram o governo de Aristide em contraste com o regime golpista. Os Estados Unidos e o Canadá tiraram quase toda a ajuda de Aristide. Mas depois do golpe eles abriram a torneira de dinheiro para algumas das forças mais reacionárias da sociedade do Haiti.

Devemos portanto agitar contra qualquer tentativa dos Estados Unidos e de outros poderes de usar essa crise para impor seu programa a um país prostrado.

Deveríamos ficar atentos ao papel das ONGs internacionais. Enquanto várias ONGs estão tentando enfrentar a crise, os Estados Unidos e outros governos estão dando dinheiro a elas como forma de enfraquecer o direito do Haiti à autodeterminação. As ONGs internacionais não prestam contas ao estado do Haiti ou à população do Haiti. Assim, o dinheiro da ajuda enviado através delas enfraquece o controle que os haitianos tem sobre sua própria sociedade.

O governo Obama deveria imediatamente suspender o banimento de Aristide do Haiti, assim como do partido dele, o Fanmi Lavalas, de participar do processo eleitoral. Afinal, um conhecido traficante de drogas e golpista, Guy Philippe, e seu partido, a Frente para a Reconstrução Nacional (FRN), foram autorizados a participar do processo eleitoral. Aristide e seu partido, em contraste, são ainda a força política mais popular do país e deveriam tem direito de participar de eleições livres e justas.

Os Estados Unidos também deveriam suspender as deportações de haitianos que fugiram do país por causa da crise e dar a eles status temporário de refugiados. Isso permitiria a qualquer haitiano que fugiu do país por causa da crise política e social desde o golpe, os furacões e agora o terremoto a permanecer legalmente nos Estados Unidos.

Além disso, devemos exigir que os Estados Unidos parem de impor seu planos neoliberais. Os Estados Unidos dilapidaram a sociedade do Haiti por décadas. Em vez do Haiti dever aos Estados Unidos, outros países e instituições financeiras internacionais, o reverso é verdadeiro. Os Estados Unidos, a França, o Canadá e as Nações Unidas devem ao povo do Haiti reparações pelo ataque imperial ao país.

Com esses fundos e espaço político, os haitianos seriam finalmente capazes de começar a construir seu próprio futuro político e econômico -- o sonho da grande revolução dos escravos de 200 anos atrás.

Haiti: Quem é que privatizou o estado?

por Bill Quigley, no Huffington Post
Posted: January 14, 2010 08:45 PM

What the Mainstream Media Will Not Tell You About Haiti: Part of the Suffering of Haiti is "Made in the USA" (O que a mídia corporativa não vai te contar sobre o Haiti: Parte do sofrimento é Made in USA)

Parte do sofrimento no Haiti é "Feito nos Estados Unidos". Se um terremoto pode danificar qualquer país, as ações dos Estados Unidos ampliaram os danos do terremoto no Haiti.

Como? Na última década, os Estados Unidos cortaram ajuda humanitária ao Haiti, bloquearam empréstimos internacionais, forçaram o governo do Haiti a reduzir serviços, arruinaram dezenas de milhares de pequenos agricultores e trocaram apoio ao governo por apoio às ONGs.

O resultado? Pequenos agricultores fugiram do campo e migraram às dezenas de milhares para as cidades, onde construiram abrigos baratos nas colinas. Os fundos internacionais para estradas e educação e saúde foram suspensos pelos Estados Unidos. O dinheiro que chega ao país não vai para o governo mas para corporações privadas. Assim o governo do Haiti quase não tem poder para dar assistência a seu próprio povo em dias normais -- muito menos quando enfrenta um desastre como esse.

Alguns dados específicos de anos recentes.

Em 2004 os Estados Unidos apoiaram um golpe contra o presidente eleito democraticamente, Jean Bertrand Aristide. Isso manteve a longa tradição de os Estados Unidos decidirem quem governa o país mais pobre do hemisfério. Nenhum governo dura no Haiti sem aprovação dos Estados Unidos.

Em 2001, quando os Estados Unidos estavam contra o presidente do Haiti, conseguiram congelar 148 milhões de dólares em empréstimos já aprovados e muitos outros milhões de empréstimos em potencial do Banco Interamericano de Desenvolvimento para o Haiti. Fundos que seriam dedicados a melhorar a educação, a saúde pública e as estradas.

Entre 2001 e 2004, os Estados Unidos insistiram que quaisquer fundos mandados para o Haiti fossem enviados através de ONGs. Fundos que teriam sido mandados para que o governo oferecesse serviços foram redirecionados, reduzindo assim a habilidade do governo de funcionar.

Os Estados Unidos tem ajudado a arruinar os pequenos proprietários rurais do Haiti ao despejar arroz americano, pesadamente subsidiado, no mercado local, tornando extremamente difícil a sobrevivência dos agricultores locais. Isso foi feito para ajudar os produtores americanos. E os haitianos? Eles não votam nos Estados Unidos.

Aqueles que visitam o Haiti confirmam que os maiores automóveis de Porto Príncipe estão cobertos com os símbolos de ONGs. Os maiores escritórios pertencem a grupos privados que fazem o serviço do governo -- saúde, educação, resposta a desastres. Não são guardados pela polícia, mas por segurança privada pesadamente militarizada.

O governo foi sistematicamente privado de fundos. O setor público encolheu. Os pobres migraram para as cidades.

E assim não havia equipes de resgate. Havia poucos serviços públicos de saúde.

Quando o desastre aconteceu, o povo do Haiti teve que se defender por conta própria. Podemos vê-los agindo. Podemos vê-los tentando. Eles são corajosos e generosos e inovadores, mas voluntários não podem substituir o governo. E assim as pessoas sofrem e morrem muito mais.

Os resultados estão à vista de todos. Tragicamente, muito do sofrimento depois do terremoto no Haiti é "Feito nos Estados Unidos".

Fonte: Vi o Mundo

Glogo vai passar a fazer teste de bafômetro em seus comentaristas.

Duas semanas depois, a maga do jornalismo nos brinda — agora na rádio CBN, também da Globo — com uma explanação cuja primazia é, finalmente, só dela. No caso, Hippolito interage (na realidade, faz o possível para falar) com o apresentador Roberto Nonato. Você pode ouvir o áudio da entrevista acima, mas, diante de uma demonstração de jornalismo honesto, corajoso e progressista, vale a pena transcrever o diálogo na íntegra.

ROBERTO NONATO: “Oi, Lucia Hippolito, boa noite!”

LUCIA HIPPOLITO (voz embargada): “Boa noite, Nonato. Boa noite, ouvintes da CBN.”

ROBERTO NONATO: “Ô, Lucia... O presidente Lula assinou o decreto que cria o grupo para elaborar o projeto da Comissão da Verdade, sobre violações de direitos no regime militar. E, para tentar resolver aquela crise entre os ministros da Defesa e dos Direitos Humanos, o texto não usa a apalavra ‘repressão’, Lucia. É uma tentativa de apagar o incêndio entre os ministros, né?”

LUCIA HIPPOLITO (a voz piora): “Olha, Luís (Luís?!? Não era Nonato?). Eu... eu... eu, particularmente, acho uma coisa muito complicada. Acho que o presidente... cometeu um... um erro político... no sentido de cooo... de cometer um... um... um mooonte de... de... de... erros.... De... de... de criar um monte de empresas... (empresas??? no Plano Nacional de Direitos Humanos?), um monte de brigas... nesse problema. Agora, eu acho o seguinte: desse ponto de vista exclusivo... das... das... ele num... das, das... dos direitos humanos, do ponto de vista dos direitos humanos... eu vou dizer uma coisa para você... é...”

ROBERTO NONATO: “Ô, Lucia... A gente vai tentar refazer o contato pra voltar daqui a pouco em melhores condições...”

LUCIA HIPPOLITO: “Éééé... esse... o telefone tá piscando (hã?)... tá... ele tá cortando a linha... (desligam o som).

ROBERTO NONATO: Tá, ok. Só um instantinho. Daqui a pouco a gente volta...


Dor de barriga faz comentarista falar mal de Lula


A explicação que a comentarista Lucia Hippolito deu para o comentário esdrúxulo que fez na rádio CBN (clique aqui para ouvir) foi a seguinte:

Obrigada pelo carinho

Quero agradecer a todos e todas que me escreveram, telefonaram, enviaram emails ou deixaram comentários aqui neste blog, preocupados e preocupadas comigo.

Devo a vocês uma explicação, muito mais prosaica do que as interpretações mirabolantes que possam circular por aí.

Desde o dia 10 de janeiro, domingo, estou padecendo de uma pedestre gastroenterite. Melhoro um dia, pioro no outro, e ninguém encontra uma causa plausível.

No dia 13, quarta-feira, errei ao entrar no ar. Estava com muitas cólicas e, na hora de falar, tive uma cólica lancinante. Não conseguia controlar a dor.

Não tenho ideia nem do que falei, mas preferimos cortar a ligação na hora em que larguei o telefone e corri para vocês-sabem-onde.

Tive febre o dia inteiro na quinta. Tomo remédios, faço todo tipo de exame para saber se é um rotavirus, uma simples virose, uma empadinha estragada ou o quê.

É simples assim. Muito menos glamouroso, mas foi o que aconteceu.

Obrigada de coração pelo carinho de vocês. Vocês são dez!

O resto é a patrulha da lama em ação.


Nota do Viomundo:


Desejamos a pronta recuperação da comentarista.

Aceita a explicação dela, é preciso considerar:

1. Que o comentário dela não faz sentido;

2. Que a única coisa que a gente consegue entender do comentário dela é que o Lula fez alguma coisa de errado e que a culpa é dele;

3. Donde concluímos que, por causa de uma gastroenterite, ela falou mal do presidente da República.

Diria o PHA que é a virose do PIG.

Fonte: Blogs A P L e Vi o Mundo

Charge do Bira



O governador de São Paulo, José Serra(PSDB), já definiu sua estratégia de campanha. Nenhuma novidade foi apresentado pelo candidato. A fórmula é aquela de sempre. Ele não vai "bater" em Lula. Vai mandar.

No jornal O Estado de São Paulo, Serra disse"Candidato a presidente não é chefe da oposição", afirmou, delegando ao PSDB a tarefa de criticar o governo Lula e se guardando para o que considera o confronto real, com a candidata Dilma Rousseff, mais adiante.

Sera disse que o presidente Lula antecipou o calendário eleitoral também para atraí-lo antes do tempo...No entanto, o jornal de oposição ao Governo Lula, o Globo, diz :"Líder das pesquisas de intenção de voto para presidente da República, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), também prepara a entrega de pacotão de obras em seu último ano no governo" Leia aqui Demagogia pouca, é bobagem para o tucano José Serra...

Fonte: blog A P L


Veja, não.. ou melhor, olhe..


Serra também terá pacote de inaugurações

Governador investe R$12,2 bilhões em projetos que serão concluídos até o fim de março

Sérgio Roxo

SÃO PAULO. Líder das pesquisas de intenção de voto para presidente da República, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), também prepara a entrega de pacotão de obras em seu último ano no governo. O pré-candidato tucano concentrará investimentos no setor de transportes: serão R$12,2 bilhões, em inaugurações previstas para o fim de março. Os eventos estão previstos para acontecer poucos dias antes da data limite para o tucano deixar o cargo (3 de abril), caso resolva mesmo se lançar à disputa. Procurado ontem, o governo paulista não quis comentar o assunto.
O tucano planeja entregar, numa tacada só, uma nova linha de metrô e a extensão de uma outra. Também deve inaugurar o trecho sul do Rodoanel (que interliga as principais rodovias que cruzam a cidade, retirando caminhões do Centro) e a ampliação das pistas da Marginal Tietê, a principal via expressa de São Paulo, que cruza a cidade de leste a oeste, com 22 quilômetros de extensão.
Para a oposição, o pacotão de obras de Serra tem o objetivo de promover a pré-candidatura do tucano:
- Lamento que façam uma campanha eleitoral com dinheiro público. As obras são necessárias, mas só entregam em época de campanha. Essas obras foram projetadas para serem entregues nessa data. São realizadas a toque de caixa - afirmou o deputado estadual Zico Prado (PT), vice-presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa.
Término de obra em trecho do metrô está previsto para março
Das quatro obras do pacotão, duas foram iniciadas na gestão Serra e duas, herdadas do antecessor, o também tucano Geraldo Alckmin. A linha 4 do metrô de São Paulo, que na verdade é a quinta linha do sistema, está sendo construída desde 2004 para ligar o Centro à Zona Oeste da cidade. Para o dia 30 de março, está prevista a inauguração de um pequeno trecho com duas estações. Até junho, ainda antes do início oficial da campanha eleitoral para presidente, serão inauguradas mais quatro estações num trecho de 12,8 quilômetros, que custarão R$3,8 bilhões. A expectativa é atender 700 mil pessoas por dia. A obra completa, com mais cinco estações, ficará pronta em 2012. O acidente que matou sete pessoas em janeiro de 2007 atrasou o cronograma.
A segunda obra do pacotão mais antiga em andamento é o trecho sul do Rodoanel, iniciada em 2006. Com 61,4 quilômetros, fará com que caminhões que saem do interior com destino ao Porto de Santos não precisem mais passar por dentro da capital paulista. A ministra Dilma Rousseff também pode tentar colher os louros dessa obra, já que um terço dos R$4,7 bilhões que devem ser gastos virá do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo Lula. O restante será bancado pelo governo estadual. A inauguração deve acontecer em 27 de março.
Em 2008, já no governo Serra, foi iniciado o projeto de expansão da linha 2 do metrô, com três novas estações. A primeira foi inaugurada no último domingo e outras duas começam a funcionar em março, sem data definida. A expansão custará R$2,4 bilhões e permitirá que mais 415 mil de pessoas utilizem a linha.
A última das obras a ser iniciada foi a de ampliação da Marginal Tietê. Em junho deste ano, o governo estadual começou a construir três novas faixas em cada sentido da via, que tem 22,7 quilômetros. A previsão é que o tempo de viagem pela marginal, que vive congestionada, diminua 40%. O estado de São Paulo pagará R$1,3 bilhão pela obra, prevista para ser concluída em 28 de março. Uma segunda fase do projeto, com três pontes e três viadutos, ficará para outubro e custará R$600 milhões.
Na avaliação do cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o pacotão pode impulsionar o nome de Serra:
- Existe a combinação da maturação das próprias obras que começaram no início da gestão e a preocupação do governante de inaugurar no período em que possa tirar o melhor proveito (eleitoral) - diz.

Fonte: Clipping ( assessoria de comunicação do TSE)

harge On line do Bessinha

Assunto: Ministro Gilmar Mendes

Deu na Folha de S. Paulo
Mónica Bergamo - 27/10/2009

VIDA NOVA

Depois de 32 anos de serviço público, Guiomar Feitosa Mendes, mulher de Gilmar Mendes, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), está se aposentando. Guiomar, que está há 23 anos no STF (Gilmar virou ministro há apenas sete anos) e já trabalhou com os ministros Marco Aurélio Mello e Carlos Ayres Britto, no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), será agora gestora da área jurí­dica do escritório do advogado Sergio Bermudes, do Rio.
Mónica Bergamo, porém, esqueceu um "pequeno" detalhe, diligentemente notado por Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada. Mulher de Gilmar vai trabalhar com advogado de Dantas. A Grande Famí­lia

A 'colunista' Mónica Bergamo informa na Folha de hoje que a mulher de Gilmar Dantas vai trabalhar como "gestora na área jurí­dica (?) do escritório do advogado Sergio Bermudes, do Rio."

A 'colunista' Mónica Bergamo é excepcionalmente diligente e bem informada, até certo ponto. Tão bem informada, ela se esquece de informar que Sergio Bermudes é um dos notáveis advogados dos 100 advogados da milícia judicial de Daniel Dantas. Ou seja, a mulher do juiz que, deu em 48hs, dois HCs a Daniel Dantas vai trabalhar com o advogado de Dantas.

Viva o Brasil !

Paulo Henrique Amorim

enviado pelo seguidor: Luis Gerardo Rotunno

A imprensa mente

Do blog do Planalto:O Estadão se enganou

Não procede a informação publicada hoje (15/1) no jornal O Estado de S. Paulo dizendo que o presidente Lula teria tido uma conversa reservada com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, na noite da última quarta-feira, no Palácio da Alvorada, depois do ato de assinatura dos termos de cooperação do Governo Federal com as cidades que vão sediar a Copa de 2014.

Do blog do Planalto:O Globo faz vista grossa para erro

Na edição da última quinta-feira (14/01), a chamada de primeira página do jornal O Globo distorceu o conteúdo da própria reportagem publicada internamente, afirmando que o presidente Lula teria pedido que as obras da Copa não passassem por fiscalização. Em razão disso, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República enviou ao editor responsável pelo jornal a seguinte carta:

Na primeira página de sua edição desta quinta-feira (14/01), O Globo afirmou que “Lula pede vista grossa em obras da Copa”. Em momento algum o Presidente fez essa afirmação, como é possível confirmar na íntegra da matéria publicada na página 37. O que ele disse foi: “Nós precisamos criar, companheiro Orlando, um movimento que possa envolver, uma espécie de um tratado, de um ajuste de conduta entre os órgãos executores e os órgãos fiscalizadores, para que a gente não dê, na fiscalização das coisas -- seja na questão ambiental, seja na Controladoria, seja no Tribunal de Contas ou em qualquer outro órgão -- o mesmo tratamento, como se nós estivéssemos vivendo um tempo de normalidade”. Portanto, a afirmação de que o presidente pediu “para que as obras da Copa de 2014 não passem por fiscalização nem sejam embargadas por questões ambientais para que não sofram atrasos” é de absoluta má-fé e viola o direito do leitor a informações corretas. Seria ótimo que O Globo corrigisse a informação com o mesmo espaço e destaque.

A carta foi publicada na edição de hoje (15/01), sem a frase final, acima destacada. E, ao invés de se retratar pelo erro, o jornal procurou justificá-lo com a seguinte Nota da Redação:

As aspas do presidente, enviadas aqui pelo secretário de Imprensa do Palácio do Planalto, deixam claro que Lula pede um tratamento especial da fiscalização para as obras do PAC na Copa. Diz o presidente: “(…) para que a gente não dê, na fiscalização das coisas (…) o mesmo tratamento, como se nós estivéssemos vivendo num tempo de normalidade.” Ao que se sabe, o Brasil não vive quadro de calamidade pública ou estado de sítio que permita ao governo tocar obras sem fiscalização normal e rotineira.

De acordo com o Novo Dicionário Aurélio (Nova Fronteira, 1975), fazer vista grossa é “ver e fingir que não vê; deixar passar”. Absolutamente não foi isso que o presidente pediu, conforme pode ser visto na íntegra de seu discurso, cujo áudio e transcrição estão publicados na página da Secretaria de Imprensa, e na edição em vídeo disponibilizada abaixo.

Tratamento especial, negociado entre executores e fiscalizadores das obras, especificamente nos casos em que não se pode adiar um evento da magnitude de uma Copa do mundo de futebol, não é fazer vista grossa.

Globo sabe que errou. Quando a imprensa erra, não deve fazer vista grossa para seus erros.

Em 27 dias, STJ paralisa principais operações da PF

Nos últimos 27 dias, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu os processos judiciais decorrentes de duas das principais operações realizadas pela Polícia Federal nos últimos anos - a Satiagraha, deflagrada em 8 de julho de 2008, e a Castelo de Areia, de 25 de março do ano passado. As decisões do tribunal superior, ainda que provisórias, são um revés à atuação do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo, e se somam a uma outra liminar que afastou o magistrado do processo gerado por uma terceira operação de porte da Polícia Federal. No dia 15 de dezembro, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região atendeu a um pedido da defesa dos responsáveis pelo fundo MSI, acusado de usar o Corinthians para lavar dinheiro, e afastou temporariamente o juiz da ação judicial referente à Operação Perestroika.

Nos últimos meses, a defesa de réus em processos gerados por investigações da Polícia Federal passou a se valer de recursos que tentam afastar o juiz Fausto de Sanctis dos processos ou anulá-los, diante de argumentos como a suspeição do juiz e a ilicitude das provas que fundamentaram a abertura dos processos. No caso do MSI e do Corinthians, a defesa dos réus alegou que De Sanctis prejulgou o processo ao fundamentar a decisão de instaurar a ação penal diante da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal. O TRF acatou o argumento ao entender que o juiz foi parcial e determinou a suspensão da ação até o julgamento do mérito do caso.

O mesmo entendimento foi dado pelo ministro Arnaldo Esteves Lima, do STJ, ao suspender, em 15 de dezembro do ano passado, todos os processos referentes à Operação Satiagraha - inclusive a condenação do banqueiro Daniel Dantas a dez anos de prisão por corrupção ativa na primeira instância. Esteves Lima concedeu uma liminar suspendendo as ações penais também diante do argumento de suspeição do juiz, cujo mérito será analisado em fevereiro.

Diante da proliferação de pedidos de suspeição - além dos já concedidos, há outros que aguardam decisões de tribunais -, o juiz Fausto De Sanctis tentou, ao instaurar o novo processo contra os diretores da Camargo Corrêa na segunda-feira, evitar que a ação penal tivesse o mesmo destino dado aos processos abertos contra Dantas e os representantes do fundo MSI. Na decisão, o magistrado diz que "a análise pormenorizada das imputações endereçadas aos réus não constitui prejulgamento do feito". E argumentou que, no caso do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu a denúncia contra 40 denunciados em uma decisão de 1.143 folhas, e que seu voto no julgamento do caso teve 616 páginas.

Fonte: blog A P L

Gilmar Mendes suspende lei que proibia cobrança da assinatura de telefone fixo em SP

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, suspendeu uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo que proibia a cobrança da assinatura mensal dos serviços de telefonia fixa e celular no Estado de São Paulo. A lei, de dezembro, entraria em vigor no dia 6 de fevereiro.

A pedido da Associação Brasileira das Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), Mendes concedeu uma liminar para suspender a lei, cujo projeto tinha sido vetado totalmente pelo governador José Serra sob a alegação de que era inconstitucional. Posteriormente, o veto foi derrubado pela Assembleia Legislativa e a lei foi aprovada.

O presidente do STF concluiu que legislar sobre cobrança em matéria de telecomunicações é uma competência federal e não estadual. Segundo ele, há uma jurisprudência firme no STF sobre isso. Gilmar Mendes citou uma decisão de 2007 na qual a ministra Ellen Gracie suspendeu uma lei de Santa Catarina que vedava a cobrança.

"A lei estadual, ao proibir a cobrança de assinatura mensal dos serviços de telefonia no Estado de São Paulo, dispôs sobre matéria de competência privativa da União", afirmou Mendes em sua decisão. Para conceder a liminar, ele disse que havia urgência, já que a lei entraria em vigor em 6 de fevereiro. Segundo Gilmar Mendes, poderiam ocorrer situações irreversíveis se a lei entrasse em vigor, com danos para as prestadoras de serviços de telecomunicações no Estado de São Paulo.

Fonte : blog A P L

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Frase

"A mentira é como a bola de neve; quanto mais rola, tanto mais aumenta."

Martinho Lutero

Choramos por ti Haiti



Muito das tuas desgraças nos últimos 200 anos advém dos teus governantes corruptos e dos governos americanos golpistas.





'É o momento que pede a liderança americana', diz Obama



Presidente afirma que EUA trabalharão em conjunto com a ONU e principalmente com o Brasil

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quinta-feira, 15, que a situação de horror vivida pelo mundo por conta do terremoto que atingiu o Haiti na terça-feira é o "momento que pede a liderança americana".

Obama disse, em seu discurso sobre a postura do país quanto ao Haiti, que trabalhará em conjunto com a ONU e especialmente com o Brasil, que lidera a missão de paz da entidade no país caribenho.

O presidente americano também expressou condolências às vítimas do terremoto e seus familiares e disse que os EUA farão o possível para auxiliar nos trabalhos de resgate. "Nos solidarizamos com nossos vizinhos do sul. Nossas primeiras equipes já estão a caminho, vamos trabalhar para salvar vidas", disse, acrescentando que as perdas no Haiti não são "menos que devastadoras".

Fonte

Postado por Glória Leite

Lugar de torturador é na cadeia.

Banda larga na escola chegou a 43 mil escolas até 2009

O Programa Banda Larga nas Escolas, viabilizado por uma parceria firmada entre órgãos do governo federal, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e operadoras de telefonia, tem como meta conectar 56.685 escolas públicas urbanas por banda larga até dezembro de 2010.

2009 fechou com 43.193 escolas conectadas à internet em banda larga. Desse total 25.331 escolas foram instaladas durante o ano de 2009, mais do que dobrando as escolas conectadas em relação à 2008.

Banda Larga já chega a quase 90% dos municípios

Em dezembro do ano passado, 4.897 municípios brasileiros estavam equipados com infraestrutura para internet em banda larga, número que representa 88% de todas as cidade do país.


De acordo com as metas obrigatórias, as empresas de telefonia têm que levar a rede de banda larga até a sede de todos os municípios brasileiros até dezembro deste ano.

Os dados foram apresentados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a representantes da Casa Civil, dos ministérios da Educação, das Comunicações e do Planejamento em reunião sobre o cumprimento das metas relacionadas à instalação de backhaul nos municípios e de banda larga nas escolas públicas urbanas.

Estas metas e programas são anteriores e não fazem parte do Plano Nacional de Banda Larga, que o governo deverá lançar no próximo mês, com a reativação da Telebrás.

fonte: A P L

MST desmente mais uma "reporcagem" da revista Veja

Como VEJA está depredando o jornalismo e a verdade
12 de janeiro de 2010

NOTA DO MST-PA SOBRE REPORTAGEM DA REVISTA VEJA

1-O MST do Pará esclarece que não tem nenhuma fazenda ocupada no município de Tailândia, como afirma a reportagem da Revista Veja “Predadores da floresta” nesta semana. Não temos nenhuma relação com as atividades nessa área. A Veja continua usando seus tradicionais métodos de mentir e repetir mentiras contra os movimentos sociais para desmoralizá-los, como lhes ensinou seu mestre Joseph Goebbels. A reportagem optou por atacar mais uma vez o MST e abriu mão de informar que o nosso movimento não tem base social nesse município, dando mais um exemplo de falta de respeito aos seus leitores.

2-A área mencionada pela reportagem está em uma das regiões onde mais se desmata no Pará, com um índice elevado de destruição de floresta por causa da expansão do latifúndio e de madeireiras. Em 2007, a região de Tailândia sofreu uma intervenção da Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal, e latifundiários e donos de serrarias foram multados pelo desmatamento. Os madeireiros e as empresas guseiras estimulam o desmatamento para produzir o carvão vegetal para as siderúrgicas, que exportam a sua produção. Por que a Veja não denuncia essas empresas?

3-Na nossa proposta e prática de Reforma Agrária e de organização das famílias assentadas, defendemos a recuperação das áreas degradas e a suspensão dos projetos de colonização na Amazônia. Defendemos o “Desmatamento Zero” e a desapropriação de latifúndios desmatados para transformá-los em áreas de produção de alimentos para as populações das cidades próximas. Também defendemos a proibição da venda de áreas na Amazônia para bancos e empresas transnacionais, que ameaçam a floresta com a sua expansão predatória (como fazem o Banco Opportunity, a Cargill e a Alcoa, entre outras empresas).

4-A Veja tem a única missão de atacar sistematicamente o MST e a organização dos camponeses da Amazônia, para esconder e defender os privilégios dos verdadeiros saqueadores das riquezas naturais. Os que desmatam as florestas para o plantio de soja, eucalipto e para a pecuária extensiva no Pará não são os sem-terra. Esse tipo de exploração é uma necessidade do modelo econômico agroexportador implementado no Estado, a partir da espoliação e apropriação dos recursos naturais, baseado no latifúndio, nas madeireiras, no projeto de exportação mineral e no agronegócio.

5-Por último, gostaríamos de comunicar à sociedade brasileira que estamos construindo o primeiro assentamento Agroflorestal, com 120 famílias nos municípios de Pacajá, Breu Branco e Tucuruí, no sudeste do Estado, em uma área de 5200 hectares de floresta. Nessa área, extraímos de forma auto-sustentável e garantimos renda da floresta para os trabalhadores rurais, que estão organizados de maneira a conservar a floresta e o desenvolvimento do assentamento.

DIREÇÃO ESTADUAL DO MST DO PARÁ

Marabá, 12 de janeiro de 2010

Água da Sabesp está está contaminada com esgoto

A água distribuída pela Sabesp durante a maior parte do ano passado em Bertioga, no litoral de São Paulo, estava imprópria para consumo humano segundo relatório feito pela própria empresa.

Os dados mostram que a água apresenta coliformes termotolerantes (que aponta que houve contato com o esgoto)--Lembrando: O esgoto da Sabesp vazou e alagou o bairro Pantanal em São Paulo--. O mesmo problema também foi detectado em Praia Grande, mas em menor escala. O mesmo relatório aponta ainda graves problemas na água distribuída em outras cidades do litoral paulista, com a presença de coliformes totais (oriundos de matéria orgânica), como em São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Ilhabela e Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá.

Em Bertioga, a presença de coliformes termotolerantes aparece em ao menos 4 dos 11 meses analisados (os dados de dezembro não estão disponíveis). A presença desses coliformes pode ser indicativo de contaminação por algum tipo de bactéria que causa doenças como febre tifóide, febre paratifóide, desinteria e cólera.


Uma portaria do Ministério da Saúde diz que a água só é potável se não houver presença desse tipo de bactéria. De acordo com o diretor de Sistemas Regionais da Sabesp, Umberto Cidade, a presença de coliformes termotolerantes nunca foi confirmada na reanálise do material. Ele só não explicou por que os registros se concentraram em Bertioga (leia mais ao lado).

Nas outras 11 cidades do litoral paulista atendidas pela Sabesp, só foi constatada a presença desse tipo de bactéria em uma amostra (entre 150) da Praia Grande, em outubro. A portaria também estabelece que não é aceitável a presença de coliformes totais em até 5% das amostras.

Em Bertioga, esse índice foi superado em todos os meses. No posto de cloração da Riviera de São Lourenço, o índice só ficou abaixo de 5% em fevereiro. Também houve detecção de coliformes totais em São Vicente (oito meses), Praia Grande (cinco meses), Mongaguá (quatro), Itanhaém (três), Ubatuba (dois), Ilhabela e Vicente de Carvalho --distrito do Guarujá -- (uma vez cada um). Os coliformes totais são indicadores de que o sistema é vulnerável a outros organismos que podem ser prejudiciais.

Doenças

De acordo com o gastroenterologia da Unifesp Sérgio Domingues, a água contaminada pode causar doenças do tubo digestivo que provocam a diarreia ou ainda viroses do tipo hepatite ou rotavírus.Aqui no Agora

Leia:


Surto de diarreia sobe a serra e já atinge o interior
Doentes com diarreia lotam hospitais
Surto de diarreia se espalha pelo litoral sul de SP
Doentes da chuva lotam os postos de saúde


No dia 08 deste mês, Guarujá, município localizado na Baixada Santista, enfrentou um surto de diarreia.1,5 mil pessoas procuraram prontos-socorros com sintomas como diarreia, vômito e fortes dores no corpo.Na ocasição, o o infectologista Caio Rosenthal, do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, a água da Sabesp que abastece o Guarujá pode estar contaminada com um agente causador da diarreia. "Provavelmente, é a água que está irrigando um certo bairro ou comunidade que está contaminada", afirmou.

Fonte: blog A P L

harge On line do Bessinha

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se encontra em Cancun, no México, telefonou para sua assessoria, em Brasília, quando tomou conhecimento de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 4,31% no ano passado, conforme divulgou hoje (13) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Abaixo, portanto, do centro da meta de 4,5%.

Meirelles ressaltou que o Brasil cumpriu a meta de inflação pelo sexto ano seguido, e disse que a inflação sob controle representou “previsibilidade” para a economia, com consequente aumento do nível de investimento. Isso, no seu entender, permitiu crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 5% ao ano - mais que o dobro do PIB no período recente.

Meirelles afirmou ainda que a inflação sob controle “criou condições para o aumento da renda dos trabalhadores e variação vigorosa do nível de empregos”. Acrescentou também que “o Brasil iniciou a segunda década do Século 21 com respeito internacional e com perspectiva de crescimento sustentado por longo tempo, que será marcado com uma redução substancial das desigualdades sociais”.


Postado por Glória Leite

Charge On line do Bessinha

Lula não leu, oposição não leu, Nêumanne não leu




Comentário de José Nêumanne Pinto, no SBT, a respeito do Plano Nacional de Direitos Humanos III (por sugestão do leitor Manoel Ramires):

A chamada política nacional de direitos humanos do governo Lula põe fim à liberdade de expressão e de opinião dos meios de comunicação e da pesquisa científica e ainda dá um chute no balde de nossa galinha dos ovos de ouro, o agronegócio.

Comparadas com isso aí, as reformas de base de João Goulart que levaram os militares ao poder em 64 são café pequeno. Mas hoje o presidente assina sem ler. A oposição também não lê. E os militares... alguem sabe por onde andam os militares?

Juro que ele falou isso, em rede nacional de televisão.

Mas a reportagem apresentada pelo Boris Casoy continua liderando a disputa.

O Jornal Nacional caiu para o terceiro lugar.

Nêumanne, deixa de ser preguiçoso: leia você mesmo o PNDH III.

O que aprendi na polêmica do PNDH

por Luiz Carlos Azenha

Definiu um leitor do Nassif que "a montanha pariu um rato". Seria uma boa imagem se, depois de tantos litros de tinta, tantas páginas de jornal, tantos minutos em emissoras de rádio e televisão dedicados à polêmica do Plano Nacional de Direitos Humanos não extraíssemos absolutamente nada.

Não foi o caso. Podemos dizer que a polêmica pariu uma tremenda discussão sobre Direitos Humanos e renovou o ímpeto daqueles que lutam para aprofundar a democracia brasileira e fazer valer direitos não apenas aos latifundiários da terra e do espaço eletromagnético. Um leitor do Viomundo -- a quem peço perdão antecipado por não ter anotado o nome -- apontou o nexo entre esses dois grupos por trás da polêmica.

Não é por acaso que, do lado de lá, sustentando a teoria doidivanas de que o PNDH representa algum tipo de "cobertura" a um "golpe autoritário" no Brasil, estavam os editorialistas da Folha, do Estadão, as páginas da revista Veja, o Ali Kamel, o Boris Casoy apud Ives Gandra Martins, a Confederação Nacional da Agricultura (da Kátia Abreu), a OAB paulista (a mesma do "Cansei"), setores conservadores da Igreja, o José Nêumanne, o Alexandre Garcia e uma infinidade de outros personagens menores.

O leitor Gustavo Paim Pamplona disse, em comentário, que o terremoto no Haiti -- e as trágicas mortes de Zilda Arns e dos militares brasileiros -- acabou abortando a primeira grande "crise" de 2010, que na verdade é mais uma de muitas. Quem é leitor do site acompanhou conosco o caos aéreo, a epidemia inexistente de febre amarela e a devastação da gripe suína, em que alguns ingredientes que vimos agora já estavam presentes: a desinformação acoplada a um discurso apocalíptico dos adversários do governo Lula.

Já dava para notar para onde caminharia a "crise", não fosse pelo infortúnio caribenho: iria bater às portas da Casa Civil e de Dilma Rousseff.

Há quem diga que foi tudo tramado por José Serra ou assessores dele: a crise perfeita. Presidente da República em férias, a musa da febre amarela vaza um relatório que ainda não tinha chegado ao Ministério da Defesa dando conta de que a FAB montou uma espécie de pódium aeronáutico com medalhinha de ouro para o jato sueco, medalhinha de prata para o jato americano e medalhinha de bronze para o jato francês, justamente o preferido do presidente da República.

Some-se a isso o descontentamento militar com detalhes do Plano Nacional dos Direitos Humanos, especificamente com o estabelecimento de uma comissão da verdade para apurar os crimes cometidos pela "repressão política" durante o regime militar. Eram esses os ingredientes do caldo cozido no fogo da mídia.

Resisto em acreditar em maquinações que requeiram a articulação de mais de meia dúzia de pessoas. Mas o "modo de operação" é razoavelmente conhecido: os jornais repercutem as notícias uns dos outros, que ganham perna nos telejornais e... vira uma bola de neve, especialmente atraente num ciclo de poucas notícias.

Vi isso ao vivo, nos tempos em que eu era repórter da TV Globo: sai na Veja, ganha pernas no Jornal Nacional de sábado, sai nos jornalões de domingo e segunda-feira tem "crise". Ou seja, é uma fórmula um tanto desgastada.

É importante considerar, nesse caso, que em um negócio bilionário como a compra de caças há sempre muito dinheiro de lobistas. Não é por acaso que tanto na Folha quanto no Estadão -- este em editorial -- se falou que a solução era "adiar" o negócio. A quem interessa "adiar"? A Washington, com certeza: os Estados Unidos não querem que o Brasil feche uma parceria estratégica com a França, injetando europeus militarmente no Hemisfério Sul, porque com isso perdem poder e dinheiro. Muito dinheiro.

É inegável que algum desconforto militar houve com o PNDH. Não no tom descrito pela musa da febre amarela, segundo o qual os militares temiam a "depredação" de instalações militares. Ela disse que os militares "imaginam que o resultado dessas propostas seja a depredação ou até a invasão de instalações militares que supostamente tenham abrigado atos de tortura e não admitem o constrangimento da retirada de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora".

Era só o que faltava para o repertório de piadas brasileiras: sequestro relâmpago de tanque de guerra pelo MR8.

Que a jornalista tenha tido a coragem de escrever isso, mesmo atribuindo a uma fonte, no pé de uma reportagem sobre a crise -- uma das primeiras -- diz muito da qualidade da mídia brasileira, em que jornalistas são guiados, quando não cavalgados, pelas fontes.

Tem a má fé e tem a desinformação, o despreparo, a preguiça mental de repórteres e editores. Em tempos de internet, os PNDHs I, II e III estavam lá o tempo todo, para quem quisesse ler e entender. O próprio Viomundo foi um dos primeiros a falar disso, depois de ver no Paulo Henrique Amorim um vídeo com a votação em que a proposta para formar a Comissão da Verdade foi aprovada por 26 votos contra dois de representantes do Ministério da Defesa, na conferência nacional de Direitos Humanos de 2008, que rascunhou o PNDH III.

Foram dias até a mídia chegar -- graças à rádio CBN -- ao Paulo Sergio Pinheiro, organizador do PNDH II, que esclareceu o nexo entre a Conferência de Viena e o PNDH I, em 1996. O Brasil, junto com a Austrália, é que propôs o conceito dos planos nacionais. Há repórteres que até agora não entenderam o caráter meramente propositivo do plano, de definir diretrizes gerais. O fato de que o PNDH resulta de um decreto presidencial não o torna lei. Cada um daqueles pontos do plano, para se tornar lei, terá de fazer todo o trâmite legislativo no Congresso Nacional.

A falta desse entendimento ou a má fé -- é difícil dizer quando é preguiça e quando é malícia -- resultou em abordagens inacreditáveis, como a já famosa reportagem do Jornal da Band que junta tudo o que pode haver de pior no Jornalismo: deveria ser gravada e mostrada nas salas de aula pelos professores como exemplo de como não fazer.

Para uma aula nas sutilezas manipulativas do Ali Kamel, recomendo essa aqui. Também não é novidade. O Rodrigo Vianna foi o primeiro a denunciar isso e as provas, evidências e testemunhos só fazem crescer, como registra quase diariamente o Marco Aurélio Mello.

E tem também a grosseria pura e simples, em rede nacional de TV.

Esses três momentos da TV brasileira são a justificativa para a Conferência Nacional de Comunicação recém-realizada. Ajudam a explicar porque alguns empresários do setor evitaram a conferência: eles querem ter o direito eterno de usar um bem público do qual são concessionários para mentir, forjar, deturpar e distorcer informações, sem dar qualquer satisfação à sociedade.

Ao constatar isso, há quem queira reviver no Brasil de hoje os anos 60, trazendo de volta os antigos e mal resolvidos embates ideológicos. Há, aliás, um bom artigo do Rodrigo Vianna sobre o momento que vivemos.

Mas, francamente, acho contraproducente trazer de volta as memórias da rua Maria Antonia [quando os direitistas do Mackenzie enfrentavam os esquerdistas da Faculdade de Filosofia da USP], que pertencem a outro tempo. Há que se investigar o passado, punir os criminosos que cometeram seus crimes em nome e em defesa de um regime ilegítimo. Ponto.

De outra parte, se algumas centenas de brasileiros se engajarem na defesa dos princípios expressos no PNDH, a "crise militar" terá valido a pena. E a contribuição de todos vocês, que ajudaram a disseminar informação a respeito, foi e continua sendo valiosa. É um assunto muito importante para ficar nas mãos de poucos em Brasília.

Mais uma vez ficou provado que a mídia tem poder -- mas bem menos do que imagina. Eu diria até que cada vez menos aquele grupinho de editores do eixo Rio-Brasília-São Paulo pode manobrar a opinião pública. Das dezenas de reparos feitos ao PNDH, houve apenas uma "correção", acordada entre os ministros do governo Lula, muito embora há quem diga que a pequena mudança descaracterize o essencial, abrindo a possibilidade de equiparar torturadores aos que pegaram em armas contra o regime militar. A ver.

Mas é bom prestar atenção em duas coisas que a "crise do PNDH" deixou claro: dessa vez, o caldo da mídia foi engrossado por algumas organizações -- CNA, OAB-SP, setores da igreja, setores militares, a extrema-direita -- que ensaiaram uma coalizão conservadora que não havia mostrado o rosto em situações anteriores.

É importante que aqueles que se dizem de esquerda não contribuam com o crescimento e o fortalecimento dessa coalizão, com palavras e atos doidivanas. Na História brasileira, como destacou o Rodrigo Vianna, o PSD [antigo partido político, que ficava sempre entre a UDN e o PTB, uma espécie de centro político, hoje ocupado pelo PMDB] é o pêndulo: quem perde o centro, perde o poder. Quem perde a razão, também.

Leiam o livro "1964 -- A Conquista do Estado". Vale a pena.

As manifestações mais hidrófobas que vimos durante a "crise militar" mostram que os conservadores brasileiros estão perdendo a razão. Eles dispõem dos meios para propagar suas mensagens. Dispõem do oportunismo político de alguns. E dispõem de uma fatia da classe média urbana brasileira, pequena, que está absolutamente convencida de que tem um chavista no ralo do banheiro -- e a culpa é do Lula. Tenho uma vizinha, telespectadora assídua do JN, que está ameaçando o cãozinho de estimação com o grito: "Cuidado, o Vanucchi vem te pegar".

Disseminar informação de qualidade e um debate franco e honesto é a melhor forma de evitar o inchaço da legião de celerados. Descomprimir a imensa panela de pressão que é um país injusto como o Brasil requer paciência e cuidado, especialmente quando mudanças rápidas colocam em xeque um modelo concentrador de renda, de terra e de poder. Nesse contexto, Direitos Humanos representam uma ameaça por serem exatamente o que são: universais.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Frase

"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

(Joseph Pulitzer)

Quando a mídia se torna golpista, a vítima é a verdade



Em 64, em nome de ameaças à democracia que não existiam, o que se queria era justamente acabar com a democracia que existia
Eu não sou jornalista. Faço um blog de opinião, que não é uma concessão pública, como é uma emissora de televisão. Mas nenhum de meus leitores viu ou, espero, verá este blog mentir deliberadamente e distorcer fatos por interesse político ou ideológico.

Domingo, ao tratar da polêmica sobre o Plano Nacional dos Direiros Humanos, fiz questão de transcrever os trechos que estavam gerando, encomendada ou não, reações.

Considero isso não um dever jornalístico, do qual estou desobrigado, mas um dever de honestidade e ética, ao qual todas as pessoas estão obrigadas.

Muito mais ainda um concessionário de serviço público de comunicação.

Ontem, no blog Viomundo, o jornalista Luís Carlos Azenha faz a transcrição da inacreditável “matéria-entrevista” feita com o advogado Ives Gandra Martins, um dos porta-vozes da direita. Ele poderia dizer o que quisesse. A emissora, não. Opinião, poderia ter todas, mas não fazer afirmações que sabia serem falsas.

O jornalista Bóris Casoy, mesmo estando em época em que devia ser mais humilde, depois dos episódio onde menosprezou e humilhou os garis, abre a matéria (que você pode ler na íntegra aqui ) com um texto que é pura calúnia:

“O novo decreto de Direitos Humanos do governo federal é criticado pela sociedade e até mesmo por ministros de estado. A lei estabelece censura aos meios de comunicação, atenta contra o direito de propriedade e ainda liberdade religiosa.”

Num país com instituições plenamente democráticas, o apresentador e a empresa deveriam estar, neste momento, sendo judicialmente interpelados para provarem suas afirmações ou desmentí-las, sob as penas da lei civil brasileira. Não é preciso uma lei de imprensa para definir o que é calúnia.

Mas aqui, cumprir a lei seria instituir a ditadura sobre a imprensa.

Reparem que, com todas as críticas, não disse o mesmo naquele episódio do artigo de Cesar Benjamin. Ali, a responsabilidade é pessoal do cidadão que fez a afirmação e um jornal não é uma concessão pública.

Um canal de TV, ao contrário, é.

Animada com o exemplo da Band, ontem a Globo fez o mesmo, mas de maneira mais sutil, se é que se pode chamar de sutil um tipo de manipulação de baixos propósitos como esta, que o mesmo Azenha analisa muito bem em outro post.

Compara os planos de Direitos Humanos de Fernando Henrique e o de Lula. O primeiro, democrático; o segundo, totalitário, sobretudo, no tratamento à imprensa

Veja os textos dos decretos de Lula e de FHC e veja, veja se consegue perceber, neste item sobre os meios de comunicação, alguma diferença neste sentido:

a)”Promover o mapeamento dos programas radiofônicos e televisivos que estimulem a apologia do crime, a violência, a tortura, o racismo e outras formas de discriminação, a ação de grupos de extermínio e a pena de morte, com vistas a identificar responsáveis e a adotar as medidas legais pertinentes”.

b)”Garantir a possibilidade de fiscalizacão da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.

c)”Elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar um ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios dos Direitos Humanos, assim como os que cometem violações”.

Alguém consegue dizer qual dos três textos é do decreto de Lula por algum traço autoritário que contenha?

A verdade é que, desde que a imprensa se reuniu às forças conservadoras para derrubar o Presidente João Goulart, a imprensa nunca foi tão livre para se opor a um Governo quanto é agora. Falar que a imprensa é reprimida pelo Governo, que o governo cerceia as tevês, rádios e jornais é mais que uma piada. É armação.

Esta suposta crise, como venho dizendo há dias, é uma armação político-eleitoral – por enquanto, eleitoral. É a esperança de parte da direita, de sua parte mais elitista e subnegocial – porque vive e quer viver das sobras dos grandes negócios, que de forma alguma foram prejudicados pelo Governo Lula – que não se conforma com nada que seja o coronelato que exerce sobre a política.

Ontem, ainda bem, o presidente Lula disse que não espera ser chamado, na campanha, de “Lulinha Paz e Amor”, como venho afirmando há tempos não seria. E disse que espera “chutes na altura do peito”. Acho que aí, está enganado. Serão abaixo, muito abaixo.

Cada vez que este país se encaminha para transformações, as reações desta parte da elite são estas. Agora, nossas vivandeiras de quartel têm como diferente, apenas, o fato de serem eletrônicas. Mas a “democracia” que defendem é a mesma que nos deram a partir de 64.

Brizola Neto


Entre as vítimas fatais do grande terremoto que devastou o pobre Haiti,Zilda Arns,a criadora da Pastoral da Criança e do Idoso que lutava incansavelmente contra a desnutrição infantil.
Zilda Arns foi a GUARDIÃ DA INFÂNCIA PERDIDA no Brasil e na América Latina, uma autêntica NOBEL DA PAZ

harge On line do Bessinha

A aliança do CCC com a Opus Dei

Casoy e Gandra: CCC e Opus Dei unidos


por Altamiro Borges, em seu blog

O “âncora” da TV Bandeirantes, Boris Casoy, resolveu assumir de vez o seu direitismo raivoso. Depois de humilhar os garis que desejaram feliz ano novo - “Que merda. Dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... Dois lixeiros... O mais baixo da escala do trabalho” – e de receber uma bateria de duras críticas, ele decidiu radicalizar as suas posições. Nesta semana, Casoy acionou o jurista Ives Gandra, notório militante da seita fundamentalista Opus Dei, para falar sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, de autoria do ministro Paulo Vannuchi.

Logo na abertura do Jornal da Band, o âncora, que é metido a dono da verdade, dá a sua opinião tendenciosa. “O novo decreto de direitos humanos do governo é criticado pela sociedade e até por ministros de estado. A lei estabelece censura aos meios de comunicação, é contra o direito de propriedade e de liberdade religiosa. Especialistas consideram o projeto o primeiro passo para um regime ditatorial”. Casoy mente descaradamente ao tratar plano como uma imposição autoritária do presidente, já que ele será debatido no parlamento. Quanto aos tais especialistas, ele ouve somente uma “personalidade” ligada à ditadura, ao latifúndio e aos setores mais reacionários da sociedade.

Visão tendenciosa e eleitoreira

Na sequência, um narrador em off reforça a visão preconceituosa e mentirosa. “A nova lei que o presidente Lula assinou sem ler passou pelo crivo direto da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, virtual candidata do PT à presidência da República, e dos ministros da Justiça, Tarso Genro, da Comunicação, Franklin Martins, e dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. É um emaranhado de artigos e parágrafos que muitas vezes ataca a Constituição”. O objetivo, nesta narração, é nitidamente eleitoreiro, como palanque do tucano José Serra, o candidato da mídia hegemônica.

Criado o cenário para o desgaste do governo, o repórter Sandro Barboza inicia a entrevista com “um dos mais conceituados juristas internacionais”, Ives Gandra. O “jornalista”, que também não esconde suas posições direitistas nas perguntas, apenas deixa de informar aos telespectadores que o bajulado especialista participou da campanha presidencial de Geraldo Alckmin (o tucano que é seguidor do Opus Dei) e defende tudo o que é há de mais retrógrado e conservador na sociedade brasileira. Apesar da ânsia de vômito, vale à pena conhecer a grotesca “entrevista”:

As idéias de um direitista convicto

Jornal da Band: O projeto prevê que o proprietário rural que tiver uma fazenda invadida não poderá mais recorrer ao Judiciário.

Gandra: O que eles tão pretendendo é dar direito àquele que invadir qualquer terra fazer com que uma vez que for invadido o direito de propriedade deixa de ser do proprietário, passa a ser do invasor.

JB: A lei quer evitar a divulgação de símbolos religiosos.

Gandra: Se não pode mais haver símbolos religiosos nós temos que mudar o nome da cidade de São Paulo e todas as cidades que tem nomes de santos não poderão mais ter.

JB: Será criada uma comissão para controlar o conteúdo dos meios de comunicação.

Gandra: No momento em que se elimina a liberdade de imprensa nós estamos perante efetivamente o início de uma ditadura.

JB: Um novo imposto sobre grandes fortunas seria instituído.

Gandra: É um imposto que afasta investimentos porque aquele que formou um patrimônio depois é tributado em todas as operações e ainda vai ser tributado no seu patrimônio pessoal.

JB: As prostitutas contariam com direitos trabalhistas e carteira assinada.

Gandra: Isso não é profissão. Na prática o verdadeiro direito humano é tirar essas moças de onde elas estão e dar profissões dignas a elas.

JB: Os responsáveis pelas torturas durante a ditadura militar seriam julgados. Já os guerrilheiros que também torturaram ficariam livres de qualquer punição.

Gandra: Torturador de esquerda é um santo. Torturador de direita é um demônio. É um decreto preparatório para um regime ditatorial.

O novo “comando do terror”

Com mais esta “reporcagem” no seu currículo, Boris Casoy elimina qualquer ilusão sobre a sua neutralidade e imparcialidade jornalística. O blog Cloaca News, inclusive, conseguiu descobrir a revista Cruzeiro, de 9 de novembro de 1968, que denunciou Casoy como ativista do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Tem até a foto dele mais jovem. Intitulada “CCC ou comando do terror”, a matéria comprova que este agrupamento promoveu vários atentados terroristas nos anos 1960/1970, inclusive contra os artistas do Teatro Roda Vida e contra os estudantes da USP.

Agora, o âncora fecha o ciclo e se une ao Opus Dei para criar um novo “comando do terror”. Para quem não conhece esta seita religiosa, reproduzo trechos de três artigos de minha autoria:

O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação.

Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro “Opus Dei: El totalitarismo católico”.

O poder no Vaticano

Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje –, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia.

O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos. Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma “igreja dentro da Igreja”. Lembraram um alerta do líder jesuíta Vladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo “desejo secreto de dominar o mundo”. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger, ex-chefe da repressora Congregação para Doutrina da Fé e atual papa Beto 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei.

Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro “O mundo secreto do Opus Dei”, o jornalista canadense Robert Hutchinson afirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicato Solidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães, numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que “fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra a quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982”.

O vínculo com os fascistas

Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães.

Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.

Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, “ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler”. Outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita “recrutou adeptos para a organização fascista ‘Jovem Europa’, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol”.

Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica.

Infiltração na mídia

Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que “temos de embrulhar o mundo em papel-jornal”. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possuí um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição. O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue ao Vaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por “479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12 produtores e distribuidoras de filmes”.

Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige a Sociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pela lavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas “palestras do Morumbi”. Segundo a revista Época, seu “programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país”. O mesmo artigo confirma que “o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do governador Geraldo Alckmin”.

O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado “Estranha conversão da Folha”, critica seu “visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou”. No mesmo artigo, garante que a seita “já tomou conta da Associação Nacional de Jornais (ANJ)”, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a “salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica”.

A “santa máfia”

Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários – inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. “O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru.

A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos Santander e Bilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleo Repsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus.

Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ‘os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei’. Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos”.

O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, que financiaram a Universidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida por Antonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiro Gianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra da Parlamat.

“A Internacional Conservadora”

O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller “O Código da Vinci”, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a “Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica”. Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões – incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan – e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, em Washington, onde estudam os filhos dos congressistas do Partido Republicano de George W.Bush.

Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: “No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus Dei. Alckmin, porém, nega fazer parte da ordem”. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos do fascista Josemaría Escrivá: “Acostuma-se a dizer não”.

Os tentáculos no Brasil

No Brasil, o Opus Dei fincou a sua primeira raiz em 1957, na cidade de Marília, no interior paulista, com a fundação de dois centros. Em 1961, dada à importância da filial, a seita deslocou o numerário espanhol Xavier Ayala, segundo na hierarquia. “Doutor Xavier, como gostava de ser chamado, embora fosse padre, pisou em solo brasileiro com a missão de fortalecer a ala conservadora da Igreja. Às vésperas do Concílio Vaticano II, o clero progressista da América Latina clamava pelo retorno às origens revolucionárias do cristianismo e à ‘opção pelos pobres’, fundamentos da Teologia da Libertação”, explica Marina Amaral na revista Caros Amigos.

Ainda segundo seu relato, “aos poucos, o Opus Dei foi encontrando seus aliados na direita universitária... Entre os primeiros estavam dois jovens promissores: Ives Gandra Martins e Carlos Alberto Di Franco, o primeiro simpático ao monarquismo e candidato derrotado a deputado; o segundo, um secundarista do Colégio Rio Branco, dos rotarianos do Brasil. Ives começou a freqüentar as reuniões do Opus Dei em 1963; Di Franco ‘apitou’ (pediu para entrar) em 1965. Hoje, a organização diz ter no país pouco mais de três mil membros e cerca de quarenta centros, onde moram aproximadamente seiscentos numerários”.

Crescimento na ditadura

Durante a ditadura, a seita também concentrou sua atuação no meio jurídico, o que rende frutos até hoje. O promotor aposentado e ex-deputado Hélio Bicudo revela ter sido assediado duas vezes por juízes fiéis à organização. O expoente nesta fase foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do STF pelo ditador Garrastazu Médici em 1972, e tio do atual presidenciável. Até os anos 70, porém, o poder do Opus Dei era embrionário. Tinha quadros em posições importantes, mas sem atuação coordenada. Além disso, dividia com a Tradição, Família e Propriedade (TFP) as simpatias dos católicos de extrema direita.

Seu crescimento dependeu da benção dos generais golpistas e dos vínculos com poderosas empresas. Ives Gandra e Di Franco viraram os seus “embaixadores”, relacionando-se com donos da mídia, políticos de direita, bispos e empresários. É desta fase a construção da sua estrutura de fachada – Colégio Catamarã (SP), Casa do Moinho (Cotia) e Editora Quadrante. Ela também criou uma ONG para arrecadar fundos: OSUC (Obras Sociais, Universitárias e Culturais). Esta recebe até hoje doações do Itaú, Bradesco, GM e Citigroup. Confrontado com esta denúncia, Lizandro Carmona, da OSUC, implorou à jornalista Marina Amaral: “Pelo amor de Deus, não vá escrever que empresas como o Itaú doam dinheiro ao Opus Dei”.

Ofensiva recente na região

Na fase recente, o Opus Dei está excitado, com planos ousados para conquistar maior poder político na América Latina. Em abril de 2002, a seita participou ativamente do frustrado golpe contra o presidente Hugo Chávez, na Venezuela. Um dos seus seguidores, José Rodrigues Iturbe, foi nomeado ministro das Relações Exteriores do fugaz governo golpista. A embaixada da Espanha, governada na época pelo neo-franquista Partido Popular (PP), de José Maria Aznar – cuja esposa é do Opus Dei –, deu guarita aos seus fiéis. Outro golpista ligado à seita, Gustavo Cisneiros, é megaempresário das telecomunicações no país.

Em dezembro do ano passado, o Opus Dei assistiu a derrota do seu candidato, Joaquim Laví, ex-assessor do ditador Augusto Pinochet, à presidência do Chile. Já em maio deste ano, colheu uma nova derrota com a candidatura de Lourdes Flores, declarada numerária do partido Unidade Nacional. Em compensação, a seita comemorou a vitória do narco-terrorista Álvaro Uribe na Colômbia, que também dispôs de milhões de dólares do governo George Bush. Já no México, outro conhecido simpatizante do Opus Dei, Felipe Calderon, ex-executivo da Coca-Cola, venceu uma das eleições mais fraudulentas da história deste país.

Lula muda, mas não cede ao bombardeio midiático

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O desentendimento entre militares e a área de direitos humanos em torno da terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos foi resolvido hoje (13) com um novo decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que retira a expressão “repressão política” e mantém o termo “violação aos direitos humanos”.

A mudança ocorre na diretriz que trata do reconhecimento da memória e da verdade e tem como primeiro objetivo estratégico "promover a apuração e o esclarecimento público das violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política ocorrida no Brasil no período fixado pelo art. 8º do ADCT da Constituição, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”.

O decreto também trata da criação de um grupo de trabalho para elaborar o anteprojeto que cria a Comissão da Verdade. O decreto anterior continua valendo e o novo apenas retira a expressão e cria o grupo de trabalho sobre a comissão. Os outros pontos polêmicos do texto ficam, portanto, mantidos.

Na avaliação de assessores do Planalto, a controvérsia se tratou de um ruído político que será resolvido pelo grupo de trabalho e os ministros da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi e da Defesa, Nelson Jobim, entenderam que o melhor caminho é o entendimento.

A solução foi fechada na manhã de hoje em reunião dos ministros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ontem (12), Jobim e Vannuchi já haviam se encontrado para discutir o assunto.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Antígona e o governo Lula

Odair Rodrigues *


Cinco eleições diretas, sete presidentes empossados e 26 anos após o fim do golpe de 1964 e ainda se teme enfrentar os criminosos do regime? Em nome de quê? De uma estabilidade política que já não é construída nas salas do SNI?
A peça Antígona, de Sófocles (496 - 406a.c.), tem como tema central a defesa de leis que devem ser invioláveis por qualquer ser humano ou Estado.

A obra inicia-se com o relato da morte simultânea das personagens Etéocles e Polinices, irmãos de Antígona, que combateram entre si às portas da cidade Estado de Tebas. Creonte, rei de Tebas, decreta honras fúnebres a Etéocles e proíbe o sepultamento Polinices, porque este voltou contra o tirano ao aliar-se aos inimigos da cidade Estado de Argos.

Antígona, ao saber da proibição, desafia o decreto real e realiza os rituais do funeral de Polinices. Capturada, defende a justiça como um valor acima de governantes e do Estado para argumentar sobre o direito de enterrar dignamente seus mortos.

As tradições de nossa cultura, sejam elas originadas na Grécia, África, ou nos ensinamentos dos povos que sobreviveram ao genocídio da colonização, sempre prezaram o enterro digno dos mortos.
Toda vez que esse princípio humanitário não foi respeitado, as consequências para o povo foram as mais terríveis porque somente uma tirania consegue suplantar um direito inalienável até mesmo aos carrascos.

Na tragédia de Sófocles, Antígona levanta sua voz contra o silenciamento opressivo de Creonte – O povo fala. Por mais os tiranos apreciem um povo mudo, o povo fala. Aos sussurros, a medo, na semi-escuridão, mas fala – No Brasil muitas foram as Antígonas que elevaram sua voz contra a ditadura de 1964/1984, e tiveram o mesmo destino da personagem ao serem condenadas à morte física ou pelo silêncio.

Enterrar os mortos, não o passado

Enterrar os mortos da ditadura militar compreende localizar os corpos, saber como foram eliminados e por quem. Isso extrapola o direito das famílias. É um direito da coletividade que não pode viver sob a ameaça constante de um estado tirânico que suspende as garantias de vida, de defesa e sepultamento dos cidadãos.

Nossa tragédia se repete todos os dias nas delegacias, nos presídios, na cidade e no campo. A impunidade aos assassinos e torturadores que comandaram um dos períodos mais execráveis da história nacional, naturalizou a tortura, o sequestro, a queima de arquivo perpetrada todos os dias por organizações criminosas e paramilitares atuantes no país.

Argentina, Chile, Uruguai e Peru condenaram seus carrascos. Por que não aqui? Por quanto tempo vamos temer uma “reação” dos militares? Por quanto tempo ficarão os assassinos livres e os corpos insepultos? Por quanto tempo canalhas, como os de uma determinada folha diária, nos dirão que ouve uma ditabranda?

Não podemos enterrar o passado como querem fazer os mesquitas, os frias, os civitas, os marinhos, jobins, tucanos e demos. Seria como aguardar, passivamente, outra ditadura com todas sua truculência e desrespeito aos vivos e mortos.

Em nome de quê?

Cinco eleições diretas, sete presidentes empossados e 26 anos após o fim do golpe de 1964 e ainda se teme enfrentar os criminosos do regime? Em nome de quê? De uma estabilidade política que já não é construída nas salas do SNI?

O governo Lula já se mostrou ousado na economia, no protagonismo do Brasil no exterior, na defesa da autonomia dos países da Ámerica Latina e precisa ter a coragem de aplicar a justiça aos que a negaram ao povo brasileiro. Coragem que não se confunde com a humilhação imposta pelo seu antecessor às Forças Armadas ao reduzir seu seus recursos e diminuindo seu papel como instituição de defesa do território nacional.

Coragem para que possamos enterrar os mortos, contar a história de sangue, solidariedade e luta da qual o presidente e muitos de seu governo participaram.

Esse papel histórico não será concretizado no governo Lula se continuar deixando que o ministro Nelson Jobim nos arraste para a tragédia contínua da impunidade dos terroristas de Estado. Até que façamos justiça, nossa voz também se manisfesta pela fala de Antígona, dos mortos e torturados do Araguaia, do DOPS, DEOPS, dos transportados pelos carros da Folha de São Paulo, dos corpos do cemitério clandestino de Perus...

*É professor de língua e literatura no Estado do Paraná, web cronista, poeta, e militante da Unegro e do PCdoB. Autor do blog Ruminemos: