quinta-feira, 1 de março de 2012

Brasil ensina como viver em paz


Cada vez que penso sobre o que anda acontecendo no mundo, essas guerras todas, essa instabilidade preocupante em algumas regiões, mais me convenço que a posição da diplomacia brasileira, de não interferir em assuntos internos dos outros países e procurar resolver os conflitos por meio da negociação, é a mais correta - se não a única capaz de livrar o planeta de todas as ameaças.
O caso da Síria, por exemplo, é emblemático.
Vários países procuram, por meio do envio de assessores militares, combatentes e armas, espalhar o caos no seu território, forçando o país a entrar numa guerra civil, e ao mesmo tempo movem uma imensa máquina de propaganda para convencer que é inevitável uma intervenção externa para acabar com o "sofrimento" do povo, com o "banho de sangue" promovido, claro, apenas pelas tropas leais ao ditador sanguinário que ocupa o poder.
É, exatamente, o mesmo roteiro seguido em outras ocasiões, como no Iraque e, mais recentemente, na Líbia.
A única coisa que impediu, até agora, uma invasão militar na Síria, foi a posição contrária da Rússia e da China, as únicas nações que podem oferecer um contraponto militar à hegemonia americana.
E, apesar de todo o esforço para derrubar o governo sírio, é mais do que sabido que ele nem é o alvo principal das potências ocidentais e de seus associados do Oriente Médio.
Tudo o que vem sendo feito naquela região visa apenas a atingir o regime dos aiatolás do Irã, esse sim o verdadeiro osso atravessado na garganta dos americanos.
A situação ali está se deteriorando com muita rapidez.
Síria e Irã não dão sinais de que vão se render aos interesses estrangeiros, que, por sua vez, não param de elevar o tom belicoso de suas ameaças.
É aí que a posição brasileira se torna mais preciosa.
Se os líderes mundiais tivessem um mínimo de bom-senso, deveriam parar imediatamente as hostilidades, sentar e negociar até encontrar uma solução que agradasse os vários lados envolvidos com os problemas.
A ONU não foi criada para isso? Ou existe apenas para atender os interesses americanos?
Tem muita gente que acha que essa conduta do Brasil não passa de uma ação meramente utópica, sem lugar na dura vida real.
Eu penso diferente. Acho que a utopia deixa de ser um sonho quando alguém se dispõe a construí-la, quando ela deixa o mundo das ideias e passa a habitar o mundo de verdade.
É o que o Brasil está fazendo neste momento, dando lições de como é possível superar as diferenças com o diálogo, com bons argumentos, com boa vontade.
E isso, se ainda não é o suficiente, não é pouca coisa.
cronicasdomotta

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