sábado, 30 de janeiro de 2010

Dilma sobe. Serra desce em queda vertiginosa!!


Finalmente a pesquisa Vox Populi é apresentada, deixou de ser segredo da oposição, do PSDB, do Serra, da Band. Que desespero para a oposição, Serra está caindo vertiginosamente. O mais interessante, não adianta procurarar a pesquisa nos jornalões de SP, eles não viram, não sabem, não publicaram nem uma linha. Nem o blog do Noblat, que adora comentar as pesquisas, nem uma palavra. Na pagina do UOL o jornalista Fernando Rodrigues coloca sua análise com o titulo: Dilma sobe menos se Ciro sai da disputa, diz Vox Populi. Deu nó em pingo d’água para não falar que a ministra Dilma foi a única que subiu na pesquisa, e não falar da queda vertiginosa do Serra.
José Serra (PSDB) – 39% > 34% (caiu 5 pontos)
Dilma Rousseff (PT) – 18% > 27% (subiu 9 pontos)
Ciro Gomes (PSB) – 17% > 11% (caiu 6 pontos)
Marina Silva (PV) – 8% > 6% (caiu 2 pontos)
Indecisos, brancos e nulos – 18% > n.d. (variação?)
A oposição está furiosa, vai começar a semana chutando a sombra do cachorro. Dilma cresceu 9 pontos, dentro da margem de erro pode até ser mais, é muito, é muito mesmo. Sem levar em conta que propaganda eleitoral não começou. Não teve ainda comparação do programa de governo de Dilma do Lula, com o de Serra de FHC. Meus amigos se preparem eles vão vir espumando de ódio. Se não bastasse a pesquisa com o crescimento imenso de Dilma, Lula ainda recebe o prêmio de Estadista Global. Eles vão surtar, vão acabar com o estoque de Rivotril no Brasil.


Jussara Seixas

Vox Populi: Desde dezembro, Dilma subiu 10 pontos, Serra caiu 5





Outro cenário:

Sem Ciro, Serra tem 38%, Dilma 29% e Marina 8%

Segundo turno, Serra manteve 46%, Dilma passou de 32 para 35%

30% disseram que com certeza votariam em um candidato indicado por Lula.

Como estava em 10 de dezembro de 2009:

A fala de Lula no Fórum Social Mundial

Íntegra do discurso do presidente Lula nos dez anos do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre:

"Será que seria pedir demais para que os nossos companheiros enrolassem as suas bandeiras, Paulo, Sérgio e Lucio, para que a gente possa ver as pessoas de trás e as de trás possam ver a gente.

Vocês sabem que uma das coisas que eu mais admiro é um militante de qualquer organização que vai para a rua com a sua bandeira. Eu acho uma coisa fantástica e inusitada. Eu só estou pedindo... Faz tempo que eu não vejo vocês, faz tempo que não me vêem, e eu acho que enrolar a bandeira cinco minutos não pesa nada para nenhum companheiro.

Eu quero em primeiro lugar dizer para vocês que é uma alegria maior do que acho que o meu coração comporta de estar outra vez participando do maior evento multinacional que a sociedade civil mundial organiza que é esse Fórum Social Mundial.

Eu da outra vez que participei aqui fui fazer um debate onde o tema destinado para eu falar era "Um outro Brasil é possível", e eu lembro que naquele instante eu não tinha nem certeza de que seria candidato a presidente da República. E hoje ao participar desse fórum eu participo na posição de funcionário público número um do meu país.

Eu quero agradecer à direção desse evento. Eu sei que não é fácil. Eu sei do sacrifício que vocês estão fazendo para fazer essa organização. Eu sei do cuidado que vocês tem com a segurança. Eu agora mesmo, Hadad, estou falando em português e deve ter companheiro aí, francês, inglês, deve ter gente da China, da Índia, que não estão entendendo nada do que eu estou falando.

Entretanto aqueles que não entenderem as minhas palavras, e são pessoas que acreditem no Fórum Social Mundial, olhem nos meus olhos que vocês vão entender cada palavra que eu falo.

Quero agradecer aqui aos companheiros dirigentes do Fórum, os ministros, mas sobretudo quero agradecer ao povo do mundo inteiro que sem medir sacrifício vem aqui, às vezes sem ter o direito de falar, às vezes sem ter oportunidade de falar, mas vem aqui só para dizer: eu existo como ser humano e eu quero ser respeitado como tal.

Eu sempre disse que o maior desejo que eu tinha de ser eleito presidente da República era pra ver se eu conseguia atender às minhas própria reivindicações. Eu sou um homem que fiz muitas reivindicações no Brasil, eu exigi muito de cada governo que passou aqui antes de mim como muitos de vocês exigem nos seus países.

E o meu desejo de ser presidente da República era o de saber se eleito presidente da República eu serei capaz de atender às minhas própria reivindicações. Portanto, eu tenho que me preocupar com aquilo que possíveis adversários falarem.

Eu tenho que saber que ao longo da história o movimento social brasileiro, o movimento sindical brasileiro, os partidos políticos do Brasil, as Igrejas do Brasil, as ONGs no Brasil, acumularam muita experiência e junto com essa experiência acumulada tem propostas, tem reivindicações, tem coisas extraordinárias apresentadas.

E eu agora tenho quatro anos para que muita, e com muita tranquilidade a gente possa atender, senão todas, aquelas que nós tivermos capacidade e condições de atender. Eu continuo com o meu sonho de fazer a reforma agrária neste país. Eu continuo com o meu sonho de garantir uma escola pública de qualidade para o meu povo.

E que a universidade não seja um privilégio de apenas 8% da sociedade, mas que a universidade seja um direito ao alcance de todos. Eu continuo sonhando na possibilidade de fazer uma política de saúde onde nenhum pobre morra mais na porta do hospital por falta de atendimento médico ou por falta de assistência.

Eu continuo sonhando em construir uma sociedade justa, solidária, fraterna, onde o resultado da riqueza produzida no país seja distribuída de forma mais equânime para todos os filhos deste país.

Entretanto também aprendi ao longo da minha trajetória política, e aprendi com vocês, de que um técnico importante para um time não é aquele que começa ganhando, mas aquele que termina ganhando o jogo a que nos propusemos a jogar. E eu tenho quatro anos, quatro anos, para de forma tranquila, cautelosa...

Eu tenho quatro anos de governo pra de forma tranquila e serena ir fazendo as coisas que tem que ser feitas nesse país, quero fazer talvez o governo mais honesto que já houve na história desse país. Um governo que tenha a mais perfeita relação com a sociedade.

Quero tratar cada um de vocês como trato o meu caçula de 17 anos. Na hora que eu puder fazer nós faremos, mas na hora que não der para fazer, com a mesma serenidade e com o mesmo carinho, eu quero dizer: companheiro, não dá para fazer. E eu tenho certeza que essa relação de honestidade e de companheirismo será a razão do sucesso do nosso governo aqui no país.

E por que é que vou agir assim? Vou agir assim porque eu tenho consciência da responsabilidade que está nas costas das pessoas que me elegeram e que está nas costas dos meus ministros e que está sobretudo nas minhas costas. Embora eu tenho sido eleito presidente do Brasil eu tenho uma nítida noção do que a nossa vitória representa de esperança, não apenas aqui dentro, mas para a esquerda em todo o mundo e sobretudo para a esquerda na América Latina.

Eu levanto todo dia pela manhã...

Se a Marisa continuar com essa popularidade vai ser candidata a alguma coisa na próxima eleição.

Eu levanto todo dia de manhã e falo para a Marisa que nós temos que fazer as coisas muito bem pensadas porque qualquer governo em qualquer país do mundo pode errar que não acontecerá nada porque é muito normal que os governantes errem.

Mas eu não posso errar. E não posso errar porque eu não fui eleito pelo apoio de um canal de televisão, eu não fui eleito pelo apoio do sistema financeiro, eu não fui eleito por interesses dos grandes grupos econômicos e eu não fui eleito por obra da minha capacidade ou da minha inteligência.

Eu fui eleito pelo alto grau de consciência política da sociedade brasileira no dia 27 de outubro de 2002.

Eu sei a expectativa que eu estou gerando nas mulheres, nos homens e nas crianças. Eu nunca vi na história do Brasil tanta expectativa, tanta esperança e tanta gente pedindo a Deus para gente acertar, e tanta gente pedindo não um emprego, mas dizendo para mim: Lula como é que eu faço para ajudar o nosso governo a dar certo.

É essa a força da sociedade e é exatamente esse capital político que fez com que a gente pudesse terminar a eleição e gritar bem alto: a esperança finalmente venceu o medo.

Eu já estive na Argentina, eu já estive no Chile, eu já estive no Equador e eu sei a expectativa que a América do Sul tem no governo brasileiro. Eu sei a esperança que os socialistas do mundo inteiro têm no sucesso do nosso governo. É por isso que aumenta a nossa responsabilidade.

E eu volto a afirmar, nós esperamos tanto para ganhar, nós perdemos tanto, nós sofremos tanto, tanta gente morreu antes de nós tentando chegar lá, que por esse acúmulo de compromisso, eu quero olhar na cara de cada um de vocês e dizer: eu não vou errar e vou fazer um governo voltado para os pobres deste país.

Eu sempre disse aos companheiros que organizam o Fórum Social Mundial que era preciso transformar o Fórum num instrumento... primeiro que não fosse dependente de nenhum partido político, segundo que não fosse utilizado por ninguém.

Quando eu fui convidado para vir aqui eu ainda disse para os companheiros: é preciso que vocês pensem se eu devo ir ao Fórum Social Mundial porque eu serei o primeiro presidente. E me disseram: Lula você pode ir porque você é um anfitrião do Terceiro Fórum Social Mundial.

Mas hoje eu já me comprometi publicamente porque um companheiro da Índia, aonde vai ser o próximo fórum social mundial, perguntou a mim numa reunião que eu fiz com a direção mundial do Fórum se eu iria o ano que na Índia e eu disse pra ele eu vou na Índia, se for necessário eu vou na China, e se for necessário eu vou aonde me convidarem porque eu sou obra e resultado do trabalho que vocês fizeram ao longo de todos esses anos e portanto eu acho que não apenas eu, acho que outros governantes deveriam ir ao Fórum Social para ver o que pensa o povo, o que deseja o povo e como o povo quer que as coisas aconteçam.

Qual é a novidade? Qual é a novidade deste ano? É que este ano por causa de vocês e por causa do Fórum Social Mundial eu fui convidado para ir a Davos. Se não fossem vocês eu não seria convidado.

E aí eu lembrei de uma coisa, quando eu comecei a minha vida sindical, os meus amigos mais inteligentes e mais espertos diziam assim pra mim: Lula não entra no movimento sindical porque a estrutura sindical brasileira é a cópia fiel da carta de "lavoro" de Mussolini e se tu entrares no sindicato, tu vai um pelego e não vai conseguir fazer nada.

Eu entrei no sindicato e em três anos nós mudamos a história do movimento sindical brasileiro que hoje é um dos mais importantes do mundo. Em 1979 nós estávamos lutando neste país pela reconquista das liberdades políticas e eu inventei de criar um partido, aí aqueles que queriam liberdades políticas começaram a ficar contra porque na liberdade política deles não pressupunha a criação de um partido político.

E havia quem dissesse para mim: olha, no Brasil não cabe um partido como o PT, esse negócio de dizer que partido de trabalhadores pode ser criado, que metalúrgico vai dirigir partido, isso é coisa do passado, não tem na sociologia brasileira exemplos disso ou mundial. Nós fomos teimosos e criamos um partido que hoje é o partido mais importante da esquerda em toda a América Latina.

Agora eu lembro de uma coisa que eu vou contar para vocês. Em 1978 nós entramos em greve ABC e o presidente da Federação das Indústrias correu no Segundo Exército para dizer ao general Guilhermando que era preciso acabar com uma greve que os metalúrgicos estavam fazendo.

Possivelmente se eu pertencesse a uma organização política mais tradicional eu teria arrumado a mala e teria ido para um outro lugar ficar uma semana até a poeira baixar.

Como eu era mais inocente politicamente eu peguei o telefone e liguei para o comandante do Segundo Exército e falei: general Guilhermando, eu estou vendo nos jornais que o senhor convidou o presidente da Fiesp para atender o presidente da Fiesp, eu sou o presidente dos trabalhadores e quero ir falar com o senhor, e ele me atendeu durante três horas.

Agora quando surgiu o convite para Davos, a princípio eu falei o que é que eu vou fazer em Davos? E aí eu tomei a seguinte decisão, eu sou o presidente de um país que é a oitava economia mundial, eu sou o presidente de um país que tem 45 milhões de pessoas que não comem as calorias e as proteínas necessárias, eu sou o presidente de um país que tem história e que tem um povo e não é qualquer dia e qualquer mês e qualquer século que um torneiro mecânico ganha a Presidência da República deste país.

Portanto eu tomei a decisão, muita gente que está em Davos não gosta sem me conhecer.

Eu quero fazer questão de ir a Davos e dizer em Davos exatamente o que eu diria para um companheiro qualquer que está aqui neste palanque, dizer em Davos de que não é possível continuar uma ordem econômica onde poucos podem comer cinco vezes ao dia e muitos passam cinco dias sem comer no planeta terra, dizer a eles de que é preciso uma nova ordem econômica mundial e que o resultado da riqueza seja distribuída de forma mais justa para que os países pobres tenham a oportunidade se serem menos pobres.

Dizer a eles que as crianças negras da África tem tanto direito de comer quanto as crianças de olhos azuis que nascem nos países nórdicos. Dizer a eles que as crianças pobres da América Latina tem tanto direito de comer como qualquer outra criança que nasça em qualquer parte do mundo. Dizer a eles que o mundo não está precisando de guerra, o mundo está precisando de paz, o mundo está precisando de compreensão.

Eu acho que nós temos que fazer o mundo. O que a gente não pode é ficar preso dentro do nosso mundo achando que todo o mal que nos rodeio é por causa de quem está fora.

Eu dizia hoje isso é mais ou menos como numa família, e que de repente aparece um filho metido em drogas e ao invés do pai e a mãe discutir e saber aonde é que está o defeito começa a culpa a escola, começa a culpar o vizinho, começa a culpar o namorado, ao invés de sentar e olhar pra dentro do pai e da mãe e perguntarem a si mesmos o que é que nós deixamos de fazer para que o nosso filho não fosse drogado.

Nós somos pobres, uma parte pode ser culpa dos países ricos, mas uma parte pode ser culpa de uma parte da elite ou do continente sul-americano que governou de forma subserviente, que governou de forma subalterna este país praticando os casos mais absurdos de corrupção.

Só na América Latina nos últimos quatro anos, quatro governantes, Collor, no Brasil, Fujimori, no Peru, Menem, na Argentina, Salinas, no México, saíram por ter praticado verdadeira roubalheira em seus países. E isso não pode continuar acontecendo. Não pode os países ricos querer ajudar os países pobres aceitando depósito ou lavagem de dinheiro de quem rouba dos países pobres.

Eu lembro que uma vez tinha um presidente do Zaire, chamado Moputu, e eu lembro que na época a denúncia é que ele tinha US$ 8 bilhões depositado num país da Europa, e o seu povo estava passando fome.

Se os países ricos querem contribuir que eles não aceitem dinheiro do narcotráfico, do crime organizado, e que não aceitem dinheiro dos países em que os governantes praticaram verdadeiros roubos. Que devolva esse dinheiro para ajudar o seu povo. Eu quero, meu querido Hadad, terminar isso aqui dizendo para vocês...

Terminar isso aqui dizendo para vocês uma coisa, deixa eu dizer uma coisa para vocês, eu quero dizer para vocês que o único e mais importante compromisso que eu tenho com vocês é de que vocês podem ter a certeza, como a certeza e a fé que vocês têm em Deus para quem é cristão, é que eu possa cometer algum erro, mas que jamais eu negarei uma vírgula dos ideais que me fizeram chegar à Presidência da República do nosso país.

Eu quero poder a cada mês, a cada ano, olhar na cara de cada criança, de cada mulher, de cada homem, e dizer nós estamos construindo uma nova nação, nós estamos construindo um novo país.

E eu teimo em dizer todo o santo dia: eu ei de realizar um sonho que não é meu, mas um sonho que é de todos vocês, que haverá um dia que nesse país nenhuma criança irá dormir sem um prato de comida e nenhuma criança acordará sem um café da manhã, haverá um dia em que neste país as pessoas poderão morrer, porque nascemos para morrer, mas ninguém morrerá de desnutrição como morre hoje nesse país.

Haverá um dia em que a gente tem que ter a consciência de que este país que eu sonho e que vocês sonham ele pode ser construído, depende da nossa disposição de fazê-lo, depende da nossa coragem, depende da nossa disposição.

E eu estou aqui para dizer para vocês, meus companheiros e minhas companheiras do Terceiro Fórum Social Mundial, haja o que houver, aconteça o que acontecer, eu tentarei cumprir cada palavra que está contida no programa de governo que me elegeu para presidente da República deste país.

Governar é como uma maratona, você não pode começar a 80 por hora porque o teu fôlego pode acabar na primeira esquina, você tem que dar uns passos sólidos, concretos, para que você possa terminar o governo com a certeza de um dever cumprido.

E eu quero poder dizer ao mundo, como seria bom, como seria maravilhoso se ao invés dos países ricos produzirem e gastarem dinheiro com tantas armas, se a gente gastasse dinheiro com pão, com feijão, com arroz para a gente matar a fome do povo. Eu fico imaginando quantos bilhões e bilhões e bilhões de dólares se gasta com uma guerra, soldado matando soldado, soldado matando inocente, e próximo de nós crianças levantando os olhos e mendigando um prato de comida que muitas vezes se joga fora e não dá pra essa criança.

Meus companheiros e companheiras do Fórum Social Mundial, eu quero que vocês que são brasileiros e vocês que não são brasileiros, mas que estão aqui, quero que vocês tenham a certeza mais absoluta da vida de vocês, não faltarei com vocês, não deixarei de fazer as coisas que nós temos que fazer e eu espero dar a minha contribuição para que outros companheiros ganhem as eleições em outros países do mundo para que a gente possa de uma vez por todas começar a eleger pessoas que tenham mais sensibilidade, pessoas que tenham mais compromisso, pessoas que acreditem que é possível mudar a história da humanidade.

O nosso país durante 500 anos ficou olhando para a Europa, está na hora de olhar para a África e para a América do Sul, está na hora de estabelecer novas parcerias para que a gente possa ser mais independente, fortalecer o Mercosul e estabelecer uma força política para negociar.

Nós não podemos aceitar o que está acontecendo durante 40 anos, bloqueio em Cuba, não podemos aceitar que países sejam marginalizados durante séculos e séculos, e nós não podemos aceitar que o Brasil do tamanho que é, continue a cada ano que passa sendo um país que apresente maior índice de pobreza e miserabilidade.

Por isso eu não poderia deixar de vir aqui, não poderia deixar de vir aqui e dizer para vocês: valeu a pena gente, e vai valer muito mais a pena quando a gente tiver no último dia do governo e poder provar com dados sobre dados de que nós fizemos em quatro anos o que os outros não fizeram em algumas dezenas de anos neste país.

Gente, eu quero me despedir de vocês dizendo...

Eu quero terminar dizendo aos companheiros coordenadores e coordenadoras do Fórum Social Mundial pelo amor de Deus não desistam porque vocês conseguiram em três anos construir uma das coisa mais extraordinárias que a sociedade civil mundial conheceu. Embora estejamos a tantos mil quilômetros de Davos, a verdade é que depois do Fórum de Porto Alegre, Davos já não tem mais a força que tinha antes de existir o Fórum Social Mundial.

A verdade é que os problemas sociais do mundo nunca tinham sido discutidos em Davos e agora todos vão saber que tem que discutir os problemas sociais.

Vocês conseguiram um espaço na história, a imprensa que começou no primeiro fórum a dizer que era um encontro de esquerdistas, a dizer que era um encontro dos malucos do mundo, hoje reconhecem em todos as primeiras páginas dos jornais, o Fórum Social Mundial é o maior evento político realizado na história contemporânea, e eu não tenho dúvida nenhuma que ele vai contribuir de forma decisiva para que a gente mude a história da humanidade.

Muito obrigado, e até a vitória se Deus quiser companheiros."

Lula, candidato a vereador

por Urariano Mota, no Direto da Redação (e também no Sapoti da Japaranduba)

Recife (PE) - Luiz Fernandes dos Santos, que um dia poderá ser Lula dos Santos, foi candidato a vereador no Recife com a cara e o apelido que registrou no TSE. Quando o entrevistei, lembro que ele substituía o sim pelo “corretamente”, como se respondesse a um teste ou a uma inquisição. Pelo que ele calculava, em sua comunidade, no Ibura, teria 70% dos 3.500 votos de que precisava.

Lula, então futuro vereador, morava com a mulher, dois filhos e a sogra em uma casinha de dois quartos. Trabalhava numa fábrica: “Hoje, atual, eu estou numa fábrica de polpa e de suco, na função de auxiliar de produção”. Quando lhe perguntei se tal emprego lhe dava 4 ou 5 salários mínimos, respondeu: “Não, é um salário mínimo. Por incrível que pareça, é um salário mínimo”. Estava com 39 anos de idade. Cursava o “primeiro ano agora, do ensino médio”. Ao lhe pedir para destacar o que mais o impressionava no Presidente Lula, ele respondeu: “A simplicidade dele. Eu acho ele uma pessoa muito simples, assim, e popular, não é? Até a forma dele falar, está certo?”.

O simples Lula do Ibura, ao ser perguntado por suas bandeiras de luta, “bandeiras, como assim?”, respondeu com as necessidades pobres dos mais pobres. Espero que os leitores não riam nem sorriam do que destacamos do seu projeto, dividido em 8 itens:

“3º. Item: Vamos fundar uma sede, ou mais de uma sede, para o time ou os times do nosso bairro. E nessa vai ganhar uma mobília de uma geladeira ou freezer, um fogão a gás, mesas com cadeiras, uma sinuca, uma tábua de dominó com dominó, uma televisão de 20” com antena Sky. Para jogo marcado fora do bairro fornecerei o transporte, uniforme completo, água com gelo, em todos os jogos, laranjas, cartões vermelho e verde, bola. E para cada jogo em participação em torneios um presente para cada gol marcado por cada jogador, tipo um incentivo.

4º. Item: Aos peladeiros também ter totalmente apoio. Uniformes, bola, apito, cartões vermelho e verde, água e gelo, laranjas”.

- Você é candidato pra fazer o quê? perguntei.

- Uma ambulância pra minha comunidade, ou então um carro pra transporte emergencial. Isso está faltando muito. A comunidade está carente muito disso aí. Tanto a ambulância quanto melhorar os postos médicos, está certo? Na minha comunidade, e no Jordão Baixo, o posto é um descaso também. Nas reuniões, em que eu tenho conversado com os meus eleitores, reclamam que o atendimento médico está péssimo. Médico, pra se marcar agora, médico se marca com três meses. E eu quero criar também uma área pra atividade esportiva, na comunidade, pra tirar as crianças da rua, e os jovens também. Eu estou tendo também agora um acompanhamento com um colega mais velho, para nós criarmos uma escola de música. E fundar uma associação em nosso bairro, pra dar um ritmo comunitário, pra tomar conta da nossa comunidade, que está carente também disso.

A esses projetos o Lula do Ibura juntava razões de sonho, que como todo sonho omitia o processo áspero e de conflito de toda uma vida, para ir direto aos resultados. Ele se via como o novo Lula, guardava do presidente do Brasil as semelhanças, que transformava em sua identidade:

- Quando surgiu o nosso Presidente da República, que veio do nada, como eu, conforme eu estou indo também, se Deus permitir, eu pretendo chegar lá...

- Você sonha em um dia ser presidente da República, Lula?

- Com certeza. Se Deus quiser.

Então lhe recordei que, pelo menos na aparência física, ele não se assemelhava a Lula:

- Você é uma pessoa calva, está com uma calvície...

- Corretamente.

- E não usa barba. Vai usar barba?

- Pediram a mim. Por que eu não usaria barba, se meu apelido é Lula? Como pediram a mim pra ser candidato, pediram também pra eu deixar a minha barba crescer. Estou pretendendo.

Não adiantava levantar para ele obstáculos ou dificuldades. À falta de semelhança física ele respondia com uma possível barba. À falta de recursos mínimos, ele respondia com a semelhança de origem do Presidente. Mas como estava a sua campanha? Ousei perguntar. Em um papel impresso com tinta apagada, ele mostrou uma pesquisa de opinião. Na 6ª. pergunta, pedira que o eleitor respondesse de onde conhecia Lula do Ibura. Opções:

- Por sua atuação no bairro moralmente.

- Por sua atuação no bairro no papel de vizinho.

- Outros.

Com tais ferramentas e experiência, ele não conseguiu se eleger, é claro. Mas na semana passada ligou para mim, para contar que hoje é dono de um lava a jato. E me convidou para um almoço, a que não faltarei.

O fator MST

por Leandro Fortes, no Brasília Eu Vi

A prisão de nove lideranças do MST, no interior de São Paulo, algumas das quais filiadas ao PT, foi o ponto de partida de uma estratégia eleitoral virtualmente criminosa e extremamente profissional, embora carente de originalidade. Trata-se de perseguição organizada, de inspiração claramente fascista, de líderes de um movimento que diz respeito à vida e ao futuro de milhões de brasileiros, que revela mais do que o uso rasteiro da política. Revela um tipo de crueldade social que se imaginava restrita a políticos do Brasil arcaico, perdidos nos poucos grotões onde ainda vivem, isolados em seus feudos de miséria, uns poucos coronéis distantes dos bons modos da civilização e da modernidade.

No entanto, o rico interior paulista, repleto de terras devolutas da União griladas por diversas gerações de amigos do rei, tem sido um front permanente dessa guerra patrocinada pela extrema direita brasileira perfilada hoje, mais do que nunca, por trás da bela fachada do agronegócio e sua propalada importância para a balança comercial brasileira. Falar-lhes mal passou a ser de mau alvitre, um insulto a uma espécie de cruzada dourada cujo efeito colateral tem sido a produção de miséria e cadáveres no campo e, por extensão, nas cidades. É nosso mais grave problema social e o mais claramente diagnosticável, mas nem Lula chegou a tanto.

Assim, na virada de seu último ano de mandato, o presidente parece ter afrouxado o controle sobre a aliança política que lhe permitiu colocar, às custas de não poucos danos, algumas raposas dentro do galinheiro do Planalto. Bastou a revelação do pacote de intenções do Plano Nacional de Direitos Humanos, contudo, para as raposas arreganharem os dentes sem medo, fortalecidos pela hesitação de Lula em enquadrá-los sob o pretexto de evitar crises inevitáveis.

A reação do ministro Nelson Jobim, da Defesa, ao PNDH-3, nesse sentido, foi emblemática e, ao mesmo tempo, reveladora da artificialidade dessa convivência entre forças conservadoras e progressistas dentro do governo do PT, um nó político-ideológico a ser desatado durante a campanha eleitoral, não sem traumas para a candidata de Lula, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.

Com a ajuda de Jobim, a velha sanfona anticomunista voltou a soltar os foles e se engajou nesse desarranjo histórico que tem gerado crises artificiais e um consequente show de péssimo jornalismo. Tocou-se, então, o triste baião anti-Dilma das vivandeiras, a arrastar os pés nas portas dos quartéis e a atiçar as sentinelas com assombros de revanchismo e caça às bruxas, saudosos do obscurantismo de tempos idos – mas, teimosamente, nunca esquecidos –, quando bastava soltar bestas-feras fardadas sobre a sociedade para calá-la. Ao sucumbir à chantagem de Jobim e, por extensão, à dos comandantes militares que lhe devem subordinação e obediência, Lula piscou.

No lastro da falsa crise militar criada por Jobim, com o auxílio luxuoso de jornalistas amigos, foi a vez de soltar a voz o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, cujo arrivismo político iniciou-se na ditadura militar, à qual serviu como deputado da Arena (célula-tronco do DEM) e presidente do INPS no governo do general Ernesto Geisel, até fazer carreira de ministro nos governos Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula.

Essa volatilidade, no entanto, sempre foi justificada por conta de um festejado “perfil técnico” de Stephanes. Trata-se de um mistério ainda a ser desvendado, não a capacidade técnica, mas as intenções de um representante político do agronegócio dentro do governo Lula, uma posição institucional baseada em alinhamento incondicional à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), comandada pelo senadora Kátia Abreu, do DEM de Tocantins.

Com Kátia, Stephanes ensaiou um animado jogral e conseguiu, até agora, boicotar a mudança dos índices de produtividade agrícola para fins de reforma agrária – um tiro certeiro no peito do latifúndio, infelizmente, ainda hoje não desferido por Lula. Depois, a dupla partiu para cima do PNDH-3, ambos procupadíssimos com a possibilidade de criação de comitês sociais a serem montados para mediar conflitos agrários deflagrados por ocupações de terra.

Os ruralistas liderados por Kátia Abreu e Ronaldo Caiado se arrepiam só de imaginar o fim da tradicional política de reintegração de posse, tocada pelos judiciários e polícias estaduais, como no caso relatado nesta matéria de CartaCapital. A dupla viu na proposta um incentivo à violência no campo, quando veria justamente o contrário qualquer menino bem educado nas escolas geridas pelo MST. São meninos crescidos o suficiente para saber muito bem a diferença entre mediadores de verdade e os cassetetes da Polícia Militar.

O governo Lula já havia conseguido, em 2008, neutralizar um movimento interno, tocado pelo Gabinete de Segurança Institucional, interessado em criminalizar o MST taxando o ato de invasão de terra de ação terrorista. Infelizmente, coisas assim ainda vêm da área militar. O texto do projeto foi engavetado pela Casa Civil por obra e graça da ministra Dilma Rousseff. Lula, contudo, não quer gastar o último ano de uma era pessoal memorável comprando briga com uma turma que, entre outros trunfos, tem uma bancada de mais de uma centena de congressistas e a simpatia declarada do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes.

Assim, distraído, o presidente deixou que Jobim e Stephanes envenenassem o processo político às vésperas das eleições, com óbvios prejuízos para a candidatura Dilma, bem no começo da briga com José Serra, do PSDB, o governador que por ora se ocupa em prender militantes do MST e do PT enquanto toca terror em assentamentos cheios de mulheres e crianças, no interior de São Paulo, com seu aparato de segurança pública.

O MST existe há 25 anos e é o mais importante movimento social de base da história do Brasil. A crítica à sua concepção socialista e a eventuais desvios de conduta de alguns de seus participantes é, deliberadamente, ultradimensionada no noticiário para passar à sociedade, sobretudo à dos centros urbanos, a impressão de que seus militantes são vândalos nutridos pelo comunismo e outras reflexões sociológicas geniais do gênero.

A luta do MST é, basicamente, a luta contra o latifúndio e a concentração fundiária nas mãos de uma elite predatória, violenta e vingativa. Essa é a origem de todos os problemas da sociedade brasileira desde a sua fundação, baseada em capitanias hereditárias, em 1532. Nenhum governo teve a coragem necessária, até hoje, para tomar medidas efetivas para acabar com o latifúndio e, assim, encerrar com esse ciclo cruel de concentração de terras no campo brasileiro, responsável pelo inchaço das periferias e pela violência contra trabalhadores rurais, inclusive torturas e assassinatos, com o periódico beneplácito da Justiça e das autoridades constituídas, muitas das quais com campanhas eleitorais financiadas pelos grupos interessados em manter este estado de coisas.

A luta contra o latifúndio não é a luta contra a propriedade privada, essa relação também foi contruída de forma deliberada e tem como objetivo tirar o verdadeiro foco da questão. A construção desse discurso revelou-se um sofisma baseado na a inversão dos valores em jogo, como em uma charada de um mundo bizarro: a ameaça social seria a invasão (na verdade, a distribuição) de terras, e não a concentração no campo, o latifúndio. E isso é vendido, assim, cru, no horário nobre.

É uma briga dura, difícil. Veremos se Dilma Rousseff, em cima do palanque, será capaz de comprá-la de novo.

Charge On line do Bessinha

Sabesp, ocupada com propaganda, não ouviualerta

Comitê afirma que Sabesp ignorou alerta sobre chuvas em SP

29 de janeiro de 2010 • 07h21

no Terra, por sugestão do leitor Eduardo CPQ

O Comitê de Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (CB-PCJ) diz ter alertado a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2 de outubro para fazer descargas nos reservatórios. Técnicos do comitê - que é responsável pela gestão do sistema Cantareira - indicaram que as comportas deveriam liberar água dos rios Atibaia e Jaguari quando o nível nas barragens chegasse a 81%. O órgão afirma que a reunião aconteceu em Capivari e alertas foram registrados em áudio e ata. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os dois reservatórios transbordaram na segunda-feira e causaram inundações em Atibaia, Piracaia, Bom Jesus dos Perdões e Bragança Paulista, forçando moradores a deixarem suas casas. Apesar do alerta do comitê, "eles (Sabesp) optaram por seguir as regras de seus próprios técnicos", afirma o coordenador do CB-PCJ, Astor Dias de Andrade.

Nota do Viomundo: A SABESP estava muito ocupada fazendo propaganda de seus serviços no Acre para prestar atenção em um problema paulista!

Sabesp pagará 1 bilhão para privatizar águas




Deu no NAMARIA NEWS

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ubatubanas



LIXO UBATUBA REAGE


Rui Grilo
Após quase quatro horas de reunião entre a Prefeitura, representantes do Movimento Ubatuba em Rede, de diversos bairros e setores, poderá ser implantado em Ubatuba o Projeto Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável, desenvolvidos pelos arquitetos Márcia Macul e Sergio Prado, membros da Associação Verdever.

Apesar de já ter sido apresentado à Prefeitura em 2005 e de ter sido aprovado em todas as comissões da Assembléia Legislativa através do PL 1269, o Projeto encontrava certa resistência por seu caráter inovador e por ainda não ter sido implantado em qualquer município. Outra dificuldade era o fato de ainda não ter um laudo técnico dos protótipos produzidos (tijolos, bloquetes, painéis, telhas) devido ao alto custo desse licenciamento.

Para vencer esses empecilhos, seus inventores procuraram o apoio do Ministro Sergio Rezende, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Ministério das Cidades, do Ministério do Meio Ambiente e de instituições técnico-científicas como USP (FAU- Faculdade de Arquitetura e Urbanismo; ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Escola Politécnica); FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo; FINEP – Financiadora de Estudos e Pesquisas; FATEC- Fundação Paula Souza e outras, o que poderá viabilizar em curto espaço de tempo os laudos necessários para o licenciamento pela CETESB.

O caráter inovador do Projeto Lixo Zero decorre do fato de aproveitar até mesmo os materiais que não eram aproveitados na reciclagem convencional, como o lodo do tratamento de esgoto. Esses materiais são tratados para eliminar o cheiro e para desinfecção para evitar danos à saúde e se transformam em matéria prima para a confecção de tijolos, bloquetes e painéis, os quais podem ser usados na construção civil e em serviços de urbanização (calçamento, construção de escolas, creches, postos de saúde).

Para a produção desses materiais é necessário o emprego de poliuretano vegetal que pode ser produzido da resina de várias plantas comuns em qualquer parte do Brasil, as mesmas utilizadas na produção de biodiesel. Esse material deverá substituir o emprego de cimento, diminuindo o consumo de energia para a sua produção.

Além de gerar empregos na reciclagem, evitando a perda de matéria prima, exigirá a criação de agroflorestas, gerando emprego e renda.

Para a realização da reunião foi muito importante o empenho do Promotor de Justiça Alexandre Petry Helena, a quem recorreram os participantes do Movimento Ubatuba em Rede, inconformados com o alto custo do transbordo para Tremembé.

A reunião começou na CETESB, presidida pelo Sr. João Carlos Milanelli, mas como o objetivo da reunião era a apresentação e o debate dos prós e contra o Projeto, ele se manifestou dizendo que a reunião deveria ser na Prefeitura e à Cetesb caberia, em outro momento, apenas a análise técnica da documentação para o licenciamento. Assim, a reunião continuou na Prefeitura, num clima mais descontraído, cabendo a cada uma das partes a apresentação de dados, de questionamentos e possíveis soluções.

O Sr. João Paulo Rolim, Secretário de Arquitetura e Urbanismo comentou sobre a preocupação de encontrar uma solução definitiva ou mais satisfatória que o transbordo. No final do ano, com a queda de barreiras nas rodovias que dão acesso à região, e com as enchentes que impediam o acesso ao galpão de transbordo local, o sistema de coleta de lixo quase entrou em colapso. Esse fato serviu para que houvesse uma percepção mais nítida da precariedade, dos riscos do atual sistema e da necessidade de encontrar uma alternativa.

Com verbas do FEHIDRO e da Prefeitura já há um projeto da construção de um galpão com 1.200 m², o qual poderá abrigar uma míniusina limpa de reciclagem, a qual poderá funcionar em melhores condições com os procedimentos e tecnologias previstos pelo Lixo Zero. Entretanto, não aumentará, de imediato o volume de reciclagem. Assim, não diminuirá de imediato o volume de resíduo a ser transportado para Tremembé.

O grande ganho dessa medida é mostrar que existe alternativa viável mais adequada que o transbordo. A idéia não é concentrar a destinação da coleta em grandes usinas, mas em várias usinas pequenas, evitando os gastos com o transporte e respeitando a distribuição geográfica da população. Elas poderão ser operadas por empresas ou cooperativas, criando alternativas de geração de renda.

Ao mesmo tempo, em caráter de urgência, está em discussão com a Fundação Florestal, a instalação de outra miniusina no Saco da Ribeira para processar o lixo proveniente das atividades náuticas e turísticas. Esse setor,que responde por quase 50% da renda proveniente do turismo, corre o risco de ser interditado pela Cetesb devido à degradação do meio ambiente devido à falta de processamento adequado do lixo. Junto com essa miniusina, o local ganharia um Museu do Mar, que servirá para atividades de educação ambiental, constituindo-se também em uma nova atração turística.

Ao final, era visível o grau de satisfação com os encaminhamentos e a comprovação de que a negociação e a discussão entre as partes é possível e necessária para que o município encontre soluções mais adequadas para seus problemas.

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

SP: Indy supera em 10 vezes verbas para piscinões em 2009

Diego Salmen, Terra Magazine

“A prefeitura de São Paulo gastou, no ano passado, R$ 1,2 milhão na "construção de piscinões e reservatórios contra enchentes". O valor é dez vezes menor que o prometido pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) para a realização da Fórmula Indy na capital paulista.

Ao todo, a prefeitura gastou R$ 1.202.887 dos R$ 1.451.714 empenhados para esse fim, 82% do total. No entanto, o número corresponde a apenas 6,5% do orçamento atualizado previsto para o período, de R$ 18.548.567.

Em dezembro, Kassab se comprometeu a investir R$ 12 milhões na realização da prova da Fórmula Indy na cidade. "O compromisso com os organizadores é a prefeitura investir R$ 12 milhões, que poderão vir dos cofres públicos ou, eventualmente, de parceiros nossos na cidade", disse na ocasião.

A corrida está agendada para o dia 14 de março, mês que, por fechar o verão, costuma não escapar das águas. A menção às chuvas não é meramente lírica: a região do Anhembi, que sediará o circuito paulistano, é uma das que mais sofrem com alagamentos ao longo da estação.”

Kassab convida!!

Luz para Todos tira mais de 11 milhões de pessoas da escuridão

O programa Luz para Todos, do Governo Federal, alcançou a marca de 2 milhões e 235 mil ligações realizadas em todo o país até dezembro de 2009. A energia elétrica chegou gratuitamente para famílias que moram na área rural e tiraram 11,1 milhões de brasileiros da escuridão.

A energia elétrica muda a vida das famílias. Além do conforto como a televisão e a geladeira, leva tranquilidade para pessoas que dependem de equipamentos elétricos para cuidar da saúde. É o caso de dona Aurelina da Conceição, 81 anos, moradora do município de Piranhas, em Alagoas. Ela, que sofre de asma, era obrigada a ir ao hospital, que fica a uma hora de casa, quase todos os dias para fazer nebulizações. Hoje Aurelina tem o aparelho e faz nebulização quando precisa em casa.

O Luz Para Todos vem provocando também uma movimentação positiva na economia, como é o caso das indústrias de materiais elétricos. Estima-se que as obras do programa tenham criado 335 mil novos postos de trabalho diretos e indiretos e utilizado cerca de 5,6 milhões de postes, 1,08 milhão de km de cabos e 824 mil transformadores. São serviços nas obras, nas fábricas de materiais e em escritórios.

Em todos os cantos do Brasil encontramos famílias felizes e exemplos dos benefícios que a energia elétrica leva e as grandes mudanças que ela proporciona. O Luz para Todos também tem o objetivo de promover o desenvolvimento local do meio rural e geração de emprego e renda a partir do uso produtivo da energia elétrica.

O programa, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia – MME -, operacionalizado pela Eletrobrás, é desenvolvido em parceria com as concessionárias de energia elétrica, cooperativas de eletrificação rural e governos estaduais. Até o mês de dezembro, para a execução das obras, o Governo Federal assinou contratos que somam R$ 10,9 bilhões, dos quais liberou R$ 7,8 bilhões.

Dos recursos liberados pela União, 5,8 bilhões foram a fundo perdido. A utilização de recursos públicos subvencionados pelo Governo Federal visa diminuir o valor de possíveis aumentos para os consumidores.

As famílias atendidas não pagam nada pela instalação da energia elétrica e recebem gratuitamente três pontos de luz e duas tomadas em casa. O morador do meio rural que não possui energia elétrica em casa deve procurar o escritório ou representante da concessionária de energia elétrica ou a concessionária de eletrificação rural que atende a sua região e solicitar a instalação da luz. A prioridade das obras é definida pelo Comitê Gestor Estadual e o cronograma, pela concessionária de energia elétrica.

Fonte: MME

Da série "como fazer para a oposição parar de chorar: Mais vaselina"

Renda média do trabalhador de regiões metropolitanas aumentou 14% em quatro anos

Thaís Leitão
Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro - A renda média do trabalhador brasileiro aumentou 14,3% entre 2003 e 2007 nas seis principais regiões metropolitanas do país. Essa expansão representa um ganho médio anual de R$ 168,43. Houve alta em todas as regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os destaques foram Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador. Nessas capitais, o avanço da renda média do trabalhador ficou em torno de 19%.

De acordo com o levantamento divulgado hoje (28) pelo IBGE, em 2009, o rendimento médio do trabalhador foi de R$ 1.350,33, atingindo o maior patamar da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A região metropolitana de São Paulo registrou o rendimento médio mais alto: R$ 1.502,06. Já a região metropolitana de Recife apresentou o mais baixo: R$ 895,90.

Entre os empregados com carteira assinada, a renda média aumentou 7,3% no período, enquanto a dos trabalhadores sem carteira assinada subiu 18,8%.

Entre os grupamentos de atividade, o IBGE verificou que os serviços domésticos apresentaram o maior aumento relativo, de 26,8%. A expansão no setor foi observada em todas as regiões pesquisadas, especialmente no Nordeste (35%).

O levantamento também revelou que o rendimento médio das mulheres continua sendo menor que o dos homens. A renda média delas ficou em R$ 1.097,93 em 2009, o que representava 72,3% dos ganhos dos homens (R$ 1.518,31).

Discrepância ainda maior foi observada entre os rendimentos dos trabalhadores do grupo formado por pretos e pardos e os de cor branca. O grupo de pretos e pardos recebeu em média R$ 882,42 no ano passado, enquanto os trabalhadores de cor branca tiveram rendimentos de R$ 1.716,44.


Fonte: Oni Presente

"Nosso trabalho é iluminar as Tocas..."



Peça publicitária encafuada na revista Veja, de 7 de outubro de 2009, que acabamos de desentocar.
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(se tiver estômago, clique na imagem para ampliá-la)


lambido do blog: Cloaca News

Tucano teria comprado voto. O PIG, queria derrubar Sarney para botar ele no lugar.


na foto, o presidente do Senado, ao anunciar o impeachment de Lula


Saiu no estadão, pág. A8, reportagem de Rodrigo Rangel

"Investigação – Gravação indica compra de apoio político por Perillo.”

“Gravações inéditas em poder do Supremo Tribunal Federal indicam que o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo, (PSDB-GO), montou esquema de compra de apoio político para garantir sua eleição, em 2006.”

A PF gravou – com autorização judicial – conversas em que Perillo se movimentava para obter dinheiro para pagar dívidas de campanha e comprar apoio político.

Gente finíssima.

Toda a crise do Sarney e a desmoralização do Senado se montou no PiG (*) para entregar a Presidência do Senado – e o impeachment de Lula – a esse Varão de Plutarco …

É a moral tucana.

Perillo, Eduardo Azeredo, Arthur Virgilio Cardoso, aquele que estourou o cartão Visa em Paris, e Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati formam a linha de frente tucana no Senado para restaurar a moralidade, aquela do Fernando Henrique Cardoso, que levou dez anos para reconhecer um filho.

Fonte: Conversa Afiada - de Paulo Henrique Amorim

Com 65 mortos, SP tem orçamento de combate às enchentes cortado por Serra



Já são 65 os mortos em decorrência das fortes chuvas que caem desde dezembro do ano passado em São Paulo. Também há 50 pessoas feridas e duas desaparecidas. São ao todo 19.606 desabrigados nos 144 municípios atingidos pelos temporais.

Os dados são da Defesa Civil do Estado, que contabiliza 29 cidades em situação de emergência: Atibaia, Bofete, Bom Jesus dos Perdões, Caieiras, Caiuá, Capivari, Chavantes, Cotia, Franco da Rocha, Getulina, Guararema, Inúbia Paulista, Itapevi, Lucélia, Lourdes, Manduri, Mineiros do Tietê, Mirassol, Osasco, Oscar Bressane, Pardinho, Pracinha, Presidente Venceslau, São José do Rio Preto, São Lourenço da Serra, Santa Barbara D’Oeste, Santo André, Santo Antônio do Pinhal, Sumaré.

Apesar de ter cortado 20,4% os recursos para combater as enchentes em 2010, reduzindo o orçamento de R$ 252,2 milhões para R$ 200,6 milhões, o governador José Serra, pré-candidato à presidência, se mantém a distância dos episódios. Mas, foi por sua determinação que foram efetuados cortes nas verbas das ações de limpeza e conservação de corpos d´água (desassoreamento dos rios e canais), na manutenção, operação e implantação de estruturas hidráulicas e nas obras complementares na bacia do Alto Tietê.

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) também perdeu investimentos, que caíram de R$ 237 milhões em 2009, para R$ 194,4 milhões em 2010. Os reservatórios paulistas do Sistema Cantareira transbordaram e ameaçam 12 cidades da região de Atibaia (que se encontra parcialmente inundada).

“Isso vai significar mais enchentes, mais problemas para toda a população”, comentou Enio Tatto, deputado estadual (PT-SP) e membro da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia paulista. Segundo ele, as cidades iriam sofrer cada vez mais com enchentes. “Na capital, por exemplo, tempos atrás tínhamos alguns pontos de alagamento. Hoje, todas as regiões sofrem com enchentes. Pior mesmo é quem mora em áreas de risco, em encostas e acaba perdendo tudo que conseguiu com sacrifício”.

Fonte: Brasília Confidencial

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A fala de Lula

Primeiro, uma nota do blog de Reinaldo Azevedo. Depois o comentário deste blog:

LULA DIZ QUE GOSTAVA DE ENCHENTE “PORQUE NÃO TINHA DE TRABALHAR”. EU JURO! ELE DISSE ISSO MESMO!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Deixo a afirmação de Lula para o divertimento de vocês. Mais tarde, na madrugada, farei algumas considerações, vamos dizer, sociológicas a respeito do assunto. E vou explicar por que esta fala explica a flopada do filme Lula, o Filho do Brasil.
Como vocês viram, Lula discursou na cerimônia em São Paulo, onde foi agraciado com a Medalha 25 de Janeiro. Num dado momento de seu improviso, ele mandou ver:
“Aqui, eu fui morar na Vila Carioca, que dava enchente todo final de ano. Não é de hoje que dá enchente. Naquele tempo, eu trabalhava nos Armazéns Gerais Colúmbia… A gente, muitas vezes, NÃO IA TRABALHAR porque a [avenida] Presidente Wilson enchia e, OBVIAMENTE EU GOSTAVA PORQUE EU NÃO TINHA DE TRABALHAR”.
Reinaldo Azevedo


Comentário meu:

Mais uma vez, um colunista direitoso não percebe a esperteza do presidente. É preciso sempre explicar que Lula não fala para meia dúzia de intelectuais que jamais decidirão uma eleição e se julgam "formadores de opinião". Lula fala para quem decide - e quem decide é o povão. No discurso acima, há dois movimentos muito inteligentes: primeiro, o presidente revela, ou reitera, porque até já falou sobre isto antes, que viveu o drama das enchentes na própria pele. São poucos os políticos que podem dizer isto, comprovadamente. Serra nem sabe o que é tirar água com balde, Kassab tem andando pela periferia de botas... Mesmo uma Heloísa Helena, por exemplo, não viveu a maior parte das agruras pelas quais Lula passou. Quando o presidente fala, portanto, é com conhecimento de causa e o povão absorve, não soa falso.

Em segundo lugar, Lula diz que tinha o "lado bom" da enchente - não era preciso ir trabalhar. Ora, é exatamente isto que qualquer operário ou trabalhador da construção civil pensa, porque não há nenhum glamour em trabalhar nessas atividades - é de sobrevivência que se trata, não de gosto pelo ofício. Mesmo técnicos intermediários, como gerentes de bancos, funcionários de médio escalão em empresas públicas ou privadas, também têm este tipo de visão sobre o trabalho - é sempre melhor faltar do que estar no escritório batendo cartão. Lula não falou para os que gostam de seus trabalhos, mas para a imensa maioria que apenas tolera o meio de ganhar o pão de cada dia. Mas é deveras exigir demais que gente como Reinaldo Azevedo entenda este tipo de estratégia do presidente. O que ele faz é tentar provar que Lula "nunca trabalhou"... Dá até pena.

Por: Aguinaldo Munhoz

Os dois pedaços de um mesmo pão

Por Mauro Santayana

Entre outras vozes que se levantaram, no Brasil, contra a nossa solidariedade para com o povo do Haiti, destacou-se a do senador Epitácio Cafeteira, do Maranhão. Sua excelência pertence às oligarquias daquele estado e, desde 1962, tem sido eleito pelo seu povo, um dos mais pobres do país. Homem rico, conforme a relação de seus bens divulgada pelo Senado – muitos deles imóveis valiosíssimos – Cafeteira dispõe de dois aviões e automóveis importados. No Senado, ao negar ao governo autorização para o envio de mais tropas brasileiras a Porto Príncipe, declarou comovente solidariedade com o povo brasileiro. Para ele, é necessário cuidar dos brasileiros, e não dos estrangeiros. E foi além: atribuiu à imprensa brasileira o destaque que se dá aos mortos do Haiti, em detrimento das vítimas nacionais das enchentes.

Nós poderíamos cobrar do senador solidariedade para com o seu povo mais próximo, o do Maranhão – como governador que foi do estado, e como parlamentar que o vem representando há quase cinco décadas. As mulheres quebradeiras de coco, os pescadores, os sertanejos e os caboclos maranhenses, castigados secularmente pela miséria, massacrados pelo latifúndio e, eventualmente, pelas cheias, estão esperando pela compaixão do senador. Cafeteira é um dos donos do Maranhão. Se houvesse nascido no Haiti, naturalmente pertenceria à elite mulata daquele pequeno país, e, morando na parte mais bem edificada de Porto Príncipe, não estaria necessitando da solidariedade dos outros. Estaria preocupado com seus aviões e seus automóveis e, provavelmente, com suas lanchas.

As seções de cartas dos jornais e alguns blogs da internet mostram que parcelas alienadas da classe média tornaram-se, repentinamente, também sensibilizadas com as enchentes e desabamentos em nosso país, e acusam o governo de se dedicar ao Haiti. Trata-se de um desvio singular da ação política. Animados pela hipocrisia, esses humanistas de última hora se esquecem de que, tanto como no Haiti, é a miséria que faz as nossas tragédias. É a falta de trabalho, de escolas, de saúde, de planejamento urbano, de reforma agrária, enfim, da dignidade que vem sendo negada aos pobres, desde que aqui chegaram os fidalgos ibéricos. Aqui – e na Ilha La Española, onde se encontra o Haiti. O subdesenvolvimento, causa de toda a miséria, não é maldição mas resultado de deliberado projeto de desigualdade. Quanto maior a miséria em torno, mais ricos se fazem alguns. Por isso impedem a reforma agrária e impedem a educação dos pobres. Sua filosofia é a de que só têm direito aos benefícios da civilização os que puderem pagar por eles.

Eles não sabem que uma das poucas alegrias das pessoas pobres é a do exercício da solidariedade. Não conhecem a felicidade dos trabalhadores que se organizam em mutirão a fim de reconstruir o barraco que desabou, ou de construir a moradia de dois cômodos para uma viúva e seus filhos. Os haitianos que perderam suas casas e seus familiares são seres humanos, exatamente iguais aos nossos pobres, que se veem nos olhos solidários dos soldados e dos voluntários civis brasileiros no Haiti.

O presidente Lula pode desagradar a muitas pessoas, por ter saltado etapas em sua realização pessoal. Ele deixou o chão da fábrica para liderar seus companheiros de classe e se tornou dirigente político e presidente da República. É um pecado imperdoável: não enfrentou o vestibular, não teve que cavar empregos seguros ou casamentos de conveniência para se tornar vitorioso: enfim, não serve de modelo para a formação de uma juventude alienada e consumista, instrumento para a segurança de parcelas das elites. É provável que, no caso do Haiti, o presidente reaja como o menino que enfrentou as cheias na periferia de São Paulo e conhece de perto a solidariedade dos pobres.

O Brasil, como um todo, não sendo ainda um país rico, age como seus pobres. Não há nenhum mérito em dar o que nos sobra. O mérito está em repartir o que temos e do que necessitamos. Poeta mais conhecido em Minas, Djalma Andrade resumiu este sentimento ao pedir a Deus que nunca o deixasse comer sozinho o pão que pudesse partir em dois pedaços.

Fonte: JB online

"Fórum Social Mundial é mais importante que Davos", defende especialista da London School of Economics

Ao longo de seus dez anos de história, o Fórum Social Mundial buscou oferecer alternativas mais sociais às idéias discutidas em Davos. Para especialistas, o Fórum Econômico até ficou mais parecido com seu opositor.

Há dez anos, sempre no final de janeiro, os participantes do Fórum Social Mundial se reúnem quando o mundo presta atenção no que é discutido no Fórum Econômico Mundial, que neste ano abre suas portas na quarta-feira (27/01), em Davos, na Suíça.

Em 2010, as discussões giram em torno de previsões aterrorizantes para os próximos anos: crises fiscais, desemprego, redução dos investimentos em infraestrutura e impacto das doenças crônicas, é o que antevê o relatório de risco global divulgado pelo Fórum Econômico.

Ao final de uma década de disputa ideológica entre os dois fóruns, qual terá mais relevância num mundo abatido pela crise econômica? Leslie Sklair, doutor emérito da London School of Economics, é taxativo: "Eu acho que o Fórum Social Mundial agora é tão importante, na verdade, é até mais importante do que o de Davos", declarou em entrevista à Deutsche Welle.

Leia mais na DW

Fonte: Blog Brasil, mostra tua cara

Serra adota discurso de vítima diante das enchentes

Existe São Paulo. E existe “São Paulo”. Há a cidade e o coletivo em que ela se transformou.

Pode ser coletivo majestático ou pejorativo. Depende do lado que você está e do que lhe vem à mente quando ouve “São Paulo”.

Sem aspas, São Paulo é trabalho, é locomotiva, é PIB. Com aspas, pode ser poluição, engarrafamento, caos urbano.

Nos dias que correm, “São Paulo” é enchente, é morte. A água penetra todas as suas residências. Nalgumas, chega pela TV. Noutras, faz boiar os móveis.

José Serra levou ao microblog, na madrugada desta quarta (27), meia dúzia de palavras sobre o flagelo. Escreveu como vítima, não como governador.

Contou: “Fui até a estrada de Itapevi, onde o temporal abriu uma cratera impressionante. Prevendo o risco, o DER havia feito uma interdição na via”.

Celebrou: “Só por isso não houve maior tragédia. O carro com dois funcionários do DER despencou, mas felizmente eles foram resgatados e passam bem”.

Esmiuçou: “Tentei ir a Bauru, mas não consegui. Com o temporal, o aeroporto de Congonhas estava feito sanfona: abria e fechava o tempo todo”.

Contabilizou: “Este é o mês de janeiro mais chuvoso em SP, desde 1995, quando o Centro de Gerenciamento de Emergências passou a fazer medições.”

Comparou: “Pra vocês terem uma idéia: o previsto para todo o mês de janeiro eram 239 mm. Na zona norte de SP, choveu 43 mm só nesta terça-feira!”

Espantou-se: “A Estação Meteorológica da USP registrou, 5ª feira passada, o maior volume acumulado de chuva em janeiro desde 1932, quando começou a medir”.

Quem teve a ventura de ler José Serra sentiu falta de um governador. Alguém que discorresse sobre planos e medidas.

Quem leu José Serra teve a impressão de que ele não é propriamente um governador. É apenas mais uma vítima. Ou, por outra, é a ausência de solução com doutorado.

Uma espécie de nada com PhD, a contemplar a cidade desde a janela do Palácio dos Bandeirantes.

José Serra talvez ainda não tenha se dado conta, mas o cargo de governador tirou dele o conforto de habitar o mundo acadêmico.

Para um "scholar", habituado a observar os paradoxos do caos social de longe, com distanciamento brechtiano, o diagnóstico é o Éden.

Mas o cidadão que se encontra cercado de água por todos os lados anseia pela resolução de seus problemas. Espera, quando menos, por um lenitivo.

Poder-se-ia objetar que o despreparo de “São Paulo” para lidar com as enchentes é produto do descaso de muitos governos.

A objeção não socorre, porém, o tucanato de José Serra, no poder em “São Paulo” há uma década e meia.

Assim, as divagações noturnas de José Serra não tem senão a utilidade de dar ao seu autor a sensação de que seus relatos são úteis.

De resto, enquanto estiver empilhando estatísticas e relatos molhados, José Serra pode eximir-se de tarefas menores. Apresentar providências, por exemplo.

By: Josias de Souza na Folha on line.


Comentário do Aguinaldo: Orra meu!! o Josias de Souza da Folha na Folha On line? É, nem o PIG aguenta mais!!!

Charge On line do Bessinha

Serra no Twitter: Parece transparência. Parece

por Luiz Carlos Azenha

Confesso antecipadamente a minha incapacidade para a análise política. Costumo errar grosseiramente sempre que faço previsões. Alguns leitores reclamam que eu deveria escrever mais, quando opto por escrever menos diante de minha crescente incapacidade. Aquela história de que sei cada vez menos se aplica. Porém, gosto de observar a integração de novas tecnologias ao dia-a-dia das pessoas. Fiquei agradavelmente surpreso com as observações instigantes do Cristóvão Feil a respeito da relação entre os tolos e os gadgets. Estão aqui.

Estive entre os que criticaram o senador Aloízio Mercadante no episódio das denúncias envolvendo o senador José Sarney, quando o petista ameaçou roer a corda sob aparente pressão de seguidores dele no Twitter. Mercadante, em minha opinião, confundiu as bolas. Confundiu a opinião pública com a opinião dos seguidores dele no Twitter. Confundiu o espaço público, em que ele deve satisfação não só aos que o elegeram, mas também àqueles que como ele foram investidos de cargos parlamentares, com o espaço digital que ele divide com gente que não tem necessariamente compromisso com a coalizão governista, o Parlamento ou a opinião pública como um todo.

Meu ponto é que fazer política via Twitter degrada a representação parlamentar. Uma coisa é você usar o Twitter como uma ferramenta, propagar através dela seus textos, anunciar viagens e coisas do gênero. Outra coisa é usar o Twitter para anunciar renúncias, declarar votos, rompimentos partidários. É como se a política fosse sequestrada e se tornasse privilégio de um grupo de insiders, de eleitos. É uma espécie de pedágio: siga-me no Twitter e eu te darei acesso à minha intimidade (espero que o governador Serra não aplique esse meu "pedágio" literalmente).

Não estranho, pois, que o Twitter seja uma grande ferramenta para nosso trio de intelectuais: Bonner, Tas e Huck. O que eles tem a nos dizer cabe facilmente em 140 caracteres. Mas que o senador Aloizio Mercadante ou o governador José Serra acreditem sinceramente que podem legislar ou governar através do Twitter... é triste, ou cômico, ou reflexivo da pequena margem de manobra que sobrou para nossos representantes diante do grande poder dos conglomerados econômicos na nossa democracia.

Para o governador Serra, deve servir de alívio o fato de que o Twitter é coisa da classe média branca, ou quase só dela. Não corre o risco de receber uma resposta mal educada de um morador do Jardim Romano quando, de madrugada, Serra se espantar com a quantidade de chuva que anda caindo em São Paulo.Como se sabe, durante a madrugada Serra deixa de ser governador. Ele cumpre jornada do meio-dia à meia-noite. Depois, vão reclamar ao bispo. Serra, de madrugada, é exclusivo do Twitter. Escolhe as informações que quer "dividir" com seus seguidores. Trata-se do mesmo governador que comanda o DAEE, que se nega a responder às perguntas da repórter Conceição Lemes sobre a limpeza da calha do rio Tietê.

O uso do Twitter, nesse caso, parece transparência. Parece. Mas trata-se, na verdade, de puro e simples gerenciamento da desinformação.

Comentário do Aguinaldo: Se alguém me dissesse que Twitter é alguma marca de chocolate, salgadinho ou absorvente destinado ao público teen da classe média, eu acreditaria. No mais, deve ser gostoso ficar de madrugada tuitando com aquele sonzinho gostoso da chucava caindo no telhado do palácio, não?

O que Lula falou no FSM e a Big Mídia não ouviu

Blog do Rovai


Estive ontem no Gigantinho assistindo a intervenção do presidente Lula no Fórum Social Mundial que acontece aqui em Porto Alegre. Fiz a cobertura ao vivo pelo meu twitter (renato_rovai). Hoje lendo a cobertura dos portais e de alguns jornais vi que só uma pequena parte do que foi dito ali está publicado. Então, complemento por aqui a cobertura, digamos, um tanto míope da nossa Big Mídia, filha adotiva da lógica Big Mac (todos os veículos que tratam informação como mercadoria são iguais em qualquer parte do mundo).

Para fazer diferente da Big Mídia, vou contar a história de traz pra frente. Começando pelas despedidas e terminando pela primeira fala do presidente.

Não, amigos, não busco imitar Machado em Memórias Póstumas de Brás Cubas, que começou o contar da novela pelo cabo e não pelo intróito. Sei que Machado é inimitável.

1 - Lula acabou o discurso agradecendo ao movimento social pela solidariedade que teve com ele e com o governo dele.

2 - Lula diz que o Fórum deve continuar lutando pela utopia do impossível. “Porque a única coisa impossível para quem crê em Deus é Ele pecar”

3 - Lula diz que vai tornar o processo das conferências em lei. “Farei isso para que a sociedade continue sendo ouvida. “Porque tem político que parece ter três bocas e um ouvido só. Eles não querem ouvir a sociedade.”

4 - Lula recorda de quando recebeu portadores de hanseniase no Paláciodo Planalto e da emoção que foi beijar cada um dos 100 que lá estavam.

5 - Lula diz que tem muito orgulho de ter colocado todos os movimentos sociais no Palácio do Planalto.

6 - Lula diz que no próximo FSM estará nele, como ex-presidente.

7 - Lula fala da Conferência da Comunicação e diz que teve empresário que não foi. Mas os que foram viram que “lá ninguém morde ninguém”.

8 - Lula pede que este FSM aprove como deliberação 1 ano inteiro de solidariedade do movimento altermundista ao Haiti.

9 – “Não vamos aceitar que ninguém mais coloque seu dedo sujo de óleo diesel no nosso combustível limpo para nos dizer o que devemos fazer.”

10 - Ninguém precisa nos ajudar a limpar a nossa sujeira. Cada um que trate de limpar a sua.”

11 – “Não é justo que um país que está poluindo o mundo há 200 anos pague da mesmo forma que outro que polui há 2 anos.”

12 - Lula diz delegação brasileira foi pra Copenhagem com a proposta mais séria de todas as delegações. E pegou países ricos de surpresa

13 - Lula lembra que a Embrapa foi para Gana, na África, e hoje já se sabe que o solo africano é semelhante ao do Centro Oeste brasileiro. Que pode produzir soja, por exemplo.

14 - Lula diz que a solidariedade brasileira não é só ao Haiti. Que o Brasil também tem hoje outra política com a África.

15 - Lula diz que é enorme o número de brasileiros querendo ir como voluntários ao Haiti. Mas que não há como liberar a ida deles por conta da situação.

16 –“No Haiti estamos ensinando ao mundo como uma força de paz deve atuar, sem ingerência no governo local.”

17 - Lula diz que vai a Davos dizer que depois de seu governo o país não deve mais pro FMI. Ao contrário, o FMI é que deve 14 bi ao Brasil 18 - Lula diz que Davos não tem o mesmo glamour, mas que vai lá pq tem o que dizer pra eles.

19 - Lula fala das conferências, cita a do LGBT e diz que tem gente que acha que democracia é um pacto de silêncio, quado é pra ouvir todos.

20 – “Quanto mais a gente fizer, mas as pessoas reivindicam. Tem gente que acha isso ruim. Eu acho que esse é o nosso papel no governo.”

21 - Lula diz que no primeiro FSM ele não sabia, mas hj sabe que há grande diferença entre o sonho possível e o que é possível fazer no governo.

Quem não gosta do Bolsa Família?

Será que alguém imagina que a interrupção avisada de um benefício favorece o governo na eleição? Que o fato de 1,4 milhão de famílias saberem que perderão um rendimento vai fazer com que votem em Dilma?

É impressionante a má vontade que parte da imprensa tem com o Bolsa Família. Vira e mexe, alguém encontra um motivo para criticá-lo, tenha ou não fundamento. Quando acha que descobriu algo relevante, aproveita para externar sua antipatia em relação ao programa, quando não seus preconceitos contra os beneficiários.

0No último fim de semana, uma das mais importantes revistas de informação trouxe uma matéria típica dessa visão. Nela, ao questionar o que, em uma primeira impressão, parece uma decisão condenável do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que o administra, fica evidente a hostilidade que é dirigida ao programa, levando a interpretações infundadas e equivocadas.

Ninguém é obrigado a gostar do governo e é natural que existam órgãos de imprensa que se posicionem contra ele por motivos ideológicos. No mundo inteiro, isso acontece e é até salutar que tenhamos jornais e revistas com clara inclinação política e partidária.

O problema é que, às vezes, a circulação dessas matérias vai além da publicação de origem. Com a internet, algo escrito aqui está ali em um piscar de olhos, deixando menos nítida sua autoria. Como determinado texto aparece em inúmeros lugares, parece que tem uma espécie de reconhecimento universal, que todos o subscrevem.

Foi o que aconteceu com a matéria em questão. Os mais prestigiosos blogs a republicaram, como que a endossando. Ela logo virou uma quase verdade.

Seu fulcro é a crítica à concessão de um novo prazo de carência para a exclusão de cerca de 5,8 milhões de pessoas da cobertura do programa, seja por não cumprimento da obrigação de se recadastrar, seja pela elevação da renda familiar para além do limite de R$ 140 per capita. Elas seriam excluídas em novembro passado, mas, com a prorrogação, só o serão em 31 de outubro próximo.

Em função disso, a revista se sentiu autorizada a chamar o programa de “Bolsa Cabresto”, como se a data fixada no ato do MDS fosse evidência suficiente de suas intenções eleitorais. Dado que 31 de outubro é o dia marcado para o segundo turno da eleição presidencial, estaria confirmado e provado o caráter eleitoreiro do programa. A coincidência “nada sutil” das datas explicaria tudo.

É realmente curiosa a tese. Será que alguém imagina que a interrupção avisada de um benefício favorece o governo na eleição? Que o fato de 1,4 milhão de famílias saberem que perderão um rendimento vai fazer com que votem em Dilma? Seria algo totalmente inédito, que desafia a lógica mais banal: alguém ter mais votos quando promete que vai eliminar um benefício e ainda marca o dia (pensando nisso, será que o comando da campanha da ministra atentou para a medida?).

O esdrúxulo argumento vem embrulhado com dados inexatos e ilações mal sustentadas. Tudo no Bolsa Família é inflado para parecer maior e pior.

A matéria afirma que “um em cada quatro brasileiros passou a ser sustentado pelo governo” (sugerindo que através do programa), enquanto se sabe que são 12,4 milhões as famílias beneficiárias (em um total de 60,9 milhões apuradas pela última Pnad), das quais o benefício não chega a “sustentar” nem um terço.

A “prova” que o programa seria um “poderoso cabo eleitoral” é extraordinária. Viria de um estudo que mostra que “a cada R$ 100 mil deixados pelo programa em municípios de mil habitantes” teria correspondido um acréscimo de 3% de votos para Lula nas eleições de 2006. Será que a revista sabe que só existem 103 municípios no Brasil (em um total de 5.565) desse porte (menos que 2 mil habitantes)? Que neles vivem apenas 158 mil eleitores (em um total de mais de 130 milhões), que representam 0,0012% do eleitorado brasileiro? Que o voto nominal total para presidente nesses municípios ficou perto de 125 mil? Ou seja, que esses números dizem, na verdade, que a propalada influência do programa é insignificante?

Para corroborar a ideia de que o Bolsa Família é o “Bolsa Cabresto”, foi ouvida a opinião de um cientista político, para quem ele seria pior que o que faziam os “antigos coronéis”: “(Eles) pelo menos aliciavam votos com o próprio dinheiro. O governo atual faz isso com dinheiro público”. Primeiro, o poder dos antigos coronéis não vinha do dinheiro, mas do mando local. Segundo, é isso mesmo que acham os opositores do programa, que ele apenas alicia votos com recursos públicos? Ou seja, que deveria ser encerrado e terminado, a bem da moralidade?

Enquanto for assim concebido por quem não gosta de Lula, do PT e do governo, mais o Bolsa Família ficará com a cara daqueles que o defendem. Criado em administrações tucanas e largamente ampliado e melhorado pelo governo Lula, é pena que isso aconteça. O programa deveria ser um patrimônio do país.

por Marcos Coimbra - sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi (Correio Braziliense)


Fonte

Tucano é contra PAC mas tira "lasquinha" de obra



por Rodrigo Vianna do blog o escrevinhador

Sergio Guerra (foto) é aquele senador (eleito por Pernambuco) que recebeu do presidente Lula a alcunha carinhosa de "babaca".

Guerra preside o PSDB. Partido que já teve entre seus líderes gente como Mario Covas e Franco Montoro. Podia-se discordar dos dois, mas era difícil achar quem os chamasse de "babacas".

Numa entrevista desastrada à revista "Veja", Guerra disse que os tucanos vão acabar com o PAC se ganharem a eleição. Ele disse. É fato. Dilma o criticou por isso. Crítica política. Em resposta, o grande líder tucano chamou Dilma de mentirosa, entre outros impropérios. Como recompensa, ganhou de Lula o apelido carinhoso de "babaca" (sobre isso, escrevi aqui - http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/sergio-guerra-babaca-sim-privatista-nao-por-favor-direita-mira-no-chile-mas-lula-nao-e-bachelet).

O adjetivo talvez devesse ser outro. É o que concluo ao ler esse artigo, no blog do Nassif - http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/26/sergio-guerra-e-a-mentira-na-politica/.

Guerra, aquele que disse à "Veja" querer acabar com o PAC, usa em seu site pessoal as obras do PAC para faturar politicamente. Tira umas "lasquinha" das obras federais. Ele é contra o PAC, mas só para agradar os leitores da "veja" - entenderam?

Fico a pensar: quem seria o "babaca" nessa história? Estaria o garboso líder tucano a imaginar que "babacas" podem ser os eleitores que o conduziram ao Senado? Não sei...

Temo pelo futuro político de Sergio Guerra. Pesquisa Vox Populi acaba de mostrar que, em Pernambuco, Dilma disparou, passou Serra, e lidera com folga as pesquisas. É o que leio no blog do Eduardo Guimarães - http://edu.guim.blog.uol.com.br/.

Eduardo Campos - com apoio de Lula e do PT- deve se reeleger para o governo de Pernambuco, com um pé nas costas. E as duas vagas de senador também devem ficar com gente da base lulista.

Sergio Guerra, avisam-me leitores pernambucanos, faria melhor se concorresse à vereança em 2012. Teria alguma chance, desde que parasse com essa "babaquice" de acabar com o PAC. Não pega bem para um vereador, ainda que tucano.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Confiança da indústria é a maior em 11 anos, aponta CNI

SOFIA FERNANDES
Colaboração para a Folha Online, em Brasília

Passado o pior da crise internacional, o empresário industrial brasileiro começou 2010 otimista. Segundo dados divulgados nesta terça-feira pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), o Icei (Índice de Confiança do Empresário Industrial) foi de 68,7 pontos em janeiro, o maior em 11 anos.

Houve uma alta de 2,8 pontos na comparação com outubro, e de 21,3 pontos ante janeiro de 2009, quando o índice de confiança do empresário despencou para 47,9 pontos. Valores abaixo de 50 indicam falta de confiança e, acima disso, otimismo.

Atividade econômica cresce 4,5% em novembro, aponta Serasa
Confiança do consumidor cresce 0,6% em janeiro, diz FGV
Tesouro prevê dívida pública em até R$ 1,73 trilhão em 2010

O indicador das pequenas empresas passou de 63,1 pontos para 66,7 pontos. Nas grandes empresas, o índice alcançou 70,1 pontos e, entre as médias, ficou em 68,7 pontos.

Os empresários também estão otimistas em relação aos próximos seis meses. O índice de confiança para o semestre subiu de 68,7 pontos em outubro para 71,8 pontos em janeiro. É o maior valor de toda a série histórica.

Para Renato Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa da CNI, o índice elevado em janeiro não é atípico, e reflete a confiança dos empresários no início do ano. Ele não descarta, porém, o fim da crise econômica como explicação para o bom número. "A economia está saindo da crise, o que aumenta o otimismo", afirmou.

Na indústria de transformação, o indicador teve o quarto aumento consecutivo, registrando 67,7 pontos.

O indicador da indústria extrativa manteve-se estável e passou de 65 pontos em outubro para 65,2 pontos em janeiro. Na construção civil, incluída na pesquisa a partir deste mês, o índice foi de 68,9 pontos.

O Icei é elaborado a partir de pesquisa com as federações de indústrias de 25 Estados, que avalia o comportamento e expectativas do empresariado para o semestre. Para os números de janeiro, foram entrevistadas mais de mil empresas.

Fonte: Ditabranda ( folha on line- Dinheiro)

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL- Balanço do "outro mundo possível"

Aos dez anos de Seattle e do primeiro Fórum Social Mundial, o balanço que é preciso fazer é da luta pelo “outro mundo possível”. Um balanço do FSM deve ser não o balanço dos Fóruns, mas dos objetivos a que se propôs, quando começamos a organizá-los, há uma década. A avaliação do FSM ter que ser feita em função das suas contribuições à construção de alternativas ao neoliberalismo. A análise é de Emir Sader.

Emir Sader

Aos dez anos de Seattle e do primeiro Fórum Social Mundial, o balanço que é preciso fazer é da luta pelo “outro mundo possível”. Um balanço do FSM deve ser não o balanço dos Fóruns, mas dos objetivos a que se propôs, quando começamos a organizá-los, há uma década.

Uma outra ótica seria vítima do corporativismo, da crença que a evolução interna de uma organização é a história política dessa organização. A história e o balanço de um partido político deve ser o balanço dos objetivos a que esse partido se propõe. Um balanço do FSM não é um balanço da situação das ONGs ou dos movimentos sociais. Ao contrário, estes devem ser avaliados em função da contribuição que tenham feito à construção do “outro mundo possível”.

Por isso, a referência a estabelecer como parâmetro de avaliação é a situação de criação do “outro mundo possivel”. Há uma década o neoliberalismo ainda reinava soberanamente como modelo hegemônico, seja em escala mundial, seja na América Latina. Na sucessão da primeira geração de mandatários que o personificavam – Reagan, Thatcher -, para a segunda – Clinton, Blair – se ampliava o consenso da extrema direita para forças originariamente alternativas a ela: os democratas norteamericanos, os trabalhistas ingleses. Enquanto que no continente, ao extremismo de direita de Pinochet se somavam formas nacionalistas – como o peronismo de Menem e os governos do PRI mexicano -, assim como social democratas, como os socialistas chilenos, AD da Venezuela, os tucanos brasileiros.

Nossas sociedades foram profunda e extensamente transformadas conforme esse receituário, os Estado nacionais enfraquecidos, os patrimônios públicos privatizados, os direitos sociais recortados, o capital especulativo incentivado, resultando no aumento brutal da desigualdades, da concentração de renda, da exclusão dos direitos à massa da população, do empobrecimento generalizado das sociedades e dos Estados.

Passados dez anos, o mundo continua sob hegemonia conservadora, mesmo se debilitado na sua legitimidade, o modelo neoliberal segue hegemônico. A diferença substancial vem da América Latina, onde um conjunto de governos, mesmo se diferenciados entre si, passaram a colocar em prática políticas contrapostas ao modelo neoliberal, depois de ter sido a região privilegiada de dominação neoliberal, com a maior quantidade e as modalidades mais radicais de governos neoliberais.

A região apresenta hoje os mais importantes processos de integração regional em contraposição aos Tratados de Livre Comércio propostos pelo neoliberalismo. O grande projeto norteamericano, que buscava estender a livre comércio a todo o continente, a Alca, foi derrotado e, no seu espaço, se fortaleceu o Mercosul, se desenvolveram o Banco do Sul, Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa, a Alba – entre outras iniciativas. São espaços alternativos, em que se desenvolvem, em distintos níveis, formas de intercambio privilegiado entre os países da região, acompanhadas da diversificação do comércio internacional dos países que participam dela.

Ao mesmo tempo, em alternativa ao privilégio dos ajustes fiscais, se desenvolveram políticas sociais que melhoraram significativamente o nível de vida e diminuíram os graus de desigualdade no continente de maior desigualdade no mundo. Os mercados internos de consumo popular se ampliam e se aprofundam.

A combinação desses três elementos – diversificação do comércio internacional, com diminuição do peso do centro do capitalista e aumento importante do peso dos intercâmbios do Sul do mundo; intensificação substantiva do comércio entre os países da região; expansão, inclusive durante a crise, do mercado interno de consumo popular – fez com que os países incorporados aos processos de integração regional, resistiram muito melhor aos duros efeitos da crise e vários deles voltaram a crescer.

Por outro lado, projetos como os de alfabetização – que fizeram com que a Venezuela, a Bolívia e o Equador tenham se somado a Cuba, como os territórios livres de analfabetismo nas Américas -, de formação de várias gerações de médicos pobres no continente, pelas Escolas Latinoamericanas de Medicina, em Cuba e na Venezuela - de recuperação da visão de mais de 2 milhões de pessoas, na Operação Milagre – demonstram como a recuperação de direitos essenciais tem que se fazer na esfera pública e não na mercantil.

Os intercâmbios solidários dentro da Alba são exemplos concretos do “comércio justo”, pregado pelo FSM desde seus inícios, em espaços com critérios das possibilidades e das necessidades de cada país, em contraposição clara às normas do mercado, do livre comércio e da OMC.

Sem ir mais longe, a avaliação do FSM ter que ser feita em função das suas contribuições à construção de alternativas ao neoliberalismo, do “outro mundo possível”. Sem uma compreensão concreta da força e da abrangência da hegemonia neoliberal, assim como das condições inéditas concretas em que se constroem alternativas, o debate passaria longe da realidade concreta de luta contra o neoliberalismo.

É também indispensável compreender que esse movimento passou da fase de resistência, predominante na ultima década do século passado, e a fase de construção de alternativas. A visão da “autonomia dos movimentos sociais” teve vigência na primeira etapa, porém quando pretenderam estendê-la para a década seguinte, cometeram equívocos fundamentais. O movimento mais significativo – e que, não por acaso, se dá no processo mais importante de construção de alternativas atualmente, o de Bolívia – foi o da fundação do MAS pelos movimentos sociais bolivianos, a partir da consciência de que, depois de derrubar vários presidentes, sucessivamente, constituíram um partido, disputaram as eleições e elegeram a Evo Morales presidente do país. Retomaram laços com a esfera política, de outra forma, convocando a Assembléia Constituinte e passando à refundação do Estado boliviano.

Outros movimentos, que mantiveram a visão equivocada e corporativa da “autonomia” ou se isolaram ou praticamente desapareceram da cena política. Essa “autonomia”, se fosse – como ocorria anteriormente – em relação a políticas de subordinação de classes, tinha um sentido. Mas se se trata de autonomia em relação à política, ao Estado, à luta por uma nova hegemonia, é um conceito corporativo, adaptado às condições de resistência, mas completamente equivocado quando se trata de construir condições de construção de hegemonias alternativas.

No FSM de Belém foi possível constatar, com a presença de cinco presidentes latinoamericanos comprometidos, de formas distintas, com a construção de alternativas ao neoliberalismo, quanto avançou e tem reconhecimento da luta iniciada há 10 anos. Já o FSM decepcionou. Não foram elaboradas propostas de enfrentamento da crise econômica. Não se fizeram balanços e discussões com esses e outros governos, junto aos movimentos sociais, para discutir as contribuições que tenham e os problemas pendentes.

Em suma, ao ter ainda ONGs como protagonistas centrais, ao auto-limitar-se à esfera social, ao fechar os olhos para os governos que estão avançando em projetos de superação do neoliberalismo, ao não encarar o tema das guerras – e, com elas, do imperialismo -, o FSM foi perdendo transcendência, tornando-se um encontro para intercâmbio de experiências – concepção pregada pelas ONGs, que o tornam intranscendente.

O balanço, pelo menos na América Latina, da luta por um “outro mundo possível”, é muito positivo, ainda mais se considerarmos o entorno conservador predominante no mundo. Já o FSM, ficou girando em falso, sem capacidade de acompanhar esses avanços e os temas da hegemonia imperial no mundo, entre eles o dos epicentros de guerra imperial no mundo – Iraque, Afeganistão, Palestina, Colômbia.


Fonte:Agência Carta Maior.

Onde foi o rombo de R$ 1 bilhão no lucro da SABESP ?


charge Bessinha


No último sábado (23), nosso blog saiu na frente e publicou a nota "Descoberto rombo de R$ 944 milhões no lucro da SABESP de 2008". Hoje o assunto alastrou na blogosfera.

Então vamos tentar adivinhar as razões do rombo?

Uma primeira opção é esta:

Em setembro de 2009, dois governadores demo-tucanos, José Roberto Arruda (eleito pelo DEMos/DF) e José Serra (PSDB/SP), se reuniram para "unir forças para atuarem juntos em futuras OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS". (segundo diz a divulgação oficial do próprio governo paulista em 03/09/2009).

Fonte: A P L

A maior de todas as batalhas

O maior debate contemporâneo, aquele que reaparece cotidianamente, que praticamente cruza todos os maiores problemas que enfrentamos, é o da solidariedade. O aspecto mais negativo do vendaval avassalador com que o neoliberalismo tratou de se impor em nossas sociedades é o egoísmo. Egoismo, individualismo, consumismo contra solidariedade, justiça, direitos – esta é maior batalhar ideológica e de comportamento, no Brasil e no mundo, atualmente.

As expressões da postura egoísta são muitas: FHC dizia que no Brasil haveria milhões de “inimpregáveis”, isto é, de gente - segundo essa visão – demais, que não cabem “no mercado” – que é o critério da direita para saber quem cabe e quem não cabe. A direita espanhola usa a frase “Não cabemos todos”, para tentar excluir aos imigrantes do alistamento nos serviços sociais.

Se trataria de governar para uma parte da sociedade – um terço, no máximo um pouco mais -, porque se fundam no critério do que cabe no mercado. Não pensam a sociedade como um todo, filtram o que o mercado torna possível, condenando o resto ao abandono.

No Brasil de hoje, um país inquestionavelmente menos injusto do que era antes do governo Lula, se deveria contar com amplo apoio na questão mais importante que o país enfrenta: de ser uma sociedade para todos. Não somos um país pobre, pelos padrões internacionais, mas somos o país mais injusto, do continente mais injusto.

Injusto, não pela miséria generalizada, mas pela distribuição de renda super desigual, entre os pólos de riqueza e de pobreza. O tema do “país para todos” deveria ser o critério essencial para definir a natureza do Brasil hoje, a quantas andamos, que futuro queremos para o país.

Porém é de temer que o critério da situação de cada um – especialmente nos setores de classe média – seja o essencial. Enquanto a economia crescer e atender as demandas de grande parte da população, as pessoas se sentem contentes, apóiam o governo Lula. Não parece que a extensão dos direitos aos até aqui sempre excluídos, os processos de distribuição de renda, o aumento sistemático do nível de emprego formal, entre outros aspectos inegavelmente positivos, sejam os critérios básicos para nortear o ponto de vista político das pessoas.

Para a direita, é claro, se trata de tentar impedir que esse processo prossiga. Seu maior fantasma é o de uma adesão duradoura do povo a projetos de justiça social. Ela se ampara no mercado e nos seus critérios seletivos e excludentes.

Para a esquerda, se trata de travar a maior de todas as batalhas: a luta pela construção de idéias solidárias, de fraternidade, de justiça, fundadas no direito de todos. Sem isso, se poderá avançar, conforme o sucesso econômico e a possibilidade de extensão do acesso a bens para todos. Porém, nosso critério tem que ser o da prioridade radical de incorporação aos direitos básicos dos pobres, da grande maioria, até aqui sempre marginalizada, do Brasil.

Ajudar a que tomem consciência dos seus direitos, de quem são seus inimigos, de como podem e devem se organizar para garantir seus interesses e a continuidade dos projetos que os beneficiam. Ajudar a que sejam o sujeito fundamental na construção de um país justo, solidário, para todos. Aí se joga o futuro do país: na superação do egoísmo, do consumismo, dos critérios de mercado, pelos de justiça, de solidariedade, de direito para todos.

Emir Sader

Fonte:Agência Carta Maior

O desafio da educação

Do professor Demerval Saviani, professor emérito da Unicamp, na Carta Capital:

Fica, pois, como desafio imposto ao último ano do governo Lula e ao próximo presidente a ser eleito em 2010: a instituição de um sistema nacional de educação que, sob a coordenação da União, articule a participação em regime de colaboração dos estados e municípios, assegurando uma educação pública com um mesmo e elevado nível de qualidade. Para isso será necessário, em consonância com o discurso hoje consensual que atribui à educação formal a posição de fator econômico estratégico, tomá-la como o eixo do próprio projeto econômico nacional. Isso implicará transportar para a educação todos os recursos disponíveis, pois ela se tornará a via pela qual serão atacados todos os problemas do País.

Trata-se de mudar o próprio modelo de desenvolvimento econômico que, desde o início do século XX, vem tendo como eixo o automóvel (fordismo e toyotismo) deslocando-o para a educação. Essa mudança permitirá um crescimento com maior distribuição de renda e estimulador da igualdade social. Além de não apresentar efeitos colaterais negativos, já traz consigo o antídoto aos efeitos negativos na montagem dos currículos formativos dos vários níveis de ensino. Essa é a verdadeira solução e, portanto, o grande desafio a ser enfrentado.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Haiti precisa de soberania

Imperialismo e sub-imperialismo de mãos dadas no Haiti

por Duarte Pereira*, no Correio da Cidadania

Está se consumando a crônica anunciada e previsível da nova ocupação do Haiti pelos Estados Unidos, desta vez aproveitando o terremoto que devastou o país e sua capital.

Os Estados Unidos já desembarcaram 11 mil militares no país. Ontem, com tropas armadas e uniformizadas para combate, transportadas em helicópteros de guerra, ocuparam o palácio presidencial em Porto Príncipe. O aeroporto, não esqueçamos, continua sendo controlado e operado pelos Estados Unidos, que hastearam sua bandeira no local e decidem que aviões podem pousar.

Nos últimos dias, deram prioridade a suas aeronaves, principalmente militares, prejudicando o desembarque da ajuda enviada por outros países e por organizações não-governamentais. A prioridade foi a segurança, não a vida da população haitiana, principalmente pobre. O ministro francês da Cooperação, Alain Joyandet, chegou a protestar: "Precisamos ajudar o Haiti, não ocupá-lo."

É verdade que, tendo cumprido o cronograma inicial de desembarque de suas tropas, os Estados Unidos poderão autorizar, nos próximos dias, o pouso de um número maior de aviões de outros países, com técnicos e equipamentos para remoção de destroços, médicos e remédios para atendimento dos feridos, água e alimentos para a população desabrigada e desempregada. A essa altura, porém, a possibilidade de encontrar pessoas soterradas com vida será mínima e excepcional.

Sem que a mídia dê atenção a este aspecto, os Estados Unidos estão aumentando também o controle do porto que dá acesso à capital e de toda a área litorânea do Haiti, com um porta-aviões, um navio equipado com um hospital de campanha e vários navios da Guarda Costeira, visando a socorrer feridos, mas também a selecionar e controlar a aproximação de navios de ajuda de outros países, como o enviado pela Venezuela com combustível, e a impedir a emigração desesperada de haitianos para a costa estadunidense em pequenas embarcações.

Não podendo justificar suas ações arrogantes e unilaterais com ordens das Nações Unidas, o governo de Washington tem argumentado que atua a pedido do governo haitiano. Mas que soberania pode ter um governo, como o do presidente René Préval, que não dispõe sequer de forças policiais e de equipamentos de comunicação e transporte para manter a ordem pública e organizar o salvamento de seus cidadãos?

É significativo também que o plano de salvamento e reconstrução do Haiti pelos Estados Unidos tenha sido anunciado em conjunto pelo presidente Barack Obama e pelos ex-presidentes Clinton e Bush – o mesmo Bush que demorou tanto a agir quando o furacão Katrina destruiu uma grande área dos Estados Unidos. Quando os interesses estratégicos da superpotência estadunidense e de suas empresas transnacionais estão em jogo, prevalece como sempre o consenso bipartidário entre "democratas" e "republicanos" – aliás, uma confluência bipartidária semelhante se ensaia agora no Brasil com o PSDB e o PT, apesar das acirradas disputas nas fases de eleição.

O jornalista Roberto Godoy, especializado em assuntos militares, escreveu no Estadão: "Os Estados Unidos estão fazendo no Haiti o que sabem fazer melhor: ocupar, assumir, controlar. Decidida em Washington, a operação de suporte às vítimas da devastação, em quatro horas, tinha 2 mil militares mobilizados – e metade deles já seguia para Porto Príncipe – enquanto o resto do mundo apenas tomava conhecimento da tragédia. (...) É a Doutrina Powell, criada no fim dos anos 80 pelo então chefe do Estado-Maior Conjunto, general Colin Powell, aplicada em tempo de paz. Ela prevê que os Estados Unidos não devem entrar em ação a não ser com superioridade arrasadora. (...) No sábado, oficiais americanos (seria mais correto escrever estadunidenses, porque americanos somos todos nós) estavam no comando do tráfego aéreo. Os paraquedistas da 82ª Divisão e os fuzileiros navais (...) são treinados para o combate e também para missões de resgate. Movimentam-se em helicópteros e veículos convertidos em ambulâncias leves. A retaguarda é poderosa. Um porta-aviões virou central logística e um navio-hospital de mil leitos chegou no domingo. Ontem, aviões dos Estados Unidos ocupavam 7 das 11 posições de parada remanescentes no aeroporto."

A mídia do grande capital, exagerando os saques e os conflitos, cumpriu seu papel de preparar a opinião pública para aceitar a operação político-militar dos Estados Unidos como necessária e benevolente. Na realidade, os Estados Unidos têm contribuído para acirrar os conflitos ao atrasar a ajuda humanitária de outros países e utilizar aviões e helicópteros para despejar suprimentos aleatoriamente sobre uma população sedenta, faminta e desorganizada.

Até mesmo o general brasileiro Floriano Peixoto, comandante da Minustah (Missão de Estabilização das Nações Unidas), ponderou em videoconferência que os casos mais graves de violência não são generalizados e disse que as ruas de Porto Príncipe estão desobstruídas, o que facilita a ação das forças de segurança. Na avaliação do general, a situação se mostra menos grave do que a versão difundida pela imprensa.

Além disso, quem tem experiência política e já participou da resistência a regimes entreguistas e autoritários não pode deixar de receber com ceticismo a qualificação fácil e indiferenciada, difundida pela mídia, de que todos os presos que escaparam dos presídios destruídos pelo terremoto são criminosos comuns e integrantes de "gangues de bandidos". Muitos oficiais e soldados do antigo Exército haitiano formaram milícias, que declararam seu apoio ao último presidente livremente eleito, Jean-Bertrand Aristide, depois que ele foi deposto em 2004. Seqüestrado por tropas estadunidenses e levado à força para a África do Sul, bem longe do Haiti, o ex-presidente Aristide continua impedido de voltar ao país e seu partido foi proibido de participar das últimas eleições realizadas sob o controle da Minustah.

Com as diferenças secundárias de motivação e de situação interna, o roteiro seguido pelos Estados Unidos no Haiti é, portanto, essencialmente o mesmo adotado no Iraque ou no Afeganistão: primeiro, destroem-se os Estados nacionais que esbocem qualquer rebeldia, instalando a devastação econômica e social e o caos político; depois, utilizam-se essas circunstâncias deterioradas para justificar a construção de Estados satélites; por último, esses Estados satélites e corruptos se revelam incapazes de garantir a paz, resgatar a dignidade nacional e melhorar o padrão de vida da população (com as exceções de praxe das elites colaboracionistas), justificando que a ocupação estadunidense se prolongue indefinidamente. A crise aprofundada pela intervenção externa cria, enquanto isso, oportunidades de novos negócios lucrativos para os fabricantes de armas, as empresas de segurança e as grandes construtoras dos Estados Unidos e de seus aliados.

Para dissipar dúvidas sobre as reais intenções da intervenção "emergencial" e "humanitária" dos Estados Unidos no Haiti, o diplomata Greg Adams, enviado ao país caribenho como porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, declarou ao Estadão, em Porto Príncipe: "É muito cedo para estabelecer prazos (para a retirada das tropas estadunidenses) e ficaremos aqui o tempo que for necessário (lembremo-nos de declarações semelhantes tornadas públicas no início da ocupação do Iraque). Havia tropas estrangeiras no Haiti antes do terremoto (ah, é?). Com a tragédia, além de todos os outros problemas, não vejo uma data-limite no futuro próximo para falarmos aos haitianos ‘ok, agora é com vocês’. Ficaremos aqui por um bom tempo e acho que o Brasil também."

A referência à ação coadjuvante e subordinada do Brasil foi bem esperta. Que autoridade moral pode ter o governo brasileiro de protestar contra a ação estadunidense se tem participado da intervenção política e militar nos assuntos internos do Haiti, ainda que com a chancela formal das Nações Unidas, chancela já utilizada ao longo da historia da entidade para encobrir tantas outras intervenções? Participando das operações de segurança – ou seja, em bom português, de repressão – com o beneplácito e em benefício dos Estados Unidos, o Brasil espera ganhar o prêmio de consolação de tomar parte nos negócios de reconstrução do país. Aliás, grandes construtoras brasileiras, como a OAS e a Odebrecht, já enviaram equipes técnicas e equipamentos pesados para o Haiti, posicionando-se para a disputa que virá.

Quem afirma que não existe mais imperialismo no século XXI ou põe em dúvida o conceito de sub-imperialismo, utilizado para caracterizar a política externa atual do Brasil, principalmente na América Latina e no Caribe, tem assim a oportunidade de aprender, em cores e online, o conteúdo concreto desses conceitos e dessas práticas.

Abrindo bem os olhos, os patriotas e democratas brasileiros têm o dever de exigir que o Brasil renuncie ao comando militar da Minustah, retire progressivamente suas tropas do Haiti e se limite às ações de cunho efetivamente humanitário. O Haiti não precisa só de ajuda, precisa de soberania. Que os Estados Unidos realizem seu plano de intervenção e de construção de um Estado satélite no Haiti com seus próprios recursos humanos e materiais e sob sua exclusiva responsabilidade. Assim, pelo menos, a situação ficará mais clara e se tornará mais fácil mobilizar as forças antiimperialistas e democráticas no Haiti e nos demais países da América Latina e do Caribe. Não percamos de vista que um império em declínio, na desesperada tentativa de reverter o curso histórico que o debilita, pode tornar-se mais perigoso e aventureiro do que um império em ascensão e paciente.

Estou fechando este parêntese sobre a tragédia haitiana, porque já está claro que não se trata apenas de uma tragédia natural e humanitária, mas, sobretudo, política e militar. Recentemente, um terremoto devastou uma grande região da China, deixando 87 mil mortos, segundo as estimativas oficiais. Porque havia e há na China, apesar de sua pobreza ainda grande, um Estado soberano e ativo, foi possível lidar com as conseqüências da tragédia sem permitir a intervenção estrangeira no comando das operações de socorro e reconstrução ou o desembarque de tropas de outros países.

A grande tragédia do Haiti foi a destruição progressiva de seu Estado nas últimas décadas, com a dissolução de suas forças armadas e policiais, a precarização de seus serviços públicos e a desorganização e divisão de sua população.

*Duarte Pereira é jornalista.