segunda-feira, 28 de maio de 2012

A crise econômica alardeada na mídia é diferente da que se vê no Brasil real



Se o prezado leitor é dos que se preocupam com os alaridos saídos das folhas e telas cotidianas, arriscará passar triste o fim de semana.  

Se, ainda, começa o dia ouvindo os comentários de Miriam Leitão, no “Bom dia, Brasil”, da TV Globo, pior. Cancelará a festinha de 5º aniversário de seu filho.
  
Também não evitará algumas lágrimas com a aflição que transpirou hoje na manchete da “Folha”: “Renda e emprego resistem à freada econômica do país”. Ô dó. Do editor, claro, inconformado por nã
o termos chegado ao pior dos mundos.  

Homem de bom coração, para não perder o viço de dias longe da macroeconomia, eu pouparei o leitor de notícias tão gregas assim.  
Acabo de chegar do oeste do Paraná. Povo interessante aquele. Ou vive sonhando ou ainda não foi avisado de que o Brasil atravessou o Atlântico e se uniu à costa ocidental da África.  
Sempre me dei bem e fiz grandes amizades na região. Ali se faz negócios sérios de forma bem humorada, descontraída e acompanhada de alta qualidade etílica e gastronômica. Difíceis os formalismos e excesso de importância. Ganhar dinheiro, e disso eles entendem, não requer pompa.”
Andando pelas fazendas nesta mesma época do ano passado, além dos tradicionais trigo e milho safrinha, vi bastante canola. Neste ano, vejo muito feijão. Bom preço, boa receptividade à leguminosa, readequação.  
Nos almoços falamos da mentira plantada por uma consultoria norte-americana de que a soja teria pra já uma queda histórica de preços; do motivo real para um grande produtor de cana dizer-se desinteressado pela agricultura; dos altos preços dos imóveis e o número de concessionárias de veículos na cidade.  
Tudo assunto sério, política só para dar risada, mas ali, à nossa frente, a tarde passava tranquila com um porco perfeito sendo lentamente assado e um barril de carvalho com boa cachaça.  
À noite, nas instalações da empresa Herbicampo, seus sócios e técnicos me contam de novas tecnologias, manejos e da busca por produtividade.   
Logo me deparo com longa mesa de saladas que inclui uma “mandioquese” (maionese de mandioca), especialidade preparada pelo amigo Vádis Consoli, e uma ovelha inteira sendo assada dentro de um tambor.  
Poderiam ter parado por aí. Não. Para acompanhar o jantar e o futebol que corria num telão ao lado, o Vádis, mais Lauro, Everson e Gabriel, apresentaram a mim, e aos amigos Joni, Ilário e Viviane, duas sensacionais cervejas, uma clara outra escura. Dólar barato, desindustrialização, com certeza, importadas.
Nada disso, produção própria. Da “Cervejaria Previdência”. E garanto que se você prová-la, não perceberá nenhum déficit.
Há grande diferença entre a crise econômica alardeada pela mídia e via crucificada nos escritórios da financeirização e a que se vê no Brasil da produção.  

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