sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Lei de Gérson continua trancando a pauta

O estigma de Gérson
Em meados da década de 70, o lema publicitário “gosto de levar vantagem em tudo” liquidou com a honra de Gérson, brilhante canhotinha de ouro e meia-armador da seleção brasileira. O erro letal do anúncio dos cigarros Vila Rica era o de vangloriar a malandragem.
Vista hoje, a citação soa quase infantil, impossibilitando de causar qualquer efeito e muito menos indignação; até porque a malandragem virou norma e tem seu código próprio.
Nós, brasileiros, nos orgulhamos de nosso jeitinho: se há regras elas devem ser burladas em nome de nossa nacionalidade.
Esta malandragem inerente à nossa nacionalidade, não nos permite um real desenvolvimento social, enquanto povo e enquanto nação, em sua concepção plena, uma vez que uma nação não se constitui de jeitinho ou de malandragem.
A falta de consciência do cidadão tem muito nos afetado ao longo da historia. Não há uma consciência coletiva sobre o comportamento ético da sociedade e somos profundamente lenientes à descompostura empresarial, social e sobretudo política.
O problema disso é que as maiores vítimas desse jeitinho, dessa identidade nacional, somos nós mesmos.
Na política, então, as transgressões parecem não trazer alarme algum. Vale tudo. Transgredir, iludir, roubar, desonrar toda sorte de Leis, menos a Lei de Gérson.
Na Câmara dos Deputados e no Senado, casas responsáveis por fazer as leis, precioso é o dia em que elas não são ludibriadas. Em nome de se “tirar vantagem”, acumulam-se contratações irregulares, atos secretos, nepotismo, negociatas, escândalos e outras tantas infames atitudes, além de astúcias diversas, como armadilhas perspicazes, mas não menos vergonhosas.
As transgressões estão em todos os cantos e parecem se multiplicar em anos eleitorais.
Vilipendiada dia pós dia, a lei eleitoral é quase um artefato de literatura.
Os mecanismos de penalidade para quem a fere são tão dóceis que acabam por instigar o crime e infelizmente para os políticos e para os possuidores de bons advogados, o crime ainda compensa.
Ao analisarmos a ficha corrida de alguns políticos brasileiros, encontraremos incontáveis crimes graves que ruborizariam qualquer facínora no mundo dito civilizado.
Entretanto, elegemos e reelegemos indistitivamente esses bandidos travestidos de políticos para cargos eletivos, e o pior damos os mecanismos necessários para eles continuarem a burlar as leis e se enriquecerem.
Isso tudo sem a menor indignação, um sentimento essencial para a ruptura da desonra, e para a construção de uma nova sociedade baseada nas leis e na justiça.
Obviamente, é complicado se exigir tal comportamento numa sociedade que foi estigmatizada como o país do jeitinho, ou pior ainda, numa sociedade despolitizada, que tem um nível educacional ruinoso.
Não temos a cultura da responsabilidade social, dos destinos de nosso país, pior ainda quando mais de 50% da população não se lembra em quem votou nas últimas eleições.
Todavia, seria injusto creditar apenas à classe política esse comportamento vil, até porque a política em muito reflete a nossa própria sociedade.
Pois, a Lei de Gérson também impera fora dos recintos sofisticados dos palácios e das Casas Legislativas no Brasil.
Mas, diferentemente da política o jeitinho brasileiro, segue a lógica do mais forte.
Dou como exemplo os Senhores Pimenta Neves, Daniel Dantas, Nicolau dos Santos Neves, José Roberto Arruda.... dentre outros; estes cometeram os mais vaiáveis tipos de crimes, dentre eles homicídios e estão aí livres, leves e soltos.
Para eles, a Lei de Gérson custa caro pois são defendidos por excelentes e brilhantes advogados.
O que reforça um velho ditado:
''Bons advogados conhecem as leis.
Ótimos advogados conhecem a jurisprudência.
Advogados extraordinários conhecem os juízes.
Advogados geniais conhecem as leis, a jurisprudência, os juízes e, de quebra, a polícia.” 
É este o país de Gérson que queremos ou será que não está na hora de sermos um país de justiça e compostura?
Henrique Matthiesen
By: Clipping do Mário

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