sábado, 25 de julho de 2015

"Os EUA estão preparando uma segunda Operação Condor na América Latina"



O encontro do bloco político e econômico do Mercosul manifestou preocupação com a intensificação das atividades de inteligência dos EUA na América Latina, com vista a organizar a derrubada de presidentes democraticamente eleitos da região. Todos os oradores observaram a analogia da situação atual com a Operação Condor, realizada pela CIA nos anos 70 e 80 na América do Sul.

Vladimir Davydov
Segundo comentou ao portal de informações Pravda.ruVladimir Davydov, membro da Academia de Ciências da Rússia, naquele tempo os agentes dos EUA eliminaram fisicamente líderes progressistas no Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Peru.

"Eu acho que as tecnologias modernas estão longe de Operação Condor, ainda que os problemas sejam semelhantes", disse o especialista, acrescentando que o que existe hoje na América Latina é "uma guerra de materiais comprometedores e protestos organizados contra chefes de estados e de governos que mantém boas relações com a Rússia".

Davydov disse que antes Washington usava predominantemente a inteligência, subornos, financiamento da oposição radical e a cooperação com agentes locais para eliminar fisicamente certos líderes. Agora, de acordo com o analista, a melhor ferramenta nesta questão é a guerra de informação, que os EUA está praticando com êxito.

Como exemplo, o especialista cita a situação atual no Brasil, onde os EUA e a máfia local mobilizam a oposição, especialmente a Internet, para participar de uma campanha contra o governo de Dilma Rousseff. As organizações criminosas que a percebem como uma ameaça à sua posição com o novo plano do governo contra o domínio de narcotraficantes nas favelas, tiveram o cuidado de transformar protestos pacíficos em graves distúrbios. Enquanto que na Venezuela, Davydov admite que existe um risco de confrontos não políticos ou eleitorais, mas físicos.
http://www.contextolivre.com.br/2015/07/os-eua-estao-preparando-uma-segunda.html

A Globo é o principal agente da imbecilização da sociedade'


"A Rede Globo é o aparelho ideológico mais eficiente que as classes dominantes já construíram no Brasil desde o início do século XX.

Igor Fuser, Diário Liberdade (via Revista Fórum) 

 A Globo esteve ao lado de todos os governos de direita, desde o regime militar – no qual se transformou no gigante que é hoje – até Fernando Henrique Cardoso. Serviu caninamente à ditadura, demonizando as forças de esquerda e endossando o discurso ufanista do tipo “Brasil Ame-o ou Deixe-o” e as versões sabidamente falsas sobre a morte de combatentes da resistência assassinados na tortura e apresentados como caídos em tiroteios. Mais tarde, após o fim da ditadura, alinhou-se no apoio à implantação do neoliberalismo, apresentado como a única forma possível de organizar a economia e a sociedade.

No plano cultural, é impossível medir o imenso prejuízo causado pela Rede Globo, que opera como o principal agente da imbecilização da sociedade brasileira. Começando pelas novelas, seguindo pelos reality shows, pelos programas de auditório, o papel da Globo é sempre o de anestesiar as consciências, bloquear qualquer tipo de reflexão crítica.

A Globo impôs um português brasileiro “standard”, que anula o que as culturas regionais têm de mais importante – o sotaque local, a maneira específica de falar de cada região. Pratica ativamente o racismo, ao destinar aos personagens da raça negra papéis secundários e subalternos nas novelas em que os heróis e heroínas são sempre brancos. Os personagens brancos são os únicos que têm personalidade própria, psicologia complexa, os únicos capazes de despertar empatia dos telespectadores, enquanto os negros se limitam a funções de apoio. Aliás, são os únicos que aparecem em cena trabalhando, em qualquer novela, os únicos que se dedicam a labores manuais.

A postura racista da Globo não poupa nem sequer as crianças, induzidas, há várias gerações, a valorizar a pele branca e os cabelos loiros como o padrão superior de beleza, a partir de programas como o da Xuxa.

O jornalismo da Globo contraria os padrões básicos da ética, ao negar o direito ao contraditório. Só a versão ou ponto de vista do interesse da empresa é que é veiculado. Ocorre nos programas jornalísticos da Globo a manipulação constante dos fatos. As greves, por exemplo, são apresentadas sempre do ponto de vista dos patrões, ou seja, como transtorno ou bagunça, sem que os trabalhadores tenham direito à voz. Os movimentos sociais são caluniados e a violência policial raramente aparece. Ao contrário, procura-se sempre disseminar na sociedade um clima de medo, com uma abordagem exagerada e sensacionalista das questões de segurança pública, a fim de favorecer as falsas soluções de caráter violento e os atores políticos que as defendem.

No plano da política, a Rede Globo tem adotado perante os governos petistas uma conduta de sabotagem permanente, omitindo todos os fatos que possam apresentar uma visão positiva da administração federal, ao mesmo tempo em que as notícias de corrupção são apresentadas, muitas vezes sem a sustentação em provas e evidências, de forma escandalosa, em uma postura de constante denuncismo.

A Globo pratica o monopólio dos meios de comunicação, ao controlar simultaneamente as principais emissoras de TV e rádio em todos os Estados brasileiros juntamente com uma rede de jornais, revistas, emissoras de TV a cabo e portais na internet.

Uma verdadeira democratização das comunicações no Brasil passa, necessariamente, pela adoção de medidas contra a Rede Globo, para que o monopólio seja desmontado e que a sua programação tenha de se submeter a critérios pautados pela ética jornalística, pelo respeito aos direitos humanos e pelo interesse público.

*Igor Fuser é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC)"

AUSTERIDADE, AMEAÇA (QUASE) GLOBAL


China e Brasil evidenciam nova fase da crise global

Por Marcio Pochmann

Iniciada há sete anos, a crise de dimensão global não oferece tréguas aos países. Desde 2014 avança sobre as economias consideradas emergentes como Rússia, Brasil e China, que até então acreditava-se estarem imunes frente ao êxito das políticas anticíclicas adotadas desde 2008.

O movimento de queda nas bolsas de valores de Xangai e Shenzen pode estar enunciando problemas mais graves instalados nos mercados imobiliários na China, a segunda mais importante economia do mundo. Isso, talvez, possa estar expressando  uma certa ressaca frente ao esforço do governo chinês de evitar a contaminação da crise externa sobre a sua economia e, em especial, o seu povo.
Destaca-se que a China foi a nação que mais avançou nas políticas de natureza anticíclica. Apenas para exemplificar a dimensão do bloco de investimentos patrocinado pelo Estado frente à crise iniciada em 2008, contabiliza-se a construção de 30 novos aeroportos no país, a instalação em 25 cidades do sistema de metrô, e também de quase 10 milhões de quilômetros de autoestradas que cortam o país.
Ademais dos investimentos em infraestrutura, que aceleram a transição regulada de uma sociedade agrária para urbana e industrial, o país construiu uma dezena de novas e grandes cidades, com um novo arranha-céu a cada cinco dias, em média, diversas pontes de longa distância e inúmeros prédios comerciais e habitacionais. A participação do conjunto dos investimentos no total da produção do país passou de 40% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2008, para 50% do PIB, em 2014, algo jamais visto antes.
Tudo isso, contudo, dependeu da existência de financiamento. Em 2015, por exemplo, os bancos na China registravam a existência de quase 25 trilhões de dólares em créditos ante  à contabilização de U$10 trilhões em 2008.
A fantástica multiplicação por 2,5 vezes o tamanho do seu sistema de bancos em apenas sete anos revela o vigor da economia, cuja dimensão equivale atualmente ao dos Estados Unidos. Mas pode, por outro lado, apontar também certa saturação deste tipo de esforço frente à estabilidade da inanição no interior da economia mundial.
De certa forma, embora em menor proporção, essa situação foi observada pelo desempenho da economia brasileira, que, assim como a chinesa, registrou na primeira metade da década de 2010 importante desaceleração no ritmo de expansão do PIB. Entre 2008 e 2014, por exemplo, o mundo cresceu bem menos do que no período de 2000 e 2007.
Em função disso, percebe-se que a desaceleração das economias como a brasileira e chinesa pode estar evidenciando uma nova fase da crise de dimensão global. Uma primeira fase foi vislumbrada logo em 2008, com a queda do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos.
Em 2011, uma segunda fase da crise se verificou a partir dos problemas das contas públicas nos países da União Europeia. Desde 2014 percebe-se, uma terceira fase da crise de dimensão global a atingir mais fortemente países como Brasil e China. (Fonte: aqui).
(Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp).
....
Enquanto isso, certos países da União Europeia podem seguir o caminho da Grécia, cada vez mais subjugada pelo grande porrete da austeridade. Nesse rol, a Itália, para alguns analistas, dá sinais de que poderá entrar: há quem indague: "A Itália será a próxima Grécia?" (clique para ler).

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Quem falou que o crime não compensa?



                                   Tanque dos Estados Unidos protege...


                                   ...os saqueadores durante a pilhagem do Museu de Bagdád


Rubro de vergonha, o sol se oculta no Ocidente. Ele, que já foi reverenciado como o maior dos deuses, sofre com a ignomínia de ver sua Mesopotâmia invadida, ocupada e estuprada. Seus raios, outrora radiantes, escondem-se para não assistir a brutalidade da soldadesca a soldo dos Estados Unidos.

Quem falou que o crime não compensa?

Pobre Caldeia, pobre Nabucodonosor.

Ao invés dos Jardins Suspensos, uma das sete maravilhas do mundo, prisioneiros pendurados pelas mãos a lembrar a crucificação, ou arrastados como animais num matadouro, a lembrar o aparheid na África do Sul.

Quem falou que o crime não compensa?

Pobre Babilônia, pobre Hamurabi.

Bibliotecas destruídas, museus saqueados, escolas fechadas, a lembrar que a invasão não se satisfaz apenas em exaurir a riqueza do país. É preciso também apagar sua história e sua cultura.

Quem falou que o crime não compensa?

Pobre Suméria, pobre Gilgamesh.

Eis que a tão louvada e celebrada democracia ocidental mostra sua verdadeira face diante da diversidade e do diferente, horror a uma, pavor a outra, mesquitas servindo de alvo.

Quem falou que o crime não compensa?

Pobre Ur, pobre Abraão.
Pobre Iraque.

Pobres de nós!

no http://blogdobourdoukan.blogspot.com.br/2015/07/quem-falou-que-o-crime-nao-compensa.html

José Serra e a Veja aparecem nas anotações de Marcelo Odebrecht

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Jornal GGN – Dica do leitor André Nunes, pelo Twitter, permitiu identificar nomes escondidos por tarja preta, no relatório da Polícia Federal sobre as anotações encontradas no telefone de Marcelo Odebrecht.
Algumas iniciais eram facilmente identificáveis, como FP (Fernando Pimentel), JEC (José Eduardo Cardozo) ou GA (Geraldo Alckmin). A mais polêmica, no entanto, foi a de JS. Seguindo as instruções do twitteiro, no entanto, bastou copiar a tarja (CTRL C) e colar (CTCRL V) para aparecer o nome por trás da tarja.
Copiando e colando aparece o seguinte texto:
“Identificação de Jose Serra (JS) o telefone da secretária (11) 3087.1450 está registrado em nome de Jose Serra, o endereço da Joaquim Antunes, possui telefone (11) 2157.2104 registrado em nome de Jose Serra”.
Constavam da agenda de Marcelo telefones e endereço do escritório particular de Serra.
Não foi possível aplicar o mesmo método no retângulo coberto pela tarja.
A sigla JS aparece em outro trecho do relatório.
Novamente aparece o nome José Serra debaixo da tarja.
As menções a Serra, André Esteves (dono do BTG Pactual), a revista Veja e as siglas RA e EA (possivelmente Reinaldo Azevedo e Eurípides Alcântara), e Blairo Maggi, Michel Temer, Fernando Pimentel, entre outros, permitem supor uma estratégia similar ao relatório Bisol, na CPI das Empreiteiras.
Na época, Bisol e Aluizio Mercadnte tiveram acesso a dez caixas de documentos da Odebrecht. Acabaram se enrolando na apuração e relacionando organograma da diretoria com estruturas de corrupção. De qualquer modo, a expectativa de existência de centenas de nomes inibiu os trabalhos da CPI e a própria cobertura da mídia.
Veja não foi a única publicação visitada por executivos da Odebrecht após o estouro da Lava Jato.
Há dúvidas também em relação às iniciais GM, em trecho relacionado com tributos. Pode ser Guido Mantega, conforme apontado no relatório. Mas também são as iniciais do Ministro Gilmar Mendes, do STF.
De qualquer modo, o impacto do relatório, ao menos no primeiro dia deixou a mídia sem ação. Sequer houve a exploração às menções do ex-presidente Lula no relatório da PF.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Reinventado a história: o mito da estabilidade no governo FHC


Efeméride convocada no Senado na semana passada comemorou o aniversário do Plano Real. Um importante plano que debelou a hiperinflação, mas que abriu também caminho para implantação plena às chamadas políticas neoliberais de abertura e desregulamentação. Entretanto, o Plano não trouxe estabilidade monetária e financeira para o país, como muitas vezes se divulga. O Plano trouxe, juntamente com as políticas neoliberais, elevados custos relativos à estagnação econômica, bem como os relativos ao endividamento público.
Na homenagem do Senado os oradores tentaram sucessivamente vincular o sucesso do Real ao próprio governo FHC e suas políticas neoliberais. Nessa tentativa, os oito anos de FHC, no pós-Real foi “reinventado” como um período de estabilidade monetária e financeira para o país.
Vejamos como o exame das variáveis de taxa de inflação, taxa cambial e taxa de juros mostram como os governos FHC não trouxeram nenhuma estabilidade à economia, nem mesmo a monetária.
Restabelecendo a história: a continuidade da instabilidade monetária pós-Real
Comecemos pela suposta estabilidade monetária. O que se alega é que o Plano Real, além de eliminar a hiperinflação, criou uma moeda de valor estável, o que já se revelou nos oito anos dos governos FHC.
Primeiro vejamos como o Plano Real funcionou. A ideia do Plano na verdade nada teve de original: depois de alinhar os preços com a URV (unidade referencial de valor, essa sim uma boa ideia), apenas atrelou a nova moeda, o real, ao dólar, praticamente ao par (um por um). Com isso houve uma súbita valorização da nova moeda, tornando os bens importados ainda mais baratos.
O custo da manobra, no entanto, foi a imediata supervalorização da moeda, acompanhada por uma elevação das taxa de juros a níveis estratosféricos (na virada de 1994/95 chegou a 60% ao ano) para atrair dólares.
No entanto, a taxa de inflação pós-real se manteve longe da estabilidade. Em 1995, a taxa foi de 22%, e continuou variando 9% ao ano, em média, até 2002. No primeiro governo, a inflação já tinha acumulado 43%. Somando os dois governos, o acumulado chegou a 100%. E pior, ao acabar o período, em 2002, a taxa tinha voltado a uma inflação de dois dígitos, marcando 12,5% e subindo. Só para comparar, o acumulado de oito anos de Lula foi de 56% e os quatro de Dilma chegaram a 27%.
Essas elevadas taxas de inflação prejudicaram a estabilidade cambial, desafiando até a incrível taxa de juros real adotada, que terminou gerando apenas riqueza financeira para os mais riscos e reduzindo o investimento produtivo.
Restabelecendo a história: instabilidade e colapso cambial
Analisemos agora o comportamento da taxa de câmbio. Ela afeta ao mesmo tempo a moeda, o crédito e o nível de atividade econômica. E, nas economias periféricas, é uma variável que é capaz de levar um país à bancarrota.
Com o real atrelado ao dólar, a taxa cambial iniciou 1995 em R$ 0,84 o dólar, uma taxa muito valorizada, como já vimos, para deter a hiperinflação.
Mas junto com os preços das importações, também caiu a produção interna e abriu-se um déficit crescente nas contas externas. Essas contradições do Plano Real impediram a manutenção estável do câmbio, que foi sendo desvalorizado continuamente até já ter perdido 43% de seu valor até 1998. Como a taxa inflacionária manteve-se maior que a desvalorização do câmbio, o governo acabou por não conseguir controlar nem o câmbio, nem o déficit externo e nem o fluxo especulativo de dólares atraído pelos juros estratosféricos. E sobreveio a debacle.
Em janeiro de 1999, o Brasil quebrou pela primeira vez na mão de FHC. As reservas em dólares se evaporaram e o real se desvalorizou, com sua taxa chegando até quatro reais por dólar.
Sumiram os dólares, ficamos sem crédito externo para manter as importações, mas as dívidas cresceram. O país só saiu da bancarrota graças a empréstimos do governo americano e outros apoiados pelo FMI. A maxidesvalorização em 1999 acabou por atingir 40%. O governo brasileiro e sua moeda não tinham mais confiança externa. Muito longe já estávamos de qualquer estabilidade monetária e financeira.
Porém, um novo desastre já estava a caminho. A economia estagnada, uma moeda nacional com valor instável, sempre com tendência de queda, e baixo nível de reservas tornaram o Brasil outra vez alvo fácil da especulação cambial. A partir de maio de 2002, sobreveio novo ataque especulativo contra o real. E o Brasil quebrou pela segunda vez na mão de FHC.
De novo, nossa moeda se desvalorizou fortemente, chegando a mais de três reais o dólar. Ficamos mais uma vez sem dólares e sem crédito externo. Outra vez o governo FHC e o Banco Central perderam o controle monetário e cambial. A salvação veio com o FMI: outro financiamento de emergência foi arranjado, muito maior que o de 1999. Mas dessa vez ele veio o junto a exigência de monitoramento trimestral, tendo em vista o descrédito da economia e do governo.
A incrível taxa de juros estratosférica
Por fim temos a variável da taxa de juros. Foi exatamente nos primeiros anos do Plano Real que nossa economia se consolidou como a campeã mundial de taxas de juros reais elevadas e perenes. Passamos a ser a economia bizarramente mais juros-dependente do mundo. Uma rara anomalia que bem longe está de qualquer definição de estabilidade financeira. A parte mais pesada da herança deixada ao Brasil pelas políticas neoliberais de FHC.
As taxa Selic que iniciou 1995 a 60% ao ano, só caiu abaixo de 40% em 1998. E abaixo de 30% ao ano em meados de 1999. Em apenas dois anos os credores da dívida pública federal dobraram seu investimento, e em quatro anos o quintuplicaram. O total da dívida pública líquida se multiplicou durante oito anos, saindo de apenas 37% do PIB, em 1994, para mais 60% em 2002. Nunca um país viu sua dívida pública subir dessa forma em tempos de paz.
A conjunção de elevadas taxa reais de juros, instabilidade econômica e vasta fraude bancária detonou, em 1997, a maior crise bancária do século 20. Neste ano, três dos dez maiores bancos do país quebraram (Banco Nacional, Mercantil de Minas e Bamerindus). O que desencadeou também o maior resgate público de investimentos privados depositados já visto no Brasil.
Uma realidade bem infeliz
O país entregue ao governo Lula, em 2003, foi um país em situação de instabilidade cambial crônica, inflação em alta, sem crédito externo e sem reservas próprias de divisas.
Os números desagradáveis aqui expostos contam uma história bem diferente da inventada “estabilidade monetária e financeira” trazida pelo Plano Real e vivida durante os governos FHC. Esses números são facilmente acessíveis em sites como Ipeadata, Banco Central e IBGE. Não são nem nunca foram secretos. Qualquer um pode obtê-los.
Transformar essa verdade de oito anos de instabilidade monetária, colapsos cambiais e bancarrotas nacionais em uma rósea paisagem de estabilidade parece ir bem mais longe do que uma reinvenção da história, beira mais a simples fraude.
http://renatorabelo.blog.br/2015/07/22/lecio-morais-reinventado-a-historia-o-mito-da-estabilidade-no-governo-fhc/

Seis truques pouco conhecidos do Facebook



BBC Mundo

Além disso, o Facebook também se atualiza constantemente e é difícil estar em dia com todas as opções que a rede oferece.

Tentar acessar as informações sobre ajustes pode ser confuso e tomar tempo, por isso, abaixo estão seis "truques" do Facebook semiescondidos e que você talvez nem conhecia.
1 - Como controlar quem pode ver as fotos em que você foi marcado

É possível controlar facilmente a privacidade das fotos que você coloca no Facebook, mas como controlar as fotos que outras pessoas publicam e onde você foi marcado?

Se a pessoa que postou a foto tem como ajuste de privacidade "Público" ou "Amigos de Amigos", então pessoas que nem são suas amigas no Facebook podem ver sua foto.

Para saber quais fotos em que você está marcado são visíveis para pessoas que não são suas amigas, clique no ícone triangular acima, à direita, e, depois escolha Registro de atividade>Fotos>Fotos em que você aparece.



Acima, no centro, você poderá filtrar os resultados de acordo com quem a foto foi compartilhada.

Se um amigo compartilhou uma foto sua com o "Público" ou "Amigos de Amigos" que você não quer que seja acessível, não há outra escolha a não ser pedir a este amigo que ajuste esta foto para ser visível apenas para amigos, apenas um grupo específico de pessoas ou que apague a foto.

Ou você pode tirar, manualmente, sua marcação na foto.
2 - Como ver 'mensagens escondidas'

As mensagens que você recebe de pessoas que não são suas amigas no Facebook não aparecem em sua caixa de entrada habitual.

Muitos usuários não sabem que se você clicar no ícone de mensagens e depois na opção que diz "Outros", ao lado da caixa de entrada, poderá chegar a uma pasta diferente.

É provável que encontre ali mensagens que nunca havia visto antes.
3 - Como desativar os avisos de leitura de mensagens (na verdade, não é possível)

Muitos usuários acham esta opção muito irritante e uma invasão de privacidade.
O Facebook avisa seus "amigos" quando você leu uma mensagem com uma notificação com a palavra "Seen", ou "Visto", seguido da hora em que a mensagem foi lida.

Às vezes, recebemos mensagens que, por algum impedimento, não podemos responder imediatamente, o que poderia ofender ou ser visto como uma ofensa pela pessoa do outro lado. Mas o Facebook não permite desabilitar esta função.
Uma saída seria recorrer a outros aplicativos - mas estes podem ter riscos associados.

O mais popular é o chamado Facebook Hide Seen, que é de graça mas funciona apenas com o navegador Chrome.

Outra possibilidade é usar o Chat Undetected, que também é gratuito e funciona com Chrome, Firefox, Internet Explorer e Safari.

Mas é bom lembrar que na declaração de direitos e responsabilidades que todos têm de aceitar quando abrem um perfil no Facebook é estipulado que o desativamento de funções da rede social não é permitido.
4 - Como escolher o que ver e o que não ver no Facebook

Até agora era um algoritmo do Facebook que decidia o que aparece em sua timeline ou lista de notícias. Mas será possível personalizar
O Facebook anunciou há algumas semanas uma nova função para personalizar os ajustes das notícias que aparecem no seu "news feed", que permite selecionar o que "ver primeiro".

Em inglês é o "See first" e, ao ativar esta função você prioriza os amigos ou páginas que você segue e cujos posts você quer "ver primeiro" em sua lista de notícias.

A nova opção do Facebook já está disponível em alguns dispositivos iOS da Apple e, nas próximas semanas, ficará disponível para o Android e outros computadores.

Para fazer este ajuste em um iPhone clique no ícone das três linhas horizontais que aparece na parte de baixo, à direita. Vá até o menu que aparece e selecione "Preferências de notícias".

Você poderá selecionar opções tradicionais como "Deixar de seguir pessoas e ocultar suas publicações" ou "Voltar a conectar-se com pessoas que deixou de seguir" sem ter que voltar a enviar um novo pedido de amizade.

Neste menu também há uma nova opção: "Priorizar quem ver primeiro".
5 - Como verificar como o público ou amigos específicos podem ver seu perfil

Para verificar o que as pessoas podem ler no seu perfil basta clicar no menu que aparece abaixo, à direita de sua foto do perfil.

Ali, selecione a opção "Ver como".

Imediatamente, o Facebook vai mostrar como é o aspecto de sua biografia para o público em geral, ou seja, para qualquer estranho.
Muitos se perguntam como os desconhecidos veem seu perfil
Também é possível selecionar "Ver como alguém específico" e escrever o nome de um usuário ou amigo para comprovar como esta pessoa pode ver o seu perfil e a que tipo de informação tem acesso.
6 - Como baixar uma cópia de tudo o que já compartilhou no Facebook

Se você for à configuração geral da sua conta, clique na última opção, "Baixar uma cópia de sua informação" e poderá gerar um arquivo como cópia de tudo o que você já compartilhou no Facebook.

Neste arquivo estarão incluídas publicações, fotos e vídeos compartilhados, suas mensagens e conversas no chat e os dados da área de "Informação" do seu perfil.

Além disso, também estão incluídas informações que não estão disponíveis quando você apenas inicia a sessão em sua conta, como as propagandas que você clicou ou dados como os endereços de IP registrados ao iniciar ou fechar a sessão no Facebook."

A grande mídia silencia sobre corrupção no governo Alckmim


reprodução
O “midiota” – aquele ser manipulado diariamente pela mídia privada, segundo a já clássica definição do jornalista Luciano Martins Costa – deve mesmo achar que a corrupção foi inventada pelo PT e que os políticos do PSDB são os maiores santos do universo. Neste processo de purificação dos tucanos, um dos mais blindados é o governador Geraldo Alckmin. Nada atinge o “picolé de chuchu”, que é quase um ente divino – até por suas ligações com a seita fascistoide Opus Dei. Na semana passada, o Ministério Público desvendou mais um esquema bilionário de desvio de recursos públicos na Receita de São Paulo. O silêncio da mídia chapa-branca, porém, é ensurdecedor!
 
A denúncia não virou destaque no “Jornal Nacional” – e o que não sai no JN não existe, segundo os alquimistas da TV Globo. Ela também não foi parar nas capas das revistas “Veja” e “Época”, que estão mais preocupadas em bater para matar no ex-presidente Lula. A tropa dos jagunços midiáticos, que adora promover a escandalização da politica e ocupa importantes postos nas emissoras de rádio e tevê, preferiu se fingir de morta. Os jornais “Estadão” e “Folha” até registraram o caso, mas evitaram dar manchetes e abusaram na cautela diante das denúncias. Afinal, o governador paulista já prepara as suas malas para a disputa presidencial de 2018 e não pode ser abatido em plena pré-campanha.
 
“O Ministério Público de São Paulo apura o suposto enriquecimento ilícito de três agentes fiscais investigados por envolvimento em um eventual esquema de desvio bilionário de recursos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)”, registrou, cheia de dedos (“suposto”, “eventual”), a Folha neste sábado (18). Segundo a reportagem, “a suspeita dos promotores paulistas é de que, por meio da cobrança de propina a executivos de São Paulo em troca da redução do tributo ou da isenção de multa, os servidores estaduais tenham acumulado patrimônio incompatível com suas rendas”. Em nenhum trecho da matéria aparece o nome de Geraldo Alckmin, “o santo”.
 
O caso é investigado pelo Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec) desde o início deste ano. O órgão do Ministério Público pediu a quebra dos sigilos fiscal e tributário de Sidney Simone, Flávio Romani e José Carlos Vecchiato. “Além de enriquecimento ilícito, os servidores da Receita de São Paulo são investigados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro... A denúncia, à qual a Folha teve acesso, cita os valores que teriam sido arrecadados de forma irregular e apresenta a relação de fotos de imóveis que teriam sido adquiridos com dinheiro de operações ilícitas. Segundo a representação, os agentes fiscais teriam reunido nos últimos anos um patrimônio milionário”. 
 
Os três agentes fiscais denunciados negam as denúncias e garantem que a evolução patrimonial é “perfeitamente compatível” com suas rendas. O Ministério Público, porém, suspeita que o esquema envolva outras figuras graúdas do governo estadual. Até agora, porém, a mídia privada não escalou seu exército de “jornalistas investigativos” para apurar o escândalo. Se a denúncia envolvesse a Receita Federal, possivelmente a tropa já estaria nas ruas para investigar o caso – que não teria nada de “suposto” ou “eventual”. Mas o governo do PSDB de São Paulo nunca está metido em atos ilícitos – seja no “trensalão tucano”, que a mídia chama carinhosamente de “cartel dos trens”, ou em outros escândalos cabeludos.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Para entender o atual jogo político


Luis Nassif, GGN

Poucas vezes a política mostrou-se tão adequada à definição do sábio Magalhães Pinto, que a comparava às nuvens do céu: agora estão de um jeito, daqui a pouco de outro.

Há dois tempos em jogo: o atual e o das eleições de 2018. Para 2018 habilitam-se os que têm votos; para 2015, os que têm poder. É a partir dessa dicotomia que se torna mais fácil entender os últimos lances políticos.

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O potencial de votos distribui-se por três políticos: pela situação, o ex-presidente Lula; pela oposição, o senador Aécio Neves e o governador de São Paulo Geraldo Alckmin.

Já o poder político funda-se na aliança mídia-Lava Jato, ambos sendo exaustivamente usados pelos dois lados.

Os vazamentos providenciados por procuradores e delegados reforçam politicamente a atuação do grupo, especialmente quando acontecerem os embates com as instâncias superiores. E a capacidade de pautar o MPF e a PF sustenta o poder de coerção da mídia.

Ao melhor estilo República Velha, centra-se fogo nas relações Lula-grandes grupos, para vê-los de joelhos vindo buscar proteção junto aos grupos de mídia. Qualquer notícia serve aos propósitos, desde a criminalização das tentativas de emplacar obras de empreiteiras brasileiras no exterior, financiamentos à exportação de serviços, até jantares sociais.

De certa forma, repete-se o modelo italiano da operação “mãos limpas” que, a pretexto de limpar a política, limpou a área para a ascensão de Berlusconi, imperador da mídia.

Esse grupo serve principalmente aos propósitos de José Serra, o candidato preferencial da mídia, especialmente depois que foi exposta a fragilidade política de Aécio Neves.
 
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Os desdobramentos da crise afetam de maneira distinta os interesses dos quatro candidatos:

  1. A Lula interessa a recuperação de Dilma.
  2. A Alckmin, uma Dilma desgastada até 2018.
  3. A Aécio, a eventualidade de uma queda de Dilma com a convocação imediata de novas eleições. A sua fragilidade não permitirá que sobreviva até 2018.
  4. A Serra, a instauração do parlamentarismo.

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Não se pense na conspiração clássica, com os conspiradores se reunindo à socapa na calada da noite. O pacto tácito se dá em torno de alguns eixos de atuação, presentes na parceria mídia-Lava Jato:
  1. Fogo total no esquema Lula, preservando Dilma Rousseff. A ideia central é a de que esticar o governo Dilma desmoralizado até 2018 é mais garantido do que um eventual impeachment agora, permitindo a volta de Lula em 2018. Aliás, é impressionante a disciplina de comentaristas políticos da mídia que conseguem pensar todos da mesma forma e mudar de opinião da mesma forma e no mesmo dia.

  2. Intocáveis são apenas a mídia e os principais caciques do PSDB. Aliados pontuais – como Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) – são jogados ao leão, inclusive para reforçar o caráter democrático da Lava Jato.
Não se trata de um roteiro rígido, porque as nuvens da política ainda não se consolidaram. Trata-se de apenas um ensaio inicial de consolidação de alianças visando 2018.

Apenas uma questão poderá reverter essas estratégias: a hipótese (por ora distante) de recuperação de Dilma."

Aviso aos que atacam o SUS: ser mordido de cobra nos EUA pode custar US$ 153 mil


Fernando Brito, Tijolaço 


Quando li, achei que era destas “histórias da internet”. Mas saiu no insuspeitoWashington Post:

O americano Todd Fassler foi mordido por uma cascavel em San Diego, Califórnia.

Não seria notícia, porque há entre sete e oito mil ataques de cobras peçonhentas nos Estados Unidos todo ano. Aqui, em 2010, o número chegava, em 2010, a 30 mil vítimas.

Mas virou, quando uma emissora local noticiou quanto isso custou a Fassler em custo de hospital e de soro antiofídico: US$ 153.161,25, ou R$ 483 mil, na cotação de ontem.

Como diz o título da reportagem do Post, “Esta  mordida de cascavel de $ 153,000 é tudo de errado com os serviços de saúde  (norte) americanos
Aqui, é claro, não custaria nada, porque o Brasil trata o ofidismo, há mais de um século, como um problema de saúde pública. E construiu, com esforço, uma rede de produção e distribuição de soros – pelos quais cobraram US$ 83 mil ao americano – que dão o sentido de heroísmo ao trabalho de gente como Vital Brazil, o grande marco nesta história, com um esforço que ele próprio descreve, na virada do século 19, quando comprovou a necessidade de soros específicos para cada espécie de serpente, desbancando o conhecimento europeu que produzia soros de baixa efetividade.

“Não dispondo o Instituto de verba para a aquisição de serpentes, tive eu mesmo de assumir o encargo. Em pequeno terreno adquirido próximo a minha residência, mandei construir meu primeiro serpentário, bastante imperfeito, o qual serviu-me de orientação quando mais tarde tive que construir outros em Butantan. Nesse período trabalhei intensamente na aquisição de serpentes e na propaganda entre agricultores amigos, dos meios de captura e transporte dos ofídios, distribuído-lhes laços e caixas”.

A saúde pública no Brasil ainda bem, sempre contou com gente abnegada como ele.

Quem enche a boca para ver só os defeitos no Sistema Único de Saúde do Brasil deve tomar cuidado para não morder a língua, um dia destes.

Pode ser pior que o veneno da cascavel.

Pode ser sua própria vida."

Enfim, um empresário que propõe saídas para o Brasil


De vez em quando surge um empresário que diz coisa com coisa, não fica reclamando da situação e pedindo que o governo o ajude a consertar os seus erros administrativos e o salve da morte por incompetência. 

É o caso de José Vilmar Ferreira (foto)fundador e presidente do Grupo Aço Cearense (GAC), no mercado há 35 anos e líder do setor nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, que escreveu o artigo intitulado "Crise política e desequilíbrio da economia", no qual alerta sobre os equívocos da atual política econômica do governo Dilma, mostrando, principalmente, os perigos da combinação juros altos e real desvalorizado.

"Na atual conjuntura, seria coerente estabelecer um valor ideal para o dólar, de maneira que compensasse a queda dos preços médios das commodities, e impedir a alta volatilidade do câmbio, para evitar especulações desenfreadas", escreve o empresário.

Nestes tempos em que se substitui críticas sérias ao governo por xingamentos os mais baixos possíveis, o artigo de José Vilmar Ferreira é muito bem-vindo, concordemos ou não com ele.

A seguir, a sua íntegra:

Crise política e desequilíbrio da economia

É lamentável observar como se desencadeou, a partir do segundo semestre de 2013, a grave crise econômica que hoje enfrentamos. Sua origem está no fato de o governo ter cedido às especulações provocadas por interesses dos políticos oposicionistas e do mercado financeiro, que fizeram duras críticas aos juros baixos num momento de pressão inflacionária. Porém, é importante lembrar que, mesmo com o cenário internacional negativo, inclusive na Europa, nosso PIB cresceu 2,5% naquele ano e só não chegou a 3% devido à inversão da estratégia de combate à inflação: a troca do mecanismo da moeda valorizada pelos juros altos. Os atuais índices inflacionários, acompanhados de recessão, demonstram o equívoco.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, salientou, no seu discurso de posse, em janeiro, como faria para enfrentar as dificuldades, mas até agora só sinaliza pioras, adotando política monetária em linha com as especulações e liberando o câmbio, fatores responsáveis pelo agravamento da crise. Nesse contexto, qualquer notícia negativa é motivo para que o dólar dispare, realimentando a inflação e provocando ainda mais o processo recessivo.


Quanto aos juros altos, é incompreensível que se pressione o governo a cortar gastos, inclusive de investimentos, e não se alerte o quanto eles estão onerando a dívida pública, cujo serviço, em 2015 (com taxas reais de quase 6% ao ano), será 300% mais dispendioso do que em 2013 (juros reais abaixo de 2%). Para retomarmos a expansão do PIB, seria preciso reduzir a Selic a um patamar de, no máximo, o IPCA mais 3%. Com isso, além de colocar fim à estagnação, evitaríamos a fuga de capital estrangeiro, pois nossas taxas ainda continuariam mais atrativas do que as do mercado norte-americano.


É preciso avaliar, também, os efeitos em cascata negativos gerados pela instabilidade do câmbio. O Banco Central jamais poderia ter permitido que a desvalorização do Real alcançasse esses níveis. Deveria ter substituído parte dos contratos de Swaps pela venda da moeda norte-americana no câmbio pronto, para evitar o abuso dos especuladores. Para isso, seria usada parcela das reservas cambiais. Afinal, é para essas situações que elas existem!


Na atual conjuntura, seria coerente estabelecer um valor ideal para o dólar, de maneira que compensasse a queda dos preços médios das commodities, e impedir a alta volatilidade do câmbio, para evitar especulações desenfreadas. A maioria dos empresários defende a depreciação de nossa moeda para estimular as exportações, desprezando os efeitos negativos gerados pela inflação e alta da Selic. Porém, as vendas externas, considerando manufaturados e bens de consumo, representam cerca de 5% do PIB. Se incluirmos as commodities, chegam a 13%.  Portanto, deveríamos priorizar o crescimento de 100% da economia e não da parcela de 5% referente às exportações de manufaturados e bens de consumo!


É necessário, sim, proteger a indústria local do ingresso significativo de importados e proporcionar superávit comercial, mas isso deve ser feito com o Real valorizado, criando-se, em contrapartida, um subsídio, em forma de crédito fiscal de até 20%. Tal benefício não geraria custos para o governo, uma vez que seria repassada ao exportador apenas parte da receita do imposto de importação. Os setores produtivos também não teriam de se preocupar, pois, além do incentivo fiscal, a economia voltaria a crescer e o câmbio seria fixado num patamar adequado de equilíbrio (atendendo ambos setores).


País de moeda fraca não tem credibilidade! Se continuarmos depreciando o Real, iremos pelo mesmo caminho da Argentina e nossa dívida líquida disparará para o nível de 2003 (60,4%). É preciso reavivar a memória e lembrar da política econômica  praticada entre 2003 e 2013.  Ao assumir o governo, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o País no 11º lugar no ranking mundial, com uma dívida no FMI de US$ 38 bilhões e apenas US$ 55 bilhões em reservas cambiais. A dívida líquida em relação ao PIB era de 60,4%; a inflação, de 12,5%; e os juros, de 25% ao ano. 


A política econômica passou, então, por uma grande mudança. Houve a baixa dos juros, proporcionando o aumento real dos salários, possibilitando o crescimento do consumo e, consequentemente, movimentando o setor produtivo, com grande geração de empregos. Dessa forma, a economia passou a crescer, atraindo investidores internos e externos. Assistimos à valorização do Real, queda da inflação, recordes de arrecadação e neutralização do déficit público, viabilizando o subsídio da energia elétrica e dos combustíveis e o financiamento dos programas sociais. Esses três fatores também retroalimentaram a expansão do PIB.


Pondero que o governo não gastou tão mal os recursos públicos como se especula. Houve excessos em alguns itens e deficiências em outros. No entanto, o grande problema foi a inversão do mecanismo de controle inflacionário, com a substituição da moeda valorizada pelo desastroso aumento dos juros, feita pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega, no segundo semestre de 2013. O governo somente será forte para fazer as mudanças que necessita com eficiência, se conseguir retomar a expansão do PIB.


Em 2 de outubro de 2014, o jornal Valor Econômico publicou artigo de minha autoria, no qual alertava que a continuidade da desvalorização do Real levaria a mais inflação, aumento dos juros, menos crescimento e desemprego. Agora, devemos reconhecer a necessidade de alguns ajustes, como vem fazendo o ministro Levy, mas é premente retomar o modelo monetário, ainda pouco reconhecido, praticado no Governo Lula, com juros baixos e Real valorizado. Isso é fundamental para o desenvolvimento do Brasil, país com economia peculiar, que requer uma política econômica independente do modelo de outras nações e condizente com sua cultura, população, dimensões territoriais e pluralidade. Nesse contexto, sugerir a valorização de nossa moeda significa defender a queda da inflação e, consequentemente, a redução dos juros e a volta do crescimento do PIB.

Pátria silvéria

Gabriel Priolli

"Policiais qualificaram a condenação dos ex-executivos da Camargo Corrêa de 'histórica' e 'pedagógica'. A decisão deixou em pânico advogados de empreiteiros que ainda aguardam a sentença de Sergio Moro", informa o Painel da Folha de S.Paulo.

Estão certos os referidos policiais. É histórica mesmo, pelo prêmio concedido, e pedagógica, pelo incentivo à delação, a sentença exarada ontem.

Já imagino Paulo Roberto Costa e heavy friends celebrando a curta prisão domiciliar, para depois entregar-se ao desfrute da grana desviada da Petrobras, que certamente não será restituída ao erário no todo. Como bem aponta Jânio de Freitas, na mesma Folha.

Não vejo, portanto, qualquer razão para pânico dos demais indiciados e seus advogados. Basta que também abram o bico a essa peculiar justiça morosina, dura no processo, mole na sentença.

Ironia no país dos Inconfidentes... Tiradentes perdeu o pescoço para construí-lo, mas, dois séculos depois, quem triunfa mesmo é o dedo de Silvério dos Reis...
no: http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2015/07/patria-silveria.html

Euro, austeridade e decadência europeia

Por Emir Sader, naRevista do Brasil:

O momento de virada da Europa para sua rota de decadência pode ser localizada na impotência em impedir o surgimento do nazismo e do fascismo no seu seio e na incapacidade para derrotá-los. Teve de contar com a intervenção dos Estados Unidos e da União Soviética, o que consolidou seu processo de decadência, iniciada realmente com o fim da longa hegemonia britânica e na superação da Alemanha pelos Estados Unidos na disputa do lugar deixado vazio pela Grã-Bretanha.

O projeto da União Europeia aparecia como uma recuperação de protagonismo em escala mundial, pela multiplicação da força de cada um dos seus países. Foi um longo processo, conduzido pela Alemanha e pela França, indicando como a Grã-Bretanha não ocuparia lugar de primeira linha nesse processo. A longa aliança com os Estados Unidos, originada depois da própria guerra de independência norte-americana, não se deixou afetar pela unidade europeia, consolidando-se ao longo das últimas décadas como eixo da hegemonia norte-americana no mundo.

Depois de longas negociações, a União Europeia convergiu para a criação do euro, como expressão monetária do que se pretendia que fosse o símbolo da promoção da Europa a novo continente protagonista da política mundial – depois da consolidação da influência norte-americana no Velho Continente, pela participação decisiva na Segunda Guerra e na sua reconstrução. As consultas nacionais de adesão à unificação europeia apontavam, por sua vez, para o caráter que ela teria. 

A questão colocada para os europeus dos distintos países não era se aprovariam ou não a unidade europeia, mas se desejariam o euro como moeda única. Isto é, impunha-se já um caráter monetarista à unificação. Cada vez que um país rejeitava a proposta, eram feitas novas consultas, acompanhadas de fortes pressões e ameaças sobre as desgraças que recairiam sobre os que estivessem ausentes da unificação.

Lançado o euro, houve um curto momento de lua de mel diante do dólar, para logo cair na sua cotação. Mas a maior prova veio com o começo da longa crise econômica internacional, há sete anos. Foi o momento em que a Alemanha se aproveitou para consolidar sua hegemonia, usando a bandeira das políticas de austeridade. A virada para a austeridade consolidou modelos neoliberais em todos os países do euro. A recessão se tornou profunda e prolongada, enquanto a Europa destruía sua mais generosa construção: o Estado de bem-estar social. País a país, os direitos dos setores mais frágeis – imigrantes, pobres, idosos – foram sendo expropriados, concentrando a renda em torno dos sistemas bancário e financeiro, como a Europa nunca havia conhecido.

Comprometidos ambos com a unificação, o euro e a austeridade, os partidos que até ali representavam a direita e a esquerda – social-democracia por um lado, conservadores por outro – entraram em um processo de enfraquecimento, de crise de representação. Cada eleição é um pânico, porque eles sabem que se debilitarão cada vez mais.

Como em vários casos foi a própria social-democracia a dar início às políticas de austeridade – como na Espanha –, ambas as correntes se viram abraçadas na direção do fundo do poço. Surgiram explosões fora do bipartidismo, até que ficou configurado que as forças emergentes eram as que protagonizavam a resistência à austeridade. Onde a esquerda teve esse papel surgiram novas forças, Syriza e Podemos, na Grécia e na Espanha. Em outros, como França, Grã-Bretanha, Áustria, Noruega, Finlândia, Dinamarca, foram partidos extremistas de direita os que despontaram.

O que é certo é que a Europa sairá da crise atual, quando sair, muito transformada. No plano político – dada a crise aberta do bipartidismo e o surgimento de novas forças, de esquerda e de extrema-direita – e no plano social, com muito mais desigualdade e concentração de renda.