sábado, 28 de janeiro de 2017

PARA A FIFA, SÓ 3 CLUBES BRASILEIROS SÃO CAMPEÕES MUNDIAIS: CORINTHIANS, SÃO PAULO E INTER.


nó tático de Tite e os milagres de Cássio garantiram a última conquista brasileira
A Fifa acaba de esclarecer que só considera campeãs mundiais de clubes as equipes que venceram os certames por ela organizados a partir do ano 2000. Com isto, o universo ficou reduzido a apenas 9 clubes, que acumularam 13 conquistas:
Muller e a taça desvalorizada
  • o Barcelona, com 3 títulos (2009, 2011 e 2015);
  • o Corinthians, com 2 (2000 e 2012);
  • o Real Madrid, com 2 (2014 e 2016);
  • e, com 1 título cada, o São Paulo (2005), o Internacional de Porto Alegre (2006), o Milan (2007), o Manchester United (2008), a Internazionale de Milano (2010) e o Bayern Munchen (2013).
Santos arrasou o poderoso Benfica em plena Lisboa
Apesar das décadas de insistência, o Palmeiras viu definitivamente rejeitada sua pretensão de que a Copa Rio de 1951 equivalesse a um Mundial de Clubes. 

Motivos bem maiores para se queixarem têm o Santos, que viu desvalorizadas suas gloriosas conquistas de 1962 e 1963; e o São Paulo, cujos títulos de 1992 e 1993 perderam o status de mundiais.

Outros que saem no prejuízo são o Flamengo (1981) e o Grêmio (1983).

https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/01/para-fifa-so-3-clubes-brasileiros-sao.html

TRUMP, PAGANDO AS "CONTAS" DA CAMPANHA OU INOVANDO NA GEOPOLÍTICA?

Resultado de imagem para fotos de trump



Quando Bush invadiu o Iraque apenas dois anos após sua posse, era mais do que evidente que estava pagando dívida de campanha. Você olhava para o mapa do Iraque e logo enxergava nele a sombra do pentágono e da indústria da guerra. Quando vemos Trump anunciando a retomada de uma corrida armamentista, é natural fazer a analogia - e talvez pagar dívida de campanha seja mesmo a verdadeira razão de seu anúncio tresloucado.
Mas esses dias me veio à cabeça, lendo o texto de uma palestra do professor de Economia da UFRJ, Ronaldo Fiani (que o Fernando Brito me passou), que talvez houvesse algum pensamento esperto em sua equipe e que sua motivação seria outra. Ou melhor, agregaria outra motivo forte. Tudo começou a fazer sentido a partir daquele telefonema de Taiwan, que teria custado a bagatela de 140 mil dólares ao governo taiwanês (pago ao amigo de Trump, que teria intermediado a ligação). Foi o primeiro punch de Trump na China, que reagiu imediatamente e com bastante vigor.
Depois teve a história do planador americano que a China capturou no Mar da China Meridional. Trump esbravejou que a China poderia ficar com ele. E Trump ainda coroou sua equipe de Relações Exteriores com um inimigo ferrenho dos chineses.  De lá pra cá, a China, através do Global Times (Diário do Povo), mistura vigor com ironia em suas respostas. Mas a ironia maior é que Trump foi eleito com ajuda essencial de Putin - um aliado estratégico da China. Aliás essa aliança está na essência do texto de Fiani.
"A parceria Rússia-China, ao contrário do que a imprensa tenta sugerir, não é uma aliança de conveniência, é uma parceria estratégica. (...) Com potencial de alavancar um projeto de integração 'Eurásia' que os norte-americanos - do seu ponto de vista corretamente - percebem como uma ameaça à situação dos EUA, porque uma vez integrada economicamente essas duas regiões, eles e o Japão, só para citar alguns, serão naturalmente jogados para a margem do sistema" (Em tempo: a principal linha ferroviária de alta velocidade da China, ligando leste-oeste começou a operar hoje, 28 de dezembro de 2016).  Mais adiante: "Como é que ficam a América Latina e Caribe nisso? Primeira questão: petróleo na América Latina e no Caribe. Aí tem-se o primeiro mandamento do ponto de vista geopolítico:  negar o acesso ao petróleo para projeção de poder em escala global. (...) Dado esse papel geopolítico crucial do petróleo, qual tem sido a estratégia chinesa na América latina e no Caribe? Empréstimos em troca de petróleo".

Fiani continua com muita precisão mostrando a estratégia geopolítica chinesa envolvendo a América do Sul e o Caribe. E tudo que ele diz só faz fortalecer a possibilidade de Trump estar tentando impedir o avanço chinês nessas bandas de cá. Incluindo tentando enfiar uma cunha na aliança sino-russa.
no http://blogdogadelha.blogspot.com.br/2016/12/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

O QUE A ESQUERDA DEVERIA DIZER ÀS SUAS OVELHAS NEGRAS, SEGUNDO O DALTON ROSADO: "FORA TUDO, FORA TODOS!".

O FACCIOSISMO COMO CRITÉRIO
 NEGATIVO DA CRÍTICA
.
"Às pessoas facciosas, depois de admoestá-las
severamente, evita-as, pois, senão, também
serás corrompido" (Bíblia, Livro de Tito)
.
Nestes dias nos quais se escancaram as provas da promiscuidade do todo o segmento político (só estão de fora os que ainda não tiveram força de acesso ao poder ou de interferência nele, mas logo, logo caminharão para tal comportamento, à medida que dele se aproximarem) com o empresariado, expressos pela grande mídia na cobertura da decretação da prisão do bilionário Eike Batista, nós podemos aferir quão facciosas e inconsequentes são as defesas dos corruptos de um lado e de outro. 

Globonews se apressa em demonstrar enfaticamente que os jatinhos do empresário Eike Batista serviram aos governantes petistas e seus aliados, omitindo o fato de que dito empresário, como sói acontecer, também servia aos políticos mais conservadores. Nisto não há nenhuma novidade.

O capital costuma corromper a todos os que exercem o poder político, o qual funciona como sua submissa linha reguladora auxiliar. Desta onda não escapa ninguém: os poucos que não se corrompem, perdem o jogo e são dele expulsos como um vírus estranho ao organismo. 
Aécio Neves, outro amigo desde criancinha do Eike Batista

Por seu turno, constato que os companheiros da esquerda, ao contestarem tal facciosismo midiático, verdadeiramente inaceitável, fazem-no no sentido de isentar de culpa os governantes que pertencem ao seu campo político.   

Aos revolucionários, que não compactuam com a promiscuidade, seja ela praticada por companheiros ou pelos corruptos históricos (os insensíveis, prepotentes e intolerantes governantes da direita), cabe a denúncia de todos os corruptos, indistintamente; e o apoio àqueles que, movidos por sentimento de neutralidade jurídica (difícil de ser mantida numa sociedade na qual predomina o poder do capital), norteiam a sua atuação jurisdicional para o combate à corrupção, provenha ela do agrupamento político que provier.. 

A eterna cantilena de que os membros do poder judiciário que combatem a corrupção estão a serviço das forças da direta ou do capital estrangeiro é inconsistente, ainda que eles estejam enquadrados por uma ordem jurídica opressora na sua essência. Mas nós precisamos distinguir as coisas, sob pena de condenarmos as boas ações, ainda que paliativas ou ingênuas. 

O combate, por parte do Judiciário, da corrupção derivada de práticas promíscuas do poder publico com o empresariado privado, equivale a enxugar gelo, na medida em que a grande corrupção sistêmica (aquela que subtrai do trabalhador parte do seu tempo de trabalho, não remunerando-o, via extração de mais-valia) é oficialmente permitida. 

Mas, isto não significa que a corrupção considerada oficialmente como criminosa não deva ser denunciada e combatida, com a punição de quem quer que a pratique, qualquer que seja o campo político do corrupto, e quaisquer que sejam as suas intenções. É o mínimo que se deve fazer. 

Admitir que a corrupção possa ser consentida desde que praticada por companheiros, supostamente servindo para alavancar boas causas, significa permitir o uso continuado de um mesmo cachimbo, acreditando que ele não vá entortar a boca. Tal concepção corresponde a um equívoco moral e a uma ética hipócrita, deturpada e facciosa, amoralista em sua essência.

O empresário Eike Batista construiu a sua meteórica fortuna a partir de maracutaias com o poder, praticadas em todos os níveis deste mesmo poder e em conluio com as siglas partidárias, tudo na base do é dando que se recebe

A corrupção associada ao poder público sempre envolve esferas diferenciadas de controle; de tão variada, não pode ser atribuída apenas a uma ou outra corrente política. Trata-se de um agir entranhado na ordem institucional sistêmica, no qual todos os agentes públicos dirigentes e privados saem ganhando e a imensa maioria do povo, que é quem paga os impostos, sai sempre perdendo.         
À esquerda seria indispensável que abandonasse a defesa de seus pares corruptos, readquirindo credibilidade para combater os seus adversários ideológicos igualmente corruptos. 

Aos revolucionários somente cabe uma frase, cada vez mais necessária: FORA TUDO, FORA TODOS! (*)    
 (por Dalton Rosado) - https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/01/o-que-esquerda-deveria-dizer-as-suas.html

Luta de classes na 'reforma' da Previdência


Por Osvaldo Bertolino, no site da Fundação Maurício Grabois:
Na década passada, a primeira leva de trabalhadores nascidos após a Segunda Guerra Mundial (conhecidos como a geração do baby boom) chegou à idade de se aposentar, um fato que trouxe considerável pressão sobre os orçamentos da seguridade social. Com o fraco crescimento das finanças públicas, decorrente de uma pequena expansão do Produto Interno Bruto (PIB) na maioria dos países, desde então a ofensiva neoliberal contra a previdência pública começou a fazer com que em muitos países estourassem grandes manifestações de trabalhadores. O dilema decorre de uma pergunta que a humanidade precisa responder: envelhecer é uma coisa boa ou ruim? Em sua essência, trata-se evidentemente de uma coisa boa. Afinal, a maioria das pessoas prefere viver mais a viver menos.
Vida mais longa é um dos resultados positivos mais evidentes do fantástico crescimento econômico e do avanço tecnológico ocorrido no século XX. Trata-se de uma conquista da humanidade. Mas é preciso definir uma forma de lidar com a nova situação. Proporcionalmente, há cada vez mais pessoas fora das cadeias de produção em comparação com as que estão na ativa. Um número menor de trabalhadores poderia ser um problema econômico muito grave se implicasse um obstáculo à produção, mas o risco não é esse. No longo prazo, o verdadeiro crescimento é causado essencialmente por novas tecnologias e por mais eficiência, e não necessariamente por mais braços.

Mundo das realidades
É o fenômeno da produtividade, tão comentado pelos economistas e brilhantemente dissecada por Karl Marx, principalmente em O Capital. Aumento da produtividade quer dizer, sucintamente, mais valor agregado à produção por cada hora trabalhada. A apropriação deste valor é a grande questão. Daí a constatação de que não é possível imaginar o capitalismo sem classes e luta entre elas. O ponto é: como o Estado deve atuar nessa equação? Para a ideologia neoliberal, esse ponto simplesmente não existe. Em todo o planeta há uma percepção, cada vez mais forte, de que o padrão de vida dos trabalhadores está sendo ameaçado pelo imenso poder concedido aos grandes grupos privados.
Ou seja: as privatizações e a busca agressiva da produtividade por meio da pressão sobre os países para a liberalização de suas economias — principalmente a chamada “flexibilização” das leis de proteção social e trabalhista — representam uma barreira que o capital tenta erguer contra o trabalho. Atualmente, além do desemprego gigantesco existem muitos fatores que indicam um acirramento dessa luta. Baixos salários, regimes de superexploração, trabalho escravo - principalmente de presos e infantil - e restrições à liberdade sindical são cada vez mais frequentes no mundo.
Para os neoliberais, no entanto, seu programa não deve ser julgado em termos de “contra” e “a favor”. Como eles se imaginam os donos do mundo, acham que podem impor seu pensamento único como um conjunto de realidades que passaram a fazer parte da vida econômica mundial desde que surgiram como força política hegemônica. Eles julgam a resistência dos povos confusamente, alguma coisa tramada por “esquerdistas”, não se sabe bem como, e promovida mundo afora por sindicatos e Ongs. E disso vem, de um jeito ou de outro, a responsabilidade pela maioria das coisas erradas que existem por aí, a começar pelo sistema de aposentadoria. No mundo das realidades, a história é bem diferente.
Princípios da verdade
No Brasil, por exemplo, a Previdência Social surgiu no contexto da modernização das relações sociais da Revolução de 1930, especialmente como instrumento de distribuição de renda. Algo moderníssimo para a condição brasileira, mas muito distante do que aconteceu na Europa com o Estado de bem-estar social, concebido para injetar compaixão no capitalismo. Por toda parte, surgiram benefícios para idosos, desempregados e pobres em geral. Foram estabelecidas regras para aumentar os salários, garantir empregos e melhorar as condições de trabalho.
Afirmar que não dá mais para bancar todos esses benefícios, mesmo com os elevados ganhos de produtividade da segunda metade do século XX, é faltar com os mais elementares princípios da verdade. Por isso, os esforços para cortar benefícios enfrentam cada vez mais resistência popular — como as sucessivas greves na Europa. A questão real é que a sobrevivência do Estado de bem-estar social e da Previdência Social brasileira seria a condição para evitar a volta do capitalismo sem freios do século XIX. Os trabalhadores brasileiros têm muito a aprender com a resistência de seus congêneres europeus.
Em 1988, Michel Rocard, então primeiro-ministro do governo socialista de François Mitterrand, já antecipava as dificuldades à frente das tentativas reformistas. “A reforma das aposentadorias tem poder para derrubar vários primeiros-ministros”, afirmou. Seu vaticínio se confirmou em 1995, quando o premiê de direita Alain Juppé decidiu encarar o problema. O chefe de governo não resistiu no cargo depois de um inesquecível dezembro de greves e intensas manifestações populares, as maiores realizadas no país desde maio de 1968. Com a queda de Juppé, a questão foi para a geladeira — e lá ficou até que o presidente Jacques Chirac foi reeleito. A “reforma” da previdência, já encaminhada pela maioria dos vizinhos europeus na década de 1990, virou a grande prioridade de seu governo. Chirac quis aproveitar a maioria parlamentar para mexer num vespeiro capaz de fazer o termômetro social atingir as mais elevadas temperaturas.
Rápido envelhecimento
Foi exatamente o que se viu: milhões de trabalhadores protestaram em mais de uma centena de cidades francesas, e numerosas paralisações foram decretadas, principalmente nos serviços de transporte público (trens, ônibus e metrô) e da educação, superando todas as expectativas iniciais. A insistência do governo, aliada a um amplo trabalho de propaganda enganosa, não arrefeceu a resistência. “As ruas não governam o país”, reagiu o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin. Governavam: Raffarin, atingido pela derrota do governo no referendo sobre a Constituição da União Europeia em maio de 2005, foi substituído por Dominique de Villepin e a “reforma” da previdência voltou para a gaveta.
O sistema de bem-estar social teve seu apogeu na Guerra Fria. Com a derrocada do bloco soviético, o caráter ideológico da discussão entre as vantagens do capitalismo “menos desumano” sobre o capitalismo selvagem se acentuou. Os governos dos países europeus começaram a fazer contas e, do nada, “descobriram” que o chamado welfare state havia se tornado caro e pesado demais para ser mantido. A Inglaterra iniciou o processo em 1979 pelas mãos liberalizantes da dama de ferro, Margaret Thatcher.
Em meados da década passada o governo britânico publicou uma lei que prevê um aumento progressivo da idade da aposentadoria, até chegar a 68 anos. Além disso, a pensão não é mais indexada à inflação, mas no aumento dos rendimentos. Na Alemanha, o governo de “grande coalizão” de Angela Merkel anunciou que fixará o aumento da idade legal de aposentadoria para 67 anos até 2029. A Itália, em grave crise política, anuncia negociações para uma nova “reforma”, que pode aumentar a idade da aposentadoria. A Comissão Europeia pediu que os países da União Europeia (UE) “intensifiquem seus esforços de reforma diante do rápido envelhecimento das populações”.
Economia dinâmica
Os neoliberais perdem a razão quando se constata, entre outros dados, que por trás dos sistemas de aposentadoria existe uma indústria trabalhando a todo o vapor. Dos medicamentos e serviços de saúde aos automóveis, dos alimentos ao setor financeiro, não há área de negócios que escape da influência das mudanças demográficas em curso. Em 2025, o Brasil passará da 16ª posição à sexta na lista dos países com o maior número de idosos. Serão 33 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade — o equivalente a duas vezes a população do Estado de Minas Gerais.
Um levantamento do grupo francês Sodexho avalia em US$ 25 bilhões o potencial de mercado dos idosos em 11 países. Devido ao envelhecimento da população, a Sodexho estima que até 2025 seus negócios - que vão desde serviços de alimentação, limpeza e lavanderia até o acompanhamento de idosos e os cuidados com eles - cresçam 27% na Espanha, 13% no Reino Unido e 3% na França e na Itália. Não é possível imaginar uma economia dinâmica e em desenvolvimento sem levar em conta a necessidade de um sistema de aposentadoria minimamente decente.
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO É UM PERFEITO... HISTRIÃO!!!

O EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO É UM PERFEITO... HISTRIÃO!!!

Histrião: diz-se de um homem miserável e envilecido, que se faz notar pela abjeção dos atos que pratica. 

Histrionar é oferecer um espetáculo cômico, contrair a face grotescamente, vestir-se com espalhafato. Histrionar também significa pôr para fora a miserabilidade das dores humanas. Dá no mesmo.  

Se Caldas Aulete estiver certo nessas definições, está explicado por que alguns governantes, ao assumirem posturas histriônicas, podem estar praticando catarse, quer dizer, aliviando suas almas das próprias miserabilidades humanas. O perigo é que está em jogo a sobrevivência dos governados. 

Atemorizam o eleitorado tais governantes histriônicos empenhados a expulsar conteúdos internos tenebrosos. Nestes casos, agita-se a lei natural de sobrevivência dos súditos. 

Eu não conseguiria produzir mais do que uma notinha de umas 8 linhas sobre o tema. O assunto é bom mas não  estou bom para o assunto. Invade-me uma implacável indignação com o sarcasmo de histriônicos governantes, durante a propaganda eleitoral e a partir do instante em que assumem o poder.
Jânio Quadros, professor que se fingia de pobretão.

Governantes sérios pelo menos nas expressões faciais, com posturas comedidas, se não para merecerem credibilidade, indispensáveis para se cumprir educadamente o cerimonial do cargo e evitarem o ridículo. Esta é a exigência mínima para quem se satisfaz com a democracia que aí está.

Sem ânimo para listar pelo menos meia dúzia de personagens marcadamente histriônicos da vida do Brasil, falarei então de dois deles, um antigo, um atual.

O Brasil submergia na guerra civil da inflação de 100% ao ano, na estagflação, no assédio militar por golpes de estado, e eis que é premiado com um leve e solto Jânio da Silva Quadros, homem de discursos inflamados, a proibir, quando presidente, o uso de  biquínis nas praias e o acesso de funcionárias públicas ao trabalho de minissaia.
João Dória travestido de gari...
Candidato a presidente teatralmente descabelado, histrionicamente descabelado, Jânio vestia roupas amassadas, espalhava talco no paletó escuro para parecer caspento e ostentava sanduíches de mortadela nos bolsos. 

Eu sou um homem pobre! era um de seus bordões. varre, varre, vassourinha, varre varre a bandalheira, a música com que Jânio prometia acabar com a corrupção, equilibrar as finanças públicas e diminuir a inflação. O povo acreditou, o povo sempre acredita, tamanho o poder de convicção das histrionices. 

Possa falar? Jânio foi meu professor de Português e de minhas três irmãs no ginásio Vera Cruz, no Brás. Minha mente infantil já parodiava então as sagradas escrituras; as muitas letras que tinha o faziam delirar, supunha eu.

Passemos ao segundo histriônico a que me referi, permitam-me: João Agripino da Costa Dória Júnior, eleito prefeito de São Paulo 
...e comendo pastel de feira.

De antepassados abastados, ele mesmo um abastado às próprias custas. Nada contra. Como trabalha esse moço, desde criança! 

Os ricos, melhor dizendo osempreendedores oferecem o maior bem que um humano pode aspirar, que é o emprego. Muito bom. Pelo menos enquanto nosso cambaleante sistema capitalista e sua vampiresca globalização conseguirem se manter de pé. 

Pelo visto até agora, tais as histrionices trombeteadas desde o período da propaganda eleitoral até a posse, pode-se dizer ao mundo, não a São Paulo apenas, que esta quarta metrópole do planeta começa a ser governada por um garoto que se fantasiou de gari (feito um palhaço de vassoura na mão a varrer as ruas...), de poses estudadas para as câmeras como grande gestor. 

Não, não, esta não, não é verdade. Dória sempre esteve mergulhado até o pescoço, isto sim, nas lides políticas. 

Um ator que coloca tapumes e telas nos viadutos para ocultar moradores de rua. 

Que chega sôfrego, com o pêndulo da direita, para tirar o leite das crianças e o transporte escolar.  

Há nos histriônicos algo dos risos dos palhaços tristes.
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/01/o-excelentissimo-senhor-prefeito-e-um.html

DALTON ROSADO ESCANCARA O APARTHEID SOCIAL DO CAPITALISMO

A INJUSTIÇA SISTÊMICA COMO
 CAUSA DA CISÃO SOCIAL.

"É muito difícil você vencer a injustiça secular que dilacera o
Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e
o país dos despossuídos." (Ariano Suassuna, dramaturgo)
.
Há dois mundos em curso na vida social brasileira, embora exista um só mundo oficial, com regras estabelecidas para todos. Tratam-se os desiguais com regras iguais, e esta é a fonte legitimadora da opressão de uma lógica reificada de relação social.  

Há um mundo com pessoas com poder de compra e vida confortável apesar dos conflitos de convivência próprios das relações interpessoais. Este mundo dos beneficiários sistêmicos é povoado por rentistas do capital, cuja função é tentar preservar e multiplicar o seu patrimônio, mas também por gente com nível de informação elevado e que ganha seu salário acima da média nacional, dignamente, mas nem sempre com sensibilidade social. 

Nesse mundo chamado de alta e média classe média (5% e 15% da população, respectivamente) se inserem os que raciocinam de forma sistêmica e que querem que o defunto caiba no caixão, independentemente do tamanho de um e de outro.
Muitos deles, conhecendo as leis, trafegam no limite entre a legalidade e a burla da legalidade em seu benefício, ou na legalidade opressora sistêmica sem que dela divirjam frontalmente, alguns com acesso à alta corrupção e manipulações contratuais em seu benefício ou sonegando e embolsando impostos extraídos do povo, etc., etc., etc. Estes ainda contam com advogados tributaristas que os defendem como o indefectível Ives Gandra.

Muitos dos privilegiados por suas capacidades profissionais, embora exercendo funções sociais importantes, ficam acomodados diante da cisão social, como se os problemas não lhes dissessem respeito. Dizia Fidel Castro que “as pessoas mais cruéis do mundo são as indiferentes à injustiça social, à descriminação, à desigualdade e à exploração”, querendo dimensionar a omissão como forma de manutenção da opressão.

Mas há um mundo extraoficial, de pessoas que vivem sob as regras próprias de sobrevivência e que se constitui em 80% da população. Um mundo no qual apenas se sobrevive.

Nesse mundo há uma alta percentagem de pessoas que são obrigadas a viver nas precárias moradias de bairros mal assistidos, ou, o que é pior, a construírem moradias toscas, de madeira e papelão e fora de todas as regras do plano urbanístico da cidade, bem como das regras de arruamento e normas de edificação. Para o Estado, tais pessoas não passam de párias cujas demandas sociais são impossíveis de serem atendidas.

Há um mundo dos que não podem pagar um plano privado de saúde e são obrigados ao atendimento precário do SUS, num faz-de-conta que termina causando mortes por absoluta falta de assistência médica.

Há um mundo de desempregados desesperados com crianças para alimentar, além de outros consumos indispensáveis à vida digna, sem condições de satisfação dessas necessidades.

Há um mundo dos que vivem atormentados pelos baixos salários e, pior, com a perspectiva de perder o emprego miserável à medida que envelhecem e são rejeitados pelo mercado de trabalho, agora com justificado receio de que suas aposentadorias saiam apenas pós-morte. 

Há um mundo dos que são empurrados para o crescente comércio das drogas e que se tornam escravos do crime organizado sem colarinho branco, este último gestado dentro da exclusão social própria a uma sociedade cindida entre os que estão incluídos no processo de produção de modo confortável e os que estão excluídos do processo de produção.

Há uma geração nem-nem, que nem estuda e nem trabalha, composta por analfabetos ou analfabetos funcionais absolutamente inadaptados a uma sociedade tecnológica que somente paga salários relativamente bons aos poucos que são altamente qualificados.  

Esse mundo cindido tem sua origem numa sociedade fundada numa corrupção original que é a mãe de todas as outras: a extração de mais-valia.

Como se admitir como correta, ética, moralmente superior e insusceptível de corrupção uma relação social que se estabelece a partir da apropriação pelo capital da riqueza produzida coletivamente e na qual a maior parte dos que a produzem não têm acesso ao que produziram?  
Como um magistrado, escravo do cumprimento e aplicação da lei, pode ser respeitado nos seus julgamentos, ainda que probo (aí excluídos aqueles que praticam atos de corrupção e se tornam os mais perigosos bandidos da sociedade) se a própria lei é injusta e proporciona a coerção estatal da injustiça?

Como se admitir como justa uma sentença que decreta o despejo de um desempregado diante do senhorio que detém centenas de imóveis alugados, simplesmente porque é a lei que lhe assegura constitucionalmente tal direito, corroborado por leis ordinárias legiferadas pelo parlamento que temos e que disciplinam tal procedimento como expressão da cláusula pétrea do direito à propriedade?

Estabelece-se agora uma corrida de concorrência da corrupção que tomou conta da sociedade em todos os níveis.

Os criminosos de colarinho branco rivalizam com os bandidos descamisados e levam vantagens nos números que compõem o fruto da corrupção. Os primeiros falam em milhões e até bilhões, os segundos são meros pés-de-chinelos ou submissos soldados do crime organizado.

Mas quem é mais criminoso: o delinquente que rouba um cordão de metal barato em plena luz do dia e é preso (sem que queiramos inocentá-lo ou estimular tal prática) ou o engravatado diretor de um sistema penitenciário que superfatura a compra de milhares de tornozeleiras eletrônicas e com sua delinquência inviabiliza ainda mais o já depauperado volume de recursos de um sistema prisional estatal que tem custo orçado em alguns bilhões de reais, cobertos pelos combalidos cofres públicos?

Mas agora o mundo dos excluídos, de tão volumoso e sem alternativas, volta-se contra a oficialidade do mundo dos incluídos, estabelecendo-se o impasse sob as formas mais variadas. O índice de violência urbana é fruto da desobediência civil desordenada crescente, expressão da barbárie promovida por um sistema falido que considera como tema tabu qualquer alternativa social que não esteja enquadrada na lógica de reprodução do capital.

Os incluídos têm a força da coerção sistêmica, mas não têm a força de conter a barbárie que termina por atingi-los, de uma forma ou de outra.

A saída do impasse não é o aeroporto, mas a adoção de postulados alternativos que nem de longe passam pela lógica do sistema produtor de mercadorias.
(por Dalton Rosado)
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/01/dalton-rosado-escancara-o-apartheid.html

PASMEM: PODEREMOS TER UM MINISTRO DO STF QUE COMPARA UNIÃO HOMOSSEXUAL A CASAMENTO DE MULHER COM CACHORRO!


O que o tal tratado de Direito dirá sobre homofobia?
O atento jornalista Edson Sardinha, no Congresso em Focoreproduziu afirmações muito reveladoras do presidente do Tribunal Superior do Trabalho e candidato à cadeira de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal, Ives Gandra Martins, que constam de um artigo cometido pelo dito cujo em 2012. 

Confirmam inteiramente a avaliação que dele fiz, como um indivíduo que cultua valores de um passado longínquo e tudo faz para alhear-se do clima espiritual do século 21:
"É um cidadão que mentalmente continua vivendo na idade das trevas, tanto que até escreveu um livro sobre O senhor dos anéis, uma saga de óbvia inspiração medieval. Trata-se de uma fantasia coerente com a impressão que Gandra transmite, de alguém que nos quer levar de volta para os velhos e bons tempos do Torquemada".
Leiam os trechos em questão da notícia do Congresso em Foco, com grifos meus, e constatem:
"...são as posições do ministro sobre questões de família e comportamento que têm gerado mais polêmicas nas redes sociais. Em artigo sobre direitos fundamentais publicado no livro Tratado de Direito Constitucional (...), o presidente do TST deixou clara sua visão sobre o assunto.
O lesbianismo, na visão de Gandra.
Para Ives Gandra Filho, só é possível chamar de casamento a relação entre um homem e uma mulher. O matrimônio, segundo ele, tem dupla finalidade: geração e educação dos filhos, e complementação e ajuda mútua de seus membros.
No artigo, de 2012, o presidente do TST defende que as mulheres sejam obedientes aos maridos, compara a união homossexual ao casamento de humanos com animais e critica a possibilidade de casais se divorciarem. 'O princípio da autoridade na família está ordenado de tal forma que os filhos obedeçam aos pais e a mulher ao marido'.
No entendimento do ministro, na união homossexual, como os parceiros possuem 'compleição física e psicológica semelhantes, fica de antemão vedada a possibilidade de que haja a mencionada complementaridade dos contrários'.
Segundo ele, ao reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo, em 2012, o Supremo 'acabou por esvaziar o sentido da união homem-mulher'. 
O homossexualismo masculino, na visão de Gandra.
'Por simples impossibilidade natural, ante a ausência de bipolaridade sexual (feminino e masculino),não há que se falar, pois, em matrimônio entre dois homens ou duas mulheres, como não se pode falar em casamento de uma mulher com seu cachorro ou de um homem com seu cavalo (pode ser qualquer tipo de sociedade ou união, menos matrimonial)', escreveu. 
No texto, o ministro ressalta que 'indivíduos de orientação heterossexual e homossexual possuem a mesma dignidade perante a lei, e as pessoas homossexuais devem, sem sombra de dúvida, ser respeitadas nas suas opções'. 
'Contudo, isso não é o mesmo que dizer que os casais homoafetivos devem gozar, irrestritamente, dos mesmos direitos de que gozam os casais de orientação heterossexual, sob pena mesmo de se deturpar o conceito de família, em termos antropológicos e sociológicos', acrescentou.
 https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/01/pasmem-poderemos-ter-um-ministro-do-stf.html

Falta o Iluminismo

Bastilha


Na moldura do século XVIII, este evento se explica

O BRASIL NUNCA CONHECEU A IDADE DA RAZÃO, E ISSO EXPLICA A SITUAÇÃO EM QUE PRECIPITAMOS, CADA VEZ MAIS FUNDO



Alguns anúncios da televisão que zapeio chamam minha atenção. Um deles, de um curso de inglês pela internet, promete aprendizado fulminante com direito a diploma internacional e extraordinárias garantias de emprego. Mas vai além na demonstração de suas virtudes divinatórias: logo logo seremos uma nação bilíngue. O pregador do anúncio lembra os bispos evangélicos.

Recordo a publicidade dos tempos da ditadura. Ao falar em liberdade, expunha-se a qualidade de um jeans. O armador Gerson, campeão do mundo em 1970 para alegria do ditador Médici e dos brasileiros em peso, incluídos os perseguidos pelos janízaros do DOI-Codi e Cenimar, afirmava o sabor e perfume de certos cigarros e a conveniência de “se levar vantagem”. Ou seja, talvez, ganhar a dianteira a caminho de uma doença fatal.

O primeiro anúncio continha alguma ironia, creio eu. Não sonhe com liberdade, parecia dizer, mas console-se ao vestir jeans. O segundo, hoje impossível, aludia a um traço forte do caráter nativo, dado ao golpe baixo e ao passa-moleque. Quanto a Gerson, foi bom jogador, houve, porém, melhores, entre seus contemporâneos, na minha opinião, Ademir da Guia.

A publicidade dos dias de hoje, do curso de inglês, é representativa da parvoíce geral, do besteirol reinante. A nossa ignorância conta até com o reconhecimento mundial. Uma pesquisa recente, francesa, nos coloca em sexto lugar entre os mais atrasados.

A educação do povo nunca preocupou o Estado Nacional, desinteressado, como bem sabemos, do Bem-Estar Social. Já houve tempos melhores muito curtos, no entanto. Quando cheguei a São Paulo, ainda menino, o colégio mais respeitado era público, instalado em prédio antigo e digno no Parque Dom Pedro, hoje área de mendicância e tráfico. A criminalidade mora ali.

Colégio muito concorrido, meu pai gostaria que o frequentasse. Não consegui vaga. A capital paulista tinha 1 milhão e meio de habitantes e 50 mil carros. No Carnaval, o corso passava pela Avenida São João, artéria principal.

Cidade limpa, pacata, civilizada. Destinada a um futuro exemplar de grande metrópole do Hemisfério Sul coerente com o seu passado, como o são, por exemplo, Melbourne e Sydney. De improviso, deu para se orgulhar de ser “a que mais cresce no mundo”. Deu no que deu.

Que se proclame a possibilidade de sermos todos bilíngues a curto prazo é uma hipérbole da sandice que não se dá por acaso. Sempre houve quem quisesse vender o elixir da longa vida e quem o comprasse.

O anúncio da tevê a que me refiro é, obviamente, insignificante comparado à disposição da maioria dos brasileiros de comprar elixires de porte e efeitos infinitamente superiores. Milhões bateram panelas e saíram às ruas de camiseta canarinho crentes de que a derrubada da presidenta Dilma escancararia as portas da felicidade.

Raros os que deram ouvido aos avisos: ruim com Dilma, pior sem ela. Precipitamos no caos, a cada instante a treva se adensa e vamos ao encontro de um desfecho trágico. E ainda muitos, legiões, não se dão conta disso.

Ocorre-me, pinçado ao acaso, a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, a Tia Carminha das crianças inocentes. Na expectativa da cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, ela se prepara a assumir a Presidência da República. Quem sabe não tenha reparado que o ministro Gilmar Mendes, seu colega e subordinado no STF, anda de mãos dadas com o presidente da República. De resto, quem não quer ocupar o trono? De chofre, poderia citar duas dúzias de nomes.

Espantosa é a pretensa normalidade da situação, a julgar pela reação de inúmeros cidadãos e do tom da mídia. A resignação do povo é tradição. Mas não haveria de tocá-lo o resultado do golpe de 2016: a punição do trabalho, a rendição ao neoliberalismo mais feroz, o corte nos investimentos em Saúde e Educação? Até quando haverá de resistir a chamada maldita “cordialidade”? E como se sentem os remediados? E a classe média-média?



Há quem diga que a casa-grande vive e viverá em perfeita tranquilidade, indiferente às atribulações da maioria. A normalidade para ela nunca acabaria. Na comparação malposta, a aristocracia francesa vivia a normalidade até as vésperas da tomada da Bastilha. Verdade é que aquele era o século do Iluminismo, e este aqui nunca aportou.

Via CartaCapital -Mino Carta
http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2017/01/falta-o-iluminismo.html